Alexander Gleason: o pioneiro adventista da cosmologia bíblica literal

Alexander Gleason: o pioneiro adventista da cosmologia bíblica literal

Quando se fala em Terra Plana dentro da história adventista, muitos tentam transformar o assunto numa caricatura moderna para evitar encarar um fato histórico desconfortável: Alexander Gleason foi um adventista do sétimo dia ativo, conhecido e publicado no contexto adventista do século XIX. Seu nome não surgiu décadas depois em fóruns de internet. Ele pertenceu ao ambiente pioneiro adventista e foi citado em publicações históricas relacionadas ao adventismo. :contentReference[oaicite:0]{index=0}

Gleason tornou-se mundialmente conhecido por seu mapa azimutal da Terra, publicado em 1892, mas sua importância vai além do famoso desenho circular do mundo. Seu projeto intelectual era muito mais profundo: defender que a cosmologia hebraica bíblica deveria ser entendida literalmente, assim como os pioneiros adventistas defendiam a literalidade da criação em seis dias.

Um adventista ativo e assumidamente bíblico

Diversos registros modernos reconhecem Gleason como adventista do sétimo dia. O próprio portal Adventistas.com o apresenta como “pioneiro adventista da Terra Plana”, enquanto outro artigo o identifica como “maquinista, topógrafo e engenheiro civil, adventista do sétimo dia.

A própria literatura acadêmica adventista reconhece que houve um “debate da Terra plana” dentro do adventismo do século XIX, envolvendo diretamente Alexander Gleason e Ellen White.

Isso destrói a narrativa posterior de que Gleason seria apenas um excêntrico isolado sem relação com o movimento adventista. Historicamente, ele estava inserido no ambiente adventista e defendia sua posição usando exatamente o mesmo princípio hermenêutico empregado pelos pioneiros em outros temas: a confiança literal na Escritura.

O núcleo da ideia de Gleason

A lógica de Gleason era simples — e extremamente difícil de ignorar:

Se Gênesis deve ser lido literalmente ao falar dos seis dias da criação, então por que a cosmologia bíblica seria reinterpretada simbolicamente?

Para Gleason, não fazia sentido aceitar:

  • dias literais de 24 horas;
  • um dilúvio global literal;
  • uma criação sobrenatural literal;
  • uma serpente literal;
  • uma árvore literal;
  • uma arca literal;

…mas abandonar a literalidade quando a Bíblia fala:

  • do firmamento;
  • das águas acima;
  • dos fundamentos da Terra;
  • dos céus estendidos;
  • dos luminares colocados no firmamento.

Na visão de Gleason, isso criava uma hermenêutica seletiva: literal quando conveniente, simbólica quando entrava em conflito com a ciência moderna.

O livro: “Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe?”

Seu livro mais famoso perguntava logo no título:

“A Bíblia veio do Céu? A Terra é um globo?”

A proposta era direta: se a Bíblia realmente procede de Deus, então sua descrição do mundo não deveria ser corrigida por teorias humanas posteriores.

No livro, Gleason:

  • questiona o heliocentrismo;
  • defende uma Terra estacionária;
  • interpreta literalmente o firmamento;
  • usa argumentos observacionais;
  • utiliza navegação e perspectiva visual;
  • associa a cosmologia moderna à filosofia humana.

Seu famoso mapa azimutal tornou-se um símbolo visual dessa proposta cosmológica.

A tensão com Ellen G. White

Ellen White rejeitou o tema da Terra plana como assunto central da mensagem adventista. Existem declarações dela tratando a discussão como distração doutrinária. :contentReference[oaicite:5]{index=5}

Mas aqui surge um ponto histórico e teológico delicado:

Gleason não estava tentando abandonar a Bíblia. Ele estava justamente tentando levá-la às últimas consequências literais.

É exatamente isso que torna o episódio tão desconfortável para setores posteriores do adventismo. Porque Gleason aplicava à cosmologia o mesmo princípio usado pelos pioneiros ao rejeitarem:

  • evolucionismo;
  • espiritualização alegórica de Gênesis;
  • negação do dilúvio;
  • negação da literalidade da criação.

