Genocídio ASD: Populares convocam manifestação de repúdio a massacre de adventistas leigos em Angola

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19 maio 2015

mortocaala

Luanda – Um grupo de cidadãos em Angola enviou recentemente uma comunicação ao Governo Provincial de Angola anunciando a realização, para o próximo dia 27 de Maio, de uma manifestação pacifica de repúdio contra aos recentes massacres [de adventistas leigos] no Huambo e outras praticas de assassinatos levada a cabo pela Policia Nacional.

Os promotores da iniciativa fazem lembra as autoridades que “todo cidadão tem direito a vida e a integridade pessoal; Em que a pena de morte é proibida no art. 59º da CRA, onde o art. 60º condena torturas e tratamentos degradantes, condenamos estes actos e na base da nossa constituição usaremos o art. 47º para exigir-mos justiça e direito a vida”

“Nesta senda, reivindicaremos o fim destes massacres para que o povo tenha direito a vida. E que haja um memorial em homenagem as vitimas”, le-se numa carta enviada ao governador provincial que o Club-K teve acesso.

Ao governador de Luanda

“Excelência somos jovens da Sociedade Civil de vários extractos sociais (Defensores dos Direitos Humanos) cientes da nossa responsabilidade cívicas e sociais, dispostos a contribuir para a construção de um Estado democrático de direito.

Há 40 anos que Angola encontra-se mergulhado num mar vermelho perdendo muito dos seus filhos, onde a opressão controla o país de Cabinda ao Cunene, com vários massacres como o 27 de Maio de 1977, sexta feira sangrenta de 1992, morte de Nfulupinga Lando Victor à 2 de Julho de 2004, Isaías Cassuele e Alves Kamulingue dia 27 de Maio de 2012, Hilbert Nganga 23 de Novembro de 2013, o caso mais recente que traumatizou Angola e o Mundo onde morreram mais de centenas de angolanos indefesos (caso Igreja Adventista do Sétimo Dia-Luz do mundo) vulgo caso Kalupeteca à 16 de Abril de 2015.

Assim consagra a constituição da República nos seus art. 30º, 31º, todo cidadão tem direito a vida e a integridade pessoal; Em que a pena de morte é proibida no art. 59º da CRA, onde o art. 60º condena torturas e tratamentos degradantes, condenamos estes actos e na base da nossa constituição usaremos o art. 47º para exigir-mos justiça e direito a vida.

Nesta senda, reivindicaremos o fim destes massacres para que o povo tenha direito a vida. E que haja um memorial em homenagem as vitimas!

Concentração largo do 1º de Maio as 14 horas, com destino a provedoria de justiça.

Sem mais nada a aflorar de momento, coordiais saudações revolucionárias.”

Fonte: http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=21133:populares-convocam-manifestacao-de-repudio-a-massacres-no-huambo&catid=10:manifestacoes&lang=pt&Itemid=1077

Guarda presidencial angolana reforça segurança

Forças Especiais de Apoio ao Comandante-em-Chefe foram chamadas depois dos conflontos no Huambo.

António Capalandanda
20.05.2015 16:47

Guarda presidencial angolana foi reforçada. Ouça o áudio. — 2:47

O receio de uma revolta popular na sequência dos confrontos entre a polícia e seguidores da seita A Luz do Mundo, de José Julino Kalupeteka, levou as autoridades angolanas a reforçarem a segurança do Presidente angolano José Eduardo dos Santos. Fontes militares contactadas pela VOA revelaram que entre os dias 19 e 24 de Abril chegaram a Luanda cerca de mil militares provenientes da província do Kuando Kubango.

Aqueles militares integram as chamadas Forças Especiais de Apoio ao Comandante-em-Chefe (FEACC), cuja missão é intervir em eventuais casos de golpe de Estado.

Uma outra fonte ligada aos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE) revelou que, “para se evitar ou limitar o ónus político, interno e externo, na sequência do incidente ocorrido no Huambo, as autoridades angolanas escondem o número real de mortos.”

Apesar de, aparentemente, as autoridades terem dado pouco importância aos incidentes no Huambo, na prática, estão a ser introduzidos métodos para controlar eventuais protestos que, segundo o SISE, “tenderiam a alastrar-se a todo o território nacional e a escapar ao controlo do regime”.

A mesma fonte adiantou que o SISE considera Kalupeteca como um elemento fundamental para aumentar ou reduzir as chances de sucesso ou fracasso duma eventual manifestação, por ser um bom orador, com forte poder de mobilização, boa capacidade de persuasão e de convencimento e com grande influência no seio dos seus seguidores.

A tensão aumenta em Angola numa altura em que tem vindo a crescer a hipótese da ocorrência de convulsões sociais por causa do descontentamento da população com a queda do poder de compra. O regime, também, considera a actual situação como “ bastante delicada”

O arcebispo do Lubango, Gabriel Mbilingui diz que a situação está a criar muita tensão em Angola, particularmente na região do Huambo.

Segundo Dom Mbilingui “é um fenómeno que cria muita tensão, que pode ter consequências imprevisíveis, também pela forma como está a ser abordado, até pelas autoridades competentes, o que também deixa uma certa preocupação.”

