CAPÍTULO 14
O segredo da prosperidade

Conheci Adolfo no pior momento de sua vida. Ele havia me telefonado no dia anterior, desesperado. Queria desaparecer porque sentia que nunca poderia pagar suas dívidas. Pediu-me que orasse por ele porque estava começando um novo empreendimento. Até aquele momento nada tinha dado certo para ele. Parecia que tudo o que tocava estava amaldiçoa­do. Achava inclusive que uma ex-amante tinha feito com ele algum trabalho de macumba.

O diálogo que mantivemos logo me mostrou a razão do problema: Adolfo estava lutando só e neste mundo ninguém é uma ilha, nem uma brasa ardendo separada da fogueira. Um indivíduo depende de outro e todos juntos dependemos de Deus.

Um homem sábio nunca deixa de aprender. Ele sempre expressa curiosidade por tudo que é novo: novos descobrimentos e tecnologias. É por isso que o homem sábio mantém um lugar privilegiado em tudo, inclusive na vida profissional, familiar e afetiva, e é por isso também que você está lendo este livro.

Hoje de manhã, enquanto esperava o meu vôo no aeroporto, dei uma olhada na livraria. A maior parte dos livros trata de esoterismo e auto-ajuda. Todos querem vencer. A prosperidade é uma meta atrás da qual todas as pessoas correm. Talvez porque o ser humano foi criado por Deus com instinto de sucesso. Ninguém foi criado para viver fracassado. Mesmo depois da entrada do pecado, o desejo de Deus para a humanidade é expresso pelo profeta Isaias: "Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda."1

Adolfo acreditava em Deus, mas, apesar disso as coisas não estavam dando certo para ele. Onde estava o problema?

Um plano especial

Precisamos voltar ao Jardim do Éden para compreender o plano divino da prosperidade para a criatura humana. O Criador utilizou seis dias para preparar o ambiente em que o homem devia viver. Ele criou a luz, o Sol, a Lua, as estrelas, os animais, os peixes, as aves e todas as árvores e plantas. A coroa da Criação foi o ser humano. Depois de criá-los, Deus disse: "'Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra... Eis que lhes dou to­das as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes. Elas servirão de alimentos para vocês."'2

O ser humano foi criado para viver uma vida de prosperidade. Parte dessa prosperidade era o trabalho: "O Senhor Deus colocou o homem no Jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo."3 No entanto, o verdadeiro segredo não estava somente no trabalho. Adolfo precisava entender isto. "Quanto mais trabalho, parece que menos tenho" - queixava-se. O segredo da prosperidade que poucas pessoas conhecem está na seguinte ordem do Criador: "E o Senhor Deus ordenou ao homem: 'Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá."'4

É verdade que Deus confiou toda a criação ao ser humano. Nessa criação estavam incluídas as riquezas naturais do mundo animal, vegetal e mineral. Mas em nenhum momento o Criador passou o título de propriedade à criatura. Esta seria apenas uma administradora dos bens confiados pelo Criador.

Deus, porém, sabia que com o transcorrer do tempo, o homem correria o perigo de esquecer que Ele é o Criador e dono de tudo e tentaria apoderar-se do que lhe tinha sido confiado. Por isso estabeleceu um pacto: "Você não pode tocar esta árvore." Não havia nada especial naquela árvore. Deus apenas a tinha reservado para Si e o ser humano devia respeitar o que era dEle. Enquanto o fizesse, estaria reconhecendo que Deus é o dono de tudo e ele, apenas o administrador.

Se fosse o administrador de uma empresa e as coisas, por algum motivo, não estivessem dando certo, você não teria que recorrer ao dono para que investisse mais dinheiro, por exemplo? Claro que sim. Afinal de contas ele é o dono e é ele quem mais se interessa em que a empresa se salve.

