O Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo: Tradução integral do manuscrito siríaco com ensinos de Cristo após a ressurreição

Um documento antigo preservado na tradição siríaca que reúne profecias, ensinamentos espirituais e instruções sobre a organização da Igreja primitiva atribuídas a Cristo após a ressurreição.

Entre os textos pouco conhecidos da literatura cristã antiga existe um documento singular chamado Testamentum Domini Nostri Jesu Christi — “O Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Preservado em manuscritos da tradição siríaca e estudado por historiadores desde o início do século XX, o texto apresenta uma série de ensinamentos atribuídos a Cristo após a ressurreição, incluindo advertências sobre os últimos tempos, instruções para a vida espiritual dos fiéis e orientações detalhadas sobre a organização da Igreja primitiva.

O que o leitor encontrará neste manuscrito

  • Um discurso atribuído a Cristo após a ressurreição dirigido aos apóstolos.
  • Advertências e sinais associados aos últimos tempos.
  • Descrições surpreendentes de acontecimentos que precederiam o fim do mundo.
  • Instruções sobre a organização da Igreja nas primeiras comunidades cristãs.
  • Uma das mais antigas descrições de liturgia cristã preservadas na tradição oriental.
  • Orações, hinos e práticas espirituais utilizadas nas igrejas dos primeiros séculos.
  • Uma confissão cristológica final conhecida como “Iniciação nos Mistérios”.

Entre os muitos documentos preservados pela tradição cristã antiga, existe um texto pouco conhecido que tem despertado a atenção de historiadores e pesquisadores das origens do cristianismo. Trata-se do Testamentum Domini Nostri Jesu Christi — “O Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Esse manuscrito, preservado na tradição siríaca e transmitido através de cópias orientais, apresenta-se como um registro de ensinamentos que teriam sido pronunciados por Cristo aos apóstolos após a ressurreição.

No texto encontramos uma combinação incomum de elementos: exortações espirituais dirigidas aos discípulos, advertências sobre os últimos tempos, descrições surpreendentes de sinais apocalípticos e também uma série extensa de instruções sobre a organização da Igreja, a liturgia cristã primitiva e a vida espiritual das primeiras comunidades.

Embora os estudiosos situem a redação final do documento entre os séculos III e IV, o Testamentum Domini preserva tradições que refletem o pensamento e a prática das igrejas orientais nos primeiros séculos do cristianismo.

O texto chegou até a era moderna principalmente através de manuscritos em língua siríaca e foi publicado em tradução inglesa no início do século XX por James Cooper e Arthur John Maclean, tornando-se uma das fontes históricas utilizadas para o estudo da liturgia e da organização das igrejas antigas.

O leitor encontrará nas páginas seguintes a tradução integral desse documento antigo, que reúne profecias, instruções e reflexões espirituais preservadas ao longo de séculos pela tradição cristã.

Um Manuscrito Antigo e Pouco Conhecido

Entre os numerosos escritos que circularam entre as comunidades cristãs dos primeiros séculos, existe um documento pouco conhecido chamado Testamentum Domini Nostri Jesu Christi — “O Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Diferentemente dos livros do Novo Testamento, este texto não entrou no cânon bíblico das igrejas. Ainda assim, ele foi preservado durante séculos em manuscritos da tradição cristã oriental, especialmente em língua siríaca, e chegou até os tempos modernos por meio do trabalho de estudiosos que editaram e traduziram esses documentos antigos.

Por permanecer principalmente na tradição oriental e fora do conjunto de textos mais conhecidos do cristianismo ocidental, o Testamentum Domini acabou se tornando um manuscrito relativamente pouco conhecido entre leitores modernos.

Um Texto com Elementos Apocalípticos

Uma das partes mais curiosas do documento é sua seção inicial, na qual são apresentados discursos atribuídos a Cristo após a ressurreição. Nessa parte aparecem advertências sobre o futuro e descrições de sinais que precederiam tempos de crise e julgamento.

O texto menciona acontecimentos incomuns e imagens simbólicas típicas da literatura apocalíptica antiga, como distúrbios entre nações, governantes corruptos, sinais no céu e fenômenos extraordinários associados ao fim dos tempos.

Algumas dessas descrições são particularmente vívidas e chamaram a atenção de estudiosos da literatura cristã antiga, pois refletem a forma como comunidades dos primeiros séculos expressavam suas expectativas sobre o futuro e o julgamento divino.

Entre Profecia e Organização da Igreja

Após essa seção inicial de caráter profético, o documento muda de tom e passa a apresentar uma longa série de instruções relacionadas à organização da Igreja, à ordenação de ministros, à estrutura do santuário e às práticas litúrgicas das comunidades cristãs.

Por essa razão, o Testamentum Domini é frequentemente classificado entre as chamadas ordens eclesiásticas, um tipo de literatura antiga que preserva normas e tradições utilizadas pelas igrejas nos primeiros séculos da era cristã.

O leitor encontrará, portanto, duas dimensões distintas no texto: primeiro uma seção marcada por advertências e imagens apocalípticas, e depois um conjunto de instruções detalhadas sobre a vida e a organização das comunidades cristãs antigas.

Um Documento para Estudo Histórico

Embora não faça parte do cânon bíblico, o Testamentum Domini é considerado uma fonte histórica relevante para compreender como certas comunidades cristãs antigas refletiam sobre o futuro, organizavam sua vida litúrgica e transmitiam suas tradições.

A tradução a seguir procura apresentar o documento de forma fiel ao texto preservado na tradição manuscrita, permitindo ao leitor conhecer diretamente um testemunho literário raro da antiguidade cristã.

