Perguntas Sobre a Doutrina do Santuário: Respondam-me, Por Favor!

1) “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”. Note que o texto não diz que o santuário começaria a ser purificado após duas mil e trezentas tardes e manhãs e continuaria sendo purificado por um certo período de tempo. O texto diz que o santuário será purificado. Logo a purificação do santuário teria que “acontecer em 1844” e não “começar em 1844”. Como provar que a purificação do Santuário “COMEÇA” em 1844 quando Daniel 8:14 não fala nada sobre “COMEÇAR” e sim em ACONTECER?

2) Respostas estão ligadas à perguntas. Perguntas estão ligadas à respostas. Daniel 8:13 faz uma pergunta: “Até quando durará a visão do sacrifício continuo e da transgressão assoladora para que seja entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?” Resposta: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado.”  O que a Doutrina do Santuário tem a ver com isto?

3) Por que 1 dia é igual a 1 ano profético?

a)     Números 14:34 e Ezequiel 4:6 diz que 1 dia = 1 ano mas o contexto não é escatologia.

 Está-se falando sobre o tempo que o povo de Israel iria vagar no deserto.

b)     Pedro 3:8 diz que 1 dia = 1.000 anos

c)     Gênesis 40:12 diz que 1 dia = 1 ramo

d)     Gênesis 40:18 diz que 1 dia = 1 cesto

e) João 11:9 diz que 1 dia = 12 horas

f)   Gênesis 1:5 dia que 1 dia = 24 horas (uma tarde + uma manhã)

4) Porque que o principio “dia-ano” nunca foi usado no Novo Testamento tão pouco pela igreja cristã, sendo introduzido por um erudito Judeu na era medieval e finalmente “emplacado” nos séculos dezoito e dezenove?

5) Se o principio dia-ano está correto então podemos afirmar, com base em Daniel 8, que 2300 sacrifícios = 2300 anos?

6) A palavra hebraica para “DIA” é “YOM” e esta palavra aparece no Velho Testamento 1153 vezes. A palavra hebraica para “DIAS” é “YAMIM” e ela aparece no Velho Testamento 657 vezes. “YOM” é encontrada no livro de Daniel 6 vezes e “YAMIM” 25 vezes perfazendo um total de 31 vezes. Nenhuma delas, porém aparece em Daniel 8:14. Logo a palavra “DIAS” em Daniel 8:14 não é uma tradução, mas uma interpretação que vem de duas palavras hebraicas “EREB” que significa “TARDE” e “BOQER” que significa “MANHÔ.

Mas alguém poderia dizer que é a mesma coisa, que “houve tarde e manhã - o primeiro dia”. Não, mas não é o mesmo, por que a pergunta principal é “Até quando durará a visão do sacrifico continuo?” E o anjo responde dando o número de sacrifícios (e havia dois sacrifícios por dia: uma à tarde e outro pela manhã). Como os tradutores já citaram a palavra sacrifício nos versos 11,12 3 13,  eles aplicam então no mesmo contexto a palavra sacrifício no verso 14 quando dizem: “Até duas mil e trezentas tardes e manhas” ou seja, “até 2300 sacrifícios e o santuário será purificado”.

Não seria então correto afirmar que 2300 tardes e manhãs são exatamente 1150 dias? Como que uma tarde + uma manhã de sacrifícios podem ser igual a 01 ano profético?

7) Em palavras simples, nós adventistas pregamos que até 1844 os pecados confessados não foram expiados, mas colocados de lado, para serem revisados e finalmente expiados a partir de 1844. Significa então que a humanidade ficou sem um mediador com 100% de eficácia expiatória durante 18 séculos? Mas a Bíblia não diz que quando confessamos nossos pecados Deus imediatamente os esquece lançando-os no fundo do mar?

8) Como provar que o este período começa em 457 aC uma data que não tem nada a ver com o sacrifício diário?

9) Como provar que a “purificação do Santuário” significa purificação dos pecados confessados dos santos uma vez que o contexto se refere a purificação da abominação, da poluição causada pelos inimigos dos santos?

10)  Como provar que “pecados confessados dos santos” contaminam o santuário se não existe nenhuma afirmação bíblica sobre isto?

11)  Como provar que os 490 anos foram tirados dos 2300 anos se nada disto é dito em Daniel 8 e 9?

12)  Como provar que os 490 anos e os 2300 anos começam exatamente juntos na História?

13)  Como provar que a palavra “ORDEM” em Daniel 9:25 é realmente um decreto real e que este rei é Artaxerxes?

14)  Como provar que purificação do Santuário em Daniel 8:14 tem ligação com Leviticos 16? O dia da expiação em Leviticos 16 não tem nada a ver com julgamento. Era um dia em que o Todo Poderoso cobria seu povo com graça e misericórdia, amor e perdão. Não havia nenhuma investigação, nenhuma sentença aplicada ou retribuição a uma pobre tremente alma que estaria ali esperando o veredicto para ser se estava aprovada ou não! Era um dia de amor e aceitação. Era o dia em que o Pai recebia seus filhos em seus braços. Não havia nenhuma condenação naquele dia maravilhoso. Ninguém passava por nenhum juízo ou tribunal. Como poderia o dia da expiação, da graça, da manifestação da misericórdia e amor de Deus ser um dia de Juízo e de condenação ou de investigação, de stress em saber que seu nome seria passado em revista e talvez aprovado ou não? Não é um absurdo ligar Leviticos 16 com Daniel 8?

15)  Como provar que o Dia da Expiação começou em 1844 e explicar porque que o ATO DA EXPIAÇÃO (Morte de Cristo na Cruz) está separado do DIA DA EXPIAÇÃO (1844) por 18 séculos?

16)  Ficou a humanidade 18 séculos sem expiação?

17)  Como provar que o Juízo iniciado em 1844 se refere a um juízo investigativo para os santos e não um julgamento para os pecadores, como está implícito no texto e no contexto de Daniel 8?

18)  Roma não teve nenhum contato com os Judeus até o 161 a.C. O cifre pequeno começa a “funcionar” em 457 a.C, 296 anos antes de ele ter contato com os Judeus?

19)  Roma não molestou os Judeus até que a Palestina se tornou parte do Império Romano em 63 a.C. O cifre pequeno começou a contaminar o santuário 400 anos antes se ele sequer tinha conhecimento que existia este santuário?

20)  Se Roma Papal é o chifre pequeno de Daniel 8 durante a última parte dos 2300 anos, então o que aconteceu com  a mesma Roma Papal em 22/10/1844? Por que não há nenhum evento na história papal que coincidisse com o fim dos 2300 dias?

21)  O que fazer com as contradições de Ellen White e a Bíblia dentro deste tema:

a) Ellen White afirma que o exame no Juízo Investigativo começará por Adão.

A Bíblia afirma que Jesus conhece as suas ovelhas e sabe quais são os seus (João   10:14 e II Tim. 2:19), e não dependente de nenhuma “INVESTIGAÇÃO”.

b) Ellen White fala que cada um de nossos nomes passará pelo Juízo Investigativo.

    A Bíblia fala que os santos não passarão por juízo (João 5:24)

c) Ellen White afirma que nossos pecados só estarão definitivamente apagados depois do Juízo Investigativo.

A Bíblia afirma que os nossos pecados são apagados no momento em que nos arrependemos e os confessamos. (Isaias 44:22 / Atos 3:19 / I João 1:7)

d) Ellen White afirma que o trabalho de expiação de Jesus está quase terminado.

A Bíblia afirma “Está Consumado” lá na Cruz. Que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. João 19:30 / Hebreus 10:12-14) / Romanos 8:1 / Romanos 5:9.

23) O que fazer com a pessoas que foram declaradas salvas ANTES  de começar o Juízo Investigativo?

O Ladrão na Cruz – (Lucas 22:43)

Abraão (Rom. 4:2-5)

Abraão, Isaque e Jacó – Mateus 8:11

Moisés – Judas 9

Moises, Elias e Enoque (Se ninguém teria seus pecados totalmente expiados antes de 1844, como a Bíblia afirma que Moises, Elias e Enoque já estão no Céu)?

24) Ellen White diz que a qualquer momento meu nome pode “passar” no Juízo Investigativo e devo estar preparado para não ser pego de surpresa (meu destino traçado para sempre). Isto me faz pensar que posso estar lidando com irmãos ao meu lado cujos nomes já passaram e outros que ainda vão passar a qualquer momento. Os que já passaram estariam vivendo antes do fechamento da porta da graça já totalmente perdidos ou totalmente salvos. Como deve ser a vida desta pessoa?

E quanto a mim? Será que meu nome já passou? Será que meu destino já foi selado? Já pensou que posso estar perdido antes da porta da graça ter se fechado? Não é tudo isto muito confuso?

PENSE NISTO:

Antes de interpretar Daniel 8:14 precisamos compreender o texto e o contexto. O que realmente o autor está dizendo?

a) Daniel 8 descreve a obra do chifre pequeno. No verso 13 este poder maligno faz uma transgressão assoladora.

b) O desolador concentra seu ataque no santuário. Seu ato maligno consiste em acabar com o sacrifício continuo regular. A palavra hebraica usada aqui é TAMID. Esta é uma palavra freqüentemente usada no Velho Testamento que significa “continuo”, “regular”, “perpétuo” , “sempre”.  Muitas traduções utilizam o termo “sacrifício” ou “sacrifício continuo” que significa a mesma coisa, uma vez que:

- O contexto é sobre o Santuário

- Esta palavra TAMID é comumente usada em conexão com os serviços contínuos do Santuário, especialmente para designar as ofertas queimadas da manhã e da tarde (Ex. 29:38,39,42; Num. 28:3,4,6,8,10,15,23,24,31; 29:6,11,116,18,25; 28:34,38; I Cron. 16:40; Esdras 3:3-5).

Duas expressões hebraicas são usadas quase que como uma repetição monótona para descrever as ofertas queimadas “regular” (TAMID) e “tarde e manhã”. Ao invés de chamar de as ofertas regulares da manhã e da tarde, um Judeu a chamaria de “regular” ou de “tarde e manhã”.

c) Daniel 8:13 então faz uma pergunta: “Até quando as ofertas regulares serão suprimidas, contaminadas, até quando durará a visão do sacrifício continuo, e da transgressão assoladora para que seja entregue (devolvido) o santuário, e o exército, a fim de serem pisados?”

Daniel 8:14 então responde: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”. Ou seja, o santuário ficará sem 2300 tardes e manhãs, sem 2300 sacrifícios, sem 2300 ofertas regulares. Depois deste tempo o santuário seria purificado e voltaria ao normal.

O hebraico não diz 2300 dias, mas 2300 tardes e manhãs. Não se está discutindo aqui se uma tarde e uma manhã compõem um dia conforme Gênesis 1, onde a manhã significa a parte clara e a tarde a parte escura do dia. Daniel 8:14 está falando sobre os sacrifícios das tardes e manhãs.

Fica claro então que 2300 tardes e manhãs não equivalem a 2300 dias, é mais fácil então acreditar que corresponderiam a 1150 dias.

Quem insistir que esta expressão corresponde a 2300 dias deveria ter a sabedoria de lembrar a regra bíblica básica, de que um único versículo não pode compor isoladamente a base de uma doutrina. Em nenhum outro lugar na Bíblia se encontra esta expressão “2300 dias” ainda mais significando “2300 anos”.

Além do mais a regra de que um dia em profecia corresponde a um ano é muito inconsistente. Números 14:34 e Ezequiel 4:6 são mais pretextos que textos sérios para uma interpretação desta.

Estes textos estão falando sobre a correspondência de tempo que os Israelitas iriam vagar pelo deserto. Leia e re-leia o contexto e veja que não tem nada de escatologia ali. Nada a ver com as profecias de Daniel.

Alem do mais existe vários lugares na Bíblia onde 1 dia corresponde a 1 dia e 1 ano corresponde a 1 ano. A Bíblia fala, por exemplo, que os filhos de Abraão seriam afligidos por 400 anos e que os Judeus ficariam cativos em Babilônia por 70 anos. Aqui 1 ano é igual a 1 ano. Dias são dias e anos são anos!

As “setenta semanas” em Daniel 9 não pode provar o principio dia-ano, porque a expressão na verdade é “setenta ´setes´” (Daniel 9:24). Sabemos que Daniel está falando acerca de “semanas de anos” e não “semanas de dias”, mas este conhecimento vem do contexto e não de uma única palavra!

d) A formula “UMA DIA POR UM ANO” nunca foi usada no Novo Testamento, tão pouco pela Igreja Cristã Primitiva. Ela foi primeiramente sugerida por um erudito judeu da idade média, e somente mais tarde adotada por alguns cristãos. Esta interpretação alcançou seu auge de aceitabilidade nos séculos dezoito e dezenove. (De acordo como Froom, o primeiro defensor do principio dia-ano foi o Judeu Benjamin Ben Moses Nahawendi (oitavo e novo séculos), que calculou os 2300 dias-anos a partir da destruição de Shiloh e chegou até  1358 como o ano Messiânico. Pelo menos 10 expositores Judeus adotaram este principio até o tempo dos períodos de Daniel. No ano de 1190 um católico chamado Joachim de Florim, tinha sido o primeiro cristão a utilizar este método de calculo profético).

e) Uma vez que o Novo Testamento repetidas vezes declara que Cristo voltaria logo, em breve, dentro de pouco tempo, como que os Cristãos poderiam entender que um dia em profecia representaria um ano. Se Cristo tivesse voltado no primeiro século, como os cristãos primitivos esperavam, o principio dia-ano não funcionaria.

f) Se provar que 1 dia corresponde a 1 anos já e dificílimo, o que dizer então de provar que 2300 sacrifícios correspondem a 2300 anos?

g) Mas a maior dificuldade ainda está por vir. Lendo atentamente Daniel 8:14 vemos que o texto sugere que devemos começar a contagem dos 2300 sacrifícios suspensos desde o tempo em que o desolador veio para o santuário e o contaminou. “Até quando?” A resposta: “Até 2300 tardes e manhãs... e o santuário será purificado”. A palavra hebraica aqui para “purificado” significa “justificado” ou “vindicado”. No contexto de Daniel 8:14, “purificação do santuário” significa limpá-lo, purificá-lo da ação poluidora, abominadora do desolador. (Ver Daniel 11:31).

Dizer que a idéia de purificar o Santuário em Daniel 8:14 significa purificá-lo dos pecados confessados dos santos é pra lá de absurda! Totalmente longe do contexto.

(O santuário foi contaminado não pelos pecados confessados dos santos, mas pelas ações malignas do do chifre pequeno. Mesmo se tentarmos buscar respaldo no Tabernáculo do Velho Testamento o que contaminava este Santuário não eram os pecados confessados dos santos, mas sim as quebras do velho concerto e os pecados não confessados).

h) DANIEL 9 X DANIEL 8 – Alguns ainda tentam ligar Daniel 8(2300 tardes e manhãs) com Daniel 9(Setenta Semanas). Vamos ao contexto: Daniel estava pesaroso, se sentindo muito mal porque não conseguia entender a visão narrada no capítulo 8 acerca da desolação, da contaminação do santuário. Ele então começa a fazer referencia a profecia de Jeremias acerca do período de 70 anos de desolação do santuário e da cidade de Jerusalém causadas pelos babilônicos. Ele sabe que o período dos 70 anos está chegando ao fim e ora pela breve restauração do santuário desolado. (Dan. 9:17).

