
Esta publicação retoma uma documentação que o Adventistas.com já discutia em 2000 e 2001. Naquele período, há 25 anos, já publicávamos críticas à atuação do Dr. Beach, identificávamos representantes da Associação Geral nos encontros interconfessionais e examinávamos a busca de reconhecimento externo apresentada como benefício para a denominação.

Uma medalha nas mãos do papa e uma explicação que os leigos não aceitaram
Em 18 de maio de 1977, Bert B. Beach participou de uma audiência com o papa Paulo VI, em Roma, e entregou-lhe uma medalha representativa da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O encontro foi noticiado pela imprensa católica, e a entrega da medalha também apareceu na Review. Para os irmãos da Fundação Adventista de Leigos que reuniram e examinaram esses documentos — https://adventistlaymen.org –, a questão ultrapassava o valor do presente: um dirigente adventista havia colocado nas mãos do papa um objeto apresentado como símbolo da própria igreja, enquanto o pontífice convocava os representantes religiosos presentes a prosseguir em direção à plena unidade.
O jornal católico Glas Koncila, publicado em Zagreb, apresentou Beach como “Secretário-Chefe da Igreja Adventista do Sétimo Dia” e reproduziu sua declaração à Rádio Vaticano, na qual ele considerava uma honra participar da audiência com o “Santo Padre”. Essa apresentação é fundamental para compreender a reação dos leigos questionadores.
A imprensa católica descrevia um acontecimento de importância religiosa e institucional, reconhecendo em Beach um representante oficial da denominação. Já Kenneth H. Wood, editor da Adventist Review, assegurava por carta a um leigo que havia conversado pessoalmente com Beach e que a visita fora “inteiramente inocente e sem significado” no que dizia respeito às relações entre adventistas e católicos.
O periódico apresentou o Dr. B. B. Beach como “Secretário-Chefe da Igreja Adventista do Sétimo Dia”. Foi assim que sua presença chegou aos leitores: um dirigente da denominação comparecia ao pontífice, participava de uma audiência com representantes de outras famílias confessionais e entregava uma medalha e um livro sobre o trabalho adventista mundial. A reportagem associava sua função na conferência à sua identidade adventista. O representante e a organização apareciam juntos, compondo o significado público de uma aproximação que mereceu destaque na imprensa católica.
A notícia também reproduziu palavras de Paulo VI que situavam a audiência dentro de um propósito religioso definido. O Papa acolheu os visitantes na “Sé de Pedro”, reconheceu neles representantes de uma parcela considerável do povo cristão e enviou, por seu intermédio, saudações às respectivas famílias confessionais. Em seguida, reafirmou o compromisso ecumênico assumido pela Igreja Católica no Concílio Vaticano II e exortou os presentes a prosseguir, apesar dos obstáculos, em direção à “plena unidade em Cristo e na Igreja”. O anfitrião explicitava o horizonte em que recebia aqueles representantes. A audiência integrava uma política de aproximação conduzida por Roma e apresentada publicamente como serviço à unidade cristã.
Segundo o Glas Koncila, o próprio Dr. Beach destacou a importância da ocasião em declaração à Rádio Vaticano. O jornal atribuiu-lhe a afirmação de que fora uma grande honra participar, como secretário da conferência, de uma audiência em Roma com o “Santo Padre”, a quem entregara um livro descrevendo o trabalho dos adventistas em todo o mundo. A declaração acrescenta uma dimensão decisiva ao registro: Beach valorizava o encontro e explicava sua contribuição para ele. O livro apresentava a denominação; o medalhão a simbolizava; a presença de seu representante dava forma humana e institucional à aproximação.
É diante desse conjunto que precisamos ler a carta de Kenneth H. Wood, de 22 de fevereiro de 1978, reproduzida no dossiê de William H. Grotheer. Wood, editor da Adventist Review, escreveu a um leigo afirmando conhecer muito bem o Dr. Beach e ter conversado com ele sobre a visita. Acrescentou que, embora ela pudesse parecer sinistra ao irmão Grotheer, fora “totalmente inocente e sem importância” no que dizia respeito a qualquer relação entre adventistas do sétimo dia e católicos. A autoridade editorial entrava, assim, na controvérsia para tranquilizar o membro e desacreditar a gravidade atribuída pelo investigador ao acontecimento.
O contexto dessa resposta importa. Wood não escrevia antes da audiência, tentando prever seus possíveis efeitos. Respondia meses depois de um encontro já realizado, noticiado e interpretado publicamente. A notícia da própria Review, de 11 de agosto de 1977, havia registrado a entrega do livro e do medalhão como símbolo da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A imprensa católica havia destacado a presença adventista diante do Papa. A declaração papal havia apresentado o objetivo ecumênico da ocasião. Mesmo assim, o editor procurava persuadir o membro de que o episódio não tinha importância para as relações entre as duas igrejas. Sua explicação precisa ser julgada à luz desses documentos.