Um Manuscrito Antigo com Profecias Estranhas e Quase Esquecidas

Entre os documentos antigos preservados pelas tradições cristãs orientais existe um texto pouco conhecido que intriga historiadores e estudiosos da literatura cristã primitiva: o Testamentum Domini Nostri Jesu Christi, conhecido em português como O Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O documento afirma registrar palavras dirigidas por Cristo aos apóstolos após a ressurreição. Embora não tenha sido incluído no cânon bíblico das igrejas, o texto sobreviveu em manuscritos preservados durante séculos na tradição cristã siríaca.

O que torna esse escrito especialmente curioso é a natureza de algumas das descrições que aparecem em sua seção inicial.

Profecias Incomuns sobre os Últimos Tempos

O texto apresenta uma série de advertências sobre crises futuras, corrupção entre governantes e sinais extraordinários associados ao fim dos tempos.

Entre essas descrições aparecem imagens que chamam a atenção dos leitores modernos:

  • governantes violentos e amantes do dinheiro dominando as nações;
  • distúrbios e conflitos generalizados entre povos;
  • sinais incomuns no céu e na terra;
  • relatos simbólicos de nascimentos extraordinários e fenômenos considerados sinais de tempos de grande crise.

Essas imagens refletem o estilo característico da literatura apocalíptica da antiguidade, um gênero que utilizava linguagem dramática e simbólica para descrever períodos de turbulência e julgamento divino.

Um Texto que Une Profecia e Liturgia

Após essa seção inicial marcada por advertências e imagens apocalípticas, o documento muda completamente de tom.

O texto passa então a registrar instruções detalhadas sobre a organização da Igreja, incluindo a ordenação de ministros, a estrutura do santuário e práticas litúrgicas utilizadas nas comunidades cristãs antigas.

Por esse motivo, o Testamentum Domini é classificado pelos estudiosos entre as chamadas ordens eclesiásticas, um conjunto de escritos que preservam tradições litúrgicas e disciplinares das igrejas dos primeiros séculos.

Um Documento Raro da Antiguidade Cristã

Durante muito tempo esse texto permaneceu praticamente desconhecido fora dos círculos acadêmicos.

A versão moderna mais utilizada foi publicada em 1902 por James Cooper e Arthur John Maclean, que traduziram o manuscrito siríaco preservado na tradição oriental.

A tradução apresentada nesta página permite ao leitor de língua portuguesa conhecer diretamente esse documento histórico raro, que combina profecias dramáticas, advertências espirituais e instruções detalhadas sobre a vida das comunidades cristãs antigas.

Tradução Integral do Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo (Testamentum Domini)

Nota Editorial

O texto apresentado a seguir é uma tradução integral para o português do antigo documento cristão conhecido como Testamentum Domini Nostri Jesu Christi — “O Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Este escrito pertence ao conjunto de textos antigos chamados de ordens eclesiásticas, documentos que preservam tradições litúrgicas, instruções e ensinamentos atribuídos aos apóstolos.

Segundo o próprio texto, as palavras registradas teriam sido pronunciadas por Jesus Cristo após sua ressurreição e transmitidas aos apóstolos.

A tradição presente no manuscrito afirma que esses ensinamentos foram registrados por Clemente de Roma, discípulo do apóstolo Pedro.

Origem Siríaca do Manuscrito

O Testamentum Domini sobreviveu principalmente em manuscritos da tradição cristã oriental escritos em siríaco, uma língua semítica usada amplamente por comunidades cristãs do Oriente Próximo nos primeiros séculos da era cristã.

Esses manuscritos foram preservados ao longo dos séculos em igrejas orientais e posteriormente estudados por pesquisadores da literatura cristã antiga.

O texto afirma registrar palavras que o Senhor Jesus teria pronunciado aos apóstolos após sua ressurreição. Segundo a tradição preservada no próprio documento, essas palavras do discurso de Cristo — seção apocalíptica do Testamentum Domini — teriam sido registradas em oito livros por Clemente de Roma, o discípulo do apóstolo de Pedro, por volta do ano 200 dC (segundo Alistair C. Stewart, Journal of Theological Studies, 2011).

Data Provável

A data exata da composição do documento é objeto de debate entre historiadores. A maioria dos estudiosos situa a redação final do texto entre os séculos III e IV.

Alguns elementos internos — especialmente a seção apocalíptica que descreve sinais do fim dos tempos — levaram pesquisadores a sugerir que partes do documento possam refletir acontecimentos do século III no contexto do Império Romano e das tensões religiosas da época.

Algumas seções do texto — especialmente a parte apocalíptica que descreve sinais do fim do mundo — podem refletir eventos e tensões religiosas do Império Romano durante o século III.

Transmissão do Texto

O texto chegou até a era moderna principalmente através de manuscritos preservados na tradição cristã oriental.

A tradução inglesa clássica utilizada como base para a presente tradução foi publicada em 1902 por:

James Cooper, D.D.
Arthur John Maclean, M.A., F.R.G.S.

Essa tradução foi realizada diretamente a partir do texto siríaco e publicada na coleção acadêmica conhecida como Ante-Nicene Christian Library.

Até hoje ela permanece como uma das principais edições utilizadas em estudos históricos sobre o documento. É, portanto, uma das edições de referência utilizadas em estudos históricos sobre literatura cristã antiga.

Sobre a Presente Tradução

A tradução apresentada neste material busca preservar o conteúdo do texto de forma fiel, mantendo a estrutura e a ordem do documento conforme a edição inglesa clássica.

