Congresso terraplanista superou evento criacionista na Unicamp

O 1º Flat Con, congresso terraplanista, superou evento criacionista que deveria ter sido realizado na Unicamp em 2013, mas não o foi, devido à interferência de professores rotulados como “ateus” do quadro da instituição, os quais usaram à época argumentação muito parecida com a utilizada hoje por Michelson Borges para combater o terraplanismo bíblico. Detalhe: Embora tenha sido boicotado por duas vezes, devido a pressões de gente como Michelson Borges, que impediu a locação de auditório para o evento, o Flat Con 2019 realizou-se no Teatro Liberdade, com a participação de mais de 400 pessoas e seus organizadores já planejam a edição 2020.

Embora seja administrado por uma empresa que o subloca a terceiros interessados em realizar eventos como congressos e shows, o fato de o imóvel do auditório pertencer à maçonaria paulista causou estremecimento entre parte dos terraplanistas brasileiros. Contudo, Michelson Borges que não participou do evento, atreve-se a avaliá-lo negativamente, esquecendo-se que o movimento milerita ou adventista foi iniciado por uma maçom de grau 33 no século XIX, Guilherme Miller e que pioneiros como Tiago e Ellen White, no mínimo sofreram influência da maçonaria em seus escritos e até adotaram o “olho que tudo vê” da maçonaria como imagem para a representação de Deus, como, aliás, também faz Michelson Borges na abertura de todos os seus vídeos.

Acompanhe a seguir todo o “chororô” de Michelson Borges, Rodrigo Silva e outros defensores do suposto “criacionismo científico”, quando ocorreu o cancelamento do “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em 2013.

O curioso é que, nessa ocasião, Deus não interveio, abrindo as portas da instituição para a realização do evento. Contudo, agora em 2019 permitiu que a Flat Com se realizasse e que Ele fosse exaltado como Criador de todas as coisas, nos céus e na terra, durante o evento.

Deus fora da Unicamp

Grupo de ateus impede que evento religioso com especialista dos EUA se realize na universidade e dificulta o debate acadêmico

Andres Vera

EMBATE

O arqueólogo Rodrigo Silva (à esq.), um dos palestrantes do evento cancelado, e o físico Leandro Tessler, que mobilizou acadêmicos contra o Fórum

Marcado para a quinta-feira 17, o “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi cancelado na véspera, sob uma enxurrada de e-mails indignados de professores da própria instituição de ensino, uma das mais respeitadas do País. O motivo? Os cinco convidados a falar sobre filosofia e ciência eram nomes ligados ao “criacionismo científico”, que nega a teoria da evolução de Charles Darwin, mas, ainda assim, busca evidências científicas para desvendar o universo – sem contradizer a existência de Deus ou os preceitos da Bíblia.

“Que façam isso numa igreja”, disse o professor de física Leandro Tessler. “É embaraçoso dar credibilidade a esse tipo de doutrina não científica.” Seu blog chamou a atenção de outros professores. A pró-reitoria, que havia dado aval ao evento, recuou. O físico americano Russell Humphreys, convidado internacional, já tinha passagem comprada. Veio então a resposta dos palestrantes.“Fomos boicotados por um grupo de professores ateus”, afirma o professor de arqueologia Rodrigo Silva, da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp). “Hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira.”

Em nota oficial, a Unicamp justificou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. Além de Silva e Humphreys, o fórum também teria a presença de um geólogo, um jornalista e um bioquímico, Marcos Eberlin, o único pertencente aos quadros da Universidade. Após a polêmica, Eberlin escreveu em um blog: “É interessante notar que, em uma universidade pública, pessoas que se autointitulam ‘guardiões do saber’ cancelem palestras”. Outro que reclamou à reitoria, o professor de matemática Samuel Oliveira, negou a “orquestração” de um “lobby ateu” nos bastidores. “Criacionistas não têm formação para falar de ciência”, diz.

A “batalha da fé” em uma faculdade como a Unicamp, reconhecida pela qualidade da pesquisa científica, chama a atenção. Mas esse tipo de conflito não é novidade no meio acadêmico. Em 2008, depois de uma série de reclamações, a Universidade Federal de São Carlos (SP) cancelou uma palestra do físico Adauto Lourenço sobre “criacionismo e teoria da evolução”. Em 2007, o bioquímico americano Fazale Rana esteve na mesma Unicamp para falar de “design inteligente”, linha de pensamento que atribui a um criador a existência da vida na Terra. Professores conseguiram retirar o logo da universidade dos cartazes da palestra de Rana, mas não impediram a conferência.

Fonte: REVISTA ISTOÉ, em 25/10/13 – 20h50

O cancelamento do evento criacionista na Unicamp

Por Marcio Antonio Campos

Criação e evolução são um tema quente de debate. A universidade poderia ganhar com isso, mas a discussão foi podada no nascedouro.

Uma amiga me mostra reportagem da IstoÉ desta semana sobre o cancelamento de um evento criacionista na Unicamp. O evento em questão era o 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, que estava marcado para o dia 17 e foi cancelado quase em cima da hora. Havia até palestrante estrangeiro, com passagem comprada e tudo. O cancelamento ocorreu por pressão de professores da universidade. “Que façam isso numa igreja”, disse à IstoÉ um dos líderes do protesto, o físico Leandro Tessler. Situação complicada, não?

Os leitores do blog sabem que não tenho a menor simpatia pelo criacionismo, mas é preciso fazer algumas ponderações. Como católico, acredito que todos os espaços são campos de apostolado, inclusive a universidade, mas suponho que a frase de Tessler deixe subentendido que a universidade não é lugar de pregação religiosa. Mas é lugar de debate científico e, vendo a lista de palestrantes, à exceção do jornalista Michelson Borges, os demais são cientistas: um físico, um químico, um arqueólogo e um geólogo. Então, não me parece um “evento religioso”.