A expressão “totalmente inocente” deslocava a discussão para o terreno das intenções pessoais. O conhecimento que Wood dizia ter de Beach era apresentado como garantia suficiente para encerrar a preocupação. Entretanto, os irmãos leigos investigavam atos de representação, autorização administrativa, utilização de recursos denominacionais e comunicação pública. A questão alcançava a responsabilidade de uma estrutura que enviara seu representante e custeara sua atividade. A confiança pessoal entre dois dirigentes não respondia às perguntas sobre aquilo que fora feito em nome da comunidade.
Mais reveladora ainda era a afirmação de que a visita não tinha importância para as relações entre adventistas e católicos. O Glas Koncila havia publicado justamente uma notícia sobre essas relações: adventistas recebidos pelo Papa, um dirigente identificado com a denominação, presentes oferecidos e uma manifestação de satisfação atribuída ao visitante. O significado que Wood procurava retirar do episódio era o significado que organizava a reportagem católica. Em Zagreb, a audiência era apresentada como aproximação digna de manchete; ao membro adventista, o editor pedia que a recebesse como acontecimento sem consequência institucional.
A menção depreciativa ao irmão Grotheer também cumpria uma função nessa resposta. Ao sugerir que o encontro apenas parecia sinistro ao investigador, Wood transferia a atenção dos documentos para a percepção do denunciante. O problema passava a parecer uma suspeita pessoal excessiva. O trabalho dos leigos desfez essa operação ao reunir notícias, correspondência e declarações que permitiam ao leitor examinar o episódio por conta própria. A comparação deixava de depender do prestígio de um editor ou da confiança num administrador e passava a depender do confronto entre registros verificáveis.
Na mesma carta, conforme a reprodução do dossiê, Wood afirmou que representantes da Associação Geral já ofereciam aquele medalhão a chefes de Estado e outras autoridades e estimou seu preço entre cinco e dez dólares. A explicação reforçava a tentativa de reduzir o episódio a uma cortesia rotineira. Grotheer procurou o fabricante e reuniu informações sobre as diferentes versões e os respectivos valores. O ponto principal, porém, permanecia institucional: a própria comunicação adventista apresentara o objeto como símbolo da denominação. Seu preço não eliminava a identidade de quem o oferecia, a posição de quem o recebia ou o contexto religioso da entrega.
O valor do recorte de Zagreb está nessa capacidade de impedir que a explicação administrativa permaneça isolada. Os membros podem ler o que Wood lhes disse e, ao lado, examinar o que a imprensa católica anunciou. Podem confrontar a alegação de irrelevância com a manchete, a identificação do Dr. Beach, a entrega dos presentes e o pronunciamento de Paulo VI. Essa comparação demonstra por que o trabalho dos irmãos leigos era necessário: a informação oferecida pela administração precisava ser fiscalizada por pessoas que não aceitavam trocar documentação por tranquilizações.
A denúncia preservada por Grotheer e seus associados devolve aos membros o direito de julgar os atos realizados em nome de sua igreja. Quando um representante comparece ao Papa, oferece um símbolo denominacional e participa de uma ocasião publicamente enquadrada no projeto ecumênico romano, a comunidade tem o direito de exigir explicações correspondentes à importância do ato. A carta de Wood procurava diminuir essa importância; o jornal católico a tornava visível. Os dois documentos expõem a distância entre a aproximação celebrada perante os interlocutores externos e a narrativa utilizada para conter o questionamento interno.
Os irmãos colocam então lado a lado a notícia católica, a explicação de Wood, os contatos ecumênicos de dirigentes adventistas, declarações apresentadas em juízo e a documentação sobre a medalha. A resposta deles se desenvolve por meio dessas transcrições, de comentários e de perguntas dirigidas à liderança.

