Monstros não surgem no vácuo; eles prosperam onde o silêncio é consentimento. Quando instituições aprendem a administrar o mal em vez de enfrentá-lo, o horror deixa de ser exceção. Os “Dias de Noé” não anunciam o fim — descrevem o funcionamento normal do sistema.

Dossiê Especial — Criação em Laboratório
Como a IASD abriu a porta para negociar os limites da criação de Deus.
- 1998: documento oficial relativiza a clonagem humana — inaceitável “hoje”, possivelmente aceitável “amanhã”.
- O mecanismo: declarações votadas por comissões substituem limites bíblicos por “gestão de riscos”.
- O desvio: ética administrada por comissões, não definida pela ordem criacional.
- O sinal profético: os “dias de Noé” retornam sob a linguagem da biotecnologia.
- A denúncia: quando a igreja negocia limites, deixa de ser sentinela e passa a gerir o abismo.

Clonagem, Designer Babies e a Capitulação Profética da Liderança Adventista
Mais uma descoberta do Adventistas.Com: em 1998, quando a maioria dos fiéis sequer imaginava a velocidade com que a biotecnologia atravessaria os limites da criação, a liderança mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia votou uma declaração oficial que, embora rejeitasse a clonagem humana “no estado atual do conhecimento”, deixou registrada a possibilidade de que, em cenários futuros, tal prática viesse a ser considerada “benéfica” e “moralmente aceitável”.
Não se trata de um detalhe histórico irrelevante, mas de um marco teológico que expõe uma inflexão profunda: o limite da criação de Deus foi relativizado e submetido ao crivo do progresso técnico. O que deveria ser denunciado como transgressão ontológica passou a ser tratado como problema de protocolo e gestão de risco.
Essa abertura precoce, votada em concílio, não foi ingenuidade: foi a preparação moral para conviver com o espírito que hoje se manifesta sem pudor nos projetos de engenharia da vida humana.
Documentos do DOJ, “Designer Babies” e o Horror que Circula sob o Nome de Epstein
Nos últimos anos, documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), associados aos chamados “Epstein files”, passaram a circular publicamente, acompanhados de denúncias, suspeitas e teorias que apontam para discussões e propostas envolvendo designer babies, edição genética, melhoramento humano e transumanismo.
Os documentos de Epstein revelam o projeto do “bebê sob medida”, experimentos genéticos e ligações com o transhumanismo.
Esta imagem, divulgada pelos democratas do Comitê de Supervisão da Câmara em 18 de dezembro de 2025, sem data e sem localização definida, mostra o falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. Fotografia: (AFP)
Destaques da história
Documentos recentemente divulgados sobre Epstein revelam e-mails discutindo um projeto de “bebê sob medida” envolvendo aprimoramento genético, edição da linhagem germinativa, clonagem e experimentos em um laboratório ucraniano, juntamente com alegações ligadas às crenças transhumanistas de Epstein.
Os arquivos de Epstein recentemente divulgados revelam que o financista desonrado Jeffrey Epstein estava ligado a um projeto com o famoso programador Bryan Bishop. A correspondência entre os dois, datada de 30 de agosto de 2018, revela que Bryan Bishop solicitou fundos para apoiar um “projeto de bebês sob medida” envolvendo aprimoramento genético de pessoas, edição da linha germinativa, implantação de embriões e clonagem. Nesses e-mails, Bishop mencionou que estava prosseguindo com “mais testes em camundongos” em um laboratório na Ucrânia.
Captura de tela da fotografia EFTA02625362 : (DOJ)
Captura de tela da fotografia EFTA01004839 : (DOJ)
Bryan vinha se correspondendo com Epstein e compartilhou uma apresentação detalhada sobre seu projeto em 21 de abril de 2018. Bryan apontou que havia vários obstáculos relacionados a esse projeto, incluindo “risco reputacional e também qualquer envolvimento financeiro”, ao que Epstein respondeu: “Não tenho problema em investir; o problema é se eu for visto como o líder”.
