Documento divulgado após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 reúne dados atribuídos ao Tribunal Superior Eleitoral e apresenta uma investigação estatística sobre horários de encerramento das urnas, identificação biométrica, concentração de votos e procedimentos de fiscalização. Análise realizada por inteligência artificial destaca oito aspectos positivos da iniciativa.
A circulação nas redes sociais de um documento intitulado **“Relatório Pericial Independente — Eleições 2026”**, apresentado como uma investigação baseada nos microdados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acrescentou novos elementos ao debate sobre a transparência e a fiscalização do processo eleitoral brasileiro. Com sete páginas de exposição técnica, incluindo um anexo metodológico, o material apresenta números, tabelas e cruzamentos estatísticos relacionados à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, concentrando sua atenção em aspectos operacionais da votação que podem ser examinados mediante registros públicos.
O relatório é aqui denominado apócrifo exclusivamente no sentido de não oficial, isto é, um documento cuja autoria institucional não está formalmente identificada e que não constitui manifestação ou laudo do próprio TSE. O emprego da palavra “apócrifo” não significa, neste contexto, que o documento seja falso, fraudulento ou destituído de valor investigativo. A expressão serve apenas para distinguir sua origem independente daquela dos documentos produzidos ou oficialmente reconhecidos pelas autoridades eleitorais.
Entre os aspectos que despertam interesse estão a abrangência nacional declarada da análise, o processamento de informações de aproximadamente 499 mil seções eleitorais, o exame dos horários de encerramento da votação e a investigação dos procedimentos de habilitação de eleitores sem reconhecimento biométrico. O documento também procura identificar concentrações excepcionais de votos e possíveis associações entre diferentes variáveis do processo eleitoral, propondo uma abordagem quantitativa para questões de interesse público.
Submetido à apreciação de inteligência artificial, o material permitiu identificar oito pontos positivos relacionados à escolha das fontes, à abrangência da investigação, à organização dos dados, à formulação de hipóteses verificáveis e à proposta de fiscalização independente. Esses aspectos demonstram a relevância de examinar tecnicamente os procedimentos eleitorais e de ampliar o acesso público às informações necessárias ao escrutínio dos resultados.
A seguir, são apresentados os oito pontos positivos identificados pela inteligência artificial no Relatório Pericial Independente Apócrifo, com destaque para os elementos que conferem interesse investigativo ao documento e para as possibilidades de aprofundamento da análise estatística das eleições presidenciais de 2026.
Os oito pontos positivos do Relatório Pericial Independente Apócrifo sobre as eleições de 2026
1. A utilização dos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral como fundamento da investigação
O primeiro aspecto positivo do relatório está na escolha de sua fonte de informações. Em lugar de construir uma argumentação exclusivamente sobre declarações políticas, depoimentos pessoais ou denúncias divulgadas nas redes sociais, os responsáveis pelo documento afirmam ter utilizado os próprios registros disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Essa decisão confere especial interesse à investigação, pois desloca o debate para um terreno em que números, horários, quantidades de votos e procedimentos administrativos podem ser examinados por diferentes pesquisadores, independentemente de suas preferências políticas.
O documento identifica os Boletins de Urna (BWeb) como sua principal fonte de informações e descreve o processamento de variáveis que permitiriam comparar o comportamento eleitoral de milhares de seções distribuídas pelo território brasileiro. Trata-se de uma abordagem importante porque os boletins registram resultados individualizados das urnas, permitindo a realização de estudos estatísticos em diferentes escalas: nacional, estadual, municipal e por seção eleitoral. A utilização desses registros abre espaço para investigações que ultrapassam os resultados agregados divulgados na noite da eleição.
O mérito dessa escolha está na possibilidade de submeter os próprios dados públicos a uma análise independente. Uma auditoria baseada em informações oficiais pode contribuir para a transparência eleitoral ao permitir que pesquisadores examinem os registros sob perspectivas diferentes daquelas utilizadas nas apresentações institucionais dos resultados.
2. A abrangência nacional e a proposta de examinar praticamente meio milhão de seções eleitorais
Outro ponto positivo é a dimensão declarada do levantamento. Segundo o relatório, foram processadas informações correspondentes a 499.205 seções eleitorais, abrangendo as 28 unidades consideradas no levantamento, incluindo o Distrito Federal e o exterior, e um universo de 128.236.074 registros de comparecimento. A proposta de examinar a totalidade de uma base nacional representa uma diferença importante em relação a estudos construídos sobre conjuntos reduzidos de urnas ou localidades escolhidas previamente.
