“Bem-aventurado é o varão que não anda no conselho dos ímpios…” (Salmo 1)
Quando pastores passam a sentar-se na roda dos escarnecedores
O Salmo 1 não é um poema neutro. É uma sentença divina. Uma linha divisória entre dois caminhos irreconciliáveis: o caminho do justo e o caminho dos ímpios.
“Bem-aventurado é o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” (Salmo 1:1)
A Escritura não deixa margem para relativismo espiritual. O justo não caminha com ímpios, não se acomoda entre pecadores e não se assenta entre escarnecedores. Esse princípio é absoluto. Não é cultural. Não é simbólico. É literal. É espiritual. É moral.
E ainda assim, o que vemos hoje?
Pastores que se dizem guardiões da Palavra sentados lado a lado com cientistas ateus, divulgadores do materialismo e promotores do naturalismo, em mesas de debate, palestras e podcasts, para ridicularizar publicamente a cosmologia bíblica — a mesma cosmologia que permeia toda a Escritura: terra com fundamentos, firmamento sólido, águas acima, abismos abaixo, colunas e estrutura criada.
Não estão ali para defender a Escritura.
Estão ali para pedir desculpas por ela.
Não estão ali para sustentar o texto sagrado.
Estão ali para reinterpretá-lo até que não reste nada além de metáfora vazia.
Isso é exatamente o que o Salmo 1 denuncia: sentar-se na roda dos escarnecedores.
Porque o escárnio moderno não vem apenas com riso aberto. Vem com diploma. Com linguagem técnica. Com verniz acadêmico. Com tom de superioridade intelectual.
E quando um pastor se une a esse espírito, o resultado é ainda mais grave: ele deixa de ser pastor e passa a ser mediador entre a fé e a incredulidade, tentando agradar dois senhores — algo que o próprio Cristo declarou ser impossível.
O justo tem prazer na Lei do Senhor — não na aprovação do mundo
“Antes, o seu prazer está na Lei do Senhor, e na sua Lei medita de dia e de noite.” (Salmo 1:2)
O texto não diz:
— prazer nos consensos acadêmicos
— prazer no aplauso intelectual
— prazer na aceitação cultural
— prazer em parecer “equilibrado” diante dos céticos
O justo tem prazer na Lei do Senhor. E medita nela de dia e de noite — não para adaptá-la ao mundo, mas para alinhar sua mente a ela.
Quando um pastor passa a sentir desconforto diante da cosmologia bíblica, quando começa a dizer “isso é linguagem poética”, “isso é percepção antiga”, “isso não deve ser levado literalmente”, ele já cruzou uma linha perigosa: a linha onde a Escritura deixa de ser autoridade e passa a ser objeto de correção.
Nesse momento, não é mais o homem sob o texto.
É o texto sob o homem.
E isso nunca foi discipulado.
Isso sempre foi apostasia disfarçada de erudição.
A árvore junto às águas vs. a palha ao vento
O Salmo conclui com uma distinção espiritual devastadora:
O justo é como árvore plantada junto a ribeiros.
O ímpio é como palha que o vento dispersa.
A árvore permanece.
Tem raiz.
Tem estrutura.
Tem estabilidade.
A palha muda conforme o vento cultural, científico, político ou acadêmico.
Hoje o vento sopra:
- “a Bíblia precisa se adaptar à ciência”
- “a cosmologia bíblica é embaraçosa”
- “isso prejudica a credibilidade do cristianismo”
- “é preciso modernizar a interpretação”
E muitos líderes, em vez de permanecerem firmes como árvores, passam a flutuar como palha, mudando discurso conforme a pressão do ambiente.
O problema não é cosmologia. É fidelidade.
O debate aqui não é meramente sobre formato da Terra, firmamento ou estrutura do mundo. O debate é mais profundo e mais sério:
Quem tem a autoridade final: a Escritura ou o sistema de pensamento do mundo?
Quando um pastor se une a ateus para zombar da leitura literal das Escrituras, ele já respondeu essa pergunta com sua postura.
Não é apenas erro doutrinário.
É quebra de lealdade espiritual.
Conclusão profética
O Salmo 1 permanece como julgamento vivo sobre esta geração religiosa:
- O justo permanece com o texto, mesmo que seja ridicularizado.
- O ímpio busca aceitação, mesmo que para isso precise diluir o texto.
- O justo confia que a Palavra é verdadeira.
- O apóstata tenta torná-la aceitável.
E a pergunta que permanece não é:
“Como somos vistos pelo mundo?”
Mas sim:
“Em qual conselho estamos assentados?”
Porque a bem-aventurança não está com os intelectualmente aceitos.
Está com os espiritualmente fiéis.