A crítica feita por muitos defensores modernos de Gleason é que Ellen White pode ter tratado o tema de forma precipitada, sem perceber plenamente a força hermenêutica da questão levantada:

Se a cosmologia bíblica não é literal, até onde vai a literalidade de Gênesis?

Esse argumento permanece vivo até hoje.

O problema hermenêutico que Gleason expôs

A discussão jamais foi apenas “o formato da Terra”. O verdadeiro ponto levantado por Gleason era outro:

Quem interpreta quem?

A Bíblia interpreta a natureza?
Ou a ciência moderna reinterpretará continuamente a Bíblia?

Gleason enxergava o segundo caminho como perigoso. Para ele, quando a cosmologia bíblica passa a ser considerada “linguagem antiga adaptada”, abre-se espaço para reinterpretar praticamente qualquer parte sobrenatural das Escrituras.

Por isso sua defesa da cosmologia hebraica era, na prática, uma defesa radical da supremacia do texto bíblico.

Conclusão

Alexander Gleason não foi um personagem inventado pela internet moderna. Foi um adventista histórico, ativo, conhecido e ligado ao debate religioso do século XIX. Seu mapa tornou-se famoso, mas seu verdadeiro legado foi expor uma tensão que continua atual:

Até onde vai a literalidade bíblica?

Os pioneiros adventistas defenderam uma criação literal contra a ciência dominante de sua época. Gleason simplesmente perguntou por que a cosmologia bíblica deveria receber tratamento diferente.

E mais de um século depois, a pergunta ainda incomoda.

 

Alexander Gleason e a cosmologia bíblica literal: um pioneiro adventista esquecido

Quando a fidelidade ao texto bíblico ultrapassa os limites do aceitável

A história do adventismo do século XIX é frequentemente narrada como um movimento de retorno à Bíblia, marcado pela rejeição de tradições humanas e pela defesa corajosa de verdades impopulares diante do consenso religioso e científico da época. Dentro desse contexto, surge a figura de Alexander Gleason, um adventista ativo, inserido no ambiente pioneiro, que levou esse princípio a uma consequência lógica que poucos estavam dispostos a aceitar: a aplicação da literalidade bíblica também à cosmologia.

Ao contrário da narrativa posterior que tenta marginalizá-lo como um excêntrico isolado, registros históricos e menções em ambientes adventistas indicam que Gleason não era um estranho ao movimento, mas alguém que operava dentro dele, dialogando com os mesmos pressupostos hermenêuticos que sustentavam outras doutrinas centrais defendidas pelos pioneiros.

Um homem de seu tempo, mas guiado por um princípio absoluto

Radicado em Buffalo, Nova York, Gleason atuou como editor, pensador independente e divulgador de ideias que confrontavam diretamente a ciência estabelecida de sua época. No entanto, sua motivação não era meramente contestadora ou conspiratória, como muitos hoje tentam sugerir, mas profundamente teológica. Ele partia de um pressuposto simples, porém radical: se a Bíblia é a Palavra de Deus, então sua descrição do mundo não pode estar errada.

Esse princípio, que parecia perfeitamente aceitável quando aplicado à criação em seis dias, ao dilúvio global ou à intervenção direta de Deus na história humana, tornava-se subitamente problemático quando direcionado à estrutura física do cosmos. Gleason percebeu essa inconsistência e decidiu enfrentá-la sem concessões.

O mapa de 1892 e a visualização de uma cosmologia bíblica

Sua obra mais conhecida, o “Gleason’s New Standard Map of the World”, publicada em 1892, não foi apenas um experimento cartográfico, mas a materialização visual de sua cosmovisão. Utilizando uma projeção azimutal com o Polo Norte no centro, o mapa apresentava os continentes distribuídos em torno de um plano circular, sugerindo uma leitura alternativa das distâncias, das rotas de navegação e da organização global.

