Desafios presentes e futuros exigem reforma administrativa e estrutural da IASD

Adaptado de postagens no Facebook

Alex Miller — Degree Master of Science in Management pela WCU, Flórida, Administrador, especialista em gerenciamento de projetos e MBA em Gestão de Negócios. Atua nessa área há vários anos, tanto em empresas como em Governo e universidades. Possui mestrado em teologia (IntraCorpus) e tem 30 anos na igreja adventista, tendo exercido atividades pastorais (ancião), de comunicação, Jovens, etc.

A igreja adventista precisa de uma reforma administrativa, primeiro porque a estrutura utilizada hoje não suporta os desafios de hoje e do futuro. A igreja no sentido corporativo é muito burocrática, dispendiosa, sem um sistema de governança que seja capaz de buscar uma gestão corporativa de alto padrão, com as melhores práticas e que além disso o sistema de gestão seja mais democratizado, com mais presença dos membros mas decisões do topo, não sendo somente um processo top-down, de cima pra baixo, mas também botton-up, de baixo pra cima, ouvindo mais os membros, que aliás do ponto de vista corporativo, são os verdadeiros acionistas da igreja, que faz com a mesma tenha condições financeiras de cumprir sua missão, sendo mais do que necessário envolvê-los, ser transparente, justo e claro.

Metas e planos, contudo, sempre serão necessários. Primeiro, que toda organização que pretende ser relevante ela precisa mais do que nunca planejar, principalmente estrategicamente, tendo como palco o seu ambiente tanto externo como interno para conhecer em que é boa, em que é ruim e quais os desafios no ambiente externo, quem são as pessoas que irá servir, qual dor irá curar para seu público, qual proposta de valor pretende levar para aqueles que interagem com a organização.

Desse planejamento, também saem as metas que são a quantificação desses planos em termos de progressos, ou seja, permitem que a organização conheça o passo a passo que se pretende fazer para sair do estado atual, até o desejado. Diante disso a gente percebe que a organização está indo para um cenário futuro que ainda é desconhecido para ela, então podemos concluir que as metas são importantes pois elas puxam o conhecimento para dentro da organização para permiti-la a ter o necessário para alcançar o alvo que se deseja atingir, além de dar direção ao trabalho.

Essas metas corporativas que advém dos objetivos e estratégias que a organização pretende realizar, para atingir seu estado futuro (visão), deverão ser desdobradas em metas gerenciais e operacionais de forma que as mesmas estejam interligadas, onde a meta do trabalhador da linha de frente seja uma extensão da meta do gerente e este esteja interligado ao do presidente geral.

As metas são necessárias para puxar o conhecimento pra dentro da organização, uma vez que o futuro é incerto e a mesma terá que fazer coisas que jamais fez e ajuda a dar direção aos trabalhos, sabendo que ao cumprir a meta, toda a organização irá atingir sua visão de futuro e sua missão.

O problema é que esse processo não é feito de maneira correta em nossa igreja, pois a grande maioria das associações não possuem na presidencia ou diretorias pastores com formação executiva (gestão). Por que isso é importante? Porque ao falarmos de igreja organização, ela precisa de gestores que entendam e conheçam ferramentas que ajudarão a mesma a atingirem seus objetivos com eficiência, eficácia e efetividade, diferente de um conhecimento teológico, por mais que tenham estudado um pouco de administração no seminário.

Você deve estar se perguntando, mas e o trabalho de Deus, o trabalho pastoral?

Quando a igreja decidiu se tornar uma organização formal, várias responsabilidades vieram a reboque. Nenhuma organização é um fim em si mesma, ela existe para servir alguém, conforme apontei. No caso da igreja existem as áreas fins e as áreas meios e isso acontece em todos os níveis de uma simples igreja local até a presidência da associação geral.

A áreas fins são as atividades principais da igreja que está ligada a sua missão principal “fazer discípulos: batizando e ensinando”. As áreas meios são aquelas que dão suporte para as atividades fins. O papel do administrativo é permitir que as áreas fins tenham o necessário para atingir os objetivos da organização.

Portanto, podemos concluir que o problema não são as metas de batismo ou arrecadação de dízimos e ofertas, mas sim como a área meio disponibiliza os meios para atingir a meta maior, como dizia uma professora minha ” Quem quer os “fins”, tem que dar os “comos”. E esses “comos” envolvem metas claras e alcançáveis, recursos, bom ambiente de trabalho, bons processos, tecnologias, boa remuneração, competências, desenvolvimento pessoal, bons modelos de liderança, estrutura compatível com os objetivos a serem alcançáveis — a estrutura serve ao propósito! –, desenvolvimento de equipes, etc.