Então, em resposta a oração de Daniel, o anjo Grabiel apresenta a profecia das “setenta semanas”, dos “setenta 'setes'”.

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão” (Daniel 9:24).

Este verso é uma maravilhosa profecia com várias grandes coisas.:

PRIMEIRO – Considerar o significado de setenta “setes”. A palavra é simplesmente SHABUA, que significa “um sete”; é um contexto que mostra que o está em Daniel 9 é ANOS. Este “setenta setes” obviamente não prova que um dia em profecia é igual a um ano;

SEGUNDO – Os “setenta setes” é claramente aplicado ao setenta anos do cativeiro babilônico. As promessas feitas aos profetas, especialmente em Isaias 40-66, permitiriam aos Judeus saber antecipadamente que setenta anos terminaria numa grande final escatológica para eles. Os profetas falavam da volta do êxodo da Babilônia em linguagem escatológica. Mas comparada às promessas glamorosas de Isaias, Jeremias e Ezequiel, o retorno de Babilônia seria em fato muito modesto. Pior ainda, o reino não fora restaurado, e os Judeus estavam ainda sob a opressão de poderes gentios. Daniel foi informado que a salvação escatologia teria cumprimento não no final dos setenta anos, como dito originalmente, mas no fim das setenta vezes sete anos.

TERCEIRO – A profecia declara que os “setenta setes” estavam decretados pra o seu povo. A palavra “decretada” vem do hebraico HATAH. Esta é a única vez que esta palavra é utilizada no Velho Testamento. Os tradutores concordam que ela significa “determinada” ou “decretada”. Em hebraico pode significar também “cortada”, que aqui teria o mesmo significado de “determinada”.

QUARTO – Nós, os adventistas tomamos esta palavra e dizemos que ela significa “cortada de” para dizer que as setenta semanas devem ser cortadas de alguma coisa. Então concluímos que só poderiam ser cortadas do período dos 2300 “dias”, Mas o significado primário da palavra é “determinada” ou “decretada”. Nunca no sentido de “cortada de” alguma coisa.

Mesmo assim se alguém insistir no significado de “cortado de” as 70 semanas ou 70 setes poderiam se cortados de qualquer coisa, menos dizer que as 70 semanas poderiam ser cortadas das 2300 tardes e manhãs.

Finalmente, a profecia nunca diz que as 70 semanas foram tiradas das 2300 tardes e manhãs. Se fosse assim, um fato tão vital ao entendimento desta profecia, certamente teria sido mencionado. Esta tese adventista é pura especulação. Fruto de muita imaginação mesmo…

Nós, adventistas, dizemos que as 70 semanas foram cortadas Do COMEÇO das 2300 tardes e manhãs: logo, dois períodos começam juntos. Mas o texto bíblico da um só desfecho para o final dos dois períodos. Daniel 8:14 diz que o santuário seria restaurado, purificado, reconsagrado. Daniel 9:24 diz que o santuário seria ungido.

QUINTO – A expressão “finalizar a transgressão” indica que Daniel 8:14 e Daniel 9:24 estão unidos num mesmo evento final. O hebraico não diz “findar a transgressão” (HAPESHA). O artigo definido “a” indica que esta passagem está se referindo a uma transgressão específica, aquela de Daniel 8:12-13. Ali, o chifre pequeno é chamado de o poder desolador que polui o santuário. Em outras palavras, finalizar a transgressão significa parar a obra do chifre pequeno, o desolador, aquele que macula o santuário, recuperando-se a rotina sagrada normal que são as ofertas queimadas das tardes e das manhãs. Assim, o santuário seria “purificado” (Daniel 8:14) ou “ungido” (Daniel 9:24) e os sacrifícios das tardes e manhãs restaurados.

SEXTO – Daniel 9 então divide as 70 semanas em 7 + 62 + 1. O período inteiro é dito começar desde o decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém. (Daniel 9:25).

Nós, adventistas tradicionalmente dizemos que este decreto foi o editado por Artaxerxes em 457 a. C. Na realidade, dois decretos precederam este de 457. O primeiro e mais importante foi editado por Ciro no ano de 536 a.C. Um segundo, foi editado por Dario cerca de 520 a.C., mas realmente era somente uma re-afirmação do decreto de Ciro. O decreto de Artaxerxes, em 457a.C. foi o mais insignificante deles todos.

Daniel 9:25 literalmente diz “desde a saída da ordem(DABAR) para restaurar e edificar Jerusalém”. É muito mais sensato pensar que esta ordem se refere a ordem divina dada aos profetas concernente a reconstrução de Jerusalém (Isaias 55:11 / Jeremias 25:11 / 29:10). A interpretação tradicional adventista neste ponto tende para duas conclusões difíceis de se sustentar: a) que a ORDEM significa o decreto de um rei persa. b) que este decreto foi dado por Artaxerxes e não Ciro. Entretanto, Artaxerxes NUNCA editou um decreto para reconstruir Jerusalém. Leia Esdras 7 e veja por si mesmo!

A cópia oficial da carta é encontrada em Esdras 7:11-26. Mas esta carta não tem nenhuma ordem para reconstruir coisa alguma. Alguém ainda poderia se referir a Esdras 4:7-23 onde é relatado ao rei Artaxerxes que os Judeus tinham finalizado os muros e reparado as fundações de Jerusalém (4:12). Que este seria um relatório em conseqüência, em resposta a um decreto anterior de Artaxerxes do ano 457 a.C.  Mas, isto é mera especulação! Não há evidencias, mas conjecturas! Outros fazem outra tentativa dizendo que o relatório que Neemias recebeu, trinta anos depois do Edito de Esdras sobre as ruínas de Jerusalém (Nem 1:13). Isto indicaria que o relato posterior de que a cidade fora reconstruída teria tido um decreto de Artaxerxes antes autorizando este fato histórico. Novamente especulações.

Uma nova tentativa é dizer que Esdras está dando graças a Deus pela recuperação de Jerusalém em    Esdras 9:9. O contexto, porém,  inteiro é espiritual e não tem nada a ver com os muros físicos.

Outra tentativa é citar Esdras 6:14 que se refere ao decreto de Ciro, Dario e Artaxerxes. Esdras teria considerado o terceiro decreto como a culminação dos três decretos. Na realidade este verso está falando sobre a conclusão do templo em 515 a.C, e não tem nada a ver com Artaxerxes. Estas teorias só pioram a situação. Elas valem zero. E quarto vezes zero é igual a zero. Não há nenhuma evidencia que em 457 a.C. houve um decreto de Artaxerxes mandando recontruir Jerusalem. É preciso muito imaginação para dizer que as 70 semanas começaram em 457 a.C ou que a contagem das 2300 tardes e manhãs também começaram neste mesmo ano!

SÉTIMO – A Bíblia cita apenas um rei envolvido na restauração de Jerusalém: Ciro. Leia Isaias 44:28 e 45:13 e confirme por si mesmo!

OITAVO – Daniel 9:27 diz: “…mas na metade da semana fará cessar o sacrificio e a oferta de cereais”. Nós, os adventistas, interpretamos que isto aconteceu na Cruz de Cristo no ano 31 a.D. Entretanto o contexto diz: “Sim, ele se engrandeceu até o príncipe do exército, dele tirou o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário lançou por terra”. Leia Daniel 8:11-13;  11:31 e 12;11. Lá o que está sendo dito é que o desolador iria substituir os sacrifícios sagrados das tardes e manhãs com um sacrilégio abominável. Todo o contexto está falando do DESOLADOR e não do MESSIAS.

Como é triste torcer o texto desta forma, tomando-o fora do seu contexto!

Desde o momento em que os sacrifícios das tardes e manhãs foram suspensas até o tempo em que elas são restauradas passam-se 3,5 anos ou sejam 2300 tardes e manhãs de sacrifícios. Os 1150 dias de Daniel 8:14, os 1260, os 1290 e os 1335 dias de Daniel 12:7-13 estão todas aproximadas pela mesma extensão de tempo e tudo se refere ao mesmo período geral. 

CONCLUSÃO: Se todos nós chegássemos à conclusão que a nossa velha Doutrina do Santuário está incompleta, ou inconsistente ou incoerente, sei lá.... Tudo isto nos levaria a criar grupos de estudos como aconteciam no passado e mergulharíamos de vez numa poderosa investigação bíblica para chegar a real VERDADE. Aceitar conservadoramente os conceitos TRADICIONAIS, nos deixam estagnados sem desejo de pesquisar, de buscar. Gera um comodismo sem frutos...

Este é o lado maléfico do conservadorismo. A estagnação espiritual. A falta de apetite em buscar NOVAS VERDADES, fato que a própria Sra White estimula e muito....

Que tal? -- Paulo Gomes


RESPOSTAS E COMENTÁRIOS DE JOSIEL LIMA:

As respostas aos questionamentos, nesta parte, serão divididas em três grupos: um composto da Parte introdutória; outro envolvendo as duas primeiras perguntas: Duas mil e trezentas tardes e manhãs como dias literais; depois, em função das duas primeiras e da terceira até a sexta pergunta: A escatologia e o princípio dia-ano; outro (envolvendo a pergunta sete): Quando serão, de fato, cancelados/riscados os nossos pecados; o grupo seguinte, envolvendo as perguntas nove e dez: Os pecados e o santuário; e por último (envolvendo as perguntas oito, e de onze a treze): O ano 458 a.c: marco inicial das profecias de Dan. 8:14 e 9:24-27.

O autor do referido artigo nos apresenta 24 perguntas e mais um comentário. Sendo que este serve apenas para demonstrar e/ou reforçar suas idéias e/ou argumentos que encontram por trás de cada pergunta. Em seus questionamentos percebe-se claramente que ele não está sozinho em sua maneira de pensar. Bastar os argumentos de Dirk Anderson, encontrado neste endereço: http://www.ellenwhite.org/port/ - A Página de Ellen G. White (O Dilema dos 2300 Dias. Refutação do livro de Clifford Goldstein 1844 Made Simple (1844 Simplificado). Traduzido para o português por Marta Martins Barrionovo. Por isso, no decorrer das respostas e comentários aqui apresentados, serão apresentadas também algumas refutações a alguns dos argumentos de Dirk Anderson. Citando-o, nominalmente.

No entanto, a posição do autor do artigo, no que diz respeito ao início e final das 2.300 tardes e manhã, não é clara. Não se sabe realmente o que ele defende; mas uma coisa é certa, ele é explicito quanto ao que não defende. Por isso, em função do que se percebe, por meio das perguntas e argumentos apresentados, é que ele, embora seja adventista, têm sérias dúvidas ou está procurando colocá-las em algumas pessoas, questionado a Doutrina do Santuário e em especial as 2.300 tardes e manhãs. Ele também sugere que deveríamos entender 2.300 sacrifícios, ou seja, 1.150 dias literais. Decorrente deste ponto de vista, portanto, é de fundamental importância entendermos não apenas o verso 13 (no que diz respeito à pergunta de um dos Santos), porque além de ser uma pergunta complexa, devemos lembrar que por meio da pergunta, ele, um dos Santos, refere-se aos acontecimentos descritos, diretamente nos versos 10-12. Entendendo isso, seremos capazes de entendermos a resposta (do outro Santo) no verso 14.

Como já disse, Paulo Gomes apresentou 24 perguntas, seguidas de um comentário, semelhante aos seus questionamentos. Pra que não haja confusão, às perguntas e os comentários apresentados por ele serão apresentadas primeiro, destacadas em cor marrom. Depois apresentarei argumentos e comentários contrários à posição que eledefende” ou a favor da posição que ele não defende

1) “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”. Note que o texto não diz que o santuário começaria a ser purificado após duas mil e trezentas tardes e manhãs e continuaria sendo purificado por um certo período de tempo. O texto diz que o santuário será purificado. Logo a purificação do santuário teria que “acontecer em 1844” e não “começar em 1844”. Como provar que a purificação do Santuário “COMEÇA” em 1844 quando Daniel 8:14 não fala nada sobre “COMEÇAR” e sim em ACONTECER?

Segundo o autor do artigo, o verbo (nitsedaq) deve ser interpretado não como “começar”; mas “acontecer”. No entanto, vale também lembrar, que a tradução correta não é: “purificado”; mas “justificado”.  Sendo assim, o mais importante aqui é diferenciar o Santuário ser purificado do Santuário a ser justificado. Mas de acordo com a própria palavra hebraica, entende-se perfeitamente que o Santuário seria justificado. Mas as perguntas são: qual santuário? Quando?

Após a segunda pergunta, prosseguiremos com os comentários relativos ao verso 14.

2) Respostas estão ligadas à perguntas. Perguntas estão ligadas à respostas. Daniel 8:13 faz uma pergunta: Até quando durará a visão do sacrifício continuo e da transgressão assoladora para que seja entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?” Resposta: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado.”  O que a Doutrina do Santuário tem a ver com isto?

Antes de qualquer coisa, como já fora dito, e é importante que lembremos que a pergunta feita por um dos Santos tem por base os acontecimentos descritos nos versos 10-12. Veja os versos abaixo:

Dan. 8:10: (Tradução do verso com destaque em negrito).

E cresceu em direção do exército do céu” (O Império Romano, com o general Pompeu, quando a Judéia tornou-se uma província romana; e com Júlio César quando confirmou Hircano como Sumo sacerdote e Antípatro no governo da Judéia.); e fez cair por terra do exército e das estrelas, e pisou”. (Através de Herodes, que foi nomeado rei da Judéia pelo Senado romano, com a ajuda de Marco Antônio e Otavio. Aquele teve o auxílio do exército romano para ser estabelecido como rei da Judéia. Matou quase todos os descendentes dos macabeus e mais da metade dos membros do Sinédrio).

Dan. 8:11: (Tradução do verso com destaque em negrito).

E até ao Príncipe do exército tornou-se grande (Pilatos que condenou o Messias, entregando-O para ser crucificado); “e depois de nosso Tāmîd (huraym [do verbo: rûm]) “ser arrebatado”, (ser exaltado, ser levantado; estar no alto; ser erguido; ser exaltado; ser tirado; etc.), então, foi  derrubado o alicerce do Seu Santuário” (a base – com a destruição da cidade e do Templo de Jerusalém -  após a morte, ressurreição e ascensão do Messias).

