TERRA PLANA — 3ª Resposta às perguntas de Michelson Borges: Mais uma idiotice monstro no currículo da IASD!

3. Será que eles não têm mais o que fazer [na NASA]? Será que não haveria uma forma mais barata e menos complicada de atacar a religião?

De fato, um milhão e meio de dólares é um valor baixo, irrisório mesmo, quando se calcula o Custo Por Milheiro dessa compra de opinião pública favorável no meio adventista mundial. Basta dividir o total do investimento por 20 mil milheiros, que correspondem aos alegados 20 milhões de adventistas em todo o mundo…

Setenta e cinco dólares será o CPM dessa transação da Nasa com a IASD, U$ 0,075 (sete centavos e meio de dólar) por membro da IASD, se o pagamento desse montante vier a ocorrer. Contudo, o tal físico da Andrews sequer precisa entregar um resultado positivo em sua pesquisa, pois a simples publicação da notícia já favoreceu a Agência Espacial Americana. O que interessa mesmo para a Nasa é primeiramente o resgate da credibilidade em massa através de notícias favoráveis no órgão oficial de uma denominação religiosa como a IASD.

Uma instituição cuja história se inicia com o aproveitamento de equipe de pesquisadores que prestava serviços a Hitler, aposta com certeza na ignorância e desinformação do público, para se manter em bom conceito. [Leia mais sobre a Operação Paperclip] Mas não merece crédito algum nem prestígio, quem simulou em estúdio sua suposta maior conquista, enganando bilhões de pessoas com imagens falsificadas da chegada do homem à Lua. Isso tudo está muito bem documentado e o jornalista Michelson Borges sabe disso. [Leia mais sobre os nazistas na Nasa.]

A Nasa não tem obrigação alguma de dizer a verdade, mas a IASD, sim. E não deveria permitir que seu bom nome fosse usado pelo físico que fez esse acordo de trabalho com a mais suspeita de todas as instituições de pesquisa. Aliás, se mentiram sobre a ida à Lua, não podem agora estar mentindo de novo sobre as reais intenções dessa suposta ida a outros planetas?

Mas a IASD tem liderança especializada em acordos questionáveis com governos deste mundo. Na Alemana, por exemplo, apoiou a Hitler, proibindo judeus de entrarem seus templos. Nos Estados Unidos, forneceu jovens cobaias humanas para o desenvolvimento de armas químicas no Projeto Whitecoat. Participou do genocídio em Ruanda e do recente massacre de centenas de adventistas leigos em Angola. Portanto, parceria com a Nasa, é no mínimo mais uma idiotice monstro no currículo da IASD!

A pergunta a ser feita deveria ser: Será que nossos líderes e teólogos não têm mais o que fazer, a não ser aliarem-se à Nasa e se jactarem do reconhecimento desta, antes mesmo de receberem? Será que não haveria uma forma mais coerente e menos nefasta de conduzirem nossa religião?

Que Deus o ilumine, irmão Michelson, para que perceba que há sete verdades factuais em Gênesis que não podem ser alegorizadas, ainda que possam ser vistas como fruto do literalismo excessivo: (1) a criação da terra jovem e plana; (2) criação em seis dias de 24 horas; (3) a criação do primeiro casal, Adão e Eva; (4) a santidade do sábado; (5) a queda espiritual no pecado; (6) o Dilúvio; e (7) o episódio da Torre de Babel.

#sejacoerentemichelson #literalizamichelson #faltapoucomichelson

Veja também:




Desmond Doss: Ele tentou servir a Deus e a Pátria durante a II Guerra

Este documentário legendado conta a verdadeira história de Desmond Doss, que há pouco tempo o ator e diretor Mel Gibson levou para o cinema. Embora fosse cristão adventista do sétimo dia, Doss alistou-se como voluntário para lutar pelos Estados Unidos contra o Japão em Okinawa, imaginando que se não portasse armas e socorresse aos feridos mesmo no sábado estaria fazendo a vontade de Deus.

Ao final, numa guerra em que 115 mil soldados e 100 mil civis japoneses, inclusive mulheres e crianças, além de 15 mil soldados americanos, foram mortos, Doss foi condecorado pelo Governo americano como herói. Afinal, mesmo sem usar armas, apoiou e serviu como estímulo aos colegas de farda por sua dedicação a ponto de recolher sozinho do campo de batalha mais de 75 soldados americanos ainda com vida.

Apesar de neurótico, inválido e surdo como resultado de sua participação na Guerra, o próprio Desmond Doss narra parte de sua história neste vídeo. Assista e comente.




Hacksaw Ridge: “Matem o máximo de japoneses que conseguirem, que eu recolho os pedaços de vocês…”

Desmond Doss foi, com certeza, um valente leigo adventista do sétimo dia, que não perguntou a nenhum pastor ou líder da IASD se deveria ou não alistar-se para a guerra, mas o fez voluntariamente e decidido a não portar armas.Se perguntasse ou pesquisasse, talvez ficasse surpreso ao saber que naquele momento lideranças da IASD na Europa apoiavam a Hitler! A própria Associação Geral havia trazido para os Estados Unidos Hulda Jost, uma propagandista do nazismo.

Apesar disso, Desmond Doss não precisaria ter ido à guerra, uma vez que o serviço militar não era obrigatório como é no Brasil. Afinal, todo cristão sabe que deve amar os inimigos. Um seguidor de Cristo deve ser pacificador porque sua cidadania não é deste mundo. Assim sendo, um jovem adventista que não aceitava usar armas por uma questão de princípio religioso não deveria jamais ir à guerra e, igualmente, não deveria apoiá-la ou legitimá-la com sua presença, ainda que com supostos propósitos beneméritos.

O que fez com que Desmond Doss se diferenciasse dos outros soldados adventistas foi o absurdo fato de que ele se alistou voluntariamente para a guerra como não-combatente. O que um não-combatente iria fazer numa guerra? Aliás, foi por isso que todos estranharam a presença de Doss entre os que se preparavam para um período sangrento de lutas e sofrimento nos campos de batalha.  

Se você ainda não viu o filme, ou caso decida assisti-lo no cinema ou em casa, perceberá que em uma das cenas iniciais, o irmão de Desmond Doss, que se alistou como combatente, afirma que muitos outros jovens da Igreja Adventista fizeram o mesmo. Ou seja, centenas de jovens adventistas foram para a guerra como combatentes! Para lutar em nome dos Estados Unidos, não em nome de Jesus. Aliás, a história dos dois missionários jesuítas no Japão, mostrada no filme “Silêncio” de Martin Scorcese, parece muito mais coerente com os valores de resignação e altruísmo do cristianismo do que o paseudo-heroísmo de Doss, que justifica o massacre de japoneses pelo Exército americano.

VERGONHA: Na Primeira Guerra Mundial; líderes adventistas alemães ordenaram que soldados adventistas usassem armas para defender a Alemanha mesmo no sábado. Foi quando surgiu o Movimento Adventista de Reforma. (Leia o Artigo “Amar Nosso Inimigo, Reflexões sobre o Centenário da I Guerra Mundial” da Adventist World.) Na Segunda Guerra Mundial, veio o indesculpável apoio a Hitler! Pesquise aqui no site sobre o tema.

Busque também informações sobre o Projeto Whitecoat, em que líderes da IASD nos EUA negociaram o uso de centenas de jovens adventistas não-combatentes como cobaias para a produção de armas químicas.

Hoje, embora o serviço militar continue não sendo obrigatório nos Estados Unidos, “segundo o diretor do departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisas da Associação Geral, David Trim, estima-se que 6 mil adventistas sirvam nas forças armadas dos Estados Unidos atualmente. Além disso, conforme acrescenta Márcio Costa, 2,5 mil adventistas norte­americanos combateram na Guerra do Golfo.” (Informação publicada pela Revista Adventista.) E em outros países, a IASD segue apoiando a governantes corruptos e facínoras como o presidente José Eduardo dos Santos em Angola. Acesse www.angoadventistas.com e saiba de todos os detalhes.

Carona no romance. Para completar o vexame, a Organização Oportunista do Sétimo Dia e dos outros seis, tenta agora pegar carona numa versão romanceada da história desse leigo adventista que foi contra os apoiadores de Hitler, servindo como paramédico no exército americano. O cinema, que antes era proibido para adventistas, agora virou centro de evangelismo, ainda que o filme contenha forte percentual de ficção como demonstra a Revista Veja.

Outro ponto negativo do filme é o forte preconceito de raça contra os japomeses, que são apresentados literalmente como “animais” que matavam preferencialmente os médicos inimigos. É como se Desmond Doss estivesse numa guerra santa, entre cristianismo e budismo, com o filme tentando provar que Deus é americano e o Diabo, japonês.

Será que esse filme servirá como pretexto evangelístico no Japão, ou mesmo no Bairro da Liberdade em São Paulo? Convide os japoneses que você conhece para assistir ao filme e veja se o resultado será positivo… Contudo, quem sou eu para falar mal de seus pastores e suas idéias mirabolantes, amigo leitor! Sou apenas um dissidente recalcado, na opinião dos líderes da IASD, nas eu penso por conta própria e raciocino com o cérebro que Deus me deu.

A pergunta que não quer se calar neste caso é apenas uma: Poderia um Adventista do Sétimo Dia participar, como enfermeiro padioleiro ou paramédico, das ações de um grupo de extermínio de japoneses — ainda que fossem japoneses traficantes! — sem ser considerado cúmplice dos homicídios praticados por esse grupo? Não, lógico que não. Portanto, Desmond Doss não atirou, mas deu suporte para quem atirava. Aí, dá na mesma. ´

É como se o herói do filme Hacksaw Ridge houvesse dito a seus colegas de farda: “Matem o máximo de japoneses que conseguirem, que eu vou atrás e recolho os pedaços de vocês…” Aliás, se no filme da Paixão de Cristo, Mel Gibson se queimou com os judeus, ganhando fama de anti-semita, agora será conhecido também por racismo antinipônico…

PARA REFLEXÃO: Na vida real, se nenhum soldado americano fosse até lá para guerrear, quantos daqueles japoneses ou seus descendentes ainda estariam vivos e teriam chance de ouvir sobre o plano da salvação?

Numa batalha como aquela, a possibilidade de um daqueles soldados ouvirem sobre Jesus Cristo e aceitá-lo como Salvador pessoal era reduzida e encurtada drasticamente numa fração de segundos, na velocidade de uma rajada de metralhadora ou disparo de um lança-chamas. Se Doss pretendesse fazer diferença como cristão, teria ido ao Japão como missionário, portador de esperança! 

Meu avô, apenas como ilustração, foi convocado pelo Exército Brasileiro para ir a essa mesma guerra. Era obrigação dele ter ido, mas não foi. Ficou por aqui porque era recém casado, já tinha um filho pequeno, meu pai, e outros estavam a caminho… E ele simplesmente não foi para a guerra nem como enfermeiro padioleiro nem como nada. Simplesmente ignorou a guerra.

Para mim, meu falecido avô foi mais herói que o irmão Desmond Doss. O suposto herói americano se apresentou como voluntário para a guerra, segundo o filme, por se sentir atingido e ultrajado pelo ataque japonês a Pearl Harbor. Achou que deveria fazer alguma coisa pelos Estados Unidos e foi dar apoio e cobertura aos seus colegas de matança de japoneses… Meu avô ignorou a guerra e proveu melhores condições de vida para sua fanília, sem maqtar nem ser cúmplice da morte de ninguém. 

Meu avô poderia ter sido preso como desertor, mas não foi para a guerra matar nem dar apoio à matança ou mutilação de ninguém. E ele nem era Adventista! Era calólico. Aliás costumava dizer que religião é meio de ganhar dinheiro.

Se pesquisar direitinho por aí, talvez o leitor possa até descobrir que seus bisavós ou tataravós vieram para o Brasil exatamente para escapar também dos horrores das muitas guerras promovidas pelo Diabo neste mundo.

Ah e para não dizer que não falamos contra a Trindade neste post, o louvor que o grupo musical da igreja de Doss entoa no filme, é direcionado ao Pai, através do Filho…




Conferência Geral da Igreja Adventista apoiou divulgação “positiva” do nazismo nos Estados Unidos

OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA NA ALEMANHA NAZISTA

Por Corrie Schroder

A Alemanha nazista era um lugar horrível para pequenas igrejas denominacionais porque não tinha nenhuma liberdade religiosa. Uma pequena denominação que sobreviveu foi a Adventista do Sétimo Dia. Quando Adolf Hitler subiu ao poder na Alemanha, a denominação dos Adventistas do Sétimo Dia na Alemanha (doravante chamada os adventistas) achava que era o momento para um líder forte na Alemanha. Hitler parecia o melhor candidato por causa de “sua dedicação pessoal e seu abstinência do chá, do café, do álcool e da carne, práticas compartilhadas pelos adventistas; [portanto,] foi recebido como salvador”. [1]

Espero assinalar isto por causa da disposição em transigir, por parte das pessoas decentes na denominação adventista alemã, em relação com os problemas morais que se enumeram mais abaixo, até ao ponto em que chegaram ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Terminaram em acordo, perda de integridade pessoal e denominacional, cisma na denominação e dano racial como denominação cristã porque seus membros não puderam se manter fiéis aos princípios de suas crenças. Enlaçaram a denominação com o Estado alemão, renunciando à sua liberdade religiosa numa tentativa por sobreviver por meio de acordos ou pactos. Esta posição de transigir atraiu vergonha sobre a denominação alemã, bem como à denominação mundial, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os adventistas evoluíram doutrinariamente a partir do movimento interdenominacional millerista de 1831. Os adventistas crêem na liberdade religiosa, até ao ponto em que a igreja e o Estado devem permanecer separados. Também são objetadores de consciência. Quando aos adventistas se lhes requerem que ingressem na forças armadas, solicitam postos nos quais não têm que portar armas como, por exemplo, o corpo médico. Os adventistas têm 27 crenças fundamentais.

