Documentos históricos acusam Ellen Harmon de marcar novas datas para a volta de Jesus e expõem o caráter estranho de suas visões

Depois de 22 de outubro de 1844, testemunhos e periódicos do próprio ambiente adventista revelam que a marcação de tempo não desapareceu com o Grande Desapontamento.

Lucinda Burdick afirmou ter ouvido Ellen anunciar junho e depois setembro de 1845 para a volta de Cristo — e deixou uma descrição perturbadora de uma de suas manifestações visionárias.

A história adventista costuma apresentar 22 de outubro de 1844 como uma espécie de linha divisória. De um lado estaria o movimento milerita, com seus cálculos cronológicos, sua expectativa de que Jesus apareceria nas nuvens e o devastador fracasso que ficou conhecido como Grande Desapontamento; do outro surgiria progressivamente o adventismo sabatista, no qual o erro teria sido compreendido, a marcação de datas abandonada e uma jovem chamada Ellen Harmon teria recebido de Deus o dom profético necessário para confortar e orientar os sobreviventes daquela crise.

Essa narrativa possui uma simplicidade pedagógica extraordinária, mas os documentos produzidos por pessoas que viveram aqueles meses apresentam um quadro muito mais turbulento. Depois de 22 de outubro continuaram existindo expectativas cronológicas, interpretações sucessivas do acontecimento, doutrina da porta fechada, grupos convencidos de que a história humana havia entrado em seus últimos instantes, periódicos defendendo novas explicações, experiências extáticas, transes, revelações e pessoas que reivindicavam comunicação sobrenatural. E é justamente dentro desse ambiente, e não fora dele, que encontramos a jovem Ellen Harmon.

Entre as testemunhas que deixaram informações sobre esse período está Lucinda Burdick, posteriormente Lucinda S. Burdick, que afirmou ter conhecido Ellen Harmon pessoalmente em 1845 e ter estado suficientemente próxima de suas manifestações para, durante um de seus transes, colocar a cabeça da jovem visionária em seu próprio colo. Seu testemunho merece atenção especial porque não consiste apenas numa acusação genérica contra Ellen White produzida depois de sua morte.

Burdick já fazia acusações publicamente no século XIX, enquanto Ellen White estava viva. Em 1874, ela publicou uma declaração em The World’s Crisis na qual acusava Ellen de ter anunciado uma nova expectativa para a volta de Cristo depois do fracasso de 22 de outubro. Décadas mais tarde, em 26 de setembro de 1908, Burdick registrou uma declaração extensa, autenticada perante tabelião em Bridgeport, Connecticut, na qual apresentou nomes, lugares, circunstâncias e uma sequência cronológica extraordinariamente específica dos acontecimentos que afirmava ter testemunhado. Esse documento não existe apenas em páginas críticas da internet: a própria edição documental adventista identifica a declaração de Lucinda Burdick e fornece sua localização no Ellen G. White Estate como Document File 330.

Uma testemunha que esteve dentro daquele ambiente

Lucinda começa sua declaração explicando que vinha de uma família batista de livre arbítrio, que havia se convertido ao cristianismo ainda criança e que a influência do movimento adventista de 1843 e 1844 chegara até ela sem que inicialmente compreendesse seus argumentos ou se identificasse com ele. A situação mudou em 1845.

Segundo Burdick, foi em janeiro ou fevereiro daquele ano que ouviu falar pela primeira vez de Ellen Harmon. Seu tio, Josiah Little, teria ido à casa de seu pai e relatado ter visto uma jovem chamada Ellen Harmon experimentando visões que ela afirmava proceder de Deus. Mais perturbador para Lucinda foi aquilo que seu tio disse que a visionária estava ensinando: Deus lhe teria revelado que a porta da misericórdia estava fechada para sempre e que, dali em diante, não haveria salvação para os pecadores. Lucinda ainda não havia sido batizada e afirma que essa mensagem lhe causou profunda inquietação sobre sua própria condição diante de Deus.

Esse detalhe é importante porque nos coloca dentro do mundo religioso de 1845. “Porta fechada” não era para aqueles jovens simplesmente o nome de uma antiga controvérsia teológica que historiadores discutiriam posteriormente. Se a mensagem fosse verdadeira, havia consequências terríveis e imediatas.

A oportunidade de salvação para o mundo teria terminado. Pessoas que não haviam participado corretamente da experiência adventista estariam fora do alcance da misericórdia. E, segundo aquilo que Lucinda diz ter ouvido sobre Ellen, a autoridade para uma afirmação dessa magnitude não provinha apenas de interpretação bíblica: a jovem dizia receber revelações de Deus. É dentro desse cenário que ocorre o primeiro encontro pessoal descrito por Burdick.

Maio de 1845: depois de 22 de outubro, uma nova data

Lucinda afirma que encontrou Ellen Harmon diversas vezes durante 1845 na casa de seu tio Josiah Little, em South Windham, Maine. O primeiro desses encontros teria ocorrido em maio. E aqui aparece uma das acusações mais graves existentes contra a narrativa tradicional de que Ellen não participou da marcação de novas datas depois do Grande Desapontamento.

Burdick não diz simplesmente que Ellen acreditava que Cristo poderia retornar em breve, nem que estava inserida entre pessoas que faziam novos cálculos. Sua afirmação é muito mais específica: ela diz ter ouvido Ellen Harmon declarar que Deus lhe havia revelado que Jesus Cristo retornaria à Terra em junho, no mês seguinte.

Se o testemunho de Burdick corresponde ao que ocorreu, a distinção é enorme. Junho não teria sido apresentado como especulação humana, possibilidade ou cálculo particular de algum milerita decepcionado. Segundo a testemunha, Ellen atribuiu a informação a Deus. A futura profetisa adventista estaria, portanto, envolvida diretamente numa nova marcação de tempo depois de 22 de outubro de 1844.

E essa acusação não surgiu apenas na declaração de 1908. Burdick já a havia tornado pública em 1874, quando Ellen White tinha 46 anos, estava em plena atividade e poderia responder às acusações que circulavam a seu respeito. Naquela publicação do século XIX, Burdick afirmou também que a previsão de junho não permanecera confinada à conversa que presenciara: segundo ela, o assunto fora discutido nas igrejas e publicado num pequeno periódico da “porta fechada” de Portland, Maine.

O pequeno periódico da porta fechada realmente existia

Essa referência bibliográfica é um dos elementos mais interessantes do testemunho. Durante muito tempo seria possível descartá-la como uma lembrança vaga: uma mulher escrevendo décadas depois teria inventado ou confundido a existência de um pequeno jornal da porta fechada em Portland.

O problema para essa objeção é que a reconstrução documental da imprensa adventista de 1845 mostra que pequenos periódicos ligados à porta fechada realmente estavam sendo publicados em Portland exatamente naquele período. Um deles era The Hope of Israel, ligado a Joseph Turner, John Pearson Jr. e ao círculo dos chamados adventistas do Noivo. Sabemos que estava sendo publicado em Portland no primeiro semestre de 1845 e sabemos, através de uma referência contemporânea, que houve uma edição datada de 13 de junho de 1845. Justamente os números de junho, entretanto, não estão entre os exemplares atualmente conhecidos como sobreviventes.

A situação se torna ainda mais sugestiva porque naquele mesmo mês ocorreu uma transição editorial. A estrutura tipográfica utilizada por Hope of Israel passou para outro periódico, Hope Within the Veil, editado por Emily C. Clemons e publicado por Charles H. Pearson na região de Portland. Em 23 de junho de 1845 seu segundo número já havia sido publicado. Em 3 de julho, outro periódico contemporâneo registrou ter recebido esse segundo número de uma folha publicada em Portland.

Nenhum exemplar de Hope Within the Veil é atualmente conhecido, mas fragmentos de seu conteúdo sobreviveram porque outros jornais o citaram e criticaram. Sabemos, por essas referências, que seus leitores eram apresentados como pessoas que esperavam a cada momento a aparição do Salvador. Portanto, quando Lucinda Burdick fala de um pequeno periódico da porta fechada publicado em Portland em 1845, ela não está descrevendo um objeto incompatível com a história conhecida. Ao contrário: sua descrição encaixa-se de maneira impressionante na imprensa que efetivamente funcionava naquele lugar e naquele período.

Isso não nos autoriza a afirmar que já encontramos a edição que publicou a previsão atribuída a Ellen. Não encontramos. Essa distinção deve permanecer explícita. Os números potencialmente decisivos estão justamente entre os que desapareceram, e não seria investigação histórica substituir o documento ausente pela conclusão que desejamos encontrar nele.

O que podemos afirmar é que a alegação bibliográfica de Burdick encontra forte sustentação contextual: havia um pequeno jornal da porta fechada em Portland, havia intensa expectativa escatológica naquele círculo, havia edições circulando em junho de 1845 e os exemplares que poderiam confirmar ou desmentir definitivamente sua afirmação específica não estão atualmente disponíveis.

Junho passou. Então apareceu a “linguagem de Canaã”

Jesus não voltou em junho de 1845. É a partir daí que a narrativa de Lucinda se torna ainda mais extraordinária. Durante a época da colheita do feno, ela afirma ter encontrado novamente Ellen Harmon, dessa vez acompanhada por James White, na casa de Josiah Little. Seu tio teria perguntado diretamente a Ellen por que o Senhor não viera em junho, conforme suas visões. Segundo Burdick,

Ellen respondeu que a informação lhe havia sido transmitida na “linguagem de Canaã”, que ela não compreendia, mas que desde então entendera corretamente: Cristo retornaria em setembro, no segundo crescimento da relva, e não no primeiro. O fracasso de junho, portanto, não teria produzido o abandono da marcação de tempo. Teria produzido uma explicação para o erro e uma nova expectativa cronológica.

A expressão “linguagem de Canaã” não foi inventada por Ellen Harmon, e é importante dizer isso precisamente para compreender a singularidade do uso que Burdick lhe atribui. Isaías 19:18 fala da “língua de Canaã”, sem apresentar qualquer idioma celestial secreto. Séculos depois, a expressão passou a circular metaforicamente entre cristãos.

Huguenotes, puritanos, pietistas e pregadores protestantes podiam chamar de “linguagem de Canaã” o vocabulário bíblico dos piedosos, a maneira de falar dos convertidos, a linguagem espiritual aprendida pelo cristão ou mesmo o jargão religioso de determinada comunidade. William Perkins empregou a expressão no início do século XVII.

John Bunyan colocou a “linguagem de Canaã” na boca de seus peregrinos; pietistas conheceram a Sprache Kanaans; e pregadores posteriores continuaram utilizando a imagem. A própria Ellen White empregaria posteriormente “linguagem de Canaã” em sentido figurado, falando da linguagem espiritual que o cristão deveria aprender na escola de Cristo.

O que não encontramos nessa tradição é algo completamente diferente: uma língua sobrenatural denominada “linguagem de Canaã”, utilizada por Deus ou por seres celestiais para transmitir informações proféticas a uma mensageira que não conseguia compreender aquilo que lhe era comunicado. Uma coisa é a existência histórica da expressão. Outra é transformar essa expressão numa explicação para uma revelação cronológica fracassada.

Se Burdick reproduziu corretamente a resposta de Ellen, a jovem visionária tomou uma expressão religiosa já existente e lhe atribuiu uma função extraordinária: a incompreensão dessa linguagem explicaria por que aquilo que ela anunciara como revelação de Deus para junho não havia acontecido.

A explicação aparece depois que a previsão falha

A sequência narrada por Lucinda é particularmente problemática porque a dificuldade linguística não aparece antes da previsão. Burdick não diz que Ellen advertiu seus ouvintes em maio de que havia recebido uma mensagem obscura, numa linguagem desconhecida, e que não sabia se o símbolo significava junho ou setembro. Se tivesse ocorrido dessa maneira, não haveria uma previsão definida a testar.

Segundo Lucinda, Ellen disse que Deus lhe revelara que Cristo voltaria em junho. Somente depois que junho passou surgiu a explicação de que a mensagem havia sido transmitida numa linguagem que ela não compreendia. A alegada revelação continuava sendo divina; o fracasso passava a ser explicado pela incapacidade da mensageira de compreender corretamente aquilo que Deus lhe transmitira.

Mas essa solução cria um problema maior do que aquele que pretende resolver. Se uma pessoa pode receber de Deus uma mensagem, não compreender seu significado e mesmo assim anunciar sua interpretação como aquilo que Deus revelou, como seus ouvintes poderão distinguir entre revelação divina e interpretação humana da visionária? O problema não pode ser resolvido dizendo simplesmente que Deus não erra.

