Reviravolta no Caso Kalupeteka: Comandante da Polícia na Caála terá morrido por fogo amigo

Novo clipping de notícias de Angola:

CHEFEDEPOLICIA_HUAMBO27 de abril 2015

Lisboa – As autoridades angolanas ainda não reagiram as informações contidas num relatório dando conta que o comandante municipal da Caála, superintendente-chefe, Evaristo Katumbela Ukomo terá falecido após ter sido atingido por uma bala perdida de um colega da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) e não conforme a versão apresentada publicamente por dois altos funcionários do Ministério do Interior. Os dois conhecidos responsáveis são citados como estando em problemas por terem enganado o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, sobre o sucedido, em torno da Igreja Katupeleka.

Pai do malogrado perdeu a vida quando soube da verdade

De acordo com o relatório, a morte de Evaristo Ukomo aconteceu quando uma brigada motorizada das FAA, – em reforço a um contigente da PIR – avançou para o Leste e sudoeste, do santuário da Igreja Kalupeteka, perseguindo os fugitivos que carregavam mortos e feridos (mulheres e crianças).

No dia seguinte, verificou-se que os responsáveis da polícia ao local tinha sido mortos a catanadas mas o comandante da PN, Evaristo Katumbela Ukomo tinha sido atingido por uma bala perdida provavelmente disparada pelos seus colegas da Policia de Intervenção Rápida (PIR) que lhe atravessou o olho furando a nuca.

A conclusão com que se baseia o relatório é sustentada pelo facto de os crentes encontrados vivos não tinham armas de fogo em nenhum momento mas sim catanas, machados e picaretas.

A versão inicialmente avançada por dois altos responsáveis do Ministério do Interior insinuando que os crentes tinham armas de fogo ou arsenal de guerra, foi destinada a culpa-los pela morte do comandante da policia nacional e evitar com que a família do mesmo ficasse a saber que o malogrado foi mortalmente atingido por balas dos seus colegas.

Logo após ter conhecimento que Evaristo Katumbela Ukomo perdeu a vida, o seu pai, não resistiu o embate acabando também por falecer na cidade do Huambo.

Retaliação

No momento em que foram reconhecer os corpos dos colegas, um outro oficial da PIR identificado por “Chefe Pinto”, terá se sentido revoltado tendo retaliado alguns crentes feridos pela mesma moeda.

O “Chefe Pinto” segundo o relatório encontrou um grupo de jovens com pertas partidas, outros feridos que não conseguiam andar. Ao ve-los, terá usado as seguinte expressão “como mataram os nossos chefes com catanas é com catanas que vamos vos matar também”. Ao começou a lhes cortejar até que os jovens fieis perderam a vida.

Ao lado de uma moradia de José Kalupeteko, que era a casa mais sumptuosa, havia um posto medico da Igreja. Os operacionais da Policia encontraram no seu interior outros feridos vivos e escondidos que foram massacrados ai mesmo.

http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=20935:comandante-da-policia-na-caala-tera-morrido-por-fogo-amigo&catid=11:foco-do-dia&Itemid=1072&lang=pt

“A nossa conclusão é que houve matança grave!”

Abel Chivukuvuku, líder da CASA-CE, contou em exclusivo aquilo que viu na montanha Sume.

Por Luísa Rogério (texto) e Ampe Rogério (fotos).

No dia 16 de Abril último, nove agentes da Polícia Nacional foram assassinados no município da Caála na sequência de confrontos com fiéis da seita religiosa Luz no Mundo, liderada por Julino Kalupeteka. Pouco se sabe do que realmente aconteceu a seguir, mas alegações da chacina de membros da seita têm vindo a ser denunciadas publicamente. Com o propósito de apurar os factos, uma delegação da CASA-CE, chefiada pelo seu presidente, Abel Epalanga Chivukuvuku, esteve no Huambo de segunda a sexta-feira passadas. A delegação desdobrou-se em contactos com o governador provincial, Kundi Paihama, comandos das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional, autoridades tradicionais e religiosas. A delegação de Abel Chivukuvuku foi a primeira não ligada às autoridades a visitar a montanha de Sume, onde tudo se passou. Como tudo aconteceu e o resumo das constatações no terreno é apresentado por Abel Chivukuvuku em entrevista exclusiva ao Rede Angola, dada momentos antes de deixar a capital do Planalto Central.

No fim da visita de quatro dias à província do Huambo qual é a percepção que tem da realidade?

Nós viemos, como delegação da direcção da CASA-CE, para podermos perceber, investigar e auscultar o que aconteceu, porque é que aconteceu e como aconteceu. Viemos sem preconceitos e sem julgamentos. O nosso propósito não era procurar culpados, era entender o fenómeno para ajudarmos o nosso próprio país, que já teve muitos traumas no passado, e não permitir que acontecimentos desta natureza se voltem repetir. Assim que chegámos, reunimos primeiro com o Governo chefiado pelo próprio governador, o general Kundi Paihama. Tivemos duas horas de aceso debate. No fim tive um encontro privado, só eu e o general, para podermos evoluir um bocadinho em termos de abordagem que muitas vezes em grupo não é possível fazer. A reunião era muito grande, éramos mais de 30 pessoas dos dois lados. Também nos encontrámos com entidades eclesiásticas de todas as igrejas. Estivemos com o Arcebispado da Igreja Católica e, porque o bispo titular não estava, encontrámo-nos com Dom Francisco Viti e outros padres. Estivemos com os pastores da igreja Congregacional e com a Igreja Adventista do Sétimo Dia, de onde é originário o Kalupeteka. Estivemos ainda com autoridades tradicionais e da sociedade civil, procurando alargar o leque de conversa. Essa foi a primeira fase da abordagem. Depois passámos para a fase da constatação. Fomos à montanha do Sume. Fiáamos duas a três horas lá.

Pode descrever o ambiente que encontrou na montanha do Sume?

Depois vou descrever. Saídos da montanha do Sume, visitámos as aldeias circunvizinhas.

Quantas aldeias visitaram?

Três ou quatro aldeias. Foi difícil encontrar população porque as aldeias estavam quase todas desertas. Por outro lado, como íamos com escolta policial, muitas pessoas fugiam quando viam a polícia. Mas tivemos a sorte de encontrar dois cidadãos que nos descreveram o que aconteceu porque acompanharam de muito perto. Posteriormente fomos a uma aldeia chamada Km 25 onde também falámos com a população. Fomos dialogar com o Comando da Guarnição Militar, que foi ali colocado em Fevereiro deste ano, e visitamos a casa privada do Kalupeteka, que fica nesse posto administrativo. Por último, fomos a Caála para conversar com os responsáveis do município.
No dia seguinte, fomos ao Longonjo porque o governador nos tinha informado, e é público porque saiu na comunicação social, que teria havido alguns desacatos na comuna do Chilata, onde conversámos com uma série de cidadãos. Infelizmente, na Chilata a administradora comunal e os responsáveis policiais fugiram. Encontrámos alguns jovens da polícia, mas não pudemos fazer a auscultação.
GE_Chivukuvuku_frase destaque 1No fim da missão, passámos à fase mais sentimental, mais humana, que foi visitar as viúvas dos polícias. Começámos pela Caála e culminámos aqui com a visita à mãe do comandante Catumbela. O pai do comandante Catumbela também acabou por falecer de cisma, de tanto desgosto. Portanto, encontrámos a viúva e a mãe do próprio Catumbela, também viúva. A morte aconteceu dias depois do falecimento do filho. Não conseguiu aguentar.
É minha convicção, com o máximo de honestidade possível nessas coisas de política, de que a seita a Luz do Mundo não representava perigo para a estabilidade do país. Em nenhum momento representava ameaça, até porque a própria seita tinha uma espécie de ambiente de cooperação com o Governo, que lhe foi dando bens. Ele não andava escondido, tinha interacção e diálogo com o Governo. Pelo que nos explicou o governador, no último encontro que tiveram, em Outubro do ano passado, quando o governador foi ao Sume conversar com o Kalupeteka, este tinha prometido que iria dissolver a seita, já que o Governo não concordava com ela. Isto nos foi dito pelo governador. Portanto, não representava ameaça.
É verdade que a seita tinha algumas práticas anti-sociais, e provavelmente não é a única. Muitas das várias seitas que temos pelo país têm práticas anti-sociais no sentido de, em certa medida, não acatarem imediatamente com determinados pressupostos administrativos. Por exemplo, o censo. O que nos foi explicado é que o Kalupeteka não o aceitou. Eles próprios fizeram a lista e mandaram ao Governo. Recusaram-se a dar os dados como religião, etnia, etc. Significa que tinham um ambiente de meia cooperação, mas com as suas próprias regras. Defendiam a teoria de que o ensino formal não é a coisa mais importante. Para eles é o ensino da vida, a vida é escola. Têm esse tipo de práticas.
Outra constatação é que o que ocorreu não aconteceu espontaneamente. Nós conversámos com o Comando Militar, destacado na aldeia Km 25, que foi transferido do Regimento Militar do Gove em Fevereiro para o Km 25 que é o posto administrativo, a aldeia mais próxima da montanha. Fica talvez a cinco quilómetros da montanha, significa que tudo isso estava em preparação.