Dan. 8:12:

Então, o serviço no culto (exército; serviço compulsório; etc.) “foi estabelecido (posto, nomeado) “sobre (ao lado de, por cima de, junto, perto de, superior a, acima do; etc.) “o Tāmîd, ao rebelar-se”. (revoltar-se; transgredir; sublevar-se; pecar; ofender; etc.). “Então, jogou a verdade por terra e aprontou, e prosperou”. (Este verso aponta as investidas de Roma Papal contra a verdade em todos os sentidos. Com ênfase nestes dois pontos: a Lei [Dan. 7:25] e o Santuário [Apoc. 13:5-6], além das questões doutrinárias.

Dan. 8:13:

“E ouvi um santo que falava (me dabēr), e disse um santo para Aquele, o que falava (ha me dabēr): ‘Até quando a visão (chāzôn) do Tāmîd, e da rebelião devastadora, que se dará, e o Santuário e o exército pisados?’”.

Pelo que se percebe, não se pode separar a pergunta do verso 13, dos assuntos apresentados nos versos 10-12. E em função disso, que será fundamental, entendermos a fala (palavra, declaração, conversa, discurso; etc.) entre os dois Santos. (Confira a palavra Dābar [Dan. 8:13 e 9:23 e 25], nos Dicionários de Língua Hebraica). Porque ela é importantíssima para a compreensão das Setenta Semanas no contexto das 2.300 tardes e manhãs.

Entender a pergunta feita por um dos Santos, como foi dito, é fundamental para a correta interpretação da profecia das “2.300 tardes e manhãs”. No verso 13 temos cinco importantes detalhes. O primeiro detalhe é: “Até quando a visão (chāzôn) do Tāmîd”. Este detalhe envolve o tempodata (cronologia). E a resposta para ele detalhe está no verso 14. O segundo detalhe, está dentro do primeiro, é a própria: “visão (chāzôn)”. O terceiro detalhe, também, está dentro do primeiro, é o Tāmîd. O quarto detalhe é: “rebelião devastadora”. O quinto detalhe é duplo: “o Santuário e o exército pisados”. A resposta à pergunta feita no verso 13, e para todos esses detalhes, encontra-se no verso 14.

Portanto, não foi uma simples pergunta, direcionada apenas para um foco (evento). Foi uma pergunta complexa (composta), portanto contém vários focos (eventos) a serem analisados.

Quanto ao primeiro detalhe: por enquanto, podemos dizer: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs”. Este é o tempo. Esta é a cronologia.

No que diz respeito ao segundo detalhe, o que devemos saber em primeiro lugar, é diferenciar a palavra chāzôn da palavra mare’eh. As duas palavras hebraicas são traduzidas por uma única palavra da língua Portuguesa: visão. Em segundo lugar, devemos nos questionar se a pergunta referente à chāzôn tem apenas o objetivo cronológico, quanto ao seu pleno cumprimento, ou focaliza também o tempo de sua verdadeira interpretação?

Já o terceiro detalhe é a palavra hebraica Tāmîd. Esta palavra esta envolvida com quase tudo no Santuário. Até mesmo a nuvem de anjo sobre o Tabernáculo no deserto, era Tāmîd. (Leia o capítulo: O TĀMÎD E O SANTUÁRIO). Neste capítulo, foi relacionado, quase tudo que a Escritura Sagrada apresenta como Tamid. Portanto, quem traduz a palavra Tāmîd pela expressão “sacrifício contínuo” não esta sendo prudente. Porque sacrifício era apenas um dos serviços a que a palavra Tāmîd esta relacionada.

Quanto ao quarto detalhe, podemos dizer que ele é a causa do quinto detalhe. Porque foi a rebelião desoladora (Esta rebelião foi ocasionada pelos próprios judeus, tendo como conseqüência à destruição da cidade de Jerusalém e do Templo) que fez com que o Santuário e o exército fossem pisados no ano 68 a. D pra uns ou 70 a.D. pra outros. Por Tito e o exército romano. (Se alguém tiver interesse em saber mais alguns detalhes, leia o livro – on-line: As Visões do Profeta Daniel – a partir do capítulo: As Abominações Descritas em Eze. 22 [Obs: não precisará de senha]). Portanto, o quarto e o quinto detalhes estão relacionados. Estes dois detalhes também se relacionam com Dan. 9:27.

Depois de visto todos esses detalhes, agora podemos ter uma melhor compreensão, da resposta dada pelo outro Santo.

Dan. 8:14:

Então, disse, direcionando” (com referência a; em consideração a; no tocante a; etc.): “‘Até duas mil e trezentas tardes e manhãs (we nitsedaq qōdesh - e será justificado o Santuário)”.

Percebe-se então, que o outro Santo não se preocupou em detalhar a sua resposta ou apontar com exclusividade a um dos detalhes apresentados acima. A resposta foi apresentada de maneira global, envolvendo todos os cinco detalhes; contudo, com uma forte ênfase ao “Santuário e exército pisados”.

A pergunta é: que Santuário e que exército é este que foram pisados?

Devemos entender que “pisado” e “contaminado” (tornado impuro) são palavras totalmente diferentes em seus significados.

Antecipando um comentário feito na pergunta 06 (seis), é bom ser explicitado uma das razões de está escrito: “tardes e manhãs” e não dias “yamim”. Há certos ensinamentos na Escritura Sagrada que não foram escritos para qualquer pessoa entender (Dan. 12:10).

Muitos se purificarão, e se embranquecerão, e serão acrisolados; mas os ímpios procederão impiamente; e nenhum deles entenderá; mas os sábios entenderão”.

E o próprio Messias também relatou em Mateus 13:34 e 10-13.

Todas estas coisas falou Jesus às multidões por parábolas, e sem parábolas nada lhes falava”. “E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem”.

Embora os versos 10-14 não sejam uma parábola, eles certamente estão cheios de símbolos e a expressão “tarde e manhã” (verso 14) sem dúvida é equivale à palavra “yôm” dia (Gen. 1:5, 8, 13, 19, 23 e 31).

DUAS MIL E TREZENTAS TARDES E MANHÃS COMO DIAS LITERAIS

Caso alguém queira interpretar as 2.300 tardes e manhãs como dias literais ou mesmo como sendo 1.150 dias, ainda restaria definir com exatidão, quando foi o seu início e final. Sendo tão difícil apontar o início dos dias literais, para referida profecia, geralmente as pessoas que estudam as profecias recorrem ao período de Antíoco IV (Epifânio). Por isso, quanto a literalidade dessa profecia, será abordado apenas o período de profanação do Templo, na época deste rei da Síria. Então saberemos se ele se encaixa perfeita e literalmente na profecia como a ponta pequena de Dan. 8:9.

Os comentários apresentados abaixo foram feitos em oposição aos argumentos apresentados por Dirk Anderson (A Página de Ellen G. White).

Dirk Anderson afirma que a profecia das 2.300 tardes e manhãs se encaixa perfeitamente com Antíoco Epifânio. Contudo o verso 14 diz: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e será justificado o Santuário”. No entanto, ser justificado é diferente de ser purificado. E totalmente diferente de outra declaração dele: “2.300 sacrifícios da tarde e manhã seriam suspensos enquanto o santuário era profanado”.

Semelhante a Dirk Anderson, Paulo Gomes se apóia no verso, dizendo que nele não tem a palavra “dia”. Da mesma forma, o verso também não traz a palavra “sacrifício”. Esta eles usam para defender 2.300 sacrifícios o que pode também ser considerado 2.300 dias ou 1.150 dias. Mas como veremos, isso não é verdade.

Ele usa o calendário judaico de 360 dias, para calcular as 2.300 tardes e manhãs literais. O que equivale a seis anos (2.160 dias) quatro meses (120 dias) e vinte dias (20 dias).

O grave, porém, é o que Dirk Anderson declara: “Este período de tempo começou no dia quinze do mês de Cisleu, no ano 145 dos selêucidas, no qual Antíoco estabeleceu a Abominação Desoladora no altar de Deus”.

Mais uma vez é importante que lembremos dos versos de Dan. 13-14 que declaram:

“E ouvi um santo que falava (me dabēr), e disse um santo para Aquele, o que falava (ha me dabēr): ‘Até quando a visão (chāzôn) do Tāmîd, e da rebelião devastadora, que se dará, e o Santuário e o exército pisados?’”.

Então, disse, direcionando” (com referência a; em consideração a; no tocante a; etc.): “‘Até duas mil e trezentas tardes e manhãs (we nitsedaq qōdesh - e será justificado o Santuário)”.

Se levarmos em conta a pergunta feita, em função dos versos 10-12, a “rebelião devastadora” começa após ser exaltado/retirado “o Tamîd”, e conclui-se com o “Santuário” e “exército” “pisados”. Os versos anteriores fundamentam a pergunta, apresentando detalhes indispensáveis á sua compreensão. Por isso, o verso seguinte não menciona apenas a justificação do Santuário. Contudo têm forte ênfase no Santuário. Pois é em relação a ele que se declara: “Será justificado”.

A preposição, ‘ad, que foi traduzida por “até”, com a outra (que às vezes funciona como conjunção) que lhe antecede (ילא) ’elay, que direciona a resposta ao Santuário, determinam que o período – 2.300 tardes e manhãs – chegaria ao fim. A primeira tem “sentido espacial e temporal, entre outros”. Quanto a segunda, ela “basicamente introduz o termo de um movimento...  Se o movimento é real, pode introduzir a direção, aproximação, chegada ou o resultado. ...”. – (SCHÖKEL, Luis Alonso. DICIONÁRIO BÍBLICO HEBRAICO PORTUGUES. 1ª ed. São Paulo – SP, PAULUS, 1997. pp. 478 e 53.).

De acordo com essa citação, entendemos perfeitamente que as 2.300 tarde e manhã chegariam ou teriam o seu final, para que então o Santuário fosse justificado ou mesmo começasse a ser justificado. Portanto, o período deveria ser concluído.

Mas o que caracteriza a Justificação do Santuário?  Veja a citação abaixo:

A concordância de Strong declara que um dos significados de tsadaq épurificar’”. Sem discordar desta concordância, perceba que á apenas um dos significados. Além do mais, como já vimos a palavra Tāmîd não pode ser entendida como “sacrifício continuo”. Talvez este seja o motivo de terem dado um significado a palavra tdadaq como sendo purificar.

Na mesma página, perceba o que foi dito sobre a palavra tsadaq:

“O Dr. Hasel explica que o radical da palavra tsadaq é freqüentemente usado no Antigo Testamento no contexto de um tribunal. A palavra aqui foi traduzida como ‘justificar’, ou ‘vindicar’, freqüentemente se referindo a pessoas. Vários derivados do radical tsadaq foram usados no contexto de tribunais e procedimentos jurídicos. Por esta razão, Hasel especula que Daniel ‘escolheu o termo nisdaq [voz passiva de tsadaq] – uma palavra rica em conotações e amplamente usada em cenas de julgamento e procedimentos legais – para comunicar mais eficazmente os aspectos interrelacionados da ‘purificação’ do santuário celestial no cenário cósmico do juízo final’ – Daniel and revelation Committee, vol. 2, págs. 453 e 454”. – (GOLDSTEIN, Clifford. 1844 – Uma Explicação Simples das principais profecias de Daniel. 1ª ed. Tatuí - São Paulo Casa Publicadora Brasileira, 1998. p. 77.) - [Grifos acrescentados].

No parágrafo seguinte comentando o que fora citado acima, Clifford GOLDSTEIN diz: “Em outras palavras, ele usou essa palavra especialmente para expressar a idéia de um julgamento. Assim como a purificação do santuário”. – (Ibidem.). O que podemos entender que literalmente o profeta referia-se a justificação do santuário e não a sua purificação. Contudo, esta foi a posição tomada por ele, na seguinte afirmação: “... Será purificado é a melhor tradução de tsadaq, que tem fortes laços com taher em Levítico 16”. – (Ibidem.).

Infelizmente este autor e outros não levaram em conta que no capítulo 07 (sete) o profeta teve uma visão que apresenta claramente um contexto de TribunalJuízo (Dan. 7:9-10). Ainda mais, em relação a este contexto de Tribunal que liga os capítulos 07 (sete) e 08 (oito), podemos citar Apoc. 11:15: “O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos”.

Por que será que o reino do mundo passou a YHWH e ao Messias? Se entendermos que Eles passaram a julgar o reino do mundo, conforme relatos em Dan. 7:9-10, 26-27, também entenderemos o significado de passaram a reinar? O salmista Davi declara: “Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares”.

Portanto, a melhor tradução da palavra nisdaq em Daniel 8:14 é: Justificado e não purificado.

Dirk Anderson declara, como já vimos, que “Este período de tempo começou no dia quinze do mês de Cisleu, no ano 145 dos selêucidas, no qual Antíoco estabeleceu a Abominação Desoladora no altar de Deus”. “No quinto e vigésimo dia do mês faziam sacrifícios sobre o altar do ídolo, que estava sobre o altar de Deus (I Macabeus 1:59)”.

A profecia, nesses dois versos (Dan. 8:13-14), em nenhum momento menciona o início das 2.300 tardes e manhãs. No entanto, declara explicitamente o seu final.

Agora, voltemos ao que foi dito por Dirk Anderson.

Ele se esqueceu de computar 02 (dois) anos. Porque o livro de Primeiro Macabeus declara:

Tendo assim vencido o Egito no ano cento e quarenta e três e empreendendo o caminho de volta, subiu contra Israel e contra Jerusalém com um exército numeroso.

Entrando com arrogância no Santuário, apoderou-se do altar de ouro, do candelabro com todos os seus acessórios, da mesa da proposição, das vasilhas para as libações, das taças, dos incensórios de ouro, do véu, das coroas, da decoração de ouro sobre a fachada do Templo: tudo ele despojou. Tomou, além disso, a prata, o ouro, os utensílios preciosos e os tesouros secretos que conseguiu descobrir. Carregando tudo isso, partiu para o seu país, depois de ter derramado muito sangue e proferido palavras de extrema arrogância”. (1Macabeus 1:20-24 - BJ).

Logo abaixo, continua, com um relato impressionante:

Dois anos depois, o rei enviou para as cidades de Judá o Misarca, que veio a Jerusalém com um grande exército”. (1Macabeus 1:29 - BJ).

Passados dois anos o Santuário ainda estava contaminado pelos atos de Antíoco Epifânio.

Não contente com isso, ele teve a ousadia de penetrar no templo mais santo de toda a terra, tendo por guia a Menelau, o qual se fizera traidor das leis e da pátria. Com as suas mãos imundas tocou nos vasos sagrados; e as oferendas dos outros reis, ali depositadas para incremento, glória e honra do Lugar, arrebatou-as com suas mãos profanas”. (2Macabeus 5:15-16 – BJ).

“Foi por isso que o Lugar, havendo participado nas desgraças acontecidas ao povo, tomou parte depois em suas venturas. E, abandonado enquanto durou a cólera do Todo-Poderoso, novamente, pela reconciliação do grande Soberano, foi restaurado em toda a sua glória”. (2Macabeus 5:20 – BJ).

