Pastor Adventista entrega livro do Unasp a terrorista em Guantánamo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, e proibiu desrespeito aos direitos dos presos, mesmo terroristas. http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2009/01/22/ult34u217542.jhtm

Como alguns destes presos devem ser soltos em breve, a CIA elaborou um plano para ver se entre eles, conseguia alguém para trabalhar em contra-espionagem. Sabendo que a principal motivação dos terroristas é o ódio religioso, permitiram a entrada de clérigos na prisão para conversar com os presos e lhes mostrar a superioridade da filosofia cristã, e da liberdade religiosa expressa na constituição dos Estados Unidos, "Os elaboradores da Constituição reconheceram o eterno princípio de que a relação do homem para com o seu Deus está acima de legislação humana, e de que seus direitos de consciência são inalienáveis. (O Grande Conflito, pág. 295)

Seria interessante mostrar aos fanáticos terroristas que a liberdade religiosa é uma das bases da prosperidade da grande nação: “Estes princípios são o segredo de seu poder e prosperidade. Os oprimidos e desprezados de toda a cristandade têm-se volvido para esta terra com interesse e esperança. Milhões têm aportado às suas praias, e os Estados Unidos alcançaram lugar entre as mais poderosas nações da Terra”. (O Grande Conflito, pág 441)

E assim foi feito. Alguns presos se recusaram a ler, mas outros leram. Foram levadas Bíblias e livros de autores cristãos famosos, como Billy Graham, Max Lucado, etc.

No meio dos terroristas, havia um cuja única língua (ocidental) que conhecia era o português. Pertencera a um grupo radical islâmico no Timor Leste. Por sorte, um dos ministros que tiveram permissão para entrar no presídio era adventista, e estava com um livro religioso em português. O livro foi cedido ao “preso que falava português” (obviamente a CIA não revelou seu nome)

Dias depois, os religiosos voltaram para conversar com os detentos. Os agentes da CIA acompanhavam as conversas atrás de um vidro que só dava para ver em uma direção. (Vocês já viram isso em filmes, não me façam explicar tudo!)

Quando chegou a vez de entrevistar o que falava português, conseguiram um religioso que também falava esta língua, um padre de Portugal. (O pastor adventista não pôde retornar, pois como se sabe, o decreto do presidente Obama foi em 22 de Janeiro, e neste mês a maioria dos pastores está em Guarapari.)

Quando o padre perguntou ao preso o que achara da leitura do livro, e que opinião ele tinha sobre o cristianismo, o terrorista respondeu com segurança. Disse que gostou muito do estilo do livro, estava acostumado com aquele tipo de linguagem.

Achou  interessante a forma como os inimigos da fé cristã, líderes do movimento que é “resultante do influxo diabólico”, oriundo da “mente satânica”, foram destroçados pelo autor do livro.

O padre coçou o queixo, pensativo. Que livro o terrorista teria lido? Talvez alguma tradução moderna do “Malleus maleficarum” (1487) ou do “Directorium Inquisitorium", (1578)?

O preso, animado, continuou a descrever o que havia aprendido no livro. Sabia o nome de dois dos agentes de Satanás: Ricardo Nicotra e Jairo Carvalho.

“Só não entendo estas leis idiotas de vocês, da sociedade ocidental. Como não podem matar os hereges, escrevem livros. Não podem expedir uma fatwa contra os hereges, então escrevem livros criando ódio nos fiéis. Mas se vocês quiserem, me digam onde estes tais Nicotra e Jairo moram, e vou lá resolver isso à minha maneira.

Os agentes da CIA, atrás do espelho, se entreolhavam, ninguém entendia nada. Um deles teve a idéia: colocou “Ricardo Nicotra” no Google e esperou para ver o que aparecia. Chamou o outro para ver. Primeiro, aparecia o “blog do Ricardo Nicotra”, onde ele diz: “escrevo contando minhas aventuras aqui em Washington, EUA (ou em qualquer outro lugar do mundo). Depois, o google listava vários artigos em um tal de “adventistas.com”.

Os agentes ficam preocupados. O cara mora em Washington e viaja muito. Deve ser perigoso. Mas analisando o nome em buscadores exclusivos da CIA, descobriram que era um pobre coitado brasileiro, cujo hobby era escrever livros e artigos religiosos. Voltam sua atenção novamente para o preso. Que já estava falando de outro assunto:

- Descobri também que o conhecimento da verdade é progressivo – dizia o preso – e que a doutrina da Trindade foi uma revelação de Deus a Ellen White, e ela aos poucos foi mudando a mentalidade obtusa dos seus colegas, até que a nova doutrina foi aceita por todos, inclusive os católicos e os outros protestantes.

O padre enfim começou a entender. Estudara sobre Ellen White no seminário. Mas os adventistas deixaram este lado agressivo há tempo, e ultimamente participavam de encontros ecumênicos. “Que livro maluco deram para este infeliz ler?” pensava o padre.

Um dos agentes perguntou ao outro: “Ué, mas a Trindade não surgiu no início da era cristã? Não sabia que tinha sido descoberta pelos adventistas”. O outro coçou a cabeça, disse que não entendia nada de religião.

Quando voltam a olhar para o preso e o padre, este já se levantava, enquanto o terrorista continuava a falar: “Pois então, se eu fizer o serviço para vocês, mas acontecer um acidente e eu morrer, terei direito a 72 virgens?”

O padre, de saída, respondeu que no cristianismo não acreditamos neste tipo de recompensa, e que hoje não matamos os hereges, pois todos tem direito de adorar a Deus conforme os ditames de sua consciência. Um dos agentes achou graça e fez baixinho um comentário machista politicamente incorreto, sobre a dificuldade de encontrar 72 virgens no Brasil. O outro não achou graça nenhuma e foi até o alojamento do preso para ver que livro afinal era aquele que despertara o ódio no terrorista.

Estava perto da cabeceira, fácil de encontrar: “A Igreja em Perigo”, de José Carlos Ramos.

Aviso ao leitor:

Exceto a notícia sobre o decreto do Obama, toda a história é fictícia. Mas a tentativa do autor do livro em impingir nos dissidentes o rótulo de que são movidos pelo diabo é verdadeira. A tentativa é verdadeira, mas a argumentação não é. Com seu estilo (que gosto de ler) claro e com abundantes citações bíblicas e de EGW, descobre pontos fracos na argumentação dos “dissidentes” e os ataca com golpes certeiros. Mas nem é preciso ler o livro todo para ver que o propósito foge completamente do que se espera em um pastor cristão.

Quem lê o livro sem conhecer a realidade, vai pensar que existe mesmo um “movimento anti-trinitariano” organizado, liderado pelo demônio, querendo destruir a igreja.

Já foram escritos artigos respondendo ao professor (José Carlos Ramos põe a igreja em perigo) mas ainda há outros pontos que podem ser comentados depois.

A capa do livro é uma igreja. Dois bancos bonitos, com assentos acolchoados, e duas janelas com vitrais.  VAZIOS. Esta é a mensagem do livro. A igreja em perigo: os bancos aveludados e caros, em igrejas com vitrais, podem ficar vazios.

Mas as pessoas que saíram não estão nos bares! Estão adorando a Deus em igrejas simples, com janelas de madeira e cadeiras de “prástico”... -- Tales Fonseca

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