Símbolo pagão: A Origem da Cruz no Cristianismo, por G. H. Pember*

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“Assim como os judeus professavam reverenciar a lei, pretendem os romanistas reverenciar a cruz. Exaltam o símbolo dos sofrimentos de Cristo, enquanto no viver negam Aquele a quem ela representa. Os romanistas colocam cruzes sobre as igrejas, sobre os altares e sobre as vestes. Por toda parte se vê a insígnia da cruz. Por toda parte é ela exteriormente honrada e exaltada.” — Ellen G. White, em O Grande Conflito, pág. 499 (568).

*George Hawkins Pember, conhecido como G. H. Pember, erudito e teólogo inglês. Nascido em 1837. Em 1856, ele se matriculou no Gonville and Caius College. Ganhou o B.A. nos estudos sobre os Clássicos e seu M.A em 1863. Após se tornar cristão, produziu uma vasta variedade de livros, como Animals: Their Past and Future, The Antichrist Babylon and the Coming of the Kingdom, The Great Prophecies, The Lord’s Command e Mystery Babylon the Great. Parece que frequentava uma congregação dos Irmãos de Plymouth. Sua principal obra é As Eras Mais Primitivas da Terra (Earth’s Earliest Ages), editado em dois volumes no Brasil pela Editora dos Clássicos.

G. H. Pember morreu em 1910, aos 73 anos e suas obras ainda são utilizadas como referência por muitos cristãos no campo da escatologia e criacionismo. G. H. Pember, desafiou alguns da sua época com suas teorias revolucionárias. Enfrentou de um lado a oposição dos evolucionistas que viam em sua tese muita consistência e dos téologos conservadores que se opunham às suas idéais de vanguarda. G. H. Pember, não faz afirmações, mas lança suposições e desafia o leitor a tirar sua conclusões.

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A Origem da Cruz no Cristianismo

por G. H. Pember

Venerar o Instrumento da Morte de Jesus? Por que o instrumento de madeira no qual Satanás destruiu a vida humana do Senhor Jesus deveria ser venerado, adorado e designado como um sinal sobre o povo de Deus? Se um parente muito chegado, ou um amigo intimo fosse assassinado, guardaríamos a arma usada em ato tão vil? Iríamos venerar ou marcar sobre nós sua forma e sobre todos os que amavam a vítima? Iríamos desenvolver algo tão doentio, que nos levasse a imaginar que não poderíamos lembrar do falecido a menos que colocássemos o maldito instrumento da sua morte diante dos nossos olhos? Seria possível o instrumento nos fazer esquecer o falecido? Poderíamos permitir que o instrumento que o matou o substituísse em nossa afeição? Poderíamos chegar até mesmo a adorar o instrumento em parte ou plenamente? Se alguém agisse dessa forma, certamente seria visto como acometido de loucura.

Por que então, os homens cometem esta tolice no caso da cruz de Cristo? Se a intenção deles fosse celebrar a vitória de Satanás, tal conduta seria justificada; mas que outra base existe fora dessa? Algum outro motivo além do amor a Cristo deve ter originalmente preparado esta veneração da cruz, mas a explicação para tal só seria encontrada no costume Católico, depois que os homens tivessem sido ligado a ela (cruz) por meio da superstição.

A Cruz vem do Paganismo

A cruz foi conhecida nos cultos pagãos? Certamente que sim. Podemos encontrá-la nas relíquias dos Babilônios e Assírios; ela pode ser vista na mão dos maiores deuses Egípcios (na forma da cruz ansata). C. W. King comentou: É espantoso como os simbolismos dos Egípcios e os de segunda mão dos Indianos passaram a ser usados nos tempos subseqüentes. Desse modo, a mitra e o cajado em forma de gancho do (falso) deus, se tornou a mitra e báculo do bispo; o termo “nun” (freira) é puramente egípcio e tinha o mesmo significado atual: o oval ereto, símbolo do Principio Feminino da Natureza, se tornou a “Vesica Piscis” (Bexiga do Peixe) e uma figura para coisas Divinas; a “Cruz Ansata”, testificando a união do Principio do Macho e da Fêmea na forma mais obvia e indicando fecundidade e abundância, conforme é levada na mão do (falso) deus, é transformada por uma simples inversão no Globo encimado pela cruz e a insígnia da realeza (Os Gnósticos e Suas Relíquias, pg. 72).

cruz-ansataVeremos que ela sempre foi um objeto de veneração entre os Budistas; os Druidas a enfeitavam e atavam seu carvalho sagrado na forma de cruz; e os espanhóis ficaram surpresos quando a viram erigida e cultuada entre os nativos pagãos no México. E em toda parte o significado do símbolo era o mesmo: a vida e fecundidade, pois indicava a união dos sexos e era o grande símbolo do culto da Natureza. E este fato nos permite entender porque algumas vezes, tal como acontece entre os Budistas e Maniqueus, ela aparece como uma cruz brotando e florescendo.