Evidentemente, dentro da premissa religiosa, Deus não erraria; mas é justamente por isso que a confiabilidade da mensageira se torna central. Se junho foi anunciado como revelação divina e depois reinterpretado como erro de compreensão, qualquer mensagem posterior exigiria a pergunta inevitável: estamos ouvindo aquilo que Deus realmente comunicou ou aquilo que Ellen pensa ter compreendido?

De junho para setembro — e setembro também passou

A “linguagem de Canaã” teria pelo menos produzido uma saída verificável se Ellen simplesmente admitisse não saber mais quando Cristo retornaria. Mas, segundo Burdick, isso não aconteceu. Ellen apresentou uma interpretação corrigida. A mensagem não se referia ao primeiro crescimento da relva, correspondente a junho, mas ao segundo, em setembro.

Dessa maneira, a explicação criou imediatamente um novo teste. Se a dificuldade realmente consistia apenas na compreensão da linguagem, a tradução corrigida deveria finalmente corresponder ao acontecimento. Setembro chegou. Setembro passou. Cristo não voltou.

Assim, dentro da sequência narrada por Lucinda, a “linguagem de Canaã” não conduz de uma interpretação equivocada para uma profecia realizada. Ela conecta duas expectativas fracassadas. Junho seria resultado da primeira compreensão; setembro, da compreensão corrigida.

A segunda data fracassando, a explicação deixa de solucionar o primeiro problema e passa a fazer parte dele. Não estamos mais diante apenas da pergunta “por que junho estava errado?”, mas de outra muito mais grave: se Ellen finalmente compreendeu a mensagem, por que setembro também estava errado?

Uma acusação feita enquanto Ellen White ainda estava viva

Existe outro elemento que merece destaque. Burdick não esperou a morte de Ellen White para contar essa história. Sua acusação apareceu publicamente em 1874. Isso não prova automaticamente que tudo o que escreveu seja verdadeiro, mas impede que o episódio seja descartado como fabricação surgida depois que a principal personagem já não poderia responder. Ellen estava viva, ativa e conhecia as críticas de Burdick.

Existe documentação de que, em agosto de 1874, Ellen escreveu privadamente a J. N. Loughborough tratando de acusações feitas contra ela por Lucinda. A resposta conhecida aborda diversos pontos, mas não encontramos nela uma refutação específica da acusação de que teria anunciado junho e depois setembro.

Esse silêncio não pode ser convertido honestamente em confissão; tampouco pode ser transformado em refutação. O fato histórico que merece permanecer diante do leitor é mais simples: a acusação estava publicamente registrada no século XIX, Ellen tomou conhecimento das críticas de Burdick e a contestação específica das duas datas não aparece na resposta conhecida.

1908: Burdick coloca sua declaração no papel e a autentica

Em 26 de setembro de 1908, em Bridgeport, Connecticut, Lucinda Burdick formalizou uma declaração muito mais extensa sobre suas experiências de 1845. O documento foi reconhecido perante tabelião, e sua existência é registrada inclusive no acervo documental relacionado a Ellen White.

A autenticação notarial não prova que cada lembrança de Burdick seja historicamente verdadeira; esse não é o papel de um tabelião. Ela prova algo diferente e importante: Lucinda identificou-se, assumiu formalmente a autoria da declaração e reconheceu aquele texto como sua exposição dos fatos. Não estamos trabalhando com uma história anônima cuja autoria apareceu posteriormente na internet. Temos uma testemunha identificada assumindo publicamente aquilo que dizia ter visto e ouvido.

E a declaração contém uma quantidade de detalhes que permite submetê-la a controle histórico. Burdick fornece o nome do tio, Josiah Little; identifica South Windham, Maine; situa encontros em diferentes períodos de 1845; menciona James White, Mary E. Bodge e Andrew Bodge; descreve a distância aproximada entre duas casas; relata uma reunião religiosa; descreve um bosque onde ocorreu uma oração; registra a aparência física de Ellen durante o transe; conta que sustentou sua cabeça no colo; descreve as perguntas feitas por James White e o conteúdo das respostas; e associa as experiências visionárias à doutrina da porta fechada.

Uma testemunha pode recordar equivocadamente acontecimentos de décadas anteriores, mas quanto mais verificáveis são os elementos de uma narrativa, menos satisfatório se torna simplesmente descartá-la com um rótulo.

O sermão da porta fechada

Segundo Burdick, no outono de 1845 ela estava novamente na casa de Josiah Little quando um pequeno grupo chegou para passar o domingo, entre eles James White e Ellen Harmon. Na tarde daquele domingo, White teria pregado na casa de Andrew Bodge, situada a cerca de oitocentos metros da residência de Little.

Lucinda resume o conteúdo do sermão de maneira extremamente clara: a porta da misericórdia teria sido fechada no décimo dia do sétimo mês de 1844; dali em diante não haveria salvação para os pecadores; e Deus estaria se revelando ao Seu povo através de visões.

Essa combinação merece atenção porque nela a doutrina da porta fechada e a autoridade visionária não aparecem como temas independentes. Se o relato estiver correto, formavam uma estrutura única. A grande oportunidade de salvação do mundo havia terminado em 22 de outubro; os que haviam rejeitado a mensagem estariam fora; e Deus estaria agora comunicando-se com Seu povo escolhido através de manifestações visionárias.

Nesse ambiente, aceitar ou rejeitar uma visionária não era uma questão periférica. Se Deus realmente estava falando através dela quando o restante do mundo já estava condenado, a autoridade de suas visões adquiria peso extraordinário.

Uma visão no chão do bosque

Depois daquele culto, segundo Lucinda, ela, Mary E. Bodge e Ellen Harmon foram a um bosque próximo para orar. Enquanto Lucinda estava orando, Ellen teria subitamente caído rigidamente ao chão. Mary Bodge chamou imediatamente James White, afirmando que ele era o único que conseguia conversar com Ellen durante aquelas manifestações.

White e outras pessoas correram até o local e, segundo a testemunha, ele começou a dirigir uma grande variedade de perguntas à jovem em transe. Lucinda descreve os olhos de Ellen permanecendo abertos e adquirindo aparência vidrada. Em determinados momentos, enquanto respondia, seu corpo rígido levantava-se parcialmente, como se fosse ficar sentado, para depois cair novamente ao chão. A posição parecia tão desconfortável que Lucinda afirma ter colocado a cabeça de Ellen em seu próprio colo e permanecido sustentando-a durante a manifestação.

O episódio teria durado mais de uma hora. Esse detalhe torna o testemunho particularmente interessante para o estudo das primeiras visões porque Lucinda não se apresenta como alguém observando Ellen do outro lado de uma sala. Ela afirma ter tido contato físico prolongado com a visionária enquanto o transe ocorria.

E aquilo que descreve é bastante diferente da imagem suavizada de inspiração que posteriormente se tornaria familiar ao adventista: uma escritora recebendo pensamentos elevados de Deus e depois registrando-os cuidadosamente. A manifestação descrita por Burdick é corporal, dramática e extática: queda súbita, rigidez, olhos abertos e vidrados, movimentos corporais incomuns, duração prolongada e comunicação durante o estado alterado.

James White perguntava. Ellen respondia.

A parte mais estranha talvez não seja sequer o estado físico. Segundo Lucinda, James White fazia perguntas a Ellen durante o transe e ela respondia. Muitas dessas perguntas diziam respeito à condição espiritual de pessoas que viviam na região. Ellen teria declarado que algumas estavam em paz com Deus, enquanto outras possuíam manchas nas vestes.

Burdick acrescenta uma observação particularmente grave: era notório que as pessoas apresentadas com manchas eram justamente aquelas que rejeitavam as visões de Ellen ou hesitavam em aceitá-las completamente. Ela afirma ainda que James indicava pessoas mortas e Ellen pronunciava-se sobre seu destino, vendo algumas coroadas de grande glória e outras rejeitadas por Deus.

Se essa descrição corresponde ao ocorrido, surge um problema extraordinário de autoridade religiosa. A visionária reivindica comunicação com Deus; pessoas precisam decidir se acreditam em suas manifestações; durante o próprio transe, aqueles que não aceitam plenamente suas visões aparecem espiritualmente manchados.

Forma-se um circuito no qual o pretenso dom sobrenatural também fornece sua própria validação: duvidar da visionária pode transformar-se em evidência, fornecida pela própria visionária, de deficiência espiritual. O problema não é apenas psicológico. É epistemológico. Como alguém inserido naquele grupo poderia testar livremente as reivindicações de Ellen se a própria hesitação em aceitá-las pudesse ser apresentada durante uma visão como sinal de manchas espirituais?

Revelações sobre vivos e mortos

A afirmação de que Ellen se pronunciava durante o transe sobre a condição de pessoas mortas amplia ainda mais a singularidade da manifestação. Não estamos diante apenas de exortações bíblicas ou impressões religiosas. Segundo Burdick, James White podia indicar pessoas e Ellen declarar algumas coroadas de glória e outras rejeitadas por Deus.

O documento não descreve uma jovem simplesmente recebendo silenciosamente uma visão. Lucinda Burdick descreve uma cena muito mais estranha: Ellen Harmon prostrada e rígida no chão, olhos abertos e vidrados, entrando e saindo parcialmente de uma posição sentada, enquanto James White conduzia uma espécie de interrogatório da visionária, fazendo-lhe sucessivas perguntas sobre pessoas da região. Burdick afirma que sustentou pessoalmente a cabeça de Ellen em seu colo durante o episódio. Estamos, portanto, diante do relato de uma testemunha que se coloca fisicamente dentro da cena, não de alguém dizendo décadas depois aquilo que apenas ouvira contar.

“O mundo estava irremediavelmente condenado”

O conteúdo que Burdick atribui à visão torna-se ainda mais perturbador. Durante o transe, ela afirma ter ouvido Ellen declarar que Jesus Cristo havia se levantado do propiciatório e entrado no Santo dos Santos no céu, que a porta da misericórdia estava fechada para sempre e que o mundo estava irremediavelmente condenado. Burdick diz que essas afirmações foram repetidas várias vezes.

Aqui estamos muito distantes de uma interpretação posterior e moderada segundo a qual “porta fechada” significaria apenas o encerramento de determinada fase profética ou a passagem de Cristo de uma etapa para outra de Seu ministério celestial. A testemunha afirma ter ouvido uma mensagem muito mais radical: a misericórdia para os pecadores havia terminado.

Isso também ajuda a explicar a angústia que Lucinda diz ter experimentado quando ouviu falar inicialmente das visões. Se Ellen realmente estava dizendo que a porta da misericórdia estava fechada para sempre, a questão era existencial.

Não se tratava de compreender uma doutrina peculiar do santuário. Tratava-se de saber se ainda havia possibilidade de salvação. O grupo que aceitava a experiência de 1844 e as novas revelações podia considerar-se dentro; o restante do mundo estaria condenado.

O diabo no propiciatório e os que oravam pelo Espírito Santo

Talvez nenhuma parte da declaração de Burdick seja mais estranha do que aquilo que ela afirma ter ouvido sobre o Espírito Santo. Segundo seu relato, Ellen declarou durante o transe que, depois que Cristo se levantara e entrara no Santo dos Santos, o diabo havia se apoderado do propiciatório e estava enganando pessoas que oravam pelo Espírito Santo, lançando sobre elas influências estimulantes que elas confundiam com o poder do Espírito.

Se essa recordação estiver correta, encontramos uma inversão religiosa extraordinária: pessoas cristãs buscando sinceramente o Espírito Santo poderiam, na realidade, estar recebendo uma influência satânica porque continuavam procurando onde Cristo já não estaria ministrando.

Essa afirmação adquire significado adicional quando lembramos a posterior oposição adventista a manifestações pentecostais e carismáticas. Décadas depois, experiências extáticas, fenômenos corporais e alegações de manifestações extraordinárias do Espírito seriam submetidos a profunda suspeita dentro do adventismo.

Mas a jovem que posteriormente seria elevada à condição de portadora do “Espírito de Profecia” aparece, no testemunho de Burdick, caída rigidamente no chão, com olhos vidrados, respondendo a perguntas, pronunciando-se sobre vivos e mortos e atribuindo determinadas experiências religiosas de outros cristãos ao engano satânico.

