
Em 1927, uma publicação adventista italiana apresentou Benito Mussolini como “o maior estadista” e declarou que o chefe fascista pronunciava “palavras de verdade”. Em 1928, sua fotografia chegou à capa da revista denominacional. A liderança adventista enviou telegramas ao ditador e, depois da conquista fascista da Etiópia, a Associação Geral reorganizou suas operações missionárias a partir da Itália.
A história expõe as contradições de uma igreja que reivindicava autoridade profética para interpretar os poderes políticos, mas nem sempre reconheceu o perigo quando ele se apresentava diante de seus próprios dirigentes.
O QUE ERA O FASCISMO E COMO MUSSOLINI APROXIMOU ADVENTISTAS E CATÓLICOS DO MESMO PODER
Antes de examinarmos os elogios que Benito Mussolini recebeu de publicações adventistas, precisamos compreender o significado do fascismo e a natureza do regime que conquistou a Itália. A palavra fascismo deriva do italiano fascio, que significa feixe, agrupamento ou união. Sua inspiração simbólica veio dos fasces da Roma Antiga, um conjunto de varas amarradas em torno de um machado, utilizado como representação da autoridade dos magistrados romanos. Mussolini recuperou esse símbolo para construir a imagem de uma nação unificada, disciplinada e submetida a um poder central. Na prática, porém, essa união significava a eliminação do pluralismo político, a perseguição aos adversários e a submissão da sociedade ao Estado.
O fascismo não era simplesmente uma forma enérgica de governo, mas um movimento ultranacionalista, autoritário, militarista e antidemocrático, organizado em torno do culto ao chefe e da pretensão de controlar a vida política e social. Mussolini, chamado de Duce, palavra italiana que significa líder ou condutor, chegou ao poder em 1922 e transformou progressivamente o país numa ditadura. Partidos de oposição foram reprimidos, jornais sofreram censura, adversários foram presos, agredidos, enviados ao exílio ou assassinados. A violência das milícias fascistas e o fortalecimento do aparato repressivo fizeram parte da própria construção do regime.
Entretanto, o fascismo italiano também compreendeu que a força militar e policial não bastava para consolidar seu domínio. Era necessário conquistar legitimidade social, cultural e religiosa. Nesse ponto, a Igreja Católica ocupava uma posição estratégica. Apesar das tensões anteriores entre o movimento fascista e setores católicos, Mussolini percebeu que uma aproximação com a Santa Sé poderia fortalecer seu governo, enquanto o Vaticano enxergava a possibilidade de resolver a antiga Questão Romana e recuperar garantias institucionais perdidas durante a unificação italiana.

O ditador, o Vaticano e a restauração do poder temporal papal
Essa aproximação culminou nos Pactos de Latrão, assinados em 11 de fevereiro de 1929 por Mussolini, representando o Reino da Itália, e pelo cardeal Pietro Gasparri, representando o papa Pio XI. O tratado reconheceu a soberania da Santa Sé sobre o novo Estado da Cidade do Vaticano, enquanto os demais instrumentos do acordo estabeleceram disposições políticas, financeiras e religiosas que redefiniram as relações entre o catolicismo e o Estado italiano. A Igreja Católica recuperava uma soberania territorial internacionalmente reconhecida, e Mussolini obtinha uma importante vitória diplomática e política.
Para os adventistas do sétimo dia, porém, esse acontecimento possuía um significado que ultrapassava a diplomacia. Desde o século XIX, sua interpretação historicista de Apocalipse 13 relacionava a chamada ferida mortal da besta à perda do poder temporal do papado, especialmente aos acontecimentos de 1798. A recuperação da soberania papal era interpretada como uma etapa da cura dessa ferida. Quando Mussolini assinou os Pactos de Latrão, a imprensa adventista internacional reconheceu imediatamente a importância profética do acontecimento. Em 28 de fevereiro de 1929, a revista norte-americana Review and Herald publicou o editorial Papal Sovereignty Restored, ou Soberania papal restaurada, relacionando o acordo às expectativas proféticas da denominação.
A aproximação indireta: adventistas e católicos diante do mesmo ditador
É precisamente aqui que encontramos uma das contradições mais surpreendentes dessa história. Enquanto Mussolini construía sua aproximação com o Vaticano, a imprensa adventista italiana também publicava manifestações favoráveis ao ditador. Em 1927, a revista L’Araldo della Verità apresentou Mussolini como o maior estadista e declarou que o chefe do fascismo pronunciava palavras de verdade. Em outra edição daquele ano, reproduziu uma declaração do cardeal Vincenzo Vannutelli segundo a qual Mussolini teria sido designado pela Providência para restaurar a paz religiosa e social. Em 1928, a mesma publicação colocou a fotografia do ditador em sua capa. Também houve telegramas dirigidos a Mussolini por representantes adventistas, incluindo manifestações relacionadas à situação religiosa da denominação na Itália.
Surge, portanto, uma aproximação política indireta que merece ser examinada com atenção. Não estamos diante de um tratado de aliança formal entre a Igreja Adventista e a Igreja Católica, nem de uma adesão adventista à doutrina romana. O que os documentos revelam é uma convergência em torno da valorização ou do reconhecimento político do mesmo governante. De um lado, o Vaticano negociava com Mussolini a restauração de sua soberania territorial e novas garantias institucionais. De outro, setores da imprensa e da representação adventista italiana dirigiam ao mesmo governante elogios, homenagens e agradecimentos. Eram relações distintas, com objetivos diferentes, mas que se encontravam na figura do ditador fascista.
Essa convergência é especialmente desconcertante porque o adventismo construíra parte fundamental de sua identidade profética na crítica à união entre Igreja e Estado e à autoridade político-religiosa do papado. Entretanto, justamente quando Mussolini consolidava uma ditadura e avançava na negociação que devolveria soberania territorial à Santa Sé, uma publicação adventista italiana encontrava razões para apresentá-lo favoravelmente aos seus leitores. A denominação que advertia contra a restauração do poder papal viu parte de sua própria imprensa oferecer reconhecimento público ao governante que participaria diretamente dessa restauração.
O contraste torna-se ainda mais expressivo quando colocamos os documentos em ordem cronológica. Em 1927, Mussolini recebia elogios na imprensa adventista italiana. Em 1928, sua fotografia aparecia na capa da revista denominacional. Em fevereiro de 1929, o ditador assinava os Pactos de Latrão. Apenas dezessete dias depois, a Review and Herald reconhecia o significado profético da restauração da soberania papal. A sequência revela duas avaliações profundamente diferentes do mesmo personagem histórico dentro do universo editorial adventista: o estadista merecedor de reconhecimento e o agente político de um acontecimento interpretado como cumprimento de uma advertência profética.
Não seria historicamente correto afirmar que a Igreja Adventista participou da negociação dos Pactos de Latrão ou que suas manifestações favoráveis a Mussolini constituíram apoio direto à restauração da soberania papal. A questão é mais sutil e, por isso mesmo, mais reveladora: o reconhecimento público dispensado ao ditador por determinados representantes adventistas ocorreu no mesmo processo histórico em que ele fortalecia suas relações com a Igreja Católica. Essa coincidência política permite falar em uma aproximação indireta ao poder que beneficiou o Vaticano, embora não em uma aliança religiosa formal entre as duas denominações.