Imaginemos outro exemplo. Eu tenho um carro e o empresto a um amigo com o seguinte acordo: "O carro é meu mas o empresto para você. Pode usar à vontade. Mas para eu saber que você lembra que eu sou o dono, você deve trazer o carro para mim toda segunda de manhã." Enquanto o amigo aceitar o trato, eu continuo sendo o dono e, como tal, sou responsável pelo carro. Se o carro quebrar, eu o conserto porque sou o dono.

Acontece que, na história bíblica, Adão e Eva não só tocaram a árvore que Deus tinha reservado para si, mas comeram do seu fruto e, desse modo, começou a desgraça dos seres humanos. Sua história, a partir desse instante, esteve cheia de lágrimas, dor e morte. O primeiro casal teve que abandonar o jardim e a bênção que significava morar naquele lar original. Daí por diante todos os seres humanos tiveram que enfrentar as conseqüências: "E ao homem declarou: 'Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual Eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida. Ela lhe dará espinhos e ervas daninhas, e você terá que alimentar-se das plantas do campo. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará. "5

Então o homem está condenado a uma vida de pobreza, miséria e necessidade? A resposta é não, porque Deus estabeleceu outro pacto de fidelidade e prosperidade com o ser humano. O profeta Mala­quias, inspirado por Deus, escreve: "'Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja ali­mento em Minha casa. Ponham-Me à prova', diz o Senhor do Exércitos, 'E vejam se não vou abrir as comportas dos Céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las."6

A árvore do conhecimento do bem e do mal já não está mais na Terra. Se Adão e Eva tivessem sido fiéis, teriam sido prósperos para sempre. Hoje o dízimo [a devolução de uma décima parte de tudo que Deus nos dá, como reconhecimento de que Ele é o Criador e Mantenedor da vida] é uma prova de fidelidade. Através dele o Deus do Céu nos lembra que Ele continua sendo o dono de tudo e que a prosperidade depende de nossa fidelidade e obediência ao pacto que Ele estabeleceu com o ser humano.

Assim como os nossos primeiros pais não deviam tocar na árvore da ciência do bem e do mal, nós, hoje, não devemos tocar o dízimo por ser sagrado e propriedade de Deus. A prosperidade é, sem dúvida nenhuma, o resultado da fidelidade.

"Ponham-Me à prova", disse o Senhor. Sua promessa é certa. Tenho visto inúmeras pessoas que acreditaram nela e saíram da miséria para a prosperidade. O próprio Adolfo, o homem de minha história inicial, encontrou-me um dia desses completa­mente transformado. Dirigia um carro novo e mos­trava um sorriso de satisfação. Um dia descobriu o segredo. Ele não devia esperar que lhe sobrasse para devolver a Deus o que era Seu. Assim, na próxima vez que recebeu dinheiro, a primeira coisa que fez foi separar o que era de Deus, e o Senhor cumpriu a Sua promessa, fazendo-o prosperar.

O primeiro verso da Bíblia diz: "No princípio criou Deus os céus e a terra. "7 No original hebraico e nas traduções em inglês, o verso faz muito mais sentido porque diz: "No principio, DEUS criou os céus e a terra."

Primeiro, Deus

A uma simples vista, você pode nem notar a diferença. Mas existe uma diferença e muito grande. Se você crê que no principio CRIOU Deus os céus e a terra, estará sempre colocando a ação antes de Deus. Trabalhar, correr, lutar, vender, comprar. A ação sempre é saudável. Não existe reação sem ação. Não espere nada da vida sentado ou deitado na cama. Mas a ação, quando é colocada antes de Deus, pode se transformar numa maldição.

Se, por outro lado, você entender que "no princípio, Deus criou os céus e a terra", aprenderá a colo­car Deus antes da ação e verá as maravilhas que Ele é capaz de operar mediante a ação humana.

Outro dia um rico empresário me dizia: "Eu não concordo com sua maneira de ver as coisas. Sei que Deus precisa ter um lugar na vida da gente, mas eu venci sozinho e, como você pode ver, tenho tudo o que um ser humano pode desejar."