“Claramente conscientes de que a Unicamp se trata de uma instituição secular, nós, os palestrantes daquele que seria o 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, tínhamos a convicção de que deveríamos, cada um em sua respectiva palestra e área, tratar do tema sob uma perspectiva científico-filosófica. Nenhum de nós iria ao campus falar de religião, Bíblia nem mesmo criacionismo”, escreveu Borges em seu site (vale a pena ler também as observações de Marcos Eberlin, que é defensor do Design Inteligente).

Criação e evolução são um tema quente de debate. A universidade poderia ganhar com isso, mas a discussão foi podada no nascedouro. (Imagem: Reprodução)

Um outro fator foi levantado pela Unicamp como argumento para cancelar o evento: “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”, dizia a nota da universidade, segundo a IstoÉ. Vá lá, mas quando a universidade aprovou o evento já não sabia disso? Efetivamente, o fórum não estava configurado como um debate (debate pressupõe ter especialistas com visões opostas, e não havia nenhum evolucionista na programação; outro dia li a respeito de um “debate sobre a inconstitucionalidade do Estatuto do Nascituro” na UFPR, mas todos os palestrantes tinham a mesma posição e não havia ninguém pra defender o Estatuto.

Que raio de “debate” é esse?), e é complicado saber se haveria algum espaço para o contraditório. Vamos supor que Tessler e outros resolvessem participar do evento e questionar as informações dos palestrantes na sessão de perguntas e respostas; como a organização lidaria com isso? Ou haveria alguma possibilidade posterior para que os argumentos apresentados pelos criacionistas no evento pudessem ser contestados?

Da maneira como tudo foi feito, cortou-se uma possibilidade de discussão que teria sido muito interessante. É certo que não havia outras possibilidades? Não seria possível aproveitar a presença dos convidados do fórum para realizar um debate com outros acadêmicos evolucionistas da própria Unicamp? Entendo que Tessler e outros não estejam dispostos a debater argumentos religiosos, mas, se, como disse Borges, os palestrantes trariam argumentos científicos, que mal haveria em debater?

Tudo isso nos leva a um cenário mais amplo. No workshop sobre ciência e religião do qual participei em Oxford no mês passado, vários pesquisadores apontaram que existe, no meio acadêmico, uma hostilidade contra qualquer coisa que remeta à religião. A IstoÉ fala em “grupo de ateus”, mas o próprio Tessler diz, em seu blog, que não existe nada desse tipo (aliás, a matéria não diz absolutamente nada sobre a crença, ou falta dela, de Tessler e dos professores que pediram à Unicamp o cancelamento do evento).

De qualquer modo, o episódio me faz lembrar de outros dois casos. O primeiro é a revolta contra uma visita do papa Bento XVI à universidade La Sapienza, em 2008. Os protestos foram tão intensos que o Vaticano achou melhor cancelar o discurso do pontífice (o discurso que ele faria foi publicado pelo Vaticano), reconhecido por católicos e não católicos como um dos grandes intelectuais do nosso tempo.

O segundo episódio teve muito menos publicidade. O VI Congresso Latino-Americano de Ciência e Religião, em 2011, com a Universidade de Oxford como correalizadora, deveria ter ocorrido na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), a maior do país. No entanto, também houve revolta entre professores da instituição até que a Unam anunciou que estava pulando fora, citando inclusive ameaças de agressão física contra os participantes e organizadores do evento.

Por mais que o México tenha um histórico complicado de laicismo exacerbado (que já degringolou até para guerra civil, no início do século passado), convenhamos, isso não é atitude digna de acadêmicos (na verdade, não é digna de ninguém). Felizmente, outra universidade, a Panamericana, se ofereceu para receber o congresso, do qual tive a oportunidade de participar. Situações como essas e o episódio da Unicamp só reforçam a observação feita no mês passado, na Inglaterra.

Aviso: O blogueiro viajou a Oxford para o workshop “Ciência e Religião na América Latina: Desafios e Oportunidades” a convite da Fundação John Templeton e da Universidade de Oxford.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/tubo-de-ensaio/o-cancelamento-do-evento-criacionista-na-unicamp/

Jornalismo da Novo Tempo dá exemplo de isonomia

Com exceção da revista IstoÉ e do jornal Destak, de Campinas, a única emissora de TV que deu cobertura ao imbróglio ocorrido em função do cancelamento do fórum das origens na Unicamp foi a Novo Tempo (veja aqui o vídeo).

E não só isso: a despeito de ser uma TV adventista e, portanto, confessional, ela deu exemplo de imparcialidade e isonomia. No último sábado, 26 de outubro, foi veiculada uma reportagem com duas entrevistas, uma com o físico ateu e professor da Unicamp Leandro Tessler, e outra com o arqueólogo adventista e professor do Unasp Rodrigo Silva (ambos tiveram cerca de 10 minutos para falar, sem cortes).

O autor da reportagem e editor executivo da Novo Tempo Bruno Elmano Lemos disse: “Cumprimos nossos objetivos, tanto ao deixar nosso telespectador bem informado, quanto ao respeitar os entrevistados, tendo sempre por base a ética jornalística. Os dois entrevistados sabiam como seria feito o debate, aceitaram as condições, que inclusive foram estabelecidas pensando em manter exatamente a isonomia e outros preceitos básicos. O professor Tessler se mostrou satisfeito e ainda postou o link da reportagem em seu próprio blog, definindo o material como ‘equilibrado’.”