O objetivo desta publicação é disponibilizar ao leitor de língua portuguesa um documento histórico pouco conhecido, pertencente ao patrimônio literário do cristianismo antigo.

O texto inclui seções notáveis como:

  • o relato da aparição de Cristo aos apóstolos após a ressurreição;
  • uma série de sinais proféticos associados ao fim do mundo;
  • instruções sobre organização da Igreja primitiva;
  • descrições litúrgicas e orações utilizadas nas primeiras comunidades cristãs.

Por se tratar de um documento histórico antigo transmitido ao longo de séculos, sua leitura deve ser compreendida dentro do contexto da tradição literária cristã primitiva.

O texto a seguir foi traduzido preservando o conteúdo integral da edição inglesa clássica. Não foram feitas omissões nem adaptações interpretativas. Os parágrafos foram apenas reorganizados visualmente para facilitar a leitura online.

O Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo — A Aparição de Cristo aos Discípulos após a Ressurreição

O Testamento, ou palavras que nosso Senhor, depois de ressuscitar dentre os mortos, falou aos santos apóstolos, e que foram escritas em oito livros por Clemente de Roma, discípulo de Pedro.

O Primeiro Livro

Aparição de Cristo aos Discípulos no Cenáculo

E aconteceu que, depois que nosso Senhor ressuscitou dentre os mortos, e apareceu a nós, e foi tocado por Tomé e Mateus e João, e fomos persuadidos de que nosso Mestre verdadeiramente ressuscitara dentre os mortos, então, caindo sobre nossos rostos, bendizemos o Pai do novo mundo, Deus, que nos salvou por Jesus Cristo nosso Senhor; e estando tomados por grande temor, permanecemos prostrados como crianças que não falam.

Mas Jesus nosso Senhor, pondo Sua mão sobre cada um de nós separadamente, levantou-nos, dizendo:

Por que vosso coração assim caiu, e estais tomados de grande espanto? Não sabeis que Aquele que Me enviou pode fazer coisas gloriosas para a salvação daqueles que de coração creram nEle? Não permaneçais, portanto, como homens espantados e olhando fixamente, nem sejais negligentes; mas, como filhos da luz, pedi ao Meu Pai que está no Céu o Espírito de conselho e de poder, e Ele vos encherá do Espírito Santo e vos concederá estar comigo para sempre.

Capítulo 1

E respondemos, dizendo:

Senhor, que é o Espírito Santo, e qual é o seu poder, de quem nos mandaste pedir?

E nosso Senhor nos disse:

Em verdade vos digo que não sereis filhos da luz senão pelo Espírito Santo.

E respondemos a Ele, e dissemos:

Nosso Senhor, dá-nos este Espírito.

E imediatamente Jesus soprou sobre nós.

E depois que recebemos o Espírito Santo, Ele nos disse:

Em verdade vos digo que vós que fostes feitos discípulos para o Reino dos Céus, e que crestes em Mim com coração sem dúvida, e vos apegastes a Mim, estareis comigo; e todos aqueles que por vosso meio conhecerem e fizerem a vontade de Meu Pai, que guardarem Minhas palavras e conhecerem Meus sofrimentos, serão feitos santos, e habitarão nas moradas de Meu Pai, e serão libertos dos dias maus que estão para vir; e Eu estarei com eles, mostrando-lhes os Meus caminhos nos quais deverão viver.

Sinais do Fim deste Mundo segundo o Manuscrito Antigo

Os Apóstolos Perguntam sobre o Fim

Capítulo 2

E Pedro e João responderam e disseram a Ele:

Dize-nos, nosso Senhor, os sinais do fim, e todas as obras que então serão feitas por aqueles que vivem neste mundo, para que também possamos torná-las conhecidas àqueles que crêem em Teu Nome em todas as nações, para que aquelas gerações as observem e vivam.

Mas Jesus respondeu e disse:

Não vos disse Eu, antes de sofrer por aqueles que habitam na terra, algumas coisas acerca do fim?

Respondemos e dissemos:

Sim, nosso Senhor; mas agora desejamos saber as obras que são os sinais do fim deste mundo, se nosso Senhor julgou que é conveniente que nós saibamos; para nós, e para aqueles que ouvirão.

Capítulo 3

E Jesus respondeu e disse:

No tempo em que Eu estava no mundo, falei-vos antes de ser glorificado, acerca de sinais de que o fim está próximo, assim:

que haverá na terra fomes e pestilências, tumultos e comoções, levantares de nações contra nações, e aquelas outras coisas das quais vos falei.

Mas vos ordenei vigiar e orar.

E agora ouvi, filhos da luz; pois Meu Pai que Me enviou à Sua herança determinou previamente em Sua presciência que, nos últimos dias, dentre a última geração, houvesse vasos de graça, santos, honrados e eleitos.

Portanto, Eu vos faço saber exatamente quais são as coisas que estão para acontecer, e quando se levantará aquele Filho da Perdição, o Inimigo, o Adversário, e como ele é.

Capítulo 4

Haverá então sinais quando o Reino estiver se aproximando, tais como estes:

Depois das fomes e pestilências e tumultos entre as nações, então governarão e subirão ao poder príncipes que amam o dinheiro, que odeiam a verdade, que matam seus irmãos, mentirosos, odiadores dos fiéis, soberbos, amantes do ouro, unidos por parentesco mas não unidos em conselho, pois cada um desejará destruir a vida do seu companheiro.