Adventistas pela primeira vez com o papa
Na quarta-feira, 18 de maio, o papa Paulo recebeu, em audiência separada, os participantes da Conferência de Secretários das Comunhões Cristãs Mundiais. O grupo estava acompanhado pelo bispo John Howe, secretário-chefe do Conselho Consultivo Anglicano, e pelo senhor B. B. Beach, Secretário-Chefe da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esta é a primeira vez que um representante dessa religião se encontra com o papa, a quem foi entregue uma medalha de ouro. Em resposta à saudação, Paulo VI declarou:
“Estamos felizes por poder receber um grupo tão estimado e expressar nossas boas-vindas a partir do Trono de Pedro. Em vocês, saudamos os representantes da maior parte dos fiéis cristãos e, por seu intermédio, enviamos às suas igrejas saudações da misericórdia de Deus. Alegra-nos poder expressar, na presença de vocês, nossa fé comum em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o único Intercessor junto ao Pai e Redentor do mundo. Sim, irmãos, com o apóstolo Pedro proclamamos que em nenhum outro há salvação. ‘Porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.’ (Atos 4:12.) Quanto a nós, no Concílio Vaticano II, a Igreja Católica comprometeu-se solenemente com o ecumenismo, estabelecido e originado na fé em Cristo, nosso Senhor, e na conversão dos corações. (UR 6–7.) Fortalecidos pelo poder da Palavra de Deus, continuemos, apesar de todos os obstáculos, a caminhar em direção ao nosso objetivo de completa unidade em Cristo e na Igreja.”
A Conferência de Secretários das Comunhões Cristãs Mundiais foi estabelecida há vinte anos pelo bispo John Howe, secretário-chefe da Comunhão Anglicana. O atual secretário da Conferência e Secretário-Chefe da Igreja Adventista do Sétimo Dia, senhor Beach, apresentou à Rádio Vaticano uma declaração na qual enfatizou claramente a importância daquele primeiro encontro de um adventista com o papa. Suas palavras são reproduzidas assim:
“É uma honra especial estar presente, como secretário da Conferência, numa audiência aqui em Roma com o Santo Padre, ocasião em que entreguei ao papa um livro que descreve o trabalho da Igreja Adventista em todo o mundo.”
Observações e comentários
Este artigo, extraído do quinzenário católico publicado em Zagreb, na Iugoslávia, apresenta a versão católica do que aconteceu. O nome do jornal — Glas, “Voz”, e Koncila, “Concílio” — pode ser traduzido como Voz do Concílio. No canto superior esquerdo do cabeçalho que aparece na primeira página do jornal estão as palavras Novo Lice Crkve, que aparecem apenas como uma mancha na reprodução da página 9. Uma tradução literal seria “Novo Rosto da Igreja”, mas, em linguagem corrente, “A Nova Imagem da Igreja”. Em outras palavras, esse jornal reflete o espírito do Vaticano II e apresenta, a partir dessa perspectiva, a maneira como a Igreja Católica encarou a audiência com o papa dos secretários das Famílias Confessionais Mundiais, entre os quais estava o doutor B. B. Beach, da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
Observa-se que o jornal se referiu ao doutor Beach como “Secretário-Chefe da Igreja Adventista do Sétimo Dia”. Isso não é estritamente correto, mas constitui um erro técnico admissível à luz da maneira como o doutor Beach é apresentado na publicação do Conselho Mundial de Igrejas, So Much in Common. Em dois lugares diferentes, nas páginas 92 e 102, aparece a seguinte identificação: “O doutor B. B. Beach, da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, é secretário do Departamento de Relações Públicas da Divisão Norte-Europeia, Reino Unido”. Isso foi em 1973, e, no Anuário de 1976, ele aparece também com a responsabilidade adicional de secretário da Divisão. Do ponto de vista católico, não há dúvida: eles consideravam que B. B. Beach falava em nome da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esse acontecimento também foi noticiado no L’Osservatore Romano, o jornal oficial do Vaticano. Isso é confirmado numa carta de 11 de outubro de 1977, escrita por Azenilto G. Brito, de São Paulo, Brasil, à Associação Geral.
Naturalmente, a hierarquia em Washington está fazendo tudo o que pode para minimizar esse acontecimento, apresentando-o como algo “inteiramente inocente e sem significado”. Essas são as palavras exatas do editor da Adventist Review, Kenneth H. Wood, numa carta anteriormente citada. Ele escreveu a esse leigo:
“Pessoalmente, conheço muito bem o doutor Bert Beach e conversei com ele sobre essa visita [ao papa]. Embora possa parecer sinistra ao irmão Grotheer, a visita foi inteiramente inocente e sem significado no que diz respeito a qualquer relacionamento entre adventistas do sétimo dia e católicos.”
Isso não se harmoniza com os seguintes fatos:
1. A participação regular nos encontros e o apelo à unidade
A RNS, em sua reportagem sobre a audiência com o papa, observou:
“O Secretariado do Vaticano para a Unidade dos Cristãos e os adventistas do sétimo dia tornaram-se participantes regulares da Conferência [de Secretários das Famílias Confessionais Mundiais] em 1968.”