Bryan mencionou ainda que Epstein possivelmente seria o “primeiro investidor, desde que o anonimato absoluto seja mantido”. Mas ele sugeriu algumas condições, como evitar a identificação pública dos pais ou benfeitores, pois a mídia os rotularia como “aberrações para o resto da vida”.
Os documentos corroboram relatos antigos de que Epstein era obcecado pelo “transhumanismo”, a ideia de aprimorar a raça humana por meio de tecnologias como a engenharia genética. Ele teria discutido o desejo de “semear” a raça humana com seu próprio DNA.
Houve ainda alegações de que Jeffrey Epstein usou uma menina menor de idade como uma “incubadora humana”. Ela escreveu que, minutos após dar à luz, seu filho foi arrancado de seus braços. A menina menciona em seu diário que se tratava de um esforço “nazista” para criar um “pool genético superior”; o conteúdo do diário não foi verificado pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Este relato em primeira pessoa faz diversas referências ao rancho no Novo México. De acordo com uma reportagem do NYT, que cita conhecidos de Epstein e registros públicos, ele esperava “semear a raça humana com seu DNA”.
Fonte: https://www.wionews.com/world/epstein-files-designer-baby-genetic-enhancement-transhumanism-1770553755631
Ainda que o debate público inclua disputas sobre extensão, contexto e implementação prática dessas ideias, o fato de tais temas aparecerem em comunicações associadas a um dos nomes mais repulsivos da história recente é, por si só, um retrato do grau de degeneração moral da elite tecnocientífica que opera nos bastidores do poder.
Não estamos diante de ficção científica; estamos diante de uma mentalidade que trata a vida humana como plataforma de experimentação, o corpo como matéria-prima e o nascimento como processo industrializável. O que antes era tabu absoluto passou a ser apresentado como “inovação”, “empreendedorismo reprodutivo” e “progresso da espécie”.
O Espírito Antediluviano Não Morreu — Apenas Mudou de Linguagem
Os testemunhos antigos sobre o mundo pré-diluviano descrevem mais do que imoralidade sexual ou violência social: descrevem uma humanidade que atravessou limites proibidos, interferindo na própria ordem da criação. O resultado foi corrupção generalizada da carne e juízo divino.
Hoje, a mesma arrogância retorna sob a linguagem da ciência redentora: “melhorar” o ser humano, “corrigir” o que Deus criou, “projetar” vidas conforme interesses de investidores, laboratórios e ideólogos. A diferença é o verniz técnico.
O espírito é o mesmo. A mentalidade é a mesma. O desprezo pela fronteira entre criatura e Criador é o mesmo. O que os dias de Noé fizeram com práticas ilícitas e saberes proibidos, a modernidade faz com biotecnologia de ponta, edição germinativa e promessas de imortalidade tecnológica.
Pharmakeia Moderna: Quando a Técnica se Torna Feitiçaria de Laboratório
O Apocalipse denuncia um sistema que engana as nações por meio da pharmakeia — não apenas drogas, mas práticas de manipulação, sedução técnica e domínio sobre a vida.
A biotecnologia que reivindica o direito de reprogramar o humano encarna essa pharmakeia moderna: promete cura, vende redenção, entrega dominação. O discurso é sempre o mesmo: aliviar sofrimento, otimizar resultados, ampliar capacidades.
O efeito real é outro: mercantilizar corpos, normalizar o descarte de vidas embrionárias, institucionalizar a fabricação do humano. É a Babilônia científica oferecendo seus encantamentos a um mundo cansado de limites. E muitos líderes religiosos, em vez de denunciar a feitiçaria moderna, preferem aprender a administrá-la.
Quando a Igreja Aprende a Conviver com o Abismo
O choque não está apenas nos horrores que emergem dos bastidores do poder tecnocientífico. O choque maior é perceber que, décadas antes de esses temas explodirem no debate público, a liderança institucional adventista já havia deixado por escrito que práticas de manipulação radical da geração da vida poderiam, um dia, ser moralmente aceitáveis.
Isso é capitulação profética. Isso é substituir o “assim diz o Senhor” por “veremos o que a tecnologia permite”. Uma igreja que nasce para denunciar Babilônia não pode aprender a negociar com os encantamentos de Babilônia.
