Diário da “Célula de El Pastor” em ação na Sierra Maestra

Dia após dia, documentos, diários e testemunhos permitem acompanhar como uma pequena igreja adventista de trabalhadores rurais entrou na história dos sobreviventes do Granma — do primeiro encontro de Argelio Rosabal com quatro expedicionários, numa sexta-feira de preparação, à rede de casas, roupas, comida, esconderijos e armas que ajudaria a manter vivos Che Guevara, Juan Almeida, Camilo Cienfuegos, Ramiro Valdés e outros homens dispersos depois de Alegría de Pío.

Esta não é uma história contada de trás para frente, já sabendo quem seriam os vencedores. Vamos acompanhá-la como um diário, deixando cada personagem aparecer quando realmente entra nos acontecimentos. Primeiro existe uma igrejinha em Colonia Las Puercas e um homem conhecido como El Pastor. Depois vêm o Granma, Alegría de Pío e o bombardeio ouvido por Rosabal enquanto o irmão lhe cortava o cabelo debaixo de um araticum. Então chega a sexta-feira, dia da preparação, e quatro desconhecidos aparecem no caminho — entre eles, um homem chamado Jesús. O sol se põe, começa o sábado e, na manhã seguinte pelo calendário civil, a pequena Escola Sabatina estuda justamente “Jesus julgado perante a lei romana”. A partir daí, os documentos nos permitem observar, quase dia após dia, a Célula de El Pastor entrando em ação na Sierra Maestra.

A igrejinha ao pé da Serra

Antes do Granma, antes do bombardeio, antes dos homens famintos que começariam a aparecer pelos caminhos e antes de qualquer um daqueles acontecimentos transformar por alguns dias aquele pedaço da Sierra Maestra numa estação clandestina de sobrevivência, havia uma igrejinha em Colonia Las Puercas. Seu fundador e dirigente era Argelio Rosabal Fonseca, morador do alto de El Mamey, diretor da Escola Sabatina e conhecido entre os próprios irmãos por um apelido que dizia muito mais sobre sua função real naquela comunidade do que qualquer organograma denominacional poderia dizer: El Pastor. Era ele quem conduzia aquela pequena célula adventista formada principalmente por famílias de trabalhadores rurais, gente dos canaviais, homens e mulheres acostumados aos caminhos, às propriedades, aos montes, às distâncias e às dificuldades daquela parte do Oriente cubano.

El Mamey e Las Puercas não eram o mesmo lugar, e o próprio Rosabal faria questão de corrigir essa confusão décadas depois. Ele morava na região de El Mamey; a igreja que fundara ficava em Colonia Las Puercas, do outro lado da serra. O nome Mamey vinha da conhecida árvore frutífera antilhana cujo fruto carnoso pode lembrar ao brasileiro um grande sapoti. Essa explicação do topônimo não deve, porém, ser confundida com outra árvore que logo aparecerá nesta história. Quando Rosabal recorda o momento em que ouviu o bombardeio, fala de um mamón, uma anonácea que podemos apresentar ao leitor brasileiro como uma espécie de araticum cubano. El Mamey era o lugar; o mamón era a árvore sob a qual uma cena aparentemente banal seria interrompida pela guerra.

Aquela igrejinha também não era uma comunidade religiosa desconectada do restante do adventismo. Todos os sábados, sua Escola Sabatina colocava aqueles trabalhadores rurais dentro de uma rede que atravessava países e continentes. O mesmo programa mundial de estudos bíblicos chegava às grandes igrejas e às pequenas congregações. Rosabal não apenas participava dessa estrutura: era diretor da Escola Sabatina de Las Puercas. Na manhã de 8 de dezembro de 1956, essa circunstância produziria uma coincidência histórica extraordinária, mas ainda não chegamos lá. Primeiro, a guerra precisava atravessar os montes.

Antes do Granma, Celia já coordenava a preparação

A região também não estava politicamente vazia. Enquanto Fidel Castro preparava no México a expedição que deveria desembarcar em Cuba, Celia Sánchez coordenava em Oriente a preparação clandestina destinada a receber e apoiar os expedicionários. Em torno dela movimentavam-se contatos urbanos e rurais, mensageiros, integrantes do Movimento 26 de Julho, famílias camponesas e homens com profundo conhecimento da Sierra. Entre eles estava Crescencio Pérez, figura antiga e respeitada na região, com extensa rede de parentes, compadres e colaboradores. A documentação da Oficina de Asuntos Históricos coloca Celia Sánchez, Beto Pesant e César Suárez acompanhando a espera pelo Granma e registra, entre os homens mobilizados naquela estrutura, Juan León Aguilar, da zona de La Manteca. La Manteca, portanto, já estava no mapa humano da preparação antes que os sobreviventes dispersos começassem a procurá-la.