As seguintes quatro crenças fundamentais que se mencionam a seguir são as que correspondem a meu tema:

1. As “Sagradas Escrituras, o Antigo Testamento e o Novo Testamento, são a Palavra de Deus escrita”. [2]

2. A Deidade ou a Trindade: “Há um Deus: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo, uma unidade de três Pessoas co-eternas”. [3]

3. Os dons espirituais e os ministérios. “Deus concede a todos os membros de sua igreja em todas as épocas does espirituais que cada membro deve empregar em amoroso ministério para o bem comum da igreja e da humanidade”. [4]

4. A conduta cristã. “Somos chamados a ser pessoas piedosas que pensam, sentem, e atuam em harmonia com os princípios do céu”. [5]

A denominação adventista não se organizou oficialmente senão em 21 de maio de 1863, ainda que o nome tinha sido escolhido em 1860. Nessa época, o movimento incluía 125 igrejas e 3.500 membros. [6] A Igreja Adventista estendeu-se primeiro por toda a América do Norte. Após 1874, a denominação se estendeu por toda Europa. Em 1888, L.R. Conradi se converteu no fundador da Igreja Adventista alemã. Conradi estabeleceu os escritórios principais da Igreja Adventista em Hamburgo, Alemanha, em 1889. [7] Conradi também estabeleceu a primeira escola adventista alemã próximo a Magdeburg, chamada Seminário Missionário Friedensau.

Um adventista na Alemanha tinha muitas dificuldades. As duas principais eram: uma, que seus filhos tinham que assistir à escola nos sábados, que os adventistas consideram como dia de repouso. A segunda, era o serviço militar obrigatório. [8] O recusar enviar aos filhos à escola e não ingressar ao serviço militar eram castigados com o cárcere. O problema com as escolas se resolveu com um arranjo. As autoridades governamentais permitiram aos meninos adventistas estudar suas Bíblias enquanto estavam na escola nos sábados. [9]

O serviço militar apresentava dois problemas: trabalhar aos sábados e portar armas. Estes problemas nunca se resolveram realmente, mas “os examinadores médicos do exército começaram a encontrar toda classe de desculpas para recusar aos recrutas adventistas”. [10] Esta rejeição dos varões adventistas terminou quando começou a Primeira Guerra Mundial. Isto causou um problema dentro da denominação dos adventistas na Alemanha.

O Movimento de Reforma Adventista do Sétimo Dia

O Movimento de Reforma Adventista do Sétimo Dia ocorreu por causa da controvérsia a respeito do serviço militar. Durante a Primeira Guerra Mundial, as igrejas adventistas alemãs pertenciam a diferentes uniões, do norte, do sul, do leste e do oeste, mas todas estavam sob a guia e o controle da Divisão Européia. Os escritórios principais da Divisão Européia estavam situados em Hamburgo, Alemanha. O problema principal era que a maioria dos membros que serviam como dirigentes da divisão vivia fora da Alemanha e que, por causa da guerra, as viagens e as comunicações eram difíceis. [11]

Com o começo da guerra e a mobilização de tropas na Alemanha, os dirigentes adventistas alemães decidiram que “os varões adventistas podiam entrar ao serviço militar e servir como combatentes, e até ignorar a tradicional observância do sábado”. [12] Isto causou grandes problemas dentro da comunidade adventista, porque os adventistas sempre tinham servido nas forças armadas como não-combatentes.

Os militares rasos achavam que o participar na guerra ativamente quebrantava o quarto e o sexto mandamentos bíblicos. [13] O quarto mandamento diz: “Lembra-te do sétimo dia para o santificar”.

Quando se entra para o serviço militar, a observância do quarto mandamento já não é uma prioridade porque as partes em guerra não têm em conta em que dia o fazem. O sexto mandamento diz: “Não matarás”. Se alguém desempenha o papel de combatente na guerra, é quase impossível não matar a ninguém.

Durante a Guerra Civil norte-americana em 1864, os adventistas declararam:

“A denominação cristão chamada Adventistas do Sétimo Dia, tendo a Bíblia como regra de fé e prática, crêem unanimemente que os ensinos da Bíblia são contrários ao espírito e a prática da guerra; por esta razão, sempre se opuseram a portar armas por razões de consciência”. [14]

Mas, durante a Primeira Guerra Mundial, os adventistas alemães opuseram-se à Conferência Geral e decidiram ser combatentes em vez de permanecer como não-combatentes. Isto fez que um pequeno grupo de Adventistas se separasse do grupo principal da Igreja Adventista alemã. Esta pequena seita se autodenominou Movimento de Reforma Adventista (chamados doravante os reformistas). Os reformistas achavam que estavam permanecendo “fiéis à lei de Deus ao sustentar a posição original, como se tinha ensinado e praticado até esse momento”. [15]

Estavam permanecendo fiéis porque se recusaram ser combatentes durante a Primeira Guerra Mundial. Para os reformistas, era aceitável ingressar para as forças armadas como não-combatentes, mas ingressar como combatentes ia contra a lei de Deus e as doutrinas da Igreja Adventista.

Após a Primeira Guerra Mundial, os dirigentes adventistas alemães reconheceram que se tinham equivocado ao dizer que ingressar no exército como combatente não ia contra a lei de Deus. Durante a reunião da Divisão Européia, em Gland, Suíça, em 2 de janeiro de 1923, os dirigentes adventistas alemães, para demonstrar que criam no papel de não-combatente, declararam que estavam em completa “harmonia com os ensinos gerais de seus irmãos dessa denominação no mundo inteiro”. Mas, esta declaração ficou debilitada pelo pronunciamento adicional, que dizia: “Concedemos a cada um de nossos membros da igreja absoluta liberdade para servir a seu país, em todo momento e lugar, de acordo com os ditames de sua pessoal convicção de consciência”. [16]

Os dirigentes adventistas alemães disseram à Conferência Geral que eles estavam errados em sua política durante a Primeira Guerra Mundial. Tinham reconhecido seu erro e estavam novamente em “harmonia” com os ensinamentos e doutrinas da denominação adventista. Mas, achavam que seus membros tinham direito de escolher seu próprio caminho. O que isto significava era que os dirigentes alemães achavam que os adventistas deviam continuar sendo não-combatentes, mas achavam que seus membros podiam decidir por sua conta ser combatentes ou não. Esta declaração causaria problemas no futuro.

Após esta reunião, havia ainda uma brecha entre os Adventistas do Sétimo Dia e o Movimento de Reforma Adventista, uma brecha que era necessário fechar. L. R. Conradi, presidente da Divisão Européia, tratou de justificar as ações dos adventistas alemães explicando que a Conferência Geral tinha “dado uma aprovação tácita aos adventistas alemães”. [17] Esta aprovação tácita era a de permitir que os adventistas alemães trabalhassem nos sábados e portassem armas.

Esta explicação só piorou as coisas entre os adventistas e os reformistas. Pouco depois da Primeira Guerra Mundial, a Conferência Geral enviou uma delegação, encabeçada por A. G. Daniells, para que tratasse de fechar a brecha entre os adventistas e os reformistas. Daniells disse que os “dirigentes [adventistas] da igreja tinham estado errados, mas também criticou aos reformistas por ter estabelecido uma organização separada e utilizar táticas confusas para promover seus pontos de vista”. [18]

Ao final, os reformistas foram desfraternizados da Igreja Adventista do Sétimo Dia. [19] Os reformistas decidiram criar sua própria igreja, a qual “recusava participar em todo serviço militar e fazia questão de uma rígida observância do sábado”, [20] e “continuaria com os ensinos e práticas originais da Igreja Adventista do Sétimo Dia”. [21]

Os reformistas já não achavam que fora aceitável ser não-combatente em tempo de guerra. Achavam que os adventistas já não seguiam os ensinos originais da igreja. Em Gotha, Alemanha, nos dias 14 a 20 de julho, de 1925, “o Movimento de Reforma ASD organizou-se pela primeira vez oficialmente como uma Conferência Geral, quando se redigiram os ‘princípios da fé e o ordem eclesiástico’ e se adotoram o nome de Movimento de Reforma Adventista do Sétimo Dia”. [22]

Apoio a Hitler

Do povo adventista de Friedensau, Alemanha, cerca de 99,9% votou a favor do Estado Parlamentar Nazista. Ainda que os adventistas queriam um Führer forte e apoiavam a Hitler, esse apoio variava. A razão disso eram as contradições de Hitler sobre a liberdade religiosa. O secretário departamental da Conferência da União alemã, M. Busch, apoiava a Hitler e “com aprovação citava a afirmação de Hitler em Mein Kampf de que ‘para o Führer político, todos os ensinos religiosos e todos os arranjos são intocáveis’”. [23]

Os adventistas achavam que Hitler estava a favor da liberdade religiosa, enquanto o partido nazista apoiava o cristianismo positivo sem se atar a nenhuma confissão em particular. [24] Este era um problema debatível entre os grupos cristãos porque ninguém sabia o que significava o cristianismo “positivo”. Este problema nunca se resolveu e a contradição permaneceu. Quando Hitler se converteu em ditador da Alemanha, terminou a discussão da contradição e, muito cedo, os grupos cristãos saberiam que queria dizer Hitler com de cristianismo “positivo”.

Em 26 de novembro de 1933, o Estado Nazista proibiu as igrejas denominacionais pequenas. Entre as igrejas proibidas estava a Igreja Adventista. Os adventistas decidiram procurar conselho legal sobre que fazer a respeito da proibição e, a duas semanas, a proibição foi suspensa para a denominação adventista. [25] Após isto, decidiu-se na denominação que cristianismo “positivo” significava apoio ao Estado Nazista.

Para demonstrar seu apoio ao Estado Nazista, os adventistas enviaram uma carta ao “Ministério Nazista do Interior e um memorandum oficial a respeito dos ensinos adventistas, organizações da igreja, atividades sociais e a atitude em relação às autoridades governamentais”. [26]

Os adventistas também informaram ao ministério do interior que os “membros da igreja tinham ‘atitudes alemãs’”. [27] Assinalando que as suspeitas e a preocupação do governo deveriam se dirigir a um “grupo cismático rival, o Movimento de Reforma Adventista, cujas atitudes, insistia a Igreja Aadventista do Sétimo Dia, estavam longe de ser ‘alemãs'”. [28] Parece que os adventistas estavam mais interessados em ter atitudes alemãs que em ter atitudes adventistas.

Foi por causa desta carta que o governo nazista fixou as atenções na denominação Movimento de Reforma Adventista. Ao tratar de se distanciar dos reformistas, a Igreja Adventista do Sétimo Dia conduziu o governo nazista até aqueles. As autoridades governamentais pesquisaram aos reformistas e decidiram que tinham pontos de vista diferentes dos declarados pela denominação Adventistas do Sétimo Dia, que eram aceitáveis. [29] Então os reformistas foram proscritos em 29 de abril de 1936. [30]

Os Adventistas do Sétimo Dia crêem na liberdade religiosa, mas, em vez de proclamar que se sentiam ultrajados pela perseguição contra os reformistas e os judeus, os dirigentes da Igreja Adventista do Sétimo Dia decidiram tomar ações contra estes dois grupos. Os dirigentes adventistas “geraram instruções para evitar que os reformistas ingressassem à Igreja Adventista”. [31] E expulsaram da igreja aos adventistas que tinham antecedentes judeus. [32]

Os adventistas não estavam dispostos nem sequer a proteger a seus próprios membros e achavam que as autoridades governamentais nazistas o desaprovariam. O estado pôde controlar a igreja porque não tinha liberdade religiosa. Com isto não queremos dizer que os adventistas individuais não ajudaram aos judeus ou a outros indesejáveis. Alguns adventistas foram notáveis “pela ajuda particular e individual que deram aos judeus, porque não só os judeus conversos foram cuidados e ocultados, como o foram em alguns outros círculos sectários e eclesiásticos, senão que os adventistas também ajudaram a judeus não batizados com os quais os adventistas entravam em contato por acaso”. [33]

Em 1935, foram proibidos os privilégios de que desfrutavam os adventistas, como a observância do sábado, a venda de literatura religiosa, a transferência de dinheiro necessário para a obra missionária e certas publicações. [34]

Isto fez com que os adventistas alemães reconsiderassem sua posição sobre a liberdade religiosa de manter separados à igreja e ao estado. Sabiam que a Alemanha nazista projetava uma má imagem no exterior por causa da maneira com que tratava às pequenas igrejas denominacionais cujos escritórios principais estavam nos Estados Unidos.