O que sinto na igreja é que há falhas nessas variáveis citadas, que geram esses desencontros e insatisfações no ambiente de trabalho não somente dos pastores, mas também nos próprios membros nas igrejas, com aquelas agendas intermináveis, que não tem nenhuma serventia e acabam atrapalhando o foco das pessoas no que é crucial e importante.

O que percebo ao longo desses anos auxiliando pastores, é que a grande maioria deles estão sobrecarregados de inutilidades, como diz o pai da da administração moderna, Peter Drucker: “Muito do que chamamos gerenciamento é dificultar o trabalho das pessoas”, e o principal eles não conseguem fazer, que é “PASTOREAR”, criar relacionamento, vínculos com as pessoas, dar aconselhamento pastoral, instruir, liderar sua principal equipe pastoral (Anciãos), para o auxiliar na missão de PASTOREAR pessoas.

Infelizmente vivem com a agenda cheia, reunião pra cá, reunião pra lá, materiais, concílios e a atividade fim, fica realmente pra segundo plano. Então, as metas são importantes, mas sem “MEIOS” organizacionais adequados infelizmente só sobrarão frustrações e conflitos internos.
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Se me perguntassem quais seriam as metas mais importantes para a igreja eu poderia lhe apontar 5:

1) Aumento de batismos ano/ano

2) Aumento de participação da igreja/população ano/ano

3) Aumento da retenção de membros ano/ano

4) Aumento da capacidade de recursos para realizar atividades ano/ano (Arrecadação e diminuição de custos e despesas, proporcionando melhor percentual para investir ano/ano).

5) Aumento de Ajuda humanitária ano/ano.

Afinal e contas,

1) Os batismos são a razão de existir da igreja, Mateus 28;

2) Quantidade de pessoas que são membros da igreja em relação a população da região, mostrando o avanço das crenças

3) A retenção mostra a capacidade da igreja em discipular pessoas e torná-las verdadeiros discípulos com espírito missionário, diminuindo a evasão por apostasia, que hoje é permeada por cada 100 pessoas que se batiza 49 se apostatam.

4) Capacidade da igreja em dispor de recursos para realizar sua missão, suas atividades e projetos

5) Revela a função social da igreja em dar o pão ao que tem fome, roupa a quem está nu e esperança a quem perdeu.

É muito normal até mesmo entre administradores a falta de compreensão desses conceitos de administração/gestão, como a gestão para resultados, tão importante na teoria administrativa moderna, que trouxe a luz a perspectiva de que uma organização não é um fim em si mesma, mas existe para servir a alguém, a um propósito. E aqui gostaria de deixar dois tipos de organização a formal, em nível corporativo e o informal, os grupos e relacionamentos internos entre pessoas.

Vamos lá, do ponto de vista de Mateus 28 no original grego o ponto central, poderíamos nos aproximar que, é realmente o ensino do evangelho, que fosse capaz de transformar e converter o coração, esta transformação está em linha com romanos 12, a metanoia, a conversão.

O discipulado é o processo que Jesus chamou de fazer discípulos e este por sua vez tem etapas difíceis de prever, pois cada indivíduo terá uma resposta.

Só que ao entrar a fundo nos evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos de Ellen White, é possível descrever o processo que Jesus aplicou no caso dos discípulos durante 3,5 anos:

1) Primeiro Ele ganhou os discípulos para si, os escolheu e eles por sua vez se permitiram ser escolhidos. Esses homens tinham suas vidas, sua rotinas e seus costumes, muitos deles longe de ser um judeu praticante;

2) No segundo momento o mestre se propôs a educá-los;

3) Depois capacita-los por associação e por último;

4) receberiam o dom do espírito para enviá-los para fazer outros discípulos.

Ao analisar a história podemos ver que cada um se converteu de verdade em diferentes fases desse processo, no entanto, podemos tirar mais uma lição, de que a despeito desses homens terem aceitado o chamado de Jesus para segui-Lo, a conversão é um processo pessoal e atemporal.

Aprendemos que o batismo não significa uma formatura, ou até mesmo um momento de se esperar um indivíduo como perfeito varão, mas simplesmente como alguém que entendeu que algo está errado em sua vida e que existe alguém que pode perdoa-lo e salva-lo, e aceita esse chamado, onde o batismo se torna uma demonstração pública do início de uma jornada de crescimento e mudança de vida. O batismo é um ritual de iniciação de uma jornada e não seu fim. Partindo desse preceito já podemos criar do ponto de vista organizacional um indicador:

Número de pessoas que iniciaram a jornada de mudança.