Argelio Rosabal, por sua vez, conhecia Celia Sánchez e sua família. Esse detalhe será importante mais adiante, quando a emergência obrigar El Pastor a recorrer a contatos que ultrapassavam o círculo imediato da igreja. Por enquanto basta enxergar a paisagem humana anterior aos acontecimentos: Celia coordenando a preparação regional; Crescencio Pérez e seus homens espalhados por aquela geografia; La Manteca dentro da rede de contatos; Rosabal conhecendo pessoas e lugares daquela região e, em Colonia Las Puercas, dirigindo sua pequena comunidade adventista.

2 de dezembro: o Granma chega

Na madrugada de 2 de dezembro de 1956, depois da travessia iniciada em Tuxpan, no México, o Granma finalmente alcançou a costa cubana. O desembarque ocorreu em condições muito piores do que as planejadas. Atraso, manguezal, água, lama, equipamentos, armas e homens fisicamente castigados pela viagem começaram a desmontar o plano antes mesmo que a força conseguisse chegar à Sierra. Três dias depois, em 5 de dezembro, veio Alegría de Pío. O ataque dispersou os expedicionários e transformou a operação organizada numa luta imediata pela sobrevivência. Homens separados uns dos outros começaram a atravessar uma região que muitos mal conheciam, procurando água, comida, abrigo, informações e, sobretudo, pessoas capazes de indicar-lhes o caminho.

O bombardeio interrompe um corte de cabelo

Foi então que a guerra entrou no cotidiano de El Pastor. Rosabal estava no alto de El Mamey e seu irmão lhe cortava o cabelo debaixo de um mamón — o araticum cubano. A cena poderia pertencer a qualquer manhã tranquila da vida rural: dois irmãos, uma árvore dando sombra, uma tesoura e o cabelo caindo no chão. De repente, ouviram a atividade aérea e o bombardeio. Rosabal interrompeu o corte e procurou um ponto de onde pudesse enxergar melhor. Só então aquilo que primeiro chegara pelo ouvido apareceu diante dos olhos. Ele recordaria pequenas aeronaves mergulhando e lançando bombas e depois uma aeronave maior sobre a região. A guerra que ainda não havia chegado à sua porta já estava no céu.

A memória de Rosabal e a intervenção posterior de Pedro Álvarez-Tabío na entrevista situam essa atividade aérea nos dias imediatamente posteriores a Alegría de Pío, especialmente entre 5 e 6 de dezembro. Não precisamos obrigar a lembrança a fornecer uma hora que ela não fornece. O essencial é a sequência preservada pelo próprio protagonista: o irmão cortava seu cabelo sob o araticum; veio o som do bombardeio; Rosabal saiu para observar; viu os aviões atacando. Pouco depois, aquilo que até então aparecia como ruído e fumaça ganharia nomes e rostos.

Sexta-feira, 7 de dezembro: o dia da preparação

Na manhã de sexta-feira, 7 de dezembro de 1956, quatro homens avançavam pela região do rio Toro. Eram sobreviventes do Granma. Manuel Echevarría e Gilberto García haviam conseguido conservar seus rifles durante parte da marcha; naquele dia juntaram-se a Ramón Mejía del Castillo, conhecido como Pichirilo, e Jesús Gómez Calzadilla, que vinham desarmados. Esconderam as armas entre as pedras dos farallones, seguiram pelo rio, conseguiram alguma comida numa casa camponesa e começaram a subir em direção ao alto de El Mamey. Foi ali que seus caminhos cruzaram o de Argelio Rosabal.

Um encontro com Jesús

Para El Pastor, aquela sexta-feira tinha também um nome religioso muito antigo: dia da preparação. Era o dia em que a vida adventista se encaminhava para o pôr do sol e para o início do sábado. E entre os quatro desconhecidos que apareceram diante de Rosabal havia um homem chamado Jesús Gómez Calzadilla. Não precisamos atribuir qualquer natureza sobrenatural à coincidência para perceber sua força narrativa. Naquele dia da preparação, enquanto a Sierra estava tomada por soldados, aviões e homens dispersos, El Pastor encontrou Jesús.

Os outros três eram Manuel Echevarría, Gilberto García e Ramón Mejía del Castillo, “Pichirilo”. A família Rosabal recebeu os homens. A lembrança de Argelio conserva o café; outra reconstrução baseada posteriormente no depoimento do próprio Echevarría fala também da assistência da família e de leite oferecido aos quatro. Mais importante que escolher entre uma xícara e outra é perceber o que estava acontecendo: sobreviventes de uma expedição armada, perseguidos pelo Exército, entravam na cozinha de uma família adventista porque o dirigente daquela comunidade decidira confiar neles e ajudá-los.