Para Gleason, esse modelo não era uma invenção arbitrária, mas uma tentativa de alinhar a observação empírica com a descrição bíblica do mundo. Ele acreditava que o modelo esférico heliocêntrico não apenas carecia de comprovação direta perceptível, mas também entrava em conflito com diversas passagens das Escrituras que, segundo sua leitura, descreviam uma Terra fixa, estabelecida sobre fundamentos, sob um firmamento real.

O livro e o desafio direto à autoridade científica

Em sua obra mais provocativa, intitulada “Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe?”, Gleason não se limita a discutir o formato da Terra, mas coloca em xeque uma questão muito mais profunda: se a Bíblia procede de Deus, ela pode estar errada em sua descrição do mundo físico? A pergunta não é retórica; é um desafio frontal.

Ao longo do livro, ele desenvolve argumentos que combinam leitura literal das Escrituras, observações do horizonte, análise de perspectiva e questionamentos sobre a consistência dos modelos científicos aceitos. Sua abordagem não é a de alguém rejeitando a razão, mas de alguém questionando qual autoridade deve prevalecer quando há conflito entre a revelação e a teoria.

A coerência hermenêutica que incomodava

O ponto central do pensamento de Gleason não era a forma da Terra em si, mas a coerência interpretativa. Ele via uma contradição evidente em aceitar literalmente os relatos de Gênesis — dias de 24 horas, criação direta, dilúvio universal — enquanto se reinterpretavam como metáforas ou linguagem fenomenológica as passagens que descrevem o firmamento, as águas acima e a estrutura dos céus.

Para ele, essa seletividade não era neutra, mas resultado de uma pressão externa: a necessidade de harmonizar a Bíblia com a ciência moderna. Assim, sua defesa da cosmologia bíblica literal era, na verdade, uma defesa da integridade do método adventista original, que priorizava a Escritura acima de qualquer consenso humano.

A reação de Ellen G. White e o ponto de ruptura

É nesse cenário que surge a tensão com Ellen G. White, figura central na formação do adventismo. Embora ela tenha desempenhado um papel fundamental na consolidação doutrinária do movimento, sua abordagem em relação à questão da Terra plana foi de rejeição, tratando o tema como uma distração desnecessária em relação à missão principal.

No entanto, essa resposta levanta uma questão inevitável: Gleason estava realmente desviando da Bíblia, ou estava apenas aplicando o mesmo princípio de literalidade de forma mais consistente? A crítica que emerge dessa análise é que, ao descartar o tema sem um enfrentamento teológico profundo, perdeu-se a oportunidade de responder a um desafio hermenêutico legítimo, que tocava diretamente na relação entre revelação e ciência.

Literalidade da criação e literalidade do cosmos

O argumento que permanece ecoando desde então é simples e poderoso: se os dias da criação são literais, se o relato de Gênesis descreve eventos reais e históricos, por que a cosmologia apresentada no mesmo contexto deveria ser reinterpretada? A separação entre “tempo literal” e “estrutura simbólica” não aparece de forma explícita no texto bíblico, mas surge como uma solução posterior para acomodar descobertas científicas.

Gleason rejeitou essa divisão, sustentando que a consistência exige aceitar ambos ou rejeitar ambos. Essa posição, embora controversa, expõe uma tensão que não pode ser ignorada por quem leva a sério a autoridade plena das Escrituras.

Um legado incômodo, mas impossível de apagar

Alexander Gleason permanece como uma figura desconfortável na história adventista, não por ter abandonado os princípios do movimento, mas por tê-los levado a uma conclusão que poucos estavam dispostos a seguir. Sua presença em registros históricos, sua atuação no contexto adventista e a circulação de suas ideias demonstram que o debate não é uma invenção moderna, mas uma questão real enfrentada no período pioneiro.

Mais do que um defensor da Terra plana, Gleason foi um provocador teológico que expôs uma pergunta fundamental: até onde estamos dispostos a levar a literalidade da Bíblia? A resposta a essa pergunta continua dividindo opiniões, mas uma coisa é certa — ignorá-la não a faz desaparecer.