O gerente de jornalismo da emissora, Wagner Cantori, revela: “Conversamos bastante [sobre a pauta] para tentar ser o mais isentos possível no tratamento do assunto, e acredito que o resultado foi bastante positivo.” O coordenador do Núcleo de Jornalismo, André Leite, reforça: “Aqui no Jornalismo da Novo Tempo, estamos preocupados com a qualidade dos materiais e informações veiculadas, bem como com a pluralidade das opiniões. Ah, e claro, como qualquer bom jornalista, preocupados com a verificação da veracidade das informações antes de compartilhá-las.”

Quanto à cobertura da revista IstoÉ, a matéria em si também foi equilibrada e neutra (confira aqui). Mas o subtítulo traz a informação errada de que o evento seria “religioso”, e já expliquei aqui no blog que não se tratava disso.

Outro detalhe me chamou a atenção: o posicionamento da matéria na revista. Exatamente antes dela, há uma reportagem investigativa de seis páginas sobre as falcatruas do “apóstolo” neopentecostal Valdemiro Santiago, egresso da Igreja Universal do Reino de Deus e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, envolvido até o pescoço em acusações de lavagem de dinheiro, calotes e enfrentando quadrilhas de pastores ladrões (aliás, infelizmente, esse foi o assunto de capa da edição).

Duas páginas depois da matéria sobre o fórum da Unicamp, um anúncio de duas páginas diz: “Continue macaco”, e traz a clássica imagem da “escadinha” dos hominídeos “evoluindo”. O texto afirma: “Nós humanos também temos perdido algo muito importante que já existia em nós desde os tempos em que éramos macacos.”

Sei lá… Fiquei desconfiado. De alguma forma, parece que essa disposição de temas acaba reafirmando a teoria da evolução e passando a ideia de que as religiões não prestam. Mas pode ser coisa da minha cabeça…

De qualquer forma, parabéns à Novo Tempo pelo exemplo de jornalismo e à IstoÉ, pela tentativa.

Michelson Borges 

Fonte: http://www.criacionismo.com.br/2013/11/jornalismo-da-novo-tempo-da-exemplo-de.html

O fórum cancelado e o preconceito contra criacionistas

De volta à Idade Média?

É com grande estranheza que leio os comentários nada éticos ou acadêmicos do professor Leandro Tessler que, pelo visto, deseja ser representante de um setor na Unicamp [comentários a propósito do 1º Fórum Unicamp de Filosofia e Ciências das Origens, que seria realizado nesta quinta-feira]. Recomendo que você leia os comentários dele antes de ler o que escrevo a seguir. A postura de Tessler me lembra a daqueles acadêmicos criticados por Michael Ruse, um eminente especialista em evolucionismo e darwinismo, em seu livro The Evolution-Creation Struggle. Apesar de ser um ferrenho opositor do criacionismo, esse autor deplora a postura acadêmica de monopólio teórico que nega ao outro a oportunidade de se manifestar, fazendo com que apenas Darwin fale, deixando de fora qualquer opinião ou proposta levantada pelo outro lado.

Ruse chega a dizer que existe uma tremenda semelhança entre certos defensores do evolucionismo e o fundamentalismo criacionista a que eles tanto se opõem. Ou seja, ambos se tornam radicais em seu discurso, tratando o outro com pouco ou nenhum respeito e evitando a todo custo que seus seguidores ouçam os argumentos que o outro lado teria a dizer. Isso revela insegurança e preconceito, não um debate racional e equilibrado sobre a questão. E Ruse, compensa repetir, é um respeitado acadêmico evolucionista.

O professor Leandro faz acusações do ponto de vista lógico que simplesmente quebram várias leis do raciocínio correto – pelo menos para quem já estudou filosofia – e beiram a falácias e paralogismos. Ele apela especialmente para o argumento por autoridade e a Petição de Princípio. Resume-se a dizer que o que ele ensina está provado e que o que o outro lado diz é ridículo. Mas não mostra onde está o ridículo das afirmações a que ele se opõe. Pressupõe-nas ridículas porque fogem ao seu senso comum ou ao que ele está acostumado a acreditar.  

Isso, fora o fato de que um acadêmico, seja de que área for, deveria tratar com cuidado e precisão o uso de fontes, mesmo se tratando de um blog não indexado. Afinal, sua autoridade acadêmica pode induzir os leitores ao erro. Neste texto, darei alguns exemplos de sua incongruência argumentativa.

Palavras de indignação do professor Leandro: “Por que a Unicamp empresta seu prestígio a um evento desse tipo, que estaria muito mais apropriadamente sediado em alguma igreja ou associação cristã? […] Por isso causou-me surpresa que a administração central da Unicamp, uma universidade pública e prestigiada como uma das melhores do Brasil, esteja dando suporte institucional para um evento criacionista que ocorrerá dia 17/10 dentro da série de debates chamados de Fóruns Permanentes. Trata-se do 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens (espero que seja também o último!).” Depois de questionar evento semelhante ocorrido na Universidade Mackenzie, ele conclui: “Universidades confessionais protestantes americanas de primeira linha como Harvard, Princeton ou Yale jamais permitiram que um evento desse tipo ocorresse em suas dependências” (grifo nosso).

A conclusão dele é que esses assuntos deveriam se limitar ao interior de igrejas ou instituições religiosas. Jamais deveriam adentrar os limites de uma universidade como a Unicamp. Será?

Minha resposta: o professor deveria se inteirar melhor disso antes de passar uma visão distorcida a seus alunos e aos leitores de seu blog. Será que “universidades de ponta” não se interessam por assuntos envolvendo Deus, religião e ciência? Ele chega a dar como exemplo uma suposta mancha na reputação da UnB porque sediou um Núcleode Estudos de Fenômenos Paranormais e pelo curso de extensão em Astrologia. Veja, não sou astrólogo, paranormal nem simpatizante dessas correntes, mas devo mostrar que as coisas não são como o professor apresenta.