Israel Dammon: Burdick não descreve um fenômeno isolado

Seria muito mais fácil descartar essa descrição se Lucinda Burdick fosse a única fonte que colocasse Ellen Harmon num ambiente religioso marcado por manifestações corporais extraordinárias. Mas não é. Poucos meses antes dos acontecimentos que ela descreve, Ellen esteve presente numa reunião na casa de James Ayer Jr., em Atkinson, Maine, relacionada ao célebre caso de Israel Dammon.

A prisão de Dammon levou o episódio ao tribunal e produziu uma documentação excepcional porque testemunhas externas descreveram aquilo que haviam observado. O processo preservado na imprensa local revela um ambiente de intenso entusiasmo religioso, prostrações, gritos, movimentos corporais, práticas incomuns e alegações de revelação. Ellen Harmon estava ali.

O caso Dammon é precioso justamente porque não depende da memória tardia de Burdick. Trata-se de documentação de 1845 sobre o ambiente religioso em que Ellen se movimentava. Isso não significa que cada manifestação ocorrida naquela reunião tenha sido produzida ou aprovada por Ellen, nem precisamos fazer essa extrapolação.

O ponto historicamente suficiente é que a jovem visionária não surgiu num ambiente religioso sóbrio e distante do entusiasmo carismático; ela estava inserida em círculos nos quais manifestações extraordinárias, revelações e expectativas escatológicas faziam parte da experiência coletiva. Quando Burdick posteriormente descreve Ellen rígida no chão durante mais de uma hora, o relato deixa de parecer uma anomalia completamente isolada e passa a ser examinado dentro do contexto documentado de 1845.

22 de outubro não encerrou a marcação de tempo

Os periódicos daquele período também obrigam a abandonar a imagem de que toda expectativa cronológica simplesmente terminou depois do Grande Desapontamento. Diferentes grupos procuraram reinterpretar o acontecimento, novas expectativas apareceram, datas e períodos continuaram sendo discutidos e a convicção de que Cristo poderia manifestar-se imediatamente permaneceu viva.

Hope of Israel, Hope Within the Veil, Voice of Truth, Day-Star, Jubilee Standard e outros periódicos registram a intensidade das disputas. Alguns dos próprios editores que defenderam interpretações da porta fechada acabaram posteriormente repudiando posições que haviam ajudado a divulgar.

John Pearson Jr., ligado a Hope of Israel, publicou em setembro de 1845 uma retratação dirigida aos leitores do periódico, posteriormente republicada no Voice of Truth. Emily Clemons e Charles Pearson também participaram da crise que atingiu Hope Within the Veil. Esse material mostra um movimento em rápida transformação, no qual pessoas podiam considerar determinada interpretação uma revelação da verdade num mês e abandoná-la poucos meses depois.

É dentro dessa instabilidade que a alegação de Burdick sobre junho e setembro deve ser examinada. Ela não descreve um ambiente no qual ninguém mais cogitava novas expectativas temporais. Descreve precisamente um dos períodos mais fluidos e escatologicamente carregados da história adventista.

A Ellen Harmon de 1845 antes da Ellen White institucional

Existe um risco constante ao estudar esse período: projetar retrospectivamente sobre a adolescente Ellen Harmon toda a autoridade institucional que “Ellen G. White” possuiria décadas depois. Em 1845 não existia ainda a Igreja Adventista do Sétimo Dia organizada. Não existia o Ellen G. White Estate.

Não existia uma enorme coleção publicada de seus escritos, nem gerações de teólogos produzindo harmonizações de suas declarações, nem manuais denominacionais explicando como o “Espírito de Profecia” deveria ser compreendido. Existia uma jovem de dezessete anos, fisicamente fragilizada, afirmando receber visões num movimento religioso fragmentado pelo maior fracasso de sua história.

É essa Ellen Harmon que os documentos precisam nos permitir enxergar. Não a profetisa já canonizada pela memória denominacional, mas a jovem visionária cuja autoridade ainda estava sendo disputada.

Nesse estágio, segundo Burdick, ela anunciava revelações sobre a condição espiritual de pessoas, entrava em transes prolongados, respondia a perguntas de James White, falava sobre o destino dos mortos, sustentava uma forma radical de porta fechada e teria atribuído a Deus uma previsão da volta de Cristo para junho de 1845. Quando junho fracassou, teria explicado a dificuldade através da “linguagem de Canaã” e deslocado a expectativa para setembro.

O que aconteceria se uma jovem fizesse isso hoje?

Retiremos por alguns instantes o nome Ellen Harmon da narrativa. Imagine uma jovem aparecendo hoje numa congregação adventista e afirmando receber mensagens sobrenaturais. Durante uma oração, ela cai rigidamente ao chão. Seus olhos permanecem abertos e vidrados. O estado dura mais de uma hora. Um homem que viaja com ela é chamado porque seria capaz de conversar com a jovem durante seus transes. Ele começa a fazer perguntas sobre pessoas conhecidas. A visionária responde dizendo quem está bem diante de Deus e quem possui manchas espirituais.

Os que hesitam em aceitar suas visões aparecem justamente entre os manchados. O homem pergunta sobre mortos e ela descreve alguns coroados e outros rejeitados. Ela anuncia acontecimentos futuros e, quando uma previsão não se realiza, explica que os seres que lhe transmitiram a mensagem falaram numa linguagem celestial ou religiosa que ela não compreendeu corretamente.

Como essa jovem seria recebida numa igreja adventista contemporânea? Seria imediatamente reconhecida como portadora do verdadeiro dom profético? Seus transes seriam apresentados como evidência do Espírito Santo? Ou dirigentes chamariam os membros à cautela, examinariam a possibilidade de fanatismo religioso, advertiriam contra manifestações extáticas e exigiriam provas extraordinárias antes de aceitar qualquer alegação sobrenatural? A pergunta incomoda justamente porque obriga a aplicar a Ellen Harmon os mesmos critérios que o adventismo aprendeu posteriormente a aplicar aos outros.

Estranho quando acontece fora, profético quando acontece dentro?

Não se trata de afirmar que todo transe seja pentecostalismo ou que qualquer manifestação corporal prove fraude. Trata-se de coerência no discernimento. A Igreja Adventista desenvolveu historicamente profunda reserva diante de manifestações religiosas baseadas em êxtase, perda de controle corporal, revelações particulares, vozes, curas espetaculares, glossolalia e outros fenômenos carismáticos.

O argumento frequentemente utilizado é correto em princípio: fenômenos extraordinários não provam origem divina. Uma pessoa cair, tremer, entrar em transe ou afirmar ter recebido uma mensagem não demonstra que Deus esteja falando. Mas esse critério não pode deixar de funcionar quando chegamos à fundadora profética da própria tradição.

Se manifestações extáticas precisam ser examinadas quando aparecem entre pentecostais, precisam ser examinadas quando aparecem em Ellen Harmon. Se uma profecia precisa ser testada quando pronunciada por um líder carismático contemporâneo, precisa ser testada quando atribuída a Ellen.

Se reinterpretar uma previsão depois que ela fracassa seria considerado problemático em outro movimento religioso, a mesma pergunta precisa ser feita diante da sequência junho–“linguagem de Canaã”–setembro. Não podemos chamar determinado fenômeno de fanatismo quando ocorre do outro lado da rua e transformá-lo automaticamente em “Espírito de Profecia” quando acontece dentro da genealogia religiosa que aprendemos a venerar.

O rótulo de “opositora” não responde a Lucinda Burdick

A defesa mais simples consiste em lembrar que Lucinda Burdick posteriormente se tornou crítica de Ellen White. Isso é relevante para a avaliação de qualquer testemunha, mas está muito longe de constituir refutação. Pessoas frequentemente se tornam críticas justamente depois de experiências que consideram decepcionantes ou fraudulentas; outras podem, naturalmente, distorcer acontecimentos depois de uma ruptura. Por isso o trabalho histórico não consiste em acreditar automaticamente na testemunha nem em eliminá-la porque se tornou adversária. Consiste em testar aquilo que ela afirma. Lucinda conhecia aquele círculo? Sim. Seu marido, John Howell, esteve ligado aos adventistas da porta fechada? A própria documentação adventista reconhece que sim. Os lugares e pessoas que ela menciona pertencem àquele ambiente? Sim. Havia pequenos periódicos da porta fechada em Portland? Sim. Continuavam existindo expectativas escatológicas depois de outubro de 1844? Sim. Ellen apresentava manifestações físicas extraordinárias em 1845? Existem outros testemunhos contemporâneos que confirmam o caráter extraordinário de suas primeiras experiências. Portanto, chamar Lucinda de “opositora” descreve sua posição; não responde às afirmações factuais de seu depoimento.

O documento de Burdick precisa ser enfrentado, não escondido

Também não resolve o problema repetir simplesmente a formulação de que Ellen White “nunca marcou data para a volta de Cristo”. Depois que existe uma testemunha que afirma precisamente o contrário, a questão deixa de poder ser resolvida por repetição. É necessário enfrentar o documento.

É preciso explicar por que Burdick afirmou em 1874 que Ellen anunciara junho de 1845; por que voltou a registrar detalhadamente a mesma história em declaração autenticada; por que mencionou uma publicação da porta fechada em Portland que corresponde ao tipo de periódico que realmente existia; por que descreveu a explicação da “linguagem de Canaã”; por que apresentou setembro como segunda expectativa; e como esses elementos se relacionam com o ambiente histórico independente que conseguimos reconstruir através dos periódicos de 1845.

O fato de ainda não possuirmos o exemplar desaparecido do jornal contendo a suposta publicação da previsão exige cautela, mas não silêncio. A formulação historicamente responsável é perfeitamente possível: Lucinda Burdick acusou Ellen Harmon, ainda no século XIX, de anunciar junho de 1845 para a volta de Jesus sob reivindicação de revelação divina; afirmou que a previsão foi publicada num pequeno jornal da porta fechada de Portland; disse que, depois do fracasso, Ellen recorreu à “linguagem de Canaã” e anunciou setembro; e reafirmou posteriormente esses acontecimentos numa declaração formalmente autenticada. Paralelamente, documentos contemporâneos confirmam que periódicos da porta fechada realmente circulavam em Portland naquele período e que o ambiente religioso permanecia impregnado de expectativa escatológica imediata.

O documento perdido pode aparecer algum dia

Há ainda uma razão para não considerar encerrada a procura pelo periódico. Exemplares de publicações adventistas do período que durante muitas décadas eram desconhecidos reapareceram posteriormente em arquivos e coleções. “Nenhum exemplar conhecido” não significa “nenhum exemplar existe”. Significa apenas que os acervos e pesquisadores consultados ainda não localizaram um.

Um número de Hope of Israel de maio ou junho de 1845 pode ter desaparecido definitivamente; mas também pode repousar numa coleção particular, biblioteca universitária, sociedade histórica da Nova Inglaterra ou arquivo catalogado imperfeitamente. O mesmo vale para Hope Within the Veil. Enquanto isso, outros jornais contemporâneos funcionam como uma espécie de arquivo indireto, preservando citações, resumos, críticas e republicações dos periódicos perdidos.

Não foi apenas junho. A explicação criou setembro.

Essa talvez seja a questão mais importante para o leitor não perder em meio à riqueza documental. Segundo Burdick, não houve simplesmente uma previsão errada para junho. Houve uma sequência. Primeiro, Ellen teria dito que Deus lhe revelou junho. Junho passou.

Depois, teria explicado que a mensagem lhe fora transmitida na “linguagem de Canaã”, que ela não compreendera. Em seguida declarou ter finalmente compreendido o símbolo: tratava-se do segundo crescimento da relva. Portanto, setembro. Setembro passou. A alegada correção da interpretação também fracassou.

É difícil imaginar teste mais simples. Se a primeira interpretação estava errada porque Ellen não compreendeu a mensagem, a segunda interpretação deveria demonstrar que o problema havia sido resolvido. Mas a segunda também não correspondeu ao acontecimento.

A pergunta deixa então de ser apenas por que Deus teria usado uma linguagem que dificultava Sua própria mensagem. Passa a ser por que uma mensageira que não compreendia a revelação apresentou primeiro uma interpretação e depois outra como se conhecesse seu significado. Se essa conduta fosse encontrada na biografia de qualquer visionário moderno, dificilmente um investigador adventista aceitaria a “linguagem de Canaã” como resposta suficiente.