Assim, o representante da Igreja Adventista mantém convivência anual com o representante do Secretariado do Vaticano para a Unidade. Além disso, é preciso lembrar que o papa Paulo disse aos secretários das Famílias Confessionais Mundiais [Igrejas] que, apesar de “todos os obstáculos”, esses dirigentes deveriam buscar incessantemente o objetivo da “plena unidade em Cristo e na Igreja”. E o papa estava falando da Igreja Católica Romana! Também não se pode ignorar que o quinzenário católico Glas Koncila citou Beach dizendo que era uma honra especial ter participado de “uma audiência aqui em Roma com o Santo Padre”. Beach não precisava ter chamado o papa de “Santo Padre”.
Permanece ainda outra pergunta incômoda. Como foi que, quando a Pontifícia Universidade Gregoriana — a instituição em que se formaram papas e cardeais — abriu suas portas ao primeiro não católico romano em seus 425 anos de história, esse indivíduo era alguém que se professava adventista do sétimo dia? E por que um jesuíta — com tudo o que essa Ordem representou ao longo de sua história — assinou o prefácio da edição publicada da tese desse indivíduo?
[Neste ponto, o texto se refere a Samuele Bacchiocchi (1938–2008), teólogo e historiador adventista italiano, conhecido principalmente pelo livro Do sábado para o domingo, sobre a mudança do dia de culto no cristianismo antigo. Ele lecionou na Universidade Andrews de 1974 até sua aposentadoria, em 2000.
Seu doutorado em História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, foi concluído em 1974. A própria revista da Universidade Andrews o apresentou, em 1975, como o primeiro não católico a obter um doutorado naquela instituição em seus 425 anos de existência, destacando sua conclusão com summa cum laude e as medalhas de reconhecimento acadêmico concedidas por Paulo VI.
Contudo, essa sua formação na Universidade Gregoriana, as honrarias recebidas de Paulo VI e o prefácio de um jesuíta à sua tese publicada fizeram com que fosse colocado sob suspeita por esses irmãos. Para leigos pensantes, sua proximidade com uma instituição pontifícia levantou dúvidas sobre sua influência na teologia adventista e sobre a preservação da posição histórica da denominação diante de Roma.
É sob esse prisma que o mencionam: suas perguntas expressam desconfiança quanto ao significado dessa aproximação. Embora Bacchiocchi tenha se tornado conhecido pela suposta defesa do sábado entre católicos, seu trabalho registrou também a adoção do primeiro dia da semana como ‘Dia do Senhor’ e sua associação com a ressurreição de Jesus. Por isso, estes irmãos entendiam que sua trajetória precisava ser melhor examinada no contexto mais amplo dos contatos entre dirigentes e teólogos adventistas e a Igreja Católica.]
2. A participação numa conferência teológica em Notre Dame
O antigo editor associado da Review escreveu um editorial sobre uma conferência da qual participou na Universidade de Notre Dame, depois do Vaticano II. Ele declarou:
“O novo clima ecumênico está abrindo inúmeras oportunidades para o diálogo com pessoas de outras crenças, tanto para compreender mais claramente seu ponto de vista quanto para compartilhar com elas nossas próprias convicções…
“Tive o privilégio de participar de várias dessas conferências. Uma delas foi a Conferência Internacional sobre Questões Teológicas do Vaticano II, em Notre Dame, em março de 1966. Ali, durante uma semana inteira, os principais teólogos da Igreja Católica da América do Norte e da Europa, com uma boa presença de teólogos protestantes, ortodoxos e judeus, compartilharam suas respectivas convicções. Sentados à minha esquerda estavam Henri de Lubac, importante teólogo francês, e o arcebispo John F. Dearden, de Detroit, desde então eleito presidente do Conselho Nacional dos Bispos Católicos. À minha direita estavam o padre Bernard Cooke, da Universidade Marquette, e Yves Congar, outro teólogo francês.” (Review, 23 de março de 1967, páginas 12–13.)
Pense bem: você consegue imaginar o editor associado da Review compartilhando com o arcebispo Dearden sua convicção de que o papa era “o homem do pecado”, o anticristo da profecia? Ou ele havia perdido sua convicção adventista histórica? Se realmente a conservasse, nem sequer teria estado ali. Não há registro de Cristo participando de conferências teológicas que reunissem saduceus, fariseus e herodianos. Talvez a presença de Cottrell na conferência de Notre Dame tenha sido “inteiramente inocente e sem significado”, como afirma Wood.