Que tal, então, esses casos? De 21 a 23 de outubro de 2001, Harvard (a mesma instituição que ele afirmou jamais se prestaria a esse papel) sediou um congresso intitulado “The Harvard Conference on Science and the Spiritual Quest”, realizado no campus de Cambridge, MA. Igualmente, a Universidade de Berkeley, na Califórnia, possui um programa acadêmico sobre “busca espiritual” (Spiritual Quest Program SSQ) e um “Center for Theology and the Natural Sciences”. Compensa dar uma olhada na página deles (http://www.ctns.org/ssq/) e ver como Berkeley discorda do professor da Unicamp e leva para o Campus coisas que ele sugere ficarem circunscritas aos limites de uma igreja ou instituição religiosa. William D. Phillips, ganhador do prêmio Nobel de Física, participou de vários eventos do SSQ e afirmou que a espiritualidade e a convicção religiosa mantida por cientistas deveriam ser assuntos mais bem explorados em universidades de renome. 

Outro programa de Berkeley em parceria com a prestigiada fundação John Templeton foi o “Science and the Spiritual Quest II” (SSQII), realizado em 2003. E antes dele, em 1988, uma conferência realizada pelo departamento de Física da Universidade de Berkeley reuniu vários especialistas em cosmologia para que eles apresentassem as implicações da espiritualidade em seus trabalhos acadêmicos e a riqueza de se fazer ciência sem deixar de ser religioso. Muitos compareceram como palestrantes, incluindo Allan Sandage, religioso praticante e ganhador do prêmio Gruber de Astronomia.

Yale realizou entre 11 e 14 de maio de 2000 uma conferência intitulada “The God in Nature and Humanity: Connecting Science, Religion and the Natural World”. O objetivo segundo os coordenadores era encontrar links entre ciência, religião e natureza.

Em 14 e 15 de setembro de 2006, Yale realizou outra conferência envolvendo design inteligente, criacionismo e evolucionismo. O tema geral foi “The Religion and Science Debate: Why Does It Continue?”. Outro congresso multidisciplinar realizado também em Yale, em 2000, diretamente ligado ao tema do design, foi o “Science and Evidence for Design in the Universe”. Alguns evolucionistas tentaram alegar que esse congresso não ocorreu sob os auspícios da universidade, mas apenas utilizou indevidamente seu nome. Isso não é verdade. Tanto que o próprio site da universidade fez a propaganda do evento (confira), e a Yale Law School Forum on Cultural and Academic Freedom era uma das coordenadoras. 

Mas ainda que fosse como alguns dizem, torna-se curioso dizer que Yale nunca escreveu nenhum parecer oficial desmentindo ou processando os coordenadores pelo uso indevido de seu nome.

Ademais, vários outros congressos de diversos temas e áreas são realizados como esse: sediados por um braço da universidade e vinculados diretamente ao seu nome. Esse é um procedimento normal e quem trabalha em universidades públicas ou privadas sabe como funciona. Creio que esses exemplos são suficientes para mostrar que o dito no blog do professor Leandro simplesmente não procede. Curiosamente, nem Berkeley, Yale ou Harvard tiveram sua reputação manchada por sediar cursos, centros e conferências envolvendo Deus, religião e ciência. Por que a Unicamp ficaria?

O professor também dispara preconceitos contra os palestrantes convidados, ao afirmar: “Como mostrarei a seguir, nenhum dos palestrantes tem um perfil acadêmico compatível com essa universidade, exceto pelo professor Marcos Eberlin, do Instituto de Química da Unicamp, que participará da sessão de abertura.”

Minha resposta: são cinco os palestrantes convidados. Marcos Eberlin, que ele aceita como exceção, é professor da Unicamp e é um deles. Mas o professor Leandro não explica por que Eberlin (que tem o perfil acadêmico da instituição) estaria ali entre os palestrantes de um evento tão “anticientífico”. Outro detalhe: O que ele entende por “perfil acadêmico compatível com essa universidade”? Gostaria que esclarecesse melhor, pois o prof. Humphreys, como ele mesmo admite, tem doutorado em Física – área sobre a qual ele apresentaria sua palestra – e possui “patentes e publicações em periódicos de seletiva política editorial, especialmente na área de instrumentação”.

Leandro se limita a dizer que o professor Nahor é doutor em Geociências, mas não diz que foi pela USP e que ele foi professor na USP e na Unesp por 13 anos! Curioso, serve para a USP, mas não tem o perfil necessário para a Unicamp! Irônico!

Quanto a mim (Rodrigo Silva), ele apenas diz que sou doutor em Teologia e apresentador de programa de TV. Mas não afirma que tenho especialidade em arqueologia (tema de minha palestra), nem que estou vinculado ao MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia) da USP, terminando um segundo doutorado em Arqueologia Clássica. Aliás, estou envolvido com professores da USP, Unesp e do Ipen, numa pesquisa de datação por luminescência (área de especialidade do dito professor), cujo artigo sobre um artefato “bíblico” foi aceito para apresentação num congresso internacional a ser realizado em Pernambuco, no fim deste ano.

Curioso que é só clicar no nome de cada autor que o currículo Lattes ou do CNPQ aparece. Mas ele usou as informações que lhe convinha. O Michelson (formado pela UFSC), de fato, é o único que não leciona, mas sua participação seria como jornalista e não como professor universitário. Seu tema também está correlacionado com o que ele trabalha.