Mas haverá em seus exércitos grande aflição, fuga e derramamento de sangue.

Capítulo 5

Mas também se levantará no Ocidente um rei de raça estrangeira, um príncipe de grande astúcia, ímpio, homicida, enganador, amante do ouro, grande em artifícios, odiador dos fiéis; perseguidor.

E ele governará também sobre nações bárbaras, e derramará muito sangue.

Naquele tempo a prata será desprezada e o ouro será honrado; e em toda cidade e em todo país haverá saque e roubo, e haverá derramamento de sangue.

Capítulo 6

Então haverá sinais no Céu.

Um arco será visto, e um chifre, e luzes; e ruídos fora de tempo, e sons, e agitações do mar, e um rugido da terra.

Capítulo 7

Mas na terra haverá sinais: o nascimento de dragões dentre a humanidade, e igualmente também de feras; e jovens mulheres recentemente casadas darão à luz bebês que falarão perfeitamente e anunciarão os últimos tempos, e pedirão para ser mortos.

E suas aparências serão as aparências de homens muito avançados em idade; terão cabelos brancos quando nascerem.

Também mulheres darão à luz bebês com quatro pés; algumas darão à luz somente espíritos, e algumas darão à luz sua descendência com espíritos imundos.

Outros haverá que praticarão adivinhação ainda no ventre, e falarão com espíritos familiares; e haverá muitos outros sinais horríveis.

Capítulo 8

Mas nas assembleias, e nas nações, e nas igrejas, haverá muitos tumultos, pois se levantarão pastores maus, injustos, negligentes, avarentos, amantes dos prazeres, amantes dos ganhos, amantes do dinheiro, faladores, jactanciosos, arrogantes, glutões, perversos, precipitados, dados aos deleites, vangloriosos, opondo-se aos caminhos do Evangelho e fugindo da porta estreita, removendo de si toda humilhação e não se entristecendo por Minha humilhação, rejeitando todas as palavras da verdade, e desprezando todos os caminhos da piedade, e não lamentando por seus pecados.

Portanto haverá espalhados entre as nações incredulidade, ódio da irmandade, maldade, amargura, negligência, inveja, ódio, contenda, roubo, opressão, embriaguez, devassidão, lascívia, libertinagem, fornicação e todas essas obras que são contrárias aos mandamentos da vida.

Pois de muitos fugirão o lamento e a mansidão, e a paz e a humildade, e a pobreza e a piedade, e as lágrimas; porque os pastores ouviram estas coisas e não as fizeram, e além disso não mostraram Meus mandamentos, visto que eles mesmos são exemplos de maldade na nação.

Mas virá o tempo em que alguns deles Me negarão, e levantarão confusões na terra, e colocarão sua confiança em um rei corruptível.

Mas aqueles que em Meu Nome perseverarem até o fim serão salvos.

Então ordenarão mandamentos para os homens, mandamentos diferentes do livro dos mandamentos no qual o Pai se agrada; e Meus eleitos e Meus santos serão rejeitados por eles, e serão chamados entre eles como se fossem impuros.

Contudo estes são os retos, puros, tristes, misericordiosos, quietos, bondosos, sempre conhecendo Aquele que está entre eles em todo tempo; e serão chamados loucos por Minha causa, Aquele que os salvou.

Acontecerá também naqueles dias que Meu Pai reunirá daquela geração os puros, as almas puras e fiéis, aqueles a quem Eu aparecerei, e com quem farei Minha habitação.

E enviarei a eles o entendimento do conhecimento e da verdade, e o entendimento da santidade, e não cessarão de louvar e dar graças a seu Deus, Meu Pai que Me enviou.

E falarão a verdade em todo tempo, e ensinarão outros cujo espírito tenham provado e encontrado reto e digno, como para o Reino, e os instruirão em conhecimento e força e prudência.

E aqueles que sofrerem perseguição por viverem em piedade receberão a recompensa do seu louvor.

E acontecerá naqueles tempos que todos os reinos serão perturbados, e todo o mundo verá aflição e necessidade; e todo este mundo será reputado como nada; e todas as suas posses serão destruídas por muitos destruidores.

E haverá grande escassez de colheitas, e o inverno será muito severo; e os príncipes serão poucos em número e pequenos, os que governam sobre ouro e prata e são ricos em todas essas coisas que estão neste mundo.

E os filhos deste mundo possuirão seus armazéns e celeiros, e governarão os mercados de compra e venda.

Muitos serão aflitos, e por isso clamarão ao seu Deus para que sejam libertos.

Benditos são aqueles que não estiverem vivos naquele tempo; e benditos também aqueles que estiverem vivos, mas perseverarem.

Pois quando estas coisas acontecerem, então logo aquela que está em dores de parto estará próxima de dar à luz, porque o tempo se cumpriu.

Capítulo 9

Então virá o Filho da Perdição, o Adversário, que se exalta e se engrandece, realizando muitos sinais e milagres para enganar toda a terra e vencer os inocentes, Meus santos.

Benditos são aqueles que perseverarem naqueles dias.

Mas ai daqueles que forem enganados.

Capítulo 10

Mas a Síria será saqueada, e chorará por seus filhos.

A Cilícia levantará o pescoço até que Aquele que a julga apareça.

A filha da Babilônia se levantará do trono da sua glória para beber o vinho que foi misturado para ela.

A Capadócia, a Lícia e a Licaônia curvarão as costas, pois muitas multidões serão corrompidas pela corrupção das suas maldades.

