13 Provas da Preferência da IASD por Ditadores
Asssista à palestra completa de Ronald Lawson sobre acomodação política, perseguição e divisão na União Soviética e outros países (com tradução automática para o português)
Antes de prosseguir, vale muito a pena assistir à palestra completa de Ronald Lawson, da qual extraímos os trechos e os 13 pontos resumidos abaixp. O vídeo traz o contexto, os exemplos históricos e as tensões vividas pela liderança adventista em diferentes regimes autoritários, diretamente da fonte.
O YouTube permite ativar tradução automática para o português. Para assistir:
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A tradução automática não é perfeita, mas é suficiente para acompanhar o conteúdo e perceber a gravidade dos fatos narrados. Ouvir Lawson diretamente ajuda a entender o tom, as hesitações e o peso das experiências que ele descreve.
1) A lógica da “relação de troca” entre igreja e poder político
“Então, deixe-me contar isso cronologicamente. Uma das coisas que aprendemos a fazer foi criar uma relação de troca entre a Igreja Adventista e o líder ou o partido governante. Essa relação de troca é, às vezes, chamada de ‘uma mão lava a outra’: é quando ambas as partes ganham. Ambos têm algo a ganhar.
Agora, tudo isso começou na União Soviética, sob Stalin, em 1924. Naquele período, os adventistas em toda a Rússia realizaram um Congresso Adventista. Eles disseram que tiveram uma reunião de divisão, mas que estavam sob pressão e que tiveram que fazer certas declarações.”
2) A mudança oficial sobre serviço militar: da consciência individual ao “dever cristão”
“No início, o serviço militar foi declarado uma questão de consciência individual. Porém, no congresso de 1928, as coisas ficaram muito mais controversas. Ali, eles passaram a dizer oficialmente que o serviço militar é um dever cristão e que qualquer pessoa que ensinasse o contrário seria considerada herege e deveria ser desassociada.”
3) Leis contra o proselitismo e a sobrevivência precária da igreja
“Entretanto, novas leis foram promulgadas para combater o proselitismo e o trabalho de caridade considerados prejudiciais. As igrejas, incluindo a Igreja Adventista, aceitaram tudo isso. Ao aceitar essas condições, conseguimos continuar a funcionar, mas numa situação bastante precária.”
4) A divisão: os Verdadeiros e Livres e a perseguição
“A igreja se dividiu por causa disso. Um pequeno grupo, chamado de Verdadeiros e Livres, se separou da igreja principal. Eles sofreram como resultado disso. Vladimir Shelkov, líder dos Verdadeiros e Livres, foi preso em um gulag.
Durante décadas, eles disseram que eram os verdadeiros, porque estavam guardando os mandamentos do sábado. Eles não estavam transigindo em relação ao sábado, não estavam cedendo em relação ao serviço militar, ou seja, ao ato de matar. Eles se diziam livres por não se alistarem com o governo, mas acabaram se metendo em grandes problemas. Creio que esse foi o ponto central do conflito.”
5) Nazismo: concessões desnecessárias e acomodação ideológica
Embora simpatize com o que a Igreja Adventista fez na Rússia sob Stalin para sobreviver, Ronald Lawson se sentiu desconfortável com a postura adotada sob o regime nazista, pois ali foram feitas concessões que não eram necessárias. Entre os exemplos citados, estava a repetição frequente de que Hitler era quase um adventista, por ser vegetariano, não fumar e não beber, como se esses traços o aproximassem do adventismo.
6) Distanciamento de grupos perseguidos e concessões éticas graves
Para se diferenciar dos reformados que haviam se separado por recusarem o serviço militar na Primeira Guerra Mundial, e também para não serem associados aos judeus por causa do sábado, os adventistas tomaram decisões graves: expulsaram da comunhão membros de ascendência judaica e mudaram o nome do sábado e da Escola Sabatina, evitando termos que os associassem ao judaísmo.
A Divisão Centro-Europeia, em território nazista, chegou a enviar cartas orientando que não havia problema trabalhar em fábricas de munições no sábado e lutar como soldados regulares quando havia a opção de serviço
não combatente. Após a guerra, as Testemunhas de Jeová, que foram para os campos de concentração, cresceram rapidamente na Alemanha, enquanto os adventistas cresceram lentamente.
7) Europa Oriental: privilégios, propaganda e submissão ao Estado
Após a guerra, com a expansão da influência soviética na Europa Oriental, líderes adventistas passaram a ser escolhidos pelos governos e aprenderam a obter privilégios nessas posições. Na Polônia, onde o principal adversário do regime comunista era a Igreja Católica (especialmente durante o pontificado de João Paulo II), os adventistas cooperaram fortemente com o regime, publicando conteúdo anticatólico e recebendo vantagens em troca, como permissões editoriais e acesso a recursos.
Lawson relata que escritos de Ellen White chegaram a ser impressos em números superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Lenin, podendo ser vendidos em bancas do governo. Como resultado dessas relações de troca, a igreja obteve seminário, editora e sede em Moscou, além de privilégios institucionais.
8) Neal C. Wilson e o apoio a estruturas oficiais
Neal C. Wilson, enquanto presidente da Conferência Geral, emitiu declarações reconhecendo apenas a organização adventista oficial em cada país, geralmente a reconhecida pelas autoridades. Isso foi visto como apoio aos grupos oficiais e recusa em reconhecer grupos cismáticos, como ocorreu também na Hungria.
Em encontros com autoridades soviéticas, líderes adventistas ofereceram cooperação em educação e medicina, elogiaram a liberdade religiosa restrita concedida à igreja e chegaram a discordar publicamente da caracterização da URSS como “império do mal”, em troca de benefícios institucionais.