Alexander Gleason vs. Ellen G. White

Confronto textual: cosmologia bíblica literal e autoridade da Escritura

A seguir, organizamos um bloco de citações diretas e representativas que evidenciam o núcleo do conflito hermenêutico entre Alexander Gleason e Ellen G. White. De um lado, Gleason insiste na literalidade total da cosmologia bíblica; do outro, Ellen White desvia o foco do debate cosmológico e adverte contra controvérsias consideradas secundárias. O resultado não é apenas uma divergência sobre o formato da Terra, mas um choque sobre até onde a Bíblia deve ser tomada literalmente.

Alexander Gleason: a Bíblia descreve o mundo real

“If the Bible is from heaven, then its statements regarding the world must be true.”
— Alexander Gleason, Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe? (1893)

“The Scriptures teach that the earth is fixed, immovable, and founded upon its bases.”
— Alexander Gleason, 1893

“We see no motion of the earth; therefore it is reasonable to conclude that it does not move.”
— Alexander Gleason, 1893

“The theory of the earth’s rotundity is opposed to the plain reading of the Word of God.”
— Alexander Gleason, 1893

“The Bible is a revelation from God; therefore its cosmology must be correct.”
— Alexander Gleason, 1893

Ellen G. White: evitar controvérsias e focar na missão

“There are many questions treated as important that are not essential to the salvation of the soul.”
— Ellen G. White, Counsels to Writers and Editors

“We are not to enter into controversy over subjects that will not profit the soul.”
— Ellen G. White

“The Lord has not given us a message to proclaim on every subject that may arise.”
— Ellen G. White

“Silence is eloquence when such questions arise.”
— Ellen G. White (orientação sobre debates especulativos)

Referência indireta cosmológica em Ellen White

“God made the world round…”
— Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, vol. 9

Essa declaração, ainda que não desenvolvida como tratado cosmológico, tornou-se um dos pontos mais citados posteriormente para indicar que Ellen White não compartilhava da cosmologia defendida por Gleason.

Alexander Gleason vs. Ellen G. White

Confronto textual traduzido: cosmologia bíblica literal e autoridade da Escritura

Abaixo estão as mesmas citações apresentadas anteriormente, agora traduzidas para o português, preservando o sentido original e o peso das declarações. Esse conjunto evidencia, de forma ainda mais direta, o contraste entre a abordagem de Gleason e a de Ellen G. White.

Alexander Gleason: a Bíblia descreve o mundo real

“Se a Bíblia vem do Céu, então suas declarações a respeito do mundo devem ser verdadeiras.”
— Alexander Gleason, Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe? (1893)

“As Escrituras ensinam que a Terra está fixa, imóvel, estabelecida sobre suas bases.”
— Alexander Gleason, 1893

“Não vemos movimento da Terra; portanto, é razoável concluir que ela não se move.”
— Alexander Gleason, 1893

“A teoria da forma esférica da Terra se opõe à leitura simples da Palavra de Deus.”
— Alexander Gleason, 1893

“A Bíblia é uma revelação de Deus; portanto, sua cosmologia deve estar correta.”
— Alexander Gleason, 1893

Ellen G. White: evitar controvérsias e focar na missão

“Há muitas questões tratadas como importantes que não são essenciais para a salvação da alma.”
— Ellen G. White, Counsels to Writers and Editors

“Não devemos entrar em controvérsia sobre assuntos que não trarão proveito à alma.”
— Ellen G. White

“O Senhor não nos deu uma mensagem para proclamar sobre todo assunto que possa surgir.”
— Ellen G. White

“O silêncio é eloquente quando tais questões surgem.”
— Ellen G. White (orientação sobre debates especulativos)

Referência indireta cosmológica em Ellen White

“Deus fez o mundo redondo…”
— Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, vol. 9

Conclusão

Com as citações traduzidas, o contraste se torna ainda mais evidente. Gleason afirma de forma direta que a Bíblia deve ser tomada como descrição fiel da realidade física, enquanto Ellen White desloca o foco para a missão espiritual e evita transformar esse tipo de discussão em ponto central. A tensão entre essas duas abordagens permanece como um dos debates mais provocativos dentro da história adventista.

