COVID19: Pandemia do Coronavírus ressuscita o fantasma das armas biológicas

Imagem: Science4Life

Por Frederico Rochaferreira, especialista em Reabilitação pelo Hospital Albert Einstein, membro da Oxford Philosophical Society

O coronavírus surgiu na China, no bojo de uma guerra comercial entre a China e os EUA trazendo com ele em primeiro plano, efeitos devastadores para e economia do país asiático, cujas exportações já despencaram mais de 17% nos primeiros dois meses de 2020.

No âmbito das especulações sobre a origem do vírus, um artigo não publicado de autoria de cientistas indianos apontava que o novo coronavírus tinha uma sequência de proteínas que incluía elementos do HIV, o vírus causador da AIDS, o que fez o Zero Hedge,  um site especializado em análises de mercados financeiros e bancos de investimentos a alegar que o novo coronavírus era uma arma biológica produzida por cientistas chineses, enquanto o senador republicano Tom Cotton, dizia que não se pode descartar a hipótese de que o coronavírus tenha se originado em um laboratório em Wuhan.

Por outro lado,  a mídia social chinesa está repleta de conjecturas de que o vírus foi projetado pelos Estados Unidos como um agente de guerra biológica contra a China. Há suspeitas, de que soldados americanos que participam dos Jogos Mundiais Militares em outubro de 2019 em Wuhan, eliminaram deliberadamente o vírus no Hunan Seafood Market. Coincidentemente, menos de dois meses depois, Wuhan entraria no mapa da história como palco central do coronavírus.

O desenvolvimento e o uso de armas biológicas é uma estratégia antiga e uma realidade nos últimos anos. Durante a epidemia de SARS de 2002–3, o cientista russo Nikolai Filatov, chefe dos serviços epidemiológicos de Moscou, afirmou que o vírus era uma mistura de sarampo e caxumba, uma arma biológica produzida em laboratório. Muitos chineses adotaram essa noção e especularam que a SARS era na realidade uma arma genética desenvolvida pelos Estados Unidos para atacá-los.

Quando H5N1(“Gripe aviária”) tornou-se uma grande preocupação em todo o mundo em 2008, o então ministro da Saúde da Indonésia, Siti Supari, acusou diretamente os Estados Unidos de usar amostras de vírus para desenvolver armas biológicas  e suspendeu a operação de uma unidade de pesquisa médica da Marinha dos EUA, em Jacarta. 

Enquanto o surto ainda estava restrito à China, o Secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, não disfarçou seu otimismo com a tragédia que ganhava corpo, afirmando que o novo coronavírus “ajudará a acelerar o retorno de empregos nos Estados Unidos”, alimentando o clima de especulação que aponta Washington de estar por trás do aparecimento do coronavírus na China. Contra-atacando as “teorias da conspiração”, o presidente Donald Trump não mediu palavras e acusou a China da paternidade do coronavírus, chamando-o de “vírus da China”.

Pelo lado acadêmico, um grupo de cientistas de nove países emitiu uma declaração em que condenam as especulações de que o novo coronavírus tenha sido modificado pelo homem e portanto, que seja uma arma biológica.

Mas vale lembrar, que quando o assunto é arma biológica o histórico dos EUA fala por si. Durante a Guerra da Coréia, no contexto macro da Guerra Fria, a União Soviética, a China e a Coréia do Norte acusaram os EUA de usar agentes de guerra biológica contra a Coréia do Norte [1]. Nos anos posteriores, os EUA admitiram que tinham a capacidade de produzir essas armas, embora negassem tê-las usado. No entanto, a credibilidade dos EUA foi prejudicada por sua falha em ratificar o Protocolo de Genebra de 1925, pelo reconhecimento público de seu próprio programa ofensivo de guerra biológica e por suspeitas de colaboração com ex-cientistas da Unidade 731, uma unidade secreta de pesquisa e desenvolvimento de guerra biológica e química do Exército Japonês que realizou experimentação humana letal durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa.