Se as denominações menores estavam dispostas a melhorar a imagem nazista no exterior, o governo nazista estava disposto a ser um pouco indulgente com essas denominações. Este foi o ponto de partida para que a denominação dos adventistas alemães sacrificasse a integridade e os princípios denominacionais básicos. A denominação “trabalhou com as autoridades alemãs para cultivar uma melhor imagem da Alemanha nazista nos Estados Unidos, a fim de obter um melhor tratamento em seu país”. [35] Isto se conseguiu por meio do programa adventista de assistência social.

O sistema de assistência social adventista do Sétimo Dia era considerado o melhor na Alemanha. Sua organização da assistência social fez com que os adventistas se sobressaíssem. Por meio de seu sistema de assistência social, a Igreja Adventista pôde demonstrar seus “princípios cristãos e sua patriótica lealdade ao Estado”. [36]

O governo nazista ficou satisfeito com a obra que os Adventistas estavam desenvolvendo, mas não com a linguagem. Em vez da palavra “cristão”, usou-se a palavra “heróico”. [37] O SISTEMA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL ADVENTISTA FOI INCORPORADO AO ESTATAL DEPARTAMENTO DE BEM-ESTAR SOCIAL DO POVO NACIONAL SOCIALISTA. A incorporação se opunha a sua crença de que a igreja e o estado devem permanecer separados.

Os adventistas alemães receberam de bom grado a incorporação de seu sistema de assistência social. Achavam que poderiam fazer mais coisas e ajudar a mais pessoas. Mas, com a incorporação, os adventistas tinham que obedecer às leis do Estado, as quais prescreviam que não deviam receber ajuda nem judeus, nem anti-sociais, nem indesejáveis. [38] Por sua própria conta, os adventistas acrescentaram que nenhum membro do Movimento Adventista de Reforma receberia ajuda. [39]

Os adventistas não estavam ajudando a mais pessoas. De fato, estavam discriminando às pessoas que mais precisavam de sua ajuda. Junto com os programas de assistência dos adventistas, as reformas de saúde e a higiene racial converteram-se em importantes. (grifos nossos).

Os Adventistas achavam que, junto com seu programa de assistência social, seus ideais de saúde estavam a preparar o caminho para uma nova Alemanha. Adolf Minck, que cedo seria presidente da Igreja Adventista alemã, disse: “Não estamos desapercebidos para a nova ordem. Após tudo, ajudamos a preparar o caminho para ele e auxiliado em cria-lo”. [40]

O problema com o apoio ao governo nazista em seu programa de saúde era que as autoridades nazistas acreditavam nos princípios do darwinismo. A posição denominacional adventista se opunha aos princípios darwinistas. Os Adventistas alemães sacrificaram este princípio em favor do governo nazista.

Para se ganhar o favor do governo nazista, os Adventistas mudaram o que estava escrito em suas publicações e reformaram sua mensagem sobre a saúde. Os Adventistas “com freqüência imprimiam comentários negativos sobre os judeus”. [41] Também trataram de demonstrar que, ainda que os ensinos Adventistas sobre o sábado parecessem judaicos, eles não eram judeus. [42] Os adventistas também acreditavam no programa de esterilização.

Algumas declarações diretas e a reimpressão de artigos não adventistas demonstrava seu apoio à esterilização. [43]
Os mentalmente débeis, os esquizofrênicos, os epilépticos, os cegos, os surdos, os paralíticos, os alcoólicos, os dependentes químicos – todos deviam ser esterilizados. “Esta lei” – disse um artigo na publicação adventista Jugend-Leitstern – “é um grande progresso no melhoramento de nosso povo”. [44]

A posição dos Adventistas alemães mudou de “caritas”, o cuidado dos menos afortunados e dos débeis, para a eliminação dos débeis, como a obra de Deus. Seu forte braço direito tinha levado os Adventistas alemães a uma posição “volkisch”. [45]

Os adventistas tinham criado “um sistema de assistência social bem organizado e eficiente, que parecia adaptar-se bem ao trabalho com as autoridades estatais”. [46] Este sistema permitiu que Hulda Jost fosse reconhecida pelo regime nazista.

Hulda Jost era diretora de assistência social adventista e chefe da Associação de Enfermeiras Adventistas. Esta associação manejava vários asilos e proporcionava pessoal para numerosos hospitais na Alemanha. [47] Desta posição, ela podia estabelecer contatos dentro do governo nazista e fora da Europa. Também era um grande apoio para Hitler e seu regime.

Por causa de seus contatos, Hulda pôde ajudar para que a denominação Adventista sobrevivesse durante os primeiros anos. Isto também a converteu no melhor candidato para viajar aos Estados Unidos e falar em nome do governo nazista.

A viagem de Hulda Jost aos Estados Unidos foi planejada para 1936 porque a sessão quadrienal da Conferência Geral teria lugar em San Francisco. O escritório principal Adventista, em Washington, D. C. enviou-lhe um convite. Seu itinerário foi planejado entre o escritório principal Adventista e o Ministério Alemão de Ilustração Pública e Propaganda. Jost chegou com vários meses de antecedência para viajar por todos os Estados Unidos e falar sobre os serviços de assistência social alemães. [48]

Uma vez nos Estados Unidos, Jost se reuniu com J. L. McElhany, vice-presidente da Conferência Geral, e seu intérprete, Louise C. Klauser. Jost também teve uma reunião na embaixada alemã, onde se lhe disse que evitasse as controvérsias políticas e que falasse somente sobre os lucros no setor de serviço social. [49] Jost falou dos progressos da Alemanha sob Hitler a organizações Adventistas e de outras classes.

Clique neste link para baixar e ler, em inglês, a edição da Adventist Review em que a fala de Hulda Jost na reunião da Associação Geral foi transcrita.

Não foi senão até abril quando surgiram problemas por causa das conferências de Jost. Os problemas começaram sobre uma reunião com uma organização pró-nazista chamada Amigos da Nova Alemanha, que o cônsul alemão tinha estabelecido. O Chicago Daily News publicou uma reportagem sobre Jost sob o título “Hitler não quer a guerra, diz líder”. [50] No artigo, ela é citada dizendo que Hitler não queria a guerra e que os alemães estavam rearmando-se porque temiam a Rússia. Quando se lhe perguntou pelos judeus, Jost disse: “Hitler apenas quis tirar a liderança aos judeus, mas não lhes quer fazer dano”. [51] Este foi o princípio dos problemas que a Conferência Geral teve com Jost.

Os problemas aumentaram enquanto ela esteve em Denver, porque Jost se tinha distanciado de muitos de seus ouvintes durante uma conferência ao falar muito de Hitler e a questão judia. [52] Aos dirigentes Adventistas parecia que Jost estava fazendo discursos propagandísticos sobre Hitler e seu regime. Já não dirigia sua atenção aos Adventistas nem ao sistema de assistência social na Alemanha.

Quando ainda estava em Denver, Jost foi chamada à parte e o administrador sanitário de Boulder lhe pediu que limitasse sua conferência ao evangelho porque eles não queriam escutar nenhuma propaganda hitleriana. [53]

Após suas conferências em Denver, a Conferência Geral decidiu que seria uma boa idéia manter a Jost com uma rédea curta. A Conferência advertiu a cada uma das pessoas com as quais Jost devia entrar em contato para suas conferências. Ainda que a Conferência Geral pensasse que Jost se havia convertido numa desvantagem para o final de suas conferências nos Estados Unidos, o propósito de sua missão se havia cumprido. Essa missão era “corrigir a imagem distorcida da Alemanha”. [54]

Jost e os dirigentes Adventistas alemães achavam que tinham cumprido com seu dever nos Estados Unidos e esperavam que o governo nazista fosse mais indulgente com a denominação Adventista. Mas, enquanto eles estavam nos Estados Unidos, o governo alemão aprovou um novo decreto dispondo que todos os meninos em idade escolar assistissem a aulas nos sábados e que aos meninos adventistas já não se lhes permitia estudar suas Bíblias em classe. [55] Tinha também soldados que tinham dificuldades para guardar no sábado. [56]

Jost escreveu uma carta aos oficiais superiores que conhecia queixando-se deste novo decreto. Ela falou de como os adventistas estiveram apoiando o governo nazista e da obra que ela estava fazendo nos Estados Unidos para melhorar a imagem do governo nazista. Joseph Goebbels até escreveu uma carta por sua própria conta ao Ministério de Igrejas do Reich, mas o decreto não foi revogado. [57] Este foi um caso no qual as conexões de Hulda e a viagem a Estados Unidos não ajudaram aos Adventistas. Mas há outros casos que mostram que era útil ter um aliado poderoso.

Um caso assim foi o da investigação que a Gestapo conduziu a respeito de algumas enfermeiras que pertenciam à Associação de Enfermeiras Adventistas e que tinham sido despedidas porque eram consideradas politicamente indignas de confiança. [58] Jost se molestou pelas dispensas e não achava que o relatório da Gestapo fosse correto, assim, logo pediu a seus amigos do Ministério de Propaganda que o examinassem. O relatório do Ministério de Propaganda concluiu que as enfermeiras eram “politicamente sem culpa”.

Outro exemplo das conexões de Jost ocorreu em 1937, quando um amigo no Ministério de Igrejas – que tinha um contato na Gestapo – advertiu a ela a respeito dos planos para dissolver a denominação Adventista. [59] Com a ajuda de seus amigos, Jost pôde colocar-se em contato com oficiais superiores na Gestapo e deter o esforço para dissolver a denominação Adventista. [60]

Em março de 1938, Hulda Jost faleceu. Jost achava que tinha ajudado a denominação Adventista a sobreviver durante os primeiros anos do regime de Hitler. Jost sabia que tinha mentido enquanto esteve nos Estados Unidos, quando disse que “as autoridades nazistas respeitavam a liberdade de consciência, como questão de princípios, e que sua igreja desfrutava de completa liberdade religiosa”. [61] Mas ela achava que todos seus esforços e concessões ao regime nazista livrariam à denominação do fustigamento da Gestapo.

Por causa das conexões e ações de Jost, a denominação Adventista já não estava separada do Estado. Os Adventistas crêem na separação entre a igreja e o estado, mas Jost se opunha a este princípio. Ainda com todas as concessões feitas nos primeiros anos, os Adventistas não tinham nenhuma segurança de parte do governo nazista. Sacrificaram um princípio fundamental, separação entre a igreja e o estado, para nada. Sem segurança da parte do regime nazista, os Adventistas continuaram fazendo concessões ao regime.

A Segunda Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial começou quando Hitler invadiu a Polônia em 1º de setembro de 1939. No ano anterior, os Adventistas tinham começado a eliminar “palavras judias” de sua denominação. As palavras Escola Sabatina já não eram permitidas e foram substituídas pelas palavras Escola Bíblica. [62]

Outra palavra que já não se permitia era “sábado”, que foi substituída pelas palavras “dia de repouso”. [63] Quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial, o governo nazista emitiu uma ordem impedindo que os pastores recebessem ofertas na igreja ou de casa em casa. [64] Tinha uma evasiva nesta ordem, segundo a qual era permitido aos pastores “exigir quotas a seus membros”. [65] Isto permitiu aos pastores de pequenas denominações e às igrejas sobreviver no princípio da guerra.

Os Adventistas na Alemanha continuavam crendo em Hitler e no seu regime. As publicações no final da década de 1930 falavam de como Hitler estava fortalecendo a Alemanha e recuperando os territórios que uma vez tinham pertencido a Alemanha. Achavam que Deus mesmo estava a dirigir esta guerra e que os leitores das publicações Adventistas podiam consolar-se com isso. [66]

Michael Budnick, presidente da União da Alemanha Oriental, informou aos outros presidentes de conferência que Adolf Minck tinha sido citado pela Gestapo e que esta tinha informado-lhe que não trabalhar no sábado era uma conduta inaceitável. [67]

Os líderes da igreja achavam que, para que a denominação adventista sobrevivesse, era necessário dar instruções a seus pastores numa circular, em 30 de abril de 1940, dizendo que “em guerra total só pode haver completa entrega e completo sacrifício”. [68] O problema com a guerra total era que os dirigentes da igreja não queriam outro cisma na denominação como o que tinha ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial. Para impedir isto, a circular também dizia aos pastores que instruíssem a seus membros a respeito de seus deveres segundo as Escrituras. [69]

Uma das crenças fundamentais dos Adventistas é que as Sagradas Escrituras são a Palavra de Deus. O documento dizia que, baseando-se na Bíblia, os membros da igreja deviam submeter-se às forças armadas, porque “Deus tinha ordenado: ‘Submetei-vos a toda autoridade por amor ao Senhor'” [70], que era uma citação de 2 Pedro. Junto com 2 Pedro, os Adventistas alemães usaram Romanos 13 para justificar seu continuado apoio a Hitler e seu regime. Romanos 13 trata da submissão às autoridades governamentais.