A abrangência nacional permite investigar a distribuição geográfica de determinados fenômenos, identificar concentrações regionais e comparar situações semelhantes em diferentes estados. Também possibilita observar se comportamentos considerados excepcionais aparecem de maneira isolada ou se apresentam alguma regularidade territorial. Esse tipo de levantamento é especialmente útil quando o objeto de estudo envolve procedimentos administrativos aplicados em milhares de locais de votação.
A principal contribuição dessa amplitude é a possibilidade de examinar o processo eleitoral como um conjunto integrado de registros, sem restringir previamente a investigação a municípios ou regiões específicos. A proposta de trabalhar com uma base censitária constitui, portanto, um aspecto metodológico relevante do documento.
3. A investigação dos horários de encerramento das urnas e sua relação com os resultados eleitorais
Um dos capítulos mais interessantes do relatório é aquele dedicado ao horário de encerramento das urnas eletrônicas. Os autores propõem separar as seções em diferentes grupos temporais, tomando como referência o encerramento até as 17 horas e o encerramento posterior. A partir dessa classificação, apresentam percentuais distintos de votação para os candidatos e procuram identificar alterações no comportamento dos resultados entre os grupos examinados.
O documento informa que, no conjunto das urnas encerradas até as 17 horas, Flávio Bolsonaro teria alcançado 52,39% dos votos válidos. Também apresenta resultados diferentes para as seções encerradas posteriormente. A escolha dessa variável oferece uma oportunidade de investigação porque o horário de encerramento constitui um registro administrativo que pode ser relacionado com características geográficas, quantidade de eleitores, comparecimento e votação dos candidatos.
O ponto positivo está em transformar uma questão relacionada ao funcionamento da votação em objeto de análise estatística. A comparação dos horários permite formular perguntas específicas sobre a distribuição das seções, a duração dos procedimentos de encerramento e as características eleitorais dos diferentes grupos. É uma linha de investigação que pode contribuir para compreender melhor o funcionamento operacional das eleições e as diferenças entre localidades.
4. A atenção dedicada à habilitação de eleitores sem reconhecimento biométrico
A investigação sobre os procedimentos de habilitação sem reconhecimento biométrico representa outro aspecto importante do documento. Segundo os números apresentados, 8.632.488 eleitores teriam sido habilitados por procedimentos alternativos, contingente correspondente a aproximadamente 6,73% do comparecimento nacional informado. O relatório compara essa quantidade com a margem de vitória atribuída a Lula, de 4.430.191 votos, observando que o primeiro número corresponde a quase o dobro do segundo.
O interesse investigativo dessa comparação está na dimensão do contingente submetido a procedimentos alternativos de identificação. Em uma eleição nacional, os mecanismos de reconhecimento biométrico e os procedimentos previstos para situações em que a identificação digital não é concluída satisfatoriamente constituem elementos importantes da administração eleitoral. Sua distribuição geográfica, frequência de utilização e aplicação prática podem ser estudadas a partir dos registros disponíveis.
O mérito do relatório é chamar atenção para uma dimensão do processo eleitoral que merece fiscalização sistemática: os mecanismos alternativos de identificação dos eleitores. A investigação pode estimular estudos sobre a aplicação uniforme das regras, a documentação das ocorrências, os controles realizados pelos mesários e a existência de diferenças relevantes entre seções, municípios e regiões. A importância desse tema ultrapassa a disputa entre candidatos, pois envolve a confiança pública nos procedimentos de identificação utilizados nas eleições.
5. A identificação de seções com concentrações eleitorais excepcionalmente elevadas
O relatório também dedica atenção às seções eleitorais em que um dos candidatos teria recebido percentuais extremamente elevados de votos. Segundo os números apresentados, 6.899 seções registrariam mais de 90% dos votos para Lula, enquanto 384 apresentariam percentuais superiores a 90% para Flávio Bolsonaro. O documento destaca a diferença entre esses contingentes e propõe examinar a distribuição territorial dessas concentrações.
A análise de votações muito concentradas é um tema legítimo da estatística eleitoral. Em um país com profundas diferenças regionais, sociais, culturais e demográficas, o comportamento dos eleitores pode variar consideravelmente entre comunidades. A identificação das seções com percentuais extremos permite construir estudos sobre essas diferenças, comparando os resultados com eleições anteriores, características dos municípios, tamanho do eleitorado e distribuição geográfica das preferências políticas.