A acção da Polícia já estava em preparação?

Absolutamente! Mas não é polícia, é um destacamento das Forças Armadas Angolanas (FAA). Deixe-me explicar: o destacamento que visitámos no Km 25 é das FAA. O próprio comandante é que nos explicou que foram transferidos do Gove em Fevereiro deste ano. Por outro lado, a maneira como o assalto ao acampamento ocorreu não foi de um momento para o outro. Teve fases. Na primeira, foi um agente sozinho levar ao acampamento a notificação do mandado de captura para o Kalupeteka e seus seguidores.

GE_Chivukuvuku_frase destaque 2Quem expediu o mandado de captura?

O Governo provincial do Bié. Eventualmente o agente da Polícia encontrou hostilidade, pegou na motorizada dele e regressou. Não o agrediram mas, sentindo hostilidade, deixou o mandado e retirou-se. Em função disso, organizou-se a nova operação que ocorreu no sábado antepassado e também teve duas fases. Na primeira fase foi um grupo de agentes da Polícia à civil, em número que não nos foi bem esclarecido, mas anda à volta de dez agentes. Entraram no acampamento. O que ocorreu já não temos detalhes, mas sabemos que foram retidos porque já não voltaram. As outras autoridades perderam o primeiro contacto com esse primeiro grupo que era suposto capturar o Kalupeteka.
Em função disso, e foi o que o governador nos explicou, mandou cercar a montanha. Então vieram efectivos das FAA e da Polícia. Montaram um posto de comando para a operação num campo de futebol que fica a mais ou menos quinhentos metros do acampamento. Os populares explicaram-nos que a partir daí, quando os militares e polícias avançaram, já não foi para falar. Foi a disparar.

GE_Chivukuvuku_frase destaque 3Como é o acampamento?

O acampamento tem duas partes. Tem uma parte de culto, numa espécie de descampado com muitas pedras onde se sentavam os crentes, e um altar onde ficavam, de certeza, as entidades da seita. Os disparos foram para essa área onde estavam as pessoas em culto. Por causa desse primeiro grupo de agentes da polícia à civil, o culto tinha parado. Estava tudo silencioso. Parte dos efectivos disparou contra as pessoas que estavam sentadas no culto e outra parte foi destruir o acampamento. Uns queimavam, outros disparavam. Os populares explicaram que ficavam sentados à frente as crianças e as mulheres, e atrás os homens. Era essa a ordem dos cultos. Quando iniciaram os disparos, os crentes começaram a cantar cânticos religiosos. Mas os homens que estavam atrás pegaram em paus, mocas e catanas para reagir.
Os populares foram ouvindo disparos e cânticos. Quando se aperceberam que afinal estavam a morrer, o resto debandou. O cidadão que nos explicou, nos seus relatórios disse que a dado momento deixaram de ouvir os cânticos. Depois de algum tempo, os disparos também pararam. Foi mais ou menos assim que decorreu a operação. Houve mortes e destruição.

Conseguiram apurar o número de indivíduos que viviam no acampamento?

O acampamento era grande. A ideia de que as pessoas ficavam ao ar livre não é verdade. O acampamento está numa encosta, tinha casas de chapa, todas elas bem alinhadas. Como a encosta é uma descida, tinham níveis, uma linha de casas no primeiro nível, depois descia-se ao segundo nível e GE_Chivukuvuku_frase destaque 4assim sucessivamente. Aquilo estava bem ordenado. Tinham uma espécie de templo e a seguir o armazém logístico. Portanto, tinham casas bem estruturadas, água com sistema de gravidade, tubos e valas. Tinham energia e pelo que nos deram a entender, o Governo é que ofereceu o gerador. Tinham postes de iluminação com holofotes. Nas casinhas de chapa não havia energia. A energia ia só até ao templo principal e ao centro logístico. Tinham alimentação, encontrámos muita comida dispersa e medicamentos. Não tinham uma vida desumana.

Quer dizer que os crentes não viviam de modo quase primitivo, sem condições mínimas de subsistência?

Nada a ver. Quando fomos à casa do Kalupeteka na aldeia Km 25 constatámos que também foi assaltada e vandalizada pela Polícia. Não tiraram nada, penso que só foram à procura de evidências. Encontrámos tudo estruturado. Havia muitas lavras, todas com arame farpado. O Kalupeteka tinha a casa dele principal, onde vivia a esposa, mais outras três casas onde ficava, uma delas era o centro logístico. Encontrámos mais de 30 sacos grandes de milho na casa da vila, além da comida que encontrámos no campo.
Pelos relatos que obtivemos, tanto do governador como das outras pessoas, o que percebemos é que essa aglomeração de gente veio de muitos lados. Nós recolhemos até bilhetes de identidade, cartões de eleitor de pessoas que vieram de Luanda, do Lubango, etc. Elas foram convocadas pelo Kalupeteka para decidirem o que tinha prometido ao governador no sentido de dissolver a seita. Não quis tomar a decisão sozinho. Foi uma espécie de congresso, peregrinação ou convenção para decidirem o que fazer. É por isso que houve muita gente que veio de outras paragens.

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Confirma as informações segundo as quais pessoas de várias províncias teriam vendido os seus bens para viverem na montanha?

Não confirmo se as pessoas venderam ou não, o que confirmo é que a percepção que tive desse acampamento, dos relatos que ouvi do Governo e de outras fontes, alguns kalupetikistas vieram em peregrinação para regressarem. Deviam decidir sobre a promessa que o Kalupeteka tinha feito ao governador de dissolver a seita. Esse é o entendimento que tivemos.
Outro aspecto, a operação acabou por não ser uma questão policial porque envolveu as Forças Armadas. Até ao momento em que chegámos ao Sume, ainda havia um destacamento das FAA. Na aldeia Km 25 encontrámos o Comando pertencente à unidade do Gove. Portanto, foram forças anti-motim e Forças Armadas.

GE_Chivukuvuku_frase destaque 5Está a referir-se à operação pós-morte dos agentes da Polícia?

A operação pós-desaparecimento ou falta de contacto dos primeiros agentes que foram lá à civil. A nossa conclusão é que houve matança grave! Não posso, com seriedade e honestidade, afirmar se houve genocídio ou não, mas matança grave houve. Morreram polícias, mas morreram muitos civis.

Tem alguma indicação de números? Fala-se em centenas de mortes…

Não arrisco números. Só a Polícia é que pode dar números, porque só eles tiveram a possibilidade de contar. Encontrámos muito sangue. Outro indicador, segundo a nossa percepção, é que a maioria das pessoas que morreram podem ter sido mulheres e crianças. Primeiro pela forma como eles se dispunham na hora das cerimónias religiosas e, por outro lado, pelos vestígios no terreno. Encontrámos muita roupa de criança, senhora e fraldas dispersas. Não sei se contei calças. Não me lembro de ter visto calças em todo acampamento. Também não fazia sentido a vandalização da casa do Kalupeteka que era fora do acampamento. Estava lá a esposa que teve de fugir.

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Montanha_Sume_Ampe_Rogerio
A destruição no acampamento da seita Luz do Mundo, na montanha do Sume.
Ampe Rogério/RA

GE_Chivukuvuku_frase destaque 6Há alguma indicação do paradeiro da senhora?

Os camponeses que encontrámos no terreno só nos disseram que a esposa fugiu antes do ataque e da vandalização da casa. Quando ela se apercebeu que havia tiroteio na montanha, que fica a cinco quilómetros, abandonou a casa. Seria recomendável que as autoridades colocassem lá guardas. Não encontrámos nenhum vestígio das acusações que o Governo faz à UNITA. Encontramos sim, mantas do MPLA. Significa que havia naquela crença religiosa cidadãos que eram do MPLA e trouxeram as suas mantas que tinham a bandeira do MPLA, não da República. Como provavelmente também havia cidadãos da UNITA, do PRS e de outros partidos.

Algumas organizações da sociedade civil e cidadãos comuns no Huambo citam a existência de valas comuns. Tem alguma indicação de onde teriam sido sepultadas as vítimas civis?

Nós ficamos no perímetro mais próximo do acampamento. Vários colegas, e até polícias, foram relatando que sentiam odores. Sentiam cheio de putrefacção. Os colegas achavam que podíamos explorar um bocadinho mais, mas pensámos que não valia a pena. Só isso que podemos afirmar. Não vimos valas.

GE_Chivukuvuku_AmpeTendo havido tantas mortes como é que se pode compreender a inexistência de óbitos em massa, testemunhas ou vítimas? Qual é a leitura da CASA-CE sobre esse “vazio”?

