Livro mostra que discurso de Michelson Borges e Eduardo Lutz quer reverter a Reforma protestante

Michelson Borges, conscientemente, e Eduardo Lutz, inconscientemente, pelo que parece, atuam como agentes infiltrados do catolicismo na comunidade adventista brasileira, tentando reverter o princípio basilar da reforma protestante — livre interpretação das Escrituras por membros leigos –, para restringir e devolver a autoridade de interpretação da Bíblia unicamente à Igreja, através dos artigos e sermões de seus teólogos atuais e comentários de pesquisadores do passado, a chamada tradição eclesiástica, que inclui de Ellen White e pioneiros adventistas aos chamadas pais da igreja no catolicismo.

Em vídeo recente, Michelson Borges chega a dizer que “a Bíblia não é um livro para pessoas ignorantes” e que apenas pessoas cultas e de mente — dementes! — científica, como Isaac Newton, podem compreender as Escrituras corretamente, sem se importar evidentemente com o fato de que Newton em seu suposto estudo da Bíblia compreendeu que a adoção da doutrina da Trindade foi a evidência máxima do descaminho do cristianismo romano (catolicismo).

Em seguida, o próprio Michelson Borges publicou vídeo em que o físico Eduardo Lutz tenta impor regras e padronização da interpretação bíblica, contrariando a liberdade da interpretação individual das Escrituras que deu origem à Reforma protestante.

No método de seis regras sobre “Como estudar a bíblia sem concluir absurdos”, defendido e imposto por Eduardo Lutz, em seu vídeo, nenhuma menção é feita à busca da iluminação do Espírito Deus, que inspirou cada letra e mínimos traços das Escrituras, a fim de entendê-las corretamente. Pelo contrário, Lutz vai ao cúmulo de impor a visão como filtro para a compreensão bíblica, eliminando a fé pura e simples na Palavra de Deus.

“Descartar interpretações incompatíveis com fatos observáveis,” é a sexta norma imposta pelo arrogante físico, que fala como um cordeiro em seu vídeo. Mas a argumentação é idêntica à da Serpente, que sugeriu que Eva deveria duvidar da Palavra de Deus e experimentar o fruto proibido porque isso lhe “abriria os olhos”. Assim, “fatos observáveis” seriam um melhor critério em lugar da aceitação literal do que Deus disse, sem qualquer questionamento.

Eduardo Lutz condena a livre interpretação da Bíblia, princípio originador da Reforma protestante: “A maioria das pessoas não segue regras confiáveis para interpretar o texto bíblico, então isso faz com que várias pessoas leiam o mesmo texto e retirem conclusões absolutamente incompatíveis entre si. Isso acontece muito. É por isso que existem tantas denominações religiosas, com base na interpretação de cada um… Cada um acha que está com a verdade porque ele só está defendendo o que está na palavra de Deus. Mas a palavra de Deus aqui é uma interpretação equivocada muitas vezes de textos.”

Como se pode concluir facilmente, trata-se de um discurso claramente católico ou ecumênico, pseudo-protestante e contrário à compreensão individual das Escrituras, analisado exaustivamente e defendido pelo autor do livro Autoridade Bíblica Pós-Reforma – (Kevin Vanhoozer), cujo link estamos disponibilizando aqui e abaixo.

Posicionamento de Lutero

“A um amigo da Reforma, Lutero escreveu: ‘Não podemos atingir a compreensão das Escrituras, quer pelo estudo quer pelo intelecto. Teu primeiro dever é começar pela oração. Roga ao Senhor que te conceda, por Sua grande misericórdia, o verdadeiro entendimento de Sua Palavra. Não há nenhum intérprete da Palavra de Deus senão o Autor dessa Palavra, como Ele mesmo diz: ‘E serão todos ensinados por Deus.’ Nada esperes de teus próprios trabalhos, de tua própria compreensão: confia somente em Deus, e na influência de Seu Espírito. Crê isto pela palavra de um homem que tem tido experiência.‘ – D”Aubigné. Eis aqui uma lição de importância vital para os que sentem que Deus os chamou a fim de apresentar a outrem as verdades solenes para este tempo. Estas verdades suscitarão a inimizade de Satanás e dos homens que amam as fábulas que ele imaginou. No conflito com os poderes do mal, há necessidade de algo mais do que força de intelecto e sabedoria humana.

“Quando inimigos apelavam para os costumes e tradições, ou para as afirmações e autoridade do papa, Lutero os enfrentava com a Bíblia, e com a Bíblia unicamente. Ali estavam argumentos que não podiam refutar; portanto os escravos do formalismo e superstição clamavam por seu sangue, como o fizeram os judeus pelo sangue de Cristo. ‘Ele é um herege’, bradavam os zelosos romanos. ‘É alta traição à igreja permitir que tão horrível herege viva uma hora mais. Arme-se imediatamente para ele a forca!‘ – D”Aubigné.” — Ellen G. White em O Grande Conflito, págs 132-133.

“Fala-se de um novo astrólogo que quer provar que a Terra se move e circula ao invés do céu, do sol, da lua, como se alguém estivesse se movendo em uma carruagem ou navio pudesse sustentar que ele estava sentado parado descanse enquanto a terra e as árvores andam e se movem, mas é assim que as coisas hoje em dia: quando um homem deseja ser inteligente, ele precisa inventar algo especial, e a maneira como ele faz isso precisa ser o melhor! toda a arte da astronomia de cabeça para baixo. No entanto, como nos diz a Sagrada Escritura, Josué fez o pedido para que o sol ficasse parado e não a terra”. — Martinho Lutero (em resposta à publicação do breve Commentariolus, que apareceu uma década antes de De Revolutionibus. Isso vem do livro de mesa de Luther “Tischreden”, ou registro de conversas na mesa de jantar)

“Nós, cristãos, devemos ser diferentes dos filósofos [isto é, cientistas] na maneira como pensamos sobre as causas dessas coisas. E se alguns estão além de nossa compreensão (como aqueles que estão diante de nós em relação às águas acima dos céus), devemos acreditar neles e admitir nossa falta de conhecimento, em vez de negá-los perversamente ou interpretá-los presunçosamente em conformidade com nosso entendimento “. — Martin Luther, Obras de Lutero. Vol. 1. Palestras sobre Genesis, ed. Jaroslav Pelikan (St. Louis: Concordia Publishing House, 1958), 30

“De fato, é mais provável que os corpos das estrelas, como o do sol, sejam redondos e que estejam presos ao firmamento como globos de fogo, para lançar luz à noite, cada um de acordo com suas investiduras e sua criação.” — Martinho Lutero, Obras de Lutero. Vol. 1. Palestras sobre Genesis, ed. Jaroslav Pelikan (St. Louis: Concordia Publishing House, 1958), 42

Baixe o livro Autoridade Bíblica Pós-ReformaKevin Vanhoozer, através deste link.

Autoridade Bíblica Pós-Reforma - Kevin Vanhoozer

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