O presidente da Conferência da Alemanha Oriental, W. Mueller, foi citado dizendo:

“Sob nenhuma circunstância nenhum adventista tem direito de resistir ao governo, ainda que o governo lhe impeça exercer sua fé. A resistência seria desafortunada porque marcaria aos Adventistas como opositores ao novo Estado, uma situação que tinham que evitar”. [71]

Isto mostra que os dirigentes alemães não queriam resistir ao governo nazista. Não queriam ser vistos como opositores do governo nazista. Era importante para os dirigentes não causarem problemas ao governo nazista. Ainda que as políticas nazistas se opusessem às crenças denominacionais.

Os dirigentes adventistas alemães ignoravam ou esqueciam o fato de que se supunha que eles se submetessem primeiro a Deus e a sua autoridade antes de se submeter a uma autoridade terrenal.

A circular parecia ter funcionado, porque em 1940 o governo emitiu um relatório mencionando por nome as seitas religiosas às quais se lhes permitiria continuar trabalhando em paz porque se tinham limitado a ensinos religiosos. Os Adventistas do Sétimo Dia era uma das seitas mencionadas. [72]

Isto ainda não fez aos Adventistas se sentirem seguros e continuaram fazendo concessões ao regime nazista.

Em 1941, o governo alemão uma vez mais proscreveu a denominação Adventistas do Sétimo Dia, mas só em certos distritos do leste. [73] Estes distritos eram Silesia, Danzig, e Baixa Silesia. Isto causou alguma celeuma nas comunidades adventistas, mas não tinha nada que se pudesse fazer para rescindir a proibição.

Para seguir tendo reuniões, os Adventistas se reuniam em privado nos lares dos membros. [74] O S. D. notou que os Adventistas nestes distritos não prestavam atenção à proibição, mas se tomaram poucas ações contra os Adventistas. [75]

Os Adventistas alemães continuaram apoiando a Hitler e a seu regime até ao fim da Segunda Guerra Mundial. Os Adventistas serviram lealmente nas forças armadas, mas a maioria deles o fez como combatentes e escalaram posições dentro das fileiras. [76] Isto se opunha à crença denominacional de que, se os adventistas participam na guerra, deve ser em posições não-combatentes.

Os dirigentes da Igreja asseguravam: “Os pastores e os membros de nossa igreja permanecem leais a seu povo e a sua pátria, bem como aos dirigentes, e estão prontos a sacrificar sua vida e suas posses”. [77] Estavam dispostos a sacrificar suas vidas e suas posses pela pátria, mas não estavam dispostos a fazer o mesmo por suas crenças religiosas.

As políticas religiosas do regime nazista se opunham ao que os Adventistas crêem, mas os Adventistas não fizeram pública sua preocupação. Ademais, não fizeram públicas suas objeções sobre não haver liberdade religiosa na Alemanha nazista. Os Adventistas alemães podem ter servido lealmente a sua pátria, mas não serviram lealmente à denominação Adventista do Sétimo Dia.

Após a guerra

Os adventistas alemães continuaram achando que tinham praticado o correto ao fazer concessões ao governo nazista. A sobrevivência da igreja era o mais importante para os dirigentes Adventistas alemães e, para sobreviver, precisavam fazer concessões.

Só em maio de 1948 a Conferência Geral lançou uma vista mais de perto às ações dos Adventistas alemães durante o regime nazista. A razão pela qual a Conferência Geral se interessasse foi uma carta escrita pelo major J. C. Thompson, chefe da Seção de Assuntos Religiosos do Governo Militar Norte Americano em Berlim. [78]

A CARTA DESEJAVA SABER POR QUE OS ADVENTISTAS NÃO TINHAM REMOVIDO A TODOS OS NAZISTAS DE SUAS POSIÇÕES RELIGIOSAS DENTRO DA DENOMINAÇÃO. [79] Ademais, a carta comparava aos adventistas com os católicos, dizendo que os católicos não tiveram que tirar a muitas pessoas por causa de sua forte oposição ao regime nazista. Não tinha havido oposição de parte dos Adventistas.

Os dirigentes Adventistas alemães se molestaram com a Conferência Geral por ter ordenado aos membros que renunciassem a suas posições porque tinham ingressado numa uma organização nazista. Para sobreviver na Alemanha nazista, argüiram, a pessoa deveria ingressar em organizações nazistas.

Os dirigentes alemães achavam que a Conferência Geral não tinha nenhum direito de pronunciar julgamento sobre eles por suas ações durante o regime nazista. Estavam especialmente incomodados porque a Conferência Geral tinha “adotado e feito cumprir uma política que impedia a publicação de qualquer comentário sobre o nazismo ou ainda do fascismo”, [80] para ajudar aos Adventistas alemães.

Aos Adventistas alemães não gostavam do fato de que eram considerados culpados quando a Conferência Geral lhes estava ajudando na sobrevivência.

A Conferência Geral se alarmara em 1939, quando calcularam que 10% dos Adventistas alemães estavam trabalhando no sábado. [81] O sábado é uma das coisas que definem à Igreja Adventista. Com o começo da Segunda Guerra Mundial, não tinha nada que a Conferência Geral ou os adventistas alemães pudessem fazer. Os Adventistas alemães tinham despachado uma circular dizendo a seus membros que se submetessem à autoridade do governo. Ainda que isto não satisfizesse as exigências do governo, foi usado como evidência no caso da Conferência Geral contra os Adventistas alemães. [82]

Havia várias discrepâncias que a Conferência Geral tinha com as ações dos dirigentes Adventistas alemães. A membresia numa organização nazista era preocupante, mas não o mais preocupante. A maior preocupação da Conferência Geral era que “a denominação se tinha extraviado em sua tentativa por se ajustar às exigências do Estado nazista”. [83]

A erosão da observância do sábado na Alemanha levou a Conferência Geral a aprovar uma resolução em 1946 sobre “A fidelidade e a observância do sábado”. [84] Os Adventistas alemães ainda não estavam dispostos a admitir que se tinham equivocado. Ainda achavam que o que tinham feito era bom, porque tinha permitido a sobrevivência da denominação. Os dirigentes alemães não achavam que tinham comprometido nenhum princípio bíblico. [85]

O presidente da Igreja Adventista alemã, Adolf Minck, escreveu ao presidente da Conferência Geral, J. L. McElhany, dizendo que eles tinham obedecido a lei de Deus e os Dez Mandamentos. Também disse que eles “poderiam ter vivido o único e o outro mandamento de maneira um pouco diferente que em tempos de paz.

Mas esses mandamentos continuaram sendo santos para nós”. [86] Esta classe de raciocínio dos dirigentes Adventistas alemães tornava difícil para a Conferência Geral demonstrar que o que eles tinham feito era errôneo. Os dirigentes Adventistas alemães interpretaram as Escrituras para adaptá-las a sua situação. Achavam que o fato de trabalhar no sábado não significava que não o tinham santificado. Achavam que “as Escrituras e Jesus ensinavam claramente que a aplicação da lei, antes que absoluta, dependia das circunstâncias”. [87]

Suas circunstâncias eram ou trabalhar no sábado ou ir ao cárcere. Esta não era uma opção viável para os dirigentes Adventistas alemães. Os dirigentes Adventistas alemães nunca reconheceram que tinham cometido nenhum erro. Ia contra seu orgulho nacional e sua continuada racionalização de suas ações durante o regime nazista. [88]

Em conclusão, os Adventistas alemães conectaram a denominação Adventista com o Estado alemão, o qual se opunha a sua crença da separação entre a igreja e o estado. Fizeram isto ao permitir ao governo nazista assumir o controle do programa Adventista de assistência social e ditar suas políticas.

Supunha-se que os adventistas ajudariam aos necessitados, mas, em seu lugar, discriminaram aos grupos que mais precisavam sua ajuda. Recusaram ajudar aos judeus, os indesejáveis e os reformistas porque isto ter-lhes-ia causado problemas com o regime nazista. Os Adventistas defenderam o regime nazista e mentiram ao dizer que no regime permitia liberdade religiosa.

Em vez de falar contra o regime nazista e seu tratamento dos judeus, os Adventistas permaneceram em silêncio. Permaneceram em silêncio para se protegerem. Os Adventistas também trabalhavam e enviavam seus filhos à escola no sábado.

Santificar o sábado é uma das crenças que fazem diferentes aos Adventistas. Este é um dos princípios fundamentais dos Adventistas e, quando as coisas se tornaram difíceis, voluntariamente sacrificaram este princípio. Os Adventistas alemães voluntariamente foram combatentes durante a Segunda Guerra Mundial.

A denominação Adventista entende que os governos têm direito a recrutar pessoas em tempo de guerra, mas os Adventistas sempre recusaram posições combatentes. Os Adventistas alemães opuseram-se a esta política e, voluntariamente, aceitaram posições combatentes.

Os Adventistas reformistas não estavam dispostos a sacrificar este princípio e foram enviados a campos de concentração ou executados. Para sobreviver, os Adventistas alemães sacrificaram os modelos e princípios que os faziam Adventistas.

Os dirigentes Adventistas alemães disseram que tiveram que fazer as concessões para salvar à igreja. São os modelos, os princípios, as crenças e a integridade os que constituem a igreja.

O sacrifício dos modelos, dos princípios e da integridade da igreja não salvou à igreja. Debilitou-a. Demonstrou-se até onde, para se salvar, estavam dispostos a ir os Adventistas alemães contra o que criam e ensinavam.

Penso que os dirigentes Adventistas alemães fizeram estes sacrifícios para se salvarem a si mesmos, não para salvar à igreja. Se tivessem desejado salvar à Igreja Adventista, os dirigentes alemães não teriam comprometido a integridade da igreja nem corrido contra as crenças da igreja. Sempre é mais fácil fazer concessões que conservar a integridade.

NOTAS: _________________
[1] Christine E. King, The Nazista State and the New Religions: Five Case Studies in Non-Confirmity, (New York: Edwin Mellen Press, 1982), 92. http://www.triangoloviola.it/kingcap7.html
[2] Seventh-day Adventists Believe… A Biblical Exposition of 27 Fundamental Doctrines, Ministerial Association Geral Conference of Seventh-day Adventists, (Maryland: Review and Herald, 1988), 4. http://www.adventist.org/beliefs/
[3] Seventh-day Adventists Believe, 16.
[4] Seventh-day Adventists Believe, 206.
[5] Seventh-day Adventists Believe, 278.
[6] “Our History”, http://www.adventist.org/history/ (24 February 2002).
[7] Richard W. Schwarz and Floyd Greenleaf, Light Bearers: A History of the Seventh-day Adventist Church, (Nampa: Pacific Press, 2000), 212-213.
[8] Schwarz, and Greenleaf, Light Bearers, 213.
[9] Schwarz, and Greenleaf, Light Bearers, 213.
[10] Schwarz, and Greenleaf, Light Bearers, 213.
[11] Seventh-day Adentist Encyclopedia M-Z, ed. Dom F. Neufeld, (Maryland: Review and Herald, 1996), 592.
[12] Schwarz, and Greenleaf, Light Bearers, 620.
[13] King, The Nazista State and the New Religions, 110.
[14] Citado de F. M. Wilcox, Seventh-day Adventists in Time of War, p. 58. “Origin of the Seventh-day Adventist Reform Movement, (6 de fevereiro de 2002).
[15] “Origin of the Seventh-day Adventist Reform Movement”, (6 de fevereiro de 2002).
[16] Erwin Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and The Nazista Temptation”, Spectrum 8 (Março de 1977), 12.
[17] Schwarz, and Greenleaf, Light Bearers, 620.
[18] Schwarz, and Greenleaf, Light Bearers, 620.
[19] Schwarz, and Greenleaf, Light Bearers, 620.
[20] King, The Nazista State and the NewReligions , 110.
[21] “Origin of the Seventh-day Adventist Movement”, (6 de fevereiro de 2002).
[22] SDARM Good Way Séries-Study 13- The SDA Reform Movement Origin (14 February 2002).
[23] Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and The Nazista Temptation”, 14.
[24] Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and The Nazista Temptation”, 14.
[25] King, The Nazista State and the New Religions , 96.
[26] Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and The Nazista Temptation”, 15.
[27] King, The Nazista State and the New Religions , 96.
[28] King, The Nazista State and the New Religions , 96.
[29] King, The Nazista State and the New Religions , 110.
[30] Hans Fleschutz, ed., And Follow Their Faith!, (Denver: International Missionary Society), 19.
[31] Roland Blaich, “Divided Loyalties: American and German Seventh-day Adventists and the Second World War”, Spectrum 30 (Winter 2003), 44.
[32] Zdravko Plantak, The Silent Church: Human Rights and Adventist Social Ethics, (New York: St. Martin´s Press, 1998), 20.
[33] King, The Nazista State and the NewReligions , 101-2.
[34] Roland Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad: The Case of Hulda Jost”, Journal of Church and State, vol. 35, number 4, Autumn 1993, (United States: J. M. Dawson Institute), 808.
[35] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 807.
[36] King, The Nazista State and the New Religions , 105.
[37] King, The Nazista State and the New Religions , 105.
[38] King, The Nazista State and the New Religions , 105.
[39] King, The Nazista State and the New Religions , 105.
[40] Adolf Minck, “Reformation”, Jugend-Leitstern, (April 1993), quoted by: Roland Blaich, “Health Reform and Race Hygiene: Adventists and the Biomedical Vision of the Third Reich”, Church History, Vol. 65, (Pennsylvania: Science Press, 1996), 427.
[41] Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and the Nazista Temptation”, 16.
[42] Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and the Nazista Temptation”, 16.
[43] Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and the Nazista Temptation”, 19.
[44] R. Sulzmann, “Erbkrank”, Gegenwarts-Frage, vol. 9, nr. 1, 1934, p. 8, quoted by: Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and the Nazista Temptation”, 19.
[45] Blaich, “Health Reform and Race Hygiene”, 437.
[46] Blaich, “Health Reform and Race Hygiene”, 427.
[47] Blaich, “Health Reform and Race Hygiene”, 427.
[48] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 809.
[49] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 810.
[50] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 811.
[51] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 811.
[52] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 811.
[53] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 812.
[54] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 820.
[55] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 820.
[56] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 820.
[57] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 821.
[58] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 823.
[59] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 824.
[60] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 824.
[61] Blaich, “Selling Nazista Germany Abroad”, 827.
[62] Jack M. Patt, Living in a Time of Trouble: German Adventists Under Nazista Rule”, Spectrum 8 (March 1977), 4.
[63] Patt, “Living in a Time of Trouble”, 4.
[64] Patt, “Living in a Time of Trouble”, 7.
[65] Patt, “Living in a Time of Trouble”, 7.
[66] Blaich, “Divided Loyalties”, 44.
[67] Roland Blaich, “Religion under National Socialism: The Case of the German Adventist Church”, Central European History, vol. 26, number 3, (United States Humanities Press, 1994), 270.
[68] Mr. Blaich não diz de quem é esta citação, mas parece ser de G. W. Schubert ao Comitê da Conferência Geral, Fev. 7, 1937. Ou é da Circular aos Presidentes de Conferência da União Alemã Oriental, Mar. 27, 1940. Blaich, “Divided Loyalties”, 45.
[69] Blaich, “Divided Loyalties”, 45.
[70] Blaich, “Divided Loyalties”, 45.
[71] “An unsere Gemeindeglieder in Deutschland”, Der Adventbote, vol. 39, nr. 17, August 15, 1933, pp. 1-4. quoted by Sicher, “Seventh-day Adventist Publications and The Nazista Temptation”, 15.
[72] Patt, “Living in a Time of Trouble”, 7.
[73] Blaich, “Divided Loyalties”, 45.
[74] King, The Nazista State and the New Religions , 108.
[75] King, The Nazista State and the New Religions , 108.
[76] Blaich, “Divided Loyalties”, 47.
[77] Blaich, “Divided Loyalties”, 47.
[78] Blaich, “Religion under National Socialism”, 225.
[79] Blaich, “Religion under National Socialism”, 225.
[80] Blaich, “Religion under National Socialism”, 266.
[81] Blaich, “Religion under National Socialism”, 270.
[82] Blaich, “Religion under National Socialism”, 271.
[83] Blaich, “Religion under National Socialism”, 274.
[84] Blaich, “Religion under National Socialism”, 274.
[85] Blaich, “Religion under National Socialism”, 275.
[86] Blaich, “Religion under National Socialism”, 275.
[87] Blaich, “Religion under National Socialism”, 275-6.
[88] Blaich, “Religion under National Socialism”, 280
(Os grifos são nossos).

