Pastor adventista denunciou morte de indígenas e lamentou evangelização

Roberto Rabello, apoiado pela Associação Geral da IASD, mandou Wesley Blevins deixar o país. Rabello e a IASD queriam proteger Wesley, ou não queriam se indispor com os fazendeiros, cujos dízimos e doações são sempre bem-vindos anda que resultem de práticas ilícitas?

Wesley Blevins ou “Blevens”, como está na notícia do jornal Folha da Tarde, de 13 de abril de 1968, era americano e integrou o Arautos do Rei, da Voz da Profecia. Era apresentado como líder de jovens e desbravadores. Mas, de fato, foi missionário entre os indígenas, tendo trabalhado no antigo Mato Grosso, com passagens por Cuiabá e Campo Grande. Nesta notícia-documento que localizamos, denunciou destemidamente o envenenamento e a morte de índios pelos fazendeiros da região do norte do Mato Grosso, próximo das atuais cidades de Juara e Porto dos Gaúchos (ver mapa abaixo). Ficou tão entristecido com o massacre e a exploração dos povos indígenas nessa região do Brasil que chegou a dizer que era preferível que permanecessem pagãos.

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Adventista denuncia novos crimes contra índios

Rio (FT) — Depois de todas as atrocidades praticadas contra os índios por elementos do Serviço de Proteção aos Índios, que estão sendo objetos de rigoroso inquérito da parte do Ministério do Interior, estarrecedoras denúncias foram feitas no Rio contra um funcionário da Sudam e outras pessoas, que ainda estão envenenando ou matando a tiros dezenas de índios na Amazônia. As crueldades contra os indígenas foram relatadas pelo pastor Wesley Blevens, da Igreja Adventista, que viveu durante um ano e 11 meses em Campo Grande, onde sua igreja tem missão.

“Os índios de Mato Grosso estão sendo exterminados, hoje, a tiros e com açúcar contaminado com vírus de varíola e tifo”, declarou o religioso em tom patético, revelando que a tribo “Beiço de Pau” está sendo dizimada a tiros por um empregado da Sudam, que já cortou 50 mil hectares de mata às margens do Rio Arinos, e por caçadores que usam açúcar envenenado. O pastor Wesley, através de um aluno, soube que “o governo estava dando aos índios arroz e feijão contaminados, há um ano e meio.” Na época, era diretor do extinto SPI, o major-aviador Luiz Vinhas Neves.

“Eu vi”

O pastor adventista contou , depois de viajar por mais de quatro mil quilômetros em Mato Grosso, ficou convencido de que “os fazendeiros estão decididos a terminar com os índios”. Referir-se ao caso do empregado da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, que está dizimando a tribo “Beiço de Pau”,  que vive às margens do rio Arinos, na localidade de Portos Gaúchos para cima, numa área sob a proteção da Fundação Nacional do Índio.

“Eu vi — disse o pastor Wesley — que a única ferramenta que eles têm é um machado de pedra. Vivem há cerca de 3.500 anos antes de Cristo, mas os fazendeiros não toleram sua presença. Explicando o motivo dos assassinatos, o senhor Wesley informou que “eles querem a terra para plantar e cortar o mato para vender. Denunciou a existência de uma firma particular de seringalistas “que está ligada ao Banco do Brasil, mas é financiada pelo governo da Alemanha”. Acrescentou que “eles estão lá, há muitos anos, plantando seringueiras. Falei com o administrador da fazenda e ele explicou que os índios atacaram os empregados dos seringais. agora, há guardas armados que têm ordem para matar os índios”.

Açúcar mortal

Tendo chegado ao Brasil em novembro de 1965, o pastor Wesley Blevens, depois de ficar algumas semanas em São Paulo, viajou para Campo Grande, em Mato grosso, onde viveu até novembro do ano passado, com sua esposa, dona Shirley e três filhos. Dona Shirley confirmou as declarações do marido, sobre a distribuição de alimentos envenenados e sobre o funcionário da Sudam. Contaram que além da tribo dos “Beiço de Pau”, vive na mesma região, perto da confluência do Rio Arinos com Juruena — um dos afluentes do Tapajós — uma outra tribo, cujo nome o pastor não conseguiu recordar, e que é a principal vítima dos caçadores que distribuem o açúcar mortal.

“Eles estão fazendo o que fizeram com os índios dos Estados unidos, há cem anos, disse o pastor, mas isso é tão horrível, hoje, que eu chego a preferir que os índios fiquem assim como estão, selvagens e pagãos, mas livres da exploração”.

Contou o caso de uma missionária, que vive a 30 anos entre os Xavantes e o de outra que morreu de varíola, “o mesmo método que usam para matar os índios”. Essa missionária estava tentando entrar em contato com a tribo que vive entre Portos Gaúchos e a confluência dos rios Arinos e Juruena. Concluindo suas declarações, o pastor Blevens lembrou que existem, além das duas tribos citadas, mais quatro, completamente selvagens, e disse: “não sei se esses índios estão, também, sendo mortos”. — Folha da Tarde, 13 de abril de 1968, pág. 5.

