Professores de hebraico do Unasp escondem que Gênesis 1:1 deveria ser: “No princípio, criou Deus as águas e a terra”

Quem cursa teologia em qualquer seminário adventista da América do Sul, ainda que obtenha as notas máximas em hebraico e grego, como aconteceu com Ermelino Robson L. Ramos, fundador deste site, aprenderá apenas o conteúdo básico de argumentação para defender com ares de erudição o posicionamento doutrinário da Igreja Adventista do Sétimo Dia e nada mais além disso. O compromisso dos professores dessas línguas bíblicas nos seminários da IASD é com a instituição que os contratou e denominou “mestres”; e não com a transmissão do real domínio do conhecimento de hebraico ou grego nas salas de aula.

Pergunte a qualquer pastor ou teologando adventista se ele já pesquisou ou estudou sobre o significado da palavra hebraica “shamayim”? Se responder “céu” ou “céus”, é importante saber desde já que essa é, incrivelmente, uma tradução parcial e, por isso, incorreta de “shamayim” em todas as línguas. Apenas em hebraico, podemos ler e entender a verdade bíblica literal do significado de “shamayim”.

A palavra hebraica “shamayim” é construída de duas partes: sham (שָׁמַ) derivado do acadiano samu, que significa “céu” ou “elevado”, e o hebraico mayim (מַיִם), que significa “águas”. Em Gênesis 1:6, por exemplo, Elohim separou a “água da água”. A área acima da terra ficou preenchida por “água do céu” (sham-mayim) ou “águas de cima” e a área abaixo da terra estava preenchida por “água do mar”, ou das profundezas (yam-mayim).

Resumindo:

1. “Shamayim” é uma palavra hebraica que significa literalmente “águas do céu” ou “águas elevadas”.

2. Em hebraico, até o segundo dia da criação, não existe outra palavra específica para “céu”. Usa-se apenas “shamayim” (águas do céu ou celestes).

3. A tradução em português, por exemplo, do primeiro versículo da Bíblia poderia ser: “No princípio, criou Deus as águas e a terra.” Porque ainda não havia o domo celeste, ou “firmamento”, “céus”, raquia em hebraico.

4. Somente no segundo dia, quando realmente o “firmamento” foi criado como uma cúpula sólida que dividiu as águas de cima das de baixo, separando-as e, obviamente, protegendo a terra das águas acima, surgiram os “céus”.

Isso é importante porque assim fica claro desde o início da Bíblia que as águas também são uma criação de Elohim e que os nossos “céus” não são o mesmo que o Céu, lugar da habitação de Deus.

A separação e expansão (efeito bolha) produzidas pelo firmamento fizeram surgir três céus:

O primeiro céu, expansão criada pelo domo, onde voam os pássaros e as nuvens se movimentam, e o segundo céu, domo onde o sol, lua e estrelas foram fixados, estão abaixo do terceiro céu, onde está o trono, santuário e a Cidade anta de nosso Deus.

“Águas” e “Céus”, dupla face de uma mesma realidade

Min Suc Kee, Ph.D. pela Universidade de Manchester (Inglaterra), professor de Bíblia na Universidade Teológica Batista Coreana, em Daejeon, na Coréia do Sul, publicou no Jewish Bible Quarterly, “A Study on the Dual Form of Mayim, Water (Um Estudo sobre a forma Dual de Mayim, Água)”, no qual esclarece que “céus”´e “águas” constituem uma dupla face de uma mesma realidade. Isto é, no relato bíblico, “céus” e “águas” querem dizer praticamente a mesma coisa em hebraico, porque o céu que vemos é composto de água.

Segundo ele, no hebraico bíblico, um par de um objeto é escrito com a forma dual distintiva, assumindo uma terminação específica (-ayim). Por exemplo, um par de olhos é designado einayim e um par de mãos yadayim. Por outro lado, existem algumas palavras escritas na forma dual que são difíceis de entender como um par. É o caso de mayim (água), shamayim (águas do céu, ou águas elevadas), Yerushalayim (Jerusalém) e Mitzrayim (Egito).

Em geral, livros de gramática hebraica não explicam que essas palavras significam um par real, ou têm sua origem como um par. No entanto, o autor sugere que a grafia de mayim (águas), em particular, está intimamente associada ao seu significado original como par. Para apoiar esse argumento, examina a história da Criação na Bíblia, juntamente com a de Enuma Elish.

Nem toda palavra na forma dual tem o significado de um par. Por exemplo, muitos nomes de lugares assumem a forma com final -ayim, embora não tenham um significado duplo. Os melhores exemplos são Yerushalayim (Jerusalém) e Mitzrayim (Egito). Quando observamos que Yerushalam no texto massorético é lido como Yerushalayim (por exemplo, 1 Rs 12:18), que “Samaria” está escrito Shamrayin em Aramaico, mas é chamada Shomron em hebraico, e que Mitzrayim é Mtzrm em fenício, podemos concluir que esses nomes de lugares na verdade não denotam um par. Na verdade, são simplesmente transliterações de idiomas estrangeiros.

De maneira geral, mayim e shamayim são explicados de maneira semelhante, embora nunca sejam usados ​​como nomes de lugares e sempre sejam apresentados com um esclarecimento distinto. Outra explicação popular diz que mayim e shamayim são exemplos da chamada “extensão local plural” com uma terminação plural masculina. Este plural é empregado especificamente para indicar abundância, pluralidade ou localidade de um substantivo singular (por exemplo, meromim em Isa. 33:16). Com base nisso, mayim e shamayim significariam água e céu abundantemente estendidos em um determinado local.