O paradoxo é incontornável: o adventismo anunciava profeticamente a recuperação do poder papal, mas uma de suas publicações nacionais concedeu elogios e destaque ao governante que assinaria o acordo responsável por restaurar a soberania territorial do Vaticano. O fascismo, portanto, não foi apenas o cenário político dessa contradição. Mussolini foi o personagem que colocou frente a frente a doutrina profética adventista, os interesses institucionais católicos e as escolhas editoriais de uma igreja que reivindicava discernimento especial sobre os acontecimentos da história.
Quando o Duce recebeu a palavra na imprensa adventista
“Il Duce (O Líder), título adotado pelo ditador Benito Mussolini”
A história do relacionamento entre o adventismo e os regimes fascistas europeus não começou nem terminou com Adolf Hitler. Antes que o nacional-socialismo alemão chegasse ao poder, a Igreja Adventista já enfrentava, na Itália, o desafio de conviver com uma ditadura que pretendia reorganizar a sociedade, controlar as instituições e subordinar a vida pública à autoridade de um chefe político. Benito Mussolini governava a Itália desde 1922. Em 1927, seu regime já havia desmontado as principais garantias da democracia liberal, reprimido adversários e consolidado uma estrutura autoritária. Era nesse ambiente que a imprensa adventista italiana encontrou motivos para apresentar o ditador aos seus leitores em termos surpreendentemente favoráveis.
A documentação é suficientemente expressiva para dispensar qualquer exagero. Na edição de 1927 de L’Araldo della Verità, volume VII, número 5, página 15, apareceu um artigo intitulado “La parola al più grande statista: Mussolini”, ou, em português, “A palavra ao maior estadista: Mussolini”. Não estamos falando de uma publicação fascista que citou um adventista, mas de uma publicação adventista que resolveu dar destaque ao governante fascista. O próprio título já estabelecia uma hierarquia admirativa: Mussolini era apresentado como o maior estadista.
O artigo tratava de um discurso pronunciado por Mussolini na Câmara dos Deputados italiana, em 26 de maio de 1927, no qual o ditador abordava a situação internacional, os armamentos e a possibilidade de uma futura guerra europeia. O discurso político transformou-se em matéria de interesse para leitores de uma igreja que afirmava possuir uma interpretação especial dos acontecimentos mundiais à luz das profecias bíblicas. Até aí, nada impediria uma análise crítica. O problema aparece na maneira como a publicação caracterizou o próprio ditador.
A pesquisa histórica produzida no Instituto Adventista de Cultura Bíblica, em Florença, reproduz a expressão italiana: “Il Duce del Fascismo ha parole di verità”. A tradução é inequívoca: “O Duce do Fascismo tem palavras de verdade.” A afirmação é especialmente significativa porque não apresenta Mussolini apenas como personagem histórico, mas atribui valor positivo às suas palavras. O governante que construía uma ditadura aparecia diante dos leitores adventistas como alguém cujas declarações mereciam reconhecimento.
Convém perceber a dimensão religiosa dessa escolha editorial. O adventismo ensinava que as profecias de Daniel e Apocalipse permitiam identificar poderes políticos e religiosos envolvidos em perseguição, intolerância e supressão da liberdade de consciência. Seus pregadores anunciavam a necessidade de vigilância diante da concentração de autoridade. Entretanto, quando um ditador real concentrava poderes na Itália, uma publicação da própria igreja lhe concedia o tratamento de grande estadista e reconhecia verdade em suas declarações.
Não se trata de exigir que os adventistas previssem todos os acontecimentos posteriores. Trata-se de observar aquilo que já estava acontecendo em 1927. O fascismo não era uma ameaça hipotética escondida num futuro profético. Era um regime em funcionamento. A imprensa era controlada, a oposição era reprimida e a autoridade do Estado se confundia progressivamente com a figura do Duce. Mesmo assim, Mussolini recebeu um tratamento elogioso numa publicação adventista.

Quem era o homem que a revista adventista chamou de maior estadista?
Para compreendermos a gravidade histórica dos elogios publicados pela imprensa adventista italiana, precisamos abandonar por alguns instantes as páginas de L’Araldo della Verità e examinar a trajetória do homem cuja fotografia seria colocada em sua capa. Quem era Benito Mussolini? Que espécie de governo havia construído? Quais violências já haviam sido cometidas quando os adventistas lhe atribuíram palavras de verdade? E quais atrocidades ainda seriam praticadas sob seu comando? A resposta nos conduz a uma das experiências políticas mais brutais da Europa do século XX, marcada pela destruição da democracia, pelo assassinato de opositores, pela perseguição religiosa e política, pela violência colonial, pelo racismo de Estado e pela participação italiana na guerra de agressão desencadeada pelas potências do Eixo.
Benito Mussolini não chegou ao governo italiano como um estadista dedicado à defesa das liberdades constitucionais. Sua ascensão foi construída mediante a mobilização de organizações paramilitares fascistas, conhecidas como squadristi ou camisas-negras, que atacavam sindicatos, cooperativas, organizações socialistas, associações de trabalhadores e adversários políticos. Durante os anos que antecederam a Marcha sobre Roma, em outubro de 1922, a violência fascista espalhou-se por diversas regiões italianas. Sedes de partidos foram incendiadas, dirigentes sindicais foram espancados, trabalhadores foram intimidados e comunidades inteiras conheceram a brutalidade de grupos armados que pretendiam substituir a disputa democrática pela obediência à força. A nomeação de Mussolini como primeiro-ministro, pelo rei Vítor Emanuel III, não encerrou essa violência. Pelo contrário, abriu caminho para que ela fosse progressivamente incorporada ao funcionamento do Estado.
O assassinato de Matteotti e a destruição da democracia italiana
Em 10 de junho de 1924, o deputado socialista Giacomo Matteotti foi sequestrado em Roma por integrantes de um grupo fascista depois de denunciar irregularidades, intimidação e violência nas eleições parlamentares daquele ano. Seu corpo seria encontrado em agosto. O assassinato provocou uma crise política nacional e tornou evidente a natureza do regime que Mussolini estava consolidando. Matteotti havia utilizado a tribuna parlamentar para denunciar a fraude e a violência; seus assassinos responderam retirando-lhe a vida. A morte do deputado tornou-se um símbolo da transformação da Itália em uma ditadura na qual a oposição podia custar não apenas a carreira política, mas a própria existência.
Em 3 de janeiro de 1925, Mussolini pronunciou um discurso decisivo no Parlamento, assumindo responsabilidade política pelo ambiente que havia produzido a violência fascista e desafiando seus adversários. Nos meses seguintes, a ditadura avançou de maneira sistemática. Entre 1925 e 1926, as chamadas leis fascistíssimas liquidaram as liberdades políticas fundamentais. Os partidos de oposição foram proibidos, a imprensa independente sofreu censura, organizações políticas foram dissolvidas e o poder executivo concentrou atribuições extraordinárias. A polícia política passou a perseguir adversários, enquanto tribunais especiais e mecanismos de confinamento administrativo permitiam punir pessoas consideradas perigosas para o regime. O cidadão deixava de ser protegido contra o arbítrio estatal e passava a viver sob a ameaça de um governo que confundia discordância política com hostilidade à nação.