O início de uma Era Dourada e um Mistério / 1968. Ano do Jubileu de Prata da Voz da Profecia. 25 anos.

Foi feito um álbum comemorativo, uma compilação irregular com músicas bonitas, mas mal gravadas. Na última faixa, a surpresa : A 1ª gravação de uma fase dourada. Um negro-spiritual bem deprê, impecável, num arranjo incrível do baritono que estreava : Wesley Blevins (no centro ao alto).

Os demais eram : Roberto Conrad (baixo á esq) , e os também estreantes Eclair Cruz (1º Tenor à dir) e Malton Braff (2º Tenor no centro em baixo). Blevins cantou 2 anos e sua saída foi um mistério…

Norman Wesley Blevins era americano. Era Missionário nas aldeias indígenas do Xingu, onde hoje se constrói a polêmica Usina de Belo Monte. Convidado a cantar nos Arautos, deixou a Missão Indígena e se destacou por 2 anos como barítono, tradutor e arranjador auxiliar dos Arautos do Rei.

Com pouco sotaque gringo, gravou o álbum “Pai Nosso” e quase metade do que hoje conhecemos como “Coleção Redescobrindo”. Foi realmente o início de uma fase espetacular do ponto de vista técnico para os Arautos do Rei. Essa formação era altamente produtiva. Gravou 240 canções.

Ocorre que no finzinho de 1969, os Arautos foram cantar na TV em Cuiabá; e o apresentador resolveu perguntar sobre a experiencia de Wesley Blevins entre os índios do Xingu. Sem a menor cerimônia, Blevins desceu a lenha na FUNAI, e na Política Indigenista do Governo Brasileiro. Pra espanto geral, soltou o verbo sem dó. Só que nessa época, o Brasil estava sob efeito do AI-5, e era governado por uma Junta Militar (os 3 patetas rsrs). Não havia liberdade de opinião.

Pra piorar, a Ditadura Militar Brasileira detestava os Missionários Americanos na Amazônia, pois achava que no fundo eram espiões da CIA, mapeando riquezas minerais e fontes de águas (e como sabemos, a suspeita não é ilógica.) E pra azedar ainda mais o clima, Charles Elbrick, embaixador dos EUA, estava sequestrado por um grupo de Esquerda, que lutava contra o Regime Militar

Não deu outra. Quando os Arautos chegaram de volta ao RJ, já estava lá a intimação pra Wesley Blevins prestar esclarecimentos aos militares, mesmo sendo cidadão americano. O receio beirou o pânico. Como nessa época, muita gente era torturada e sumia nos porôes do DOPS, o Pr Roberto Rabello, apoiado pela Associação Geral da IASD, mandou Wesley Blevins deixar o país, antes do prazo da intimação.

E assim, Blevins se foi com a família, deixando tudo pra trás (inclusive ótimos arranjos). Só voltou ao Brasil 40 anos depois, numa vistita surpresa à TV Novo Tempo. Esse episódio esquisito só foi tornado público em 2010. Mas Deus não deixou os Arautos na mão. Blevins foi substituído por Enis Rockell, que era um cantor de altíssimo nível.

A Ditadura? Durou 21 anos e não deixou saudade. Os Arautos? Chegaram a 50 anos deixando saudades tanto do passado, quanto do futuro. Glória a Deus!

Postado por Marcelo Meireles em:
http://dentrodamusica.blogspot.com/2012/03/o-inicio-de-uma-era-dourada-e-um.html

Entrevista com Pr. Norman Wesley Blevins

SEGUNDA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 2009

(AB) Olá senhor Blevins, como está?

(WB) Estou bem… até agora! (Risos)

(AB) Quantos anos o senhor ficou no Brasil?

(WB) 5 anos.

(AB) O senhor fazia o que aqui em Cuiabá?

(WB) Eu trabalava como missionário vindo dos USA.

(AB) O senhor foi chamado para cá ou foi um missionário voluntário?

(WB) Não, eu vim como missionário voluntário, eu queria vir para cá.

(AB) Houve uma série de conferências do Pastor Itanel Ferraz no Porto. O senhor participou dela? Qual era sua função?

(WB) Bem, eu participei dessas conferências como obreiro Bíblico e trabalhei também na Música. Essas conferências deram origem à atual igreja do porto.

(AB) Quantas pessoas o senhor trouxe para igreja naquela série de conferências?

(WB) Cerca de 300 ou 400.

(AB) Nossa!!! Um número muito grande!!

(WB) É, também foi uma experiência muito boa para mim.

(AB) Agora nos conte um pouco da sua experiência nos Arautos do Rei.

(WB) Nós viajávamos muito, fomos para o exterior, mas também ficamos mais aqui no Brasil, indo para Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, etc. Eu também, algumas vezes fazia arranjos para o arautos do rei.