Fonte em português:
http://adventismoexposto.blogspot.com.br/2007/11/os-adventistas-do-stimo-dia-na-alemanha.html

Fonte em espanhol:
http://www.oocities.org/alfil2_1999/adventistasenalemania2.html

Fonte original, em inglês: http://www.history.ucsb.edu/projects/holocaust/Research/Proseminar/corrieschroder.htm

Veja também:
https://www.andrews.edu/library/car/cardigital/Periodicals/Spectrum/1976-1977_Vol_8/3_March_1977.pdf




Leia no Www.AngoAdventistas.Com: IASD apoiou o governo de Angola no maior genocídio “anti-leigos” do século XXI

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Clique na imagem acima ou neste link para acessar à reportagem reproduzida do jornal angolano Folha 8 Digital.




Pedido de Desculpas da IASD por ter apoiado Hitler completa dez anos em 2015

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O pedido formal de desculpas aconteceu no mês de Maio de 2005, embora a notícia tenha sido publicada oficialmente pela Adventist Review somente em agosto de 2005. O noticiário mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia publicou o pedido de desculpas, sob este título:

Europa: Igrejas da Alemanha e Áustria Pedem Desculpas Por Ações Durante Holocausto

August 16, 2005 Hannover, Germany …. [Mark A. Kellner/ANN Staff]

Os adventistas do sétimo dia na Alemanha e Áustria recentemente pediram desculpas por qualquer participação nas atividades nazistas, ou em apoio a elas, durante a guerra. A foto é de um cartão de identidade de um adventista de origem judaica que foi eliminado do rol de membros da Igreja na Alemanha Max-Israel Munk, quando os nazistas deram ordem para se fazer tais exclusões. Após sobreviver a prisão em dois campos de concentração, Munk retornou para casa após a guerra e solicitou reintegração como membro, o que lhe foi concedido. [Foto: AdventEcho magazine, Germany]

Em função do 60o. aniversário do fim da II Guerra Mundial, os líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia na Alemanha e Áustria emitiram uma declaração expressando que “lamentam profundamente” qualquer participação em atividades nazistas, ou em seu apoio, durante a guerra. As entidades da Igreja “honestamente confessam” a falha “em seguir a Nosso Senhor” por não protegerem os judeus, e outros, do genocídio daquela época, amplamente conhecida como o Holocausto. Milhões de pessoas pereceram de atrocidades da guerra, inclusive mais de seis milhões de judeus que foram exterminados em perseguições nazistas durante o período de 12 anos, entre 1933 e 1945.

A declaração foi inicialmente publicada na edição de maio de 2005 de “AdventEcho”, uma revista denominacional em língua alemã, e também aparecerá em outras publicações alemãs, declarou o Pastor Günther Machel, presidente da Igreja Adventista alemã e um dos três signatários da declaração.

Uma cópia da declaração foi fornecida a Yad Vashem, autoridade do Memorial de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto em Israel, acrescentou o Dr. Rolf Pöhler, ex-presidente da área eclesiástica do Norte Alemã, que atua presentemente como consultor teológico, e estava envolvido com a redação da declaração.

“Profundamente lamentamos que o caráter da ditadura Nacional Socialista não havia sido percebida em tempo e de modo suficientemente claro, e a natureza contrária a Deus da ideologia [nazista] não havia sido devidamente identificada”, afirma a declaração. A Igreja declara que também lamenta “que em algumas de nossas publicações . . . se encontraram artigos glorificando Adolf Hitler e concordando com a ideologia do anti-semitismo numa forma que é incrível para a perspectiva atual”.

Os dirigentes da Igreja também expressaram pesar de que “nossos povos se tornaram associados com o fanatismo racial destruidor de vidas e liberdade de 6 milhões de judeus e representantes de minorias por toda a Europa”, e que “muitos adventistas do sétimo dia não compartilharam das necessidades e sofrimentos de seus concidadãos judaicos”.

Motivo de extremo pesar, indica a declaração, foi que as congregações alemãs e austríacas adventistas “excluíram, alienaram e deixaram [membros da Igreja que eram] . . . de origem judaica entregues a sua própria sorte de modo que terminaram enfrentando prisão, exílio ou morte”.

Sob vários decretos raciais, algumas congregações adventistas expulsaram membros de origem judaica. Um deles, Max-Israel Munk, foi colocado em dois campos de concentração pelos nazistas mas sobreviveu e retornou a sua igreja após a guerra. Ele disse que não desejava tratar a sua congregação do modo em que foi tratado, segundo o Dr. Daniel Heinz, um arquivista da Igreja da Universidade Friedensau que estudou as atividades adventistas durante a era do Nacional Socialismo.

Juntamente com o Pastor Machel, os outros líderes que assinaram a declaração foram os pastores Klaus-Jurgen van Treeck, presidente da Igreja para o Norte da Alemanha, e Herbert Brugger, presidente da Igreja Adventista na Áustria. Pöhler e Johannes Hartlapp, historiador da Igreja em Friedensau, redigiu o rascunho em que se baseou a declaração. Todas as três áreas geográficas denominacionais votaram aprovar o texto, esclareceu Pöhler.

Na declaração, os três asseguram que “a obediência que devemos às autoridades estatais não conduzem a renegar convicções e valores bíblicos”. Eles disseram que embora somente Deus possa julgar as ações de gerações anteriores, “em nosso tempo, contudo, desejamos assumir uma decidida posição pelo direito e justiça–para com todas as pessoas”.

Brugger, numa entrevista telefônica, disse que “os membros de nossa Igreja realmente apreciaram a publicação desse documento”.

Ele indicou que foi algo que os membros mais jovens da Igreja “apreciaram muito”. Nenhuma indicação de reação da comunidade judaica da Áustria havido sido recebida, mas Brugger disse que a Igreja Adventista não é tão bem conhecida na Áustria como o são outros movimentos.

Indagado como uma Igreja que considera a observância do sábado como uma de suas crenças centrais poderia se esquecer dos judeus observadores do sábado durante um tempo de perseguição, Brugger sugeriu que aquela era uma questão política, não teológica, considerações que podem ter levado à estratégia.

Durante a I Guerra Mundial, uma porção de adventistas alemães afastaram-se da denominação, opondo-se a qualquer serviço militar. Isso levou os nacionais socialistas em 1936 a proibir o chamado “Movimento da Reforma” durante o tempo em que estiveram no poder. Brugger declarou que a preocupação com o fechamento das igrejas adventistas oficiais todas pelos nazistas pode ter pesado sobre os líderes daquela era.

“Creio que durantes aqueles tempos a liderança oficial de nossa Igreja teve medo de perder o controle sobre a Igreja e perder a Igreja porque as autoridades políticas já haviam . . . [confundido] nossa Igreja com o movimento de Reforma”, ele explicou. “Creio que nossos líderes tiveram medo de perder o reconhecimento oficial de nossa Igreja, assim pode ser que não foram tão fiéis a nossas crenças como teria sido necessário”.

E acrescentou: “Foi algo mais político do que teológico, tenho certeza”.

A principal Igreja Adventista do Sétimo Dia na Alemanha foi também brevemente proibida sob o nazismo, observa Pöhler. Uma rápida reviravolta pelo regime levou a um alívio entre os adventistas, mas também a um nível de cooperação com o governo que não foi salutar.

“Não só mantivemos o silêncio, mas também publicamos coisas que nunca deveríamos ter publicado. Publicamos idéias anti-semíticas que, de nossa própria perspectiva, não eram realmente necessárias”, declarou Pöhler numa entrevista telefônica. “Avançamos muitos passos a mais e publicamos coisas que realmente eram anti-semíticas. . . . Desviamo-nos de nosso caminho para mostrar lealdade ao governo [nacional socialista] da Alemanha.

“Tivemos que reconhecer que uma declaração errada, uma ação por uma pessoa poderia significar que findaria num campo de concentração” comentou Pöhler a respeito daquela era. Essa teria sido “a razão por que excluímos adventistas de origem judaica dentre nossos membros: se uma igreja local não tivesse feito isso, [os nazistas] teriam fechado a igreja, levado o ancião para a prisão e teria significado que a Igreja inteira seria proibida.

Embora alguns adventistas europeus hajam tomado medidas corajosas para proteger judeus, outros agiram desse modo por preocupação com suas famílias e congregações. Seria muito difícil alcançar uma pessoa de origem judaica, explicou Pöhler, mas arriscar as vidas dos membros de uma congregação era uma carga adicional. Tal precaução até se refletiu na nomenclatura usada pelos alemães adventistas”, ele disse.

“Mudamos o nome de Escola Sabatina para ‘Escola Bíblica’– evitando o nome original “por causa de representar um risco”, prosseguiu Pöhler. “Estávamos no perigo de sermos confundidos com os judeus. Ao recusarmos chamá-la de escola sabatina, estabelece-se uma pequena distância entre você e os judeus”, aduziu.

O Dr. Daniel Heinz, diretor dos arquivos da denominação na Universidade Adventista de Friedensau, Alemanha, disse que sua pesquisa revelou casos de adventistas que ajudaram judeus durante a guerra, mas também conduziu à descoberta daqueles que agiram de forma menos honrável.

“Os líderes denominacionais se adaptaram e até adotaram algo da ideologia anti-semítica dos nazistas; em alguns casos, fizeram mais do que o necessário para agradar as autoridades [nazistas]. Isto é algo que realmente nos parece estranho”, declarou Heinz.

Ao mesmo tempo, ele disse, “sei que muitos membros adventistas, pessoas comuns, ajudaram os judeus, mas nunca falaram a respeito”.

Resistência às políticas nazistas, bem como a compassiva e brava resposta de muitos cristãos, entre eles adventistas do sétimo dia, para proteger vidas daqueles que estavam sob perseguição dos nazistas, têm sido documentada por toda a Europa, inclusive Polônia, Hungria, Holanda e Dinamarca, entre outros países.