E então serão abertos os acampamentos dos bárbaros, pois muitos carros sairão para cobrir a face da terra.

Em toda a Armênia, e no Ponto, e na Bitínia, os jovens cairão pela espada, e os filhos e as filhas serão levados cativos.

Os filhos e as filhas da Licaônia serão misturados em seu sangue.

A Pisídia, que se gloria e confia em suas riquezas, será derrubada até o chão.

A espada passará pela Fenícia, porque seus habitantes são filhos da corrupção.

A Judeia se vestirá de lamentação e se preparará para o dia da destruição por causa de sua impureza.

Então ela reunirá a abominação da desolação.

O Oriente será aberto por ele; também os caminhos serão abertos por ele.

Espada e fogo estão em suas mãos; ele arde de ira e indignação ardente.

Esta é a armadura do juízo da corrupção daqueles que nasceram na terra: o extermínio dos fiéis, o caminho do derramamento de sangue; pois seu caminho está em erro e seu poder é para blasfemar, e sua mão para enganar, sua mão direita em miséria e sua esquerda em trevas.

Capítulo 11

E estes são os sinais dele:

Sua cabeça é como uma chama de fogo; seu olho direito injetado de sangue; seu olho esquerdo azul-escuro, e ele tem duas pupilas.

Seus cílios são brancos; e seu lábio inferior é grande; mas sua coxa direita é delgada; seus pés são largos; seu dedo grande do pé é ferido e achatado.

Esta é a foice da desolação.

Depois disso, seja completada a oração, e então que o Leitor leia os Profetas e o restante; que o Presbítero ou Diácono leia o Evangelho; e então que o Bispo ou Presbítero ensine aquelas coisas que são convenientes e proveitosas.

Depois disso haja uma oração, e que os Catecúmenos recebam a imposição de mãos.

Razões para a Regra Eclesiástica

Capítulo 12

Portanto Eu vos digo, filhos da luz, que o tempo está próximo, e a colheita está madura para que os pecadores sejam colhidos para julgamento.

E para muitos o Juiz surgirá como alguém benigno, e lhes imputará suas próprias obras.

Mas quando Ele estiver próximo, um sinal será dado aos eleitos, que guardam a lei de Meu Pai.

Capítulo 13

Então aqueles que temem Minhas palavras, e as fazem em verdade e com mente fiel, vigiarão e orarão sem cessar, considerando a súplica contínua como uma obra, em nada vagando ou andando neste mundo, e em nada ansiosos, mas com alma austera e mente que não duvida, tomando diariamente sobre si a Cruz, para fazer a vontade de Meu Pai que está no Céu, com coração manso.

Pois Aquele que se preocupa com aqueles que confiam na verdade, e cuida deles, é o Senhor; e Ele envia a eles aquelas coisas que são justas e apropriadas — aquelas coisas que Ele conhece, e pelas mãos daqueles que Ele conhece.

Capítulo 14

Eu vos disse estas coisas, portanto, para que onde quer que vades possais provar as almas que são santas, e dizer-lhes aquelas coisas que são apropriadas e corretas, e aquelas coisas que estão para acontecer, e todas aquelas coisas que, antes de Eu ser glorificado, vos dei em mandamento, para que crendo nelas possam verdadeiramente viver.

De agora em diante será o começo das dores, e o mistério da destruição.

Voltando-vos portanto para a Igreja, endireitando, ordenando devidamente e organizando, e fazendo todas as coisas em retidão e santidade, falai a cada homem conforme lhe for útil, para que vosso Pai que está nos Céus seja glorificado.

Sede sábios, para que possais persuadir aqueles que estão cativos no erro, e aqueles que estão mergulhados na ignorância, para que vindo ao conhecimento de Deus, e vivendo piedosamente e puramente, possam louvar Meu Pai e vosso Deus.

Capítulo 15

Agora, depois que Jesus falou estas palavras, Pedro e João e Tomé e Mateus e André e Matias (?) e os demais disseram:

Nosso Senhor, verdadeiramente Tu nos falaste agora também palavras de advertência e de verdade, e embora não sejamos dignos Tu nos concedeste muitas coisas, e também concedeste às gerações futuras que são dignas conhecer Tuas palavras e fugir das ciladas do Maligno.

Mas, nosso Senhor, rogamos-Te: faze brilhar Tua luz perfeita sobre nós e sobre aqueles que são predestinados e separados para serem Teus.

Porque muitas vezes Te perguntamos, rogamos-Te que nos ensines de que tipo deve ser aquele que está à frente da Igreja, ou com que regra ele deve levantar e ordenar a Igreja.

Pois é urgente que quando formos enviados às nações para pregar a salvação que vem de Ti, não nos escape como é apropriado organizar os Mistérios da Igreja.

Portanto de Tua boca, nosso Salvador e Aperfeiçoador, desejamos aprender sem omissão como o Chefe das coisas santas deve agradar-Te, e igualmente todos aqueles que ministram em Tua Igreja.

Capítulo 16

Então Marta e Maria e Salomé, que estavam conosco, responderam e disseram:

Sim, nosso Senhor, ensina-nos a saber o que devemos fazer para que nossas almas vivam para Ti.

Então Jesus respondeu e lhes disse:

Eu quero que, perseverando em súplica, sirvais sempre ao Meu Evangelho e sejais exemplos de santidade para a salvação daqueles que pacientemente confiam em Mim; e em todas as coisas sejais figuras do Reino dos Céus.

Capítulo 17

Mas a nós também Jesus disse:

Porque também vós Me perguntastes acerca da Regra Eclesiástica, Eu vos entrego e vos faço saber como deveis ordenar e comandar.