(AB) Qual era o naipe de voz que o senhor cantava no Arautos do Rei?

(WB) Eu cantava Barítono.

(AB) O senhor no tempo que ficou aqui no Mato-Grosso, a quais cidades o senhor foi?

(WB) Fui para Cáceres, Rondonópolis, Porto-dos-gauchos, 7 quedas, Corumbá, Cuiabá (Capital), e acho que só.

(AB) O senhor conhece melhor Mato-Grosso do que a maioria de nós Mato-Grossenses.

(Risos)

(AB) Quanto tempo o senhor demorou para chegar aqui em Cuiabá?

(WB) Acho que cerca de 6 meses. Sai dos USA de Navio e desembarquei em Santos, no Porto de Santos, depois fui São Paulo e depois cheguei em Cuiabá.

(AB) O senhor achou que foi uma boa experiência?

(WB) Sim, foi uma enorme e grande experiência para mim.

(AB) E esse ano, o senhor está gostando da sua estadia aqui em Cuiabá?

(WB) Sim, muito.

(AB) Bem, está sendo uma boa experiência ter o senhor aqui, agora nós só dizemos um muito obrigado, e gostaria de dizer que sempre o senhor será bem vindo aqui. O senhor é uma pessoa muito boa e nós gostamos muito do senhor. Muito obrigado.

(WB) O prazer é meu.

http://www.arqueologiadabiblia.net/2009/09/

 

Registros biográficos oficiais

REVIEW AND HERALD, September 12, 1968:

Mrs. Wesley Blevins, nee Shirley Verle Underwood (AU ’61), and three children, left Los Angeles, California, July 31. They are rejoining Mr. Blevins, leader of the Voice of Prophecy quartet, Rio de Janeiro, Brazil.

Norman Wesley Blevins (PUC ’60; SDATHS ’61), returning as leader, Voice of Prophecy quartet, Rio de Janeiro, Brazil, left Los Angeles, California, July 2. Mrs. Blevins and children followed July 31.

Adventist Yearbooks 1968 e 1969

MATO GROSSO MISSION — 1968
Established 1921
Territory: State of Mato Grosso.
Population: 1,189,000; churches, 13; members, 3,531.
Telegraphic Address: “Adventista,” Campo
Grande, Mato Grosso, Brazil.

Office Address: Rua Barao do Rio Branco
599, Campo Grande, Mato Grosso, Brazil.
Telephones: 3182, 6820 and 682L
Postal Address: Caixa Postal 146, Campo
Grande, Mato Grosso, Brazil.
Officers:
President,
Secretary-Treasurer, L. M. Grellmann.
Executive Committee: , N. W. Blevins, Kluk Dittmar, V. B. Freitas, L. M.
Grellmann, Eneas Simon, A. G. Zehetmeyr.
Departmental Secretaries:
Book and Bible House, A. G. Zehetmeyr.
Education and Public Relations,
Lay Activities, Sabbath School, Temperance and Y.P.M.V., N. W. Blevins.
Publishing and Radio-TV, A. G. Zehetmeyr
Ordained Ministers:
N. W. Blevins, V. B. Rreitas, Eneas Simon.
Credentialed Missionaries:
L. M. Grellmann, A. G. Zehetmeyr.
Licensed Ministers:
Joel Fernandes, A. C. S. Filho, Rudolf
Harder, Jairo Prego, D. P. Santos, J. 0.
Sobrinho, J. B. Souza
Licensed Missionaries:
Mission: Esmeraldo Bertazzo, D. C. Ribeiro, S. L. Silva.
Church Schools: Mrs. E. S. Alencar, Guiomar B. Freitas, Mrs. N. K. Freitas, Ivanil
Oliveira, Laudimidia Oliveira, Mrs. M. D.
Pereira, A. R. Santos, Therezinha F Silva,
Mrs. I. D. Souza.
Credentialed Literature Evangelists:
Ulisses Pimentel, 0. P. Romualdo, F. T.
Silva, J. 0. Silva, L. B. Silva, S. J. Silva.

Blevins, N. W. (1), Caixa Pastal, 146, Campo
Grande, Mato Grosso, Brazil.

 

Ordained Ministers: 1969
Voice of Prophecy: N. W. Blevins, R. M.
Rabello.

Blevins, N. W. (1) Caixa Postal 1189-ZC-00,
Rio de Janeiro, Guanabara, Brazil.

Licensed Missionaries: 1969
Voice of Prophecy: Mrs. N. W. Blevins.

 

Norman Wesley Blevins (age 83) is listed at 5114 29th St W Bradenton, Fl 34207-2212 and has no political party affiliation. He is a white, non hispanic male registered to vote in Manatee County, Florida.

Lives in: Bradenton, Florida
Phone: (941) 201-5062
Age: 83
Gender: Male
Race: White, Non Hispanic

https://voterrecords.com/voter/13827226/norman-blevins

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