Quando a instituição troca a linguagem da denúncia pela linguagem da acomodação, ela deixa de ser sentinela e passa a ser consultora ética do sistema que deveria confrontar.
Denúncia Final: Não é Apenas Desvio — É Traição ao Chamado Profético
Não há neutralidade possível diante da fabricação do humano. Ou se guarda a ordem da criação como limite sagrado, ou se participa da sua violação como cúmplice educado.
A declaração de 1998 revela que a liderança institucional preferiu deixar a porta entreaberta para o que hoje se apresenta como horror normalizado. O resultado é uma igreja que fala de profecia enquanto aprende a conviver com o espírito que antecede o juízo.
Os “dias de Noé” não são metáfora confortável; são diagnóstico de uma civilização que decidiu brincar de Deus. E toda liderança que relativiza esse limite, que ensina o povo a negociar com o abismo, não apenas erra: trai o chamado profético que lhe foi confiado.
Como a IASD criou o mecanismo que permitiu a declaração de 1998

Contexto-chave (descoberta do Adventistas.Com): a declaração da IASD sobre clonagem humana, votada em 1998, não surgiu do nada. Ela foi produzida dentro de um mecanismo teológico-institucional criado décadas antes, que passou a regular temas sensíveis por meio de declarações oficiais votadas por comissões — um novo “gênero” de textos que se tornou o canal legítimo para negociar limites éticos sem alterar formalmente a doutrina.
O novo “gênero” institucional: A partir do fim dos anos 1970 e início dos 1980, a liderança mundial da IASD institucionalizou declarações, diretrizes e documentos “oficiais” para tratar de bioética, reprodução assistida, genética, sexualidade, guerra, política e temas públicos. Isso criou uma camada extrabíblica de mediação ética, apresentada como “orientação” da liderança global.
Trilho de proteção, não muro: Essas declarações não funcionam como proibição absoluta, mas como “guard rails” (trilhos de proteção).
Na prática, isso substitui o limite bíblico por gestão de risco: em vez de “não ultrapasse”, passa a valer “avance com cautela”. Foi exatamente esse modelo que permitiu à IASD dizer, em 1998, que a clonagem humana é inaceitável hoje, mas potencialmente aceitável amanhã.
Norma institucional revisável: As declarações são tratadas como tradição denominacional escrita (norma normata), passível de revisão conforme o contexto histórico e o avanço tecnológico.
Isso cria um atalho teológico perigoso: em vez de retornar aos limites da criação revelados na Escritura, consulta-se o documento institucional mais recente.
Ética gerenciada por comissões: Como a maioria das declarações trata de ética, a moral cristã passa a ser administrada por comitês técnicos. É nesse ambiente que a transgressão deixa de ser denunciada como intrinsecamente errada e passa a ser “avaliada”, “ponderada” e “condicionada a protocolos”. Assim se normaliza, por etapas, o que antes seria inegociável.
Diplomacia moral com o mundo: Ao buscar linguagem aceitável para mídia, academia e governos, a igreja troca o tom de sentinela pelo de mediadora ética. Em vez de confrontar Babilônia, aprende a regular Babilônia. O resultado é uma igreja que conversa com a usurpação técnica da criação em vez de denunciá-la como sinal dos “dias de Noé”.
Conclusão: Aa porta aberta em 1998 não foi acidente; foi resultado de um modelo. Quando a igreja cria um gênero institucional para negociar limites, ela deixa de ser sentinela e passa a ser gestora do abismo.
Leia a análise completa no artigo de referência:
An_Emerging_Genre_Adventist_Denominational_StatemeLeitura estratégica do documento (o que ele revela — e o que expõe)
1) As “declarações oficiais” são um novo gênero institucional — e isso muda o jogo
O autor reconhece que, a partir do fim dos anos 1970/início dos 1980, a IASD criou um novo tipo de texto teológico-administrativo: declarações, diretrizes e documentos “oficiais”, votados por comissões e publicados para “variados públicos”. Isso não é detalhe: é a institucionalização de uma camada de autoridade extrabíblica que passa a moldar a ética adventista contemporânea.
