“Bebês do Apocalipse”: As palavras proféticas de Jesus após a ressurreição que o Ocidente quase não conhece

Manuscritos preservados por monges nas montanhas da Etiópia registram discursos atribuídos a Cristo durante os quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão — advertências contra líderes corruptos, profecias apocalípticas e revelações sobre o destino final do mundo.

Entre os textos antigos preservados pela tradição da Igreja Etíope encontra-se um documento conhecido pelos estudiosos como Testament of Our Lord Jesus Christ, frequentemente associado ao Mäṣḥafä Kidan (Machafa Kedam — Livro da Aliança). Esse escrito faz parte do conjunto de literatura cristã antiga que sobreviveu em manuscritos orientais, especialmente em tradições preservadas na Etiópia.

O texto apresenta uma narrativa na qual Cristo, após sua Ressurreição, reúne os discípulos e lhes transmite ensinamentos, advertências e profecias sobre o futuro da igreja e do mundo.

Nas traduções acadêmicas baseadas em manuscritos orientais antigos, o discurso começa com palavras semelhantes a estas:

“Depois que ressuscitei dentre os mortos, reuni meus discípulos e falei com eles acerca do Reino do meu Pai. Permaneci com eles quarenta dias, revelando os mistérios do céu e as coisas que devem acontecer.”

O DISCURSO DOS QUARENTA DIAS APÓS A RESSURREIÇÃO

O texto apresenta um longo discurso atribuído a Cristo durante o período entre a Ressurreição e a Ascensão. Nele, Jesus fala sobre a missão da igreja, advertindo que o Reino de Deus não seria estabelecido por força política ou militar.

“Ide por todo o mundo e proclamai o evangelho da vida. Estabelecei minha igreja não pela espada nem pelo poder dos reis, mas pelo Espírito Santo que habitará em vós.”

Segundo o texto, a verdadeira igreja não depende de estruturas humanas ou templos construídos por mãos humanas.

“Minha igreja não é edificada por pedras nem pelas mãos dos homens. O verdadeiro templo é o coração daqueles que guardam meus mandamentos e caminham no amor.”

ADVERTÊNCIA SEVERA CONTRA MAUS LÍDERES RELIGIOSOS

Uma das partes mais contundentes do manuscrito é a advertência contra líderes espirituais corruptos.

“Nas assembleias, nas nações e nas igrejas haverá muitos tumultos, pois surgirão maus pastores: injustos, preguiçosos, avarentos, amantes dos prazeres, amantes do lucro, amantes do dinheiro, faladores, orgulhosos, arrogantes, glutões e perversos.

Eles se opõem aos caminhos do Evangelho e fogem da porta estreita. Rejeitam as palavras da verdade e desprezam os caminhos da piedade.”

O texto continua explicando as consequências espirituais dessa corrupção:

“Por isso se espalharão entre as nações a incredulidade, o ódio entre irmãos, a maldade, a inveja, a contenda, o roubo, a opressão, a embriaguez e toda obra contrária aos mandamentos da vida.”

Segundo o documento, os próprios líderes se tornariam exemplo de corrupção.

“Os pastores ouviram estas coisas, mas não as praticaram, e eles mesmos se tornaram exemplo de maldade entre o povo.”

OS SINAIS PROFÉTICOS ANTES DO FIM

O manuscrito apresenta uma série de sinais que precederiam os eventos finais.

Entre eles aparecem crises políticas e guerras entre nações:

“Depois das fomes, pestes e tumultos entre as nações, surgirão governantes que amarão o dinheiro, odiarão a verdade e matarão seus próprios irmãos.”

O texto também descreve sinais extraordinários na natureza:

“Haverá sinais no céu: aparecerão um arco, um chifre e luzes. Ouvir-se-ão sons fora do tempo, o mar rugirá e a terra tremerá.”

A PROFECIA DOS BEBÊS QUE NASCEM FALANDO

Entre os sinais mais incomuns descritos no manuscrito está uma profecia sobre crianças que nasceriam anunciando os últimos tempos.

“Mulheres recém-casadas darão à luz crianças que falarão perfeitamente, anunciando os últimos tempos e pedindo que sejam mortos.

Sua aparência será como a de homens muito velhos; nascerão com cabelos brancos.

Algumas mulheres darão à luz crianças com quatro pés; outras darão à luz apenas espíritos; outras terão filhos possuídos por espíritos impuros.

E haverá muitos outros sinais terríveis.”

O SURGIMENTO DO “FILHO DA PERDIÇÃO”

Depois desses sinais, o texto anuncia o surgimento de uma figura descrita como o “Filho da Perdição”, identificado como um grande enganador espiritual.

“Então virá o Filho da Perdição, o Adversário, que se exaltará e se glorificará.

Ele realizará muitos sinais e prodígios para enganar toda a terra e vencer os inocentes, os meus santos.

Bem-aventurados os que perseverarem naqueles dias, mas ai daqueles que forem enganados.”

O manuscrito afirma que esse personagem surgirá quando três condições se cumprirem:

  • corrupção generalizada das nações
  • corrupção dos líderes religiosos
  • sinais estranhos no mundo

A DESCRIÇÃO FÍSICA DO FILHO DA PERDIÇÃO

O texto apresenta também uma descrição simbólica dessa figura:

“Estes são os sinais dele: sua cabeça será como uma chama de fogo. Seu olho direito estará cheio de sangue. Seu olho esquerdo será azul-escuro. Ele terá duas pupilas. Sua mão direita será de engano e sua mão esquerda será de trevas.”

A DESCIDA DE CRISTO AO MUNDO DOS MORTOS

Outra parte teológica do documento descreve a vitória de Cristo sobre a morte.

“Eu desci às profundezas da terra e entrei no lugar onde estavam os mortos.

A morte tremeu diante de mim e as portas do abismo foram abaladas.

Aqueles que estavam nas trevas viram a luz, e os que estavam cativos ouviram a minha voz.

Eu quebrei os portões da morte e destruí os seus ferrolhos.

Eu libertei os que estavam presos e conduzi para a vida aqueles que esperavam em esperança.”

O texto conclui com a declaração de autoridade de Cristo sobre a morte:

“Eu sou o Vivente. Fui morto, mas eis que vivo para sempre, e tenho as chaves da morte e do mundo dos mortos.”

A SEQUÊNCIA PROFÉTICA DO DOCUMENTO

O manuscrito apresenta uma ordem clara de eventos proféticos:

  • corrupção das nações
  • corrupção dos líderes religiosos
  • sinais estranhos no mundo
  • aparecimento do Filho da Perdição
  • perseguição aos fiéis
  • intervenção divina e julgamento final

POR QUE ESSE TEXTO É IMPORTANTE

O Testament of Our Lord pertence a uma antiga categoria de escritos cristãos chamada apostolic church orders, documentos usados pelas primeiras comunidades cristãs para orientar a organização da igreja, a liturgia e a vida espiritual.

Preservado em tradições orientais e especialmente valorizado na tradição etíope, esse texto mostra como algumas comunidades antigas compreenderam o período entre a Ressurreição e a Ascensão de Cristo e como interpretaram as advertências proféticas sobre o futuro da igreja e do mundo.

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