É indispensável fixar a cronologia. Quando L’Araldo della Verità apresentou Mussolini como o maior estadista, em 1927, Giacomo Matteotti já estava morto havia quase três anos. A oposição parlamentar já havia sido destruída. A censura já estava estabelecida. A ditadura já não precisava esconder sua natureza. Portanto, o elogio adventista não foi publicado durante uma fase inocente, anterior à revelação do caráter autoritário do fascismo. Foi publicado quando as principais estruturas da repressão já funcionavam publicamente. Não era necessário possuir o dom de profecia para reconhecer que a liberdade estava sendo esmagada na Itália. Bastava acompanhar os acontecimentos.
Prisões políticas, exílio, censura e perseguição aos adversários
O regime de Mussolini desenvolveu um sistema de repressão que atingiu socialistas, comunistas, liberais, sindicalistas, intelectuais, jornalistas e outros opositores. A vigilância policial alcançava reuniões, correspondências, publicações e relações pessoais. O confinamento político, conhecido como confino, permitia enviar adversários para localidades isoladas, frequentemente ilhas ou pequenas comunidades afastadas dos centros políticos, mesmo sem as garantias de um processo judicial comum. A intimidação pretendia alcançar não apenas aqueles que resistiam abertamente, mas também suas famílias e todos os que poderiam pensar em imitá-los.
Entre os perseguidos estava Antonio Gramsci, dirigente comunista e intelectual italiano, preso em novembro de 1926 e posteriormente condenado a uma longa pena. Sua saúde deteriorou-se durante o encarceramento, e ele morreu em 1937, depois de anos submetido às consequências da repressão. Outro adversário importante, Giovanni Amendola, político liberal agredido por fascistas em 1925, morreu no ano seguinte, após o agravamento de sua saúde. A violência política fascista também alcançou pessoas menos conhecidas, cujos nomes raramente aparecem nas sínteses escolares: trabalhadores espancados, militantes expulsos de suas cidades, jornalistas silenciados e cidadãos obrigados a escolher entre a submissão, a clandestinidade e o exílio.
A propaganda do regime apresentava essa violência como necessária à restauração da ordem, da disciplina e da grandeza nacional. A figura do Duce era cultivada como encarnação da vontade italiana. Escolas, jornais, cerimônias públicas e organizações juvenis passaram a participar de um sistema destinado a formar cidadãos obedientes ao Estado fascista. A educação tornou-se instrumento de doutrinação, enquanto o culto à personalidade transformava Mussolini em símbolo permanente de autoridade. O fascismo não desejava apenas controlar governos: pretendia moldar comportamentos, sentimentos, lealdades e a própria percepção da realidade.
Enquanto isso, uma denominação que ensinava a necessidade de resistir à coerção da consciência publicava palavras favoráveis ao chefe desse sistema. A contradição não exige que atribuamos aos editores adventistas participação nos crimes. Exige que reconheçamos o abismo entre os princípios religiosos proclamados pela instituição e a avaliação pública que sua imprensa ofereceu de um governante responsável pela destruição das liberdades políticas italianas.
1928: Mussolini chegou à capa da revista denominacional

O episódio de 1927 não permaneceu isolado. A Encyclopedia of Seventh-day Adventists, publicação histórica da própria denominação, registra que, em 1928, L’Araldo della Verità apresentou uma fotografia de Benito Mussolini na capa, acompanhada de citações suas sobre guerra, paz e relações internacionais.
A informação aparece na biografia de Gian Luigi Lippolis, importante dirigente e editor adventista italiano. Sua trajetória é relevante porque vincula a publicação ao funcionamento regular da organização religiosa. Não estamos examinando um panfleto produzido clandestinamente por um admirador individual do fascismo. Estamos diante de uma revista ligada à atividade editorial da denominação, dirigida por pessoas que também desempenhavam responsabilidades eclesiásticas.
Uma fotografia de Mussolini na capa não prova, por si só, adesão formal ao fascismo. Uma revista poderia perfeitamente estampar a imagem de um ditador para denunciá-lo. Mas a capa de 1928 precisa ser interpretada juntamente com o artigo de 1927, que lhe atribuíra a condição de grande estadista e reconhecera palavras de verdade em seu pronunciamento. Os dois episódios, considerados em conjunto, demonstram que a imagem pública de Mussolini encontrou espaço de valorização na imprensa adventista.
É precisamente por isso que o exame integral dessas edições merece prioridade. Precisamos recuperar as páginas, observar os títulos, as legendas, o contexto editorial e as demais matérias publicadas ao redor. A história da relação entre adventismo e fascismo não pode ficar limitada às sínteses posteriores produzidas pela própria denominação. As publicações originais permitem ouvir diretamente aquilo que a igreja dizia quando os acontecimentos ainda estavam em curso.
Há uma ironia difícil de ignorar: enquanto o adventismo cultivava uma linguagem religiosa capaz de identificar os poderes perseguidores do passado, sua imprensa oferecia visibilidade favorável ao chefe de um regime que já perseguia opositores no presente. O perigo não estava apenas nas gravuras proféticas, nos símbolos apocalípticos ou nas interpretações sobre a Roma antiga. Estava sentado no governo da Itália, assinando decretos e pronunciando discursos que uma revista adventista considerou dignos de admiração.

Documento histórico: A edição de setembro–outubro de 1928, número 5, trazia Mussolini na capa, identificado como “S. E. Benito Mussolini”. Na página seguinte aparecia o texto “Dove se ne va il mondo?” (“Para onde vai o mundo?”). A versão colorizada da capa produzida para esta reportagem é uma reconstrução visual contemporânea baseada na reprodução histórica.

Telegramas ao ditador: a aproximação também passou pela liderança
A documentação histórica revela que a relação não se limitou às páginas impressas. Em 1926, durante um congresso adventista realizado em Florença, decidiu-se enviar telegramas ao rei da Itália e a Benito Mussolini, depois de uma tentativa de assassinato contra o ditador.
O episódio contém um detalhe particularmente importante. Segundo a biografia de Lippolis publicada na enciclopédia adventista, dois integrantes italianos da comissão foram vencidos na decisão por três integrantes estrangeiros. O relato sugere que os representantes estrangeiros consideravam conveniente demonstrar respeito às autoridades políticas italianas, possivelmente para favorecer as relações institucionais da igreja com o governo.
Aqui aparece uma questão que ultrapassa as fronteiras nacionais. Se representantes estrangeiros participaram decisivamente de uma manifestação dirigida a Mussolini, a investigação precisa identificar suas funções, suas vinculações administrativas e o alcance de sua autoridade. A relação com o fascismo italiano não pode ser automaticamente reduzida a uma peculiaridade dos adventistas nascidos na Itália. Havia uma organização religiosa internacional em funcionamento, com dirigentes, missionários, recursos e interesses que atravessavam fronteiras.
Outro telegrama foi enviado depois da legislação italiana de 1929–1930 sobre os cultos religiosos. Dessa vez, Gian Luigi Lippolis dirigiu-se a Mussolini em nome de pastores adventistas, agradecendo disposições legais relativas à liberdade de culto e à discussão religiosa.
Esse segundo episódio exige uma leitura histórica cuidadosa. Comunidades religiosas minoritárias tinham motivos concretos para acompanhar as decisões do Estado italiano sobre reconhecimento, funcionamento e liberdade de pregação. Agradecer uma medida favorável não significava necessariamente aprovar todas as práticas do governo. Entretanto, a existência dessas comunicações demonstra que a liderança adventista mantinha interlocução institucional com o regime fascista e procurava preservar condições para suas atividades.
