Ciência de mentira: A matança de idosos dos tempos de nazismo está se repetindo

Por Mário Sérgio Lorenzetto

No dia 1 de setembro de 1939, os nazistas criaram um programa de extermínio que visava a eliminação de idosos, deficientes físicos, doentes mentais e doentes incuráveis. Como uma coisa dessas pôde ocorrer em pleno século XX, no coração do Ocidente democrático e “civilizado”? O nazismo não é uma ideia louca surgida do nada. E mais importante, essas ideias estão vivas até hoje.

Como podem dormir em paz?

Como uma autoridade, ou uma pessoa comum, podem conviver com sua consciência após contemplar, como se olhassem para um lago, a morte de tantos humanos? Fica mais fácil dormir à noite quando se acredita que seus atos estão corretos. Hitler convenceu alemães – e muitos brasileiros – de que após a matança, nasceria um mundo melhor.

O carimbo da ciência.

A matança de idosos (de judeus, de ciganos e tantos outros) não ocorreu no vácuo, seguiu décadas de aceitação científica da desigualdade entre os humanos. Essa “ciência” se chamava eugenia.

Eugenia, o filho bastardo de Darwin.

A eugenia nasceu do impacto da publicação, em 1859, de um livro que mudaria para sempre o pensamento ocidental: “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin. Ele demonstrou que os mais aptos vivem mais e deixam mais descendentes dentro de uma espécie.

O primo de Darwin entortou a teoria.

Darwin restringiu sua teoria ao mundo natural. Mas Francisco Galton, seu primo, adaptou o darwinismo, de uma maneira muito torta, às sociedades humanas. Galton dizia que se os membros das “melhores famílias” se casassem com parceiros escolhidos, poderiam gerar uma raça de homens mais capazes. A partir das palavras gregas para “bem” e “nascer” , esse britânico criou o termo “eugenia” para batizar sua teoria. Isso ocorria no momento que Gregório Mendel demonstrava a existência da genética.

Os programas eugenista antes dos nazistas.

Vários programas eugenista começaram a ser realizados em um país que é difícil de acreditar. Ao contrário do que muitos pensam não foi na Alemanha, e sim nos Estados Unidos. Começaram a criar e castrar humanos como se fossem cavalos. A Fundação Rockefeller bancava parte dessas experiências. Algumas universidades de primeira linha, como Stanford, ofereceram cursos para a prática da eugenia.

60 mil esterilizados à força nos EUA.

As primeiras vítimas foram pobres da Virginia. Depois vieram negros e mexicanos. Em seguida, alcoólatras e epiléticos. Nos EUA, não houve matança de idosos. Mais de 60 mil foram castrados e esterilizados à força. Em seguida, a Suécia e a Finlândia começaram a adotar programas semelhantes. A Suécia tornou-se o polo dos estudo dos gêmeos com finalidade de demonstrar a eugenia.

Hitler copiou.

Portanto, quando Hitler começou a adotar essa ideia de assassinato em massa, não estava inventando nada. Copiava e aumentava a lista dos humanos que deveriam ser desprezados. Joseph De Jarnette, o maior castrador de pobres nos EUA, afirmou invejoso que Hitler “está nos vencendo em nosso próprio jogo”.

Fila para morrer.

Em 1939, o nazismo começou a usar o gás Ziklon B para eliminar os humanos desprezados. A fila de idosos era longa. Pretendiam eliminar 70 mil pessoas “indignas de viver”. O programa foi suspenso após protestos. Mas serviu de ensaio para os campos de concentração.
Hoje sou eu, um idoso. E amanhã, em qual fila vocês estarão?

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