Bem, se nenhum dos acadêmicos acima tem perfil para estar na Unicamp palestrando, quem teria? Ademais, ninguém estava se preparando para pregar um “sermão”. As apresentações eram de fundo exclusivamente acadêmico, como se pode ver pelos resumos.

Além disso, quando o professor questiona a “ausência” de artigos indexados defendendo o DI ou o criacionismo, ele parece ignorar o monopólio evolucionista de acadêmicos que, como ele, barram publicações que ofendem a boa reputação de Darwin. Mas isso não é argumento algum. Seria o mesmo de dizer que o protestantismo não possui teologia válida porque não encontramos em periódicos católicos artigos defendendo a doutrina de Lutero!

Veja que o próprio Francis Collins admitiu ter ficado por muitos anos calado em relação à sua fé em Deus, porque sabia que se divulgasse isso antes de terminar suas pesquisas ele seria, por preconceito, retirado do programa de mapeamento do Genoma Humano. Ou, pior ainda, nem teria entrado nele!

Contudo, há sim, exceções razoáveis ao generalizado preconceito, ou seja, artigos contrários ao evolucionismo publicados em revistas indexadas. Veja uma lista parcial deles em http://www.discovery.org/a/2640.

Continuando, o professor ainda destaca: “Debater com eles [os criacionistas e partidários do DI] é perda de tempo, pois não há evidência na Terra (ou no céu!) que os faça rever seu modelo e suas posições, como os cientistas costumam fazer.” Mas, depois, ele mesmo diz: “Infelizmente, o blog não é aberto para comentários, mas eu ia propor que fizéssemos um debate verdadeiro e mais equilibrado em algum templo (não numa univerisdade [sic]): 2 criacionistas e 2 cientistas abordariam evolução e as origens do universo, seguido de um debate.”

Mas é para debater ou não? Fiquei na dúvida do que o professor propõe. E por que na universidade não e na igreja sim? Qual a diferença? Seus alunos não iriam a uma igreja, seria isso? Seu interesse é ganhar adeptos? E mais: Que dicotomia mais preconceituosa é essa? “2 criacionistas e 2 cientistas”? Não seria mais correto – considerando nomes como o do professor e cientista Marcos Erbelin – dizer “2 cientistas criacionistas e 2 cientistas evolucionistas”? Caso contrário, professor Leandro, em que grupo eu deveria colocar o professor Marcos?

Outro detalhe: O que importa é o conteúdo ou o ambiente? Por que debater na igreja e não na universidade?

Concluindo… O professor Leandro escreve com uma arrogância tal que parece supor que ele (ou pelo menos os que concordam com ele) detém a chave do conhecimento acadêmico e o monopólio do saber universitário. Se for assim, gostaria de lembrar ao distinto professor que foi exatamente contra essa postura imperialista e autoritária que a universidade surgiu na Europa, reagindo contra o ditame das Universitas que eram pautadas pelo medievalismo monopolizador do programa Roma Locuta Finita Causa Est (Roma falou, está acabado!). Ou seja, somente o que a Igreja aceitava com válido podia ser ensinado e discutido nas classes, o resto era heresia.

Parece que estamos voltando aos tempos medievais em que antigos bispos, censores e até mesmo inquisidores da teologia são substituídos por neosacerdotes do ateísmo e do evolucionismo, como o professor Leandro. Ele é a voz da ciência; ganhou procuração para isso! Todas as conclusões devem concorrer para os ditames em que ele mesmo acredita. Quem discordar dele está fora do jogo. Como isso me lembra a máxima do passado “extra ecclesiam nulla salus” (fora da igreja não há salvação). E antes que me acusem de anacronismo, é bom argumentar logicamente por que seria um anacronismo e não apenas dizer que é!

Ademais, anoto o agravante de que a Unicamp é uma universidade pública e os recursos que a sustentam e que, inclusive, pagam o salário do professor de Física são justamente oriundos dos impostos de uma maioria teísta que ainda crê em coisas que ele considera banais. E nessa maioria não há apenas gente “leiga”. Há físicos, matemáticos, historiadores, filósofos, etc. que creem na criação ou no design. Se quiser, dou de memória uma lista enorme deles. Gente inclusive com mestrado e doutorado em reconhecidas universidades públicas.

Engraçado, pois já vi todo tipo de reivindicações de alunos em universidades públicas. Muitas legítimas, outras nem tanto. Mas nenhuma parece chocar tanto o professor e seus adeptos quanto o tema de Deus relacionado à ciência. Até a maconha está tendo seus adeptos e conseguindo seu espaço nas discussões da universidade pública, mas Deus ainda tem de ficar de fora.

Veja que contraste: entre 17 e 18 de maio de 2010, ocorreu na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) um simpósio internacional sobre a liberação do uso da Cannabis (nome científico da maconha). Bem, o simpósio tinha como título o uso “medicinal” regulamentado por uma agência brasileira que deveria ainda ser criada. Contudo, deixe-me tecer dois comentários sobre isso: primeiro, tenho certeza de que nem todos os especialistas concordariam com a proposta do evento ou com as conclusões técnicas que muitos participantes defendiam, mesmo assim, o evento foi realizado. Essa é a democracia do saber, pois, embora eu não diga com Nelson Rodrigues que toda a unanimidade é burra, posso, pelo menos, dizer que em muitos momentos a pluralidade de ideias (até mesmo divergentes) pode ser uma fonte de riqueza intelectual. Posições divergentes são sempre bem-vindas ao fórum acadêmico, principalmente se a instituição for pública, isto é, pertencente ao povo que paga seus impostos.