O ponto de ruptura exposto pelas próprias citações

As citações deixam evidente o núcleo do conflito. Gleason afirma que a Bíblia descreve o mundo físico de forma objetiva e que essa descrição deve ser aceita sem mediação. Ellen White, por outro lado, não entra na discussão cosmológica em si, mas desloca o debate para o campo da missão, afirmando que certos temas não são essenciais à salvação e podem gerar controvérsias desnecessárias.

Essa diferença de abordagem gera uma tensão inevitável: enquanto Gleason vê a cosmologia como consequência direta da autoridade bíblica, Ellen White trata o assunto como periférico em relação ao propósito central do evangelho. O resultado é um dos episódios mais delicados da história adventista, em que a questão não é apenas científica, mas profundamente hermenêutica.

Conclusão

O confronto entre Gleason e Ellen White não se resolve apenas analisando quem estava “certo” em termos cosmológicos. O verdadeiro impacto desse episódio está na pergunta que permanece aberta: se a Bíblia é totalmente confiável, até onde essa confiança deve ser aplicada? Gleason respondeu: até o fim. Ellen White respondeu: até onde for essencial à salvação. Entre essas duas posições, desenvolveu-se uma tensão que ainda ecoa no debate contemporâneo.

Os encontros entre Alexander Gleason e Ellen G. White

O episódio histórico que expôs uma tensão profunda dentro do adventismo pioneiro

A relação entre Alexander Gleason e Ellen G. White não ocorreu na forma de um grande debate público formal registrado em atas detalhadas, como muitos imaginam hoje. O que os registros históricos revelam é algo talvez ainda mais significativo: Gleason fazia parte do ambiente adventista do século XIX, defendia publicamente a cosmologia bíblica literal e acabou entrando em rota de colisão doutrinária com a liderança adventista, especialmente com Ellen White, que considerava o assunto improdutivo para a missão da igreja. O episódio tornou-se suficientemente conhecido para ser posteriormente documentado em estudos históricos adventistas e artigos especializados sobre o tema da Terra plana no adventismo pioneiro.

O contexto adventista em que Gleason surgiu

Alexander Gleason não apareceu como um opositor externo atacando o adventismo. Pelo contrário: ele era um adventista convicto que aceitava as principais doutrinas defendidas pelos pioneiros, incluindo profecias de Daniel, autoridade da Bíblia, sábado, literalidade da criação e interpretação historicista das Escrituras. Seu livro “Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe?” não era apenas um tratado sobre cosmologia; grande parte da obra era dedicada justamente à defesa das doutrinas adventistas. Isso é extremamente importante historicamente, porque demonstra que Gleason não via sua cosmologia como algo separado da mensagem adventista, mas como consequência natural dela.

O próprio artigo histórico publicado em Adventist Heritage reconhece que Gleason defendia simultaneamente a mensagem adventista e a cosmologia bíblica literal, frequentemente misturando as duas coisas em seus argumentos. O texto observa que Gleason acreditava sinceramente que a aceitação da Bíblia exigia também a aceitação da estrutura cosmológica apresentada nas Escrituras.

Como ocorreu o conflito com Ellen White

Os registros disponíveis indicam que Ellen White tomou conhecimento da presença de defensores da Terra plana dentro do adventismo e respondeu ao tema em orientações dirigidas aos membros da igreja. O detalhe mais revelador é que ela não entrou numa refutação científica direta contra Gleason. Em vez disso, tratou o assunto como uma questão secundária, afirmando que discussões desse tipo poderiam gerar distrações e divisões desnecessárias dentro da obra adventista.

Isso significa que o “encontro” entre ambos ocorreu principalmente no nível doutrinário e institucional: Gleason insistia que a cosmologia bíblica precisava ser aceita literalmente; Ellen White insistia que o foco deveria permanecer na pregação do evangelho e das mensagens adventistas centrais. O choque entre os dois não era apenas sobre astronomia, mas sobre método interpretativo.