Enquanto tomavam café, começaram a explicar o que havia acontecido. Tinham sido bombardeados, haviam se dispersado e não sabiam exatamente o destino dos demais. Rosabal ofereceu sua cooperação. Foi então que Manuel Echevarría fez uma pergunta que muda a leitura daquele encontro: ele conhecia um lugar chamado La Manteca? Echevarría tinha ali uma amizade, alguém de sua família ou círculo de confiança, e acreditava que, conseguindo chegar àquele ponto, estaria em segurança. Rosabal não apenas conhecia La Manteca. Quando Echevarría disse o nome da pessoa que procurava, El Pastor respondeu que também a conhecia. Décadas depois, recordaria o homem como provavelmente Joaquín Saumell, “um dos Saumell”.

Os quatro, portanto, não estavam simplesmente vagando sem qualquer referência. Procuravam um contato numa região que a documentação independente coloca dentro da geografia humana preparada antes do desembarque. La Manteca aparece associada a homens ligados à estrutura coordenada por Celia Sánchez e a Crescencio Pérez. Agora um sobrevivente de Alegría de Pío tentava chegar justamente ali e, no caminho, encontrava um dirigente adventista que conhecia o lugar, conhecia o contato procurado e também conhecia Celia e sua família. Não precisamos acrescentar nenhuma ordem clandestina que as fontes não preservaram. A convergência documental já é suficientemente expressiva.

As roupas saem dos armários da família

Havia, entretanto, um problema imediato. Os homens estavam vestidos de maneira que poderia denunciá-los nas estradas e propriedades por onde precisariam passar. Rosabal propôs a troca. Não havia depósito clandestino de uniformes civis esperando pelo Granma. As roupas vieram da própria casa: peças de Argelio, de seus pais e de seus irmãos. Os quatro começaram assim a desaparecer visualmente dentro do mundo camponês que os cercava. Não conseguiram trocar os sapatos porque a família simplesmente não possuía calçados disponíveis que resolvessem o problema.

A entrevista de Rosabal recorda então que ele acompanhou os homens pelo território de um tio seu, cabo do Exército de Batista, enquanto os expedicionários lhe explicavam por que tinham vindo a Cuba. Quando já estavam próximos da casa que procuravam, El Pastor indicou o destino e ficou algum tempo esperando, caso houvesse problema. Echevarría disse que ele poderia voltar. Rosabal esperou; os homens não retornaram.

Há, contudo, outra memória que precisamos colocar ao lado dessa. A reconstrução da Oficina de Asuntos Históricos, baseada numa entrevista realizada em 2007 com Manuel Echevarría, registra que, depois de serem encontrados por Rosabal e conduzidos à casa, os quatro receberam assistência da família e passaram ali a noite. Temos, portanto, duas lembranças produzidas em momentos diferentes sobre as últimas horas daquele primeiro encontro. Rosabal recorda ter conduzido os homens até perto do contato procurado; Echevarría recorda a noite passada com a família Rosabal. Não precisamos escolher artificialmente uma lembrança e apagar a outra. O que a segunda memória acrescenta é particularmente interessante para esta história: segundo um dos próprios quatro expedicionários, o pôr do sol daquela sexta-feira os encontrou ainda sob a proteção da família de El Pastor.

O sol se põe sobre El Mamey

Para o calendário civil, continuava sendo sexta-feira, 7 de dezembro. Para a família Rosabal, porém, o pôr do sol mudava o dia. Começava o sábado. A mesma sexta-feira que começara com sobreviventes avançando pelo rio Toro e subindo em direção a El Mamey terminava agora com uma família adventista envolvida na proteção de homens perseguidos pelo Exército.

O sábado começara ao pôr do sol daquela sexta-feira. Segundo a reconstrução baseada no testemunho posterior de Manuel Echevarría, Jesús Gómez Calzadilla, Manuel Echevarría, Gilberto García e Ramón Mejía del Castillo, “Pichirilo”, passaram aquela noite sob a proteção da família Rosabal, no alto de El Mamey. Assim, quando o sol desapareceu atrás da Sierra e começou o sábado adventista, os quatro sobreviventes do Granma estavam abrigados na casa de El Pastor. Mas permaneceriam ali somente até o amanhecer.

Bem cedo na manhã de sábado, 8 de dezembro, os quatro deixaram a casa de Argelio Rosabal. A partir desse momento, os caminhos se separaram. Jesús e seus três companheiros seguiram pela Sierra e, por volta das 8h30, chegaram à casa de Florencio Orasma, em Palmarito. Rosabal, por sua vez, foi para a igreja adventista que fundara e dirigia em Colonia Las Puercas. Naquela mesma manhã, portanto, enquanto os quatro homens socorridos por sua família avançavam para o próximo elo da rede de proteção, El Pastor levava à igrejinha da Serra a notícia de que havia sobreviventes dispersos pelos montes e de que era preciso ajudá-los.