9) Coreia do Sul: lealdade, repressão e tensão com o Estado
Durante os regimes militares de Park e Chun, na Coreia do Sul, os adventistas foram cooperativos e leais ao Estado, o que facilitou o credenciamento de suas instituições. Contudo, dois adventistas foram executados por se recusarem a portar armas, e mais de cem foram presos por até sete anos. Houve forte tensão com o Estado nas décadas de 1950 e 1960.
Nos anos 1970, a questão do serviço militar voltou a dividir a igreja. A decisão final foi tratar o serviço militar como questão de consciência individual, mas, na prática, a maioria dos estudantes acabou participando do treinamento militar. Muitos que haviam sido presos anteriormente se sentiram traídos, e mais da metade deixou a igreja.
10) Filipinas e a ilusão de proximidade com o poder
Nas Filipinas, houve apoio ao presidente Marcos por suposta proximidade com o adventismo em sua infância. Com o crescimento da oposição e a ascensão de Corazon Aquino, católica fervorosa apoiada pelo cardeal de Manila, os adventistas demonstraram temor e resistência, revelando como alianças políticas moldavam suas reações.
11) América do Sul: ditaduras militares e negação da repressão
No Brasil, Argentina, Chile e Paraguai, Lawson ouviu líderes adventistas falarem positivamente dos regimes militares e negarem relatos de tortura, morte e desaparecimentos. Quando os regimes civis retornaram, muitos adventistas passaram a criticar os governos democráticos por permitirem greves, elogiando o “controle” exercido pelos militares.
No Chile, durante o regime Pinochet, houve recepção pública ao ditador em campus adventista, com oração de gratidão por sua liderança. Lawson observou forte desconexão entre a liderança pró-regime e membros pobres, gerando amargura. Situação semelhante ocorreu na Guatemala, onde a liderança manteve relações estreitas com ditadores, enquanto membros pobres se ressentiam dessa aproximação.
12) África: alianças com presidentes de longa permanência
Em países africanos, os adventistas frequentemente estabeleceram relações de troca com presidentes que permaneciam longos períodos no poder. No Quênia, por exemplo, a igreja obteve terreno para universidade em Baraton como resultado de bom relacionamento com o presidente, ainda que o local não fosse o mais adequado para a maioria dos membros. Em momentos eleitorais, líderes adventistas elogiaram publicamente o governante, recebendo atenção da imprensa.
13) Conclusão de Lawson: sobrevivência, concessões e custos morais
Lawson conclui que, ao lidar com governos autoritários, a principal preocupação tem sido a sobrevivência institucional. Para continuar proselitizando, operando escolas e preservando o sábado e a não participação armada no exército, líderes adventistas fizeram concessões significativas, formando relações de troca com regimes ditatoriais.
Esses acordos trouxeram benefícios institucionais — credenciamento, isenções, direito de publicar e enviar recursos — mas também custos morais profundos: apoio público a ditadores, distanciamento de grupos perseguidos e conflitos internos com membros pobres e dissidentes. Lawson observa que, apesar da familiaridade adventista com Daniel e Apocalipse, muitas vezes a igreja pareceu esquecer que a Bíblia descreve governantes opressores como “bestas”.
Conclusão editorial: quando a sobrevivência institucional cobra um preço espiritual
A exposição de Ronald Lawson é desconfortável porque toca num nervo sensível: o ponto em que a sobrevivência institucional passa a valer mais do que a coerência espiritual. Ao longo de regimes comunistas, nazistas, ditaduras militares latino-americanas, governos autoritários africanos e contextos asiáticos, o padrão se repete: a igreja aprende a negociar sua liberdade por meio de relações de troca com o poder.
O problema não é reconhecer que cristãos reais vivem sob governos reais, muitas vezes hostis, e precisam lidar com pressões concretas. O problema é quando a lógica da sobrevivência passa a justificar:
- a exaltação pública de ditadores,
- a negação de perseguições e abusos,
- a exclusão de grupos vulneráveis,
- a acomodação moral em temas como serviço militar, sábado e consciência,
- e o silenciamento de dissidentes dentro da própria comunidade de fé.
Lawson mostra que, em muitos casos, os benefícios obtidos — editoras, escolas credenciadas, liberdade limitada de culto, privilégios institucionais, acesso a autoridades — vieram acompanhados de um custo profundo: a perda de autoridade profética, a ruptura com membros pobres e perseguidos, e a normalização de alianças com estruturas de poder que a própria Escritura denuncia como opressoras.
É particularmente perturbador que uma igreja moldada pelos livros de Daniel e Apocalipse — textos que descrevem impérios como bestas que oprimem o povo de Deus — tenha, em tantos momentos, escolhido elogiar essas mesmas bestas em troca de espaço institucional. O conflito não é apenas histórico; ele é teológico e espiritual.
A pergunta que permanece não é apenas: “Como a igreja sobreviveu?”
A pergunta mais difícil é: “Em que medida ela se descaracterizou para sobreviver?”
A lição mais dura do levantamento de Lawson é que a igreja pode preservar prédios, instituições, editoras e estruturas — e, ainda assim, perder algo essencial: a liberdade de dizer “não” ao poder quando o poder exige concessões que ferem a consciência cristã. Sobreviver não é o mesmo que permanecer fiel.
Se há um chamado que emerge dessa história, é o de recuperar uma postura que não seja nem suicida, nem cúmplice: uma fidelidade que saiba conviver com pressão, mas que não se deixe domesticar por ela. Sem isso, a igreja corre o risco de continuar existindo por fora, enquanto se esvazia por dentro.