E será para aquele que se amarga e não as faz, mas dá Minhas palavras sem proveito, para a destruição de suas almas.

Mas Meu Pai é mediador, e todo o Seu exército, que se os pecados deles forem como a areia do mar que não pode ser contada, e algum deles, compreendendo estas palavras, as fizer, estes pecados lhe serão perdoados, e ele viverá em Mim.

Capítulo 18

Mas porque no meio da assembleia do povo há cada vez mais muitos desejos carnais, e os trabalhadores são fracos e poucos, somente Meus trabalhadores perfeitos conhecerão a multidão de Minhas palavras, todas também as que às vezes Eu vos falei em particular antes de sofrer, e que vós conheceis; vós as tendes e as entendeis.

Pois Meus mistérios são dados àqueles que são Meus, com quem Eu me alegrarei e me regozijarei com Meu Pai.

Quando forem libertos desta vida virão a Mim.

Mas estas palavras restantes, determinando-as e estabelecendo-as, falai vós nas Igrejas.

Mas desde o dia em que também Meus fiéis tiverem o desejo de conhecer, para que possam fazer as coisas de Meu Pai, qualquer coisa que esteja neste Meu testamento, Eu estarei com eles e serei louvado entre eles, e farei Minha habitação com eles, informando-os pelo poder da vontade de Meu Pai.

Vede que não deis Minhas coisas santas aos cães, nem lanceis pérolas diante dos porcos, como muitas vezes vos ordenei.

Não deis Minhas coisas santas a homens contaminados e perversos que não carregam Minha cruz e não se submetem a Mim; e Meus mandamentos serão motivo de escárnio entre eles.

Mas será falado e dado àqueles que são firmes e estáveis, e não se desviam, que guardam Meus mandamentos e esta tradição, para que, guardando estas coisas, possam permanecer santos, retos e fortes em Mim, fugindo da queda da iniquidade e da morte do pecado.

O Espírito Santo também lhes concederá Sua graça, para que creiam retamente, para que no Espírito conheçam espiritualmente as coisas do Espírito, e na esperança suportem o trabalho, e na alegria sirvam Meu Evangelho e suportem o opróbrio da Minha cruz, não duvidando mas antes se gloriando.

Pois em verdade vos digo que tais homens e tais mulheres, depois da morte, habitarão na terceira ordem de Meu Pai que Me enviou.

Nota Editorial sobre a Transição do Texto

Neste ponto encerra-se a primeira parte do documento, correspondente ao Livro I do Testamentum Domini.

Até aqui o texto apresenta um discurso atribuído a nosso Senhor Jesus Cristo após a ressurreição, dirigido aos apóstolos. Nessa seção inicial aparecem exortações espirituais, advertências proféticas sobre os últimos tempos e instruções dirigidas diretamente aos discípulos.

A partir da seção seguinte ocorre uma mudança clara no caráter do documento.

O texto passa então a apresentar normas relacionadas à organização da Igreja, à estrutura do santuário, à ordenação de ministros e às práticas litúrgicas das comunidades cristãs antigas.

Essas seções pertencem ao gênero literário conhecido pelos historiadores como ordens eclesiásticas, textos que preservam regulamentos e tradições litúrgicas utilizados nas igrejas dos primeiros séculos.

Embora o documento apresente essas instruções dentro da estrutura narrativa de um “testamento” transmitido pelo Senhor aos apóstolos, muitos estudiosos entendem que essas normas refletem o desenvolvimento posterior da vida e da organização das comunidades cristãs.

Por esse motivo, o leitor deve compreender que, a partir do ponto seguinte, o texto assume principalmente a forma de um manual de organização e prática eclesiástica preservado pela tradição do manuscrito.

OBS. No texto em PDF abaixo, você encontrará  uma tradução automática completa em português do texto publicado em 1902, contendo informações litúrgicas registradas nos séculos seguintes, que funcionaram como uma espécie de Manual da Igreja Cristã Oriental Primitiva.

Clique e baixe a traduçãohttps://www.adventistas.com/wp-content/uploads/2026/03/Traducao_testament-lord-jesus-christ-syriac.pdf

Clique e baixe o texto originalhttps://www.adventistas.com/wp-content/uploads/2026/03/testament-lord-jesus-christ-syriac.pdf

Destaque para a confissão cristológica do Capítulo 28

Capítulo 28

Nós cantamos a Ti com nossas bocas este tríplice hino de louvor como figura do Teu Reino, Filho de Deus, que és desde a eternidade.

Que estás acima de todos com o Pai.

A quem toda a criação louva tremendo diante de Teu Espírito.

Diante de quem toda natureza treme de temor e toda alma dos justos bendiz.

Em quem todos nós encontramos refúgio.

Que fizeste cessar de nós confusão, tempestades e ventos.

Que foste para nós um porto de descanso e um refúgio contra a corrupção.

Em quem temos esperança de salvação eterna.

Que trazes calma aos que são agitados no mar e nas tempestades.

Que nas enfermidades és invocado e curas gratuitamente.

Que estás com aqueles que estão presos.

Que nos libertaste das cadeias da morte.

O Consolador dos pobres e dos que choram.

Dos que trabalharam e se cansaram carregando a Cruz.

Que afasta de nós toda ameaça.

Que repreendeste por nós o engano de Satanás.

Que afastas suas ameaças e nos dás coragem.

Que expulsas todo erro daqueles que confiam em Ti.