Esse abandono durou até a libertação e purificação realizada, conforme o relato de 1Macabeus 4:52-61. Eles não realizaram a purificação, em primeiro lugar, porque o sumo sacerdote não era digno para realizá-la. Porque o principal objetivo dele e de Jasão que o antecedera, era helenizar os judeus e acabar com as tradições e a Lei judaica. Além do mais o texto diz: “A seguir, tendo recebido os mandamentos reais, tornou a aparecer, mas sem trazer coisa alguma que fosse digna do sumo sacerdócio. Ao contrário, tinha em si os furores de tirano e cruel e as sanhas de animal selvagem”. (2Macabeus 4:25 – BJ).

Em segundo lugar, eles não iriam colocar nem ouro nem prata, nem bronze no Templo, para construir as peças, porque o sumo sacerdote, antes de Antíoco Epifânio, foi o primeiro a roubar o ouro do Templo. Isso se tornou público. Para completar, foi ele quem serviu de guia a Antíoco, quando este saqueou o Templo.

Menelau, então, convencido de estar colhendo a ocasião propícia, subtraiu alguns objetos de ouro do Templo e os deu de presente a Andrônico, além de conseguir vender outros em Tiro e nas cidades vizinhas. Tendo tomado conhecimento seguro desses fatos, Onias, já refugiado no recinto inviolável de Dafne, situada perto de Antioquia, manifestou-lhe sua desaprovação”. (2Macabeus 4:32-33 – BJ).

“Quanto a Antíoco, depois de ter subtraído ao Templo mil e oitocentos talentos, às pressas partiu para Antioquia. Ele imaginava no seu orgulho, por causa da exaltação meteórica do seu coração, poder tornar navegável a terra firme e transitável o oceano! Entretanto, incumbidos de fazer mal ao povo, deixou superintendentes: em Jerusalém, Filipe, frígio de raça, de índole mais bárbara ainda que aquele que o nomeara; e, ao pé de Garizim, Andrônico. Além desses, porém, deixou Menelau, o qual dominava sobre os seus concidadãos de modo ainda mais atroz que os outros.

- Nutrindo para com os súditos judeus uma disposição de ânimo profundamente hostil”. (2Macabeus 5:21-23 – BJ).

Comentando sobre os fatos ocorridos, durante o período que Antíoco governou,  um escritor declarou o seguinte:

“Em 175 a. C., o movimento judeu de reforma encontrou um aliado entusiasta mas perigoso no novo monarca selêucida, Antíoco Epifanes. Ele ansiava por apressar a helenização de seus domínios como coisa de política geral, mas também porque ele julgava que aquilo levantaria a receita dos impostos – e ele carecia cronicamente de dinheiro para as suas guerras. Apoiou inteiramente os reformadores e substituiu o sumo sacerdote ortodoxo Onias III por Jasão, cujo nome, uma helenização de Josué, denunciava seu partido. Jasão começou a transformação de Jerusalém numa polis, reapelidada Antioquia, construindo um ginásio ao pé do Monte do Templo. O Segundo Livro dos Macabeus relata com fúria que os sacerdotes do Templo, ‘perdendo o zelo pelas funções do altar, desprezando o templo, descuidados dos sacrifícios, corriam aos  exercícios da palestra’. A fase seguinte foi o desvio dos fundos do templo dos sacrifícios, intermináveis e caros, para custear atividades da polis tais como jogos internacionais e competições dramáticas. O sumo sacerdote controlava os fundos públicos, já que os impostos lhe eram pagos, e das suas mãos iam para as mãos dos cobradores de impostos (todos eram relacionados pelo casamento), e o Tesouro do Templo atuava assim como um banco estatal de depósito para a população. O que tentava Antíoco era pressionar seus aliados helenizantes que controlavam o Templo para ceder mais e mais dinheiro necessário à construção de trirremos e máquinas de guerra; e ele cedeu a essa tentação. Assim os reformadores se identificaram não apenas com o poder ocupante mas com impostos opressivos. Em 171 a. C., Antíoco julgou necessário substituir Jasão como sumo sacerdote pelo ainda mais pró-grego Menelau, e reformou o poder grego em Jerusalém construindo uma fortaleza-acrópole que dominava o Templo.

Em 167, o conflito chegou a um auge com a publicação de um decreto que, na realidade, abolia a lei mosaica tal como era, substituindo-a por lei secular, e rebaixando o Templo a um lugar ecumênico de adoração. ...”. (JOHNSON Paul. História dos JUDEUS. 2ª ed. Rio de Janeiro - RJ, Imago Editora Ltda, 1995. pp.111-113.). 

Portanto, no ano 169 a.C., o Santuário já havia sido profanado. E tudo o que estava relacionado ao Tāmîd, no Santuário, havia sido tirado ou profanado, inclusive o sumo sacerdote. Já, dois anos depois, em 167, Antíoco “... fez construir, sobre o altar dos holocaustos, a Abominação da desolação. ...”. (1Macabeus 1:54 – BJ). Depois, ele proibiu o uso da Torah e da guarda do sábado, que também estão relacionados com o Tāmîd. Porque, além dos “holocaustos Tāmîd”, também havia os holocaustos específicos para o dia de sábado, bem como era no dia de sábado que era realizada a troca dos pães da proposição. Pães Tāmîd.

Dirk Anderson declara que: “Finalmente, o período de 2300 dias terminou com sua vitória sobre Nicanor, no dia 13 do mês de Adar, ano 151”.

Este ano 151 a que ele se refere, é conforme o ano dos selêucidas. Portanto, está em ordem crescente.

Ele tem por base o décimo quinto dia do mês de Casleu do ano cento e quarenta e cinco. Não o ano 143, quando foram roubados todos os objetos do Santuário, que estão vinculados ao Tāmîd.

Antes de serem feitos os cálculos que envolvem essas datas e a Justificação do Santuário, será apresentado o que realmente envolve este dia “13 do mês de Adar”. (1Macabeus 7:43 – BJ).

Depois dessas ocorrências, Nicanor subiu ao monte Sião. Alguns dos sacerdotes e dos anciãos do povo saíram do lugar santo para saudá-lo amigavelmente e mostrar-lhe o holocausto que se oferecia pelo rei. Mas ele, escarnecendo deles e ridicularizando-os, profanou-o e prorrompeu em palavras insolentes, fazendo ainda, cheio de cólera, este juramento: ‘Se Judas e seu exército não me forem entregues às mãos imediatamente, asseguro que, ao voltar vitorioso, incendiarei esta Casa!’ E saiu dali com grande fúria. Então os sacerdotes entraram e, pondo-se de pé ante o altar e o Templo, chorando, disseram: ‘Foste tu que escolheste esta Casa para que sobre ela fosse invocado o teu nome, a fim de que fosse casa de oração e de súplica para o teu povo. Realiza, pois, tua vingança contra este homem e seu exército, e que pereçam a espada. Lembra-te de suas blasfêmias e não lhes concedas repouso”. (1Macabeus 7:33-38 – BJ).

Para a palavra “profanou”, A Bíblia de Jerusalém traz em nota de rodapé, o seguinte: “Cuspindo na direção do templo, segundo a tradição judaica”. (p. 809). Isso, indica, portanto, que não é a Justificação, que se refere Dan. 8:14.

O momento em que Judas Macabeu e seus irmãos resolveram purificar o altar de holocaustos e o Santuário, está registrado:

Então Judas e seus irmãos disseram: ‘Nossos inimigos estão destroçados. Subamos agora para purificarmos o lugar santo e celebrarmos a sua dedicação.Todo o exército se reuniu e subiram ao monte Sião. Contemplaram o Santuário desolado, o altar profanado, as portas incendiadas, os arbustos crescendo nos átrios como se num bosque ou sobre uma montanha, e os aposentos destruídos. E, rasgando as vestes, fizeram grande lamentação. Cobriram-se de cinza, caíram com a face por terra e, tocando as trombetas para dar os sinais, elevaram clamores ao céu.

Entrementes, Judas ordenou a alguns homens que ficassem atacando os que estavam na Cidadela, até que ele completasse a purificação do santuário. A seguir escolheu sacerdotes sem mácula, observantes da Lei, os quais purificaram o lugar santo e removeram para lugar impuro as pedras da contaminação.

Deliberaram também sobre o que deviam fazer do altar dos holocaustos que havia sido profanado, e ocorreu-lhes a boa inspiração de o demolirem, a fim de que não se tornasse para eles motivo de desonra o fato de os gentios o terem contaminado. Demoliram-no, pois, e puseram as pedras no monte da Morada, em lugar conveniente, à espera de que viesse algum profeta e se pronunciasse a esse respeito. Tomaram então pedras intactas, segundo a prescrição da Lei, e construíram um altar novo sobre o modelo do precedente. Restauraram o lugar santo e o interior da Morada e santificaram os átrios. Fabricaram novos utensílios sagrados e levaram para dentro do templo o candelabro, o altar dos perfumes e a mesa. Queimaram incenso sobre o altar e acenderam as lâmpadas do candelabro, as quais voltaram a brilhar no interior do templo. Puseram, ainda, os pães sobre a mesa, suspenderam as cortinas e chegaram, assim, ao termo de todos os trabalhos empreendidos.

No dia vinte e cinco do nono mês – chamado Casleu – do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. ...”. (1Macabeus 4:36-52 – BJ).

Os utensílios citados são os que foram relacionados no Primeiro Livro de Macabeus (1Macabeus 1:21-24 – BJ). Por isso, eles tiveram que fabricar novos utensílios sagrados para o Santuário.

Quanto ao 13º (décimo terceiro) dia de Adar,  do ano selêucida de 151, veremos mais alguns detalhes. Continuando o relato que se iniciou no verso 33 (trinta e três) do mesmo capítulo.

Deixando Jerusalém, Nicanor foi acampar em Bet-Horon, onde o alcançou um exército da Síria. Judas, por seu turno, acampou em Adasa com três mil homens. E ali fez esta oração: ‘Quando os mensageiros do rei blasfemaram, teu anjo interveio e feriu cento e oitenta e cinco mil dos seus homens. Da mesma forma esmaga hoje este exército diante de nós, a fim de que os outros saibam que ele falou impiamente contra o teu lugar santo, e julga-o segundo a sua maldade!’

Os dois exércitos travaram batalha no décimo terceiro dia do mês de Adar. O de Nicanor foi desbaratado e ele mesmo caiu por primeiro na refrega. Vendo suas tropas que ele tinha tombado, abandonaram as armas e deitaram a fugir. Os vencedores perseguiram-nos um dia de caminho, desde Adasa até aos arredores de Gazara, fazendo soar atrás deles as trombetas de alarme. Então saiu gente de todas as aldeias circunvizinhas da Judéia para lhes impedirem a fuga, de modo que eles se voltavam uns contra os outros. Assim caíram todos ao fio de espada, não escapando um deles sequer. Recolhidos os despojos e o saque, deceparam a cabeça de Nicanor e sua mão direita, a mão que ele tinha levantado insolentemente, e as levaram e expuseram à vista de Jerusalém. O povo regozijou-se sobremaneira e celebrou aquele dia como um grande dia de jubilo. E decidiram celebrar anualmente essa data, no décimo terceiro dia do mês de Adar. Assim, por uns poucos dias, a terra de Judá gozou de repouso”. (1Macabeus 7:39-50 – BJ).

Diante disso, portanto, podemos dizer com certeza que essa data, nada tem a ver com a Justificação do Santuário, conforme predita em Dan.8:14. E os detalhes do seu contexto imediato (Dan. 8:10-13).

Agora, vamos fazer os cálculos, a partir da data que ele tem por base, para chegarmos aonde ele afirma que terminou a purificação do Santuário.

Segundo Dirk Anderson, o início é “No décimo quinto dia do mês de Casleu do ano cento e quarenta e cinco”, conforme 1Macabeus 1:54. E o final é “No décimo terceiro dia do mês de Adar”, conforme 1Macabeus 7:43 e 49 – BJ. O qual corresponde ao ano cento e cinqüenta e um. Portanto, nessa contagem, ele não leva em conta a data da purificação, conforme é declarada. “No dia vinte e cinco do nono mês – chamado Casleu – do ano cento e quarenta e oito”. (1Macabeus 4:52 – BJ).

O mês de Adar corresponde aos nossos meses de fevereiro/março. Porque abrange, o começo, o nosso mês de fevereiro e o final, abrande o mês de março.

Do dia 15 do mês de Casleu do ano 145, até o dia 15 do mês de Casleu do ano 151, temos 06 (seis) anos. O que corresponde a 2.160 (duas mil cento e sessenta) tardes e manhãs literais.

Depois do mês de Casleu (novembro/dezembro), temos o mês de Tebete (dezembro/janeiro), o mês de Sebate (janeiro/fevereiro) e o mês de Adar (fevereiro/março).

De 15 de Casleu, até 15 de Tebete, 30 dias.

De 15 de Tebete, até 15 de Sebate, 30 dias.

De 15 de Sebate, até 13 de Adar, 28 dias.

Se começarmos a contar, a partir do ano 143 e concluirmos no dia 25 de Casleu do ano 148, não chegaríamos ao total de 2.300 tardes e manhãs; se começarmos, a partir do ano 143 e concluirmos no dia 13 de Adar do ano 151, teríamos praticamente (contando-se apenas um mês do ano cento e quarenta e três), no mínimo mais 370 (trezentos e setenta) tardes e manhãs. Ultrapassando o tempo especificado de 2.300 tardes e manhãs.

Do dia 15 do mês de Casleu do ano 151, até o dia 13 do mês de Adar, temos quase 03 (três) meses. Na realidade, temo 88 (oitenta e oito) dias. O que nos dá um total de 2.160 dias + 88 dias = 2.248 dias. Faltando 52 dias para completar as 2.300 tardes e manhãs. Portanto, essa contagem não satisfaz a literalidade da profecia, em função de dias literais. Nem como 2.300 tardes e manhãs (dias) e muito menos como 1.150 dias.

 

Dirk Anderson: “Os adventistas afirmam que fazer com que os acontecimentos nos dias de Antíoco se ajustem à cronologia da profecia requer manipulação”.

Eu não diria uma manipulação, o que também pode ser uma verdade por parte de alguns, mas o não conhecimento pleno de tudo o que envolve este assunto – A Justificação do Santuário. A interpretação de Dan. 8:13-14 - defendida pela IASD - também não é coerente em alguns aspectos. Isto, depois, será demonstrado. No entanto, é a interpretação que chega mais próxima da verdade. Portanto a cronologia que envolve tanto Roma pagã quanto Roma Papal é a cronologia perfeita.

A profecia das 2.300 tardes e manhãs, como pode ser percebida, em termos de cronologia, literalmente, não se encaixa em nada com Antíoco Epifânio, no que diz respeito ao pleno cumprimento dela nos dias dele. Contudo, é impossível que esse rei, de alguma forma não esteja inserido nessa profecia de alcance tão amplo, segundo a interpretação dia-ano, que é defendida pela IASD. Isso pode ser comprovado por meio do capítulo onze do livro do profeta Daniel (Dan. 11:14-20), mas principalmente o verso 20. Este verso, explicitamente, relata um dos feitos de Antíoco Epifãnio, em relação à Jerusalém.