O aspecto positivo está na identificação de um conjunto específico de seções que pode ser submetido a exames adicionais. Em vez de limitar a análise aos percentuais nacionais, o relatório direciona a atenção para a distribuição interna dos votos, oferecendo uma possibilidade de investigação sobre padrões locais e regionais. O estudo dessas concentrações pode contribuir para uma compreensão mais detalhada da geografia eleitoral brasileira.
6. O cruzamento entre identificação biométrica, horário de encerramento e votação dos candidatos
Um dos elementos metodológicos mais interessantes aparece no anexo técnico, quando os autores descrevem o cruzamento de três variáveis: a quantidade de eleitores habilitados sem reconhecimento biométrico, o horário de encerramento das urnas e a votação nominal dos candidatos. Essa combinação constitui uma proposta de investigação mais abrangente do que a simples observação isolada de cada indicador.
Ao relacionar essas informações, torna-se possível examinar se determinados padrões aparecem simultaneamente nas mesmas seções eleitorais. Por exemplo, uma investigação pode verificar se localidades com maior frequência de habilitação sem biometria também apresentam horários de encerramento mais tardios e como esses fatores se distribuem entre municípios e estados. A análise conjunta oferece condições para identificar associações estatísticas que não seriam perceptíveis pela leitura separada das tabelas.
O mérito dessa abordagem está em procurar compreender as relações entre diferentes características do processo eleitoral. Estudos desse tipo podem contribuir para identificar padrões administrativos, diferenças territoriais e situações que justifiquem exames mais detalhados. A proposta de cruzamento constitui uma das partes tecnicamente mais promissoras do relatório, especialmente pela possibilidade de ampliação da investigação com ferramentas estatísticas e bases de dados públicas.
7. A preocupação declarada com a integridade dos arquivos e a reprodução dos procedimentos
O anexo metodológico apresenta outro ponto positivo ao mencionar procedimentos destinados à conferência da integridade dos arquivos utilizados. Os autores afirmam ter trabalhado com arquivos oficiais de Boletins de Urna e realizado verificações por meio de hashes criptográficos SHA-512. Também declaram ter processado a totalidade da base considerada e identificado os campos empregados nos cruzamentos estatísticos.
A preocupação com a integridade dos arquivos é relevante em qualquer investigação baseada em grandes volumes de dados digitais. O emprego de verificações criptográficas permite comparar arquivos e identificar eventuais alterações em seu conteúdo. A identificação das variáveis utilizadas, por sua vez, facilita a organização dos procedimentos e estabelece referências para que outros pesquisadores compreendam como os dados foram selecionados e relacionados.
O principal aspecto positivo está na valorização de uma metodologia que possa ser examinada e reproduzida por especialistas independentes. A descrição dos procedimentos oferece uma estrutura inicial para futuras verificações, permitindo que a investigação seja desenvolvida com instrumentos de auditoria computacional. A possibilidade de reprodução é um dos elementos fundamentais para transformar questionamentos públicos em estudos técnicos sujeitos ao exame de diferentes profissionais.
8. A concentração da investigação em procedimentos materiais e administrativos da votação
O oitavo ponto positivo está na delimitação expressa do objeto investigado. No anexo, os responsáveis pelo relatório esclarecem que seu estudo não se concentra em hipóteses sobre invasões de sistemas por hackers, interferências externas ou manipulações remotas de programas. A investigação é apresentada como um exame de procedimentos concretos relacionados à votação, à identificação dos eleitores, à fiscalização das seções e ao cumprimento das normas administrativas.
Essa escolha permite direcionar o debate para questões documentais e operacionais. Horários de encerramento, registros de habilitação, distribuição dos votos e procedimentos adotados nas seções eleitorais são elementos que podem ser estudados mediante bases de dados, documentos administrativos e registros oficiais. Ao concentrar sua atenção nesses aspectos, o relatório apresenta um conjunto de perguntas que podem orientar pesquisas adicionais e solicitações de informações públicas.
O mérito dessa delimitação está em privilegiar questões verificáveis do funcionamento eleitoral. Independentemente das disputas políticas em torno do resultado, a análise dos procedimentos administrativos pode contribuir para o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle, para a transparência institucional e para o desenvolvimento de instrumentos independentes de fiscalização.