Antes da profetisa institucional, havia uma jovem em transe no chão

Talvez seja exatamente isso que torne o testemunho de Burdick tão desconfortável. Ele remove por alguns instantes a moldura institucional que foi construída ao redor de Ellen White e devolve ao leitor uma cena de 1845. Não há ainda uma denominação mundial. Não há White Estate. Não há livros apologéticos explicando as manifestações. Não há gerações de membros ensinados desde a infância a associar o nome Ellen White ao “Espírito de Profecia”.

Há um pequeno grupo num bosque do Maine. Há uma jovem caída rigidamente no chão, com olhos abertos e vidrados. Há James White fazendo perguntas. Há respostas sobre vivos e mortos. Há pessoas classificadas espiritualmente. Há uma doutrina segundo a qual a misericórdia se fechou para o mundo. E há uma testemunha dizendo que meses antes aquela mesma jovem anunciara uma data para a volta de Cristo e, depois que ela fracassou, apresentou outra.

O historiador não precisa decidir antecipadamente qual explicação médica, psicológica, religiosa ou social deve ser aplicada às manifestações de Ellen para reconhecer sua estranheza. Também não precisa aceitar cada palavra de Lucinda Burdick sem crítica.

Precisa fazer algo mais elementar e mais difícil: permitir que os documentos existam antes que a instituição os explique. A sequência correta da investigação não pode ser começar com a premissa de que Ellen era profetisa e reinterpretar cada evidência até que caiba nessa conclusão. Primeiro vêm os documentos. Depois vêm as perguntas. Só então podem vir as conclusões.

A pergunta que a história oficial não consegue evitar

Os acontecimentos posteriores a 22 de outubro de 1844 precisam, portanto, ser reabertos. O Grande Desapontamento não encerrou automaticamente a marcação de tempo, não eliminou as expectativas imediatas e não produziu instantaneamente a teologia adventista organizada que conhecemos hoje. Os meses seguintes foram marcados por fragmentação, radicalização, porta fechada, novas interpretações, periódicos efêmeros, retratações, manifestações extáticas e disputas sobre quem realmente possuía a verdade.

Ellen Harmon nasceu como visionária dentro desse mundo. E Lucinda Burdick deixou uma acusação específica demais para ser apagada por uma frase apologética: depois de 22 de outubro, a futura Ellen White teria anunciado junho de 1845 para a volta de Cristo; depois que junho fracassou, teria recorrido à “linguagem de Canaã” e transferido a expectativa para setembro.

Talvez por isso a pergunta decisiva não seja simplesmente se Ellen White alguma vez escreveu posteriormente que ninguém deveria marcar datas. A pergunta histórica vem antes: o que a própria Ellen Harmon fazia enquanto sua autoridade profética ainda estava sendo construída? Se Burdick disse a verdade, temos uma jovem visionária que atribuiu a Deus uma data que fracassou, explicou o fracasso alegando não ter compreendido a linguagem da revelação, apresentou uma segunda data que também fracassou e, no mesmo período, manifestava transes nos quais respondia a perguntas, julgava a condição espiritual de pessoas e anunciava que a porta da misericórdia estava fechada.

E então resta a pergunta que talvez seja a mais desconfortável de todas: se uma jovem desconhecida aparecesse hoje numa Igreja Adventista do Sétimo Dia apresentando exatamente as manifestações que Lucinda Burdick descreveu em Ellen Harmon — queda rígida ao chão, olhos vidrados, transe prolongado, respostas sobrenaturais sobre vivos e mortos, julgamento espiritual dos que duvidavam de suas visões, previsão da volta de Cristo e posterior reinterpretação do fracasso por meio de uma linguagem que dizia não ter compreendido — os dirigentes adventistas reconheceriam nela o Espírito de Profecia? Ou advertiriam imediatamente a igreja contra fanatismo, êxtase religioso e manifestações estranhas?

A resposta a essa pergunta talvez revele não apenas como o adventismo julga os fenômenos religiosos dos outros, mas também quanto de sua própria história precisou ser domesticado para que a Ellen Harmon de 1845 pudesse transformar-se na Ellen G. White que gerações posteriores aprenderam a conhecer.






Declaração da Sra. Lucinda Burdick sobre a Porta Fechada e as Visões de Ellen G. Harmon

Sou de família batista de livre-arbítrio e me converti à religião de Jesus Cristo quando ainda era criança.

A influência do movimento adventista de 1843 e 1844 chegou até mim, mas eu não compreendi seus argumentos nem me identifiquei de forma alguma com eles até o ano de 1845.

Ouvi falar pela primeira vez da Srta. Ellen G. Harmon, posteriormente Sra. Ellen G. White, no início do inverno, em janeiro ou fevereiro de 1845, quando meu tio Josiah Little veio à casa de meu pai e relatou ter visto uma certa Ellen Harmon tendo visões que ela afirmava serem provenientes de Deus. Ele disse que ela declarava que Deus lhe havia revelado que a porta da misericórdia estava fechada para sempre e que, dali em diante, não haveria salvação para os pecadores.

Isso me causou grande inquietação e angústia, pois eu ainda não havia sido batizada, e meu jovem coração ficou profundamente perturbado quanto à minha salvação, caso a porta da misericórdia estivesse realmente fechada.

Durante o ano de 1845, encontrei-me com a Srta. Ellen G. Harmon diversas vezes na casa de meu tio, em South Windham, Maine. O primeiro desses encontros ocorreu em maio, quando a ouvi declarar que Deus lhe havia revelado que Jesus Cristo retornaria à Terra em junho, no mês seguinte. Durante a época da colheita do feno, encontrei-a novamente na companhia de James White, no mesmo local, e ouvi meu tio perguntar-lhe por que o Senhor não havia vindo em junho, conforme suas visões. Ela respondeu que lhe haviam falado na “linguagem de Canaã”, que ela não compreendia, mas que desde então havia entendido que Cristo retornaria em setembro, com o segundo crescimento da relva, e não com o primeiro.

Durante o outono de 1845, eu estava novamente visitando meu tio Josiah Little, em South Windham, Maine. Em uma noite de sábado de outubro, um grupo de seis pessoas chegou à casa de meu tio para passar o domingo conosco; entre elas estavam James White e Ellen G. Harmon.

Naquela noite, dividi o quarto com a Srta. Mary E. Bodge e a Srta. Harmon. Ellen falou muito sobre suas visões, e manifestei um sincero desejo de vê-la ter uma delas. Na manhã seguinte, domingo, na minha presença e na de outras pessoas, a Srta. Bodge repreendeu James White por viajar na companhia de Ellen Harmon e acusou-o de trazer vergonha e escândalo à causa de Cristo ao persistir naquela conduta. Ele defendeu seu comportamento dizendo que era seu dever levá-la consigo para que ela pudesse declarar suas visões. Ressentiu-se violentamente da repreensão da Srta. Bodge e negou qualquer intenção de casar-se com “aquela coisinha deformada”, que foram suas palavras exatas enquanto apontava para ela, que estava sentada em uma cadeira.

Na tarde daquele mesmo domingo, White pregou na casa de Andrew Bodge, situada a cerca de meia milha da residência de meu tio, e toda a essência de seu sermão era que a porta da misericórdia havia sido fechada no décimo dia do sétimo mês do ano de 1844; que, dali em diante, não haveria salvação para os pecadores; e que Deus estava Se revelando ao Seu povo por meio de visões.

Algum tempo depois do término do culto daquela tarde, Mary E. Bodge, Ellen G. Harmon e eu fomos a um bosque próximo para um período de oração. Enquanto eu orava, Ellen Harmon subitamente caiu rigidamente ao chão. A Srta. Bodge imediatamente chamou James White, dizendo que ele era o único que conseguia conversar com ela nesses momentos. Ele e muitas outras pessoas correram até o local, e ele imediatamente começou a fazer-lhe uma grande variedade de perguntas.

Seus olhos permaneceram abertos e adquiriram uma aparência vidrada. Às vezes, enquanto respondia às perguntas dele, ela se levantava rigidamente até ficar parcialmente sentada, apenas para cair novamente, rígida, prostrada no chão. Sua posição no solo parecia tão desconfortável que coloquei sua cabeça em meu colo e a sustentei assim durante todo o acontecimento.

Muitas das perguntas que White lhe fez diziam respeito à condição espiritual das pessoas que viviam na região.

Ela declarou que algumas pessoas estavam em paz com Deus, enquanto outras tinham manchas em suas vestes.

Era notório que aqueles que apareciam com manchas eram justamente os que rejeitavam suas visões ou hesitavam em aceitá-las plenamente.

Ela chegou a declarar a condição dos mortos, vendo alguns daqueles que eram indicados por White coroados de grande glória e outros rejeitados por Deus.

Durante esse estado de transe, ouvi Ellen G. Harmon declarar que Jesus Cristo havia Se levantado do propiciatório e entrado no Santo dos Santos no Céu; que a porta da misericórdia estava fechada para sempre e que o mundo estava irremediavelmente condenado.

Ela também declarou que o diabo havia se apoderado do propiciatório e estava enganando as pessoas que oravam pelo Espírito Santo, lançando sobre elas certas influências estimulantes que elas confundiam com o poder do Espírito. Ela repetiu essas declarações várias vezes.

Esse estado de transe durou mais de uma hora e, quando alguém sugeriu que o orvalho que se acumulava poderia provocar resfriados, White disse: “Acho que será da vontade do Senhor trazê-la de volta”; e imediatamente ela se levantou e retomou seu comportamento normal.

Logo depois disso, tanto minha confiança quanto meu interesse nesse casal fanático desapareceram, pois as visões não eram apenas infantis e destituídas de sentido, mas absolutamente contraditórias. A intimidade daquele homem com aquela mulher causou considerável escândalo, mas os comentários diminuíram gradualmente depois que eles se casaram em 1846, aproximadamente um ano depois dos acontecimentos aqui relatados.

Tendo perdido sua influência e seu campo de atuação no Maine, logo partiram para o Oeste, onde conseguiram despertar considerável interesse e conquistar grande número de seguidores por meio de seus ensinamentos sabatistas.

 

Estado de Connecticut, Condado de Fairfield, SS.

Bridgeport, 26 de setembro de 1908.

Compareceu pessoalmente Lucinda Burdick, signatária e autora do instrumento acima, e reconheceu o mesmo como uma declaração verdadeira dos fatos e como seu ato livre e espontâneo, perante mim.

Tabelião.






Um Exame das Visões de Ellen White

Por Miles Grant

An Examination of Ellen White’s Visions (Boston, Massachusetts: Advent Christian Publication Society, 1877). Texto formatado para a internet por Brother Anderson.

De acordo com as “visões” da Sra. White, o santuário que deveria ser “purificado” ao final dos 2.300 dias encontra-se no Céu; e Cristo teria iniciado essa obra no décimo dia do sétimo mês, no ano de 1844 d.C., ocasião em que, segundo ela afirma, terminaram os 2.300 dias de Daniel 8:14. Onde está a prova, além das visões da Sra. White, de que o Céu contém um santuário contaminado que precisava de alguma purificação porque havia sido “pisado” durante 2.300 dias — anos? Quem foram aqueles que contaminaram o santuário no Céu durante esse período? Como chegaram até lá?

Parece evidente, a partir da profecia de Daniel 8:13-14, que o poder que pisou “o santuário e o exército” foi o poder romano, chamado de “transgressão assoladora”. Como a “transgressão assoladora” entrou no santuário celestial para contaminá-lo, de modo que ele precisasse ser purificado?

O santuário celestial, segundo a própria apresentação da Sra. White, é o Santo dos Santos, onde Deus possui Seu trono. É razoável supor que durante 2.300 anos Ele permitiu que a transgressão assoladora romana contaminasse o próprio Céu — o lugar santíssimo — até o décimo dia do sétimo mês de 1844? Visões que ensinam coisas desse tipo não necessitam de outra refutação além de sua simples exposição.

“VISÕES E PROFECIAS”

É fato bem conhecido que, quando um demônio possui controle sobre seu médium, pode fazer seus subordinados verem qualquer coisa que deseje. Assim como um mesmerizador, basta-lhe formar mentalmente a imagem de qualquer coisa existente ou de algum objeto imaginário; então aquela imagem mental existente na mente do demônio aparece ao médium como se fosse um objeto real. É desse modo que enganam aqueles que estão sob seu controle.