O sábado amanhece — e os caminhos se separam

O sábado começara ao pôr do sol da sexta-feira. Segundo a reconstrução da Oficina de Asuntos Históricos, baseada também no testemunho posterior de Manuel Echevarría, os quatro expedicionários passaram aquela noite sob a proteção da família Rosabal. Bem cedo na manhã seguinte, sábado, 8 de dezembro, Jesús Gómez Calzadilla, Manuel Echevarría, Gilberto García e Pichirilo deixaram a casa de El Pastor, no alto de El Mamey. Os caminhos agora se separavam. Os quatro continuariam tentando alcançar a rede que poderia reconduzi-los aos companheiros; Rosabal seguiria para Colonia Las Puercas, onde dirigia a pequena igreja adventista e sua Escola Sabatina.

Por volta das 8h30 daquela manhã, os quatro chegaram à casa de Florencio Orasma, em Palmarito. Florencio estava trabalhando, mas sua esposa os recebeu, mandou-os entrar, preparou café e enviou uma das filhas para chamá-lo. Quando o camponês chegou, Manuel Echevarría pediu ajuda para localizar Juan León. Florencio lhe deu papel. Echevarría escreveu uma mensagem e uma das filhas da família partiu a cavalo para entregá-la. Enquanto o bilhete seguia pela serra, Florencio retirou os quatro para um lugar mais seguro, junto a um arroio, entre um bananal e uma pequena área de mata. Mais tarde voltou com familiares levando-lhes o almoço.

Naquela mesma manhã, do outro lado daquela geografia, El Pastor chegava à igrejinha de Colonia Las Puercas. Jesús Gómez Calzadilla não estava na Escola Sabatina: já seguia viagem. Mas poucas horas antes estivera hospedado na casa de seu diretor. E enquanto Jesús avançava pela Sierra vestido com roupas obtidas junto aos Rosabal, a pequena classe adventista de Las Puercas abria a lição mundial daquele sábado. O título era “Jesus julgado perante a lei romana”.

8 de dezembro, 8h30 — Palmarito

Bem cedo naquela manhã de sábado, Manuel Echevarría, Gilberto García, Ramón Mejías del Castillo, “Pichirilo”, e Jesús Gómez Calzadilla deixaram a casa de Argelio Rosabal, no alto de El Mamey. A reconstrução da Oficina de Asuntos Históricos acrescenta dois detalhes importantes: haviam trocado de roupa e deixado ali escondidas as armas. Continuaram avançando pelas elevações e, por volta das 8h30, chegaram à casa de Florencio Orasma, em Palmarito.

Florencio não estava em casa. Sua esposa mandou os quatro entrarem, preparou-lhes café e enviou uma das filhas para procurá-lo no trabalho. Enquanto esperavam, os expedicionários conversaram com a família, entregaram cédulas mexicanas e outros objetos pessoais e alguns voltaram a trocar peças de roupa. Quando Florencio chegou, Echevarría pediu-lhe que localizasse Juan León. O camponês lhe deu um pedaço de papel. Echevarría escreveu a mensagem e uma das filhas de Florencio partiu a cavalo para entregá-la.

Por segurança, Florencio retirou os quatro da casa e levou-os para um esconderijo à margem de um arroio, entre um bananal e uma pequena porção de mata. Depois voltou acompanhado da irmã e de algumas filhas, levando-lhes o almoço. Enquanto os quatro permaneciam escondidos junto ao arroio, o bilhete avançava pela Sierra.

O bilhete chega a La Manteca

Naquela mesma manhã, Crescencio Pérez e Juan León estavam juntos na casa de Pepe León, em La Manteca. A filha de Florencio chegou trazendo a notícia enviada por Echevarría: ele se encontrava na propriedade de Orasma, em Palmarito, acompanhado de outros três expedicionários. Juan León mostrou imediatamente o bilhete a Crescencio. Os dois partiram para encontrá-los.

Pouco depois, Florencio e sua família ouviram cavalos aproximando-se da casa. Eram Juan León e Crescencio Pérez. Reuniram-se com os quatro sobreviventes. Crescencio decidiu que eles precisavam sair rapidamente dali e informou que voltaria à noite para conduzi-los através da carretera de Pilón. Antes disso, encarregou Diógenes Chávez de reconhecer o caminho pelo qual fariam a travessia.

A cadeia iniciada na casa de El Pastor estava completa: Rosabal, em El Mamey; Florencio Orasma, em Palmarito; a filha de Florencio levando a mensagem a cavalo; Juan León, em La Manteca; e, ao lado dele, Crescencio Pérez. Enquanto isso, em outra direção, Argelio Rosabal seguia para Colonia Las Puercas, onde naquela manhã de sábado reuniria os irmãos da pequena igreja que fundara e dirigia.