O problema que nos interessa é mais profundo do que a formalidade diplomática de um telegrama. Até que ponto a busca por proteção, reconhecimento e oportunidades missionárias levou dirigentes adventistas a suavizar publicamente sua avaliação de um governo autoritário? E, sobretudo, como essa postura se relacionava com a identidade profética de uma igreja que fazia da liberdade de consciência uma de suas bandeiras históricas?
Não estamos diante de perguntas abstratas. Os documentos de 1926, 1927, 1928 e 1929–1930 formam uma sequência que permite examinar o comportamento editorial e administrativo da denominação durante os anos de consolidação do fascismo.
Mussolini recebeu elogios, homenagens e agradecimentos da imprensa e da liderança adventista
Os documentos permitem reunir uma sequência de manifestações favoráveis a Benito Mussolini que ultrapassa um episódio isolado da imprensa adventista italiana. Entre 1926 e 1930, encontramos telegramas de saudação e agradecimento, títulos editoriais elogiosos, reprodução de declarações que atribuíam ao ditador uma missão providencial e destaque à sua imagem na capa de uma revista denominacional. Cada manifestação possui características próprias, mas, consideradas em conjunto, revelam como a figura de Mussolini encontrou reconhecimento público em diferentes ocasiões.
Em 1926, durante um congresso adventista realizado em Florença, foi aprovado o envio de um telegrama a Mussolini depois de uma tentativa de assassinato contra ele. A decisão envolveu uma votação particularmente reveladora: dois representantes italianos foram vencidos por três representantes estrangeiros. O episódio, registrado na própria enciclopédia histórica adventista, demonstra que a iniciativa não partiu exclusivamente de dirigentes nacionais. Representantes de outros países participaram decisivamente da manifestação dirigida ao chefe do fascismo.
Em 1927, a revista L’Araldo della Verità publicou uma declaração do cardeal Vincenzo Vannutelli que apresentava Mussolini como homem designado pela Providência para contribuir para o restabelecimento da paz religiosa e social. Embora o elogio tenha sido pronunciado por uma autoridade católica, sua reprodução numa publicação adventista merece atenção. A revista ofereceu espaço a uma interpretação que atribuía significado providencial à atuação do ditador. O pesquisador adventista Stefano Calà observa que a redação não pareceu manifestar discordância diante daquela declaração.
No mesmo ano, outra edição da revista apresentou Mussolini sob o título “La parola al più grande statista: Mussolini”, isto é, “A palavra ao maior estadista: Mussolini”. A publicação também reconheceu que o Duce do fascismo possuía “palavras de verdade”. Nesse caso, já não estamos diante da simples reprodução de um elogio formulado por uma autoridade externa. A própria apresentação editorial conferia prestígio ao governante fascista.
Em setembro e outubro de 1928, a valorização editorial ganhou expressão visual. Mussolini ocupou a capa de L’Araldo della Verità, identificado como “S. E. Benito Mussolini”. Na página seguinte, a revista publicou seu texto “Dove se ne va il mondo?”. A presença do ditador na capa, examinada juntamente com as manifestações anteriores, revela a importância que sua figura havia adquirido nas páginas da publicação.

1929: Mussolini devolve a soberania temporal ao papado e a profecia adventista encontra seu protagonista
Existe um acontecimento que torna a relação entre Mussolini e o adventismo ainda mais contraditória. Em 11 de fevereiro de 1929, apenas alguns meses depois de sua fotografia aparecer na capa de uma revista adventista italiana, o ditador fascista assinou os Pactos de Latrão com o cardeal Pietro Gasparri, representante do papa Pio XI. O acordo encerrou a chamada Questão Romana, surgida com a perda dos territórios pontifícios durante a unificação italiana, e reconheceu a soberania da Santa Sé sobre o recém-criado Estado da Cidade do Vaticano.
O acontecimento possuía enorme importância para a interpretação profética adventista. Durante décadas, pregadores da denominação haviam relacionado a perda do poder temporal papal, especialmente os acontecimentos de 1798 e 1870, à ferida mortal descrita em Apocalipse 13:3. Segundo essa interpretação historicista, a recuperação da autoridade política do papado representaria uma etapa importante no cumprimento da profecia sobre a cura da ferida.
O que torna o episódio extraordinário é a identidade do governante responsável pelo acordo. O homem que a imprensa adventista italiana havia apresentado em 1927 como o maior estadista, e cujas palavras classificara como verdadeiras, foi precisamente aquele que assinou, em nome do Estado italiano, o tratado responsável pela restauração da soberania territorial pontifícia. Em 1928, sua fotografia aparecera na capa de L’Araldo della Verità. Em fevereiro de 1929, o mesmo Mussolini participava do acontecimento que a teologia profética adventista interpretaria como uma etapa decisiva da restauração do poder papal.
A contradição não passou completamente despercebida pela imprensa adventista internacional. Em 28 de fevereiro de 1929, a Review and Herald, publicada nos Estados Unidos, dedicou ao assunto o editorial “Papal Sovereignty Restored”, ou “Soberania papal restaurada”. A publicação reconheceu a enorme importância histórica do acordo e relacionou expressamente o acontecimento ao cumprimento das predições proféticas que os adventistas vinham anunciando.
A própria Encyclopedia of Seventh-day Adventists conserva a memória dessa reação. Segundo o registro histórico denominacional, a Review identificou na assinatura do tratado a realização daquilo que os adventistas haviam proclamado durante muitos anos: a cura da ferida mortal e a restauração da soberania temporal do papado. Não se tratava, portanto, de uma associação profética inventada décadas depois. Ela foi registrada pela imprensa adventista no próprio mês em que Mussolini assinou os acordos.
Os Pactos de Latrão não significaram a restauração integral dos antigos Estados Pontifícios. O novo território era muito menor. Entretanto, a Santa Sé recuperava uma soberania territorial formalmente reconhecida, com prerrogativas próprias de um sujeito de direito internacional. O acordo também estabeleceu disposições sobre as relações entre a Igreja Católica e o Estado italiano, reafirmando a posição privilegiada do catolicismo no país.
Encontramos, assim, duas atitudes editoriais dentro da mesma denominação internacional. Na Itália, uma publicação adventista havia oferecido tratamento elogioso a Mussolini. Nos Estados Unidos, a Review and Herald reconhecia que o mesmo ditador participara diretamente de um acontecimento considerado profeticamente significativo para a restauração da soberania papal. A comparação entre essas publicações revela uma tensão que merece investigação: como a igreja podia apresentar favoravelmente o governante que, pouco depois, desempenharia o papel político central em um acontecimento interpretado por seus próprios teólogos como cumprimento de Apocalipse 13?
A questão não consiste em exigir que os editores italianos previssem a assinatura dos Pactos de Latrão. Consiste em examinar como uma denominação que proclamava a necessidade de vigilância diante da aproximação entre poder político e poder religioso avaliava um governante que já havia destruído as liberdades democráticas e que acabaria estabelecendo um acordo histórico com a Santa Sé.