Da mesma podemos perceber a origem do tratamento dado a ela no Ofício Romano da Cruz: “Salve, ó Cruz, madeiro triunfal, verdadeira salvação do mundo, entre as árvores não existe nenhuma como tu em folha, flor e botão”. Na verdade, esta rapsódia foi colocada em versos pelos conspiradores de Oxford, para os membros da Igreja da Inglaterra, através das seguintes palavras: “Ó Cruz fiel, tu madeiro inigualável, floresta nenhuma pode produzir outra semelhante a ti, em folha, flor e botão. Doce é a madeira e doce o peso, e doce os cravos que em Ti penetram, ó doce madeiro”.

Mas pior ainda é a outra forma em que ela aparece nos “Hinos Antigos e Modernos”, o Hinário mais popular da Igreja Estabelecida: “Cruz fiel, acima de todos os outros, o único Madeiro nobre; nenhuma se iguala a Ti na folhagem, no florescer e nos frutos; madeiro mais fragrante e cravos mais doces, peso mais suave é colocado sobre ti”. É possível acreditar que a Inglaterra aceite esse disparate sentimental pagão como cristianismo, e ainda mais no alvorecer do século vinte? O tempo realmente chegou para o cumprimento da profecia: “As trevas cobrirão a terra, e densas trevas os povos”.

Sua introdução no Cristianismo

Mas se a veneração da Cruz pelos cristãos parece anormal, e sabemos que o símbolo era um objeto de culto universal no mundo pagão, é possível encontrar algum exemplo histórico da sua transferência do paganismo para o cristianismo? Sobre isso a seguinte citação de Wilkinson pode trazer alguma luz, e mostrará, pelo menos, que eminentes autoridades tiveram vislumbres do fenômeno para a qual a atenção do leitor está sendo dirigida: “Outra cerimônia representada nos templos era a benção concedida pelos deuses sobre o rei, no momento em que ele assumia as rédeas do governo, Eles punham as mãos sobre ele e o presenteavam com o símbolo da vida (a Cruz Ansata), prometendo que seu reino desfrutaria de tranqüilidade, com certa vitória sobre seus inimigos; o rei recebia as boas-vindas (dos deuses) e também declarações apropriadas de aprovação; e por cima disso, em outras ocasiões, o tau (T) sagrado, ou o sinal da vida, era presenteado a ele, um símbolo que, com o centro de pureza, era geralmente colocado nas mãos dos deuses”. Estas duas coisas eram consideradas as maiores dádivas concedidas ao homem pela divindade…

Um fato marcante pode ser mencionado com respeito a esse sinal hieróglifo (o tau, ou cruz ansata) que os cristãos primitivos do Egito adotaram no lugar da cruz, fixando-a para inscrições, da mesma forma que a cruz nos tempos posteriores (Egípcios Antigos).

Em outras palavras, eles continuaram a ver o tau (T) ou cruz ansata, mesmo depois de terem assumido o nome de cristão, exatamente como faziam quando eram pagãos reconhecidos. Entretanto, no decorrer do tempo, quando se fez necessário ocultar seu evidente paganismo debaixo de um grosso véu, eles mudaram a cruz ansata (T) para o formato mais comum da cruz.O significado era o mesmo, embora não o expressasse tão amplamente.

Ajuntando todos os fatos que foram reunidos, explicamos a origem da veneração da cruz:

1. O símbolo era um objeto de adoração no culto pagão à natureza, como símbolo da vida

2. Sua forma geralmente se assemelhava à cruz onde os escravos e os que não tinham cidadania romana eram executados;

3. Aproveitando essa coincidência, Satanás efetuou a morte do Senhor Jesus por meio da cruz, pois o seu propósito era empurrar para dentro do cristianismo um símbolo tão depravado e ídolo do paganismo.

No terrível momento de Sua morte, parece que nosso Senhor Se submeteu ao poder de Satanás, conforme a predeterminação do conselho de Deus. Certamente esse é o significado das Suas palavras àqueles que O prenderam: “Esta é a vossa hora e o poder das trevas” (Lc 22:53); isto é, “esta é a hora destinada pelo decreto de Deus para a realização da vossa obra; pois a multidão que vejo diante de Mim é dirigida pelo Poder das Trevas, que agora deve ter seu triunfo passageiro”.

E tudo indica que a decisão de Satanás em usar ao máximo o poder colocado em suas mãos, como ele fez no caso de Jó, foi o que selou sua condenação. Pois, quando o Senhor indicou que a hora dos Seus sofrimentos e morte havia chegado. Ele disse: “Agora é o juízo deste mundo. Agora o príncipe deste mundo será lançado fora” (Jo 12:27-33). Assim o Diabo forneceu aos convertidos pagãos uma desculpa para continuarem com um culto favorito: a antiga veneração que eles dedicavam ao símbolo da vida (T), levando-os a negligenciar o seu reaparecimento absurdo como cruz entre os cristãos. O que se pretendia com essa introdução é evidente: o alvo era corromper a fé e materializar aquilo que deveria ser exclusivamente de caráter espiritual. Portanto, venerar a cruz é puro paganismo! Aquele que sofreu sobre a cruz por amor de nós é Quem deve ser venerado, adorado, cultuado e servido de todo o nosso coração, e alma, e força!