Na manhã daquele sábado

Na manhã de 8 de dezembro de 1956, Rosabal foi à sua igreja em Colonia Las Puercas. Não era “o sábado seguinte”, como se uma semana separasse os acontecimentos. Era aquele mesmo sábado que começara ao pôr do sol da véspera. El Pastor desceu para a igrejinha que havia fundado, reuniu-se com os adventistas e perguntou se tinham ouvido o bombardeio ocorrido na direção de Niquero. Tinham ouvido. Então contou que pessoas haviam chegado à região, que tinham sido bombardeadas e explicou aquilo que os próprios sobreviventes lhe haviam dito sobre sua missão.

A lição daquela manhã: Jesus julgado pela lei romana

Existe um documento denominacional que permite saber o que a Escola Sabatina mundial estudava exatamente naquela manhã. O quarto trimestre de 1956 era dedicado à segunda parte das “Lições da Vida de Cristo”. E a Lição 10, marcada expressamente para sábado, 8 de dezembro de 1956, tinha como título “Jesus on Trial Before the Roman Law” — “Jesus julgado perante a lei romana”. Não se trata de material auxiliar destinado apenas ao professor, mas da própria lição oficial daquele sábado.

O episódio bíblico estudado pela classe começara também numa manhã de sexta-feira. Depois da prisão e dos interrogatórios noturnos, Jesus fora levado às autoridades e entregue a Pilatos. A lição acompanhava o acusado diante do poder romano, sua passagem por Herodes, o retorno a Pilatos e a decisão final sobre seu destino. Entre os textos estava a pergunta de Mateus 27:22: “Que farei então de Jesus?”

A coincidência histórica dispensa qualquer ornamentação. Na manhã da sexta-feira anterior, El Pastor encontrara quatro homens perseguidos; um deles se chamava Jesús. No pôr do sol começara o sábado. E naquela manhã, na pequena igreja de Las Puercas, a rede mundial da Escola Sabatina colocava diante dos irmãos uma lição sobre Jesus perseguido e julgado pelo poder romano numa sexta-feira. A História havia colocado diante daquela pequena congregação uma circunstância que nenhum editor da lição poderia ter previsto.

“Temos que salvar essa gente”

Rosabal continuou falando. Aqueles irmãos não precisavam de uma palestra sobre a pobreza da região. Segundo El Pastor, quase todos eram trabalhadores dos campos de cana e conheciam “na própria carne” a situação social em que viviam. A conversa deixou então de ser apenas relato sobre desconhecidos que atravessavam os montes. Transformou-se em decisão. A orientação de Rosabal foi simples: “Temos que salvar essa gente.”

Quando posteriormente lhe perguntaram quantos adventistas formavam aquele círculo, Rosabal calculou aproximadamente quinze ou vinte. El Pastor orientou os irmãos: se encontrassem sobreviventes, deveriam acolhê-los; se não tivessem condições ou coragem de fazê-lo, deveriam avisá-lo. Não era uma declaração abstrata de simpatia. Era uma instrução operacional dada a uma comunidade que conhecia aquela geografia e cujos integrantes estavam espalhados por casas, propriedades e caminhos da região.

Naquela manhã, uma frase do próprio Cristo caberia sem qualquer necessidade de longo comentário teológico: “É lícito fazer o bem aos sábados.” E foi exatamente isso que aquela célula começou a fazer.

Os irmãos começam a trazer notícias

Nos dias seguintes, a orientação dada na igrejinha começou a produzir resultados. Homens da comunidade passaram a chegar até Rosabal trazendo informações. Jacinto Vázquez, Rubén e Alfredo González aparecem nesse movimento. Havia outros sobreviventes escondidos na região. Não estavam bem. Alguns vinham de vários dias de fome, sede, marcha e perseguição; havia roupas destruídas, febre, diarreia, vômitos e homens fisicamente incapazes de continuar andando normalmente.

A informação agora era de que havia oito. A célula reagiu de maneira prática: precisava de oito mudas de roupas. Rosabal menciona irmãos e famílias participando da coleta. As peças foram sendo obtidas enquanto a própria operação acontecia. Mais uma vez, não havia armazém clandestino. Havia armários, famílias e irmãos retirando aquilo que possuíam para transformar expedicionários facilmente reconhecíveis em camponeses capazes de atravessar a região.

Os oito homens do Alto del Regino

Na madrugada de 13 de dezembro, segundo a cronologia reconstruída a partir dos diários e da documentação reunida pela Oficina de Asuntos Históricos, o grupo chegou ao Alto del Regino. Estavam exaustos. Encontraram abrigo e comida. Comeram depois de dias de privação e alguns adoeceram ainda mais. Pablo Hurtado encontrava-se em condições particularmente ruins. A notícia correu entre os adventistas.