Como era uma espécie de congresso em que vieram pessoas de outras áreas, os convocados não tinham relação com as pessoas daqui. Por outro lado, os populares das aldeias circunvizinhas por onde passaámos, disseram que os fugitivos evitavam ir para aldeias onde não soubessem se havia kalupetequistas ou não. Só fugiam para as aldeias onde sabiam que encontrariam elementos da seita para serem escondidos.
Criou-se um clima de terror e medo. Não confirmo, mas tenho informações de que quando o Governo passou a mensagem de que todos aqueles que não localizassem os seus familiares fossem à casa mortuária identificar corpos, as pessoas tinham medo. Depois circulou a informação de que quem fosse identificar corpo era também conotado como kalupetequista. De modo que acabou só havendo cerimónias funerárias dos agentes da polícia e de mais ninguém.

A Polícia Nacional declara que houve 13 mortos entre a população civil e que todos tiveram funerais condignos.

Onde há uma confrontação com 13 mortos deve haver feridos. Na reunião que tivemos com o Governo pedimos para conversar com os feridos. Se existem, queríamos ir aos hospitais visitá-los. Não conseguimos ver nenhum ferido aqui no Huambo, nem na Caála, no Km 25 ou no Longonjo.

GE_Chivukuvuku_frase destaque 7O que sabe sobre a localização e estado de saúde do Kalupeteka?

Informaram-nos que o Kalupeteka está detido. Perguntei directamente ao governador se sabia onde estava o Kalupeteka para o podermos visitar. O governador disse-nos que não sabia, que estava com as autoridades judiciais. Eu disse em jeito de brincadeira, “é possível que como governador não saiba, mas como agente da segurança de Estado que é, e o senhor é que nos disse que é da bófia, sabe onde está”. O Governo só teria mais vantagem, se o Kalupeteka ainda vive, em mostrá-lo. Não sei se vive ou não, mas a nossa démarche foi impossível. O governador não aceitou.

Não há nenhuma garantia de que esteja vivo? Conseguiram identificar algum familiar?

Não sabemos se vive ou não. O nosso propósito ao ir à sua casa era também para ver se identificávamos algum familiar que nos pudesse dizer alguma coisa sobre o senhor Kalupeteka. Não encontrámos ninguém, a casa estava deserta.

Feito o balanço da visita, quais são os próximos passos?

Pena que nós, angolanos, não aprendamos com a nossa vida. Tivemos um passado muito traumático, deveríamos encontrar paradigmas diferentes para o futuro. Não tem nenhum valor hoje nós acusarmos o Governo, ou o Governo acusar a UNITA. Não tem valor nenhum, as pessoas já morreram. O exercício da governação deveria ser antecipar os fenómenos e encontrar modelos de concertação de diálogo para resolver os problemas. Evitar que percamos mais vidas. Os polícias que morreram são cidadãos. Quando fui visitar a família do comandante Catumbela – que quase acabam por ser meus familiares também – senti o drama que vivem. Os filhos rapazes, os irmãos do comandante Catumbela, morreram na guerra. Ele era o último filho que tinha ficado. Como disse, o pai não aguentou, morreu cinco dias depois.
GE_Chivukuvuku_frase destaque 8Os cidadãos civis que morreram, se vieram do Chipindo, de Benguela ou de onde for, são angolanos. Podem ter sido induzidos a práticas não muito sociais, mas podemos falar. Tudo isso pode ser concertado. Devemos encontrar modelos diferentes. O passado foi construído com base na manipulação e mentira. Deveríamos construir um futuro com base na verdade. Essa é a primeira constatação.
Quanto à segunda constatação, tenho alguma pena de ter indicadores de que o Presidente da República é manipulado com mentiras. Na reunião com o Governo Provincial disseram-nos que havia no Sume bunkers e valas de comunicação. Quando chegámos lá, não havia nada disso. A minha percepção é aquilo que nos disseram, é o relatório que mandam para Luanda e que influencia as decisões lá. Para terem deslocado uma unidade militar do Gove para o Km 25 essa ordem teve que vir de Luanda. O Comando Militar do Huambo não tem capacidade para fazer deslocar unidades. As ordens de Luanda foram dadas em função das informações enviadas daqui.
GE_Chivukuvuku_frase destaque 10Ao nível central do Governo deveriam ter muita cautela quando recebem informações das províncias. Fazer investigação, perceber melhor, e não só prestarem atenção ao que o governador ou os serviços de segurança dizem. Essa ideia de que os Kalupeteka tinham armas não é verdade. Nós recolhemos no local invólucros de armas. A maioria delas são usadas pela polícia, uma arma chamada Galil. Mesmo assim ficámos com a impressão de que a área toda foi limpa antes de lá irmos.

GE_Chivukuvuku_frase destaque 11As autoridades negaram à UNITA, às organizações da sociedade civil e aos jornalistas o acesso ao local. A CASA-CE foi a primeira delegação a chegar ao local…

Não nos foi permitido acesso facilmente, nós forçámos. Quando estivemos com o governador, ele disse-nos que podíamos ir onde quiséssemos, mas sugeriu que eu deveria ir de helicóptero. Ele arranjaria binóculos para eu ver de cima. Dissemos que iríamos por terra. Quando chegámos a Caála, fomos directamente à administração onde encontrámos ordens de que não nos poderíamos deslocar para lá porque aquela era zona militarizada. Dissemos que não, fizemos uma espécie de acampamento na Administração. Os nossos carros bloquearam todas as vias de acesso à Administração. Não sairíamos enquanto não tivéssemos um carro da Polícia para ir connosco ao sítio. Ficámos ali parados. Pediram-nos para ir para um hotel esperar, não aceitámos.

Quanto tempo ficaram lá?

Cerca de 45 minutos, havia a visita do vice-Governador à Administração, encontrámos todo aquele aparato. O vice-Governador teve que parar longe e ir a pé porque nós tínhamos bloqueado os acessos. Disseram que iriam telefonar para outras instâncias para darem autorização, até que veio uma escolta policial local que nos permitiu ir. Se não fôssemos intransigentes não iríamos. Se aceitássemos quando disseram que era zona militarizada, não teríamos visitado. Fizemos finca-pé, ficámos ali e passaríamos a noite se não permitissem. Mas eles perceberam que iria dar escândalo e autorizaram.
Isto foi assim também em resultado do rescaldo da experiência que temos vivido nas províncias. Enfrentámos coisas inconcebíveis. Há administradores que vêm dizer “senhor Chivukuvuku agora não há campanha eleitoral, não podem vir ao município”. Como não? Encontrámos o administrador que disse que só tínhamos autorização para fazer reunião na administração, reunião na nossa sede e que depois partíssemos. Fomos ao município da Bibala e disseram à população para não sair de casa porque os que estavam a vir tinham ébola. Nós, portanto. No Camucuio meteram cadeados e correntes nos hospitais, trancaram os doentes dentro das enfermarias para não os visitarmos.

Não há liberdade de movimentação?

A experiência e o facto de nunca consentirmos ser travados é que nos permitiu ir ao Sume. Antes disso já tinha dito ao governador que não temos medo e lhe dei a ilustração de episódios anteriores, incluindo em Luanda. Quando as populações da Ilha foram transferidas para Kissama, nós fomos lá. Encontrámos uma primeira barreira policial, não podíamos passar depois da ponte. Deixámos os carros e começámos a andar a pé. Vieram helicópteros e mais polícias. Fizeram uma segunda barreira. Alguns colegas, como a deputada Odeth, foram violentados. Mas eu não permiti. Só disse, “agarrem-me se tiverem coragem”. Ninguém quis me agarrar e passei. A postura da UNITA foi diferente. Deram-lhes a informação de que não estavam autorizados e saíram. Estamos a ser factuais.

O Rede Angola foi à montanha do Sume e publicará esta semana uma Reportagem Especial sobre o “caso Kalupeteka”.

http://www.redeangola.info/especiais/chivuku/#.VUhxM-TbvKk.facebook

INSE desmente Laborinho: Kalupeteca nunca foi militar da UNITA

04 maio 2015

Luanda – A biografia do chefe da seita “A Luz do Mundo” nos serviços secretos angolanos diz que “a sua vida esteve sempre dedicada a agricultura e actividade religiosa na sua terra natal”. Por outro lado, foi sempre conflituoso, adúltero, com tendências extremistas e não aceitava as leis do Estado.

Fonte: O País
Os serviços secretos angolanos (SINSE) elaboraram um ficheiro com vasta informação sobre José Julino Kalupeteka, homem considerado como “profeta do século XXI” pelos seus seguidores da Igreja do Sétimo Dia A Luz do Mundo. Dentre os documentos há uma biografia (ver caixa) que contraria a informação adiantada pelo secretário de Estado do Interior, Eugénio Laborinho, no Huambo, apontando Kalupeteka como antigo militar da UNITA.

“Hoje mesmo encontramos material de propaganda da UNITA, também sabemos, pelo cadastro, que Kalupeteka foi soldado da UNITA, eis porque nas buscas que se estão a fazer na montanha do Sumi encontrou-se armamento, uma série de objectos contundentes, candjavites e outros meios e armas brancas que serviram para matar os nossos oficiais superiores e também encontramos uma grande reserva logística, não sei por que razão, e muitos documentos que foram canalizados a investigação criminal”. Disse Laborinho aos jornalistas no dia 17 de Abril, dois dias depois do confronto com a Polícia no monte S. Pedro Sumi, de que resultou a morte de nove efectivos policiais e de treze civis alegadamente pertencentes a seita.