Nas visões da Sra. White publicadas em Topsham, Maine, em 31 de janeiro de 1849, ela diz:

Fui levada em visão ao lugar santíssimo, onde vi Jesus ainda intercedendo por Israel. Na parte inferior de Sua veste havia uma campainha e uma romã […]. Saiu um decreto para matar os santos, o que os levou a clamar dia e noite por livramento. Esse era o tempo da angústia de Jacó. Então todos os santos clamaram com angústia de espírito e foram libertados pela voz de Deus. Os 144.000 triunfaram. Seus rostos estavam iluminados pela glória de Deus.

Então me foi mostrado um grupo que uivava em agonia. Em suas vestes estava escrito em grandes letras: “Pesado foste na balança e achado em falta.” Perguntei quem era aquele grupo. O anjo disse: “Estes são os que uma vez guardaram o sábado e o abandonaram.” Eu os ouvi clamar em alta voz: “Acreditamos em Tua vinda e a ensinamos com energia.” […]

Vi a condição de alguns que permaneciam na verdade presente, mas desprezavam as visões — o meio que Deus havia escolhido para ensinar, em alguns casos, aqueles que se desviavam da verdade bíblica. Vi que, ao atacarem as visões, eles não atacavam o verme, o frágil instrumento através do qual Deus falava, mas o Espírito Santo.

Novamente, ela diz:

O Senhor me deu uma visão de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo acompanhou-me da cidade até um lugar brilhante e glorioso. A relva daquele lugar era de um verde vivo, e as aves ali entoavam uma doce canção. Os habitantes do lugar eram de todos os tamanhos; eram nobres, majestosos e amáveis […]. Então fui levada a um mundo que possuía sete luas. Ali vi o bom e velho Enoque, que havia sido trasladado. Em seu braço direito trazia uma gloriosa palma, e em cada folha estava escrita a palavra “vitória”.

Ao redor de sua cabeça havia uma deslumbrante coroa branca, com folhas na coroa, e no centro de cada folha estava escrita a palavra “pureza” […]. Perguntei-lhe se aquele era o lugar para onde havia sido levado da Terra. Ele disse: “Não; a cidade é meu lar, e vim visitar este lugar.”

Em uma visão da Sra. White de 24 de março de 1849, ela diz:

Foi-me mostrado que os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, relacionados à porta fechada, não poderiam ser separados.

Ela teve visões mostrando que a porta da misericórdia havia sido fechada aos pecadores no décimo dia do sétimo mês de 1844. As testemunhas desse fato são numerosas. Foi-lhe então mostrado que “a porta foi aberta no lugar santíssimo” naquele momento e que então Jesus entrou nele pela primeira vez.

Foi-lhe também mostrado que “a mediação de Jesus terminou no lugar santo do santuário em 1844. Então Jesus Se levantou e fechou a porta no Lugar Santo”.

Ela prossegue dizendo:

O clamor da meia-noite terminou no sétimo mês de 1844 […]. Meu anjo acompanhante ordenou-me que procurasse a agonia de alma pelos pecadores, como costumava ocorrer. Procurei, mas não consegui vê-la, porque o tempo para a salvação deles havia passado.

Views of Ellen G. White, pp. 24-27.

“Visões e profecias” deveriam ser recebidas com grande cautela, pois constituem um meio pelo qual Satanás procura enganar as pessoas nestes últimos dias e por meio do qual frequentemente as conduziu ao erro e às trevas.

Isso se torna particularmente evidente no espiritismo, que está repleto de “visões e profecias”. Desde as primeiras eras do mundo até o presente, Satanás tem produzido “visões e profecias” falsificadas com as quais seduz os filhos do Senhor, e não é razoável supor que, nestes últimos dias, ele tenha tranquilamente abandonado sua obra de engano. Ele alcançou enorme sucesso nesse empreendimento e frequentemente levou pessoas sinceras a seguir suas falsas “visões e profecias”, formando assim um novo grupo religioso.

Foi o que ocorreu com Joanna Southcott, Ann Lee, Joseph Smith, Emmanuel Swedenborg e muitos outros que poderiam ser mencionados.

AS VISÕES DA SRA. WHITE

Surge aqui a pergunta: “A Sra. Ellen White, de Battle Creek, Michigan, é uma verdadeira profetisa do Senhor, e suas visões procedem Dele?” Desenvolvimentos recentes exigem que essa pergunta seja respondida de maneira franca e completa.

Se o Senhor a escolheu como profetisa para conduzir Seu povo nestes últimos dias, esse fato deveria tornar-se conhecido em todo o mundo, e todos os santos deveriam ouvir sua voz e confiar em suas visões. Mas, se ela é uma falsa profetisa e visionária, os discípulos de Cristo deveriam ser fielmente advertidos contra depositar qualquer confiança em suas visões e profecias. Os interesses envolvidos nessa questão exigem uma investigação minuciosa.

Gostaríamos que esse desagradável dever tivesse recaído sobre outra pessoa; mas estamos convencidos de que o Senhor não deseja que permaneçamos em silêncio sobre o assunto por mais tempo. É bem conhecido que as visões e profecias da Sra. White são endossadas pelos Adventistas do Sétimo Dia, cuja sede se encontra em Battle Creek, Michigan. Em suas assembleias, eles votaram pela aceitação dela como verdadeira profetisa do Senhor. Evidentemente, essa votação não decide a questão.

Os “Verdadeiros Israelitas” votariam que Joanna Southcott era profetisa do Senhor; os mórmons votariam que Joseph Smith era profeta do Senhor; os swedenborgianos fariam a mesma afirmação a respeito de Emmanuel Swedenborg; e assim sucessivamente.

Acreditamos que todas as pessoas sinceras que amam a Bíblia estarão prontas para admitir que profecias e visões dadas pelo Senhor são invariavelmente verdadeiras. Ele não comete erros e não ensina doutrinas falsas. Profecias e visões procedentes Dele não contradizem fatos, não se contradizem umas às outras nem contradizem as Sagradas Escrituras. Segue-se, portanto, que, se puder ser claramente demonstrado que as visões e profecias da Sra. White contradizem os fatos, contradizem umas às outras e contradizem a Bíblia, a conclusão inevitável será que não procedem do Senhor e, portanto, não possuem mais valor do que as de qualquer outro falso profeta.

No Advent Review and Herald of the Sabbath de 2 e 9 de julho de 1874 encontramos artigos intitulados “Visões e Profecias”, dos quais faremos alguns extratos. Antes, porém, desejamos observar que nesses artigos se afirma que os Adventistas do Sétimo Dia são a igreja “remanescente” mencionada no Apocalipse — “a última parte da verdadeira igreja”. Eles fazem essa afirmação porque “guardam todos os Dez Mandamentos” e “possuem o espírito de profecia em atividade entre eles”.

O autor diz:

Com respeito ao espírito de profecia, é um fato notável que, desde o início de sua existência como povo, os Adventistas do Sétimo Dia têm afirmado que ele está em atividade entre eles […]. É fato que, por quase trinta anos, a Sra. Ellen G. White — esposa do pastor James White, ambos pioneiros deste movimento — tem tido visões, geralmente consideradas por aqueles que simpatizam com essa igreja como provenientes do Senhor; e admite-se livremente que elas exerceram grande influência em tornar o Adventismo do Sétimo Dia aquilo que ele é atualmente.

Também desejamos dizer que é fato que muitos homens e mulheres cristãos sinceros que anteriormente confiavam em suas visões atualmente não possuem qualquer confiança nelas. Por quê? Veremos em breve.

Apliquemos às visões da Sra. White o teste bíblico:

Quando o profeta falar em nome do Senhor, se aquilo não acontecer nem se cumprir, essa é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não terás temor dele.

Deuteronômio 18:22.

Quando testamos as “Visões e Profecias” da Sra. White por essa regra, encontramos contra elas escrita a palavra “tekel”. Tomemos, por exemplo, sua visão e profecia declarando que a porta da misericórdia havia sido fechada no décimo dia do sétimo mês de 1844. Se aquela visão procedesse do Senhor, seria verdadeira, e nenhum pecador poderia ter obtido perdão desde aquela data.

Aquela visão e profecia eram verdadeiras? Todo o mundo cristão, os anjos, Cristo e Deus responderiam com um enfático “Não!”. Portanto, a visão não procedia do Senhor. Ela também teve uma visão mostrando que Cristo não entrou para dentro do véu, no Santo dos Santos, na presença de Seu Pai, até o décimo dia do sétimo mês de 1844; entretanto, a Bíblia ensina positivamente que Cristo já estava “dentro do véu”, no Santo dos Santos, na presença de Deus, quando os apóstolos ainda viviam.

Agora compreendemos por que muitos cristãos sinceros que anteriormente depositavam confiança nas visões da Sra. White as abandonaram como indignas de confiança; e, se todos os fatos fossem plenamente conhecidos, acreditamos que todos os demais fariam o mesmo. Existem três razões pelas quais elas não podem ser aceitas como provenientes do Senhor:

  1. Elas contradizem os FATOS.
  2. Elas contradizem A SI MESMAS.
  3. Elas contradizem a BÍBLIA.

Qualquer uma dessas razões, isoladamente, forneceria prova positiva de que as “visões e profecias” não procedem do Senhor; mas as evidências são abundantes para mostrar que todas elas se aplicam às visões de Ellen White e que elas não são mais confiáveis do que as de Joanna Southcott, Ann Lee e Emmanuel Swedenborg, ou aquelas provenientes dos médiuns espíritas de nosso tempo. Ousamos afirmar que não pode ser apresentada uma única profecia ou visão dela que não pudesse ter sido produzida por um demônio.

Não duvidamos da honestidade e sinceridade da Sra. White, e o mesmo poderia ser dito de Joanna Southcott, Emmanuel Swedenborg e muitos outros que tiveram “visões e profecias”. Não temos, nem jamais tivemos, qualquer sentimento de hostilidade pessoal contra a Sra. White ou seus seguidores; mas, quando vemos pessoas sinceras sendo desviadas pelos engenhosos artifícios de Satanás, consideramos nosso dever cristão soar o alarme, na esperança de que, fazendo isso, possamos contribuir para impedir que alguns caiam na armadilha.

A Sra. White teve suas primeiras visões e profecias em 1844-1845. Naquela época ela vivia no Maine, seu Estado natal. Ainda era solteira, e seu nome de solteira era Ellen Harmon. Suas visões e profecias eram bem conhecidas e muito comentadas naquele período.

Muitos que inicialmente acreditaram nelas foram posteriormente obrigados a rejeitá-las quando ficou plenamente demonstrado que eram contraditórias e contrárias aos fatos. Esses pontos podem ser comprovados por testemunhas tão confiáveis quanto aquelas utilizadas para demonstrar que ela teve qualquer visão ou proferiu qualquer profecia. Temos espaço apenas para alguns testemunhos entre a multidão que poderia ser apresentada.

O TESTEMUNHO DE ISAAC C. WELLCOME

O irmão Isaac C. Wellcome, de Yarmouth, Maine, fiel ministro de Cristo, afirma:

Estive frequentemente em reuniões com Ellen G. Harmon e James White em 1844 e 1845. Diversas vezes eu a segurei quando caía ao chão em ocasiões nas quais desmaiava para entrar em visão. Ouvi-a relatar suas visões dessas datas. Diversas foram publicadas […] afirmando que estavam perdidos todos aqueles que não endossassem o movimento de 1844; que Cristo havia abandonado o trono da misericórdia; que todos aqueles que algum dia seriam selados já estavam selados; e que nenhuma outra pessoa poderia arrepender-se. Ela e James ensinaram isso durante um ou dois anos.

Recentemente, em suas visões publicadas chamadas “Testimony”, suas visões diferem amplamente das anteriores e direta e completamente as contradizem.

O TESTEMUNHO DE ISRAEL DAMMON

O irmão Israel Dammon, de Corinna, Maine, outro fiel ministro de Cristo, e sua dedicada esposa testemunham:

Anteriormente conhecíamos o Sr. e a Sra. White e durante algum tempo tivemos confiança nas visões dela, mas há muitos anos não temos confiança alguma. Quando percebemos que elas entravam em conflito umas com as outras, renunciamos completamente a elas e recorremos à Palavra do Senhor. Já se passaram cerca de vinte anos ou mais desde que estivemos associados à Sra. White; mas lembramos perfeitamente que sua primeira visão foi contada, tanto por ela mesma quanto por outros — especialmente pela Sra. White — em conexão com a pregação da “porta fechada”, e servia para confirmá-la.