“Encontro alguns relatos muito impressionantes de adventistas que ajudaram judeus no Terceiro Reich, arriscando suas vidas, e também encontro o oposto”, declarou Heinz. Entre outros membros da Igreja, uma família adventista da Letônia acolheu um homem judeu, escondeu-o durante a guerra, e este sobreviveu. O refugiado tornou-se um crente adventista e um pastor da Igreja após o fim da guerra.

Segundo o Pastor Machel, “sessenta anos após a II Guerra Mundial é tarde–mas vemos isto como a última chance para uma declaração”.

Tinha havido tentativas anteriores de fazer tais declarações, conquanto isso fosse em grande medida ignorado ou abafado por líderes eclesiásticos que haviam vivido na era nazista e desejavam evitar que a Igreja agisse como “juiz” daqueles que viveram antes. Contudo, em 1988, no 50o. aniversário da “Kristallnacht”, ou noite dos vidros quebrados, em 9 de novembro, quando gangues inspiradas pelos nazistas espatifaram as vitrines de comerciantes judeus e violaram sinagogas, a então Igreja Adventista da Alemanha Oriental emitiu uma declaração em sua pequena revista. Em 1989, durante as celebrações do centenário da Igreja Adventista em Hamburgo, o Pastor Erwin Kilian, presidente da Igreja Adventista do norte da Alemanha, referiu-se àquele “negro período” em seu discurso e ofereceu um pedido de perdão de sua iniciativa. Uma breve declaração adicional foi feita em 1995, quando do 50o. aniversário do fim da guerra.

Os jovens adventistas reagiram positivamente às expressões de preocupação e contrição da declaração. Dois adventistas berlinenses disseram terem apreciado a declaração.

“Revelar humildemente nossos pecados e falhas é a coisa mais importante que Deus deseja que façamos”, declarou Sara Gehler, de 25 anos. “E embora 60 anos se tenham passado, penso ter sido necessário que nós, adventistas do sétimo dia, tomemos uma posição quanto à Segunda Guerra Mundial”, aduziu ela. “É nosso dever como cristãos proteger e ajudar aqueles que são fracos, desajudados e em necessidade”.

Julian Müller, de 26 anos, acrescentou: “Penso ser nossa responsabilidade como Igreja confessar nossos erros e não ocultá-los, especialmente quando vidas humanas estão em jogo. . . . Minha esperança é que pelos erros e falhas de nossa igreja, que se passaram desde então, não se esperemos outros 60 anos para adquirirmos coragem de pedir perdão”.

A reação de membros da Igreja na região sul da Alemanha, que inclui cidades como Munique e Nurembergue, onde os nacionais socialistas adquiriram grande força, foi “muito positiva”, disse o Pastor Machel. “Alguns haviam realmente esperado por tal medida da parte da liderança denominacional”.

A declaração foi também muito bem acolhida em muitas igrejas adventistas internacionalmente. “Estava esperando por um texto como esse por muito tempo”, declarou o Pastor Richard Elofer, que lidera a obra adventista em Israel. “Eu louvo ao Senhor por tocar os corações de nosso povo na Alemanha e Áustria para produzirem tal declaração”.

E o Dr. John Graz, diretor de Relações Públicas e Liberdade Religiosa para a sede mundial denominacional: “Para aqueles que crêem no amor de Deus para todo membro da família humana, contra qualquer tipo de discriminação tendo por base raça, religião ou gênero, essa declaração, escrita por uma geração que não teve qualquer responsabilidade no Holocausto e na guerra, mas endossa a responsabilidade de seus pais, permanecerá como um marco positivo e grande incentivo”.

Fontes originais:
http://news.adventist.org/data/2005/07/1124218053/index.html.pt ou
http://news.adventist.org/data/2005/07/1124218053/index.html.en

Fontes atuais:

http://news.adventist.org/all-news/news/go/2005-08-15/europe-german-austrian-churches-apologize-for-holocaust-actions/

http://news.adventist.org/pt/todas-as-noticias/noticias/go/2005-08-15/europa-alemanha-austria-igrejas-apologize-por-acoes-durante-holocausto/

Texto original em:

http://www.adventistas.com/agosto2005/iasd_nazista.htm




Tiro pela culatra: Adventistas trinitarianos usam vídeo de Hitler para atacar adventistas unitarianos

Esse mesmo vídeo, com outras legendas, já foi utilizado por lideranças de jovens para promover acampamentos e outras programações dos J.A. Seria apenas ignorância e desinformação, ou o fascínio por Hitler, sua figura e suas idéias, permanece forte no seio da Igreja Adventista do Sétimo Dia?

Comente abaixo.




CPB publica artigo de pastorzinho adventista que propõe nova redação para mandamento da Lei de Deus

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“Foi assim que Deus disse: Não matarás?” Esse deveria ter sido o título do texto publicado na edição de março de 2015 da Revista Adventista, pág. 50, e reproduzido na versão digital da revista. Favorável à pena de morte, o autor, José Flores Júnior, pastor adventista em Guarulhos, SP, questiona a aplicação do sexto mandamento do Decálogo aos governos terrestres, concluindo que autoridades humanas estariam divinamente autorizadas a descumpri-lo sem que sobre elas paire qualquer condenação posterior.

O descaso pelo mandamento fica evidente logo no início do texto, quando pergunta: “Os argumentos contra a pena de morte são válidos?” Ora, sendo pastor, conhece o alcance e imutabilidade da ordem divina “não matarás” e jamais poderia questioná-la, imaginando que se aplique a indivíduos comuns, mas não seja válida para reis, imperadores, generais, presidentes, governadores, ditadores, ou quaisquer outras autoridades humanas. Nenhum argumento contrário ao texto escrito em tábuas de pedra pelo dedo do próprio Deus é válido.

Contudo, a erudição humana é atrevida. E mesmo um ministro do povo que se imagina como o remanescente fiel, que guarda os mandamentos de Deus e mantém a mesma fé de Jesus, arrisca-se a questionar a aplicabilidade universal do sexto mandamento, sugerindo que existam crimes “hediondos” em que se justifica a morte do autor pelo Estado, como punição. E o exemplo que cita é o dos brasileiros condenados por tráfico na Indonésia.

Embora o mandamento seja claro, o pastor adventista se julga no direito de perguntar: “Qual deve ser a posição cristã nesse caso? Como harmonizar o sexto mandamento com as leis que exigem a morte do transgressor? Como conciliar a misericórdia e o perdão de Deus com tais procedimentos?” Ora, a posição do cristão deve ser sempre contrária à execução de quem quer que seja. O mandamento que ordena “não matarás” não pode ser harmonizado com qualquer lei humana que diga o contrário. Não há como conciliar a misericórdia e o perdão divinos com a pena de morte.

No episódio da tentativa de apedrejamento da mulher adúltera, Jesus Cristo demonstrou vividamente que nenhum ser humano está apto a aplicar a pena capital contra um semelhante, pois todos somos pecadores e, como bem escreveu Tiago, irmão do Senhor, ainda que guardemos toda a Lei e tropecemos em um só ponto, tornamo-nos culpados de todos.

Por acaso, temos autoridades tão santas, que não cometam pecado algum e estejam em condição de atirar a primeira pedra ou disparar o primeiro tiro?

Quando as leis humanas contrariam a expressa vontade de Deus, estas devem ser denunciadas como inaceitáveis e nunca, jamais, serem defendidas em nossos púlpitos, publicações ou programas de rádio e tevê, sob pena de nos colocarmos sob o desagrado divino: “Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos Céus.” Mateus 5:19.

O autor do artigo publicado na Revista Adventista chega a mencionar o sexto mandamento entre quatro meros argumentos contrários à pena de morte, mas conclui que, mesmo somando-a a essas outras razões, a expressa ordem divina não seria suficiente para estabelecer um posicionamento definitivo, que rejeite a pena de morte como um “direito” concedido por Deus ao Estado:

“Há diferentes opiniões acerca do assunto. Entre vários argumentos contrários à pena capital, podemos mencionar: (1) a proibição de matar encontrada nos Dez Mandamentos; (2) o princípio do perdão que deve ser dado a todos; (3) a possibilidade de haver erro no julgamento; e (4) a ineficácia da pena para a diminuição dos delitos cometidos.

“Tais argumentos parecem ser suficientes para pôr um ponto final à questão, mas o assunto é mais complexo.”

O articulista menciona então vários “argumentos”, aparentemente bíblicos, favoráveis à aplicação da pena de morte pelo Estado:

1. “A Bíblia mostra claramente que o castigo para o pecador deve ser a morte (Gn 2:16, 17; Dt 30:15; Pv 14:12; Ez 18:4; Mt 25:41; Rm 5:12; 6:23; Ap 20:14, 15; 21:8). Nesse caso, a pena de morte será aplicada por Deus na destruição final do pecador. Se fosse de outra forma, Cristo não precisaria ter morrido na cruz.”

Quando Deus avisou que o resultado da ingestão do fruto proibido seria inevitavelmente a morte, estava fazendo um alerta, ou uma ameaça a nossos primeiros pais? A resposta a esta pergunta depende da noção que temos do caráter amoroso de Deus. Quem O tem por Pai, jamais veria nessa informação sobre as consequências do pecado uma ameaça. Tratava-se inegavelmente de um oportuno e apropriado alerta proferido por um Deus, que é amor. O salário, resultado, ou consequência final do pecado é a morte. Simples assim.

O Diabo fez Eva imaginar que a divina advertência era tão somente uma ameaça boba, à qual Deus não teria condições nem coragem para cumprir. Mas pela desobediência ao alerta divino, houve alteração na natureza humana e desde então estamos todos sujeitos a doenças, envelhecimento e morte.

Isso é uma consequência do pecado, mas não um castigo que Deus nos inflige por desobedecê-lo. Já não temos acesso à árvore da vida e nossa única esperança é a ressurreição e a restauração da natureza humana original, em um corpo incorruptível, pela aceitação de Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador.

A destruição final, no lago que arde como fogo e enxofre, foi preparada unicamente para o Diabo e seus anjos, os quais permanecem temporariamente imortais apesar de sua rebelião contra Deus

2. “Desde o princípio, Deus permitiu que o povo de Israel aplicasse a pena capital para tipos específicos de transgressão. Gênesis 9:6 diz: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu.” Aqui se encontra a primeira referência bíblica acerca da prática da pena de morte como sentença judicial aplicada pelo ser humano. O texto explica que a pena de morte deve ser aplicada pelo valor da vida humana, pois Deus fez a humanidade segundo a sua imagem.”

Essas palavras foram ditas a Noé e sua família, logo depois do dilúvio. Abraão, Isaque, Jacó e os patriarcas das doze tribos de Israel, escravizadas por quatrocentos anos no Egito até que Moisés as libertou, surgiriam apenas séculos depois. Portanto, não é uma permissão ao povo de Israel acerca da prática da pena de morte. Foram ditas num contexto de bênção, em que Deus lhes ordenava que vivessem e se multiplicassem, dominando sobre os animais e alimentando-se deles, mas respeitando sempre a vida, de animais e seres humanos.

Em lugar de uma permissão para matar, o que temos aqui é uma versão ainda mais ampla do mandamento “não matarás”:

E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra.

E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues. Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde. A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.

Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.

Mas vós frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e multiplicai-vos nela. — Gênesis 9:1-7.

A leitura de Gênesis 9:6 em seu contexto original deixa evidente que não se trata de uma autorização para a pena de morte, mas de uma promessa de não interferência divina para proteção em caso de homicídio. Assassinos não seriam mais protegidos contra vinganças, como aconteceu com Caim, embora estes também descendam de Adão, criado à imagem e semelhança de Deus.

3. “No Novo Testamento, declarações de Paulo em Atos 25:11 e Romanos 13:4 mostram que ele admitia haver crime digno de morte e que o Estado pode punir com a espada. Ele declarou também que as autoridades foram instituídas por Deus. O apóstolo se referia a um poder não teocrático, o Império Romano (Rm 13:1-7).”

O fato de Paulo supostamente admitir que havia crime digno de morte e que o Estado poderia punir com a espada, porque a autoridade era instituída por Deus, não invalida o sexto mandamento, permitindo que autoridades seculares desrespeitem a Lei de Deus. Paulo, enquanto Saulo, recebeu das autoridades de Jerusalém ordens por escrito para perseguir e matar cristãos, condenados por elas à morte, mas Cristo interveio no caminho de Damasco, impedindo que essa execução da pena capital contra os cristãos se realizasse.

Jesus Cristo também foi vítima do Estado tirano e opressor. Por isso, se identifica com os condenados à morte e recomenda: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” Apocalipse 2:10. “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada pela espada morrerão!” Mateus 26:52. “Se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto.” Apocalipse 13:10.

Na interpretação da Bíblia, Jesus Cristo deve ter sempre a palavra final, pois foi a revelação máxima do amor e da vontade de Deus para conosco. Tudo que tenha sido dito pelos patriarcas e profetas do Antigo Testamento e posteriormente pelos apóstolos no Novo Testamento, deve ser compreendido à luz de Sua vida e ensinos. A Bíblia contém a palavra de Deus, mas Jesus Cristo é a Palavra de Deus personificada.