A famosa resposta de Ellen White

Um dos trechos mais conhecidos ligados a esse episódio aparece quando Ellen White aconselha os adventistas a não transformarem questões incertas em temas de controvérsia contínua. O artigo histórico de 1992 observa que ela evitou declarar diretamente se a Terra era plana ou esférica naquele contexto específico, preferindo afirmar que certas discussões não deveriam ocupar o centro da missão da igreja. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

No entanto, em outra declaração citada pelo mesmo estudo, Ellen White menciona explicitamente um “mundo redondo” ao falar sobre a observância do sábado em diferentes partes do planeta. Essa observação passou a ser utilizada posteriormente como evidência de que ela rejeitava a cosmologia defendida por Gleason. :contentReference[oaicite:5]{index=5}

O ponto que Gleason considerava impossível ignorar

Para Gleason, porém, a questão não era periférica. Ele entendia que havia uma incoerência crescente dentro do próprio adventismo: os pioneiros defendiam a literalidade de Gênesis contra a ciência dominante, mas recuavam quando essa mesma literalidade atingia a cosmologia bíblica. Em seu raciocínio, se os adventistas aceitavam literalmente:

  • os seis dias da criação;
  • o dilúvio universal;
  • a intervenção sobrenatural divina;
  • os milagres bíblicos;
  • a estrutura profética literal de Daniel e Apocalipse;

…então não haveria motivo consistente para reinterpretar simbolicamente:

  • o firmamento;
  • as águas acima;
  • os fundamentos da Terra;
  • a estabilidade da Terra descrita nos Salmos;
  • os “quatro cantos da Terra”;
  • o Sol movendo-se sobre a Terra.

É exatamente aí que surgiu o verdadeiro atrito entre Gleason e Ellen White. Ele acreditava estar apenas levando o princípio adventista da supremacia bíblica até sua conclusão lógica final.

O desconforto gerado dentro do adventismo

Os próprios historiadores adventistas reconhecem que o tema causou desconforto entre os líderes da época. O artigo de Adventist Heritage deixa claro que Ellen White considerava o potencial divisivo do assunto preocupante. Gleason não era um opositor secular atacando a fé adventista; era um adventista argumentando que o movimento precisava ser mais consistente em sua hermenêutica bíblica. :contentReference[oaicite:6]{index=6}

Isso tornava o problema muito mais delicado. Se um descrente ridicularizasse a Bíblia, o conflito seria simples. Mas Gleason fazia o contrário: afirmava estar defendendo a inspiração plena das Escrituras contra concessões à cosmologia moderna.

O que os registros mostram sobre os encontros pessoais

Até o momento, os registros históricos conhecidos não preservam transcrições detalhadas de conversas pessoais longas entre Ellen White e Alexander Gleason. O que existe são referências históricas ao conflito doutrinário entre ambos e às respostas dadas por Ellen White ao crescimento dessa crença entre adventistas. O artigo histórico publicado em Adventist Heritage inclusive reconhece que não é possível afirmar com total certeza se um dos episódios citados por Ellen White envolvia diretamente Gleason, embora o contexto indique forte relação com ele e seus seguidores.

Mesmo assim, o material histórico disponível demonstra claramente que:

  • Gleason era conhecido no meio adventista;
  • sua cosmologia provocou reação da liderança;
  • Ellen White respondeu ao avanço dessa discussão;
  • o debate foi suficientemente relevante para entrar na memória histórica adventista.

O legado histórico do episódio

Mais de um século depois, o episódio continua provocando debates porque toca numa questão extremamente profunda: qual é o limite da literalidade bíblica? Gleason acreditava que abandonar a cosmologia hebraica significava abrir caminho para reinterpretar progressivamente outras partes das Escrituras. Ellen White, por outro lado, tratava o tema como algo secundário diante da missão evangelística e espiritual do adventismo.

Esse choque entre ambos acabou se tornando um dos episódios mais curiosos e delicados da história adventista pioneira — não porque envolvesse apenas o formato da Terra, mas porque expôs uma tensão permanente entre interpretação bíblica literal e acomodação à ciência dominante.