Uma das pessoas que subiu para vê-los foi Ofelia Arcís. Levou uma caixa com doces e tabacos. Ao encontrar aqueles homens esfarrapados e fisicamente destruídos, emocionou-se e começou a chorar. Um deles percebeu sua reação e sugeriu que lhe dessem uma xícara de café. A cena seria lembrada posteriormente porque aquele homem era Ernesto Che Guevara.

Agora, Che entra na história de El Pastor

Somente neste ponto os nomes daquele segundo grupo precisam ser colocados diante do leitor. Entre os oito estavam Juan Almeida, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Ramiro Valdés, Reinaldo Benítez, Rafael Chao, Francisco “Pancho” González e Pablo Hurtado. Alguns desses nomes se tornariam enormes depois de 1959. Naquele momento, entretanto, eram homens derrotados fisicamente pela marcha, pela fome, pela doença e pela perseguição, tentando atravessar vivos mais alguns quilômetros da Sierra.

Foi nesse segundo episódio, posterior ao encontro com Jesús Gómez Calzadilla e seus três companheiros, que Rosabal encontrou Che Guevara. A ordem importa. Primeiro vieram os quatro da sexta-feira. Depois veio o sábado e a mobilização da igrejinha. Os irmãos começaram a procurar e receber informações. Só então a célula chegou ao grupo em que estava Che.

Oito homens, oito mudas de roupa

Ao anoitecer, Rosabal e Ibrahim Sotomayor, filho de Ofelia, chegaram levando roupas camponesas. O diário de Che confirma o resultado: os homens passaram a usar roupas de guajiros. A transformação visual era essencial porque precisariam atravessar áreas vigiadas. Os rifles, entretanto, criavam outro problema. Um homem podia vestir-se como camponês; dificilmente atravessaria um cerco militar carregando ostensivamente um rifle sem despertar suspeita.

Decidiu-se esconder parte do armamento. Che e Almeida conservaram suas pistolas. Pablo Hurtado estava tão enfermo que não conseguia continuar e permaneceu com Alfredo González. Rosabal recordaria também uma oração antes da divisão dos homens. Depois dela, a responsabilidade foi repartida. A célula deixava de operar num único ponto e passava a espalhar os sobreviventes por diferentes casas e esconderijos.

Las Puercas e El Mamey entram em operação ao mesmo tempo

Ramiro Valdés e Reinaldo Benítez foram colocados sob os cuidados de Rubén e Ofelia em Las Puercas. Camilo Cienfuegos ficou ligado à casa de Ibrahim Sotomayor. Che, Juan Almeida, Rafael Chao e Pancho González seguiram com Rosabal em direção a El Mamey. A geografia da célula finalmente aparece inteira: enquanto alguns irmãos protegiam homens em Las Puercas, El Pastor conduzia outros pelo lado de El Mamey. A pequena igreja tinha se convertido numa rede de casas, famílias, caminhos e esconderijos funcionando simultaneamente.

Na casa da família Rosabal, Cándida, cunhada de Argelio, preparou comida. Mas a residência ficava exposta demais. Rosabal transferiu os homens para um ponto mais protegido no monte. Che registrou em seu próprio diário a presença dos adventistas e a distribuição dos expedicionários entre diferentes casas. A memória do beneficiário confirma, assim, aquilo que Rosabal posteriormente explicaria em detalhes: não era apenas El Pastor agindo sozinho. Havia uma comunidade em movimento.

14 de dezembro: a denúncia

No dia seguinte, uma indiscrição colocou tudo em risco. Informações chegaram aos soldados. A casa onde Pablo Hurtado permanecera foi alcançada; ele foi preso e as armas escondidas foram apreendidas. A notícia correu imediatamente pela rede. Aquilo que poucas horas antes parecia um esconderijo aceitável deixara de ser seguro.

Em Las Puercas, os irmãos reagiram escondendo ainda mais profundamente os homens sob sua responsabilidade. Camilo, Ramiro e Benítez foram deslocados para esconderijos improvisados na vegetação e em cavidades do terreno. Em El Mamey, Rosabal precisava retirar Che, Almeida e os demais antes que a busca avançasse até eles. Guillermo García entrou decisivamente na sequência, ajudando a transferir os homens para outro ponto seguro.

Enquanto isso, Fidel estava vivo

Guillermo descobriria então que Fidel Castro havia sobrevivido. Ao encontrá-lo, pôde fornecer informações sobre os homens já localizados, mortos, presos e protegidos pelos camponeses. A dispersão começava lentamente a ser revertida. Aqueles pequenos grupos que durante dias dependeram de casas, cozinhas, trilhas e esconderijos começavam a ser puxados novamente para uma estrutura revolucionária organizada.