A gramática de Gesenius oferece bons exemplos desse uso, mas, como explicação para mayim e shamayim, é duvidosa. Os exemplos de plurais de extensão local dados por Gesenius são todos nomes padrão com terminações plurais regulares, como o masculino –im e o feminino –ot final.

No entanto, deve-se notar que mayim e shamayim não ocorrem no singular, pois não há evidências de formas singulares mai e shamai.

Raramente se afirma que a forma dupla de mayim tem algo a ver com uma palavra que possua um duplo significado. Dado que as duas palavras têm pronúncias claras de som duplo e grafias de forma dupla, elas podem muito bem ter sido recebidas como dupla em suas práticas lingüísticas reais. A forma estabelecida de palavras não ocorre independentemente de seu uso prático em comunicações reais, verbais ou escritas. Essas formas duplas eram o que os povos antigos usavam em sua vida cotidiana quando se referiam à água e ao céu. Eles entenderam as ‘águas” ou as “águas do céu” como uma dualidade de uma mesma realidade.

Primeiro, Deus criou as águas e a terra, em Gênesis 1:1. Depois, Gênesis 1:6 menciona as águas mais uma vez: “E Deus disse: Haja um firmamento no meio das águas.” Posteriormente, nos versículos 7-8, as águas são divididas em águas acima do firmamento (raki’a) e abaixo da extensão. Mais tarde, ainda no segundo dia, o firmamento-extensão que separa as águas passou a ser chamado shamayim (“céus” ou “águas do céu”). Nos versículos 9-10, a água abaixo do céu foi reorganizada para formar o mar e a terra seca, “a terra”.

Através dessas passagens, podemos visualizar corretamente as águas e o solo, todos misturados antes da Criação. Definido no desenho da “ordem do caos”, o espaço lamacento foi posteriormente dividido para expor uma nova substância, a terra, na qual as criaturas terrestres poderiam viver.

As nações da antiguidade consideravam a extensão chamada shamayim (“águas do céu”) como uma espécie de cúpula que suporta a água acima do firmamento, para que ela não vaze e desmorone. É por isso que algumas passagens da Bíblia descrevem de maneira diversa a expansão como “os pilares do céu” (Jó 26:11) e “os fundamentos do céu” (II Sam. 22: 8). Parece provável que o domo também fosse entendido como rígido e transparente, como um folha de vidro, ou seja, mais que um espaço cheio de ar. Por crerem na Palavra de Deus, os antigos hebreus acreditavam que a cúpula estava empurrando com força contra a água acima e a água abaixo, que antes formavam um único corpo, mas agora estavam divididas como um “par”.

O conceito primitivo de água como um par é bem ilustrado na estrutura literária de Gênesis 1, onde a narrativa dos Sete Dias da Criação segue um arranjo paralelo bem conhecido:

Criação das substâncias — Criaturas das substâncias
A. Dia 1 Luz — A’. Dia 4 Luminares
B. Dia 2 Firmamento — B’. Dia 5 Pássaros e peixes
C. Dia 3 Terra — C′. Dia 6 Animais e Homens
D. Dia 7 Descanso

Uma comparação da coluna da esquerda com a da direita (A-A ‘, B-B’, C-C ‘) mostra a cosmovisão dos povos antigos embutida no registro da História de criação. É particularmente interessante observar como o “firmamento” em B corresponde aos “pássaros e peixes” em B ‘. Os povos antigos viam uma correspondência entre os pássaros acima e os peixes abaixo, pois ambos viviam na mesma substância, a água, embora dividida em duas pelo firmamento-extensão. Os pássaros foram visualizados “nadando” com as asas na água acima, assim como os peixes “planavam” no mar.

Para os hebreus, a cor do céu era azul como a do oceano, porque a água acima era vista através do firmamento. Por isso, Ezequiel 1:26 descreve a cor do firmamento, quando vista, como a da safira. E como há água acima do céu, algumas passagens da Bíblia declaram que a água acima pode chover ou derramar-se em um dilúvio quando a janela do céu for aberta: “naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram” (Gênesis 7:11; ver também Gênesis 8: 2 e Isa. 24:18).

Descrevendo o que aconteceu no primeiro dia do Dilúvio, a passagem citada acima fala das janelas no céu abrindo e liberando água de
cima para baixa, a qual também rebenta quando as fontes das profundezas se rompem. Claramente, as águas acima e abaixo da extensão são justapostas como um par.

Isso também é ilustrado em Provérbios: “Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra…” — Provérbios 8:27-29.

Em conclusão, as evidências literárias até agora demonstram que as águas acima e abaixo eram entendidas como um par que formava originalmente um corpo celeste, mas depois foi separado em dois.

Min Suc Kee, Ph.D. pela Universidade de Manchester (Inglaterra), professor de Bíblia na Universidade Teológica Batista Coreana, em Daejeon, na Coréia do Sul, publicou no Jewish Bible Quarterly, A Study on the Dual Form of Mayim, Water (Um Estudo sobre a forma Dual de Mayim, Água)

2 thoughts on “Professores de hebraico do Unasp escondem que Gênesis 1:1 deveria ser: “No princípio, criou Deus as águas e a terra”

  1. Espero a explicação para a criação ocorrida no quarto dia, mais especificamente as estrelas, inclusive existem muitas estrelas (corpos celestes com luz própria) que estão a milhões de anos luz distantes (e, a luz viaja a 300 mil km/s), e a luz dessas estrelas já chegaram aqui na terra. Qual a explicação ???!!!

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