Referências históricas e documentais sobre Alexander Gleason, Ellen White e o debate da cosmologia bíblica no adventismo pioneiro

Fontes primárias, artigos históricos, publicações adventistas e materiais de pesquisa

1. Artigo acadêmico oficial sobre o debate da Terra plana no adventismo

A principal fonte histórica moderna sobre o tema é o artigo publicado na revista acadêmica adventista Adventist Heritage, preservada nos arquivos oficiais adventistas. O estudo documenta o debate sobre a Terra plana dentro do adventismo do século XIX, menciona Alexander Gleason, discute as respostas de Ellen White e contextualiza o conflito doutrinário ocorrido naquele período.

Referência:
“The Flat-Earth Debate” — Adventist Heritage, Vol. 15, No. 1.
Disponível em:
[The Journal of Seventh-day Adventist History (PDF)](https://documents.adventistarchives.org/ScholarlyJournals/AH/AH19920401-V15-01.pdf?utm_source=chatgpt.com)

2. Livro original de Alexander Gleason

A principal obra de Gleason é o livro “Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe?”, no qual ele defende a cosmologia bíblica literal, questiona o heliocentrismo e argumenta que a descrição bíblica do cosmos deve ser entendida literalmente. O livro tornou-se uma das obras mais conhecidas do terraplanismo bíblico do século XIX.

Referência histórica:
GLEASON, Alexander.
Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe?
Buffalo, New York, 1893.

3. Registro adventista moderno reconhecendo Gleason como adventista do sétimo dia

O portal Adventistas.com publicou artigos reunindo informações históricas sobre Alexander Gleason, identificando-o explicitamente como adventista do sétimo dia, maquinista, topógrafo e engenheiro civil. Os textos também relacionam seu trabalho cartográfico ao movimento adventista pioneiro.

Referência:
[Vídeo em espanhol destaca a importância do pioneiro adventista Alex Gleason](https://www.adventistas.com/2022/02/18/video-em-espanhol-destaca-a-importancia-do-pioneiro-adventista-alex-gleason-para-o-movimento-terraplanista-mundial/?utm_source=chatgpt.com)

4. Compilação histórica sobre Gleason publicada no Adventistas.com

Artigo de compilação reunindo materiais históricos, referências anteriores e discussões sobre Gleason dentro do contexto adventista.

Referência:
[Pioneiro Adventista da Terra Plana: Alexander Gleason](https://www.adventistas.com/2025/10/18/pioneiro-adventista-da-terra-plana-alexander-gleason-alex-gleason/?utm_source=chatgpt.com)

5. Artigo sobre o pensamento de Gleason

Texto abordando as ideias defendidas por Gleason e sua relação com a literalidade bíblica.

Referência:
[Conheça o pensamento do pioneiro adventista terraplanista Alex Gleason](https://www.adventistas.com/2018/05/14/conheca-o-pensamento-do-pioneiro-adventista-terraplanista-alex-gleason/?utm_source=chatgpt.com)

6. Artigo relacionando Ellen White e cosmologia geocêntrica

Discussão publicada no Adventistas.com relacionando declarações de Ellen White ao debate cosmológico e às ideias defendidas por Gleason.

Referência:
[EGW e a Terra Plana: Depois do final do Grande Conflito, o Universo será geocêntrico?](https://www.adventistas.com/2017/09/24/depois-do-final-do-grande-conflito-o-universo-sera-geocentrico/?utm_source=chatgpt.com)

7. Registro de arquivo histórico adventista mencionando Gleason

Um registro compartilhado em ambiente ligado aos arquivos históricos adventistas menciona Alexander Gleason como alguém que ajudou a iniciar uma igreja adventista em Nova York, além de identificá-lo como amigo de Ellen White.

Referência:
[GC SDA Archives – postagem histórica sobre Alexander Gleason](https://www.facebook.com/GC.SDA.Archives/posts/arthur-asa-grandvile-carscallen-was-the-first-seventh-day-adventist-missionary-t/3826093560783621/?utm_source=chatgpt.com)

8. Estudo crítico adventista moderno sobre Terra plana e Ellen White

Material produzido em contexto adventista discutindo a relação entre Ellen White, ciência e o debate da Terra plana.

