Você concorda com essa explicação adventista, ou ainda acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus?

“É importante manter em mente que a narrativa de Gênesis 1 corresponde ao que alguém testemunharia se estivesse na superfície da Terra ou próximo a ela. Não se trata de algum referencial absoluto, muito menos divino. O destinatário desse texto é a raça humana, com toda a sua ignorância, e o texto tem essa perspectiva em sua didática.”

Extraído de “Gênesis ensina que o Sol foi criado no quarto dia?”, texto de Eduardo Lütz no blog Criacionismo.

Perceba que para esse pseudo-adventista, Gênesis 1 não é uma revelação divina:

“…a narrativa de Gênesis 1 corresponde ao que alguém testemunharia se estivesse na superfície da Terra ou próximo a ela”.

Também não é uma referência absoluta, de origem divina:

“Não se trata de algum referencial absoluto, muito menos divino.”

Para o autor, Gênesis 1 é apenas uma explicação simplória, direcionada a gente ignorante:

“O destinatário desse texto é a raça humana, com toda a sua ignorância, e o texto tem essa perspectiva em sua didática.”

Ainda no mesmo texto citado acima, confirma-se que para Michelson Borges e seus discípulos do Blog Criacionismo, na suposta “semana da Criação” Deus nada criou, apenas organizou… Foi o que chamam “semana da terraformação”, Sendo assim, se Deus não criou este mundo em seis dias, não haveria necessidade de guardar o sábado, do sétimo dia… Mas Êxodo 20:11 afirma: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.”

Contrariando as palavras de Gênesis 1 e do Decálogo, Eduardo Lütz, seguidor de Michelson Borges, desmente a criação descrita por Moisés, com quem o próprio Deus falava face a face (Números 12:8):

Primeiro [no primeiro dia da Criação!] Deus regula a duração do ciclo noite-dia (versos 2 a 5). A velocidade de rotação do planeta é essencial para as demais condições necessárias à vida, além de permitir também a contagem de tempo usando o dia como unidade a partir do primeiro dia. Depois disso, [no segundo dia] a atmosfera sofre a primeira organização, depois [no terceiro dia] a organização do solo e da água líquida da superfície, criação de plantas antes da criação de animais, [e no quarto dia] limpeza da atmosfera para que se pudesse observar o Sol, a Lua e as estrelas, [no quinto dia] criação de animais marinhos e aves, [e no sexto dia] animais terrestres e a humanidade. Em todos os casos, se B depende de A, A é preparado antes de B.

O que isso tem a ver com a criação do Sol no quarto dia? Tudo. O dia, definido como primeiro passo na terraformação descrita em Gênesis 1, ocorre em relação à posição do Sol no espaço. Isso está ligado tanto à rotação da Terra em relação ao Sol (não em relação ao Universo) quanto ao movimento de translação em torno dele. Deus poderia criar uma outra fonte de luz e gravidade no lugar do Sol para funcionar entre o primeiro e o quarto dia? Ele mesmo não poderia fazer esse papel? Certamente. Mas isso seria ineficiente. Ele precisaria manter uma situação desnecessariamente complexa que poderia ser evitada simplesmente com a alteração na ordem de fazer as coisas: bastaria criar o Sol primeiro para depois ajustar a rotação da Terra no primeiro dia da semana. Por que, então, Deus esperou para criar o Sol só no quarto dia? Mas será que esperou mesmo?

Nos versos 14 e 15, é dito que Deus fez aparecer os grandes luminares no céu. O Sol não precisa ser criado cada vez que aparece no céu. Por que então imaginar que aparecer no céu necessariamente significa criação?

Os versos 16 a 18 funcionam como um aposto, isto é, um comentário que abre algum detalhe do texto anterior, como é o padrão de todo esse capítulo. Detalhes assim não necessariamente referem-se a eventos que ocorrem na mesma ocasião da narrativa principal. Vejamos um exemplo: “Semana passada, visitei Isadora. Ela herdou de seu pai a casa onde mora.” Pode-se concluir deste texto que Isadora herdou sua casa na semana passada? É evidente que não. Da mesma forma, esses versos mencionam a criação e a finalidade dos dois grandes luminares (Sol e Lua): Deus criou o maior para dominar o dia e o menor para dominar a noite e as estrelas. Quando ocorreu essa criação? No quarto dia? Antes? Esses versos não deixam claro. Entretanto, se o Sol fosse criado no quarto dia, teríamos uma quebra no princípio da otimização, algo que destoa completamente de tudo o que a Bíblia ensina sobre a perfeição e a meticulosidade de Deus, assim como tudo o que observamos na natureza em todas as escalas, lugares e situações, mesmo nos milagres mencionados na Bíblia.

