TERRA PLANA: Sociedade Criacionista Brasileira aprendeu a mentir com os “teólogos” adventistas — 2ª Prova (COMPLETO!)

Conforme estamos demonstrando nesta série de postagens, a Sociedade Criacionista do Brasil, ou seu porta-voz, mente, quando afirma que não há fundamentação bíblica para a doutrina da Rerra plana, coberta por um domo ou cúpula, acima da qual está a casa, trono e templo de Deus.

Através de Nota de Esclarecimento sobre a Terra Plana, a SCB afirmou recentemente:

Os próprios textos bíblicos já deixavam transparecer o fato de que nosso planeta tem o formato esférico. …Por essas razões, a SCB repudia com veemência qualquer envolvimento que lhe imputem como defensora de teses espúrias sem qualquer apoio em textos bíblicos e muito menos em evidências verdadeiramente científicas.” (Grifos acrescentados.)

Contudo, quem pesquisa o posicionamento de escritores e teólogos adventistas do sétimo dia acerca da cosmologia bíblica em publicações oficiais, desde o final do século XIX, encontra uma multiplicidade de opiniões que vão desde a negativa irada de adventistas liberais que não aceitam a total literalidade do relato de Gênesis 1 até a admissão franca por parte de adventistas mais imparciais, os quais admitem base bíblica para a doutrina da Terra plana. Contudo, confirmam haver divergência internas sobre o tema, dentro da própria denominação religiosa à qual a SCB está umbilicalmente ligada há décadas.

Basta digitar, por exemplo, “flat Earth” nos sites de busca em arquivos de publicações adventistas do sétimo dia para encontrar exemplos dessas situações. Inicialmente, alguns desses articulistas simplesmente assumiram a esfericidade da Terra, como se isso fosse uma verdade bíblica e negaram veementemente a Cosmologia Hebraica. Referências à descoberta da América por Cristóvão Colombo repetem-se múltiplas vezes em vários periódicos denominacionais, como se fosse um marco do fim da crença na doutrina “católica” da Terra plana.

“Uma ilustração ajudará a deixar o assunto claro. Quando Colombo procurou homens e meios com os quais demonstrou sua crença em uma terra redonda, ele foi fortemente oposto por vários membros do clero daqueles dias com o argumento de que a Bíblia confirmava claramente a visão geralmente adotada de uma terra plana. Quando os fatos surgiram, o clero [católico] descobriu que não era a Bíblia a culpada, mas a interpretação muito literal do homem da Bíblia e a ignorância da linguagem poética.

“Com certeza, a situação é mais complicada hoje, para os cientistas, infelizmente, eles não se limitam, como Colombo, ao que parece ser o seu campo legítimo, mas eles, em muitos casos, fizeram um ataque frontal a toda a fé cristã, argumentando em geral que as coisas que não são suscetíveis de demonstração laboratorial não devem ser cridas por pessoas de bom senso, e que o livro da natureza é o único livro que dá um conhecimento confiável de Deus, seja no domínio físico ou espiritual.” —
Signs of the Times, 8 de Agosto de 1911, pág.13.

“Fundamentalistas” da Terra plana X Evolução

Em outra dessas publicações, talvez a mais impactante delas, em artigo que faz parte da série “Evolution Debate Stirs America” (O Debate da Evolução Agita a América), da autoria de Maynard Shipley. publicado no The Canadian Watchman, edição de outubro de 1925, págs. 11-19 e 30, a cosmologia tripartite da terra plana é mencionada como bíblica, mas o texto rotula os crentes na doutrina bíblica da Terra plana como “fundamentalistas” e apresenta em seguida dezenas de razões pelas quais para o articulista a teoria da Evolução deveria ser aceita e ensinada por especialistas nas escolas norte-americanas.

Ainda que faça parte de uma série de artigos favoráveis e contrários ao ensino da Evolução nas escolas públicas norte-americanas, o texto surpreende por ter sido divulgado em uma revista oficial adventista:

“Colombo queria fazer uma viagem ao redor do mundo. Ele disse que a terra é um esferóide. A Bíblia diz que é plana e os quatro anjos podem permanecer em seus quatro cantos. Colombo foi jogado em uma masmorra por tentar descobrir a América. Os fundamentalistas de seu tempo queriam a questão da esfericidade da Terra fosse deixada ao voto do povo, a grande democracia, a multidão; e a multidão colocou-o na prisão, em uma masmorra, e a multidão sempre colocou seus educadores no calabouço, na cruz.