As pessoas confundem freqüentemente riqueza material com prosperidade. Na Biblia encontramos a história de um homem chamado Jacó. Um dia ele se apresentou ao seu pai e mentindo disse: "'Sou Esaú, seu filho mais velho. Fiz como o senhor me disse. Agora, assente-se e coma do que cacei para que me abençoe."8

Jacó queria ser abençoado. Ele estava atrás da prosperidade, como todo ser humano. Mas ele não conhecia o segredo. Buscou a prosperidade com engano e mentira. Fingiu, aparentou, disfarçou­se e à simples vista conseguiu o que queria.

A história conta que ele teve que fugir para uma terra estranha. Lá ele acumulou riquezas. A Bíblia diz: "Assim o homem ficou extremamente rico, tornando-se dono de grandes rebanhos e de servos e servas, camelos e jumentos."9

À primeira vista Jacó era um homem próspero. Tinha tudo que um ser humano precisa para ser feliz. Mas não era. Seu coração estava vazio. Esta é a tragédia do homem contemporâneo - mede a prosperidade pela riqueza. Mas descobre que o tamanho de sua felicidade não é proporcional ao de seu saldo bancário.

Aquele rico empresário dizia: "Eu sei que Deus precisa ter um lugar na vida da gente." Não. Não é Deus quem precisa, é o homem que precisa dar a Deus o primeiro lugar na sua vida, porque quando aprende a fazê-lo, tudo começa a cobrar sentido. As coisas simples da vida têm significado e se você andar com Deus, observando os detalhes à sua volta, como o canto de uma ave ou o sorriso de seu filho pequeno, então, não precisa mais procurar a felicidade porque já a encontrou.

Uma noite, Deus se apresentou a Jacó e disse: "Volte para a terra de seus pais e de seus parentes, e Eu estarei com você."10 Jacó voltou. E preciso voltar. É preciso parar. Quando nada parece dar certo, é urgente parar. "Parem de lutar! Saibam que Eu sou Deus! Serei exaltado entre as nações, serei exaltado na terra"11, disse Deus.

Jacó voltou. Confrontar-se com o passado era doloroso mas precisava começar de novo no ponto em que tinha falhado. "Quem é você?", pergunta-lhe uma noite o anjo e ele não se esconde mais, não mente, não disfarça. Confessa seu nome, reconhece quem é e nasce de novo.

A história diz: "Ao nascer do sol, atravessou Peniel, mancando por causa da coxa."12 Mas de que importava isso agora? Finalmente era feliz. O dinheiro e as riquezas que acumulava passaram agora a ter outro sentido. Finalmente tinha descoberto o verdadeiro segredo da prosperidade.

A Bíblia é o manual de sobrevivência e felicidade do ser humano. Deus quer que você tenha saúde, que desfrute de uma vida plena, que construa uma família harmoniosa, que seja próspero como ser humano, como profissional e como membro da comunidade em que vive. E na Bíblia você pode achar os segredos para que tudo isso se torne uma realidade a sua experiência.

É pena que o ser humano muitas vezes tenha que se machucar na vida. Às vezes, tem que chegar a um ponto aparentemente sem saída. Ali, sem amigos, sem família, sentindo-se derrotado, não tendo outra alternativa, senão volver os olhos a Deus - e Ele é tão maravilhoso que está sempre com os braços abertos, disposto a receber o filho amado!

1. Isaías 58:8
2. Gênesis 1:28 e 29
3. Gênesis 2:15
4. Gênesis 2:16 e 17
5. Gênesis 3:17-19
6. Malaquias 3:10
7. Gênesis 1:1
8. Gênesis 27:19
9. Gênesis 30:43
10. Gênesis 31:3
11. Salmo 46:10
12. Gênesis 32:31

(Transcrito do livro Passaporte para a Vida, de Alejandro Bullón, Primeira Edição, 2002, págs. 94-99.)

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