O paradoxo torna-se ainda mais profundo quando recordamos a perseguição posterior ao pastor adventista Gian Luigi Lippolis. O regime que participou da restauração da soberania pontifícia também restringiu a atividade de protestantes que identificavam o papado com o Anticristo. Assim, a mesma ditadura aparecia em três dimensões da história adventista: recebia manifestações favoráveis de sua imprensa, participava de um acontecimento interpretado como cumprimento profético e reprimia manifestações religiosas contrárias à autoridade papal.
É possível que o significado dessa sequência tenha sido obscurecido pela maneira fragmentada como a história denominacional costuma ser apresentada. A capa italiana de 1928, o editorial norte-americano de fevereiro de 1929 e a perseguição a Lippolis em 1932 frequentemente aparecem como episódios separados. Reunidos numa mesma cronologia, revelam uma contradição institucional muito mais expressiva.

O ditador que recebeu palavras de apreço na imprensa adventista foi também o governante que assinou o acordo considerado pela própria imprensa profética adventista um marco da restauração do poder temporal papal. A história da relação entre Mussolini e o adventismo não está completa enquanto esses acontecimentos permanecerem separados.
Finalmente, depois das disposições legais italianas de 1929–1930 relativas aos cultos religiosos, Gian Luigi Lippolis dirigiu a Mussolini um telegrama de agradecimento em nome de pastores adventistas. A manifestação reconhecia medidas relacionadas à liberdade de culto e à discussão religiosa. Seu conteúdo era institucional e se referia a providências específicas do governo, mas acrescentava outro documento à sequência de comunicações respeitosas e favoráveis dirigidas ao ditador.
O aspecto mais importante dessa documentação é sua continuidade. Não encontramos apenas uma fotografia ou uma declaração ocasional. Encontramos diferentes manifestações, distribuídas ao longo de vários anos, envolvendo a imprensa denominacional, um congresso adventista, representantes estrangeiros e dirigentes religiosos. Algumas expressavam admiração editorial; outras, reconhecimento diplomático ou agradecimento administrativo. Todas merecem ser examinadas no contexto de uma ditadura que já havia destruído as liberdades políticas italianas.
Enquanto a Igreja Adventista anunciava os perigos da união entre poder político e autoridade religiosa, suas próprias publicações e lideranças encontravam palavras de reconhecimento para o homem que comandava o Estado fascista. Essa contradição precisa ocupar lugar central na reconstrução histórica das relações entre o adventismo e Mussolini.

A Líbia: deportações, campos de concentração e destruição de comunidades
A brutalidade fascista não ficou limitada ao território europeu. Na Líbia, então submetida ao domínio colonial italiano, o regime de Mussolini intensificou campanhas militares destinadas a esmagar a resistência das populações locais. A repressão atingiu especialmente a Cirenaica, onde comunidades resistiam ao domínio estrangeiro. Sob autoridades coloniais como Pietro Badoglio e Rodolfo Graziani, a guerra foi acompanhada por punições coletivas, destruição de meios de subsistência, deslocamentos forçados e encarceramento em massa. A política colonial pretendia separar a população civil dos combatentes da resistência e quebrar as condições materiais que permitiam a continuidade da luta.
Entre 1930 e 1933, dezenas de milhares de habitantes da Cirenaica foram submetidos a deportações e confinamento em campos coloniais, em condições marcadas por fome, doenças, mortalidade elevada e graves privações. Famílias perderam suas casas, rebanhos e terras. Comunidades nômades e seminômades foram arrancadas de seus territórios tradicionais e submetidas a um sistema de vigilância e controle militar. Os campos de concentração italianos na Líbia constituem um dos capítulos mais sombrios da história colonial fascista, frequentemente obscurecido pela atenção concentrada nos crimes posteriores da Alemanha nazista.
O líder da resistência líbia, Omar al-Mukhtar, foi capturado e executado por enforcamento em setembro de 1931, depois de um julgamento militar. Sua morte simbolizou a determinação colonial de destruir a oposição ao domínio italiano. O regime que apresentava sua expansão territorial como missão civilizadora utilizava, na prática, deportações, campos de confinamento, execuções e a destruição das condições de sobrevivência de populações submetidas. Essas políticas foram desenvolvidas sob a autoridade do Estado fascista comandado por Mussolini.
Há uma ironia particularmente amarga nessa história. A imprensa religiosa europeia podia discutir a paz mundial, os perigos da guerra e o futuro das nações enquanto povos colonizados sofriam diretamente as consequências da política imperial italiana. A violência que atingia africanos nem sempre recebia o mesmo destaque moral concedido aos conflitos entre potências europeias. Investigar a imprensa adventista daquele período significa também perguntar quanto espaço foi reservado às vítimas africanas do fascismo e como a denominação interpretou as campanhas coloniais de um governante cujas palavras haviam recebido elogios em suas páginas.

A Etiópia conquistada por Mussolini e a reorganização da obra adventista
A investigação torna-se ainda mais significativa quando chegamos a 1935 e 1936. Mussolini lançou sua campanha militar contra a Etiópia, um país africano independente que resistia às ambições coloniais italianas. A invasão foi acompanhada por bombardeios, emprego de armas químicas e violência contra populações civis. Em maio de 1936, o regime fascista proclamou a conquista da Etiópia e a formação de seu império na África Oriental.
O que essa guerra colonial tem a ver com a Igreja Adventista? Mais do que se poderia imaginar.
A história institucional publicada pelo Instituto Universitário Adventista de Florença registra que a conquista italiana da Etiópia, onde a denominação já possuía estruturas e atividades, levou a Associação Geral a transformar a Itália em uma base operacional para o desenvolvimento da obra adventista na África Oriental. O mesmo histórico relaciona essa reorganização ao projeto de formação teológica que culminaria na abertura de uma escola adventista em Florença, em 1940.
Essa informação altera o alcance da investigação. A conquista fascista não foi apenas um acontecimento político observado de longe pelos adventistas. Ela modificou o contexto territorial e administrativo no qual a organização religiosa mundial desenvolvia suas atividades missionárias. A Associação Geral precisou responder à nova situação e reorganizou sua atuação utilizando a Itália como base.
Isso não significa que a Associação Geral tenha aprovado a invasão da Etiópia ou participado das operações militares fascistas. O documento institucional não estabelece essas conclusões. O que ele registra é suficientemente relevante: a expansão colonial de Mussolini produziu consequências diretas para o planejamento missionário adventista internacional.
Há uma diferença histórica fundamental entre beneficiar-se deliberadamente de uma conquista militar e adaptar operações religiosas às condições impostas por ela. Determinar qual dessas situações predominou exige examinar correspondências administrativas, decisões da Associação Geral, relatórios missionários, movimentação de recursos e a situação das instituições adventistas na Etiópia ocupada.
Mas a pergunta já está colocada. Enquanto Mussolini transformava a Etiópia em território submetido ao império fascista, como a liderança mundial adventista avaliava a violência colonial, a soberania etíope e os interesses de sua própria missão? Que linguagem utilizava nos relatórios internos? Havia manifestações de solidariedade à população conquistada? Quais preocupações ocupavam o primeiro plano: a guerra, as vítimas, a liberdade religiosa ou a continuidade administrativa da obra?
A resposta não deve ser procurada apenas nos arquivos italianos. A referência explícita à Associação Geral torna indispensável investigar também os registros da administração mundial adventista.