“Os fundamentalistas dizem que não querem nada ensinado que seja contrário à sua religião e dizem que a teoria da evolução contradiz o livro de Gênesis. Pergunto-me a qual capítulo eles se referem, o primeiro ou o segundo? No primeiro capítulo, até o terceiro verso do segundo, temos uma teoria da evolução; e no segundo capítulo, começando pelo quarto verso, não temos nenhuma evolução. Agora, qual deles contém a religião que a evolução contradiz?

“De que forma estamos ferindo seus sentimentos quando dizemos que, em primeiro lugar, a Terra está sem vida e então dizemos que a vida apareceu? Não dizemos se ela apareceu pela vontade de Deus, ou não. Agora, eles [os fundamentalistas] realçam as contradições dos evolucionistas; dizem que os evolucionistas não concordam um com o outro. Esse argumento parece bom. Mas, quando há 206 tipos de cristianismo e os cristãos não podem concordar entre si, vamos questionar o cristianismo?…”

Alejandro Bullón e Leandro Quadros

No Brasil, o evangelista e escritor Alejandro Bullón chegou a atribuir a descoberta da esfericidade da Terra ao navegador Cristóvão Colombo, afirmando que a Ciência dizia então que a Terra era plana, enquanto a Bíblia, segundo ele e a Sociedade Criacionista Brasileira, já havia antecipado a “redondeza” da Terra:

“A ciência prova que este livro é a Palavra de Deus. Como? Preste atenção: durante anos a ciência acreditou que a Terra era plana. Antes de Cristóvão Colombo descobrir que a Terra era redonda, a ciência dizia que a Terra era plana, e que os barcos no mar desapareciam porque chegavam ao fim da Terra e caíam num precipício. Acredito que alguns de vocês estudaram isso. A ciência dizia: a Terra é plana, mas a Bíblia já estava escrita naquela época. E sabe o que a Bíblia diz em Isaías? ‘Ele é o que está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são como gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda para neles habitar…’ (Isaías 40:22)

“A Bíblia diz que a Terra era redonda e a ciência afirmava que não. Mas em 12 de outubro de 1492, Cristóvão Colombo chegou à América e provou para o mundo que a Terra era redonda. A Bíblia tinha razão.” — Fonte: http://www.sermoes.com.br/tsermoes119.htm e http://www.sermoes.com.br/tsermoes179.htm.

Alejandro Bullón não está sozinho nessas suas afirmações. Na edição de janeiro de 1899 da revista Signs of the Times, Alonzo T.Jones acusa a Igreja Católica (e não a Cência!) de ser “terraplanista” e não verificar textos bíblicos que ensinavam a esfericidade da Terra, como Isaías 40:22.

Erro semelhante cometeu a Sociedade Criacionista Brasileira ao publicar no quarto número da revista Ciência das Origens, pág. 4: “Mesmo que houvesse escritores antigos, como Lactâncio, que negavam a esfericidade da Terra, a Bíblia já a afirmava em Provérbios 8:27 e Isaías 40:22. Segundo alguns autores, Colombo inferiu a esfericidade da Terra baseando-se nestas passagens, o que talvez também não tenha sido bem assim.” [sic]

Leandro Quadros e outros pregadores adventistas, sem escrúpulos ou no mínimo desinformados, têm ainda hoje o aval da Sociedade Criacionista Brasileira para mentir dizendo que o profeta se refere à Terra como uma esfera, nessas e outras passagens. Alegam antecipação científica da Bíblia! Contudo, mesmo teólogos alinhados com o sistema adventista, como o arqueólogo e apresentador Rodrigo Silva, desprezam o argumeNto por saber que o termo hebraico usado — חוּג — refere-se ao formato circular do disco achatado da Terra, coberto pela cúpula do firmamento, como se fosse uma tenda, segundo o modelo bíblico.

Isaías 40:22

Ruy Vieira e outros “sócios-fundadores” da Sociedade Criacionista Brasileira, como Mischelson Borges, estão cansados de saber que esse texto de Isaías 40:22 no original em hebraico aparece da seguinte forma:
הישׁב על־חוג הארץ וישׁביה כחגבים הנוטה כדק שׁמים וימתחם כאהל לשׁבת׃
E que a palavra sublinhada, חוּג (chuwg), possui vários significados, mas nenhum deles é o de “redondeza”, “bola”, “esfera” ou “globo”. Mesmo assim, traduções forçadas, tendenciosas e desonestas já disseram que Deus está assentado sobre a “redondeza” ou “globo” da Terra.