O principal mérito do Relatório Pericial Independente Apócrifo
O principal mérito do documento está em sua tentativa de transformar questionamentos sobre as eleições presidenciais de 2026 em uma investigação organizada em torno de variáveis identificáveis, registros administrativos e comparações estatísticas. Em vez de apresentar apenas uma manifestação de inconformismo político, o relatório procura estabelecer uma estrutura de análise que inclui fontes declaradas, números, tabelas, categorias temporais e procedimentos de cruzamento de informações. Essa organização representa uma contribuição para o debate público porque oferece pontos concretos que podem ser examinados por pesquisadores, especialistas em estatística, profissionais de tecnologia e estudiosos do direito eleitoral.
Outro aspecto relevante é a amplitude das questões levantadas. O relatório não se limita ao resultado final da disputa presidencial, mas procura examinar diferentes etapas do processo eleitoral, desde a identificação dos eleitores até o encerramento das urnas e a distribuição dos votos. Essa perspectiva amplia o campo de investigação e chama atenção para o fato de que a transparência eleitoral envolve não apenas a divulgação dos totais nacionais, mas também a disponibilidade de informações detalhadas sobre os procedimentos adotados em cada seção.
A contribuição mais importante do documento está na defesa prática da possibilidade de fiscalização independente mediante dados públicos. Uma democracia se beneficia quando seus registros eleitorais podem ser examinados por diferentes pesquisadores, com metodologias transparentes e resultados sujeitos à comparação. Nesse sentido, o relatório representa uma iniciativa de interesse investigativo ao propor que informações oficiais sejam utilizadas para formular perguntas específicas sobre o funcionamento do processo eleitoral.
O documento também demonstra o potencial das ferramentas de análise de grandes bases de dados para ampliar o alcance da fiscalização. A combinação de informações sobre horários, identificação biométrica, distribuição territorial e resultados eleitorais permite desenvolver estudos muito mais detalhados do que aqueles baseados exclusivamente em percentuais nacionais. A investigação estatística pode, assim, contribuir para identificar características relevantes do processo, compreender diferenças regionais e orientar o aperfeiçoamento dos mecanismos de transparência.
Avaliação da inteligência artificial: a importância da iniciativa e seu potencial investigativo
A avaliação dos oito aspectos positivos permite reconhecer que o Relatório Pericial Independente Apócrifo apresenta uma proposta de investigação com elementos metodológicos relevantes. A utilização declarada de dados oficiais, a abrangência nacional, a escolha de variáveis objetivas e a tentativa de relacionar diferentes procedimentos eleitorais constituem características que conferem interesse técnico ao material. O documento também demonstra preocupação com a organização dos registros e com a apresentação de questões que podem ser examinadas mediante instrumentos estatísticos e documentais.
Entre os diferentes capítulos, merecem especial destaque aqueles dedicados aos horários de encerramento das urnas e aos procedimentos de habilitação sem reconhecimento biométrico. Esses dois temas envolvem aspectos concretos da administração eleitoral e oferecem possibilidades de estudos comparativos entre seções, municípios e estados. O cruzamento dessas informações com os resultados dos candidatos representa uma proposta de pesquisa que pode ser aprofundada por profissionais especializados em análise de dados.
Também merece reconhecimento a iniciativa de examinar concentrações eleitorais extremas e de propor verificações sobre a distribuição geográfica dos votos. A identificação de padrões locais constitui uma ferramenta importante para compreender a diversidade do comportamento eleitoral brasileiro e desenvolver pesquisas mais detalhadas sobre características regionais e administrativas.
A avaliação geral é que o relatório possui valor como ponto de partida para uma investigação independente, especialmente pela escolha de temas verificáveis e pela proposta de utilizar registros públicos em grande escala. Seu potencial mais significativo está na possibilidade de estimular novos estudos, reproduzir os cruzamentos apresentados e ampliar o conhecimento sobre os procedimentos utilizados nas eleições presidenciais de 2026.
Em síntese, os oito pontos positivos identificados demonstram que o interesse do documento não se restringe às conclusões políticas de seus autores. Sua contribuição potencial também reside nas perguntas formuladas, nas variáveis selecionadas e na possibilidade de ampliar o escrutínio público sobre os mecanismos de votação e fiscalização.
A principal conclusão desta avaliação é que a transparência eleitoral se fortalece quando os dados públicos são acessíveis, examináveis e utilizados em investigações independentes. O Relatório Pericial Independente Apócrifo apresenta uma iniciativa nessa direção, ao reunir questões específicas que podem servir de fundamento para novos estudos técnicos sobre o processo eleitoral brasileiro.
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Relatório Pericial Independente Apócrifo sobre as eleições de 2026