Fontes militares que pediram o anonimato revelaram à VOA que a operação por parte das FAA foi dirigida por altas patentes da contra inteligência e dos serviços de inteligência e segurança militar, que teriam chegado ao local depois de serem convocados em dois camiões militares preparados para operação de guerra.

Ao chegarem no local, os soldados abriram fogo com armas sofisticadas, disparando em todas as direcções, primeiro usando o morteiro 82 mm, o lança-roquete RPG-7 e o Z.U-4

Fonte: http://www.voaportugues.com/content/guarda-presidencial-angolana-reforcada/2779636.html

Seguidores do irmão Kalupeteka procuram familiares vivos ou mortos

Apenas 70 dos cerca de 2.000 seguidores de Kalupeteka encontram-se detidos, mas muitos desaparecidos. Ouça o áudio: Seguidores de Kalupeteka procuram familiares mortos ou vivos — 2:02

Coque Mukuta
19.05.2015 16:38

Seguidores de José Julino Kalupeteca continuam desaparecidos após os conflitos de 16 de Abril no monte Sumi, na província do Huambo. Parentes e amigos continuam sem saber o paradeiro dos seus entres queridos, mesmo após e apelo das Nações Unidas para Angola permitir uma investigação independente aos confrontos enter a polícia e fiéis da seita A Luz do Mundo.

Num universo de mais de 2.000 cidadãos que se encontravam no monte Sumi, município da Caála, pertencentes à seita A Luz do Mundo, apenas 70 estão detidos na cadeia de Cambiote Província de Huambo.

O Governo diz que houve apenas 13 civis mortos, mas a oposição insiste em centenas de civis enterrados em pequenas valas comuns nas montanhas do Huambo.

Um dos fiéis da seita, que se encontra ainda foragido por temer represálias e que pediu o anonimato, disse à VOA estar à procura cerca de 15 pessoas entre homens e mulheres, cujo paradeiro desconhece.

“O meu número como é publico em várias províncias vão me ligando para saber se conheço o paradeiro de várias pessoas”, revelou.

Outra fonte, de nome Mbapole Chikumga afirma, por seu lado, estar à procura da irmã identificada apenas por Fatinha, que estava acompanhada de dois filhos menores de idade. Ele desconfia que terão sido mortos durante os confrontos no monte Sumi.

“Até hoje não sei dela, estava acompanhada de duas filhas, sendo uma bebé e outra de 12 anos”, denunciou Chikumga.

Nomes como, Venâncio José, Valentim José, Feliciano Sandambongo, José Sawanga, Julino Tito, entre muitos outros continuam a ser procurados pelos seus parentes.

As nossas fontes confirmaram que essas pessoas não estão presas. Ou foram mortas ou encontram-se escondidas com medo das autoridades.

Fonte: http://www.voaportugues.com/content/seguidores-de-kalupeteka-procuram-familiares-vivos-ou-mortos/2777497.html

Caso Kalupeteka: ONU insiste em investigação “transparente”

Ouça o áudio:

Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos reafirma que é do interesse de Angola que haja “transparência” na investigação sobre alegado massacre no Huambo. E não vai pedir desculpas, como Luanda exigiu.

Na semana passada, o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) em Genebra, na Suíça, pediu que fosse nomeada uma comissão independente para investigar os confrontos na Serra Sumé, no Huambo, entre a polícia angolana e fiéis da seita “A Luz do Mundo”, liderada por Julino Kalupeteka.

Segundo o organismo da ONU, há “factos por esclarecer” e “grandes diferenças no número de vítimas”. As autoridades falam em nove polícias mortos e 13 vítimas entre os fiéis. Mas outros relatórios referem uma centena de mortos e a oposição angolana contabilizou mais de mil mortos.
O pedido de inquérito caiu mal ao Governo angolano. Na sexta-feira passada (15.05), Luanda repudiou as declarações da ONU. Diz que “não são sustentadas por quaisquer provas” e que foram “amparadas por falsas declarações prestadas por elementos tendenciosos e absolutamente irresponsáveis, com a intenção de difamar” o país.

A reacção de Angola foi inesperada, disse à DW África o porta-voz do Alto Comissariado, Rupert Colville. “Fiquei um pouco surpreendido porque há sérias alegações de que algo aconteceu. Segundo a versão das autoridades, morreram nove polícias e 13 civis. E isso já é suficiente para ordenar uma investigação”.

O porta-voz do ACNUDH acredita que “é do interesse do Governo que seja feita uma investigação independente e transparente, porque se essa versão dos eventos for verdadeira, isso só iria ajudá-los.”

ACNUDH não pede desculpas

O ACNUDH esclarece que se limitou a fazer um “pedido básico” e que reage desta forma sempre que há mortes de civis.
Sublinha também que não está a “fomentar especulações”, como acusa o Governo de Luanda. Por isso, não haverá nenhum pedido de oficial de desculpas a Angola.