Sandice maior

De volta ao artigo da Revista Adventista, ocorre então a petulância extrema do pastorzinho, que comete a sandice de sugerir pretenciosamente que o mandamento escrito pelo próprio Deus, ficou mal redigido:

“Mas como entender a ordem para não matar? O mandamento “não matarás” seria mais bem expresso na forma ‘não cometerás homicídio’, pois não é uma proibição contra a supressão da vida em qualquer circunstância. O que o mandamento está proibindo é o assassinato.”

Cita, em sequência, números e opiniões que, para ele, demonstram o equívoco divino ao redigir os dez mandamentos:

“De acordo com uma pesquisa do Gallup divulgada em outubro de 2014, 63% dos americanos (ou 6 em 10) são a favor da pena de morte, enquanto 33% são contra e 4% não têm opinião formada. [O senhor acredita realmente que a voz do povo seja a voz de Deus, pastor Flores?]

“Segundo o teólogo James Keenan, ‘ninguém pode, em nenhuma circunstância, reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano inocente’. [Isso justificaria a execução de todos aqueles a quem considerarmos culpados, pastor Flores?]

“Norman Geisler, apologista cristão, defende que nem sempre tirar uma vida é assassinato. Para isso, a morte deve ter sido praticada de forma intencional. [Matar por omissão ou culposamente está liberado, pastor Flores?]

“E o argumento de que a pena de morte é anticristã, pois devemos perdoar a todos (Mt 18:21, 22)? Quando se fala de pena de morte, a referência não é necessariamente à morte eterna. [A pergunta foi sobre perdão ou sobre morte eterna, pastor Flores?]

“O fato de que Deus quer dar o perdão até a quem praticou um crime hediondo não elimina as consequências do crime. [Isso é óbvio, pastor Flores! Mas não significa que todo criminoso deva ser punido com a morte, ou Deus sente agora prazer na morte do ímpio, pastor Flores?]

“Em síntese, os governos que aplicam a pena de morte não estão transgredindo o sexto mandamento da lei de Deus. [O senhor tem certeza absoluta disso? Quer dizer que os algozes de Jesus Cristo, judeus e romanos, não deverão ser punidos por Sua tortura e morte? Serão todos levados ao Céu, pois estavam autorizados a fazê-lo e colaboraram de certo modo para a salvação da raça humana, pastor Flores?]

“Agora, se em pleno século 21 a sociedade deve optar pela pena capital, isso é outra história.” [Que papelão, hein pastor Flores! Primeiro reduz a lei divina a nada, autorizando a desobediência ao sexto mandamento pelos Governos corruptos deste mundo. Depois, supervaloriza os legisladores humanos, dizendo que cabe a eles optar ou não pela pena de morte?]

Opinião de Ellen G. White sobre o sexto mandamento

“Não matarás” (Êxodo 20:13) — Todos os atos de injustiça que tendem a abreviar a vida; o espírito de ódio e vingança, ou a condescendência de qualquer paixão que leve a atos ofensivos a outrem, ou nos faça mesmo desejar-lhe mal (pois “qualquer que aborrece seu irmão é homicida”); uma negligência egoísta de cuidar dos necessitados e sofredores; toda a condescendência própria ou desnecessária privação, ou trabalho excessivo com a tendência de prejudicar a saúde — todas estas coisas são, em maior ou menor grau, violação do sexto mandamento. — Patriarcas e Profetas, pág. 217.

Em resumo: Todos nós iremos morrer um dia, mas Deus não nos permite, nem ao Estado, antecipar esse momento.




Leandro Quadros e Rede Novo Tempo da IASD contrariam a Constituição e defendem pena de morte

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Suposta autorização divina ao Estado para matar, defendida por pastores adventistas, colocaria terroristas do Estado Islâmico sob a aprovação divina e acima do mandamento “Não matarás”

Texto retirado da fanpage do programa “Na Mira da Verdade” no Facebook:

Olá, amigos do “Na Mira da Verdade”! Acabei de publicar um post bastante polêmico, porém, necessário para aqueles que desejam pensar mais biblicamente.

Escrevi sobre a “pena de morte”, com base num ótimo artigo publicado na Revista Adventista deste mês de março de 2015, da autoria do Pr. José Flores Júnior que reside em Guarulhos, SP. Em meu site pessoal (que em breve estará novíssimo!) o post se encontra no seguinte link: http://goo.gl/4E43rS

No blog do “Na Mira da Verdade”, vocês poderão acessar http://goo.gl/oOIm8T
Ótimo final de semana a todos. #leandroquadros #namiradaverdade

Pensando biblicamente a respeito da pena de morte

Março 14, 2015 – Dúvidas Bíblicas

“[…] a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal” (Rm 13:4).

Quero expressar minha gratidão e contentamento pelo artigo intitulado “Não Matarás!”, do Pr. José Flores Júnior, publicado na Revista Adventista no mês de março de 2015[i]. O autor pensou biblicamente e não se deixou levar por argumentos humanistas nada convincentes. Como destaca Alan Pallister, professor de Ética Cristã: “Nossa conclusão sobre essa problemática, primeiro, não deve ser determinada por sentimentos humanitários – que podem ser evocados nos dois sentidos –, mas sim pelo ensino bíblico”[ii].

Já afirmei no programa “Na Mira da Verdade” que cada pessoa tem o direito de ser contra ou a favor da pena de morte. Porém, aqueles que são contra, precisam aceitar que não podem usar a Bíblia a favor deles. Negar que as Escrituras sancionam a pena capital, desde que seja aplicada pelo Estado (Rm 13:1-5. Leia também At 25:11) é, no mínimo, tratar o texto bíblico irresponsavelmente.

José Flores Jr. foi muito feliz em sua abordagem, especialmente no uso que fez de Gênesis 9:6, que diz: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”.

Esse texto nos mostra que execução de um criminoso hediondo é transcultural. Desde o início da história pós-dilúvio, quando só existia Noé, sua esposa, filhos e noras (uma só cultura), o Criador autorizou o ser humano tirar a vida de assassinos[iii].

E qual é a base divina para a aplicação de tal pena por parte de autoridades constituídas? Um conceito de valorização da vida muito amplo que aquele apresentado por qualquer comissão de direitos humanos do mundo: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”.

Deus autorizou o poder judicial (não a você e eu, amigo leitor! Veja Rm 12:17, 19) a tirar a vida do criminoso porque Ele supervaloriza a vida que foi tirada pelo bandido. Enquanto que defensores dos direitos humanos, que não pensam biblicamente, valorizam a vida do criminoso, a Bíblia valoriza mais a vida da vítima, pois ela também é à imagem e semelhança de Deus. A vida é tão sagrada os olhos do Legislador divino que Ele exige o fim da existência daquele que criminosamente tirou o direito de outra pessoa viver.

Mesmo que a pena de morte e a prisão perpétua não sejam a solução para a criminalidade (solução somente na 2ª Vinda de Cristo – Ap 21:4; 22:15), como bem disse o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia a respeito de Gênesis 9:6, “Deus tomou o cuidado de erigir uma barreira contra a supremacia do mal e, assim, lançou o fundamento para um desenvolvimento civil ordenado da humanidade”.[iv]

AMOR E JUSTIÇA DEVEM ESTAR DE MÃOS DADAS

Em contrapartida, o bispo Hermes Carvalho Fernandes argumentou, entre outras coisas, o seguinte: “Eu só poderia ser a favor da pena de morte se não acreditasse no poder que o evangelho tem de transformar monstros em homens de bem”[v].

Entretanto, essa é uma compreensão parcial do evangelho, revelado tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento (Jo 5:39, 40). Biblicamente, o perdão de Deus, Seu amor e justiça trabalham juntos (Sl 85:10). A disposição dEle em perdoar qualquer ser humano não elimina as consequências pelos próprios atos (Veja-se Ezequiel 18:4 e Gálatas 6:7). Como afirmou José Flores Júnior, “O fato de que Deus quer dar o perdão até a quem praticou um crime hediondo não elimina as consequências do crime”[vi].

Alan Pallister segue uma linha argumentativa parecida, que também contraria a opinião de Hermes C. Fernandes:

Teologicamente, não é correto afirmar que, devido à morte de Jesus na cruz, todos os homens possuem de fato a salvação e serão libertos do inferno. Esse argumento cai no erro do universalismo. Jesus morreu por todos na cruz, mas alguns são condenados com justiça pelos seus pecados. Na dimensão temporal, uma pessoa por quem Jesus morreu ainda pode ser condenada à morte […] O fato de Jesus ter aberto o caminho da salvação, por meio de Sua morte expiatória na cruz, providencia um lugar seguro no céu para aqueles que creem nEle. Não remove qualquer penalidade que a sociedade humana se veja na obrigação de aplicar […][vii].

Além disso, o perdão que Jesus disponibiliza não é e não será aceito por muitas pessoas (Ap 20:8,9), que rebeldemente rejeitam aos apelos do Espírito para convencê-las “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8-10). Portanto, continuarão a matar, estuprar (inclusive criancinhas), sequestrar, etc, aumentando o número de vítimas inocentes e famílias desgraçadas.

Estou reunindo material para escrever sobre o assunto de forma muito mais ampla. Creio que nos próximos meses darei uma contribuição ainda maior a essa questão, tanto do ponto de vista bíblico quanto filosófico e sociológico. Demonstrarei que a pena capital é tão necessária hoje quanto o foi nos tempos bíblicos, e que falhas humanas não excluem a necessidade de castigo, do mesmo modo que erros judiciários não excluem a necessidade de prisões.

Enquanto isso, expresso minha gratidão a José Flores Júnior e à Revista Adventista por uma matéria tão importante, e que com certeza ajudará a muitos cristãos a pensarem mais biblicamente.

[Acesse www.leandroquadros.com.br]

[i] José Flores Júnior, “Não Matarás! Os argumentos contra a pena de morte são Válidos?” Revista Adventista, março de 2015, p. 50.

[ii] Alan Pallister, Ética Cristã Hoje: vivendo um cristianismo coerente em uma sociedade em mudança rápida (São Paulo: Shedd Publicações, 2005), p. 137.

[iii] Não confundir pena de morte [como aplicação da justiça] com o homicídio, praticado friamente e proibido em Êxodo 20:13 e Deuteronômio 5:17. Veja-se também Êx 21:12-14, 16; Lv 20; Dt 21:22; Dt 24:7; Lv 20.

[iv] Francis D. Nichol e Vanderlei Dorneles, (editores), Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 1 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011), p. 254. Série Logos.

[v] Hermes C. Fernandes, “Pena de Morte: Como me posiciono apesar do que a Bíblia diz”. Disponível em: http://www.hermesfernandes.com/2013/07/pena-de-morte-como-me-posiciono-apesar.html Acessado em 13 de março de 2015.

[vi] Júnior, “Não Matarás!”…, p. 50.

[vii] Pallister, Ética Cristã Hoje…, p.p. 139, 140.

Fonte: http://novotempo.com/namiradaverdade/pensando-biblicamente-a-respeito-da-pena-de-morte/

Esta sequência de vídeos recolhidos da internet ilustra o gradual desenvolvimento do pensamento favorável à pena de morte, no programa Na Mira da Verdade, produzido e transmitido pela Rede Novo Tempo. Observe que Landro Quadros contrariou a Constituição Brasileira e o Evangelho, defendendo repetidas vezes a pena de morte como se houvesse base bíblica para ela em diferentes momentos de sua carreira de apresentador do programa. Agora, conclui o processo, comemorando a adesão da Revista Adventista à idéia, e anunciando para breve um novo texto favorável ao assunto.

https://www.youtube.com/watch?v=ltbi5H_B4sY

https://www.youtube.com/watch?v=u2DAwSkse9g|&t=4m50s

OBS. Todas essas sandices aparentemente bíblicas de Leandro Quadros serão refutadas aqui no Adventistas.Com. Aguarde. Abaixo, estão algumas informações sobre a inconstitucionalidade de se defender a pena de morte em território brasileiro:

Na Constituição Federal de 1988 (artigo 5º, inciso XLVII) a pena de morte é abolida para todos os crimes não- militares. Via de regra não há pena de morte no Brasil. A exceção é em caso de guerra declarada do país a outro (artigo 84, inciso XIX).

No campo internacional o Brasil é membro do Protocolo da Convenção Americana de Direitos Humanos Para a Abolição da Pena de Morte, e ratificou esse tratado em 1996.

A Constituição Federal de 1988 estabelece que, em regra, não é possível a imposição da pena de morte no ordenamento jurídico brasileiro, reservando, unicamente, a possibilidade desta modalidade, extrema, de pena em caso de guerra.

É nítido ,que o Constituinte Originário, ao vedar a pena de morte como regra em sua Lei Maior, tem por base, os princípios norteadores que caracterizam um Estado Social Democrático de Direito, o princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio do direito a vida. Ademais, a pena de morte, adotada em grau exceptio, tem razão na própria existência do cenário bélico; que é construído a partir do instrumento da resistência com finalidade de proteção do Estado, que por sua vez, é guardião da família, da cultura, dos homens.

Os supracitados princípios, são considerados universais, pela subscrição realizada na carta universal de direitos humanos elaborada em 1948. O direito a vida, é um direito humano, e sua aplicação não é intramurus.