Além do mais Antíoco Epifânio não preenche os requisitos básicos de Dan. 8:9. Por outro lado, também, podemos adiantar que nem Roma Papal preenche tais requisitos. O verso diz:

Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa”.

Sem precisar analisar os detalhes gramaticais do verso, podemos analisa-lo em função da História e da Geografia. Quanto à Geografia o verso aponta a seqüência em que a “ponta pequena” “cresceu muito”. Quanto as principais nações envolvidas na profecia, podemos dizer que: ao Sul da Síria, capital do reino de Antíoco Epifânio, localiza-se Israel (Jerusalém). E mais ao Sudoeste, encontra-se o Egito. Ao Oriente, encontra-se Babilônia. Ao Ocidente a Ásia Menor, a Grécia e Roma. Segundo o costume que se traduz o mesmo verso, “a terra formosa” indica Jerusalém.

A seqüência das tentativas de conquistas de Antíoco não é a mesma apontada pelo verso acima. Primeiro ele tentou conquistar o Egito, mas antes de efetivar sua conquista foi expulso de lá pelos romanos. O Egito é identificado como sendo o rei do Sul segundo é descrito em Dan. 11. Antioco não conquistou o Egito, portanto não cresceu para o Sul. Segundo, ao voltar revoltado, por causa de sua expulsão do Egito, ele resolve vingar-se contra os judeus, principalmente violando o Templo e saqueando-o. De acordo com a seqüência apontada pelo verso, Jerusalém e o Templo seriam o último estágio das conquistas da ponta pequena. Por último, na busca desesperada de conseguir meios para manter seu exército de mercenários, Antíoco desloca-se para o Oriente, na tentativa de saquear alguns templos, naquela região. No entanto, ele vai e não volta. Morreu por lá mesmo.

Então, segundo a História, o único lugar, que efetivamente Antíoco dominou, foi sobre Israel (Jerusalém), o que se traduz por “terra formosa”. [Leia também, sobre a ‘ponta pequena” e Antíoco Epifânio, os seguintes capítulos do livro: As Visões do Profeta Daniel – on-line: DANIEL CAPÍTULO OITO (SEGUNDA PARTE) e DANIEL CAPÍTULO ONZE (SEGUNDA PARTE)].

Quanto a Roma Papal, apenas em Dan. 8:12 é que podemos situa-la na profecia. Portanto, ela também não cumpre os requisitos apresentados nas seqüências acima mencionadas. [Leia: DANIEL CAPÍTULO OITO (TERCEIRA PARTE)].

 

A ESCATOLOGIA E O PRINCÍPIO DIA-ANO

Como as perguntas 03 (três) às 06 (seis) estão ligadas, a seguir será apresentado um comentário geral e depois elas serão respondidas individualmente.

Dirk Anderson, em seus comentários declarou:

“Os adventistas aplicam o princípio de ‘dia por ano’ a Daniel 8:14, afirmando que os 2300 dias, equivalem a 2300 anos”.

Embora ele não creia ou não aceite, essa é interpretação verdadeira. Porque dentre todas é a que tem lógica e coerência. Ele continuou dizendo:

“Contudo, as palavras hebraicas para ‘dia’ (yowm e yamim) não aparecem no versículo. As palavras traduzidas como ‘dias’ (ereb boqer) significam literalmente ‘tardes e manhãs’. Tendo em consideração que o contexto do versículo mesmo fala do costumado sacrifício no templo, que tinha lugar cada manhã e cada tarde, a única conclusão razoável é de que este versículo está falando do sacrifício diário do templo.”

Infelizmente, como já falamos, as pessoas tentam inserir a palavra sacrifício onde não existe. Leia o capítulo em referência sobre o Tāmîd e você perceberá que não era apenas os sacrifícios da manhã e da tarde que eram Tāmîd. Portanto, essa profecia não está simplesmente falando desses sacrifícios. A palavra Tāmîd é muito mais abrangente e a profecia de alcance mais amplo que simplesmente 1.150 dias literais.

Por outro lado, em sua afirmação acima, não posso concordar com ele no que diz respeito à interpretação das palavras “tardes e manhãs” como sendo um dia literal e profeticamente um ano. Pois da mesma maneira que não aparecem, literalmente, no verso 14, nenhuma das duas palavras “yowm e yamim”, nele, também não aparece o vocábulo “o”. É esta palavra que é traduzida por holocausto ou sacrifício. Simplesmente, como já foi dito, o vocábulo Tāmîd está referindo-se a muitas coisas relacionada ao Santuário, não apenas aos holocaustos da manhã e da tarde. Quase tudo no santuário e no seu serviço que estava vinculado ao Tāmîd, era um Tipo do Messias. No entanto, as palavras “tardes e manhãs” têm uma referência fundamentada na Escritura Sagrada e não por dedução/inferência. Porque segundo o capítulo primeiro de Gênesis – as palavras “tardes e manhãs” correspondem a um dia de 24 horas.

Portanto, o argumento de não está explicito o vocábulo dia, não suporta um estudo profundo da Escritura. Tarde e manhã é uma expressão bastante clara no primeiro capítulo da Escritura Sagrada. E como bem afirmou o apóstolo Pedro em sua segunda carta, a Escritura interpreta-se a si mesma (2pedro 1:20), “porque nenhuma profecia é de particular interpretação”. Tem que haver um está escrito ou um texto paralelo que diga a mesma coisa e não uma suposição acrescentando palavras onde não há. Por isso, devemos sempre ter em mente estas passagens Bíblicas além da que foi citada acima: Deut. 4:2; Prov. 30:5-6; Mat. 4:4 [Luc. 4:4] e 5:17-18; 1Cor. 4:6.

Em Gên. 1:5, “Chamou Elohym, à luz, dia e às trevas, noite”.

“E houve tarde e houve manhã, dia um”. Gên. 1:5;  “E houve tarde e houve manhã, dia segundo” Gên 1:8; “E houve tarde e houve manhã, dia terceiro” Gên 1:13; “E houve tarde e houve manhã, dia quarto” Gên. 1:19; “E houve tarde e houve manhã, dia quinto” Gên. 1:23; “E houve tarde e houve manhã, dia sexto” Gên. 1:31.

Em Gên. 1:14, diz:

E disse Elohym: “Estejam luminares no firmamento do céu, para fazerem o intervalo do dia e intervalo da noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos”.

Intervalo do yôm e da layelâ ou “para fazerem separação entre o dia e a noite”.

Nesse verso, encontramos algumas das finalidades dos “luminares” (do da sol, lua, bem como, também, das estrelas Gên. 1:16) “no firmamento do céu”.

Primeira: Eles fazem separação (estabelecem intervalo) entre o dia (yôm) e a noite (laye) ou o intervalo do dia e da noite. Este yôm, tanto corresponde a um período de 12 horas, a parte clara do dia (yôm), como o Messias declarou: “Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo”. (João 11:9 - AVR). Tanto quanto a um período de 24 horas. Porque uma “tarde e manhã” correspondem a um “yôm”. No que diz respeito à noite, o Messias, também declarou: “Mas se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz”. (João 11:10 - AVR). Teologicamente falando, esses versos, também, estão referindo-se ao próprio Messias e ao príncipe das trevas. Contudo, percebemos claramente que Ele ratificou, a existência de dois grandes intervalos de tempo. O primeiro: chamado de ‘ereb (fim da tarde, noite.). O segundo: denominado boqer (manhã; romper do dia, madrugada.). 

ereb:

“Tarde, entardecer, crepúsculo, arrebol, anoitecer, lusco-fusco, véspera. Correl. boqer manhã, amanhecer”. (SCHÖKEL, Luis Alonso. DICIONÁRIO BÍBLICO HEBRAICO PORTUGUES. 1ª ed. São Paulo – SP, PAULUS, 1997. p. 515.).

boqer:

“Como extremo (1) designa o começo do dia yôm, em correlação com ‘ereb que designa começo da noite laye”. (Ibidem. p. 114.).

Em Gên. 7:12, diz: “Quarenta dias e quarenta noites”. Quando ocorreu o dilúvio, a palavra para dias é yôm. E o vocábulo noites é laye. O que poderia ser: boqer e ‘ereb. Porque um yôm é a composição de: boqer e ‘ereb.

Quando Moisés descreve a semana da criação, afirmando que houve “tarde e manhã” em cada um dos dias da semana ele não estava referindo-se apenas a um dos hemisférios do nosso Planeta Terra. Ele estava visualizando tanto o hemisfério Leste quanto o Oeste. Sendo assim, podemos entender que o momento apropriado para que houvesse tarde em um hemisfério e manhã no outro é provavelmente por volta das 05 (cinco) horas da manhã em um hemisfério – entendemos que seja o Leste; e entendemos que fossem também 17 (dezessete) horas no hemisfério Oeste. Desta forma, temos literalmente em nosso Planeta uma tarde e uma manhã em cada dia.

Por outro lado, em função da posição tradicional de interpretação, podemos ver duas maneiras de interpretarmos a expressão “tarde e manhã”. Na primeira: primeiro veio a tarde – uma referência ao período após o meio-dia e que antecede a noite (laye), seguida de uma manhã. Na segunda: veio a tarde – uma referência à noite (laye), seguida por uma manhã.

Uma coisa que devemos considerar em nossas interpretações, é que o Criador no primeiro capítulo de Gênesis não definiu o que significava a palavra tarde (‘ereb). Se a palavra não é uma referência literal à palavra noite (laye), uma coisa é certa: a manhã (boqer) somente poderá surgir após uma noite (laye).

Portanto, no caso de Dan 8:14, temos 2.300 yôm, ou seja 2.300 boqer e ‘ereb. Porque isso é o que diz Gên. 1:14:

E disse Elohym: “Estejam luminares no firmamento do céu, para fazerem o intervalo do dia e intervalo da noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos”.

Quanto ao holocausto Tāmîd realizado no Santuário. A seqüência de realização é dita em várias partes: “um cordeiro” seria oferecido em holocausto pela “manhã” e o outro a “tarde”. Portanto, tanto em relação ao primeiro capítulo de Gênesis quanto a Daniel 8:14, a expressão está escrita de maneira inversa.

Agora, serão respondidas e/ou comentadas as questões com seus respectivos itens apresentados abaixo.

Na Língua Grega, escatologia é um vocábulo composto. Divide-se em eskato + logia. A palavra eskatos significa: como adjetivo - “último, posterior, final; etc.” Mas pode em uma expressão pode tornar-se um advérbio: eskaton panton – “depois de todos; por último”. Já a palavra logia significa: estudo.

Portanto, a palavra escatologia pode significar tanto estudo das últimas coisas quanto das coisas futuras. Daquilo que vem depois. 

3) Porque que 1 dia é igual a 1 ano profético?

a) Números 14:34 e Ezequiel 4:6 diz que 1 dia = 1 ano mas o contexto não é escatologia.

 Está-se falando sobre o tempo que o povo de Israel iria vagar no deserto.

b) Pedro 3:8 diz que 1 dia = 1.000 anos

c) Gênesis 40:12 diz que 1 dia = 1 ramo

d) Gênesis 40:18 diz que 1 dia = 1 cesto

e) João 11:9 diz que 1 dia = 12 horas

f)  Gênesis 1:5 dia que 1 dia = 24 horas (uma tarde + uma manhã)

Comentário e resposta do item (a):

Não se pode afirmar que Núm. 14:34 e Ezeq. 4:6 não sejam escatológicos. Pois ambos os versos tratam de coisas posteriores. Portanto, do futuro, não imediato, em relação ao momento que fora dito. Olha o que foi escrito:

Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, a saber, quarenta dias, levareis sobre vós as vossas iniqüidades por quarenta anos, um ano por um dia, e conhecereis a minha oposição”. – (Núm. 14:34).

O contexto de Ezequiel 4:1-6 é mais explicito. No entanto, transcreverei apenas o verso 06 (seis):

E quando tiveres cumprido estes dias, deitar-te-ás sobre o teu lado direito, e levarás a iniqüidade da casa de Judá; quarenta dias te dei, cada dia por um ano”.

Percebe-se claramente nesses dois versos que há uma escatologia para o povo, tanto para os que estavam no deserto (liderados por Moisés) quanto aos que estavam habitando em Jerusalém na época de Ezequiel. Embora não seja uma escatologia que aponte à consumação dos séculos, é uma escatologia que aponta acontecimentos futuros e o fim de alguma coisa. Portanto, os versos são escatológicos.

OBS: Quanto aos itens b ao d, não serão comentados.

Comentário e resposta dos itens (e) e (f):

Quanto ao item (e), o que de mais importante pode ser dito, é que não podemos interpretar João 11:9, isolado de João 11:10. Porque a afirmativa do Messias ao utilizar a palavra dia, claro está que ele fez com o único objetivo de enfatizar a oposição que há entre a Luz e Trevas e não simplesmente afirmar que os dias (‘ereb  e boqer) da criação de Gênesis 1, foram compostos apenas de 12 (doze) horas. Portanto, compare os dois versos abaixo:

Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz”. (João 11:9-10 - AVR).

Teologicamente falando, esses versos, também, estão referindo-se ao próprio Messias e ao príncipe das trevas. Contudo, percebemos claramente que Ele ratificou, a existência de dois grandes intervalos de tempo. O primeiro: na Língua hebraica, denominado: ‘ereb (tarde, fim da tarde; também é chamado: noite.). O segundo: denominado boqer (manhã; romper do dia, madrugada.).

Portanto, os dias da criação estão referindo-se a um período de 24 (vinte e quatro) horas. Tarde e manhã. E João 11:9-10 trata mais especificamente da oposição existente entre a Luz e as Trevas. Entre o Príncipe da Luz e o Príncipe das Trevas. E no que diz respeito aos períodos de luz e trevas, cada um tem 12 doze (doze) horas.  

4) Porque que o principio “dia-ano” nunca foi usado no Novo Testamento tão pouco pela igreja cristã, sendo introduzido por um erudito Judeu na era medieval e finalmente “emplacado” nos séculos dezoito e dezenove?