A quem os Profetas e Apóstolos louvaram em segredo.

Nós Te louvamos, Senhor, e levantamos a Ti uma doxologia, para que, tendo Te conhecido, possamos descansar nas moradas da vida, fazendo sempre a Tua vontade.

E concede-nos, Senhor, andar segundo os Teus mandamentos e em misericórdia visita a todos nós, pequenos e grandes, o príncipe e seu povo, o pastor e seu rebanho.

Pois Tu, Senhor, és nosso Deus.

E bendito e louvado é o Teu Reino — o Reino do Pai, do Filho e do Espírito Santo, antes dos mundos, agora e sempre, pelos séculos dos séculos, para todo o sempre.

E o povo diga: Amém.

Iniciação nos Mistérios que é dita antes da Oferta aos Fiéis

Nós confessamos Aquele que é pré-existente, que estava presente, que é e que vem; que sofreu e foi sepultado, que ressuscitou e foi glorificado pelo Pai; que soltou nossas cadeias da morte; que ressuscitou dentre os mortos; que não é somente Homem, mas também Deus; que pelo Espírito Santo restaurou a carne de Adão com sua alma à imortalidade, porque preservou Adão pelo Espírito; que se revestiu do morto Adão e o fez viver; que ascendeu ao Céu; sob quem, depois da Cruz, a Morte caiu e foi vencida, quando suas cadeias pelas quais o Diabo às vezes se fortalecia e prevalecia contra nós foram dissolvidas; e por cuja paixão a Morte foi manifestada inútil e fraca quando Ele cortou suas cadeias e seu poder, quando suas armadilhas foram destruídas, e Ele o feriu no rosto — a própria Morte — que estava cheia de trevas e foi abalada e temeu ao contemplar o Filho unigênito.

Ele, em sua alma humana, desceu na Divindade ao Sheol; Ele que desceu das puras alturas acima dos céus.

Nós confessamos Aquele que é o Pensamento indivisível que vem do Pai e que é de uma só vontade com Ele; Aquele que é o Criador, com seu Pai, do Céu; a Coroa dos Anjos, a Força dos Arcanjos, o Vestuário das Hostes e o Espírito das Dominações.

Ele é o Governante do Reino eterno e o Príncipe dos santos, a Inteligência insondável do Pai; Ele é a Sabedoria, o Poder, o Senhor, o Pensamento, a Inteligência, a Mão e o Braço do Pai.

Assim como cremos, confessamos Aquele que é nossa Luz, nossa Salvação, nosso Salvador, nosso Protetor, nosso Auxílio, nosso Mestre, nosso Libertador, nosso Recompensador, nosso Socorro, nossa Força, nosso Muro; nosso Pastor, Entrada, Porta, Caminho, Vida, Medicina, Provisão, Bebida e Juiz.

Nós O confessamos passível e ainda assim impassível; Filho e ainda assim não criado; morto e ainda assim vivo; Filho do Pai, incompreensível e ainda assim compreendido; Aquele que sendo sem pecado carregou nossos pecados quando deixou o Céu do Pai.

Seu Corpo sendo quebrado torna-se nossa salvação; e seu Sangue e Espírito nossa vida e santidade; e a água nossa purificação.

Ele ilumina os corações daqueles que O temem, estando com eles em todas as coisas; Ele nos tornou estrangeiros a todo caminho do Diabo; Ele é o Renovador das almas em quem todos colocamos nossa esperança.

Ele, sendo Deus e estando com o Pai antes dos mundos, Deus eterno, vendo o mundo perecer nas cadeias do pecado e ser pisado pelo poder de uma fera astuta, e sujeito à morte por ignorância e erro, decidiu curar a raça humana.

Ele veio ao ventre de uma Virgem, oculto de todos os exércitos celestiais e lançando em ignorância as hostes adversárias.

E quando o Incorruptível se revestiu de carne corruptível, tornando incorruptível a carne que estava sob morte, mostrou assim na carne do morto Adão com a qual se revestiu um exemplo de incorruptibilidade, pelo qual as coisas corruptíveis foram abolidas.

Ele entregou mandamentos santos através do Evangelho, que é a proclamação antecipada do Reino; por meio desse Evangelho aprendemos a viver como figura do Reino.

Por meio desse Evangelho as cadeias do Diabo foram quebradas, para que possamos alcançar imortalidade em lugar da morte e vigilância em lugar da ignorância.

Ele, tendo se tornado Homem, tomou sobre Si a raça morta de Adão em todas as suas formas por meio do esvaziamento de Si mesmo.

Ele que é o Primeiro nasceu como Homem, embora seja Deus; Ele que foi conhecido antecipadamente pelos Profetas, proclamado pelos Apóstolos, louvado pelos Anjos e glorificado pelo Pai de todos.

Ele foi crucificado por nós; e sua Cruz é nossa vida, nossa força e nossa salvação.

Pois ela é o Mistério oculto, a alegria inefável.

Por ela toda a natureza humana, carregando-a sempre, torna-se inseparável de Deus, pois é a virtude benigna e inseparável de Deus, que não pode ser falada como é encontrada por estes lábios, e que estava escondida desde o início; mas agora o Mistério revelado, que é para os fiéis, será, não como parece ser, mas como é.

Esta Cruz na qual nos gloriamos, para que sejamos glorificados, e os seus portadores, os fiéis e perfeitos, separam suas almas de tudo o que pode ser sentido, de tudo o que é visto, como de uma coisa que não é verdadeira.