Entretanto, se formos insultados com as mesmas circunstâncias vergonhosas da Sua morte, devemos estar dispostos a participar do Seu opróbrio, e nos tornamos semelhantes a Ele como a escória do mundo e lixo de todas as coisas, e a clamar com Seu Apostolo: “Nos gloriamos na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo!” Mas se nos apresentarem a forma da cruz de madeira, só podemos responder como Paulo teria feito: É o madeiro maldito e símbolo da superstição!

6 thoughts on “Símbolo pagão: A Origem da Cruz no Cristianismo, por G. H. Pember*

  1. Imagine que alguém amasse profundamente o pai ou a mãe e ambos fossem mortos a tiros por um inimigo. A partir de então você mandasse fazer uma miniatura da arma usada e andasse com ela dependurada num brinco ou em um cordão ou numa pulseira para se lembrar sempre do crime.Seria um absurdo totalmente ilógico. JEOVÁ te abençoe e te guarde em nome de Jesus Cristo.

  2. Não entendo como pessoas que amam a Jesus podem ignorar o sentido da Cruz, se foi por ela que o sangue de Cristo foi por nós derramado e por ela fomos libertos da escravidão do pecado.É pela Cruz de Cristo que a vida vence a morte..Jesus se colocou no madeiro por cada um de nós e ignorar a sua Cruz é ao mesmo tempo ignorar a salvação..Vida que vence a morte..
    Será que o próprio Jesus se equivocou ! “Se alguém quer seguir-Me negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-Me (Lucas 9,23).” Claro que aqui Ele retrata a cruz do sofrimento da dor..mas Ele mesmo deu testemunho de qual Cruz Ele carregaria por nós..qual era a missão dEle para nos salvar..
    “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus. ”
    1 Coríntios 1,18.
    Pode ser um simbolo para alguns de vcs..mas para quem realmente crê no Senhor Jesus..a Cruz é sinal visível da Salvação..dAquele que entregou a sua vida.
    Existem monumentos a tantos soldados, tantos políticos etc que ali lembram da pessoa ou da guerra q aconteceu, a batalha que se travou ninguém gostaria de olhar pra aquilo..mas as pessoas mais próximas e da família com certezam encontram ali o sentido da morte da pessoa….Ah e de Jesus não se pode lembrar????? Q amor a Jesus existe então??
    Aquele que salvou a minha vida através da morte ressuscitou e está no meu coração, mas se não existisse a morte, e a CRUZ q Ele foi pregado eu hoje não estaria aqui pra te dizer o quanto eu AMOOOOO a Cruz pois é nela q está a razão da minha existência!!!!!!!!!!!!!!!!

    1. “Não entendo como pessoas que amam a Jesus podem ignorar o sentido da Cruz”.

      Engraçado, eu li no texto sobre VENERAÇÃO da cruz.

      Veneração = admiração excessiva por algo ou por alguém.

      Será que li errado?

  3. Como que nós como cristãos poderíamos amar um objeto que é sinal de vergonha e dor?

    Infelizmente é isso que estamos fazendo ao cantarmos o hino Rude Cruz do hinário Adventista.

    Rude Cruz
    Hinário Adventista do 7º Dia:

    Rude cruz se erigiu! Dela o dia fugiu
    Em sinal de vergonha e de dor!
    Mas EU AMO ESSA CRUZ, sobre a qual meu Jesus
    Deu a vida por mim, pecador

    Sim, eu amo a mensagem da cruz
    Té morrer eu a vou proclamar
    Levarei eu também minha cruz
    Té por uma coroa trocar

    Desde a glória dos céus, o cordeiro de Deus
    Ao calvário humilhante baixou
    E ESSA CRUZ tem pra mim ATRATIVOS SEM FIM
    Pois Jesus nela me regatou

    Nessa cruz padeceu, desprezado, morreu
    Meu Jesus para dar-me o perdão
    Eu me alegro NA CRUZ, dela vem graça e luz
    Para minha santificação

    Eu aqui, com Jesus, a vergonha da cruz
    Quero sempre levar e sofrer
    Ele vem me buscar, e com ele, no lar
    Uma parte na glória hei de ter

    1. Se Cristo tivesse sido condenado a morrer nunca forca, por exemplo, seria correto dizer “o quanto eu AMOOOOO a Forca”?

      Estranho não é?

      Este instrumento de execução (cruz) era usado para trazer tortura e humilhação ao condenado.

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