Nesta item, encontramos duas perguntas em uma. Além de uma afirmação preconceituosa, como veremos. Primeiro ele pergunta: “Por que o principio ‘dia-ano’ nunca foi usado no Novo Testamento?” “Não é correto afirmar que o princípio dia-ano não haja sido usado no “Novo Testamento”. Creio que a pergunta correta seria? Por que o princípio dia-ano não é bem compreendido nos livros e epístolas do que se chama “Novo Testamento”? A esta resposta, certamente eu não tenho uma resposta precisa. A outra pergunta é uma continuação da primeira e ficaria assim: “Porque que o principio “dia-ano” nunca foi usada pela igreja cristã?” A qual igreja cristã o autor se refere? Somente a igreja Católica? Ou também inclui todas as igrejas evangélicas e/ou pentecostais? A igreja Adventista não é cristã e/ou não é evangélica?  Por que, segundo a pergunta do autor, somente as outras igrejas, especialmente a Católica (em relação a Escritura Sagrada), podem definir algo como verdade? está  Antes de apontar os indícios do princípio dia-ano nos escritos neotestamentários, quero destacar uma afirmação preconceituosa por parte do autor do artigo. Falando do princípio dia-ano, ele diz: “introduzido por um erudito Judeu na era medieval”. Por que, segundo esta pergunta do autor, um judeu erudito não pode ser um mensageiro de YWHH para ensinar suas verdades aos seus filhos e estudiosos da Sua santa Palavra? Pelo que percebo, seria bem provável que o irmão Paulo Gomes comportar-se-ia a semelhança dos sacerdotes, escribas, rabis e fariseus na época do nascimento do Messias. Não dando credito ao relato de simples pastores e de alguns magos e gentios, que lhes traziam as boas novas com relação ao salvamento do Messias.

O autor não foi coerente ao utilizar-se de ensinos judaicos. Porque depois (na parte Pense Nisto) ele escreveu:

Duas expressões hebraicas são usadas quase que como uma repetição monótona para descrever as ofertas queimadas ‘regular’ (TAMID) e ‘tarde e manhã’. Ao invés de chamar de as ofertas regulares da manhã e da tarde, um Judeu a chamaria de ‘regular’ ou de ‘tarde e manhã’.

Por que o princípio dia-ano defendido por “um erudito judeu’ não deve ter crédito, mas de “um judeu”, referente aos sacrifícios e as expressões “manhã e tarde”, podem ser entendidas como “tarde e manhã”, contrariando, literalmente, o que está escrito?

Em Daniel 9:24 o anjo declara: “Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade ...”. Depois veremos mais detalhes sobre o verso 23. Esta afirmação do anjo, e a utilização da palavra que se traduz por “decretada”, “separada” ou “cortada”. Deve nos levar a pensar em algo maior do que elas? Decretada por quê? Separada de onde? Cortada de onde?

Em Lucas 21:24, referente à Jerusalém e aos judeus, o Messias declarou:

E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem”. (Leia também Rom. 11:25).

Que tempos são estes que haveriam de completar-se? Não resta qualquer dúvida. Assim como Daniel escreveu que haveria um tempo para os judeus, o Messias disse que haveria um tempo para os gentios. Porque haveria de completar-se o tempo destes ou como disse o apóstolo Paulo. Entraria a plenitude dos gentios. Quanto ao tempo dos judeus, referente ao Seu batismo e após o mesmo, o Messias declarou: “O tempo está cumprido”. – (Mar. 1:15). Que tempo estava cumprido, segundo a afirmação do Messias? Portanto, percebemos que tanto Daniel 9:24 (70 semanas separadas), quanto o Messias (os tempos dos gentios) e o apóstolo Paulo (plenitude dos gentios), eles tem o mesmo ponto de partida. As 2300 “tardes e manhãs”. Porque os 490 anos (setenta semanas) das 2300 “tardes e manhãs” (2300 anos) findaram no ano 33/34 a.D. (na ultima semana que vai do ano ano26/27 a.D. até o ano 33/34 a.D). O que resta disso, não sendo tempo dos judeus, certamente é tempo dos gentios; por isso o Messias declarou: “até que os tempos destes se completem”.

O apóstolo João também trouxe a sua contribuição ao princípio dia-ano, ao escrever:

Mas deixa o átrio que está fora do santuário, e não o meças; porque foi dado aos gentios; e eles pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses”. – (Apoc. 11:2). Curiosamente, esses 42 (quarenta e dois) meses estão contados como tempo dos gentios, bem como contidos na afirmação do Messias em Luc. 21:24 e na profecia de Dan. 7:25.

O profeta e apóstolo João, ligando os quarenta e dois meses ao santuário, ainda escreveu:

Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias; e deu-se-lhe autoridade para atuar por quarenta e dois meses. E abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e do seu tabernáculo e dos que habitam no céu”. – (Apoc. 13:5-6).

Por que será que todos esses versos harmonizam-se com o princípio dia-ano? Ou será uma simples coincidência?

Ainda quanto à positiva afirmação do Messias, quanto a Jerusalém em Lucas 21:24, no que diz respeito a ser pisada: “E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios...”.

Essa profecia cumpriu-se literalmente a partir do ano 70 (pra alguns judeus, a partir do ano 68).

O curioso é que a partir da década de 1840, alguns judeus começaram a voltar para Palestina (Israel). Sem dúvida nos anos de 1843/1844 encerra-se o período das 2300 tardes e manhãs. E do ano 33/34 a.D. até 1843/1844, temos os tempos dos gentios. Contudo, nesta data ainda não havia entrado a plenitude dos gentios conforme expressa nas palavras do apóstolo Paulo em Rom. 11:25. Então, quando entrou de fato a plenitude dos gentios e Jerusalém deixou de ser pisada (dominada/governada) por gentios? Para respondermos a esta pergunta, devemos ler o que escreveu o profeta Zacarias.

Naquele dia porei os chefes de Judá como um braseiro ardente no meio de lenha, e como um facho entre gavelas; e eles devorarão à direita e à esquerda a todos os povos em redor; e Jerusalém será habitada outra vez no seu próprio lugar, mesmo em Jerusalém”. – (Zac. 12:6).

Quando o profeta escreveu esta profecia, os judeus já haviam voltado (embora não todos), do cativeiro babilônico e estavam residindo em Jerusalém há mais de dez anos. Sendo assim, desde o tempo em que os judeus retornaram do referido cativeiro, jamais de Jerusalém deixou de ser governada por judeus (no aspecto político e religioso – deixou de ser uma nação), a não ser no período pós 70 a.D. (68 a.D.) especialmente após 132 a.D.

O ano específico em que Jerusalém deixou de ser dominava/governada por gentios tanto no aspecto político quanto no aspecto religioso, foi em 1967. Este é o ano em que entrou a plenitude dos judeus, conforme descrita pelo apóstolo Paulo em Rom. 11:25. A partir desse ano os judeus reconquistam Jerusalém e voltam a dominá-la politicamente e a terem a sua liberdade religiosa (em suas sinagogas) em Jerusalém – cidade sagrada para eles e centro de adoração. É verdade, que ainda destituídos do principal local de adoração – o Templo.

Portanto, por meio desses versos citados e de outros que achei necessário não citá-los, percebe-se a validade e confirmação do princípio dia-ano no que se chama Novo Testamento, por meio das palavras do Messias (em Lucas), do apóstolo Paulo e especialmente, de João, no livro do Apocalipse. 

5) Se o principio dia-ano está correto então podemos afirmar, com base em Daniel 8, que 2300 sacrifícios = 2300 anos?

Esta pergunta foi mal formulada ou tem por objetivo induzir a uma determinada resposta. Porque o princípio dia-ano está correto. No entanto, 2300 tardes e manhã não significam, jamais, 2300 sacrifícios. Sendo assim, estaríamos concordando que representam 1150 dias. Pois A cada dia eram realizados dos holocaustos Tāmîd. Por outro lado, como já foi dito acima, em Dan. 8:10-14, não há a palavra sacrifício

6) A palavra hebraica para “DIA” é “YOM” e esta palavra aparece no Velho Testamento 1153 vezes. A palavra hebraica para “DIAS” é “YAMIM” e ela aparece no Velho Testamento 657 vezes. “YOM” é encontrada no livro de Daniel 6 vezes e “YAMIM” 25 vezes perfazendo um total de 31 vezes. Nenhuma delas, porém aparece em Daniel 8:14. Logo a palavra “DIAS” em Daniel 8:14 não é uma tradução, mas uma interpretação que vem de duas palavras hebraicas “EREB” que significa “TARDE” e “BOQER” que significa “MANHÔ.

Mas alguém poderia dizer que é a mesma coisa, que “houve tarde e manhã - o primeiro dia”. Não, mas não é o mesmo, por que a pergunta principal é “Até quando durará a visão do sacrifico continuo?E o anjo responde dando o número de sacrifícios (e havia dois sacrifícios por dia: uma à tarde e outro pela manhã). Como os tradutores já citaram a palavra sacrifício nos versos 11,12 13eles aplicam então no mesmo contexto a palavra sacrifício no verso 14 quando dizem: “Até duas mil e trezentas tardes e manhas” ou seja, “até 2300 sacrifícios e o santuário será purificado”.

Não seria então correto afirmar que 2300 tardes e manhãs são exatamente 1150 dias? Como que uma tarde + uma manhã de sacrifícios podem ser igual a 01 ano profético?

Lamento dizer. Mas além dos tradutores errar, estão conduzindo muitas pessoas a cometer graves erros em suas interpretações e afirmações. Porque não existe a palavra sacrifício nos versos 11-13 e muito menos poderia ser incluída no verso 14.

O referido irmão deu a entender por meio de suas perguntas e colocações que a expressão “tarde e manhã” não deve ser interpretada por dia e muito menos por dia-ano. Embora tenha um capítulo que dê respaldo a tal interpretação (Gên. 1). Por outro lado, nos versos 11-14, onde não há a palavra sacrifício. Ele prontamente aceita as traduções erradas e tendenciosas, para sustentar as suas opiniões e questionamentos. Portanto, mais uma vez, afirmo, segundo o Texto Sagrado, Dan. 8:14 não se trata de 2300 sacrifícios – um da manhã e um da tarde, perfazendo um total de 1150 dias.

 

QUANDO SERÃO, DE FATO, CANCELADOS/RISCADOS OS NOSSOS PECADOS? 

7) Em palavras simples, nós adventistas pregamos que até 1844 os pecados confessados não foram expiados, mas colocados de lado, para serem revisados e finalmente expiados a partir de 1844. Significa então que a humanidade ficou sem um mediador com 100% de eficácia expiatória durante 18 séculos? Mas a Bíblia não diz que quando confessamos nossos pecados Deus imediatamente os esquece lançando-os no fundo do mar?

Em palavras simples o irmão quis dizer que ele crê ou foi ensinado por alguém, que os pecados confessados não foram expiados com a morte do Messias. Mas eu como adventista, por princípio, mas não institucionalizado, creio, segundo as palavras da Bíblia e de Ellen G. White, que nossos pecados foram amplamente expiados com a morte do Filho do Eterno.

Jesus recusou receber a homenagem de Seu povo até haver obtido a certeza de estar Seu sacrifício aceito pelo Pai. Subiu às cortes celestiais, e ouviu do próprio Deus a afirmação de que Sua expiação pelos pecados dos homens fora ampla, de que por meio de Seu sangue todos poderiam obter a vida eterna. O Pai ratificou o concerto feito com Cristo, de que receberia os homens arrependidos e obedientes, e os amaria mesmo como ama a Seu Filho”. – (WHITE, Ellen G. Desejado de Todas as Nações – on-line, p. 790.)

Alguém poderá dizer que expiação ampla não é expiação completa. Mas o fato é que houve expiação e YHWH não aceitaria uma expiação incompleta para garantir a salvação da humanidade (Mat. 27:51-53 – relata de alguns que ressuscitaram).

A pergunta importante é: por que devemos pedir perdão de pecados se todos os pecados já foram expiados? 1João 2:1 diz:

Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”.

Portanto, devemos entender o significado da morte expiatória do Messias diferenciando de Suas funções de Sumo sacerdote (Mediador) e Cordeiro. Porque a expiação foi ampla (porque de “uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”). “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles”.

A salvação nos foi garantida com a morte do Messias, mas nos é confirmada dia-a-dia. Porque “o meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele”. – (Rom. 1:17).

Por último, analisemos esta pergunta e seu fundamento: “Mas a Bíblia não diz que quando confessamos nossos pecados Deus imediatamente os esquece lançando-os no fundo do mar?”.

Será que a Bíblia diz isso mesmo? Será que Elohym fez tal afirmação, por meio de Seu profeta, com essas palavras?

As respostas, seguramente são: não e não. Porque o profeta Miquéias escreveu o seguinte:

Tornará a apiedar-se de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades. Tu lançarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar”. – (Miq. 7:19).

Pelo que percebemos, o profeta utiliza todos os verbos no tempo futuro. Ele não está dizendo quando isso ocorrerá. Mas está afirmando que de fato ocorreria e/ou ocorrerá um dia.

Pisar aos pés as nossas iniqüidades”. Compare com Malaquias 4:1 e 3. “Tu lançarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar”. Compare esta pare do verso de Miquéias com Apocalipse 21:1. Além do mais, o profeta Daniel disse que o Messias viria para “fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade”. – (Dan. 9:24).

Se todos somos perdoados de fato (não de promessa) imediatamente quando pedimos perdão, qual então o sentido da profecia de Daniel exposta em Dan. 9:24 (No que diz respeito àquelas pessoas que viveram antes dele, desde Adão)? Como explicar Dan. 7:9-10; Dan. 12:1 e Apoc. 20:11-15? Como explicar também Rom. 11:26-27; 14:10 e 2Cor. 5:10? Outras passagens poderiam ser acrescentadas. Por último medite nestas passagens: 1João 2:1-2; Heb. 4:16 e 9:28. Porque este advogado que nos é apresentado, serve para o tempo presente e para ocasião oportuna. Com certeza, quando os livros forem abertos diante do Juiz de Toda Terra.

Portanto, não devemos confundir perdão dos pecados com o fato de serem apagados/riscados/cancelados os registros de pecados e/ou os nomes das pessoas que um dia foram inscritas no Livro da Vida do Cordeiro (Dan. 7:9-10e 12:1; Apoc. 13:8 e 20:11-15).

 

OS PECADOS E O SANTUÁRIO  

8) Como provar que este período começa em 457 a.C. uma data que não tem nada a ver com o sacrifício diário?

Esta pergunta será respondida após a pergunta número 13 (treze). 

9) Como provar que a “purificação do Santuário” significa purificação dos pecados confessados dos santos uma vez que o contexto se refere à purificação da abominação, da poluição causada pelos inimigos dos santos?

A expressão correta é “justificação do Santuário”. Justificação do Santuário não significa “purificação dos pecados dos santos”; mas o pleno reconhecimento, por parte de todos os seres celestiais, que os santos perdoados (e especificados no Livro da Vida do Cordeiro – Êxodo 32:32-33; Dan. 7:10; 12:1 e Apoc. 13:8 e 20:12) de fato, recebem o direito à salvação – vida eterna.

O ímpio que não confessa os seus pecados, este sim é que está contaminando tanto o santuário que é o seu corpo, quanto o Santuário com o registro de pecados relacionados aos seus nomes no Livro da Vida do Cordeiro, no Santuário celestial.

Compare Apoc. 3:7 com Apoc. 3:20. O primeiro aponta pra uma porta que dá acesso ao Santuário, local de adoração. No caso, o Santuário celestial. Já o segundo versos aponta pra uma porta que se refere ao corpo do adorador que também é um santuário que pertence ao Criador. Porque tanto a igreja (1Cor. 3:16) quanto o ser humano individualmente constituem um santuário ao Criador, habitando em nós por meio do Espírito Santo – a Sua Glória (1Cor. 6:19 e 2Cor. 6:16).