A Etiópia sob o terror: armas químicas e massacres de cristãos
Em outubro de 1935, Mussolini iniciou a invasão da Etiópia, então governada pelo imperador Haile Selassie. A campanha pretendia realizar o projeto imperial fascista de ampliar o domínio italiano na África. O conflito foi apresentado pela propaganda do regime como demonstração de força nacional e restauração da grandeza de Roma. Na realidade, tratou-se de uma guerra de agressão contra um Estado soberano, acompanhada por violência em larga escala contra combatentes e civis.
As forças italianas utilizaram superioridade aérea, artilharia e armamentos modernos contra os defensores etíopes. Também empregaram armas químicas, incluindo gás mostarda, apesar das proibições internacionais aplicáveis. Ataques químicos atingiram tropas e contaminaram áreas utilizadas pela população, agravando o sofrimento humano. O emprego desses agentes não foi um acidente isolado do campo de batalha, mas parte de uma política militar autorizada pelo alto comando fascista. A guerra colonial revelou até onde o regime estava disposto a ir para alcançar seus objetivos territoriais.
Em maio de 1936, as tropas italianas entraram em Adis Abeba, e Mussolini proclamou o nascimento do império fascista. A conquista não significou o fim da violência. A ocupação enfrentou resistência etíope e respondeu com novas operações repressivas. Em fevereiro de 1937, depois de uma tentativa de assassinato contra Rodolfo Graziani, então vice-rei italiano, forças fascistas e colaboradores desencadearam massacres em Adis Abeba. Civis foram assassinados, residências foram incendiadas e a repressão atingiu pessoas sem participação demonstrada no atentado.
No mesmo ano, forças coloniais italianas cometeram o massacre de Debre Libanos, um dos episódios mais brutais da ocupação. Aproximadamente dois mil monges e peregrinos cristãos foram mortos, segundo estimativas apresentadas em pesquisas históricas, embora a quantificação exata permaneça discutida. A violência atingiu religiosos que viviam em um importante centro espiritual etíope e expôs a disposição do regime de tratar comunidades inteiras como inimigas.
O contraste com a história adventista é perturbador. A denominação possuía atividades missionárias na Etiópia, e a história oficial do Instituto Universitário Adventista de Florença registra que a conquista italiana levou a Associação Geral a reorganizar suas operações na África Oriental utilizando a Itália como base. Assim, enquanto o império fascista submetia a Etiópia pela força, a organização mundial adventista precisava decidir como conduzir suas atividades religiosas naquele novo contexto colonial. Não basta conhecer a reorganização administrativa. Precisamos perguntar como foram tratados os etíopes, que preocupações apareceram nas correspondências missionárias e qual foi a posição dos dirigentes diante da violência praticada pelo governo ocupante.
Uma igreja que anunciava uma mensagem universal a todas as nações encontrava-se diante de uma nação africana submetida à conquista militar. Esse fato merece mais do que uma nota administrativa sobre a transferência de operações. Merece uma investigação sobre a consciência moral e política da instituição diante das vítimas do colonialismo fascista.
O mesmo fascismo que recebeu elogios também perseguiu adventistas
A história reserva uma contradição ainda mais reveladora. Gian Luigi Lippolis, ligado à revista que deu destaque favorável a Mussolini, acabou enfrentando a repressão do próprio regime.
Em 1932, foi processado por causa de um artigo publicado em L’Araldo della Verità, intitulado Il Cristo e l’Anticristo. O texto identificava a instituição papal com o Anticristo, conforme uma interpretação protestante tradicional que ocupava lugar importante na pregação adventista. Lippolis recebeu uma condenação de um mês e dez dias de prisão.
O episódio chegou ao mais alto nível das relações entre o governo italiano e a Igreja Católica. A enciclopédia Treccani registra que Mussolini e o papa Pio XI discutiram o caso em 11 de fevereiro de 1932. O ditador comprometeu-se a conter a propaganda protestante. Registros policiais posteriores também identificaram Lippolis como pessoa hostil à política fascista e suspeita de atividades antifascistas.
É difícil imaginar demonstração mais eloquente das contradições daquela época. O mesmo Mussolini que recebera tratamento favorável na imprensa adventista participava agora de entendimentos políticos destinados a restringir a atuação religiosa de um dirigente adventista. O governante cujas palavras haviam sido apresentadas como verdadeiras mostrava, na prática, o que significava a liberdade de consciência sob uma ditadura.
A experiência de Lippolis também nos impede de atribuir uma única posição a todos os adventistas italianos. Houve manifestações de aproximação, tentativas de convivência institucional e experiências concretas de perseguição. Pessoas que inicialmente buscaram relações respeitosas com o governo acabaram atingidas por sua repressão.
Entretanto, essa complexidade não elimina a responsabilidade histórica das publicações e das decisões administrativas. Pelo contrário: torna necessário perguntar como a igreja avaliou suas próprias atitudes, se reconheceu os erros cometidos e de que maneira transmitiu essa memória às gerações seguintes.
A perseguição posterior não apaga os elogios anteriores. Da mesma forma, os elogios anteriores não apagam o sofrimento daqueles que resistiram ou foram punidos pelo regime. Os dois aspectos pertencem à mesma história denominacional.

1938: Mussolini transforma o racismo e o antissemitismo em legislação de Estado
Outro capítulo decisivo ocorreu em 1938, quando o regime fascista italiano adotou uma série de medidas raciais e antissemitas que passaram a excluir os judeus de setores fundamentais da vida nacional. A aproximação entre Mussolini e Hitler foi acompanhada pelo fortalecimento de uma política racial que definia pessoas segundo critérios de ascendência e estabelecia restrições legais aos direitos de uma minoria que vivia na Itália havia muitos séculos.
As leis raciais atingiram crianças, professores, funcionários públicos, militares, profissionais liberais e famílias inteiras. Estudantes judeus foram expulsos das escolas públicas; professores perderam seus empregos; casamentos entre judeus e não judeus foram proibidos; restrições passaram a afetar profissões, propriedades e atividades econômicas. O Estado transformou a origem familiar em fundamento de discriminação legal. Pessoas que até então participavam da sociedade italiana como cidadãos passaram a ser tratadas como indesejáveis dentro de seu próprio país.
O caráter cruel dessa política aparece de maneira particularmente clara quando observamos as crianças. Meninos e meninas foram afastados de suas salas de aula não por qualquer conduta individual, mas porque o governo decidiu classificá-los racialmente. Professores foram afastados das escolas pela mesma razão. Famílias foram submetidas à humilhação pública e à insegurança econômica. A perseguição não dependia de demonstração de culpa: bastava pertencer ao grupo que a legislação fascista havia escolhido discriminar.
Em 1943, depois da queda inicial de Mussolini e da ocupação alemã de parte da Itália, o ditador foi instalado pelos nazistas à frente da República Social Italiana, com sede em Salò. Nessa fase, autoridades fascistas colaboraram com a perseguição aos judeus, incluindo prisões e medidas que facilitaram deportações realizadas pelas forças alemãs. Milhares de judeus foram enviados de territórios italianos ou anteriormente controlados pela Itália para campos nazistas, sobretudo Auschwitz-Birkenau, e muitos foram assassinados. A responsabilidade pelas deportações deve ser compreendida no contexto da ocupação alemã e da colaboração do regime fascista de Salò, mas a legislação discriminatória de 1938 já havia sido obra do próprio governo de Mussolini.