É aqui que a importância da Célula de El Pastor aparece sem necessidade de aumentá-la artificialmente. A igrejinha de Las Puercas não substituiu a rede coordenada por Celia Sánchez, nem Rosabal substituiu Crescencio Pérez ou Guillermo García. O que aconteceu foi uma conexão entre estruturas. Quando sobreviventes entraram no território de El Pastor, encontraram uma comunidade já organizada por relações religiosas, familiares e sociais; essa comunidade tornou-se imediatamente parte da cadeia que os manteve vivos até que pudessem ser reconectados ao restante do movimento.

Celia não era uma desconhecida

Quando Rosabal precisou ampliar suas conexões, Celia Sánchez não apareceu como um nome misterioso que alguém lhe fornecera. Ele já conhecia Celia e sua família. Sua lembrança de procurar o consultório do pai dela, aguardar entre pacientes e buscar uma oportunidade de conversar reservadamente ganha sentido justamente dentro dessa relação anterior. A clandestinidade funcionava aproveitando relações que já existiam: parentes, vizinhos, médicos, agricultores, religiosos, amigos e conhecidos transformavam-se, quando necessário, em caminhos pelos quais uma informação podia circular sem passar pelas estruturas oficiais vigiadas pelo governo.

Os guerrilheiros comem antes dos soldados

Em outro momento da operação, soldados de Batista estavam nas proximidades e uma refeição era preparada. Havia carne de porco. Os homens escondidos também precisavam comer. Parte da comida foi separada e colocada num recipiente que deveria atravessar uma área onde os militares poderiam interceptá-lo. A solução foi cobrir o recipiente com roupa suja, fazendo-o parecer parte de uma tarefa doméstica.

No caminho, um soldado chegou a oferecer ajuda para carregar aquilo. A gentileza podia arruinar toda a operação: bastaria mexer nas roupas para descobrir a comida destinada aos homens escondidos. A mulher conseguiu prosseguir sem entregar a carga. A refeição chegou ao destino. E Rosabal guardou na memória a ironia da situação: os guerrilheiros comeram antes dos soldados.

O rifle que poderia ficar para El Pastor

As armas também passaram pelas mãos daquela rede. Não devemos misturar todos os episódios de rifles como se fossem um único depósito, porque as fontes descrevem momentos diferentes. Mas a participação de Rosabal na ocultação e preservação de armamento é inequívoca. Em determinado momento, Che mostrou-lhe seu rifle e explicou que, se sobrevivessem e pudessem continuar a luta, voltariam para buscar as armas. Se fossem mortos e tudo terminasse ali, o rifle ficaria para El Pastor. Rosabal não registra uma recusa. O episódio permanece exatamente com a força que possui: um expedicionário perseguido confiando seu armamento ao dirigente da pequena igreja que o escondia.

Uma célula feita de famílias

Quanto mais a documentação se abre, menos essa história parece a aventura solitária de um único homem. Ofelia, Rubén, Ibrahim, Freddy, Jacinto, Alfredo, Cándida, Delio e outros aparecem porque a estrutura dependia deles. Um encontrava sobreviventes. Outro levava informação. Uma mulher preparava comida. Outra levava doces e tabacos. Alguém fornecia uma calça. Outro conhecia um caminho. Uma casa servia durante algumas horas. Depois ficava perigosa e era abandonada. Um monte tornava-se esconderijo. Um irmão vigiava a estrada. Outro carregava roupas. El Pastor circulava entre esses pontos, recebendo notícias, tomando decisões e coordenando a pequena comunidade que dirigia.

É nesse sentido histórico e operacional que chamamos aquele grupo de Célula de El Pastor. Não porque tenhamos encontrado um documento do Movimento 26 de Julho batizando oficialmente a congregação com esse nome, mas porque aquela pequena igreja funcionou efetivamente como uma célula: liderança reconhecida, confiança interna, comunicação, distribuição de tarefas, diferentes pontos de apoio, circulação de informação, acolhimento, abastecimento, esconderijos e capacidade de reação diante de mudanças rápidas da situação.

A igrejinha da Serra em ação

Vista cronologicamente, a sequência impressiona. A igrejinha já estava em Las Puercas antes de tudo. Celia coordenava a preparação regional antes do desembarque. O Granma chegou em 2 de dezembro. Alegría de Pío dispersou os expedicionários no dia 5. No alto de El Mamey, o irmão de Rosabal cortava seu cabelo debaixo de um araticum quando o bombardeio interrompeu a rotina. Na sexta-feira, 7 de dezembro, dia da preparação, quatro sobreviventes subiram em direção a El Mamey. Entre eles estava Jesús Gómez Calzadilla. El Pastor os recebeu, sua família os alimentou e lhes deu roupas. Echevarría procurava La Manteca; Rosabal conhecia o lugar e o contato. O sol se pôs e começou o sábado.