Ao caracterizar Kalupeteka, dois parágrafos da biografia no ficheiro do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SINSE) dizem: “Nunca esteve matriculado em alguma escola, apenas teve aulas de alfabetização, ministradas pelo seu primo Henriques Domingos”. No parágrafo seguinte, sobre o envolvimento militar, diz o documento que Kalupeteka “Nunca foi militar, a sua vida esteve sempre dedicada a agricultura e actividade religiosa na sua terra natal”.

O que o documento não refere é como Kalupeteka se viu livre da tropa se na idade de mancebo, em plena guerra, o serviço militar era obrigatório em Angola. Um analista ouvido por O PAÍS alerta para a possibilidade o SINSE estar ainda a trabalhar com vários perfis de kalupeteka, até encontrar um que o defina por completo.

A biografia a que este jornal teve acesso descreve o percurso de José Julino Kalupeteka de 1983 a 2010 e caracteriza-o, no penúltimo parágrafo, como sendo “um cidadão com tendência extremista, pois não respeita as leis do Estado, é conflituoso perante as outras pessoas, sobretudo quando estava ligado a Igreja Adventista do 7º Dia e, para ele, o único Estado é Deus”.

No fim, o documento diz que Kalupeteka “é considerado de bom orador, com forte poder de mobilização, boa capacidade de persuasão e de convencimento, aproveitando, para tal pessoas um pouco desequilibradas do ponto de vista psicológico, resultado de instabilidade social, económica e emocional e, sobretudo, descontentes, referindo-se àquelas que são expulsas da Igreja Adventista do 7º Dia por mau comportamento”.

Biografia de José Kalupeteka

José Julino Kalupeteka, solteiro de 46 anos de idade, filho de Júlio Kamoli e de Teresa Nangassole, nasceu aos 15 de Setembro de 1969, natural da Kayambo, sector do Quilómetro Vinte e Cinco, município da Caála, Província do Huambo, portador do BI nº 005627764HO046, passado pelo arquivo de identificação do Huambo, aos 26/02/12, vive maritalmente com a senhora Feliciana Lúcia Ngundo, com a qual tem oito filhos (nomes propositadamente omitidos).

Nunca esteve matriculado em alguma escola, apenas teve aulas de alfabetização, ministradas pelo seu primo Henriques Domingos. Nunca foi militar, a sua vida esteve sempre dedicada a agricultura e actividade religiosa na sua terra natal.

Em 1983 abandona a aldeia de Cayambo e instala-se na aldeia de Cawayala, no Quilómetro Vinte e Cinco, e tendo em conta os seus dotes musicais, é indicado para exercer as funções de responsável do grupo coral da Igreja Adventista do quilómetro Vinte e cinco.

Desempenhou essas funções até 1986, altura em que começou a portar-se mal, pois, não respeitava os responsáveis da igreja, mormente os pastores Romeu Cinco reis, Tamásio Bongue e Aurélio Nanga, facto que o levou a ser expulso da igreja no Quilómetro Vinte e Cinco.

Em função da influência que este tinha no seio da juventude cristã da Igreja Adventista do 7º Dia, vai para a sede da província, concretamente para o bairro de Capango, onde exerceu as mesmas funções na igreja do Kapango.

O mesmo comportamento de desrespeito aos responsáveis da igreja, associado a actos de adultério, em 1999 abandona a Província do Huambo e fixa-se na Província da Huíla, concretamente no bairro Lalula, na cidade do Lubango.

Na Província da Huila continuou com o seu comportamento e fugiu para a Província do Huambo, onde foi recebido pela direcção da Igreja do 7º Dia do bairro Calomanda.

Tendo em conta o seus carácter agressivo e hostil contra os responsáveis da igreja, para além do seu comportamento adúltero, aos 18 de Fevereiro de 2001 é expulso em definitivo da igreja, tendo como mote a violação dos princípios doutrinais, mormente o envolvimento em actos de adultério, onde envolveu-se com uma jovem do grupo coral, tendo-a engravidado sem assumir a responsabilidade.

A medida tomada pela igreja criou-lhe um espírito de revolta contra os pastores, acusando-os de desvios de fundos, feiticeiros, mentirosos e mobilizava os crentes para não pagamento dos dízimos.

Estas acções eram desenvolvidas através de canções religiosas, cujos conteúdos, apara além de terem o carácter religioso, ofendiam os seus responsáveis. Assim, em 2006 começa com o trabalho de evangelização dos crentes da Igreja Adventista do 7º Dia a partir da Província de Benguela, isto no bairro Calomanga, para desacreditar os seus responsáveis.

No mesmo ano, desloca-se a província do Bié, onde efectuou trabalho idêntico num período de sete dias e regressou para a sede da Província do Huambo, instala-se no bairro Calundo, onde viveu por um período de 19 meses.

Durante o período de permanência na sede do Huambo, prosseguiu com a hostilização dos responsáveis da Igreja Adventista do 7º Dia, acção que já tinha realizado em Benguela e Bié, com sabotagem das suas actividades, promovendo acções no mesmo local onde decorriam as actividades da igreja, simplesmente para criar um ambiente de sabotagem e intriga e sempre que fosse repreendido, partia para a violência em companhia dos seus seguidores.

De 2007 a 2008, dedicou-se em acções de evangelização das populações, cujo alvo preferencial eram crentes que sofriam medidas disciplinares no seio da Igreja Adventista do 7º Dia.

Em 2009 a 2010, desloca-se a Província de Luanda, concretamente no Município de Cacuaco, no bairro da Vidrul, onde deu prosseguimento com a sua actividade de evangelização. Na base da adesão que se registava, foi aconselhado pelo pastor José Silva, a reunir documentos para fundar a sua própria igreja.

Este acatou o conselho do pastor e, segundo o mesmo, reuniu a documentação e fez entrada à Repartição dos Assuntos Sociais do Município do Cacuaco, onde foi atribuído o nome de Igreja Cristã no Sétimo Dia a Luz do Mundo.

Em 2010, regressa a Província do Huambo e instala-se no Quilómetro Vinte e Cinco, onde comprou um terreno na serra do Sumy, para fins agrícolas. Devido a adesão que foi registando nos cultos que realizava na sua residência, este foi obrigado a construir um estábulo no seu terreno localizado na serra do Sumy, que transformou em igreja.

Trata-se de um cidadão com tendência extremista, pois não respeita as leis do Estado, é conflituoso perante as outras pessoas, sobretudo quando estava ligado a Igreja Adventista do 7º Dia e, para ele, o único Estado é Deus.

É considerado bom orador, com forte poder de mobilização, boa capacidade de persuasão e de convencimento, aproveitando, para tal pessoas um pouco desequilibradas do ponto de vista psicológico, resultado de instabilidade social, económica e emocional e, sobretudo, descontentes, referindo- se àquelas que são expulsas da Igreja Adventista do 7º Dia por mau comportamento.

http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=21020:sinse-desmente-laborinho-kalupeteca-nunca-foi-militar&catid=2:sociedade&Itemid=1069&lang=pt

http://opais.co.ao/kalupeteca-nunca-foi-militar/

“A luz do Mundo”, José Kalupeteca: Onde está a verdade, quantos policias e populares morreram e em que condições?
ABRIL 24, 2015 ADMIN
kalupateca

“A luz do Mundo”, José Kalupeteca: Onde está a verdade, quantos policias e populares morreram e em que condições?

Dos últimos acontecimentos das actividades do responsável da seita religiosa, “A luz do Mundo”, José Kalupeteca, e os seus fiéis, na Serra Sumé, (Cáala /Huambo), e nas aldeias adjacentes, na versão oficial só se menciona o assassinato e morte de dez agentes da Policia Nacional e fala-se do envolvimento da UNITA nos órgão de comunicação social estatais, mas nas redes sociais fala-se em genocídio com a morte de mais de trezentas pessoas, entretanto a polícia já admitiu haver treze mortos entre os fiéis, enquanto que a Unita fala em centenas de mortes. Este caso está tomar contornos políticos para além dos religiosos e tribais, com informação e contra informação, para pôr termo a isso o ministério público tem que informar com verdade o que realmente se passou e quais foram as medidas adoptadas para resolver de uma vez por todas toda essa tragédia em que as principais vítimas são os populares que devido as dificuldades do dia a dia são vulneráveis a estas seitas religiosas e a fúria da policia. O Estado como pessoa de bem deve proteger o cidadão e não o que acontece em Angola em que o cidadão tem de se proteger do Estado. Deixamos aqui alguns extractos da versão oficial dos factos e da comunicação social estatal, a versão da Unita e o que circula nas redes sociais e em alguma imprensa livre para consideração dos leitores e amigos do CAI (Circulo Angolano Intelectual).