Enquanto estava sob aquela influência e pregava as visões, ela, em visão, viu N. G. Reed e I. Dammon no Reino, em estado imortal e coroados. Depois disso, viu-os finalmente perdidos. Como poderiam ambas as coisas ser verdadeiras? Creio que uma era tão verdadeira quanto a outra e que Deus jamais lhe disse coisa alguma desse tipo.

O TESTEMUNHO DE JOHN MEGQUIER

O irmão John Megquier, de Saco, Maine, anteriormente residente em West Poland, Maine, agricultor conhecido por seu caráter íntegro e integridade cristã, afirma:

Conhecemos muito bem a conduta de Ellen G. White, a visionária, enquanto esteve no Estado do Maine. Algumas de suas primeiras visões ocorreram em minha casa, em Poland. Ela dizia que Deus lhe havia mostrado em visão que a porta da misericórdia estava fechada, que não havia mais oportunidade para o mundo e que ela podia dizer quem possuía manchas em suas vestes; e essas manchas eram adquiridas quando alguém questionava suas visões, perguntando se eram ou não provenientes do Senhor.

Então ela dizia às pessoas o que deveriam fazer, ou qual dever deveriam cumprir, para voltar ao favor de Deus. Em seguida, Deus lhe mostrava, através de uma visão, quem estava perdido e quem estava salvo em diferentes partes do Estado, de acordo com a maneira como aceitavam ou rejeitavam suas visões. Ela podia colocar a si mesma sob aquela influência da mesma maneira que qualquer pessoa mesmerizada faria.

O povo adventista no Estado do Maine não possui confiança em sua conduta nem em suas visões; ela possui apenas alguns seguidores neste Estado, que é seu Estado natal, mas conseguiu levantar um número considerável de seguidores em alguns dos Estados do Oeste. Eles vão para novos lugares e preferem aqueles onde a doutrina adventista já foi introduzida.

Primeiro pregam a doutrina adventista; depois introduzem o sétimo dia; e, por último, e mais importante, as pessoas precisam receber Ellen com todas as suas diferentes mensagens, o que constitui uma perfeita armadilha do Diabo. Se as pessoas apenas se dessem ao trabalho de ler a história de Ann Lee, fundadora dos Shakers, veriam uma perfeita semelhança entre as duas. Ann começou a formar a sociedade Shaker através de visões que afirmava terem vindo de Deus.

Ela conseguiu alguns seguidores, e eles aumentaram até formar uma sociedade bastante grande; alguns deles ainda possuem visões que determinam o que devem comer e vestir, exatamente como Ellen faz com seus seguidores. Sem dúvida, isso constitui um dos sinais dos últimos dias e uma perfeita armadilha do Diabo […]. Existe grande número de testemunhas vivas capazes de confirmar essas coisas.

O TESTEMUNHO DE LUCINDA S. BURDICK

O testemunho seguinte é da irmã L. S. Burdick, de San Francisco, Califórnia, anteriormente esposa do pastor John Howell, um dedicado e competente ministro de Cristo que residia no Maine quando a Sra. White estava ali tendo suas visões. O irmão e a irmã Howell conheciam muito bem a Sra. White. A irmã Howell chegou a manter a cabeça dela em seu colo enquanto ela tinha suas visões. A irmã Burdick afirma:

Conheci James White e Ellen Harmon no início de 1845. Quando os conheci pela primeira vez, estavam envolvidos em um fanatismo descontrolado. Costumavam sentar-se no chão em vez de usar cadeiras e rastejar pelo chão como criancinhas. Tais atitudes eram consideradas demonstrações de humildade. Eles ainda não eram casados, mas viajavam juntos. Ellen estava tendo aquilo que chamavam de visões.

Ela dizia que Deus lhe havia mostrado em visão que Jesus Cristo Se levantara no décimo dia do sétimo mês de 1844 e fechara a porta da misericórdia; que havia abandonado para sempre o trono da mediação; que todo o mundo estava condenado e perdido; e que nunca mais poderia ser salvo outro pecador. Pouco depois, ela afirmou ter visto que o sábado deveria ser guardado. Suas visões constituíam uma novidade, e inicialmente parecia não haver oposição definida contra elas nas diferentes igrejas pelas quais viajavam.

Elas provocaram muita discussão e agitação, e todos pareciam dispostos a investigar. Porém, depois de algum tempo, suas visões começaram a entrar em conflito umas com as outras. Eu mesma — juntamente com outros que a viram em visão — verifiquei que ela podia colocar-se em estado de visão quando quisesse — isso ela confessou —, mas James White podia controlá-las e fazê-la sair quando desejasse. Também houve muitos fracassos. Ela afirmava que Deus lhe mostrava coisas que depois não aconteciam.

Em certa ocasião, ela viu que o Senhor viria pela segunda vez em junho de 1845. A profecia foi discutida em todas as igrejas e num pequeno periódico da “porta fechada” publicado em Portland, Maine. Durante o verão, depois que junho passou, ouvi um amigo perguntar-lhe como explicava a visão. Ela respondeu que eles haviam falado com ela na “linguagem de Canaã”, e ela não compreendera a linguagem; que seria no setembro seguinte que o Senhor viria, no segundo crescimento da relva, em vez do primeiro, em junho.

Setembro passou, e muitos outros meses de setembro passaram desde então, e ainda não vimos o Senhor. Logo se tornou evidente para todas as pessoas sinceras que muitas coisas devem ter sido “ditas a ela na linguagem de Canaã”, ou em alguma outra linguagem que não compreendia, porque ocorreram repetidos fracassos. Eu poderia mencionar muitos casos que conheci pessoalmente. Certa vez, quando estavam a caminho da parte oriental do Maine, ela viu que enfrentariam grandes problemas com os ímpios, seriam colocados na prisão e assim por diante.

Eles contaram isso nas igrejas pelas quais passaram. Quando voltaram, disseram que haviam tido uma experiência gloriosa. Os amigos perguntaram se haviam enfrentado algum problema com os ímpios ou prisões. Eles responderam: “Nenhum.” As pessoas em todas as igrejas logo começaram a abrir os olhos e passaram a se opor decididamente às visões dela; e, assim que faziam isso, ela costumava vê-las “com manchas em suas vestes”, como costumava expressar.

Conheci pessoalmente diversos ministros que ela havia visto chegando ao Reino com “Oh! coroas tão brilhantes, CHEIAS de estrelas”. Assim que tomavam posição contrária às visões, ela os via “condenados, amaldiçoados e perdidos para sempre, sem esperança”. O fato de viajarem juntos, como faziam antes de se casarem, trouxe grande escândalo para a causa. Em geral, as pessoas consideravam que aquela intimidade não deveria existir entre pessoas solteiras e pediam que ele deixasse Ellen em casa e fosse sozinho pregar o Evangelho.

Ele respondia a essas pessoas com insultos e abusos, declarando que jamais se curvaria diante de homem algum. As igrejas em todo o Estado do Maine — que é o Estado natal de Ellen — perderam a confiança neles. Ocasionalmente havia, aqui e ali, alguma família ou indivíduo que eles pareciam manter sob uma espécie de influência mesmérica, que permanecia ao lado deles e os defendia. Depois de algum tempo, casaram-se e seguiram para o Oeste, onde eram menos conhecidos; talvez ela tenha aprendido a ser mais cautelosa e a ter visões mais coerentes.

Se as visões que ela possui atualmente procedem de Deus, então as primeiras não procediam; e, se as primeiras procediam de Deus, a porta da misericórdia foi fechada em 1844 — e ai dos pobres pecadores que nasceram ou viveram deste lado daquela data! Sabemos que Deus não mente; e algumas delas mentiram, para meu conhecimento pessoal e seguro. Deus não Se contradiz, e as visões dela contradizem umas às outras.

Disseram-me que, nesta costa, eles negam que ela alguma vez tenha visto a porta da misericórdia fechada; mas existem milhares de testemunhas vivas que sabem que não poderia ser inventada mentira mais negra, e eu sou uma delas.

É fato bem conhecido e amplamente confirmado por testemunhas confiáveis que a Sra. Ellen White afirmava receber visões do Senhor segundo as quais a porta da misericórdia havia sido fechada contra os pecadores no décimo dia do sétimo mês de 1844 e que, naquele momento, Jesus entrou pela primeira vez no Santo dos Santos. A declaração seguinte procede de alguém que foi pregador entre aqueles que observam o sétimo dia:

Eu estava na casa de George Barker, em Norridgewock, Maine, em 1869, quando perguntei à Sra. Ellen White, na presença de vários ministros, se alguma vez tivera uma visão mostrando que a porta da misericórdia estava fechada. Ela respondeu: “Nunca tive.” Pouco depois, o pastor C. Stratton entrou na sala e fez a mesma pergunta, recebendo a mesma resposta.

Afirmo que isto é verdade.

L. L. Howard
Boston, Massachusetts, 28 de setembro de 1874.

VISÕES E PROFECIAS

Aqueles que possuem alguma confiança nas visões e profecias da Sra. Ellen G. White como provenientes do Senhor deveriam ler uma obra intitulada Mrs. Ellen G. White’s Claim to Divine Inspiration Examined — “Exame da Pretensão da Sra. Ellen G. White à Inspiração Divina” — de H. E. Carver, publicada por Hope of Israel, em Marion, Iowa. Não vemos como alguém poderia manter qualquer confiança nas visões da Sra. White depois de ler essa obra do irmão Carver, que esteve intimamente associado àqueles que simpatizavam com a Sra. White.

Todos aqueles que de alguma maneira estejam inclinados a acreditar que a Sra. White é uma verdadeira profetisa do Senhor deveriam ler essa obra.

Depois de cuidadoso exame dos fatos apresentados anteriormente em relação às visões da Sra. White, pensamos estar demonstrado da maneira mais clara possível que elas não procedem do Senhor; consequentemente, não possuem valor para o cristão e deveriam ser rejeitadas por todos os verdadeiros discípulos de Jesus.


Fonte: Miles Grant, An Examination of Ellen White’s Visions, Boston, Massachusetts: Advent Christian Publication Society, 1877.

Consultar a transcrição em inglês utilizada para esta tradução

[1]: https://www.nonegw.org/miles_grant.shtml?utm_source=chatgpt.com “An Examination of Ellen White’s Visions (1877)”






Documentos localizados sobre Lucinda Burdick, Miles Grant e as marcações de data de 1845

A relação abaixo reúne documentos primários, transcrições, fac-símiles, estudos históricos e referências arquivísticas já localizados durante nossa investigação sobre Lucinda S. Burdick, Miles Grant, as novas datas para a volta de Jesus atribuídas a Ellen Harmon em 1845, a chamada “linguagem de Canaã”, a doutrina da porta fechada, os transes da jovem visionária, Israel Dammon e o ambiente religioso no qual surgiram suas primeiras manifestações. Para evitar confusão entre aquilo que efetivamente possuímos e aquilo cuja existência apenas conseguimos documentar, indicamos em cada item a situação atual da fonte: documento ou fac-símile localizado, transcrição localizada, referência arquivística confirmada ou documento original ainda procurado.

1. Lucinda S. Burdick — declaração autenticada de 26 de setembro de 1908

Situação: transcrição integral localizada, imagens do documento disponibilizadas e localização arquivística confirmada.

Este é atualmente um dos documentos mais importantes de toda a investigação. Lucinda Burdick identifica-se nominalmente, relata sua aproximação com o movimento adventista em 1845, afirma ter encontrado Ellen Harmon diversas vezes na casa de seu tio Josiah Little, em South Windham, Maine, e declara que, em maio de 1845, ouviu Ellen dizer que Deus lhe revelara que Jesus retornaria à Terra em junho, no mês seguinte. Depois do fracasso de junho, Burdick afirma ter ouvido Ellen explicar que lhe haviam falado na “linguagem de Canaã”, que ela não compreendia, mas que agora entendia que Cristo voltaria em setembro, no segundo crescimento da relva. A mesma declaração contém uma extensa descrição de um transe de Ellen Harmon, durante o qual Burdick afirma ter sustentado a cabeça da jovem em seu colo enquanto James White lhe fazia perguntas.

A declaração está datada de Bridgeport, Connecticut, 26 de setembro de 1908, e termina com autenticação perante tabelião.