Na manhã daquele sábado, 8 de dezembro, Rosabal foi para a igrejinha de Colonia Las Puercas. Enquanto adventistas ao redor do mundo estudavam a Lição 10 sobre Jesus julgado perante a lei romana, aquela pequena comunidade discutia também o destino de homens perseguidos que estavam surgindo nos montes. El Pastor deu a orientação: “Temos que salvar essa gente.” Nos dias seguintes, os irmãos começaram a localizar outros sobreviventes. Recolheram roupas. Levaram comida. Ofelia subiu com doces e tabacos. Então apareceu o grupo de oito. Entre eles estava Che. A célula dividiu os homens entre Las Puercas e El Mamey. Escondeu-os, alimentou-os, vestiu-os, movimentou-os e guardou armas. Quando o Exército chegou perto demais, mudou os esconderijos. Quando Pablo foi preso, retirou os demais. Quando Guillermo apareceu, começou a reconectá-los com Fidel.

Não precisamos acrescentar à história aquilo que ela não contém. Basta observá-la acontecer. Uma igreja rural, uma Escola Sabatina, quinze ou vinte irmãos, algumas famílias, casas simples, caminhos conhecidos, roupas retiradas dos próprios armários, panelas de comida, café, leite, doces, tabacos, um recipiente escondido sob roupa suja, homens de vigia, rifles enterrados ou guardados, fugitivos espalhados entre propriedades e um dirigente religioso circulando de um ponto a outro. Durante alguns dos dias mais frágeis da história inicial da guerrilha, foi assim que a igrejinha da Serra entrou em ação.

Fontes e bibliografia

ROSABAL FONSECA, Argelio. Entrevista concedida a Tad Szulc, com intervenções de Pedro Álvarez-Tabío. Tad Szulc Collection, Archives & Special Collections, Otto G. Richter Library, University of Miami, Accession 88-2, Box 3, Folder 37, “Rosabal, Argelio — Interview, Sierra Maestra, no date”. Transcrição de 23 folhas. Documento fundamental para a fundação e direção da igreja de Las Puercas, Escola Sabatina, primeiro encontro com os quatro expedicionários, La Manteca, roupas, reunião de sábado, mobilização dos adventistas, nomes dos participantes, esconderijos, comida, soldados e armamento.

OFICINA DE ASUNTOS HISTÓRICOS. El retorno anunciado. Reconstrução documental da preparação e chegada do Granma e da dispersão posterior, baseada em documentação e entrevistas com participantes. Particularmente importante para Celia Sánchez, Crescencio Pérez, Juan León Aguilar, La Manteca e para a reconstrução do percurso dos grupos dispersos.

OFICINA DE ASUNTOS HISTÓRICOS. La epopeya del Granma. Fundamental para o percurso de Manuel Echevarría, Gilberto García, Pichirilo e Jesús Gómez Calzadilla até El Mamey e para o depoimento posterior de Echevarría segundo o qual os quatro receberam assistência da família Rosabal e passaram a noite em sua casa.

GUEVARA, Ernesto Che. Diario de un combatiente. Registro contemporâneo indispensável para a cronologia do grupo posteriormente atendido pelos adventistas, as roupas camponesas, a presença de numerosos adventistas, a distribuição dos homens entre casas e os acontecimentos relacionados à apreensão das armas e à prisão de Pablo Hurtado.

GUEVARA, Ernesto Che. Pasajes de la guerra revolucionaria. Fonte independente fundamental para a identificação explícita de Argelio Rosabal como adventista conhecido como “El Pastor” e para o reconhecimento da assistência adventista durante a fase inicial da guerra.

GENERAL CONFERENCE OF SEVENTH-DAY ADVENTISTS. Sabbath School Quarterly, Fourth Quarter 1956, “Lessons From the Life of Christ — II”. Lição 10, 8 de dezembro de 1956: “Jesus on Trial Before the Roman Law”. Fonte primária para estabelecer o estudo oficial da Escola Sabatina mundial no sábado em que Rosabal reuniu-se com os adventistas de Colonia Las Puercas.

SZULC, Tad. Fidel: A Critical Portrait. New York: William Morrow, 1986. Obra relacionada à investigação que produziu o conjunto de entrevistas posteriormente depositado na University of Miami.

ROSADO, Caleb. Estudos sobre adventismo e Revolução Cubana, incluindo “Castro and the Churches” e sua pesquisa acadêmica sobre religião sob a Revolução. Importantes para inserir a experiência adventista de Oriente no quadro religioso cubano mais amplo.

Documentação complementar em investigação: Adventist Yearbook; Inter-American Division Messenger; Review and Herald; La Revista Adventista; documentação administrativa da Igreja Adventista em Cuba; edição espanhola da Lição da Escola Sabatina do quarto trimestre de 1956; mapas históricos de El Mamey, Colonia Las Puercas, La Manteca, Pilón, Alto del Regino, Purial de Vicana e localidades adjacentes; documentação relativa à posterior formação dos distritos Mamey I e Mamey II.

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