O United States Holocaust Memorial Museum documenta tanto a adoção das leis antissemitas italianas quanto a participação de autoridades fascistas na perseguição durante a ocupação alemã. O Museu da Shoah de Roma também apresenta a sequência dos decretos que expulsaram judeus da escola, do trabalho e de diferentes espaços da vida pública. A documentação mostra que o racismo de Estado não foi um simples excesso verbal do fascismo: tornou-se política administrativa, legislação, exclusão social, perda de direitos e, posteriormente, parte do contexto de perseguição que conduziu milhares de pessoas à morte.

A aliança com Hitler e a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial
Mussolini aproximou progressivamente a Itália fascista da Alemanha nazista. A intervenção italiana na Guerra Civil Espanhola, iniciada em 1936, colocou forças do regime ao lado dos nacionalistas de Francisco Franco. Em 1939, a Itália invadiu e ocupou a Albânia. No mesmo ano, Roma e Berlim formalizaram o Pacto de Aço, aprofundando sua aliança política e militar. Em 10 de junho de 1940, Mussolini anunciou a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial ao lado da Alemanha, atacando uma França já enfraquecida pela ofensiva alemã.
A guerra ampliou enormemente o sofrimento provocado pelas decisões do regime. Soldados italianos foram enviados a campanhas militares desastrosas, enquanto populações civis enfrentaram bombardeios, destruição, escassez e deslocamentos. Em outubro de 1940, a Itália atacou a Grécia a partir da Albânia. A campanha fracassou em seus objetivos iniciais e contribuiu para ampliar o conflito nos Bálcãs. As forças italianas também participaram de operações militares e de ocupação em diferentes territórios europeus e africanos, nas quais ocorreram represálias, prisões, internamentos e violência contra populações civis.
As ambições imperiais de Mussolini arrastaram a Itália para uma guerra que seu governo não tinha condições de sustentar nos termos anunciados pela propaganda fascista. O discurso de grandeza nacional terminou em derrotas militares, ocupação estrangeira, guerra civil e devastação. Em julho de 1943, Mussolini foi afastado do poder e preso. Resgatado por forças alemãs, tornou-se chefe de um governo dependente de Hitler no norte da Itália. Em abril de 1945, quando o regime fascista se desintegrava, Mussolini foi capturado por partisans italianos e executado.
Hitler na Alemanha, Mussolini na Itália: o problema era maior que uma igreja nacional
Os documentos italianos adquirem uma importância especial quando colocados ao lado das pesquisas sobre o adventismo na Alemanha nazista. Não estamos diante de situações idênticas. Mussolini e Hitler chegaram ao poder em momentos diferentes, seus regimes possuíam características próprias e as relações institucionais das comunidades adventistas com cada governo seguiram trajetórias distintas.
Ainda assim, existe uma questão comum que merece investigação: a disposição de setores da organização adventista para procurar estabilidade, reconhecimento e espaço de atuação em ambientes políticos autoritários, mesmo quando isso produzia manifestações públicas favoráveis a governantes que contrariavam princípios religiosos proclamados pela própria denominação.
Na Itália, temos uma revista adventista apresentando Mussolini como grande estadista, declarações reconhecendo verdade em suas palavras, telegramas enviados ao ditador e a reorganização de operações missionárias internacionais após a conquista fascista da Etiópia. Na Alemanha, outras pesquisas documentam elogios a Hitler em publicações adventistas, adaptações administrativas às exigências do nacional-socialismo e posteriores reconhecimentos denominacionais de erros cometidos naquele período.
O elemento que une essas histórias não é a nacionalidade dos membros. É a estrutura transnacional de uma igreja que possuía administração mundial, publicações oficiais, missões internacionais e dirigentes responsáveis por preservar sua identidade religiosa diante dos poderes políticos.
Por isso, não basta estudar isoladamente o adventismo italiano e o adventismo alemão, como se fossem organizações inteiramente desconectadas. É necessário examinar as relações com a Associação Geral, os fluxos de correspondência, as decisões missionárias, os responsáveis pela imprensa denominacional e os critérios utilizados pela liderança mundial para avaliar governos autoritários.
A pergunta que atravessa esses episódios é desconfortável: quando a preservação da instituição entrou em tensão com os princípios que ela ensinava, quais interesses receberam prioridade?

A profecia que identificava os perigos do passado, mas hesitava diante dos ditadores do presente
O adventismo construiu parte importante de sua identidade sobre a interpretação das profecias bíblicas. Seus pregadores ensinaram sucessivas gerações a reconhecer a perseguição religiosa, a denunciar a união entre poderes políticos e eclesiásticos e a desconfiar de governos que pretendiam controlar a consciência humana.
Esse patrimônio doutrinário torna os episódios italianos especialmente graves do ponto de vista teológico. Não porque uma igreja devesse possuir conhecimento sobrenatural dos acontecimentos futuros, mas porque os princípios que ela proclamava já ofereciam instrumentos suficientes para reconhecer os perigos de uma ditadura.
Em 1927, o fascismo não precisava ser descoberto mediante cálculos proféticos. Suas medidas autoritárias eram acontecimentos públicos. Em 1928, a concentração de poder em Mussolini não era um segredo diplomático. Em 1932, a repressão contra a atividade protestante demonstrava concretamente as consequências da submissão da liberdade religiosa aos interesses do Estado. Em 1936, a conquista da Etiópia revelava a violência do expansionismo fascista.
A contradição estava diante dos olhos: uma denominação dedicada a denunciar poderes perseguidores podia, em determinadas circunstâncias, oferecer palavras elogiosas ao chefe de um poder autoritário e negociar institucionalmente com seu governo.
Isso nos obriga a reconsiderar uma suposição frequentemente presente na memória religiosa: a de que possuir uma doutrina correta sobre perseguições futuras garante lucidez diante das perseguições contemporâneas. A história demonstra que não existe essa garantia. Uma instituição pode conhecer profundamente sua interpretação das profecias e, ainda assim, subordinar seu julgamento político às conveniências administrativas do momento.
A verdadeira prova de uma identidade profética não ocorre apenas quando se explica o significado de uma besta simbólica ou de um império desaparecido. Ela ocorre quando a defesa da consciência, da dignidade humana e da liberdade exige enfrentar poderes reais, presentes e capazes de impor consequências à própria organização religiosa.
O balanço histórico: o que a Igreja Adventista estava elogiando?
Voltemos, finalmente, à capa de L’Araldo della Verità. A fotografia de Mussolini publicada em 1928 não mostrava um simples político envolvido em controvérsias parlamentares. Mostrava o chefe de um regime que já havia eliminado a concorrência política, perseguido opositores, reprimido a imprensa e transformado a violência em instrumento de governo. Os crimes coloniais de maior escala na Líbia, a invasão da Etiópia, as leis antissemitas e a aliança militar com Hitler ainda viriam nos anos seguintes. Essa distinção cronológica é importante porque revela duas dimensões da mesma história: aquilo que já era conhecido quando os elogios foram publicados e aquilo que a ditadura posteriormente demonstraria ser capaz de fazer.