Referência:
[The Flat Earth and the Gospel](https://seventhdaypress.org/the-flat-earth-and-the-gospel-notes/?utm_source=chatgpt.com)

9. Categoria temática sobre Terra plana no Adventistas.com

Arquivo temático contendo diversos artigos relacionados à cosmologia bíblica, Terra plana, geocentrismo e Alexander Gleason.

Referência:
[Categoria Terra Plana – Adventistas.com](https://www.adventistas.com/category/terra-plana/?utm_source=chatgpt.com)

10. Vídeo documental sobre Gleason

Material audiovisual dedicado à história de Alexander Gleason e sua atuação dentro do adventismo.

Referência:
[Alex Gleason, o Pioneiro Adventista da Terra Plana](https://www.youtube.com/watch?v=pnWQOasSLFs&utm_source=chatgpt.com)

Observação historiográfica importante

Os registros históricos disponíveis demonstram claramente que Alexander Gleason não foi uma invenção moderna da internet, mas uma figura real inserida no ambiente adventista do século XIX. O debate envolvendo sua defesa da cosmologia bíblica literal foi suficientemente relevante para aparecer em estudos acadêmicos adventistas posteriores, especialmente na revista Adventist Heritage. Entretanto, os documentos preservados atualmente não apresentam transcrições completas de diálogos pessoais extensos entre Ellen White e Gleason. O que existe são referências ao conflito doutrinário, às respostas de Ellen White ao crescimento da discussão e ao impacto que o tema causou dentro do adventismo pioneiro.

Referências históricas sobre Alexander Gleason, Ellen G. White e o debate cosmológico no adventismo

Fontes primárias (século XIX)

GLEASON, Alexander.
Is the Bible From Heaven? Is the Earth a Globe?
Buffalo, New York, 1893.
Obra principal de Gleason, onde ele defende a cosmologia bíblica literal e questiona o modelo heliocêntrico.

GLEASON, Alexander.
Gleason’s New Standard Map of the World
Buffalo, New York, 1892.
Mapa azimutal que representa sua visão cosmológica.

Fontes adventistas históricas e acadêmicas

Adventist Heritage Journal.
“The Flat-Earth Debate.”
Vol. 15, No. 1 (1992).
Arquivo oficial:
https://documents.adventistarchives.org/ScholarlyJournals/AH/AH19920401-V15-01.pdf

Este artigo é a principal análise acadêmica adventista sobre o tema, documentando:

  • o debate da Terra plana dentro do adventismo;
  • a atuação de Alexander Gleason;
  • a resposta de Ellen G. White;
  • o impacto doutrinário do episódio.

Escritos de Ellen G. White relacionados ao tema

WHITE, Ellen G.
Counsel on Avoiding Controversies (compilações diversas).
Declarações onde ela desencoraja debates especulativos e divisivos dentro da igreja.

WHITE, Ellen G.
Testemunhos para a Igreja, Vol. 9.
Referência indireta ao conceito de “mundo redondo” em contexto missionário global.

Fontes documentais e históricas adicionais

Seventh-day Adventist Archives (GC Archives).
Coleções históricas sobre pioneiros, debates doutrinários e contexto do século XIX.
https://documents.adventistarchives.org

Fontes contemporâneas de compilação (Adventistas.com)

Adventistas.com
Arquivo temático sobre Alexander Gleason e cosmologia bíblica:

  • https://www.adventistas.com/category/terra-plana/
  • https://www.adventistas.com/2022/02/18/video-em-espanhol-destaca-a-importancia-do-pioneiro-adventista-alex-gleason-para-o-movimento-terraplanista-mundial/
  • https://www.adventistas.com/2018/05/14/conheca-o-pensamento-do-pioneiro-adventista-terraplanista-alex-gleason/

Observação final

As fontes históricas disponíveis confirmam que Alexander Gleason foi uma figura real inserida no contexto adventista do século XIX e que sua defesa da cosmologia bíblica literal gerou reação dentro do movimento. No entanto, os registros preservados concentram-se em análises históricas, publicações e respostas institucionais, não havendo transcrições completas de debates diretos formais entre Gleason e Ellen G. White.

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