Há registros. Há gravações. Há testemunhos públicos. E há contradições que não podem mais ser ignoradas.
Há alguns anos, o conhecido palestrante adventista, Rodrigo Silva, ensinava algo raro em ambientes religiosos: honestidade intelectual diante do texto bíblico.
Ele afirmava abertamente que a Bíblia não foi escrita em linguagem científica, e que era desonesto forçar o texto sagrado a dizer o que ele não diz apenas para impressionar plateias.
Na época, seu ensino era claro:
o argumento de que “a Bíblia já provava conceitos científicos antes da ciência” era falho e comprometia a integridade da interpretação.
O que ele ensinava antes
Em registros antigos, esse pregador reconhecia que:
- A cosmologia bíblica descreve a Terra como um disco estabelecido sobre fundamentos;
- Que há abismos abaixo da Terra e firmamento acima;
- Que o conceito dos “três céus” está presente no texto bíblico;
- Que tentar converter essas descrições em linguagem científica moderna era forçar o texto e enfraquecer sua autoridade;
- Que era erro usar Isaías 40:22 como prova científica da esfericidade moderna da Terra, pois o hebraico aponta para circularidade, não esfera.
Ele dizia, corretamente, que o valor da Escritura está em sua verdade revelada, não em sua adaptação ao pensamento acadêmico moderno.
Até aqui, havia coerência.
Até aqui, havia integridade.
Até aqui, havia temor diante do texto sagrado.
Então o palco mudou
O problema começa quando o contexto muda.
Mais visibilidade.
Mais espaço na mídia.
Mais convites.
Mais contratos.
Mais interesses envolvidos.
O discurso, que antes era contido e respeitoso ao texto, passa a ser moldado conforme a audiência.
A linguagem, antes cuidadosa, passa a ser suavizada.
A teologia, antes firme, passa a ser adaptável.
Não foi o hebraico que mudou.
Não foi o texto bíblico que mudou.
Não foi a revelação que mudou.
O que mudou foi o ambiente.
E, com ele, o discurso.
O preço da incoerência teológica
Quando um líder religioso ajusta sua mensagem conforme o ambiente, não estamos mais diante de um problema acadêmico.
Estamos diante de um problema espiritual.
A Escritura é direta:
“Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e nada viram.” (Ezequiel 13:3)