Quando a revista adventista de 1927 apresentou Mussolini como o maior estadista e afirmou que o Duce pronunciava palavras de verdade, a ditadura já era uma realidade consolidada. Não podemos atribuir aos editores conhecimento antecipado de todos os crimes posteriores. Mas podemos exigir que a história registre o que estava diante deles: o assassinato de adversários políticos, a destruição das instituições democráticas, a censura e a perseguição organizada pelo Estado.
Essa é a dimensão que torna a publicação adventista tão significativa. Não estamos apenas diante de uma igreja que precisou sobreviver sob uma ditadura. Estamos diante de uma publicação denominacional que, em determinado momento, encontrou palavras elogiosas para descrever o chefe dessa ditadura. E, quando ampliamos a perspectiva para os anos seguintes, descobrimos que o mesmo governante se tornaria responsável por campanhas coloniais brutais, discriminação racial institucionalizada e guerras de agressão.
Que valor possuía, afinal, uma interpretação profética que identificava com segurança os poderes perseguidores dos séculos passados, mas permitia que a imprensa da igreja apresentasse um ditador contemporâneo como grande estadista? Que discernimento havia numa religião que denunciava a intolerância em suas doutrinas, mas não demonstrou igual firmeza ao avaliar publicamente um governo que já esmagava a liberdade política?
Essas perguntas não pertencem apenas ao passado italiano. Elas alcançam a responsabilidade histórica do adventismo como organização internacional e obrigam a examinar a distância entre sua linguagem profética e suas decisões institucionais. A história de Mussolini mostra o que pode acontecer quando a admiração pela autoridade política, a conveniência administrativa e a preocupação com a continuidade da obra religiosa passam a disputar espaço com os princípios de liberdade, justiça e dignidade humana que a própria igreja afirma defender.

Os documentos permanecem: a história não termina com a queda dos ditadores
Mussolini caiu em 1943 e foi morto em 1945. Hitler morreu naquele mesmo ano, quando a Alemanha nazista estava sendo derrotada. Os regimes desapareceram, mas os documentos produzidos pelas instituições religiosas durante sua existência permaneceram.
A edição de 1927 de L’Araldo della Verità, a capa de 1928, os telegramas enviados ao governo fascista, os registros da perseguição a Lippolis e a história institucional da reorganização missionária após a conquista da Etiópia constituem pontos de partida para uma investigação que precisa ultrapassar explicações genéricas sobre as dificuldades enfrentadas pela igreja naquele período.
Precisamos conhecer os nomes dos dirigentes envolvidos, identificar suas responsabilidades administrativas, recuperar as publicações completas e examinar as correspondências entre a liderança italiana e a Associação Geral. Precisamos saber como as decisões foram justificadas internamente e se houve avaliações posteriores sobre o comportamento da denominação diante do fascismo.
O que já está documentado basta para estabelecer uma conclusão histórica importante: a relação entre adventismo e fascismo italiano não pode ser contada apenas como uma história de perseguição religiosa. Ela também contém manifestações editoriais favoráveis a Mussolini, comunicações institucionais com seu governo e decisões administrativas internacionais tomadas em consequência da expansão territorial fascista.
Eis o ponto que não deve desaparecer das próximas pesquisas: não estamos investigando somente aquilo que os ditadores fizeram contra os adventistas. Estamos investigando também aquilo que dirigentes, publicações e instituições adventistas disseram e fizeram enquanto esses ditadores governavam.
A pergunta final não é se Mussolini compreendia as profecias bíblicas. É se os dirigentes de uma igreja que afirmava compreendê-las foram capazes de aplicar seus próprios princípios quando o poder autoritário deixou de ser uma figura do Apocalipse e passou a governar a Itália.
Em 1927, L’Araldo della Verità deu a palavra ao “maior estadista” e declarou que o Duce do fascismo tinha palavras de verdade. A história posterior demonstrou o preço da ditadura para a Itália, para a Etiópia e também para comunidades religiosas que acabaram submetidas à repressão.
A profecia que não produz discernimento diante do poder corre o risco de se transformar em discurso religioso a serviço da própria instituição. E uma igreja que reconhece os perseguidores somente depois que eles caem ainda precisa explicar o que fez enquanto estavam de pé.
Fontes documentais e bibliográficas
1. L’Araldo della Verità, volume VII, nº 5, 1927, p. 15. Artigo “La parola al più grande statista: Mussolini”. Referenciado e parcialmente reproduzido na pesquisa acadêmica indicada abaixo.
2. Stefano Calà, pesquisa acadêmica apresentada ao Instituto Adventista de Cultura Bíblica, Florença. Estudo com referências às publicações adventistas italianas durante o fascismo. Consultar PDF da pesquisa.
3. Encyclopedia of Seventh-day Adventists, verbete biográfico de Gian Luigi Lippolis. Registra a capa de 1928 com Mussolini, os telegramas dirigidos às autoridades e a perseguição enfrentada pelo pastor. Consultar enciclopédia adventista.
4. Instituto Universitário Adventista de Florença, histórico institucional. Relaciona a conquista italiana da Etiópia à reorganização da atuação missionária adventista pela Associação Geral. Consultar histórico institucional.
5. Enciclopedia Treccani, “Minoranze cristiane nell’Italia unita”, em Cristiani d’Italia. Documenta as restrições impostas às minorias protestantes, o processo de Lippolis e a discussão do caso entre Mussolini e Pio XI. Consultar estudo histórico.
6. Enciclopedia Treccani, verbete “Benito Mussolini”. Consultar.
7. Matteotti Virtual Museum, “Murder, investigations, trials”. Documentação histórica sobre o assassinato de Giacomo Matteotti. Consultar.
8. “The ‘Other’ at Home: Deportation and Transportation of Libyans to Italy During the Colonial Era (1911–1943)”, International Review of Social History, Cambridge University Press. Consultar.
9. Richard Pankhurst, “Italian Fascist War Crimes in Ethiopia: A History of Their Discussion, from the League of Nations to the United Nations (1936–1949)”, Northeast African Studies, volume 6, números 1–2, 1999, páginas 83–140. Consultar referência.
10. Paolo Borruso, “Debre Libanos 1937. The Most Serious War Crime Suffered by Ethiopia”. Consultar.
11. United States Holocaust Memorial Museum, “Italy”. Consultar.
12. Museo della Shoah, Roma, “1938 Anti-Jewish Legislation in Fascist Italy”. Consultar.
13. Nações Unidas, documento E/CN.4/W.19, relativo às denúncias históricas de crimes de guerra e emprego de armas químicas na Etiópia. Consultar documento.
14. Stefano Calà, pesquisa acadêmica sobre o fascismo nas publicações adventistas italianas, Instituto Adventista de Cultura Bíblica, Florença. Documenta as manifestações favoráveis a Mussolini em L’Araldo della Verità (1927–1928), incluindo elogios editoriais e a reprodução de declarações do cardeal Vannutelli. Consultar pesquisa original (PDF).
15. Encyclopedia of Seventh-day Adventists, “Lippolis, Gian Luigi (Giovanni Luigi) (1880–1969)”. Registra os telegramas enviados a Mussolini, a participação de dirigentes estrangeiros e a publicação de sua fotografia na revista adventista. Consultar verbete.
16. “Eco dalla nostra assemblea”, Il Messaggero Avventista, maio–junho de 1929, p. 12. Fonte primária referente às manifestações institucionais adventistas dirigidas a Mussolini, citada na Encyclopedia of Seventh-day Adventists.