Essa palavra חוּג (chuwg) só aparece três vezes no Antigo Testamento:

Jó 22:14:

“As nuvens são esconderijo para ele, para que não veja; e passeia pelo circuito dos céus.” (Almeida Revista e Corrigida Fiel)

“Nuvens espessas o cobrem, e ele não pode nos ver, quando percorre a abóbada dos céus.” Jó 22:14.(King James Atualizada, Almeida Revista Atualizada e Nova Versão Internacional, etc.

Provérbios 8:27

“Quando Ele estabeleceu os céus, lá estava Eu; quando delineou o horizonte sobre a superfície do abismo… — King James Atualizada, Almeida Revista e Corrigida Fiel, Nova Versão Internacional, etc.

“Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava um círculo sobre a face do abismo…” — — Almeida Revista e Atualizada e Nova Versão Internecional.

Em nenhum lugar das Escrituras, autores inspirados aplicaram essa palavra חוּג (chuwg) para descrever a terra, nem muito menos explicar um suposto formato esférico do “planeta”. O profeta está claramento se referindo ao modelo cosmológico bíblico terraplanista. Observe Isaías 40:22 desde o verso anterior:

“Porventura não sabeis? Porventura não ouvis, ou desde o princípio não se vos notificou, ou não atentastes para os fundamentos da terra? Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar.” — Isaías 40:21-22. Almeida Corrigida Revisada e Fiel.

“Não o sabíeis? Não o aprendestes? Não vos ensinaram desde a origem? Não compreendestes nada da fundação da terra? Aquele que domina acima do disco terrestre, cujos habitantes vê como se fossem gafanhotos, aquele que estende os céus como um véu de gaze, e como tenda os desdobra para aí se abrigar.” — Isaías 40:21-22, Versão Católica.

“Porventura não sabeis? Não ouvistes? Não vos foi dito isso desde o princípio? Não entendestes desde a fundação da terra? Ele é o que está assentado em seu trono, acima da cúpula da terra, cujos habitantes são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para nela morar.” Isaías 40:21-22. King James Atualizada.

A língua hebraisca possui dois outros termos específicos para descrever uma “esfera”, “bola” ou “globo”. São eles: “duwr” e “gullah”. O primeiro é usado pelo próprio profeta Isaías para designar uma “bola”:

“Certamente com violência te fará rolar, como se faz rolar uma bola num país espaçoso…” Isaías 22:18. E o segundo aparece em II Crônicas 4:12-13: “As duas colunas, os globos, e os dois capitéis sobre as cabeças das colunas; e as duas redes, para cobrir os dois globos dos capitéis, que estavam sobre a cabeça das colunas. E as quatrocentas romãs para as duas redes; duas carreiras de romãs para cada rede, para cobrirem os dois globos dos capitéis que estavam em cima das colunas.”

Nenhuma dessas duas palavras é usada em toda a Bíblia para descrever o formato da Terra. Isaías jamais pretendeu antecipar a Ciência, como querem os teólogos adventistas e a Sociedade Criacionista Brasileira. Os escritores bíblicos adotaram a cosmologia terraplanista em seus textos, por ter sido este o modelo escolhido por Deus. Ainda que tenhamos dúvidas científicas em relação ao real formato de nosso mundo, a Terra plana com seus fundamentos e fontes de água, coberta pela cúpula celeste, acima da qual mora Deus, é a Cosmografia da Fé a que devemos adotar como cristãos e criacionistas bíblicos.

Melhor informados, mais honestos

A compreensão e aplicação equivocada de alguns textos bíblicos com problemas de tradução, desatenção a outras dezenas de versículos que falam da cosmologia hebraica, ainda sob o impacto da descoberta da América e das grandes navegações e Viagens marítimas de então, provavelmente, levaram pioneiros adventistas do sétimo dia a rejeitar a doutrina bíblica da Terra plana.

Felizmente, desde as últimas décadas do Século XX, teólogos adventistas melhor informados e preparados, além de mais honestos, admitiram a compreensão de que a Bíblia, desde o Gênesis ao Apocalipse, defende o formato da Terra plana, embora oficialmente essa doutrina não tenha sido recebida pela igreja e nossos teólogos busquem múltiplas razões e meios para não literalizar esse aspecto do relato bíblico.