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, transmitiu ontem a seguinte mensagem ao Povo Angolano, a propósito dos actos praticados pela seita “A luz do Mundo” que conduziram ao assassinato, na semana passada, de agentes da Polícia Nacional:

POVO ANGOLANO,

Um triste acontecimento teve lugar no país na semana passada. Um grupo de fiéis da Igreja Adventista do Sétimo Dia abandonou a sua congregação e decidiu criar uma seita religiosa denominada “A luz do Mundo”.

O grupo abandonou também a doutrina social da sua antiga igreja, que é baseada nos Mandamentos da Lei de Deus e noutros princípios da Bíblia Sagrada, e formulou a sua própria doutrina com base no fanatismo religioso, no ódio em vez do amor ao próximo, na divisão e na mentira, com o propósito de não respeitar a autoridade do Estado e de promover a anarquia.

Essa doutrina fomenta a desintegração da sociedade e a separação das famílias, estimula o pecado e é contra os valores, os princípios morais e cívicos e os usos e costumes do povo angolano. A seita “A luz do Mundo” é, de facto, uma ameaça à paz e à unidade nacional.

Devemos render uma profunda homenagem a todos os oficiais e agentes da Polícia Nacional que com coragem e determinação sacrificaram as suas vidas no cumprimento do dever, quando foram cobardemente assassinados pelos responsáveis da seita “A luz do Mundo”.

Por essa razão, deve-se promover ao grau imediatamente superior e a título póstumo estes bravos oficiais, organizando funerais com dignidade e dando todo o apoio necessário às famílias enlutadas.

Por outro lado, é necessário que o Governo promova, com o apoio da Sociedade Civil e das Igrejas, uma ampla campanha de educação para a ressocialização e integração de todos os cidadãos que foram enganados em outras vilas e aldeias ou nas suas terras de origem. O Governo deverá mobilizar os meios necessários para apoiar as províncias atingidas por este fenómeno.

Importa, pois, que a Polícia Nacional e os outros Órgãos de Defesa e Segurança.

Fonte Angop: Huambo – O secretário de Estado do Interior, Eugénio Laborinho, confirmou hoje (sábado) em declarações à imprensa, na província do Huambo, terem sido encontrados diversos materiais de propagando do partido Unita na base da seita religiosa Adventista do 7º Dia Luz do Mundo, localizada na Serra Sumé, município da Caála, a quase 50 quilómetros da capital desta província.

Além do material de propaganda, Eugénio Laborinho disse terem sido igualmente encontradas na base desta seita ilegal, fundada pelo cidadão nacional José Julino Kalupeteka, detido na sexta-feira, armas de fogo e respectivas munições e diversos documentos que estão a ser analisados pelos órgãos de investigação.

Coincidentemente, disse o secretário de Estado do Interior, o local onde estavam concentrados cerca de dois mil seguidores do auto-denominado profeta, Kalupeteka, era, no tempo da guerrilha nacional, uma base logística da Unita.

“Temos informações de que este local foi, no passado, base logistica do partido Unita e também confirmamos de que o fundador desta seita foi soldado das forças militares deste mesmo partido. Todavia, vamos deixar esta situação para os órgãos de justiça. Tenha ou não ligações com a Unita, sabemos que vai ser responsabilizado pelos assassinatos ocorridos na quinta-feira”, informou.

Eugénio Laborinho garantiu, no entanto, que a ordem foi restabelecida na Serra Sumé e nas aldeias adjacentes, tendo confirmado, também, que um bom número de pessoas que ali se encontravam, incluindo crianças, foram resgatadas e estão a receber apoios do governo e algumas, infelizmente, continuam foragidas.

Esta manhã deslocou-se ao local, onde na quinta-feira foram assassinados nove membros da Polícia Nacional, uma delegação multi-sectorial ordenada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Integraram a mesma o secretário de Estado do Interior, o 2º comandante-geral da Polícia Nacional, Comissário-Chefe Paulo de Almeida, e o chefe de Estado Maior General adjunto para a Educação Patriótica das Forças Armadas Angolanas, general Egídio de Sousa Santos. (Fonte: Angop)

A Polícia Nacional angolana confirmou hoje a existência de 13 mortes entre fiéis da seita religiosa “A Luz do Mundo” nos confrontos da semana passada no Huambo, que provocaram ainda nove óbitos entre agentes policiais.

A informação foi avançada aos órgãos locais, na província angolana do Huambo, pelo segundo Comandante Geral da Polícia Nacional, comissário-chefe Paulo de Almeida, que reagia às informações sobre a morte de centenas de pessoas, na operação de captura do líder da referida seita, igualmente conhecida por “Kalupeteca”.

O incidente ocorreu a 16 de abril, no município da Caála, quando os agentes da Polícia Nacional, incluindo o comandante municipal, tentavam capturar Julino Kalupeteca, líder da referida seita – ilegal e que advoga o fim do mundo em 2015 – após confrontos também na província de Benguela, que terminaram igualmente com a morte de outro polícia.

Segundo Paulo de Almeida, as 13 pessoas mortas não são inocentes, porque estariam envolvidos nos confrontos com os agentes da ordem, por serem “os ditos seguranças do líder da seita e autores dos assassínios”.

“Os 13 mortos são franco-atiradores, pertencentes à guarda do Kalupeteca, que tinham por objetivo neutralizar e desestabilizar a operação”, disse Paulo de Almeida, durante uma formatura geral, também citado hoje pela agência de notícias angolana, Angop.

Nas redes sociais:

FALA-SE EM GENOCÍDIO NA MONTANHA DO SUME/CAALA (KAHALA)/HUAMBO

o Líder da seita cristã foi capturado e torturado pela Policia Nacional Angolana que está a ser acusada de matar Katupeteca pelos fieis daquela igreja no Huambo.

Conforme as ultimas imagens indicam, o Kalupeteca foi barbaramente agredido pela Policia sob uma acusação de ter morto 7 Policias no Huambo, Benguela e Bié.

Na verdade, se a Acção foi praticada pelos fieis, o porquê a tortura do Líder? Que não esteve envolvido direitamente na matança legal dos Policias que invadiram o Local do culto e acampamento, sob uma violação a Constituição Angolana no seu artigo 10. Sobre estado laico que garante a liberdade de culto!

TPA Manipulou a informação e acusou Kalupeteca de ter recebido orientação da UNITA para matar policias,

“Continuam a chegar informações muito preocupantes. Fala-se em mais de trezentos populares mortos pelas forças de defesa e segurança. Diz-se também que os fieis de Kalupeteka não usaram nenhuma arma de fogo.

Diz-se ainda que as mortes dos policias aconteceu num acidente de viação que ocorreu quando se retiravam dos arredores da montanha do Sume, onde maltratara os populares e estes se revoltaram em legitima defesa.

Também diz-se que a Bull 12 apresentada ontem pela TVZimbo, foi ontem de manhã para o local, para abrir a vala aonde se enterraram os populares assassinados. Diz-se muita coisa… Porque que as autoridades não dizem a verdade do que se passa? Porque que as autoridades queimaram o acampamento, viveres dos populares que seguiam Kalupeteka e ainda querem nos fazer crer que estão preocupados com a vida dessas populações, que não têm alimentação, quando ontem vimos toneladas de cereais em chama por fogo posto pelas forças de defesa e segurança? Vimos um acampamento organizado, cercado de largas extensões de terra cultivada e com produtos prontos e que tinha até água canalizada. Como nos querem fazer crer que o local não tinha condições? Porque que só foram para o local órgãos de comunicação ligados ao MPLA? HOUVE OU NÃO GENOCÍDIO? Porque que não se permite o acesso de ONGs ao local? Quem fabricou aquele material de propaganda que a TPA exibiu ontem, quando a UNITA nas comemorações dos seus 49 anos não distribui aquele material, mais sim e só bandeiras? A verdade vira ao de cima!”

– Até agora não consegui sinceramente apreender o que terá levado as autoridades a empreenderem uma ofensiva contra a igreja do sétimo dia a luz do mundo e o seu líder Kalupeteca. Ao que tudo indica a zanga começou entre o Sr Governador do Huambo e o Líder desta igreja. A impressão que os órgãos de comunicação social públicos passam é a de que razão desta briga tivesse haver com o fanatismo dos fiéis em aceitarem em nome do fim do Mundo venderem os seus haveres e prepararem-se deste fenômeno ao mesmo tempo que nos jejuns ou retiros levavam consigo crianças pondo-as em risco. Aventa-se um outro motivo, ligado à questão da legalidade institucional da igreja em causa. Ora em ambas as situações não vejo motivo de uma intervenção policial musculada, pois, o nosso estado é laico, e não conheço nenhuma religião que não tenha na sua crença o fanatismo. Acho que a religião sem fanatismo vira academia.

Agora, o que é bem diferente e abominável a todos os títulos foi a acção da polícia, feita sem tática policial suficiente para lidar com o caso, tendo causado a morte de policias e fiéis. No contexto actual é inaceitável que numa ação policial como está morram mais de 300 pessoas, pelo que, é urgente instar o Ministério público a abertura de um inquérito independente para apurar os factos ocorridos e responsabilizar os culpados sem qualquer tipo de reserva. O caso não pode continuar a ser julgado, a partir das informações que nos dá uma das partes implicadas, sem no mínimo existir uma investigação independe e que dê voz a todos os implicados. Precisamos ouvir também o Kalupeteca.