No segundo momento, a comunidade deveria já ter previsto a segunda fase do processo que é a de consolidação, aprofundando conceitos, experiências e vivências, por meio de um mentor, mais experiente para levar esse indivíduo recém chegado no processo de mudança, onde ele vai aprender questões mais profundas da doutrina, do estilo de vida cristão, entre outros. É processo “Educare”.

No terceiro momento, esse indivíduo é mentoreado por um mentor que ira leva- ló ao despertar do ministério, levando ele a uma consciência de seus dons, habilidades e talentos, que deverão ser aperfeiçoados para a sua devida atuação. Esse momento é o tempo de preparo, pois no quarto momento o indivíduo será consagrado para ser enviado para fazer em outros o mesmo processo que ele foi levado a fazer, que o transformou num fazedor de discípulos, essa jornada nunca termina, sendo um processo cíclico de crescimento e maturação.

Agora, vamos pensar esse processo do ponto de vista pastoral. Por exemplo, quando iniciamos o curso teológico não sabíamos nada das nossas áreas de formação, aos poucos fomos moldados pelo conhecimento e a nossa instituição entendeu que, ao atendermos aos requisitos mínimos de cada fase, ao longo de 4 anos, poderíamos ser aprovados, que no entanto a própria instituição não tem a mínima noção se vamos exercer a profissão/ministério e tudo que foi ensinado, se aquilo irá mudar algum aspecto da vida.

Porém, houve fases e essas foram baseadas em parâmetros, que permitiram o processo de ensino e aprendizagem. Se esse processo vai repercutir em mudanças significativas pra vida do outro é uma questão pessoal.

O autor Stephen Covey tem uma frase que corrobora com essa afirmação quando diz: “Ninguém muda ninguém, os portões da mudança só podem ser abertos de dentro pra fora.”

Por tanto do ponto de vista dos resultados, o próprio processo de Discipulado poderia ser parametrizado, por exemplo.

Meta central: 30 batismos

1) Fase 1 ( Ganhar pessoas para Cristo) 50 pessoas
Indicadores: Número de pessoas interessadas em estudar a bíblia por meio de uma ação evangelística; Número de pessoas estudando a Bíblia e número de pessoas que aceitaram o batismo.

2) Fase 2 ( CONSOLIDAR) 20
Indicador: Número de pessoas que já possui um mentor e no processo de consolidação e aprofundamento de requisitos doutrinários e de estilo de vida.

3) Fase 2 (CAPACITAR)
Indicador: número de pessoas sendo treinadas para a missão.

4) Fase 4 ( ENVIAR)
Indicador: Número de pessoas enviadas para a missão.

Se a igreja seguisse esse processo de maneira intencional, ordeira e organizada, teríamos uma legião de ministros cada um segundo seu dom, levando a missão de Deus. Diferente da realidade, um caos total, nada é acompanhado, as reuniões de comissão de todo dia são só pra falar de problemas e não acompanhamentos de intenções, projetos e ações.

O problema que um processo desse exige que todo o aparato de trabalho das associações sejam revistos e muitos cancelados, pois dentro de um processo desse o pastor é o líder dessa filosofia de trabalho, o maior incentivador e articulador, e exige dedicação e tempo, coisa que a maioria não tem.

Resumindo, é totalmente aplicável desde que os conceitos estejam bem claros, do contrário é totalmente inviável mesmo qualquer iniciativa nessa direção.

1 comentário em “Desafios presentes e futuros exigem reforma administrativa e estrutural da IASD”

  1. Paz em Jesus!

    Para que essas ideias sejam implementadas na IASD é necessário um pastor para cada congregação. Também é fundamental adotar os princípios expostos sobre o discipulado cristão. Ainda sobre o discipulado, quando estudei o mestrado em teologia na UAP entre os anos de 1995 a 1998, nas férias de verão, tive uma disciplina muito significativa sobre isso, e escrevi um material sobre princípios básicos do discipulado cristão, que na época foi ignorado pelos administradores do meu campo (SC) e pela Casa Publicadora Brasileira. Sendo assim, digitalizei o mesmo e o coloco à disposição aqui, totalmente grátis, para quem tiver interesse. Basta Acessar o link a seguir: https://teologiahoje.blogspot.com/search?q=discipulado

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