Segundo comentário: erra feio quem pensa que um simpósio como esse da Unifesp ficaria apenas no âmbito científico. A pauta de blogs semelhantes a esse do professor Leandro afirmava ser aquela uma iniciativa a favor dos movimentos antiproibicionistas que lutam pela legalização do consumo de drogas no Brasil. Aliás, como disse numa entrevista a neurocientista Cecília Hedin, que era na época diretora do Instituto de Ciências Biomédicas da URFJ: “É comum o cientista achar que não é seu papel participar desses debates, sem perceber que sua disciplina é, muitas vezes, utilizada para justificar políticas públicas. Muitos se julgam neutros, mas raramente um de nós de fato é.”

Veja, não estou emitindo juízo de valores sobre a questão da maconha, pois esse não é o assunto deste texto. Apenas faço essa comparação para mostrar a postura de contradição de professores intolerantes, como alguns da Unicamp. Maconha pode ser discutida, Deus não! Religião, como o professor Leandro defende, é coisa para ser confinada às igrejas, não à universidade. Ora, se fosse assim, Deus não deveria ser mencionado para nada! Silêncio total. Mas, contradizendo isso, o Criador é muito mencionado nas aulas de professores ateus. Ele é mencionado para ser desacreditado, desmentido, desautorizado. Duvido que o professor Leandro nunca tenha em sala de aula repelido com força o criacionismo diante de seus alunos ou desdenhado do relato do Gênesis. Mas, deixe-me ver se entendi: “Deus e o Universo” não constitui tema para um ambiente universitário. A menos que seja para construir toda uma tese provando para os alunos que tal coisa não existe.

Que estranho comportamento acadêmico. Só deixo que meus alunos tenham acesso ao que eu mesmo creio como sendo verdadeiro. O que os demais dizem eu me limito a invalidar sem provar porque é errado. Isso é retórica acadêmica e não método científico. É muito fácil falar mal dos “outros” sem deixar que eles mesmos apresentem suas razões. Se tudo o que meus alunos souberem dos “outros” se limitar ao que “eu digo dos outros” – e digo como bem entender –, posso levá-los a preconceitos e chauvinismos recheados de argumentação pseudocientífica.

Isso é o que alguns chamam de “advento do marxismo cultural” da ex-URSS, onde professores com cartilhas e dogmas supostamente “comprovados” se infiltram através de concursos em universidades públicas; afirmam que isso e isso é politicamente correto, que isso e isso é cientifico, e o resto é lixo! Então constroem a proposta do que consideram a sociedade perfeita, depois lavam o cérebro dos alunos com toda essa eloquência e, como resultado, criamos uma sociedade desajustada. Perfeitos ignorantes com diploma nas mãos; alunos não reflexivos que se limitam a repetir o que o professor diz, pensando não por si mesmos, mas tornando-se refletores do pensamento alheio.

Como os valores espirituais são coisa que pertence às igrejas, o ensino da ética também fica bastante limitado e o resultado não é nada animador. Um exemplo disso é que, no passado, quebra-quebra como o que vimos nas manifestações recentes seria reputado como “falta de cultura” e “falta de educação”. Agora nos surpreende o elevado número de universitários entre os arruaceiros. Educação é tudo? Estamos cumprindo mesmo nosso papel?

Ora, professor Leandro, ninguém pode rejeitar conscientemente o que não conhece. Se você quiser mesmo que seus alunos rejeitem as propostas não darwinistas da origem do Universo, deveria deixar que eles ouvissem os argumentos e decidissem por si mesmos, e não que repetissem como gravadores as coisas que o senhor mesmo diz em sala de aula – certamente repetindo sem questionar a mesma cartilha que um dia escutou.

Será que seus alunos saberiam dar um exemplo concreto, observável e científico de macroevolução darwinista? Veja, eu disse macroevolução! Por favor, não fique girando em torno de bactérias e amebas que se modificaram com o passar dos anos! Isso eu também aceito, mas não é bem o que o evolucionismo clássico diz, pois a bactéria, ainda que mudada, continua bactéria; a ameba modificada continua ameba. Refiro-me a mudanças de espécie em que o réptil realmente virou pássaro; e um anfíbio virou mamífero terrestre.

Uma parábola para terminar. Imagine que ETs chegassem à Terra daqui a dois mil anos e não encontrassem mais seres vivos no planeta. Eles viriam o avião e analisariam tudo o que ele contém: asas, motor, rádio, trem de pouco, etc. É uma máquina perfeita. Como foi feito? Como surgiu? Ninguém tem uma resposta definitiva, pois não estavam aqui em nosso tempo nem visitaram a fábrica da Embraer ainda em funcionamento.

Então, um grupo, partindo da lógica, deduz que alguém – provavelmente um ser humano inteligente – fez o avião. Mas outro grupo, mais politicamente engajado, prefere negar a existência de “inventores ou fabricantes do avião”, afirmando que ele é fruto do acaso e que não precisamos de fabricantes para justificar sua existência.

“Mas a lógica de sua engenharia supõe um engenheiro”, diz o primeiro grupo. “Ora, isso é pseudociência”, diz o segundo. “Já provamos que o avião é fruto de uma série de mudanças acidentais que geraram essas máquinas que hoje conhecemos.” Prova por prova, nenhum dos grupos têm. Mas creio que a lógica faz supor a primeira opção. Afinal de contas, creio que nem mesmo o professor Leandro aceitaria dizer que a existência do avião dispensa a existência de um fabricante. Ele é muito complexo para ser fruto do acaso!

Mostre-me “cientificamente” – não filosoficamente – a possibilidade de um avião alguma vez ser fruto do acaso cego e eu passarei seriamente a acreditar que o pássaro também pode ser. Até lá! Não chame de científico o que não foi cientificamente provado, nem arvore para si a monopolização do saber. A Idade Média, companheiro, já ficou para trás.