Harold Coffin Ph.D., que foi professor de Paleontologia da Andrews University, em Berrien Springs, Michigan, EUA, e pesquisador do Geoscience Research Institute, em Loma Linda, California, EUA, afirma, por exemplo, em artigo publicado pela própria Sociedade Criacionista Brasileira:

“A cosmologia dos povos antigos descrevia um firmamento sólido que podia enrolar-se como um pergaminho, tendo luminárias nele pendentes. Eles se viam como que morando sob uma grande cobertura ou tenda, que tinha sólidos apoios. Janelas nessa cobertura abriam-se para deixar cair a chuva, conceito esse refletido nos textos seguintes: Gênesis 1:17 (luzeiros colocados no firmamento); Jeremias 10:12; 51:15 (os céus sendo estendidos); Salmo 104:2, Isaías 40:22 (os céus estendidos como uma cortina, como tenda para neles habitar); Jó 26:11 (as colunas do céu); Gênesis 7:11, II Reis 7:2 (as janelas do céu); Isaías 34:4, Apocalipse 6:14 (os céus se enrolando como pergaminho); Provérbios 8:28 (as nuvens sendo firmadas).

“Certas passagens das Escrituras – Jeremias 10:12, Isaías 40:22, Jó 26:11, e outras – sugerem que os seus autores tinham conceitos cosmológicos semelhantes aos das antigas culturas pagãs.” Este artigo publicado pela SCB na Folha Criacionista número 52, corresponde ao Capítulo 1º do livro Origin by Design, intitulado “No Princípio | Deus.” A obra de Harold Coffin foi publicada em 1983 pela editora adventista Review and Herald Publishing Association. Fonte: http://www.revistacriacionista.org.br/artigos/FC52_Noprincipio.asp

Já o Dr. L. James Gibson, do Geoscience Research Institute, Loma Linda, Califórnia, EUA, no artigo “A Primeira Semana: Um cientistsa Cristão Lê Gênesis 1” também publicado pela SCB destaca a importância do estudo bíblico a respeito da Criação e da Cosmologia bíblica:

“Os Adventistas do Sétimo Dia desejam partilhar as boas novas (o ‘evangelho’) do caráter de Deus e Seu plano para resgatar os seres humanos dos resultados de suas más escolhas. Em Apocalipse 14:6, a criação se identifica como parte do Evangelho a ser pregado ao mundo inteiro. Assim, a interpretação adventista do relato da criação deverá mostrar a maneira pela qual a história da criação revela as boas novas sobre Deus.”

E acrescenta: “Alguns outros têm declarado que a referência a ‘firmamento’ significa que os hebreus consideravam a Terra como uma superfície plana, apoiada em pilares e coberta com um domo metálico. Propõem então que isto invalida o registro da criação porque agora sabemos que a Terra não estava coberta por tal domo metálico. Entretanto, isto parece uma incongruência (non sequitur). Independentemente do que os hebreus pensavam da estrutura da Terra, as águas da superfície e as nuvens parecem estar separadas pela atmosfera, e parece também razoável que fosse a atmosfera o que Deus criou no segundo dia. Note-se que Deus chamou de ‘céus’ ao firmamento.” Fonte:
http://www.revistacriacionista.org.br/scb/periodicos/cienciadasorigens/17.pdf

Note que não há agressão nem ridularização do ponto de vista literal das Escrituras, bem diferente da tal “Nota de Escarecimento” publicada pela mesma Sociedade Criacionista Brasileira contra a doutrina bíblica da Terra Plana. Ainda publicaremos mais provas como essas de que já houve certa abertura teológica para o debate sobre a Terra plana.

Contudo, até hoje publicações oficiais e da SCB sequer mencionam que um dos principais terraplanistas do século XIX nos Estados Unidos era membro ativo da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Alexander Gleason, engenheiro civil, cartógrafo e maquinista, produziu mapa da Terra plana e extensa obra demonstrando a ligação da crença na doutrina bíblica da Terra Plana com a fé adventista. Seu mapa e seu livro (em inglês) podem ser encontrados para venda até hoje em sites como o Amazon.com.

Hoje, apenas o apego excessivo à tradição, teimosia burra unjustificável ou má-fé explícita podem explicar a insistência adventista em recusar a doutrina bíblica da Terra plana.

Ver também:

Signs of the Times, junho de 1975, págs. 23 a 26

Signs of the Times, julho de 1975, págs. 22 a 25.

https://dialogue.adventist.org/pt/2236/a-cosmologia-unica-de-genesis-1

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