Consultar a transcrição integral da declaração de Lucinda Burdick

Consultar imagem da primeira parte da declaração

Consultar imagem da parte final e autenticação

2. A declaração de Burdick no arquivo do Ellen G. White Estate — Document File 330

Situação: referência arquivística confirmada.

A existência da declaração de Lucinda Burdick não depende de sites críticos. A edição documental The Ellen G. White Letters and Manuscripts registra expressamente o documento como: “Lucinda S. Burdick, Statement of Mrs. Lucinda Burdick, Concerning the Shut Door [and the] Visions of Ellen G. Harmon, 1908” e fornece sua localização no próprio Ellen G. White Estate: DF 330. A mesma referência documenta John Howell, marido de Lucinda naquele período, como participante do grupo dos adventistas do Noivo e da porta fechada em 1845.

Consultar a referência documental a Lucinda Burdick, John Howell e ao DF 330

3. Lucinda Burdick nos Walter Rea Papers — Box 1, Folder 13

Situação: localização física catalogada confirmada.

O inventário dos papéis de Walter Rea preservados pelo Center for Adventist Research, da Andrews University, identifica outra cópia do documento: Box 1, Folder 13, descrita como “Burdick, Lucinda. Statement of Mrs. Lucinda Burdick, concerning the Shut Door Visions of Ellen G. Harmon”. O catálogo informa ainda que um dos lados do documento contém a declaração autenticada de Burdick.

Consultar o catálogo dos Walter Rea Papers

4. Miles Grant — An Examination of Mrs. Ellen White’s Visions

Situação: transcrição extensa da edição de 1877 localizada.

Miles Grant reproduziu em sua obra testemunhos de antigos participantes do ambiente religioso de Ellen Harmon, entre eles Lucinda Burdick, Israel Dammon, John Megquier e Isaac C. Wellcome. Na seção dedicada a Burdick aparece a afirmação de que Ellen anunciou junho de 1845 para a volta de Cristo; que a previsão foi discutida nas igrejas e publicada num pequeno periódico da “porta fechada” de Portland; que, depois do fracasso de junho, Ellen teria recorrido à “linguagem de Canaã”; e que a nova expectativa passou a ser setembro.

Consultar a transcrição de Miles Grant — An Examination of Mrs. Ellen White’s Visions

5. Correção bibliográfica: Miles Grant já publicava esse material em 1874

Situação: referência bibliográfica confirmada.

A edição de 1877 não deve ser tratada como o aparecimento original da obra. Pesquisa acadêmica identifica uma edição anterior, publicada em Boston pela Advent Christian Publication Society em 1874, sob o título The True Sabbath: Which Day Shall We Keep? An Examination of Mrs. Ellen White’s Visions. A obra recebeu edições posteriores, inclusive em 1877 e 1890. Portanto, quando citarmos Grant, é importante distinguir a primeira circulação conhecida do material da edição de 1877 hoje mais facilmente acessível na internet.

Consultar Theodore N. Levterov sobre a controvérsia e a história bibliográfica de Miles Grant

6. Lucinda Burdick — The World’s Crisis, 1º de julho de 1874

Situação: referência bibliográfica firmemente identificada; fac-símile da edição original ainda procurado.

O testemunho de Lucinda Burdick sobre Ellen Harmon já circulava publicamente no século XIX. Bruce Weaver identifica expressamente a fonte como Lucinda S. Burdick, The World’s Crisis, 1º de julho de 1874. Portanto, a acusação de que Ellen teria marcado junho de 1845, recorrido depois à “linguagem de Canaã” e apresentado setembro como nova expectativa não apareceu pela primeira vez na declaração autenticada de 1908. Burdick já fazia a acusação publicamente enquanto Ellen White estava viva e em plena atividade.

Consultar Bruce Weaver e as referências a Lucinda Burdick em The World’s Crisis

Documento ainda desejado: fac-símile integral do The World’s Crisis de 1º de julho de 1874, especialmente a página na qual aparece o material de Burdick.

7. Bruce Weaver — “The Incident in Atkinson: The Arrest and Trial of Israel Dammon”

Situação: texto e referências documentais localizados.

O estudo de Bruce Weaver, originalmente publicado em Adventist Currents, vol. 3, nº 1, 1988, páginas 16–36, é indispensável para reconstruir o ambiente de Ellen Harmon em 1845. Weaver rastreou jornais do Maine, o julgamento de Israel Dammon, Lucinda Burdick, John Cook, The World’s Crisis, Morning Star e outras fontes contemporâneas ou próximas aos acontecimentos.

Consultar Bruce Weaver — versão em HTML

Consultar o PDF do estudo de Bruce Weaver

8. The Hope of Israel — o principal candidato ao pequeno periódico mencionado por Burdick

Situação: existência, local de publicação, período e alguns exemplares confirmados; justamente os números decisivos de junho de 1845 não são atualmente conhecidos como sobreviventes.

Lucinda Burdick afirmou que a previsão de junho de 1845 apareceu num pequeno periódico da “porta fechada” publicado em Portland, Maine. The Hope of Israel encaixa-se de maneira notavelmente precisa nessa descrição. O periódico começou anteriormente em Topsham, Maine, mas estava sendo publicado em Portland no primeiro semestre de 1845 e fazia parte do movimento adventista da porta fechada. Pesquisas recentes informam que apenas três exemplares são atualmente conhecidos, embora existam numerosas referências contemporâneas a outros números hoje desaparecidos.

Consultar o levantamento histórico de The Hope of Israel

9. Existiu uma edição de The Hope of Israel em 13 de junho de 1845

Situação: existência comprovada através de documento contemporâneo que a cita; exemplar original ainda não localizado.

Esta é uma das descobertas mais importantes relacionadas à afirmação de Burdick. Charles H. Pearson escreveu posteriormente citando expressamente “The Hope of Israel, of June 13th”. No trecho preservado, informa-se que aquela edição anunciara dificuldades financeiras que poderiam impedir a continuidade semanal da publicação. Pouco depois, a prensa passou a ser utilizada para Hope Within the Veil. Portanto, sabemos documentalmente que The Hope of Israel estava efetivamente circulando em Portland em junho de 1845, precisamente no mês da previsão atribuída por Burdick a Ellen Harmon.

Consultar o documento contemporâneo que menciona The Hope of Israel de 13 de junho de 1845

10. Os números de junho de 1845 de The Hope of Israel não são atualmente conhecidos como sobreviventes

Situação: conclusão da pesquisa histórica de Merlin D. Burt; busca deve permanecer aberta.

Merlin D. Burt, que estudou extensamente a imprensa adventista do período, registra que nenhum dos números de junho de 1845 de The Hope of Israel é atualmente conhecido como sobrevivente. Isso é particularmente relevante porque Lucinda Burdick afirma justamente que a previsão para junho circulou num pequeno periódico da porta fechada publicado em Portland. A ausência atual do exemplar não comprova o conteúdo alegado por Burdick, mas também impede que se argumente que os números sobreviventes demonstram que a previsão não foi publicada. Os números que poderiam resolver a questão estão entre os desaparecidos.

Consultar o estudo histórico de Merlin D. Burt sobre o ambiente de 1844–1845

11. Hope Within the Veil — segundo candidato ao periódico mencionado por Burdick

Situação: existência comprovada; nenhum exemplar sobrevivente é atualmente conhecido.

Hope Within the Veil foi um pequeno periódico milerita semanal editado por Emily C. Clemons e publicado por Charles H. Pearson em Cape Elizabeth, junto a Portland, Maine. Surgiu aproximadamente em junho de 1845 e pertenceu explicitamente à rede dos chamados “Bridegroom Adventists”, que defendiam a interpretação da porta fechada. A descrição de Burdick — “a little shut-door paper published in Portland, Me.” — corresponde de modo impressionante às características desse periódico. Nenhum exemplar sobrevivente é atualmente conhecido, mas parte de seu conteúdo foi preservada porque outros jornais contemporâneos o citaram.

Consultar o levantamento documental sobre Hope Within the Veil

12. O segundo número de Hope Within the Veil foi publicado em 23 de junho de 1845

Situação: data confirmada através de testemunho editorial contemporâneo.

Charles H. Pearson informou que, depois das dificuldades de The Hope of Israel, a prensa foi colocada sob sua responsabilidade e, em 23 de junho de 1845, foi publicado o segundo número de Hope Within the Veil. Isso permite reconstruir com bastante precisão a atividade editorial de Portland durante o próprio mês que aparece no testemunho de Burdick: The Hope of Israel ainda circulava em 13 de junho e, em 23 de junho, o segundo número de Hope Within the Veil já havia sido produzido.

Consultar o relato editorial de Charles H. Pearson

13. Jubilee Standard, 3 de julho de 1845 — testemunha contemporânea do periódico perdido

Situação: texto localizado.

Embora nenhum exemplar de Hope Within the Veil seja atualmente conhecido, o Jubilee Standard de 3 de julho de 1845 informou ter recebido o segundo número daquele pequeno periódico publicado em Portland. Dessa maneira, um jornal contemporâneo funciona como testemunha independente da existência e de parte do conteúdo do periódico desaparecido. As referências preservadas mostram que Hope Within the Veil estava intensamente envolvido em expectativas escatológicas e novas interpretações cronológicas em 1845.

Consultar a reprodução do Jubilee Standard de 3 de julho de 1845

14. A expectativa imediata da volta de Cristo em Hope Within the Veil

Situação: conteúdo preservado por citação contemporânea.

A reconstrução das citações do periódico registra que seus verdadeiros discípulos eram descritos como pessoas que estavam esperando “a cada momento a aparição do Salvador nos céus e a destruição do mundo”. Isso não prova sozinho a previsão específica de junho atribuída a Ellen Harmon, mas demonstra que o periódico perdido de Portland estava realmente inserido numa atmosfera de expectativa imediata da volta de Cristo durante o mesmo verão de 1845 descrito por Burdick.

Consultar a reconstrução histórica de Hope Within the Veil

15. Emily C. Clemons e a rede editorial de Portland em 1845

Situação: documentação histórica localizada.

Emily C. Clemons mudou-se para Portland em março de 1845, participou de The Hope of Israel e posteriormente editou Hope Within the Veil. A documentação registra ainda que, em 20 de março de 1845, ela proclamava aquele período como o ano do jubileu e falava da chegada das bodas do Cordeiro. A importância desse material está em reconstruir o círculo religioso e editorial no qual as primeiras visões de Ellen Harmon estavam circulando.

Consultar o estudo documental sobre Emily C. Clemons e os periódicos de Portland

16. John Pearson Jr. — “To the Readers of the Hope of Israel”, setembro de 1845

Situação: referência bibliográfica exata localizada; duas publicações contemporâneas identificadas.

John Pearson Jr., ligado à publicação de The Hope of Israel, publicou uma retratação dirigida aos leitores daquele periódico em setembro de 1845. O texto apareceu em Advent Herald and Signs of the Times Reporter, 3 de setembro de 1845, pp. 25–27, e foi republicado em Voice of Truth, 10 de setembro de 1845, pp. 445–447. O documento é importante porque mostra o próprio editor abandonando posições que haviam sido promovidas no ambiente da porta fechada.

Consultar as referências ao texto de John Pearson Jr.

17. John Howell — marido de Lucinda e participante do movimento da porta fechada

Situação: participação historicamente confirmada e carta contemporânea identificada.

John Howell, marido de Lucinda naquele período, não era observador distante das controvérsias de 1845. A documentação registra que ele se identificou estreitamente com a minoria dos adventistas do Noivo e da porta fechada naquele ano e abandonou publicamente essa posição no início de 1846. Sua própria carta foi publicada como “Letter From Bro. Howell” no Voice of Truth, 21 de janeiro de 1846, pp. 30–31. Isso coloca o casal Howell-Burdick diretamente dentro do ambiente que Lucinda descreve.

Consultar a documentação sobre John Howell e Lucinda Burdick

18. Carta de John Howell preservada em periódico contemporâneo

Situação: outro texto contemporâneo de Howell localizado em reprodução digital.

Documentos de 1845 preservam também correspondência de John Howell dentro do ambiente adventista pós-Desapontamento. Esses textos ajudam a confirmar independentemente sua participação ativa naquele universo religioso e merecem ser estudados juntamente com a declaração posterior de Lucinda.

Consultar periódico de 1845 contendo material de John Howell

19. John Cook — carta de 5 de abril de 1845 publicada no Morning Star

Situação: referência bibliográfica precisa e transcrição secundária localizadas; fac-símile do número original ainda procurado.

