Jesus Cristo Nunca Prometeu o Que Estão Te Prometendo

Quando a Fé Vira Negócio, Jesus Se Torna Desconhecido

Quem ofereceu os reinos da terra em troca de adoração não foi Jesus.
Foi Satanás.

Jesus nunca disse:
“Traga uma oferta e eu realizo seus sonhos.”
“Faça a campanha certa e eu te dou o que você quiser.”
“Cumpra o rito correto e eu recompenso com prosperidade.”

Essa lógica não nasce no evangelho.
Ela nasce no deserto da tentação — e foi normalizada dentro das igrejas.

O problema é que nos desviamos dentro da própria igreja.
Cegos seguindo cegos.

E, nesse desvio, criamos uma religião que justifica nossos próprios desejos.
Mas talvez esses líderes não sejam tão cegos assim. Muitos sabem exatamente o que fazem.

São mercadores, fazendo comércio de pessoas como se fosse fé, transformando o sagrado em produto e o púlpito em balcão.

A fé vira moeda.
O culto vira contrato.
Deus vira meio, não fim.

As pessoas não são chamadas ao arrependimento, mas ao consumo religioso.
Não são conduzidas à cruz, mas a promessas de vitória pessoal.
Não são libertadas do mundo — são ensinadas a amar o mundo com verniz espiritual.

Quando alguém “vence”, transforma isso em testemunho.
Um carro novo, uma roupa de marca, uma conquista material.

E o subtexto é sempre o mesmo, ainda que nunca declarado abertamente:
“Eu tenho porque fui fiel.
Você não tem porque não teve fé.”

Isso não glorifica Deus.
Isso humilha quem sofre.

Assim nasce um campeonato espiritual grotesco, onde todos competem por quem conquista mais lixo da terra em nome da fé.

Enquanto isso, o Reino de Deus tenta florescer como uma planta frágil
no meio do asfalto quente da vaidade religiosa.

Por Que Tanta Gente Prefere Um Jesus Adaptado

Jesus nunca se impressionou com poder espiritual exibido.
Nunca validou milagres como selo automático de fidelidade.
Nunca confundiu sinais com obediência.

Há gente que cura, expulsa demônios, realiza feitos extraordinários —
e ainda assim será rejeitada como desconhecida.

Não porque usou o nome errado,
mas porque viveu uma fé divorciada da vontade de Deus.

O critério do Reino nunca foi espetáculo.
Foi caráter.
Nunca foi barulho.
Foi fidelidade.

Por isso, a verdadeira religião não é acúmulo de doutrina correta na cabeça,
nem performance espiritual diante de plateias,
nem autoridade construída sobre títulos ou cargos.

A verdadeira religião é prática viva.
É compromisso real com os que sofrem por causa do Reino.
É fé que não usa pessoas, não explora fragilidades, não vende promessas.

É uma fé que se revela no cuidado, na justiça, na misericórdia —
e que não precisa de palco para existir.

Mas essa fé quase não interessa.

Porque ela não promete sucesso.
Não garante conforto.
Não alimenta o ego religioso.

Jesus não veio legitimar nossos desejos.
Veio confrontá-los.

Ele não negocia com o coração humano.
Não faz troca.
Não entra em barganha.

E talvez seja por isso que tanta gente prefira um “Jesus” adaptado —
mais útil, mais previsível, mais rentável.

O Jesus Que Não Faz Barganhas

No fundo, o problema não é que o mundo rejeita Jesus.
É que nós também rejeitamos.

Porque não queremos o Cristo que chama ao arrependimento,
à renúncia,
à prática concreta do amor.

Queremos apenas que Ele abençoe
aquilo que já decidimos amar.

 

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