Com a aquisição de natureza pétrea, o direito a vida, projetou a impossibilidade, preventiva, do o legislador ordinário instituir pena de morte no Brasil como regra. Como se sabe, o Projeto de Emenda Constitucional nº 1/1988, buscava a inclusão da pena de morte como regra geral no Brasil, o que não foi possível devido ao artigo 60, § 4, inciso IV, da Constituição Federal, que leciona que não serão objeto de deliberação de emenda constitucional, os direitos e garantias individuais, que podem ser considerados cláusulas pétreas. Desta forma, instituir a pena de morte no Brasil por meio do Constituinte Derivado seria um atentado violento a vontade do povo e do Constituinte Originário, em relação aos fundamentos e direitos que regem a Constituição.

a) Princípio da dignidade da pessoa humana

O princípio da dignidade da pessoa humana está expresso na Constituição dentre os seus fundamentos do Estado Democrático de Direito que constitui a República Federativa do Brasil, mais precisamente em seu artigo 1º, inciso III.

Este princípio objetiva garantir todos os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, assegurando assim os direitos previstos na Lei Maior, tais como o direito à vida, à saúde, à integridade física, à honra, à liberdade física e psicológica, ao nome, à intimidade dentre outros vários direitos e garantias fundamentais necessários para que uma pessoa tenha uma vida digna.

É necessário observar, que o citado princípio também tem atuação no âmbito das penas, pois quando se afirma que o objetivo do Estado ao punir um agente delituoso, é de promover sua ressocialização para que ele possa tornar a sociedade sem a oferecer perigo, e não uma forma de punir como um mero exemplo para a sociedade do que não se deve fazer, ele está implícito dentro de tal afirmação. Desta forma, se o Estado não buscar promover a ressocialização do agente delituoso e impõe-lhe a pena capital, ele está se omitindo de seu dever para com a sociedade.

A Constituição além de vedar a pena de morte como regra no Brasil, veda também penas cruéis, disto indaga-se, pena de morte não seriam também uma pena cruel? Em uma análise subjetiva podemos afirmar que sim, pois não há hipótese em que a morte de um cidadão não seria cruel, mesmo que por meio indolor, ainda assim se caracterizaria um meio cruel, pois um cidadão viver com a angústia de saber o dia em que sua vida será ceifada, com toda certeza ele terá sua integridade psicológica totalmente afetada, o que se torna algo que vai totalmente de encontro com a dignidade da pessoa humana.

Sendo assim faz-se mister mencionar o mestre italiano Luigi Ferrajoli, que apesar de não tratar diretamente sobre pena de morte ou cruel leciona que:

“a história das penas é, sem dúvida, mais horrenda e infamante para a humanidade do que a própria história dos delitos” (FERRAJOLI, 2010, p. 355).

E continua:

“Porque mais cruéis e talvez mais numerosas do que as violências produzidas pelos delitos têm sido as produzidas pelas penas e porque, enquanto o delito costuma ser uma violência ocasional e às vezes impulsiva e necessária, a violência imposta por meio da pena é sempre programada, consciente, organizada por muitos contra um” (FERRAJOLI, 2010, p. 355).

b) Do direito a vida

O artigo 5º da Constituição Federal regula o direito a vida, impondo-lhe como um direito fundamental aos brasileiros e estrangeiros residentes no País. Não há como negar que o direito a vida deve ser considerado inviolável, intransmissível, irrenunciável e indisponível, e que é a partir dele que nasce o direito de personalidade de cada pessoa, sendo este direito considerado para toda a doutrina um bem anterior ao Direito, que deve ser conservado.

O direito a vida, no Brasil, não decorre de razão puramente jurídica, até pelo fato de que a Constituição Federal onde se é previsto este direito, é uma carta política. Logo, a Lei Maior ao garantir tal direito, não o garantiu de forma aleatória ou simplesmente as escuras, ela baseou-se no cenário político-social brasileiro, que apesar de ser um país laico, tem origem cristã, desta forma tendo herdado em sua cultura dogmas do cristianismo, estando entre esses dogmas o direito a vida.

Desta forma, tem-se o direito a vida como um direito impregnado na cultura brasileira por razões históricas. Tentar impor uma pena tão radical como a pena de morte, não seria somente um insulto a Lei Maior vigente no Brasil, seria também um insulto as origens de nosso país, que devem ser preservadas como um patrimônio cultural.

O direito a vida é insuscetível de valoração, assim, não se pode substituir a vida por qualquer valor econômico.

c) Problemática social

Até hoje não restou comprovado que a pena de morte tenha provocado diminuição considerável dos delitos vinculados, nem que tenha impedido a atuação de pessoas na prática dos crimes cominados com essa pena capital. Em todos os países onde a pena de morte foi implementada, a criminalidade não caiu, num determinado momento ela pode até ter oscilado, mas o resultado científico de verificação, após a observação acadêmica do que realmente acontece como reflexo da implantação da pena de morte, em nada altera os índices de criminalidade, estes oscilam por outros motivos. Portanto, diante desta constatação, de que a pena de morte não inibe o avanço da criminalidade, tenho mais um argumento para rejeitar.

Na realidade, a Administração de Justiça, tanto na persecução, como na sanção aos comportamentos criminais procede seletivamente, quer dizer, não protege por igual todos os bens dos quais tem igual interesse o cidadão. Da mesma forma, a lei penal não é igual para todos nem o status de criminoso se aplica igualmente a todos os sujeitos.

Basta observar os presídios para se verificar que a grande maioria dos que lá estão encarcerados são pessoas oriundas da classe baixa, isto é: os pobres e miseráveis.

A política de hiperinflação carcerária do Estado Penal leva também a um processo de intensificação dos públicos alvo do sistema capitalista excludente: pobre e minorias. No caso dos Estados Unidos, se observou um aumento da população afrodescendente nos cárceres, além de uma transferência das populações dos guetos (isto é: os bairros pobres e favelas) cada vez maior para os centros de detenção.

Ora, os afro- americanos representam apenas 12% da população do país, mas constituem a maioria dos presos na América do Norte. Além disso, há uma desistência dos últimos governos americanos em tentar reduzir as desigualdades raciais mais gritantes em relação ao acesso à educação e ao emprego. E o reflexo disso ocorre em estados, como o de Nova York, onde o números de presos afro-americanos é maior do que o de negros em universidades. Tudo consequência dessas políticas econômicas e penais das últimas décadas.

Com isso, se realiza um controle punitivo de negros e pobres, que são transferidos dos guetos para as prisões em número cada vez maior. Isso é a criminalização da miséria. E tudo isso tende a se refletir quando da aplicação da pena de morte. Seu público alvo são os pobres e minorias (negros, etc).

d) Religiões

Hodiernamente, a maioria das grandes religiões e de seus ministros e sacerdotes se opõe à pena capital. O Judaísmo, embora aprovasse a pena capital em seu livro sagrado (Êxodo 21, Levítico 20, Deuteronômio 21) aboliu a prática através das decisões dos rabinos no Talmud, durante a Idade Média. Já na época do Templo de Salomão, no ano 30, o Sinédrio (Senado judaico) entendeu que tal prática, devido à sua violência, caberia somente a Deus. O Estado de Israel somente aplicou a pena de morte uma vez, contra o carrasco nazista Eichmann. E segue sem adotar tal medida. Os mórmons fazem oposição à pena de morte, pois o valor da vida, argumentam, é inigualável. O Budismo condena essa prática. No livro sagrado Dhammapada, capítulo 10, se diz: “ todos temem o castigo, todos temem a morte, tal como tu. Por isso, não mates nem causes a morte”.

O Direito Penal Internacional considera a pena de morte como atentatória aos direitos humanos. A Legislação Européia Internacional proibiu a pena capital em tempos de paz.

Leia o artigo todo em: http://carneiro.jusbrasil.com.br/artigos/111686526/pena-de-morte




Até o Papa Francisco diz que pena de morte é fracasso do Estado de Direito!

Lucas 16:8: “Porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.”

PapaPenaDeMuerte231014

“Para um Estado de Direito, a pena de morte representa a falência, porque obriga a morte em nome da justiça”, criticou o líder da Igreja Católica

O papa católico Francisco afirmou nesta sexta-feira (20) que a pena de morte é “inadmissível” e que representa uma “falência” do Estado de Direito.

Em uma mensagem à Comissão Internacional Contra a Pena de Morte, recebida em audiência no Vaticano, o Pontífice católico afirmou que a pena capital é “inadmissível pelo quanto possa ser grave um crime cometido por um condenado”. “Para um Estado de Direito, representa a falência, porque obriga a morte em nome da justiça”, criticou o líder da Igreja Católica, ressaltando que a “justiça humana é, entre outras coisas, imperfeita e pode errar”.

“Em toda a história, houve debates sobre os mecanismos para matar que reduzem a agonia e o sofrimento do condenado, mas a verdade é que não existe um modo humano para matar alguém”, acrescentou. De acordo com Francisco, as condenações à prisão perpétua também podem ser consideradas um tipo de pena de morte, já que “impedem a projeção de um futuro”.

“A prisão perpétua, como todas as penas que impedem que o condenado projete um futuro, pode ser considerada uma pena de morte escondida, pois não priva a pessoa apenas de sua liberdade, e sim, da esperança também”, disse o Papa católico.

Por fim, Jorge Mario Bergoglio afirmou que, além da pena de morte, os países matam seus próprios cidadãos quando “levam a população a guerras e quando fazem execuções extrajudiciais e sumárias”. “É possível que o Estado mate alguém até mesmo quando não garante ao seu povo o acesso aos bens essenciais para a vida”, explicou o Papa.

Desde quando assumiu a liderança da Igreja Católica, em março de 2013, o papa católico Francisco tem feito críticas à maneira como os Estados marginalizam as pessoas e corrompem seus direitos ao impedir o acesso a necessidades básicas.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-03-20/papa-francisco-diz-que-pena-de-morte-e-fracasso-do-estado-de-direito.html

Até o Papa Francisco considera inaceitável para um cristão apoiar a pena de morte

VATICANO, 23 Out. 14 / 03:55 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa católico Francisco dirigiu nesta quinta-feira um discurso a uma delegação da Associação Internacional de Direito Penal no qual condenou as execuções extrajudiciais e a pena de morte, medida usada inclusive por regimes totalitários para suprimir a dissidência e perseguir as minorias, e afirmou que o respeito à dignidade humana deve ser o limite a qualquer arbitrariedade e excesso por parte dos agentes do Estado.

No seu discurso o “Santo Padre”, católico. reafirmou a condenação absoluta da pena de morte, que para um cristão é inadmissível; assim como as chamadas “execuções extrajudiciais”, quer dizer, os homicídios cometidos deliberadamente por alguns estados ou seus agentes e apresentados como consequência indesejada do uso aceitável, necessário e proporcional da força para aplicar a lei.

Francisco assinalou que os argumentos contra a pena de morte são conhecidos. A Igreja –indicou-, mencionou alguns, como a possibilidade de erro judicial e o uso que lhe dão os regimes totalitários como “instrumento de supressão da dissidência política ou de perseguição das minorias religiosas ou culturais”.

Do mesmo modo, expressou-se contra a prisão perpétua por ser “uma pena de morte disfarçada”.

O Santo Padre católico também condenou a tortura e advertiu que a mesma doutrina penal tem uma importante responsabilidade nisto por ter permitido, em certos casos, a legitimação da tortura em determinadas condições, abrindo o caminho para abusos posteriores.

No seu discurso, Francisco também exortou os magistrados a adotarem instrumentos legais e políticos que não caiam na lógica do “bode expiatório”, condenando pessoas acusadas injustamente das desgraças que afetam uma comunidade.

Além disso, abordou a situação dos presidiários sem condenação e dos condenados sem julgamento. Assinalou que a prisão preventiva, quando usada de forma abusiva, constitui outra forma contemporânea de pena ilícita disfarçada.

Também se referiu às condições deploráveis dos penitenciários em boa parte do planeta. Disse que embora algumas vezes isso ocorra devido à carência de infraestruturas, muitas vezes são o resultado do “exercício arbitrário e desumano do poder sobre as pessoas privadas de liberdade”.

Francisco não esqueceu a aplicação de sanções penais às crianças e idosos condenando seu uso em ambos os casos. Além disso, condenou o tráfico de pessoas e a escravidão, “reconhecida como crime contra a humanidade e crime de guerra tanto pelo direito internacional como em tantas legislações nacionais”.

O Papa católico também se referiu à pobreza absoluta que sofrem um bilhão de pessoas e a corrupção. “A escandalosa concentração da riqueza global é possível por causa da conivência dos responsáveis pela coisa pública com os poderes fortes. A corrupção, é em si mesmo um processo de morte… e um mal maior que o pecado. Um mal que mais que perdoar é preciso curar”, advertiu.

“O cuidado na aplicação da pena deve ser o princípio que rege os sistemas penais… e o respeito da dignidade humana não só deve atuar como limite da arbitrariedade e dos excessos dos agentes do Estado, como também como critério de orientação para perseguir e reprimir as condutas que representam os ataques mais graves à dignidade e integridade da pessoa”, concluiu.

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-considera-inaceitavel-para-um-cristao-apoiar-a-pena-de-morte-63928/