O Governo ( MPLA) com a sua TPA, devem deixar de semear o ódio entre angolanos e deixar de declarar guerra a confissão religiosa em causa porque o fanático é sempre perigoso tanto o religioso como o político, ou seja, o governo ao não ter a capacidade de lidar com o caso de uma forma isenta e com sentido de estado, a TPA e outros por não informarem a sociedade com verdade, mostraram que são tão fanáticos politicamente, como os fiéis da igreja em causa. Por outro, a maneira como o governo está a gerir o caso deu-me a impressão de que o povo Umbundo continua a ser visto como um povo inimigo da pátria, um povo apoiante dos “traidores” da pátria (UNITA) e por isso um alvo a vista e a abater sempre.

DECLARAÇÃO POLÍTICA DA UNITA

21 DE ABRIL DE 2015

Excelência Senhor Presidente da Assembleia Nacional; Ilustres Auxiliares do Titular do Poder

Executivo; Caros Deputados;

Minhas Senhoras e meus Senhores:

Começo por exprimir, em nome do Grupo Parlamentar da UNITA, o mais vivo repúdio pelo bárbaro assassinato, no Huambo, de cerca de uma dezena de agentes da nossa Polícia Nacional, por membros da seita religiosa autodenominada “A Luz do Mundo”, de José Kalupeteka, render a mais singela homenagem à memória das vítimas, ao mesmo tempo que lanço o mais veemente apelo para que os autores, quer morais quer materiais, desse hediondo crime sejam levados às barras do tribunal.

A religião é um factor de paz, pelo que o Estado tem de ter a capacidade e a habilidade de travar o surgimento e o crescimento de fundamentalismos susceptíveis de pôr em perigo a paz duramente conquistada pelo Povo Angolano.

Repugna, entretanto, a forma gratuita como se pretendeu transferir para as disputas partidárias aquilo que é visivelmente a incompetência demonstrada por algumas autoridades que deviam defender melhor os interesses de Angola e dos angolanos.

Na tarde de sábado, 18 de Abril, a TV Zimbo efectuava inúmeras transmissões em directo, a partir do local desse sinistro, mostrando interiores e exteriores de casas, sem que tenha surgido qualquer propaganda partidária.

À noite desse mesmo dia, já era a TPA a “descobrir”, sabe Deus de onde, propaganda política partidária, numa clara tentativa de, irresponsavelmente, envolver partidos políticos numa questão que nada tem a ver com os mesmos. A ela se viria juntar, para não variar, o Jornal de Angola, que também semeia fundamentalismos. O país não devia voltar à

macabra propaganda que fazia dos combatentes da FNLA “canibais” comedores de carne humana; propaganda que nem a “mea máxima culpa” feita conseguiu evitar que milhares de angolanos morressem.

Angola é um Estado laico, não havendo igrejas nem do Estado, muito menos de partidos políticos,sendo responsabilidade única dos fiéis dessas igrejas, as acções,que pratiquem, boas ou más. E no caso “Kalupeteka”, muitas perguntas assolam as cabeças dos angolanos:

Como foi possível uma seita não legalizada desenvolver acções por tanto tempo sem que a autoridade competente pusesse termo a isso?

Como foi possível haver encontros amigáveis entre esse chefe fundamentalista e o Governo Provincial do Huambo, quer no palácio, quer na montanha onde se tinha instalado, tendo até recebido uma viatura Toyota Prado desse Governo?

Como foi possível um membro da direcção do partido que governa o país ser fiel seguidor de uma seita ilegal, sem que a autoridade instituída dissesse uma única palavra? Prova disso são as imagens que a TPA não pára de exibir, e que mostram o antigo administrador do município da Caála, agora 1º Secretário municipal do MPLA e membro do seu comité central ao lado do senhor Kalupeteka, o que demonstra a sua participação nos cultos dessa seita. A “mão preta” por detrás de Kalupeteka afinal de quem é?

“Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo.”

(Abraham Lincoln)

Circulo, este é o nosso desafio!

http://www.circuloangolano.com/?p=27924

Filho de Kalupeteka revela que Kundi Pahiama foi várias vezes ao Monte Sumi
02 maio 2015 Tamanho da Fonte: A A

Luanda – Julino Lito, filho do líder da seita A Luz do Mundo José Julino Kalupeteka, pediu a intervenção dos Estados Unidos e das Nações Unidas no caso que opõe as autoridades e aquela religião, na sequência dos confrontos do passado dia 16 de Abril no monte Sumi, no Huambo. O pedido foi feito durante o programa Angola Fala Só, da VOA, hoje, 1 de Maio, em que Lito foi o convidado.

Fonte: VOA

Lito contou que os fiéis da seita encontravam-se no monte Sumi quando chegaram as autoridades, detiveram e começaram a bateram no “profeta José Julino Kalupeteka”. A partir daí, “vendo a forma como era tratado o seu líder, as pessoas reagiram e atiraram pedras, garrafas e o que tinham contra os polícias”, explicou.

Questionado por ouvintes se, como disseram as autoridades, eles tinham armas, o membro de A Luz do Mundo disse que “as armas estão com a polícia, nós não temos armas, nem podíamos ter porque apenas pregamos a palavra de Deus e ela condena o uso de armas”.

Julino Lito responsabiliza a Igreja Adventista do Sétimo Dia por aquilo que ele considera ser “uma perseguição por todos os meios para acabar com o profeta do século 21”.

“Eles têm gente na polícia, têm juízes e foram eles que criaram esta situação”, acusa Lito que revela que as autoridades foram ao monte anteriormente em três ocasiões, “sem nunca terem dito nada contra”. E pergunta: “por quê agora?”.

A propósito, confirmou que Kundi Paiama foi várias vezes ao monte Samu, sendo a última durante o censo da população.

Um ouvinte quis saber que relações tem a seita com os partidos políticos. O filho de Kalupeteka foi directo: “não temos qualquer relacionamento com os partidos, nem com o MPLA nem com a Unita”.

Questionado por um ouvinte de Cabinda se “o carro prado que Kalupeteka usa foi dado pelo Governo”, Lito refutou e disse que “o carro que ele comprou, o seu primeiro carro, foi fruto do trabalho na lavoura, muita cana e outros produtos que ele cultivou e vendeu”, e reiterou que “nunca recebeu nada de ninguém”.

Julino Lito rejeitou também qualquer ligação ao partido do galo negro porque, segundo disse, “a Unita está em Luanda, não está no mato”.

O convidado do Angola Fala Só não conseguiu dizer o número total de mortos nos confrontos porque “depois que os polícias começaram a atacar, nos dispersamos todos” e depois as autoridades bloquearam o lugar.

“Agora estamos todos dispersos, não sabemos quantos morreram, nem onde e como estão os vivos”, denunciou Julino Lito que pediu o socorro da comunidade internacional: “Apelamos os Estados Unidos e as Nações Unidas porque estamos a sofrer, só eles podem vir ajudar-nos porque não podemos sequer contactar advogados”.

Julino Lito afirmou ainda desconhecer o paradeiro de José Julino Kalupteka “se está vivo ou morto” bem como do seu adjunto Justino Tchipango.

Lito lembrou que ele mesmo está escondido e para participar no programa teve de “encontrar meios e formas para poder falar”.

http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=21005:filho-de-kalupeteka-revela-que-kundi-pahiama-foi-varias-vezes-ao-monte-sumi&catid=2:sociedade&lang=pt&Itemid=1069

Caso Kalupeteka: Comandante da polícia do Huambo mentiu com leviandade – Miguel Filho
03 maio 2015 Tamanho da Fonte: A A

Luanda – Sobre Kalupeteca, depois de ouvir o segundo homem entrevistado foragido, concluí o seguinte: a Polícia foi manipulada, induzida pelo ciúme do protagonismo de um dissidente da igreja Adventista do sétimo dia.

Fonte: Facebook

Não havia no local armas com os fiéis suficientes para uma “guerrinha” de 3 horas. A polícia usar balas de borracha que nunca as usou na cidade. Aceitar-se que morreram 13 pessoas e não se informar se foram mulheres ou crianças, nem serem apresentadas para um funeral condigno, como o fizeram com os polícias mortos sugere a sonegação de muita informação que em nada ajuda a despolitizar as assanhadices do Kalupeteka. O Comandante Provincial da polícia do Huambo mentiu com leviandade.

Tenha o Dito Cujo filiação partidária, nenhum partido que se preze, ousa racionalmente orientar o analfabetismo ou a venda de propriedades.