O  Dr. Friedrich Frischknecht, professor de parasitologia integrativa da Universidade de Heidelberg, Alemanha, descreve a ação do exército japonês na Segunda Guerra, quando contaminou mais de 1.000 poços de água de aldeias chinesas, atentado que matou mais de 30.000 pessoas de cólera e tifo.

“Durante o século passado, mais de 500 milhões de pessoas morreram de doenças infecciosas. Várias dezenas de milhares dessas mortes foram devidas à liberação intencional de patógenos ou toxinas. Dois tratados internacionais proibiram as armas biológicas (1925 e 1972), mas falharam em impedir que os países realizassem pesquisas de armas biológicas e produção em larga escala e, à medida que nosso conhecimento da biologia dos agentes causadores de doenças por vírus, bactérias e toxinas aumenta, é legítimo temer que patógenos modificados possam constituir agentes devastadores da guerra biológica.”

No pós-guerra, uma das nações que mais sofreram com ataques de arma biológica foi Cuba. Logo no início da Revolução a Agência Central de Inteligência (CIA), elaborou um plano para contaminar com bacilos de tuberculose um traje de mergulho que seria presenteado a Fidel Castro. O plano falhou porque o advogado James Donovan, encarregado de negociar a troca de um piloto americano por um espião russo e a troca de 1.113 prisioneiros cubanos por US$53 milhões de dólares em comida e remédios e que faria a entrega do “presente contaminado” ao Comandante, ficou sabendo da história e se recusou a participar do crime.

Em 1962, os EUA implementou a Operação Mongoose, que incluiu entre outras ações o uso de agentes biológicos e químicos que destruíram as culturas cubanas e incapacitaram centenas de trabalhadores. Pouco tempo depois o vírus patogênico New Castle apareceu nos campos da maior parte das Antilhas sacrificando dezenas de milhares de espécimes

Na administração Richard Nixon, os EUA voltaram a atacar Cuba por meio de agentes bacteriológicos, fazendo surgir a primeira epidemia de peste suína africana no hemisfério ocidental, cujo controle e erradicação levaram à eliminação de mais de meio milhão de porcos.

Em 1971, com a disseminação de germes patogênicos nas plantações de tabaco, os americanos causaram um efeito devastador, forçando o desmantelamento de quase todos os campos plantados na Ilha, com enormes prejuízos agrícolas e industriais. 

Já em 1979, o governo de Jimmy Carter fez a peste suína reaparecer em Cuba. Investigações comprovaram que a reinfecção se originou nos arredores da cidade de Caimanera, próximo da Base Naval americana em Guantánamo e em 1981, no governo de Ronald Reagan, os EUA dando sequência à guerra biológica no âmbito da guerra fria, promoveram a disseminação do vírus da dengue na Ilha, provocando um surto de dengue hemorrágica que matou 158 pessoas, entre elas 101 crianças.

A guerra biológica com a disseminação de germes patogênicos na verdade é uma ação terrorista infame por ser traiçoeira e covarde por ter como alvo vidas inocentes. Para o Dr. Francis Boyle, professor de direito internacional da Universidade de Illinois e que redigiu a Lei Antiterrorista de Armas Biológicas dos EUA, de 1989, assinada pelo então presidente George Bush, o novo coronavírus nada mais é que uma dessas armas de guerra biológica, que de tempos em tempos é acionada no âmbito de uma guerra de fato ou de uma guerra fria e enfatiza:

“Sempre que eu vejo um surto súbito, inexplicável, de uma doença como essa em qualquer lugar do mundo, tanto para seres humanos quanto para animais, sempre suspeito que o agente de guerra biológica está em ação”.

Das muitas incertezas acerca da origem do modificado coronavírus, uma hipótese ganha força, de que seria uma arma de guerra biológica.

Frederico Rochaferreira é especialista em Reabilitação pelo Hospital Albert Einstein, membro da Oxford Philosophical Society

Fonte: Coronavírus ressuscita o fantasma das armas biológicas

 

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