Por isso peçam por vocês mesmos, vocês que desistiram como homens; torne surdos os seus ouvidos visíveis; cego seus olhos corporais; para que conheçais a vontade de Cristo e todo o Mistério da vossa salvação.

Homens e mulheres santos, cuja propriedade é vangloriar-se no Senhor, ouçam o homem interior.

Nosso Senhor, quando Ele nos ensinou e nos estabeleceu uma aliança, e os fez parte de [Sua] família, e veio, após Sua paixão, ao Sheol, fez cativa toda  terra – Aquele que fez a natureza da morte cativa à vida.

E a Morte quando O viu descer em Sua alma ao Sheol, foi enganado e esperou que Ele fosse alimento para ele, como era seu costume. Mas quando ele viu Nele a beleza da Divindade, ele clamou com sua voz, dizendo:

Quem é este que se vestiu de Homem que [estava] sob mim, e me  conquistou? Quem é este que arranca da destruição a carne que estava presa por mim?

Quem é este que se vestiu de terra, mas ele mesmo é o céu? Quem é este que nasceu na corruptibilidade, mas não sofre corrupção? Quem é este que é estranho às minhas leis?

Quem é este que leva cativos os que são meus? Quem é este que luta com o poder de queimar a Morte e vence as trevas?

O que é esta nova glória que está nesta visão que me impede de fazer as coisas que eu gostaria? Quem é este novo morto sem pecado?

Quem é este que pela abundância da luz extingue as trevas e não me permite governar os que são meus, mas atrai para o Céu as almas que me foram dadas?

Qual é esta glória que impede que o corpo seja corruptível? Quem é este a quem não posso tocar? O que é essa glória insondável ao seu entorno?

Ai de mim! Sou posta em fuga por Ele e por aquelas coisas que são Suas, pois não posso prejudicá-las.

Ele, sendo o Cristo que foi crucificado, por quem as coisas que estavam à esquerda foram colocadas à direita, e as que estavam abaixo eram como as que estavam acima, e as que estavam atrás como as que estavam antes, quando Ele ressuscitou dos mortos, e pisoteou o Sheol, e pela morte matou a Morte; depois de ressuscitar ao terceiro dia, deu graças ao Pai, dizendo:

Eu Te dou graças, Meu Pai, não com estes lábios que estão unidos, nem com uma língua corporal pela qual saem verdade e mentira, nem com esta palavra material e criada; mas eu Te dou graças com aquela Voz que por Ti compreende todas as coisas.

Com aquela Voz que não vem de órgão corporal, que não cai em ouvidos carnais, que não está no mundo e não permanece na terra, mas com aquela Voz, o Espírito que está em nós, falando somente a Ti, Pai.

Por meio dela também todo o coro dos santos perfeitos Te chama Amado, Te chama Pai, Te chama Sustentador, Te chama Auxílio.

Pois Tu és tudo, e todos estão em Ti. Pois tudo o que existe é Teu e não de outro, mas somente Teu, Tu que és para todo o sempre. Amém.

Nota Editorial Final

O documento conhecido como Testamentum Domini Nostri Jesu Christi ocupa um lugar singular entre os textos cristãos antigos.

Ele pertence a um grupo de escritos preservados na tradição da Igreja antiga conhecidos como ordens eclesiásticas. Esses documentos procuravam registrar instruções sobre organização comunitária, disciplina e liturgia atribuídas à autoridade dos apóstolos.

Entre os textos mais conhecidos desse gênero encontram-se também a Didachê, a Didascalia Apostolorum e as Constituições Apostólicas.

O Testamentum Domini distingue-se por combinar duas tradições literárias: uma seção inicial de caráter apocalíptico e exortativo, apresentada como discurso de Cristo após a ressurreição, e uma longa série de regulamentos litúrgicos e disciplinares que refletem práticas das comunidades cristãs dos primeiros séculos.

O texto chegou até a era moderna principalmente por meio de manuscritos da tradição cristã oriental em língua siríaca.

A edição inglesa clássica utilizada como base para esta tradução foi publicada em 1902 por James Cooper e Arthur John Maclean, a partir do texto siríaco preservado em manuscritos orientais.

Hoje o documento é considerado uma fonte histórica importante para o estudo da organização, da liturgia e da vida comunitária das igrejas cristãs antigas.

Nota Editorial Final

O documento conhecido como Testamentum Domini Nostri Jesu Christi ocupa um lugar singular entre os textos cristãos antigos.

Ele pertence a um grupo de escritos preservados na tradição da Igreja antiga conhecidos como ordens eclesiásticas. Esses documentos procuravam registrar instruções sobre organização comunitária, disciplina e liturgia atribuídas à autoridade dos apóstolos.

Entre os textos mais conhecidos desse gênero encontram-se também a Didachê, a Didascalia Apostolorum e as Constituições Apostólicas.

O Testamentum Domini distingue-se por combinar duas tradições literárias: uma seção inicial de caráter apocalíptico e exortativo, apresentada como discurso de Cristo após a ressurreição, e uma longa série de regulamentos litúrgicos e disciplinares que refletem práticas das comunidades cristãs dos primeiros séculos.

O texto chegou até a era moderna principalmente por meio de manuscritos da tradição cristã oriental em língua siríaca.

A edição inglesa clássica utilizada como base para esta tradução foi publicada em 1902 por James Cooper e Arthur John Maclean, a partir do texto siríaco preservado em manuscritos orientais.

Hoje o documento é considerado uma fonte histórica importante para o estudo da organização, da liturgia e da vida comunitária das igrejas cristãs antigas.

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