(Rodrigo Silva possui graduação em Teologia pelo Instituto Adventista de Ensino do Nordeste [1992], graduação em Filosofia pelo Centro Universitário Assunção [1999], mestrado em Teologia Histórica pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus [1996], doutorado em Teologia Bíblica [2001], estudos pós-doutorais com concentração em arqueologia bíblica pela Andrews University, EUA [2008], e atualmente está cursando doutorado em arqueologia clássica pela Universidade de São Paulo. É professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo – Campus Engenheiro Coelho, SP [Unasp], curador do Museu Paulo Bork de Arqueologia do Oriente Médio e apresentador do documentário semanal Evidências, pela TV Novo Tempo).

Fonte: http://www.criacionismo.com.br/2013/10/o-forum-cancelado-e-o-preconceito.html

Adão e Eva na Unicamp?!

O fórum não seria sobre religião

Depois de dar destaque ao cancelamento do fórum sobre as origens que seria realizado na Unicamp (confira aqui), o jornal Destak, de Campinas, voltou ao tema no editorial de Paulo Reda, agora com outras tintas, a começar pelo título bem “forçado”: “Adão e Eva na Unicamp”. Reda escreveu que “a Unicamp cancelou seminário sobre a origem da vida que seria um panegírico sobre o criacionismo, hoje rebatizado como ‘design inteligente’”, e escreveu mais: “Alguém propor um debate científico que leve em consideração teses como a criação do mundo em sete dias e Adão e Eva me parece tão absurdo quanto uma discussão sobre se o Sol gira em torno da Terra. É curioso o empenho de grupos religiosos em buscar o endosso acadêmico para a inconsistência do criacionismo.”

Conforme já disse (confira aqui), nenhum dos palestrantes iria falar sobre criacionismo, Adão e Eva ou religião de qualquer tipo. Estávamos bem cientes de que naquele ambiente acadêmico teríamos que abordar nossos respectivos temas de uma perspectiva científica e/ou filosófica. E foi o que nos propusemos fazer, até que a “censura” nos proibiu de falar. O que importavam nossas “subjetividades religiosas”, se nossa abordagem dos temas não seria religiosa? Quiséssemos fazer proselitismo e não aceitaríamos participar de um fórum; faríamos pregações por aí.

Curiosamente, universidades públicas costumam ser bem mais flexíveis quando não estão envolvidos palestrantes criacionistas. Um exemplo recente é o “Seminário Estado, Laicidade e Sexualidade”, com a atividade debate “Fronteiras da Liberdade Religiosa”. Será realizado onde? Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E, que eu saiba, ninguém lá se opôs. Outro exemplo mais antigo, que me ocorre agora, foi a realização de um simpósio sobre prática médica e espiritualidade. Onde? Na USP. Também não houve resistência.

Bem, voltando ao editorial do Paulo Reda, infelizmente, ele não reflete a verdade dos fatos e somente ajuda a promover o preconceito contra aqueles que ousam questionar uma hipótese científica que dominou os campi seculares e vem promovendo a inquisição sem fogueiras contra aqueles que se atrevem a pensar diferente. [MB] 

Leia abaixo a carta enviada pelo químico Marcos Eberlin (um dos palestrantes censurados) à redação do jornal Destak:

Prezados editores do Destak Campinas:

Senhores, sou campineiro, nascido aqui em 1959, cidadão emérito dessa cidade, cidade de que me orgulho ser um centro de erudição e cultura, como poucos no País. Ingressei em 1979, lá me formei em 1982 e sou professor da Unicamp desde 1982. Como cidadão campineiro, em uma cidade como Campinas é, quero acreditar que o jornal Destak pretenda informar seus leitores sobre a verdade dos fatos, e não sobre a opinião não substanciada de alguns.

O editorial de hoje, de Paulo Reda, editor executivo, sobre o Fórum Origens da Unicamp, ficou bastante aquém da verdade. Alias, fez ele alguns juízos de valor por demais equivocados. Fiquei pensando se ele leu o programa do Fórum? Se saberia fazer uma sinopse das palestras propostas? Ou se ele verificou o CV e a formação dos palestrantes? Será?

Eu seria um dos palestrantes do Fórum e o abriria com uma palestra intitulada “A Química do Universo e da Vida”. Nessa palestra, jamais imaginaria tocar em temas como Adão e Eva e o paraíso, ou a idade da Terra. Aliás, nenhum dos palestrantes o faria. Absolutamente não! Estaríamos todos lá para falar única e exclusivamente de Ciência, em sua essência máxima. Cada um de nós, em suas áreas de especialização, abordaria o tema do simpósio – Origens – em suas áreas específicas, de um ponto de vista estritamente científico. Não iríamos, naturalmente, repetir o já desgastado discurso da evolução naturalista, pois somos céticos sobre a evolução, e temos o direito cientifico e acadêmico de assim sermos, pois nossa ciência e nossos dados científicos assim nos permitem.

Eu falaria sobre a química do big bang, da água, do DNA, dos aminoácidos, da homoquiralidade dos seres vivos. E compararia a viabilidade das duas causas possíveis do Universo e da Vida – forças naturais ou ação inteligente – frente ao conhecimento químico e bioquímico que temos hoje sobre os dois. Pena que o Fórum foi cancelado, pois, senão, o que aqui afirmo poderia ter sido lá confirmado.

Imaginar, então, que estaríamos lá para discutir preceitos e conceitos religiosos é pura ilusão, puro delírio, coisa de quem não se informou adequadamente sobre o assunto. Ou expressou uma opinião após ouvir somente um lado do debate.