Os partidos, para demonstrar maturidade deveriam propor um pacto de Estado para desencorajar outros “falsos profetas” e não usar o episódio como arma de arremesso. Os partidos devem preocupar-se, agora, pelas famílias que se desagregaram, tanto pela lavagem cerebral de Kalupeteca como pelas mortes feitas pela polícia, que em minha opinião, se terão retirado alguns zeros nas cifras apresentadas, onde provavelmente estejam crianças que ficaram órfãs. Angola sendo um país de direito deve inquirir as circunstâncias em que morreram as pessoas e responsabilizarem os culpados porque é papel da Polícia proteger a vida humana e estar preparada para evitar mortes e não ‘jogarem’ o que se vê no vídeo: “quem mata mais”.

http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=21014:caso-kalupeteko-o-comandante-da-policia-do-huambo-mentiu-com-leviandade-miguel-filho&catid=17:opiniao&lang=pt&Itemid=1067

Angola: Igreja Adventista do Sétimo Dia defende contínua divulgação da paz
Luanda – A Igreja Adventista do Sétimo Dia entende ser necessário continuarmos a divulgar e a promover mensagens de paz aos fiéis, porque Deus é pela paz e pela vida, defendeu hoje, segunda-feira, em Luanda, o secretário executivo da União Nordeste de Angola dos Adventistas do Sétimo Dia, Teixeira Mateus Vinte.

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Teixeira Mateus Vinte teceu estas declarações durante uma conferência de imprensa realizada na sede administrativa da União Nordeste de Angola dos Adventistas do Sétimo Dia, no Bairro Talatona, na capital do país, tendo sublinhado que a igreja solidariza-se com o Comando Geral da Polícia Nacional face aos acontecimentos que terminaram com a morte de agentes e oficiais da Polícia Nacional.

“Sabemos que o país viveu durante algum tempo de guerra e estamos a viver um momento de paz. Divulgamos a paz, Deus é da Paz e quando acontece questões como estas nós repudiamos. A nossa maior tristeza é o facto de usar o nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia que não tem nada a ver com o senhor Kalupeteka”, disse.

Sublinha que as acções protagonizadas pelo líder da igreja a Luz do Mundo, José Julino Kalupeteka, datam de longa data, a igreja como parceira do Estado prima por regras e procurou alertar sempre as autoridades, em relação às acções protagonizadas pelo responsável da referida sita.

Teixeira Mateus Vinte recorda que nas eleições de 2008, 2012 e durante o Censo, José Julino Kalupeteka tentou aconselhar os seus seguidores a “não aderir as eleições e ao Censo”, actos reprováveis socialmente.

“Queremos expressar os nossos sentimentos de pesar e dizer que contem sempre com a Igreja Adventista do Sétimo Dia como parceira do Estado angolano. Pedimos às autoridades que, qualquer entidade colectiva ou singular que usar parte ou nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia sem a prévia autorização, que, seja responsabilizado, por ser nossa marca registada mundialmente”, disse.

Avançou que, actualmente a igreja controla em Angola cerca de um milhão e 600 membros.

Sublinhou que actualmente “somos 18 milhões de adventistas no mundo espalhados em 208 países, tendo em Angola cerca de 1 milhão e 600 membros. Temos 7 mil e 883 instituições de ensino, 601 estabelecimentos de saúde, 169 lares de terceira idade e orfanatos”.

De acordo com o responsável, presente em todo país, a Igreja Adventista do Sétimo Dia está implementada há mais de 90 anos em Angola, reconhecida pelo Estado angolano, através do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos e na Conservatória dos Registos Centrais nos termos dos Decretos executivos nº 46/91 de 16 de Agosto e no nº 9/87 publicados no Diário da Republica nº 7, 1ª série, de 24 de Janeiro.

A igreja está dividida em União Sudoeste de Angola, representada no Huambo, que controla a Associação Sul nas províncias da (Huíla, Namibe e Cunene) e Associação Centro (Huambo, Bié, Kuando Kubango, Benguela e Kwanza Sul), bem como a União Nordeste de Angola que controla a associação Norte, supervisionando às províncias (Bengo, Luanda, Kwanza Norte, Malanje, Uíge, Zaire e Cabinda), assim, como a associação Leste onde encontram-se as províncias da (Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico).

Na tarde de quinta-feira, nove polícias, incluindo o comandante do município da Caála, superintendente-chefe Evaristo Catumbela, e o chefe das operações da Polícia de Intervenção Rápida nesta província, intendente Luhengue Joaquim José, foram assassinados por seguidores da referida seita religiosa, cujo líder está detido na sequência dessa acção e do mandato de captura emitido pela Procuradoria-Geral da República na província do Bié.

Com ramificações em várias províncias do país, sobretudo no Centro e Sul, a seita religiosa Adventista do 7º Dia Luz do Mundo foi fundada no começo da década 2000, na província do Huambo.

Em 2014, a mesma denominação religiosa foi encerrada, todavia as suas actividades continuaram, de forma clandestina, com a realização de cultos e reuniões confusas e contraditórias com a Lei Nacional, os hábitos,costumes e tradição do povo.

Com recurso à sua astúcia, José Kalupeteka, nascido aos 15 de Setembro de 1969, no Huambo, cujo alvo eram cidadãos das zonas rurais, onde facilmente conseguia atrair centenas de seguidores, que além de venderem suas casas e outros bens, renunciavam tudo em troca de um possível arrebatamento para os céus.

Com fins inconfessos, em 2012 a seita Adventista do 7º Dia Luz do Mundo tentou, sem sucesso, inviabilizar a campanha de vacinação contra a poliomielite nas zonas onde residem os seus seguidores, ordenando que estes impeçam os vacinadores de trabalhar.

Em 2014, José Kalupeteka voltou a criar constrangimentos ao Censo Geral da População e Habitação, ao levar os seus seguidores às montanhas para evitar que estes tenham contacto com os recenseadores.

Desde o início deste ano, o mesmo tem estado a persuadir as pessoas para o seguirem às montanhas, onde, dizia ele, aguardariam pelo fim do mundo, marcado para o dia 31 de Dezembro.

Entre os anos 2010 e 2011, José Kalupeteka foi acusado de destruir o patrimônio histórico e cultural da província do Huambo e de espancar diversos sobas que o contrariavam.

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2015/3/17/Angola-Igreja-Adventista-Setimo-Dia-defende-continua-divulgacao-paz,36755f6d-f073-4a7e-8fb9-afd881d6d44e.html

vER TAMBÉM:

http://paginaglobal.blogspot.com.br/2015/04/angola-o-ponto-da-situacao-do-caso.html

UNITA quer Nações Unidas na realização de inquérito sobre o genocídio do Monte Sumi
30 abril 2015 Tamanho da Fonte: A A

Luanda – Na sequência de uma reunião extraordinária realizada ontem para analisar o Relatório dos deputados do povo que estiveram no Huambo a recolher testemunhos e outras evidências, a UNITA decidiu considerar “GENOCÍDIO” o massacre de cidadãos indefesos que ocorreu no Município na Caála em resposta ao assassinato dos polícias assassinados pelos membros da seita de Kalupeteka.

Fonte: Club-k.net

De facto, nos termos dos artigos 6 e 7 do Tratado de Roma, que institui o Tribunal Penal Internacional, constitui “genocídio” “qualquer um dos actos que a seguir se enumeram, praticado com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, rácico ou religioso, enquanto tal:

a) Homicídio de membros do grupo;
b) Ofensas graves à integridade física ou mental de membros do grupo;
c) Sujeição intencional do grupo a condições de vida pensadas para provocar a sua destruição física, total ou parcial;
d) Imposição de medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo;
e) Transferência, à força, de crianças do grupo para outro grupo”.
Recorde­se que, na sua mensagem à Nação, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, afirmou que o seu Executivo iria desenvolver acções para desmantelar a seita de Kalupeteka. O verbo “desmantelar” e os actos de homicídio que se seguiram sugerem que a intenção do executivo é a destruição física do grupo religioso, o que que constitui, de facto, genocídio, nos termos e para os efeitos do direito internacional penal.

O Deputado Leonel Gomes, da CASA­CE, esteve ontem no local dos crimes. Falando para a Rádio Despertar esta manhã, revelou ter presenciado evidências “de uma grande catástrofe”, uma “vergonha nacional”, um “massacre sem necessidade e sem qualquer justificação”, que terá deixado no ar um “cheiro nauseabundo”.

Eis a íntegra do Comunicado da UNITA.

COMUNICADO: COMITÉ PERMANENTE DA COMISSÃO POLÍTICA??

O Comité Permanente da Comissão Politica da UNITA reuniu aos 29 de Abril de 2015, em sessão extraordinária, sob a presidência de Isaías Henrique Gola Samakuva, Presidente da UNITA, para apreciar o Relatório dos Deputados do Povo à Assembleia Nacional a quem foi incumbida a missão de constatar, no Huambo, a veracidade dos factos relatados nas queixas, denúncias e reclamações recebidas de diversas famílias, sobre os acontecimentos ocorridos no monte Sumi, município da Caála, no dia 16 do corrente, ligados à seita Luz do Mundo, liderada por José Kalupeteka.

