Adventistas.com prepara investigação sobre racismo, supremacia branca, colaboração com o nazismo e 163 anos de ausência de pessoas negras na presidência mundial adventista. A reportagem será publicada nas próximas horas.
Hoje, 22 de outubro de 2026, completam-se 182 anos do chamado Grande Desapontamento de 1844, acontecimento que ocupa posição fundamental na memória histórica e na interpretação profética da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Naquele dia, milhares de fiéis aguardaram a volta de Jesus Cristo. A expectativa não se cumpriu. O movimento que posteriormente daria origem à denominação reinterpretou o acontecimento e transformou aquela data num marco de sua identidade religiosa.
Mas neste 22 de outubro há outro desapontamento que merece ser anunciado, não com cálculos proféticos, mas com os registros administrativos da própria igreja: desde sua organização oficial, em 1863, até hoje, a Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia jamais teve um presidente negro. Nenhum. Zero. Em 163 anos.
Não se trata de uma contagem aproximada nem de uma acusação construída sobre impressões pessoais. Os nomes e os mandatos estão registrados nos arquivos oficiais da Associação Geral. De John Byington, o primeiro presidente, a Erton Köhler, eleito em julho de 2025, a galeria da presidência mundial não apresenta um único dirigente negro.
E estamos falando de uma denominação mundial que se apresenta como portadora de uma mensagem destinada a todas as nações, tribos, línguas e povos. Uma organização que atravessou a abolição da escravidão nos Estados Unidos, a segregação racial norte-americana, duas guerras mundiais, o nazismo, o apartheid sul-africano e as lutas pelos direitos civis, sem que uma pessoa negra chegasse à sua presidência máxima.
O que as próprias publicações adventistas revelam
Entretanto, a ausência de presidentes negros é apenas uma das revelações da investigação que estamos preparando.
Documentos preservados nos próprios arquivos adventistas mostram que suas publicações de saúde, ainda antes da ascensão de Adolf Hitler, discutiam o controle da reprodução humana, a seleção de características hereditárias e a conveniência de impedir que determinadas pessoas transmitissem sua descendência. Em periódicos de 1911 e 1912, encontramos comparações entre a escolha de pais humanos e os procedimentos utilizados por criadores de cavalos, vacas e outros animais. Em 1915, a imprensa adventista divulgava discussões sobre a esterilização dos considerados inadequados para reproduzir.
A investigação examinará também as declarações de superioridade racial branca de John Harvey Kellogg, personagem central da história da reforma de saúde adventista, e as publicações alemãs que, durante o Terceiro Reich, acolheram aspectos da política de higiene racial do regime nazista, incluindo a esterilização compulsória de seres humanos classificados como hereditariamente indesejáveis.
O leitor encontrará documentos, autores, datas, páginas, traduções e registros institucionais. Examinaremos também a decisão da Associação Geral, em 1944, de autorizar associações separadas para adventistas negros nos Estados Unidos e a permanência, em 2026, de estruturas administrativas historicamente organizadas a partir daquela segregação.
Uma presidência mundial sem negros desde 1863
A questão que levaremos aos leitores é tão simples quanto desconfortável: como uma igreja que anuncia igualdade espiritual diante de Deus atravessou 163 anos sem entregar sua presidência mundial a uma pessoa negra, enquanto sua própria história editorial e administrativa conserva registros de hierarquização racial, separação institucional e aproximação de setores da denominação com políticas do nacional-socialismo?
O título da reportagem está definido:

IASD: Racista, supremacista branca e nazista — as publicações da própria igreja revelam seus absurdos
A reportagem está em preparação para publicação nas próximas horas no Adventistas.com.
Em 22 de outubro de 1844, os mileritas esperaram por alguém que não apareceu.
Em 22 de outubro de 2026, olhamos para a presidência mundial adventista e encontramos outra ausência histórica.
Cento e sessenta e três anos. Nenhum presidente negro. Um grande desapontamento!
Fontes documentais
Arquivos oficiais da Associação Geral — Relação histórica dos presidentes mundiais.
Life and Health, junho de 1912 — Arquivo histórico adventista.
Herald of Health, abril de 1915 — Arquivo histórico adventista.
Encyclopedia of Seventh-day Adventists — John Harvey Kellogg.
Office for Regional Conference Ministries — História das associações regionais adventistas.