John Cook escreveu em 5 de abril de 1845 uma carta publicada no Morning Star de 16 de abril daquele ano. O documento menciona pessoas cuja expectativa de uma nova data havia sido confirmada pelas “visions (?) of a girl” e associa a jovem à data de 4 de abril de 1845. O trecho conhecido não identifica nominalmente essa garota; por isso não deve ser automaticamente atribuído a Ellen Harmon. Ainda assim, é uma fonte contemporânea extremamente importante porque demonstra que, poucos meses depois de 22 de outubro de 1844, visões de uma jovem estavam sendo usadas naquele ambiente para confirmar uma nova data.

Consultar a reprodução e as referências à carta de John Cook

Consultar a referência bibliográfica fornecida por Bruce Weaver

20. Piscataquis Farmer e o julgamento de Israel Dammon — 1845

Situação: transcrição e estudos históricos localizados.

O julgamento de Israel Dammon forneceu uma das raras janelas contemporâneas para o ambiente religioso em que Ellen Harmon atuava nos primeiros meses de 1845. O Piscataquis Farmer publicou o relato do julgamento e os depoimentos de testemunhas acerca das reuniões em Atkinson. Ellen Harmon e James White aparecem naquele contexto. O documento é fundamental para comparar a descrição posterior de Lucinda Burdick com manifestações religiosas documentadas independentemente no mesmo período.

Consultar a transcrição documental relacionada ao julgamento de Israel Dammon

Consultar o estudo de Bruce Weaver e suas notas sobre as fontes de 1845

21. Israel Dammon — testemunho reproduzido por Miles Grant

Situação: texto localizado.

Israel Dammon aparece também entre as pessoas cujos testemunhos Miles Grant publicou. Dammon afirmou ter conhecido os White, ter acreditado anteriormente nas visões de Ellen e posteriormente rejeitado sua origem divina depois de concluir que algumas entravam em conflito com outras. Independentemente de sua interpretação, o depoimento é importante como testemunho de outro participante do ambiente religioso inicial.

Consultar o testemunho de Israel Dammon reproduzido por Miles Grant

22. John Megquier — testemunho sobre as primeiras visões

Situação: texto localizado.

John Megquier afirmou que algumas das primeiras visões de Ellen Harmon ocorreram em sua própria casa em Poland, Maine. Em depoimento reproduzido por Miles Grant, ele associa as primeiras manifestações à doutrina da porta fechada e afirma que a aceitação ou rejeição das visões influenciava as avaliações espirituais atribuídas a Ellen sobre outras pessoas.

Consultar o testemunho de John Megquier reproduzido por Miles Grant

23. Isaac C. Wellcome — testemunho sobre Ellen Harmon em 1844–1845

Situação: testemunho reproduzido em fonte do século XIX e em transcrição localizada.

Isaac C. Wellcome afirmou ter participado de reuniões com Ellen Harmon e James White em 1844 e 1845 e declarou ter segurado Ellen em ocasiões nas quais ela caía ao chão ao entrar em suas manifestações visionárias. Seu testemunho é relevante tanto para o estudo da porta fechada quanto para a natureza física e extática das primeiras experiências de Ellen.

Consultar a reprodução do testemunho de Isaac C. Wellcome

24. H. E. Carver — Mrs. E. G. White’s Claims to Divine Inspiration Examined

Situação: transcrição extensa da edição de 1877 localizada.

H. E. Carver publicou outra investigação crítica das pretensões proféticas de Ellen White no século XIX. Sua obra é especialmente útil porque registra controvérsias sobre as primeiras visões, porta fechada, mudanças de interpretação e alegações de pessoas que haviam estado próximas do movimento. Deve ser utilizada como fonte crítica contemporânea, distinguindo-se cuidadosamente aquilo que Carver testemunhou ou documentou daquilo que constitui sua interpretação dos acontecimentos.

Consultar H. E. Carver — Mrs. E. G. White’s Claims to Divine Inspiration Examined

25. Theodore N. Levterov — estudo acadêmico sobre a construção da autoridade profética de Ellen White

Situação: dissertação acadêmica localizada.

Theodore N. Levterov, em The Development of the Seventh-day Adventist Understanding of Ellen G. White’s Prophetic Gift, 1844–1889, acompanha o processo pelo qual o papel profético de Ellen White foi compreendido e defendido ao longo do século XIX. O trabalho é particularmente útil para estabelecer referências bibliográficas a Miles Grant, The World’s Crisis e às controvérsias públicas envolvendo as visões.

Consultar o estudo acadêmico de Theodore N. Levterov

26. “Linguagem de Canaã” — a expressão existia muito antes de Ellen Harmon

Situação: origem bíblica e uso histórico cristão documentados.

A investigação demonstrou que Ellen Harmon não inventou as palavras “linguagem de Canaã”. Isaías 19:18 já contém a expressão, e o cristianismo protestante passou posteriormente a utilizá-la metaforicamente para a linguagem bíblica ou espiritual dos crentes. Isso precisa ser distinguido da explicação atribuída a Ellen por Burdick. A existência histórica da expressão não demonstra a existência de uma língua sobrenatural chamada “linguagem de Canaã”, utilizada por Deus no século XIX para transmitir a Ellen uma data que ela não conseguia compreender.

Consultar estudo histórico sobre o uso cristão da expressão “language of Canaan”

27. Uso posterior da própria expressão por Ellen White

Situação: texto localizado.

Ellen White empregou posteriormente “language of Canaan” em sentido figurado e espiritual, relacionando-a à linguagem que o cristão deveria aprender na “escola de Cristo”. Esse uso é relevante justamente porque não apresenta a “linguagem de Canaã” como um idioma sobrenatural usado para transmitir datas proféticas. Assim, deve-se distinguir o uso metafórico historicamente documentado da função extraordinária que, segundo Lucinda Burdick, Ellen atribuiu à expressão depois do fracasso de junho de 1845.

Consultar o uso de “language of Canaan” por Ellen White

28. The Hope of Israel já estava sendo procurado pelos próprios adventistas no século XIX

Situação: documento localizado.

Uma edição da Review and Herald de 26 de julho de 1870 publicou um pedido aos leitores para que enviassem exemplares de The Hope of Israel, publicado no Maine por volta de 1845. O pedido procurava especificamente o número de 28 de fevereiro de 1845. Esse documento mostra que, já em 1870, a coleção de antigos números do periódico era incompleta e que os próprios dirigentes adventistas buscavam exemplares desaparecidos.

Consultar Review and Herald de 26 de julho de 1870 — pedido por exemplares de The Hope of Israel

29. Conteúdo de The Hope of Israel preservado através de republicações posteriores

Situação: documento localizado.

A ausência de muitos exemplares originais não significa que todo o conteúdo tenha desaparecido. Publicações adventistas posteriores reproduziram materiais que haviam aparecido originalmente em The Hope of Israel. Um exemplo é a reprodução de material de T. M. Preble originalmente publicado em 28 de fevereiro de 1845. Esse fenômeno justifica continuar procurando citações e republicações de números perdidos em jornais contemporâneos e posteriores.

Consultar exemplo de conteúdo originalmente publicado em The Hope of Israel e posteriormente reproduzido

Documentos decisivos ainda procurados

1. The World’s Crisis, 1º de julho de 1874. A referência bibliográfica está estabelecida e sabemos que Burdick teve acusações publicadas naquela edição. Ainda queremos localizar uma digitalização integral do periódico original, preferencialmente em acervo bibliotecário ou histórico, para reproduzir diretamente a página.

2. The Hope of Israel, maio e junho de 1845. Sabemos que o periódico existia, estava em Portland e que uma edição circulou em 13 de junho. Justamente os números desse período não são atualmente conhecidos como sobreviventes. A busca deve continuar em bibliotecas, sociedades históricas, coleções particulares e acervos da Nova Inglaterra.

3. Hope Within the Veil, junho a outubro de 1845. Nenhum exemplar sobrevivente é atualmente conhecido. Entretanto, seu conteúdo pode ser parcialmente reconstruído através de jornais contemporâneos que o receberam, citaram ou republicaram.

4. Morning Star, 16 de abril de 1845. Precisamos do fac-símile integral contendo a carta de John Cook escrita em 5 de abril, especialmente para examinar em contexto a referência às “visões de uma garota” associadas a 4 de abril de 1845.

5. Advent Herald and Signs of the Times Reporter, 3 de setembro de 1845, pp. 25–27. Queremos o fac-símile do artigo de John Pearson Jr., “To the Readers of the Hope of Israel”.

6. Voice of Truth, 10 de setembro de 1845, pp. 445–447. Essa edição republicou o texto de Pearson e poderá fornecer uma segunda cópia contemporânea integral.

7. Voice of Truth, 21 de janeiro de 1846, pp. 30–31. Procuramos o fac-símile integral da carta de John Howell, marido de Lucinda, na qual ele abandonou publicamente posições ligadas à porta fechada.

8. Christian Journal, Exeter, New Hampshire, 21 de agosto de 1845, p. 2. A referência já foi identificada e pode conter material adicional sobre as controvérsias envolvendo os periódicos e dirigentes da porta fechada.

O que a documentação já permite afirmar

Mesmo sem os exemplares desaparecidos, o conjunto documental atualmente localizado já permite estabelecer alguns fatos importantes. Lucinda S. Burdick fez publicamente no século XIX acusações contra as primeiras visões de Ellen Harmon e contra previsões que atribuiu a ela; Miles Grant preservou e publicou esse testemunho; Burdick posteriormente voltou a registrar a história em declaração autenticada cuja localização arquivística pode ser identificada tanto no Ellen G. White Estate, DF 330, quanto nos Walter Rea Papers; os pequenos periódicos da porta fechada de Portland mencionados por ela realmente existiam; The Hope of Israel estava sendo publicado em Portland em junho de 1845 e houve comprovadamente uma edição de 13 de junho; Hope Within the Veil surgiu no mesmo mês e estava ligado diretamente à expectativa imediata da aparição de Cristo; e justamente os números potencialmente decisivos desses periódicos não estão entre os exemplares atualmente conhecidos como sobreviventes.

O conjunto também demonstra que a marcação de expectativas cronológicas não desapareceu imediatamente depois de 22 de outubro de 1844. Documentos contemporâneos de 1845 registram novos cálculos, novas expectativas, a atuação de visionários e intensas controvérsias entre os grupos que permaneceram convencidos de que o Grande Desapontamento possuía significado profético. É dentro desse ambiente histórico concreto que deve ser examinada a acusação de Lucinda Burdick de que ouviu Ellen Harmon anunciar junho de 1845 para a volta de Jesus e, depois do fracasso, recorrer à “linguagem de Canaã” para apresentar setembro como nova expectativa.

Da mesma forma, os testemunhos de Burdick, Israel Dammon, John Megquier, Isaac Wellcome e outros participantes precisam ser estudados em conjunto com os documentos contemporâneos sobre as manifestações físicas e extáticas das primeiras visões. A questão não é apenas se Ellen Harmon marcou ou não novas datas depois de 22 de outubro. Os documentos também permitem reconstruir uma jovem visionária inserida num ambiente religioso marcado por transes, prostrações, revelações sobre vivos e mortos, doutrina da porta fechada, intensa expectativa escatológica e disputas sobre a origem sobrenatural das manifestações.

Critério utilizado nesta relação

Esta lista não considera uma interpretação verdadeira simplesmente porque aparece numa fonte adventista, nem considera uma acusação verdadeira simplesmente porque aparece numa fonte crítica. Nosso interesse é documental. Uma publicação institucional pode fornecer a localização de um manuscrito; um crítico do século XIX pode preservar o depoimento de uma testemunha; um jornal secular pode registrar um julgamento; outro periódico adventista pode preservar trechos de uma publicação desaparecida. Em cada caso, a prioridade é chegar o mais perto possível do documento original, identificar autoria, data, lugar, cadeia de transmissão e relação temporal com os acontecimentos descritos.

Por essa razão, a busca permanece aberta. A reaparição de antigos números de The Hope of Israel em acervos depois de mais de um século demonstra que “nenhum exemplar atualmente conhecido” não equivale a “nenhum exemplar existe”. Um único número de maio ou junho de 1845 encontrado numa coleção ainda não examinada poderá alterar significativamente esta investigação. Até lá, preservamos aquilo que já pode ser documentado e indicamos claramente aquilo que ainda precisa ser encontrado.

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