Em função de Dan. 8:14, literalmente podemos afirmar que: Até 2300 “tardes e manhãs o Santuário será justificado”.

O salmista Davi escreveu: “Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos; de sorte que és justificado em falares, e inculpável em julgares”. – (Salmos 51:4).

O apóstolo Paulo escreveu que nós “fomos feitos justiça de Deus”. – (2Cor. 5:21).

O nosso Criador, de algum modo também foi justificado (Porque Ele e o Cordeiro também são Santuário – Apoc. 21:23), não apenas nós. Ele no Seu trato e longanimidade para com o pecado e para conosco, pecadores que somos. Nós fomos e/ou somos justificados em relação ao nosso apego ou abandono do pecado. 

Por ter sido reconhecido de fato, como Justo (Salmos 51:4) e por isso justificado o Seu governo universal, foi dito:

O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos”. – (Apoc. 11:15).

Ellen G. White escreveu o seguinte:

O livro da vida contém os nomes de todos os que já entraram para o serviço de Deus. Jesus ordenou a Seus discípulos:Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos Céus.’ S. Lucas 10:20. ...”.

A obra de cada homem passa em revista perante Deus, e é registrada pela sua fidelidade ou infidelidade. Ao lado de cada nome, nos livros do Céu, estão escritos, com terrível exatidão, toda má palavra, todo ato egoísta, todo dever não cumprido, e todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia. ...tudo é historiado pelo anjo relator”.  – (O Grande Conflito. 33ª ed. 1987. pp. 484-485).

Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante Deus a vida de todos os que creram em Jesus. Começando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva, finalizando com os vivos. Todo nome é mencionado, cada caso minunciosamente investigado. Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes. Quando alguém tem pecados que permaneçam nos livros de registro, para os quais não houve arrependimento nem perdão, seu nome será omitido do livro da vida, e o relato de suas boas ações apagado do livro memorial de Deus. O Senhor declarou a Moisés: ‘Aquele que pecar contra Mim, a este riscarei Eu do Meu livro.’ Êxodo 32:33. ...” – (Ibidem. pp. 486-487)

Por último, podemos dizer que realmente a: justificação é por causa “da abominação”, bem como “da poluição causada pelos inimigos dos santos”. Isso durante todos os tempos, não apenas nos dias de Antíoco Epifânio ou de um outro rei qualquer.

Portanto, não são os pecados que estão sendo purificados. São as pessoas que foram e estão sendo justificadas por causa dos seus pecados cometidos. Assim, seu corpo que também é um santuário está sendo purificado. Conseqüentemente o Criador é também justificado por todos os Seus atos para com Seus filhos. O Criador é justificado e jamais purificado. 

10)   Como provar que “pecados confessados dos santoscontaminam o santuário se não existe nenhuma afirmação bíblica sobre isto?

A semelhança do que está relatado em: Levítico 16 e Hebreus 9-10. Abaixo transcreverei dois versos:

Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão no céu fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes”. “Assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”. – (Heb. 9:23 e 28).

Por esses dois versos entendemos perfeitamente que no Céu existia e/ou ainda existe algo a ser purificado com sacrifícios superiores ao de animais. Entende-se também, que enquanto o Messias não voltar, Ele ainda recebe os pecados dos pecadores que confessarem seus pecados sobre Ele – o Cordeiro substituto – mas virá a segunda vez sem pecado. Ou seja, quando Ele voltar, não voltará simplesmente como Cordeiro, mais como Juiz aos ímpios e Salvador para os santos justificados.

 

O ANO 458 A.C: MARCO INICIAL DAS PROFECIAS DE Dan. 8:14 e 9:24-27 

11)   Como provar que os 490 anos foram tirados dos 2300 anos se nada disto é dito em Daniel 8 e 9?

A partir do capítulo oito, temos que prestar bastante atenção à utilização das palavras hebraicas usadas, principalmente, às que são traduzidas por visão.

Dan. 8:1: “No ano terceiro do reinado do rei Belsazar, eu, Daniel, tive uma visão” (chāzôn) depois daquela que eu tivera a princípio”. (ARA). 

(chāzôn). “Visão. Esta palavra tem um escopo de utilização semelhante ao de” (chizzāyôn, machăzeh) “e outros derivados de” (chāzâ). “Como” (chāzôt), “é usada nos títulos de certos livros proféticos (Naum e Isaías).” – (HARRIS, R. Laird, ARCHER, Gleason L. Jr., WALTKE e Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO. 1ª ed. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo – SP, 1998. p. 446.).

Está explicito no início do capítulo que Daniel teve uma chāzôn, e é a está que o santo refere-se 13 (chāzôn), quando faz a pergunta. Mas no verso 16 foi dito ao anjo Gabriel dá a entender outro tipo de visão.

Dan 8:16: “E ouvi uma voz de homem” (’ādām) “de entre as margens do Ulai, a qual gritou e disse: Gabriel, faça conhecer - le halāz - a este, Junto com a aparência (visão) ’et-há mare’eh)”.

Ou “Com a aparência (visão) ’et-ha mare’eh)”;   Ou “Na (em + a) a aparência (visão) ’et-ha mare’eh)”.

No entanto, o um dos destaques desse verso é a ordem que foi dada ao anjo Gabriel. 

(’ēt) “... tb ....” (’et) prep.: junto com; com o auxílio de; junto a, ao lado de, na presença de; ...” – (KIRST, Nelson; KILPP Nelson; SCHWANTES, Milton; RAYMANN, Acir e ZIMMER, Rudi.  DICIONÁRIO Hebraico – Português e Aramaico – Português. 10ª ed. São Leopoldo – RS, Editora Sinodal; Petrópolis – RJ, Editora Vozes, 1999. pp. 20-21.).

Comparando chāzôn com mare’eh, perceberemos alguns detalhes importantes. A visão (chāzôn) não é a aparência (visão - mare’eh). Mas esta faz parte daquela. Portanto, nesse verso, outro detalhe que podemos perceber, é que a palavra hebraica traduzida por: “visãomare’eh”, (pelas ARA, BJ, ARC e AVR) é a mesma do verso anterior: “aparência – mare’ēh”.  Ocorrendo apenas uma pequena diferença no último sinal vocálico dos massoretas (e) nessa e (ē) nesta.

O penúltimo detalhe, e mais importante é, como já foi citado, esta ordem que foi dada ao anjo: “Gabriel, faça conhecer” (dá a entender”) a este, junto com a aparência (visão)” - (mare’eh)”. Esta parte da visão (chāzôn) é que foi especialmente ordenado a Gabriel dá a entender ao profeta Daniel. Antes, no verso 15, foi declarado que o profeta prestou “atenção” “na visão (’et-he chāzôn)”, e procurou entendê-la”. E no verso 16, foi acrescentado outro detalhe, a aparência (visão- mare’eh). Esta é a parte da visão (chāzôn) que mais preocupou o profeta Daniel. Como veremos nos versos 26 e 27.

Por último, citarei como detalhe, os vocábulos “espelho” e “aparência” (“vista”). Estas palavras são traduzidas das palavras “mar’â”, que, também, traduz-se por visão e “... mar’eh”. – (HARRIS, R. Laird, ARCHER, Gleason L. Jr., WALTKE e Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO. 1ª ed. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo – SP, 1998. pp. 1383, 1385 e 1386.).

Como percebemos, as únicas e pequenas diferenças, entre essas duas palavras e as palavras de Dan. 8:15 (mare’ēh) e 17 (mare’eh), que também são diferentes, são apenas os sinais vocálicos dos massoretas.

Abaixo apresentaremos uma tradução com comentário sobre Dan. 8:26-27:

Dan. 8:26: E a aparência (visão) - (wû mare’ēh) da tarde e da manhã, que foi falada (dita, prometida), é verdadeira; tu, porém, guarda a visão (he chazôn), porque se refere a dias ainda mui distantes”.

A visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere a dias ainda mui distantes”. (Dan. 8:26 – ARC).

Novamente, temos lado a lado, as duas “visões”. O primeiro detalhe, é que a aparência (visão) - (mare’ēh) é verdadeiraO segundo, é que foi dada uma ordem para Daniel: “preserva a visão (he chazôn), porque se refere a dias ainda mui distantes”. Portanto, de acordo com o verso, somente a visão (he chazôn), é que “se refere a dias ainda mui distantes”. Não a aparência (visão) - (mare’ēh), que foi dita ser verdadeira.

Dan. 8:27: “E eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias; quando levantei-me, então tratei dos negócios do rei. E, espantava-me com a aparência (visão) - (‘al-hamare’eh), e não havia quem a entendesse (mēbîn)”.

O profeta Daniel declarou o seguinte:

E eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias; então, levantei-me e tratei do negócio do rei; e espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse”. (Dan. 8:27 - ARC).

Então eu, Daniel, desfaleci e fiquei doente por vários dias; Depois levantei–me, para ocupar-me dos negócios do rei. E guardava silêncio sobre a visão, ficando sem compreendê-la. não havia quem a entendesse”. (Dan. 8:27 – BJ).

A parte final do verso, literalmente é: “E espantei-me acerca da visão, mas nada de compreender”.

Aqui, o profeta Daniel, referindo-se a visão (ha mare’eh), é categórico ao dizer que: “não havia quem a entendesse”.  Portanto, nem ele entendeu “a aparência (visão) - (mare’eh) da tarde e da manhã”. Contudo, o anjo Gabriel disse que a aparência (visão) – (mare’ēh) é verdadeira”. Bem como também disse para o profeta preservar a visão (he chāzôn).

As palavras Dabēr (Dan. 8:13), chāzôn (Dan. 8:1-27) e mare’eh (Dan. 8:17, 26 e 27) do capítulo –8 (oito) estão diretamente ligadas ao capítulo 9:21-23). Como veremos abaixo.

Dan. 9:21: “Falava eu, digo, falava ainda na oração, quando o homem (wehā’îsh) Gabriel, que eu tinha observado na minha visão (be chāzôn) ao princípio, veio rapidamente, voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde”. (ARA).

Essa palavra traduzida aqui por sacrifício, não é a mesma que se traduz por holocausto. Provavelmente, o profeta utilizou a palavra minchâ por não existir mais o Santuário. No entanto era o horário de apresentações das ofertas sagradas. Minchâ significa: “oferta, oferta de cereais, oferta de manjares, presente, dádiva, oblação e sacrifício”.

A minchâ,oferecida todas as manhãs e todas as tardes, era uma oferta sagrada, comida apenas pelos sacerdotes, não sendo partilhada com os adoradores. A idéia de expiação não está especificamente presente no” minchâ, “embora a de propiciação certamente esteja. ...”. – (HARRIS, R. Laird, ARCHER, Gleason L. Jr., WALTKE e Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO. 1ª ed. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo – SP, 1998. pp 1215).

Embora “a idéia de expiação” não esteja explicita, uma coisa é certa, o que o anjo veio relatar está diretamente relacionado ao Santuário e ao que ocorria nele no horário da manhã e da tarde.

Aqui, no verso 21, o profeta Daniel, faz uma referência direta à visão que tivera no capítulo 8. Especialmente, faz uma referência aos versos 26-27, do capítulo 8, quando declara: “agora, saí para fazer-te entender o sentido” (9:22).

Dan. 9:22: “Quando veio instruir-me; então, falou comigo e disse: Daniel, agora, saí para fazer-te entender o sentido”.

Sentido de quê? Da chāzôn (visão) anterior, o que Daniel não havia entendido? Segundo os versos 26-27, ele não entendeu a própria chāzôn (visão), como um todo, nem a mare’eh (visão).

Quanto à mare’ēh  (visão) foi dito: “E a aparência (visão) - (wû mare’ēh) da tarde e da manhã, que foi falada (dita, prometida), é verdadeira”.

A chāzôn (visão)  contém a mare’ēh (visão), mas esta não contem aquela. E é a mare’ēh (visão) que está diretamente ligada a profecia das 2.300 tardes e manhãs. O anjo Gabriel afirma positivamente que a mare’ēh (visão) “da tarde e da manhã que foi falada é verdadeira”.

Quanto à  chāzôn (visão)  foi dito: “Tu, porém, guarda a visão (chāzôn), porque se refere a dias ainda mui distantes”.

Percebemos que o anjo Gabriel fez questão de diferenciar chāzôn (visão)  de mare’ēh (visão).

Mas das duas: a mare’ēh (visão) e a chāzôn (visão). Qual delas deixou o profeta debilitado e sem entendimento nenhum? O profeta responde com o verso 27:

Dan. 8:27: “E eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias; quando levantei-me, então tratei dos negócios do rei. E, espantava-me com a aparência (visão) - (‘al-hamare’eh), e não havia quem a entendesse (mēbîn)”.

Ele diz: “Espantava-me com a aparência (visão) - (‘al-hamare’eh), e não havia quem a entendesse (mēbîn)”.

Ele espanta-se com a mare’eh (visão) e não com a chāzôn (visão). E é justamente por causa desta que o anjo Gabriel vem até ele para dar-lhe entendimento (Dan. 9:21-22)

Contudo, no verso 23, por meio do vocábulo dābār (ordem), indiretamente ou diretamente o anjo volta a lembrar ao profeta Daniel o diálogo que ocorreu em Dan. 8:13, entre os dois Santos. No verso foi utilizado o vocábulo Dabēr. No verso 23, foi utilizada duas vezes o vocábulo dābār. A primeira vez traduzido por ordem. Na segunda vez foi traduzido por fala.

Que fala é esta que o profeta deveria considerar, senão a fala de Dan. 8:13? Além do mais, sendo mais enfático ele declara: “E compreende (we hābēn) à (na) aparência (visão) - (ba mare’eh)”.

Que mare’eh (visão) ele deveria compreender senão a que foi descrita nos versos 16 , 26 e 27, a qual o profeta adoeceu e ficou sem entendê-la?

Dan. 9:23: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem (dābār), e eu vim, para to declarar, porque és mui amado.” (ARA). Então, (atenta para) considera (û bîn), à fala (ba dābār - (palavra, declaração, conversa, discurso; etc.) e compreende (we hābēn) à (na) aparência (visão) - (ba mare’eh)”.

Pelo que foi demonstrado acima, fica claro que Daniel não havia entendido a aparência  mare’eh (visão). Como ele já havia afirmado (8:27). Por isso, o anjo Gabriel veio novamente para instrui-lo.

Porque ele não havia entendido? No verso 27, do capítulo 8, Daniel diz que enfraqueceu e esteve enfermo por alguns dias. Este sem dúvida foi um dos motivos.