Caso Kalupeteka: ONU insiste em investigação “transparente”
“Não temos nada que pedir desculpas. Só pedimos que a situação fosse esclarecida, o que é do interesse de todos”, explica Rupert Colville. “Há muitos relatórios diferentes sobre o que aconteceu e não podem ser todos verdadeiros. Só precisamos de mais clareza sobre o que aconteceu.”

É “crucial” que a investigação que foi iniciada pelo Governo angolano seja independente, sublinha ainda o porta-voz do ACNUDH.

“Quem não deve não teme”

Já a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) sugere que o Executivo “abra as portas do Huambo à ONU” para que se possa averiguar o que aconteceu. A ideia é defendida por Raúl Danda, líder da bancada parlamentar do maior partido da oposição angolana, que se encontra atualmente nos Estados Unidos da América, num “périplo diplomático” para dar a conhecer a “real situação angolana”.

“Quem não deve não teme”, afirma Raúl Danda, lembrando que o grupo parlamentar da UNITA esteve no Huambo e que “o Governo angolano simplesmente impediu que os deputados se deslocassem à área onde aconteceu esse genocídio”. Por isso, defende que o Executivo, “em vez de estar a acusar toda a gente, devia abrir espaço para um inquérito imparcial, e até internacional, para se poder apurar a verdade.”

O Governo angolano afirma que é “difícil acreditar que tenham sido mortas e enterradas mais de mil pessoas durante uma noite, sem deixar vestígios”. Salienta que o líder da seita está detido a aguardar julgamento e que o caso está a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República.
Raúl Danda insiste que o que se passou no Huambo foi “um genocídio”. “Não é possível que o Governo angolano esconda as mortes”, que “ultrapassarão as mil”, sublinha o dirigente da UNITA. “As pessoas desapareceram. Há familiares de pessoas que estão a fazer relatos do que aconteceu e há pessoas que escaparam do monte e que dizem que, de facto, morreu muita gente. É difícil precisar o número, mas com o tempo vai-se precisando”, conclui.

Fonte: http://www.dw.de/caso-kalupeteka-onu-insiste-em-investiga%C3%A7%C3%A3o-transparente/a-18457460

David Mendes foi autorizado para assumir a defesa de Julino Kalupeteka

20 maio 2015

Luanda – O líder da seita angolana “A luz do mundo”, cujos fiéis se envolveram em confrontos mortais com a polícia e que está detido preventivamente há um mês, vai ser defendido em tribunal por advogados da associação Mãos Livres.

A informação foi confirmada à Lusa pelo advogado e dirigente daquela associação cívica angolana, David Mendes, que depois de várias tentativas garantiu hoje a autorização de Julino Kalupeteka, através dos serviços prisionais, para assumir a sua defesa. O líder daquela seita está detido desde os confrontos no Huambo que levaram à morte, segundo a versão oficial, de nove polícias e 13 fiéis.

“Conseguimos que ele assinasse a procuração [para o representar]. Juntamos a procuração aos autos, requerendo que seja realizado um novo interrogatório, na nossa presença. Nos próximos dias esperamos ter acesso ao senhor Kalupeteka”, explicou David Mendes.

A associação, que já escreveu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pedindo uma investigação independente a este caso, face aos números díspares de mortos nos confrontos entre fiéis e polícia, tentava há algumas semanas assumir a defesa do líder desta seita, mas até agora sem sucesso.

Em causa estão os confrontos de 16 de abril, na Serra Sumé, província do Huambo, entre a polícia, que tentava dar cumprimento a um mandado de captura de Kalupeteka e outros dirigentes daquela seita ilegal em Angola, e alguns fiéis que estavam concentrados no acampamento daquela igreja.

Outras versões, nomeadamente da oposição angolana, apontam para “várias centenas” de mortos entre os seguidores da seita, cujo líder foi detido no dia seguinte, permanecendo desde então em prisão preventiva.

“Demos entrada do requerimento hoje, acho que a partir de segunda-feira estamos em condições de ter o primeiro contacto com o senhor Kalupeteka. Presumimos que esteja na cadeia central do Huambo, mas ainda não estivemos com ele”, disse ainda David Mendes, que vai assegurar a defesa em tribunal do fundador desta seita, conhecida por advogar o fim do mundo em 2015 ou por travar a vacinação e escolarização dos fiéis.

É que face à mediatização deste caso, que motivou mesmo a condenação, por mais do que uma vez, do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, a Mãos Livres afirma que dificilmente Kalupeteka terá um julgamento “justo”.

“Para ser sincero, não acredito. E não acredito pela intervenção do Presidente da República, que foi extemporânea. Como é que, numa questão que ainda estava numa fase inicial, o Presidente já tinha tomado um posicionamento? Influenciou diretamente naquilo que poderá acontecer”, criticou, anteriormente, o advogado.

“Esse é o nosso receio, que não haja um julgamento justo, que as pessoas sejam condenadas sem que tenham direito a uma defesa condigna, porque publicamente já estão condenados”, concluiu David Mendes.

http://club-k.net/index.php?option=com_content&view=article&id=21145:david-mendes-foi-autorizado-para-assumir-a-defesa-de-julino-kalupeteka&catid=23:politica&Itemid=1123&lang=pt

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