Da análise do Relatório, o Comité Permanente registou o seguinte:

a) Os deputados do povo trabalharam no Huambo durante quatro dias, tendo reunido com as autoridades locais, recolhido imagens vídeo sobre chacina e registado depoimentos de dezenas de cidadãos, entre sobreviventes do genocídio ocorrido no monte Sumi, familiares das pessoas até hoje desaparecidas, testemunhas que presenciaram e escaparam dos assassinatos, religiosos, polícias e militares que participaram na operação.
b) Os deputados do povo não tiveram acesso à área onde a maioria dos crimes terá ocorrido porque foram impedidos por ordens ditas superiores. Apesar das garantias fornecidas pelo Governador da Província, em reunião, de que iriam ao local para constatar os factos in loco, no dia seguinte, na hora da partida, o acesso foi-lhes negado pelas autoridades locais que alegaram não possuírem “ordens superiores” para o efeito.
c) Em resposta ao assassinato de nove cidadãos da Polícia Nacional atribuído a membros da seita Kalupeteka, o povo registou actos de perseguição, raptos e de caça ao homem contra cidadãos indefesos, membros e não membros da seita Kalupeteka. Registou em particular o desaparecimento de muitos cidadãos e o assassinato de mais de mil, dentro e fora da área cujo acesso foi bloqueado aos deputados.
d) Nem todos os perseguidos, mortos e desaparecidos são membros da seita Kalupeteka. Dezenas de camponeses que residem ou que foram encontrados nas suas lavras situadas próximo do monte Sumi e vizinhanças das Comunas do Cuima e da Catata, há quilómetros de distância do principal local dos crimes, também terão sido assassinados.
e) Há insistentes relatos da existência de valas comuns no local cujo acesso foi bloqueado aos deputados do povo, onde um número indeterminado de cadáveres teria sido enterrado e desenterrado posteriormente para serem escondidos em valas mais pequenas na região circunvizinha.
f) Há sérias contradições na versão oficial dos acontecimentos.
g) Há um clima de terror na Província, em particular nos Municípios da Caála e do Huambo e um grande sentimento de repulsa pelos actos de violação dos direitos humanos que terão sido cometidos pelas autoridades públicas.
h) Os deputados do Povo foram ameaçados, tendo-lhes sido dito que as autoridades não se responsabilizariam pelo que lhes fosse acontecer, caso tentassem atingir o monte Sumi.
i) Aos deputados do Povo também foi negada a visita ao cidadão José Kalupeteca.
Em face dessas constatações e considerando em particular as obstruções criadas pelas autoridades a quem incumbe proteger a vida e garantir o respeito pelos direitos humanos, universalmente consagrados, o Comité Permanente da Comissão Política conclui que algo de muito grave terá ocorrido no Monte Sumi e arredores, no dia 16 do corrente e seguintes.

Assim sendo, considerando o facto de que Angola é membro de organizações internacionais que devem garantir a inviolabilidade da vida e assegurar o respeito pelos direitos humanos e a paz e segurança das famílias, povos e nações;

O Comité Permanente da Comissão Política da UNITA decidiu:

a) Lamentar e condenar mais uma vez os assassinatos de agentes da autoridade e de centenas de civis indefesos ocorridos na Província do Huambo nos dias 16 do corrente e seguintes.
b) Repudiar energicamente o clima de terror que se criou na Província do Huambo visando coartar as liberdades democráticas dos cidadãos.
c) Solicitara os órgãos competentes da Organização das Nações Unidas e outras, a realização de um inquérito sobre o genocídio do Monte Sumi.
Luanda, 29 de Abril de 2015

O Comité Permanente da Comissão Politica da UNITA

http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=20985:unita-quer-nacoes-unidas-na-realizacao-de-um-inquerito-sobre-o-genocidio-do-monte-sumi&catid=23:politica&lang=pt&Itemid=1123

Genocídio na Caála: Kundi Paihama apenas executou os planos da Presidência da República? – Fernando Vumby

04 maio 2015

Alemanha – Tudo indica que de agora adiante haverá regiões do Huambo onde será limitada a circulação da UNITA mesmo sem nenhum decreto oficial ser publicado estou seguro disto.

Fonte: Club-k.net

Pois não é difícil provar que houve sim genocídio na serra do Sumi / Caala mais o triste é que a oposição ( UNITA ) para além de não ser aceite e respeitada como tal pelo regime vigente em Angola as vezes ela própria anda com o passo trocado e estando muito limitado vai deixando no ar a sensação de cegos perante uma vala á sua frente que não se apercebem que o buraco está mesmo próximo ao seu pé.

A UNITA é forte o regime sabe disto e tem consciência de que em situações normais ela mostraria muita coisa e iria muito longe o que não convém ao regime .

E assim vai sendo quase impossível enquanto dependente dos caprichos de quem restringiu a sua expansividade de movimentação e contribuição nacional.

Eu diria até mesmo o JES/MPLA de uma certa forma até agora com todas suas artimanhas , brutalidade e intolerância política ainda tem a UNITA sob seu controle , ao metê-la numa espécie de capanga lhe permitindo somente movimentar as pernas.

Quem já foi homem de pancadarias sabe muito bem que quando a nossa cabeça está debaixo do sovaco de alguém a única coisa que podemos mexer é mesmo só as pernas.

E este me parece um dos golpes que o JES/MPLA aplicou á UNITA depois que eliminou o Kota Jonas Savimbi e conseguiu arrastar o resto para uns acordos ditos de ( paz ) onde uns foram desarmados e outros foram armados de kaxexe ou não ja era de se prever .

Obs — ( Capanga ) – Cabeça debaixo do sovaco.

Infelizmente é assim , quando se vive limitado e condicionado aos caprichos e artimanhas dos outros .

Mais um recado deixo no ar existe sim uma receita para se concluir que houve genocídio na Serra do Sumi / Caala .

E se um dia o regime cair isto vai se comprovar , quando o regime hoje exige a UNITA para provar , ele sabe que a UNITA no mesmo país e de hoje entediante só poderá circular dentro de um espaço que lhe será permitido ..

Mais eu não retiro uma só palavra , no genocídio da Serra do Sumi / Caala a culpa é de JES e digo mais a coisa foi planeada e sustentada pela própria presidência da republica.

Kundi Paihama não precisa receber ordens de ninguém para matar ou não , e num reino onde assassinatos como as ocorridas do Sumi / Caala são organizadas , alimentadas e estimuladas pela própria presidência da republica quem precisa de ordens de quem , para matar ou não ?

Deixem lá dessa ideia de que Kundi Paihama tenha desobedecido ordens de JES !

Até fico burro !

Onde é que vivem afinal ? Continuam á não dar conta e a ignorar as potencialidades criminosas de JES ?

Já no caso das fotos de dois assassinos estarem estampadas no B.I nacional quase toda oposição veio ao publico xinguilar alegando que a culpa foi da ministra que com o gesto queria bajular ( Culto de personalidade.)

Nada disto meus manos em Angola nada é feito sem explicita autorização do presidente da republica que é o Deus dos angolanos e nalguns casos ate mesmo o pai de alguns opositores.

Como dizia uma amiga se os angolanos continuarem assim adormecidos , qualquer dia acordam e vão dar conta que os sul coreanos ou chineses é são os donos do país , se é que ainda não são ?

Kundi Paihama mandou matar porque tem competência dada pelo presidente da republica para chegar ate onde quiser quando o momento lhe aconselha.

E claro quando se tem consciência de que nada lhes acontece e num país de cabeça para baixo e pernas para cima , quem não se vinga daqueles que ele considera de seus inimigos ?

E logo sendo tradição e está no sangue de uma grande parcela de africanos e não só ?

Kundi Paihama desobedeceu ordens de JES como assim ?

Só um parvalhão pode acreditar que tenha havido desobediência por parte de Kundi Paihama .

O que muita gente se calhar não deve saber é que no MPLA pessoas como um Kundi Paihama , Zé Maria , Kopelipa e uns tantos têm mesmo ate carta branca para matar quando o momento lhes aconselha e isto com plena autorização da presidência da republica.

É o caso de alguns embaixadores generais que mesmo pela função deveriam depender do ministro das relações exteriores mais estes ignoram o ministro e este nem coragem tem para os abordarar antes pelo contrário fica com medo deles porque eles têm carta branca para fazerem das suas sempre que acharem necessário.

Não tenho duvidas o genocídio do Sume fez parte de uma estratégia elaborada por JES para se manter no poder , controlar os angolanos e desafiar testando a capacidade de reação dos seus opositores políticos.

A coisa foi programada e não deixar a UNITA chegar á serra do Sumi / Caala foi para ganhar tempo para se desfazerem dos corpos o que ja foram muito longe com essa atitude.

Uma entre várias sugestões para se concluir que houve genocídio na Serra do Sumi .

Eu próprio como angolano não teria problemas em indicaria uma equipa de amigos peritos alemãs que em menos de 74 horas descobriria que houve sim genocídio na serra do Sumi / Caala .

Mais como se está no reino da corrupção e na republica das barras de ferro quem é quem para mover uma palha , pior se dentro de algumas semanas já nem se fala neste assunto mesmo conscientes de que não foi o primeiro e nem será o ultimo?

Fórum Livre Opinião & Justiça

Fernando Vumby

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