Resumindo, ao fazer uma leitura superficial de Gênesis 1:14-18 podemos imaginar que o Sol e a Lua foram criados no quarto dia. Porém, se prestarmos atenção aos detalhes, mesmo observando apenas o texto localmente, sem o contexto maior da Bíblia, constatamos pelo menos dois pontos importantes: (1) o texto não afirma a criação desses astros no quarto dia e (2) toda a sequência da criação sempre mostra Deus criando a dependência antes do dependente, o que, no caso do Sol, indica que ele já existia quando Deus disse “haja luz”. Mesmo se forçarmos a interpretação para imaginar que o Sol poderia ter sido criado exatamente naquele instante, essa ideia não tem qualquer base física ou escriturística, além de ir em sentido contrário a outras evidências que temos.

A Verdade

4 thoughts on “Você concorda com essa explicação adventista, ou ainda acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus?

  1. No princípio criou Deus o céu e a terra. Gênesis 1:1
    Quando foi esse princípio ?
    A terra, acreditados que sabemos o que é; mas, e o “céu”, O que é esse “céu” ?

    E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Gênesis 1:2
    Como que a terra era sem forma ?
    E, como que a terra era “vazia” se possuía “água”, sobre a qual de movia o Espírito de Deus?
    Se havia água, então não era “vazia” !

    1. No princípio, Deus criou os céus e o chão, o solo, a terra… A terra, porém, não continha nenhuma vegetação ou vida…

      1. Ainda ficam sem resposta: … os céus… que céus que foram criados?
        … a terra era “sem forma” (sic) e “vazia”… segundo conceitos científicos (embora a Bíblia não seja um manual científico, embora alguns queira que seja), se existe algo, como água, por exemplo, não é “vazio”.
        E, esse princípio, foi por volta de 6000 anos (ou pouco mais, pelas genealogias), ou 5779 anos (pelo calendário hebraico)?
        O fato é que, quando o Criador resolveu colocar vida na terra, ela (a terra) já existia e já continha água, desde algum princípio, que pode ser “zilhões” de anos; pois existem estrelas que estão a milhões de anos luz distantes e a sua luz que viaja a 300.000 km/s, já chegou aqui.
        Ou seja, se, no princípio, os céus que foram criados, estão inclusas as estrelas, esse princípio foi a “milhões” de anos, e nesse princípio está a terra ! ou não?
        A semana da criação, não seria a criação da vida, na terra; e, não a criação da terra, que seria num princípio, não identificado, que teria ocorrido no mesmo princípio das estrelas?!

        1. A Bíblia responde: céu, espaço onde voam os pássaros e onde estão as nuvens; e céu (abóbada celeste), onde estão fixados os astros, firmamento, acima do qual estão as águas de cima. Além disso, Paulo fala de um terceiro céu, onde está Deus, Pai nosso. A Bíblia não fala da Terra como planeta, apenas como solo, chão, onde pisamos e plantamos. Vazio e sem forma, porque Deus ainda não modelara seu relevo nem o cobrira com vegetação.

          Em relação ao calendário judaico, é importante saber que mestres judeus daquele tempo fizeram alterações no calendário para mudar a história de modo que Jesus não fosse considerado o Messias de Israel e assim encaixaram as falsas pretensões messiânicas de Bar Kokhbah como um messias dos pobres. “Este foi o seu maior erro de todos, pois há muitas provas históricas dos 207 anos de duração do império Medo-Persa. Ambas as fontes Grego e Romano, dão amplos detalhes. Segundo alguns cronologistas bíblicos, além dos 155 anos deliberadamente cortados por Yose ben Halafta, também o Seder Olam Rabbah errou em outros detalhes menores, o que acrescenta ainda mais alguns anos perdidos nessa conta, podendo chegar, segundo alguns estudiosos afirmam, a um total de quase 240 anos perdidos.” Leia mais em: http://dcvcorp.com.br/?p=3710 e https://www.amazon.com/Jewish-History-Conflict-Discrepancy-Conventional/dp/1568219709 .

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