Concordar com o cancelamento do fórum é fazer coro com a estratégia de combate do naturalismo filosófico, que tenta evitar o debate de nossas origens, que queremos fazer dentro da Ciência e com dados científicos e preceitos científicos, com a estratégia difamatória dos “sem-argumentos” que apregoam e ecoam por aí o slogan naturalista: “Se não é a favor da evolução, então é… religião!” Desclassificando a tese e os que a defendem, ao invés de combatê-la com o bom combate do debate acadêmico de teses e teorias.

Sonhando com fadas e duendes, e Adão e Eva no paraíso, exclamou um deles: “Que façam o debate em suas igrejas…”, não na minha (concluo eu)!

O cancelamento do fórum Origens da Unicamp, onde acadêmicos e cientistas e profissionais gabaritados e conceituados iriam debater a Ciência de nossas origens, propondo uma alternativa ao modelo vigente, só deixou ainda mais clara uma coisa, que eu – junto com muitos por todos lados e de todas as áreas do conhecimento cientifico – estou afirmando: que a evolução faliu como teoria capaz de explicar a origem do Universo e da Vida, e que – por temerem as implicações científicas, teológicas e filosóficas desse fato, e a alternativa que agora se mostra viável – muitos na academia não encontram outra saída a não ser tentar desqualificar a alternativa como… fanatismo religioso, obscurantismo, medieval… E da mesma forma, com os mesmo adjetivos, rotulam os que a defendem.

Mas em Ciência essa estratégia funciona só por um tempo, pois nada em Ciência resiste à força dos dados. Nada em Ciência é melhor do que um dado, um após o outro. E os dados e evidências vencerão a batalha, como já vimos no passado, e mostrarão a todos o que hoje sabemos com muita clareza : de que foi sim uma mente inteligente que orquestrou a Vida e o Universo, para temor e tremor dos que afirmam o contrário. E quem viver, verá!

Quero entender, então, que o jornal Destak é sério e imparcial, como disse, e que estará sempre ao lado da Verdade. Peço, então, que publiquem minha réplica, para o bem do debate, do contraponto, e que cada um julgue quem está com a Verdade, ou mais próximo dela.

Ganharia o leitor, ganharia a Ciência, ganharia Campinas!

Sinceramente,

Marcos N. Eberlin

Fonte: http://www.criacionismo.com.br/2013/11/adao-e-eva-na-unicamp.html

Professor não assiste à palestra, mas se atreve a criticá-la

Professor Miguel Áreas, da Unicamp

Recentemente, foi apresentada na Unicamp uma palestra para todos os estudantes de iniciação científica. Mesmo sob as críticas do professor Leandro Tessler (o mesmo que lutou para impedir um simpósio sobre design inteligente lá, no ano 2014 [confira]) e outros, o professor Miguel Arcanjo Áreas, tido como um excelente profissional do Instituto de Biologia da Unicamp, apresentou a palestra intitulada “A biologia da fé”. Nela, o professor falou sobre os mecanismos fisiológicos desencadeados em pessoas que têm fé, mencionando a ação da glândula pineal. Tem até um post no blog dos amigos do Leandro detonando a palestra de Áreas (confira).

Detalhe: o professor Leandro afirmou que não esteve no auditório, mesmo assim, com base no relato de “amigos”, se sentiu no direito de comentar a palestra. Depois teve que se explicar no grupo da Unicamp com o seguinte comentário:

“Caros, para desfazer a polêmica que ficou maior que deveria:
“1. Eu não assisti a palestra, mas várias pessoas de minha confiança estavam lá porque sim o comparecimento dos estudantes de exatas e tecnológicas era obrigatório.
“2. TODOS os meus conhecidos que assistiram confirmam que não foi uma palestra criacionista ou sobre criacionismo.
“3. O que as pessoas têm comentado é que sim foi uma palestra de fundo religioso. A conclusão foi: deus nos deu todas as condições de questionar o mundo e é isso o que a pesquisa deve fazer. Fé e ciência se misturam aí: a gente tem que questionar o universo porque é o que deus queria que fosse feito.
“4. Minha opinião pessoal é que isso não é muito adequado a um congresso de Iniciação Científica.
“5. Por favor, respeitem a opinião uns dos outros.”

Mais uma vez impera o preconceito. Basta mencionar a palavra “fé” e todas as portas da universidade se fecham ou então as críticas se levantam. Graças a Deus pela coragem e presença na academia de homens como o professor Miguel. O mais engraçado é que a investigação do professor Leandro se limitou ao que ele ouviu de “pessoas da confiança dele”… Ora, esperava-se mais investigação dos fatos por parte de um cientista que vive acusando outros de acreditarem em falácias. E ele deveria ter mais cuidado antes de expor um colega de trabalho e, inclusive, denunciá-lo ao Evolution Academy.

Veja a retratação de um dos grupos que divulgaram o ocorrido (clique aqui). Nos comentários, houve quem defendesse o professor Miguel, como este: “Fui aluno do prof. Miguel e posso afirmar que a palestra que ele deu foi sobre biologia.”

Infelizmente, aqui no Brasil, alguns ateus militantes querem cercear o direito ao livre exercício do pensamento e amordaçar as pessoas, impedindo-as de falar, se o assunto contiver palavras como “fé”, “criacionismo”, “design inteligente”, “religião” e afins. Bem diferente da realidade vista em grandes universidades europeias e dos Estados Unidos, nas quais o debate é aberto e temas religiosos podem e são debatidos. Esquecem-se esses ateus que as universidades nasceram num contexto religioso e que a própria ciência se desenvolveu num berço cristão.

Querem promover ainda mais o atraso em nosso país e, para isso, se valem até de artifícios como o de não assistir a uma palestra e, mesmo assim, se atrever a criticá-la.

Fonte: http://www.criacionismo.com.br/2015/11/professor-nao-assiste-palestra-mas-se.html

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