Juízo Investigativo sob ataque editorial na Casa Publicadora Brasileira


Como a CPB reescreve Ellen White e corrói a doutrina por escolhas editoriais silenciosas

O que está em jogo não é uma diferença de ênfase pastoral nem uma opção de estilo de tradução. O que está em curso é uma alteração textual objetiva em um ponto doutrinário central do adventismo: o escopo e o caráter decisório do Juízo Investigativo.

A edição condensada de O Grande Conflito publicada pela CPB em 2022 inseriu o quantificador “alguns” onde o original de Ellen G. White afirma, de modo impessoal e universal, os dois resultados possíveis para todos os nomes examinados no juízo.

O fato textual: não é “linguagem de hoje”, é mudança de sentido

No original inglês de The Great Controversy (edição de 1911), a construção “Names are accepted, names rejected” não limita o escopo do juízo a uma parcela dos nomes. Trata-se de uma descrição dos dois desfechos possíveis de um processo que examina cada nome e cada caso. Ao verter o trecho como “Alguns nomes são aceitos, outros rejeitados”, a CPB altera o sentido da frase e introduz uma leitura restritiva inexistente no texto de origem. Isso não é condensação neutra: é reconfiguração semântica em ponto doutrinário sensível.

O ensino primário: universalidade e decisão

Os escritos fundacionais de Ellen G. White são consistentes ao afirmar que todo nome, todo caso e toda geração — mortos primeiro, vivos depois — passam pelo escrutínio do Juízo Investigativo, e que esse processo é decisório quanto ao destino final: salvação ou perdição. Não se trata de inferência teológica posterior, mas de linguagem direta, reiterada ao longo de diferentes obras.

A literatura pioneira do século XIX — James White, J. N. Loughborough, Uriah Smith e J. N. Andrews — confirma o mesmo entendimento: o Juízo Investigativo é universal no escopo e decisório no resultado. Nenhum deles relativiza o alcance do juízo com qualificadores redutores.

A deriva acadêmica: do decisório ao “vindicatório”

Nas últimas décadas, parte da produção acadêmica adventista passou a redefinir o Juízo Investigativo como um processo predominantemente vindicatório ou demonstrativo, minimizando seu caráter decisório no próprio ato do juízo. Essa mudança de ênfase é real e documentável.

O problema não é o debate acadêmico em si, mas a sua infiltração silenciosa em materiais editoriais de massa, apresentados ao público como se refletissem fielmente o pensamento de Ellen G. White.

O papel da CPB: tradutores-redatores como correia de transmissão do sistema

A CPB não atua no vácuo. Seus tradutores-redatores operam dentro de um sistema institucional que, historicamente, acomoda reconfigurações doutrinárias por meio de escolhas editoriais discretas.

A inserção de “alguns” em 2022 não pode ser tratada como descuido inocente quando ocorre justamente no nervo da doutrina do Juízo Investigativo. Trata-se de conivência editorial com uma tendência de reinterpretação em curso.

Ao distribuir essa versão como livro missionário de ampla circulação, a CPB entregou ao público um “Ellen White” editado no ponto mais sensível da doutrina. Isso é grave. Não é “linguagem de hoje”; é doutrina moldada à linguagem do sistema. Tradutores-redatores que aceitam esse papel deixam de ser servidores do texto para se tornarem operadores de uma agenda institucional.

Implicações para a fé do leitor comum

  • Deslocamento doutrinário silencioso: o leitor recebe um ensino suavizado sem saber.
  • Padronização institucional: materiais missionários moldam a fé de milhões.
  • Perda de confiança editorial: quando a tradução altera o sentido, a credibilidade se rompe.

Exigências mínimas de integridade editorial

  1. Errata pública e correção textual nas próximas reimpressões.
  2. Transparência editorial sobre critérios de condensação em pontos doutrinários.
  3. Auditoria independente de traduções e adaptações em obras de Ellen G. White.

Este artigo assume integralmente a interpretação teológica do pesquisador analisado e afirma que a alteração da CPB 2022 não é um detalhe técnico, mas um ato editorial com impacto doutrinário real. Quando o texto é moldado ao sistema, a doutrina é moldada junto. Isso não pode ser normalizado.Clique e baixe o artigo que motivou esta postagem:

A Doutrina do Juízo Investigativo e a Evidência de Deriva Doutrinária. Análise Comparativa: Ellen G. White, Pioneiros Adventistas e a Edição CPB 2022

A Doutrina do Juízo Investigativo e a Evidência de Deriva Doutrinária. Análise Comparativa: Ellen G. White, Pioneiros Adventistas e a Edição CPB 2022

 

1 comentário em “Juízo Investigativo sob ataque editorial na Casa Publicadora Brasileira”

  1. JUIZO DIVINO
    Deus é ONISCIENTE!
    Não precisa investigar nada para saber o que cada um vai fazer ou deixar de fazer ou pensar ou deixar de pensar.
    O Juízo Pré-advento começou, não em 1844, mas desde a fundação do mundo quando o Plano da Redenção foi estabelecido.
    A Bíblia está repleta de casos, antes de 1844, em que já se tinha ocorrido o julgamento e o pronunciamento do resultado.
    Exemplos: – Abel – Hebreus 11:4 – Inclusive em Hebreus 11 temos uma coleção de nomes de pessoas julgadas antes de 1844.
    Belsazar – Daniel 5:27 – antes de 1844, foi julgado e achado em falta.
    Lucas 23:43 – Dimas (nome por tradição), também conhecido por “bom ladrão”, também foi julgado antes de 1844 e lhe foi garantida a salvação.
    Em um julgamento há um pressuposto que é o resultado do juízo, e só há duas opções: condenação ou absolvição. Deus não está limitado ao tempo para julgar! Deus é ONISCIENTE!
    Ademais, não serão apenas os atos e ações que serão julgados, e até as omissões, mas principalmente as intenções, ainda que não se realizem. (Mateus 5:28)
    Deus não faz nada às escondidas, então quem está tendo acesso a esse julgamento Pré-advento? Um exemplo é a história de do Patriarca Jó, onde os anjos e os demais representantes de outros mundos habitados se reúnem para adorar a Deus e lá foi declarado o julgamento tanto do patriarca como do anjo rebelde.
    Portanto o Juízo Pré-advento está sendo aberto a todos que tem acesso pessoalmente ao trono de Deus, e para os humanos a fase Pós-advento será mostrada integralmente durante o milênio, exceto, naturalmente aqueles casos mencionados na Bíblia.

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