Não foi por incapacidade do anjo Gabriel ao transmitir à mensagem e instrui-lo. Porque se analisarmos a falha do anjo, teremos, que declarar, que, também, o Messias não foi capaz de ensinar perfeitamente, nem mesmo os seus discípulos durante o seu ministério aqui na Terra. Portanto, sabemos que a causa da não compreensão da profecia estava com o próprio profeta, ou até mesmo, podemos entender que não era o propósito de YHWH que ninguém, nem mesmo o profeta entendesse completamente a profecia naqueles dias. Conforme está escrito no capítulo 12:4, 6, 8-10. (1Pedro 1:10-12).

No verso seguinte, que apresentaremos abaixo, o anjo Gabriel faz importantes afirmações. A preocupação do anjo, como pudemos perceber era com parte do que foi dito em Dan. 8:13, reforçado em 8:16, 26 e 27. E ratificado em Dan. 9:23. Portanto, o verso 24 está diretamente ligado as 2.300 tardes e manhãs. E deste período profético o anjo declarou:

Dan. 9:24: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e para trazer a justiça eterna, e para confirmar (selar, referendar) a visão e a profecia” (we lachetōm cha zôn wenābî’) e para ungir o Santo dos Santos”.

Durante as “Setenta semanas” seria (chetōmconfirmada, selada, referendada) a visão (chāzôn) e a profecia (we nābî’). Essa confirmação ocorreu com a vinda do Messias (nascimento, ministério, morte e ressurreição e ascensão).

O Messias confirmou a profecia (nābî’) de Daniel. Ele, pois nela o Seu selo, referendando, (dando crédito ao que foi predito pelo profeta). Além do mais, o Messias disse que nEle estava o selo do Pai (João 6:27). O Messias confirmou, tanto a visão (chāzôn) do capítulo 8, quanto a aparência (visão) – (ba mare’eh) de Dan. 8:16, 26-27 e 9:23; bem como a fala dos versos 13 e 14. Além dos 21-27 do capítulo 9, cujo contexto também é parte do contexto do capítulo 8.

“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; pois neste, Deus, o Pai, imprimiu o seu selo (“o selou” – ARC; “o confirmou com o seu selo” – ARA)”. (João 6:27 – AVR).

Ora, quando vós virdes a abominação da desolação estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes”. (Mar. 13:14 – AVR).

Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda).”. (Mat. 24:15 – AVR).

Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação”. (Luc. 21:20 – AVR).

Dan. 9:25: “Sabe e entende: desde a saída da ordem (dābār) para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Messias, o Príncipe (até o ungido - AVR), sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos”. (Dan. 9:25 - ARA).

A Bíblia de Jerusalém, assim traduziu Dan. 9:25:

Fica sabendo, pois, e compreende isto: Desde a promulgação do decreto (dābār)sobre o retorno e a reconstrução de Jerusalématé um Príncipe Ungido, haverá sete semanas. Durante sessenta e duas semanas serão novamente construídas praças e muralhas, embora em tempos calamitosos”.

E aconteceu naqueles dias que veio Jesus de Nazaré da Galiléia, e foi batizado por João no Jordão”. (Mar. 1:9 – AVR).

“... O tempo está cumprido...”. (Mar. 1:15 - AVR).

O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos”. (Luc. 4:18 - AVR).

Concernente a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder; o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com ele”. (Atos 10:38 – AVR).

Não podemos negar que de fato, há uma ligação entre as Setenta Semanas e as 2.300 tardes e manhãs, conforme relatado nos capítulos 8 e 9. Portanto, as “Setenta Semanas” foram tiradas/separadas de algum lugar e nada mais coerente que entender que elas hajam sido tiradas de um período muito maior. No caso, das 2.300 “tardes e manhãs”.

Esta pergunta (08 - Como provar que este período começa em 457 a.C. uma data que não tem nada a ver com o sacrifício diário?) será respondida em conjunto com as duas abaixo.

12) Como provar que os 490 anos e os 2300 anos começam exatamente juntos na História?

13) Como provar que a palavra “ORDEM” em Daniel 9:25 é realmente um decreto real e que este rei é Artaxerxes?

Sendo que as pergunta 08 (oito), 12 (doze) e 13 (treze) terão com pequenas diferenças, basicamente, as respostas mesmas respostas, elas serão respondidas em conjunto. Abaixo serão apresentados os significados de algumas palavras, para nos ajudar na compreensão de Dan. 9:25, no que diz respeito à ordem (dābār). Por quem foi dada e quando

... (dāt) decreto. Empréstimo lingüístico do persa, também usado no hebraico de Esdras e Ester.” – (HARRIS, R. Laird, ARCHER, Gleason L. Jr., WALTKE e Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO. 1ª ed. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo – SP, 1998. p. 1681.).

... (dāt) decreto, Lei, edito, prescrição.

Este empréstimo lingüístico do persa dāta aparece 20 vezes em Ester, uma em Esdras (8.36) várias vezes nos trechos aramaicos de Esdras e Daniel. É grafado da mesma maneira tanto em hebraico quanto em aramaico. Uma vez que todos esses três livros tratam de reis persas, facilmente se explica o uso desse termo estrangeiro. Ele se sobrepõe com o uso às palavras hebraicas tôrâ, mishpāt  e chōq. A relação entre ‘decreto’ e ‘lei’ era bastante íntima, e ‘a lei dos medos e dos persas’ não podia ser revogada (Et 8.8; cf. Dn 6.12[13]).

Em essência a lei era aquilo que o rei queria. Seus desejos rapidamente se tornavam lei, conforme se ilustra no fato de que a ‘palavra do rei’ é relacionada com a lei em quatro oportunidades no livro de Ester (TB, 2.8; 4.3; 8.17; 9.1). ... Expediu-se um edito que depunha Vasti da condição de rainha, e isso imediatamente tornou-se parte das leis dos persas e dos medos’ (1.19). Tais editos eram escritos e, então, enviados por todo o reino para que todos o soubessem (1.20; 3.14).”

No hebraico, fora do livro de Ester, a única ocorrência de dāt refere-se aos decretos de Artaxerxes, em que este apoiava os esforços de Esdras para fortalecer os exilados que retornaram a Jerusalém (Ed 8.36; cf. 7.12-24).” – (Ibidem. pp. 330-331).

Esdras 8: 36: “E entregaram os decretos” (dātê) do rei aos seus sátrapas e aos governadores da Transeufratênia, os quais deram seu apoio ao povo e ao Templo de Deus”. (BJ).

Dan. 9:25: “Fica sabendo, pois, e compreende isto: Desde a promulgação do decretosobre o retorno e a reconstrução de Jerusalém’ ...”. (BJ).

“... (dābar) falar, declarar, conservar, ordenar, prometer, advertir, ameaçar, cantar, etc.” – (Ibidem. p. 292.).

Em Daniel 9:23 e 25, por duas vezes o profeta utilizou-se do vocábulo dābar. Em ambos foram traduzidas por ordem e/ou decreto.

Além destas palavras dāt e dābar, temos outra palavra que é bastante usada em Esdras, no que diz respeito à construção do Templo e ao retorno dos judeus a Jerusalém. ÉE aa palavra te‘ēm.  A encontramos por exemplo, em Esdras 5:13, 17; 6:3, 11-12 e 14 – te‘ēm. Portanto, o quer se percebe, de acordo com os versos citados, é que tanto os reis Ciro e Dário expediram decretos, mas diretamente voltados à construção do Templo.

Para efeito de informação, vale lembrar que o Artaxerxes citado no capítulo quatro não é o mesmo de Esdras 6:14, que diz:

Assim os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando pela profecia de Ageu o profeta e de Zacarias, filho de Ido. Edificaram e acabaram a casa de acordo com o mandado do Deus de Israel, e de acordo com o decreto de Ciro, e de Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia”.

Porque no capítulo 4:24 diz:

Então cessou a obra da casa de Deus, que estava em Jerusalém, ficando interrompida até o segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia”. Este foi antes de Dario e aquele posterior a Assuero ou Xerxes.

Sobre o retorno de Esdras e a carta que o rei lhe entregou, está escrito em Esdras 7:8-12. Depois, ele continua falando sobre os decretos: Esdras 7:13 e 21 [12-24],  - te‘ēm.

Por mim se decreta que no meu reino todo aquele do povo de Israel, e dos seus sacerdotes e levitas, que quiser ir a Jerusalém, vá contigo”.  “E eu, o rei Artaxerxes, decreto a todos os tesoureiros que estão na província dalém do Rio, que tudo quanto vos exigir o sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus do céu, prontamente se lhe conceda”.– (Esdras 7:13 e 21).

Um fato interessante que se percebe pelo contexto do capítulo 07 (sete) é que o decreto de Artaxerxes, não se limitou apenas à construção do Templo, em função do que faltava para sua conclusão (Esdras 6:14). Porque nos versos 25-26, o rei confere aos judeus, certa autonomia administrativa e judiciária; contudo submissos aos governantes persas.

Mas em se tratando de decreto, o verso mais importante está em Esdras 8:36, que diz:

E entregaram os decretos” (dātê) do rei aos seus sátrapas e aos governadores da Transeufratênia, os quais deram seu apoio ao povo e ao Templo de Deus”. (A Bíblia de Jerusalém - BJ).

Esdras não disse apenas decreto. Ele afirmou: decretos (Há Versões que traduzem: Editos). Esta palavra decretos, registrada aqui em Esdras 8:36 é equivalente à palavra dābar em Dan. 9:25. Isso equivale dizer que a contagem do tempo das profecias das 2.300 tardes e manhãs (Dan. 8:14) e das Setenta Semanas (Dan. 9:24), tem o mesmo ponto de partida. Esta porque no verso 25 traz diretamente a palavra dābar como ponto de partida. Aquela, porque Dan. 9:23 vem trazer uma explicação referente diretamente ligada a Dan. 8:13, que por sua vez também traz duas vezes o vocábulo dābar. Uma vez traduzido por ordem e outra por fala.

Os profetas Isaías e Jeremias relataram em seus livros, os eventos relacionados ao Templo e a cidade de Jerusalém. Como poderemos perceber nos versos abaixo. No entanto, Ciro, o rei persa, faz referência direta aos escritos do profeta Isaías.

Eu que confirmo a palavra do meu servo, e cumpro o conselho dos meus mensageiros; que digo de Jerusalém: Ela será habitada; e das cidades de Judá: Elas serão edificadas, e eu levantarei as suas ruínas; que digo ao abismo: Seca-te, eu secarei os teus rios; que digo de Ciro: Ele é meu pastor, e cumprira tudo o que me apraz; de modo que ele também diga de Jerusalém: Ela será edificada, e o fundamento do templo será lançado”. (Isaías 44:26-28).

Em primeiro lugar, de acordo com esses versos e Esdras 6:14, foi por meio de Ciro que o fundamento do Templo foi lançado. Mas, tudo para cumprir o mandado do Criador. Mas qual a finalidade de se construir um Templo em uma cidade sem moradores? Não haveria sentido. Por isso Isaías também disse: “... que digo de Jerusalém: Ela será habitada; e das cidades de Judá: Elas serão edificadas, e eu levantarei as suas ruínas...”. “... de modo que ele também diga de Jerusalém: Ela será edificada...”.

Agora leia os dois versos citados de Esdras 1:2-3 e compare com os versos escrito por Jeremias e por Isaías.

Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor Deus do céu me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós de todo o seu povo (seja seu Deus com ele) suba para Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém”. (Esdras 1:2-3).

O rei Ciro reconhece e aceita a profecia como tendo pleno cumprimento com ele. Reconheceu também que YHWH habita em Jerusalém. Por isso o povo deveria voltar pra Jerusalém, que é em Judá, e edificar o Templo de YHWH. (Leia as profecias do profeta Jeremias, nos capítulos: 25:11-12 e 29:10).

(08 - Como provar que este período começa em 457 a.C. uma data que não tem nada a ver com o sacrifício diário?)

Na realidade, a Bíblia declara (Esdras 7:7) que “no ano sétimo do rei Artaxerxes”, isso equivale a dizer que os judeus que voltaram com Esdras pra Jerusalém. Saíram no ano 457 a.C.. Também está escrito no livro de Esdras, que eles partiram de Babilônia, “no dia primeiro do primeiro mês”. Portanto, o Decreto/Edito/Ordem oficialmente foi promulgado bem antes da partida deles para Jerusalém. O que nos leva a crê que foi no ano 458 a. C..

Como já fora dito, as 2.300 tardes e manhãs não tratam, especificamente, de sacrifícios. Por isso o verso não traz inserido em seu texto, tal palavra. E quanto à data, ela não necessita está vinculado ao sacrifício, mas ao Decreto/Edito/Ordem (Dan. 9:25) do rei para que os judeus retornassem para concluir a restauração da cidade. Principalmente no que diz respeito ao aspecto administrativo (com um governo subordinado diretamente ao rei Artaxerxes) e judiciário (Julgar e condenar os transgressores). No entanto, em Dan. 9:24, o texto é claro ao trazer: “Expiar a iniqüidade”, ligando as “Setenta Semanas” à Expiação. Mais adiante, no verso 27, falando da última semana, foi dito: “Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”.

Diante disso, podemos que o ano, marco inicial, quando saiu o Decreto/Edito/Ordem é a data específica que nos orienta para contarmos o tempo das Setenta Semanas, a fim de sabermos quando se cumpriria a expressão: “Expiar a iniqüidade” e “Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”. Qual ano? Apenas uma data pode nos dá uma resposta coerente a essa pergunta. E a resposta é o ano 458/457 a.C., apresento duas datas, não em função de dois anos, mas porque os judeus têm dois Calendários: um civil e outro religioso, o das Festas.

Esta pergunta (13) Como provar que a palavra “ORDEM” em Daniel 9:25 é realmente um decreto real e que este rei é Artaxerxes?) já foi respondida.A palavra ordem que em Dan. 9:23 ocorre duas vezes, pode ser traduzida por Decreto. E em Esdras 8:36 encontramos: “os Decretos/Editos” do rei Artexerxes.

Existem segmentos religiosos que identificam a Ordem (Dan. 9:25) com o regresso de Neemias a Jerusalém. No entanto, no livro de Neemias não existe nenhuma menção de Ordem/Decreto/Edito, a não ser uma carta sem valor jurídico por parte do rei. Apenas apresentando a vontade do rei. O que é bem diferente do acontecido com Esdras.

Esta pergunta (12) Como provar que os 490 anos e os 2300 anos começam exatamente juntos na História?

Como já foi dito acima, as Setenta Semanas foram separadas/tiradas das 2.300 “tardes e manhãs”, porque Dan. 8:13-14, 16, 26-27 e 9:22-25, estão intimamente relacionados no que diz respeito ao que fora dito pelos Santos bem como pelo anjo Gabriel, principalmente, em função do que não havia sido entendido pelo profeta no capítulo 08 (oito) e na ordem que fora dada ao anjo, no que diz respeito à mensagem (explicação) que ele veio trazer a Daniel no capítulo 09 (nove). josielteli@yahoo.com.br

Retornar

Para entrar em contato conosco, utilize este e-mail: adventistas@adventistas.com