Leitura profética (à luz da “bomba” da clonagem 1998):
Ao criar esse “gênero”, a liderança construiu um canal legítimo para negociar limites morais sem precisar mexer na doutrina formal. É por esse canal que entra a relativização: “hoje é inaceitável, amanhã pode ser aceitável”. A ética deixa de ser limite revelado e vira processo gerencial.
2) As declarações funcionam como “trilho de proteção”, não como muro
O próprio autor afirma que as declarações são melhor lidas como “guard rails” (trilhos de proteção), não como “turnpikes” (barreiras intransponíveis). Ou seja, orientam, mas não proíbem de modo absoluto.
Leitura profética:
Isso explica por que a declaração de 1998 sobre clonagem não fecha a porta, apenas “regula o trânsito”. É o exato oposto da linguagem bíblica de limites: quando Deus proíbe, Ele fecha a porta. O modelo institucional passa a ser: “cuidado ao avançar”, não “não ultrapasse”.
3) As declarações são norma normata, não norma normans
O autor é explícito: essas declarações são tradição denominacional escrita, não a norma suprema; elas são norma normata (normas normatizadas), derivadas de interpretações bíblicas, e devem ser lidas como descritivas do consenso institucional, não como revelação.
Leitura profética:
Na prática, isso cria um atalho teológico: em vez de voltar ao texto bíblico e aos limites criacionais, a igreja passa a citar documentos. É assim que uma comunidade “sem credo” cria, na prática, camadas de magistério ético que podem ser atualizadas conforme a pressão cultural e tecnológica.
4) A ética virou o “núcleo” do novo gênero — e é aí que o desvio acontece
O levantamento mostra que a maioria das declarações oficiais trata de ética (bioética, reprodução assistida, genética, clonagem, sexualidade, etc.).
Leitura profética:
É precisamente nesse campo que a IASD abriu a porta em 1998. A ética, em vez de ser derivada diretamente da ordem da criação, passa a ser administrada por comissões, com linguagem técnica, cautelar, “balanceada”. É o ambiente perfeito para a normalização progressiva do inaceitável.
5) As declarações pretendem ser “testemunho bíblico ao mundo” — mas viram diplomacia moral
O autor nota que, para observadores externos, as declarações são vistas como testemunho bíblico da IASD à sociedade, com forte uso de referências bíblicas em alguns documentos.
Leitura profética:
Na prática, o “testemunho” vira diplomacia moral: linguagem aceitável para mídia, academia e governos. O problema não é falar ao mundo; o problema é trocar a denúncia profética por aceitabilidade pública. A declaração de 1998 foi escrita para “não fechar portas” com o mundo científico — e isso se paga com a diluição do limite.
Conexão direta com a “bomba” do Adventistas.Com (clonagem 1998)
O artigo de Höschele, sem querer, entrega a engrenagem inteira que tornou possível a declaração de 1998:
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cria-se um gênero institucional para temas sensíveis;
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esse gênero opera como orientação flexível, não proibição absoluta;
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as declarações são tradição denominacional, passível de revisão;
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a ética vira campo de gestão de complexidade, não de confronto profético;
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a igreja fala ao mundo em tom diplomático, não em tom de sentinela.
Resultado: a porta para a legitimação futura da clonagem humana não foi um acidente; foi produto de um modelo teológico-institucional.
Leitura apocalíptica (dias de Noé + pharmakeia + biotecnologia)
O documento mostra que a IASD institucionalizou um mecanismo para “acompanhar” a cultura em temas éticos. À luz dos “dias de Noé” e da pharmakeia:
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o mundo técnico avança para usurpar a criação;
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a igreja cria comissões para “dialogar” com a usurpação;
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o limite revelado vira trilho de proteção, não muro;
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Babilônia é administrada, não denunciada.
Isso é o espírito antediluviano dentro da máquina institucional.
Conclusão editorial
O artigo de Höschele prova que o problema não é só a declaração de 1998.
O problema é o modelo teológico-institucional que a tornou possível.
Quando a igreja cria um “gênero” para negociar limites,
ela deixa de ser sentinela e passa a ser gestora do abismo.