3. A posição apresentada pela igreja ao tribunal
No processo judicial Silver–Tobler, envolvendo a Igreja Adventista do Sétimo Dia, o advogado da igreja apresentou ao Tribunal Federal uma peça jurídica na qual se declarava:
“Embora seja verdade que houve um período na vida da Igreja Adventista do Sétimo Dia em que a denominação adotou um ponto de vista nitidamente contrário ao catolicismo romano, e o termo ‘hierarquia’ era usado em sentido pejorativo para se referir à forma papal de governo eclesiástico, essa atitude da igreja nada mais era do que uma manifestação do antipapismo generalizado entre as denominações protestantes conservadoras na primeira parte deste século e na última parte do século passado, e que agora foi destinado à lata de lixo da história, no que diz respeito à Igreja Adventista do Sétimo Dia.” (Página 4, nota de rodapé nº 2, documento nº 84 dos autos: EEOC vs. PPPA, C-74-2025 CBR.)
Na mesma peça jurídica, registra-se:
“Embora, contudo, a doutrina adventista continue ensinando que o governo da igreja por um só homem é contrário à Palavra de Deus, não constitui bom adventismo do sétimo dia expressar… aversão ao catolicismo romano como tal.” (Página 30.)
Mais uma vez, a pergunta precisa ser feita: como a participação de dirigentes adventistas em contatos ecumênicos com prelados católicos, decorrente de termos lançado na “lata de lixo” da história nossa compreensão histórica da profecia bíblica, pode ser considerada “inteiramente inocente e sem significado”? Além disso, como pode o editor do “Órgão Oficial da Igreja” considerar os leigos tão ingênuos a ponto de acreditarem numa conversa dessas?

A medalha entregue ao papa
Acima está uma reprodução fotográfica da medalha de ouro entregue pelo doutor B. B. Beach ao papa Paulo VI, juntamente com o livro missionário adventista Faith in Action — Fé em Ação. Essa medalha foi desenhada e esculpida por Ralph J. Menconi, da Presidential Art Medals, Inc., de Vandalia, Ohio. Foi lançada por essa empresa em 1973.
A sugestão para que a Igreja Adventista do Sétimo Dia fosse incluída na série “As Grandes Religiões do Mundo”, planejada pela Presidential Art Medals, Inc., foi feita pela senhorita M. Carol Hetzell, do Departamento de Comunicação da Associação Geral. O senhor Menconi “visitou nossa sede mundial aqui e conversou com a comissão que havia sido formada para sugerir o que a medalha poderia incorporar”. (Carta de M. Carol Hetzell, de 29 de dezembro de 1977.)
Como se pode ver nas imagens acima, houve uma tentativa de incorporar certos ensinamentos adventistas fundamentais. A frente, ao representar a segunda vinda de Cristo, não apresenta a representação habitual de sua vinda — quando Ele enviará seus anjos para reunir os eleitos, a fim de encontrarem o Senhor nos ares. Em vez disso, os anjos são retratados à maneira “católica”, adorando um Senhor ressuscitado. No verso, o “IV Mandamento” aparece abreviado, enquanto os demais mandamentos são apenas numerados. Precisamos lembrar que a verdadeira ênfase adventista em relação ao quarto mandamento é: “O sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus”. A Igreja Católica, em seus catecismos — identificando-o como o terceiro —, admoesta: “Lembra-te de santificar o dia de sábado”. (The Convert’s Catechism of Catholic Doctrine, página 49.) Assim, o testemunho da medalha fica atenuado.
As medalhas da série “As Grandes Religiões do Mundo” foram lançadas nas seguintes versões:
| Versão | Características | Preço por medalha |
|---|---|---|
| Bronze | Sem numeração; acabamento especial com pátina. | US$ 4,50 |
| Prata | Acabamento oxidado antigo; 5.000 conjuntos completos e 5.000 medalhas individuais, totalizando 10.000 medalhas de prata de cada religião. | US$ 20,00 |
| Ouro | Revestimento de ouro de 14 quilates correspondente a 1/10 do peso, com acabamento em ouro de 24 quilates; edição limitada a 500 peças. | US$ 40,00 |
Essas informações são transcritas do folheto “As Grandes Religiões do Mundo”, preparado pela Presidential Art Medals, Inc. Os preços correspondem aos valores de 1973. Os preços de 1978, informados a nós por telefone, eram: bronze, US$ 5,00; prata, US$ 35,00; e ouro, US$ 95,00. As versões em prata e ouro possuem numeração de série.
O custo dessa medalha está sendo minimizado pela voz editorial em Washington. O editor da Adventist Review gostaria de fazer os leigos acreditarem que tudo o que Beach fez foi conseguir uma bugiganga numa loja de um dólar para entregar ao papa. Em sua carta de 22 de fevereiro de 1978, o pastor Wood escreveu:
“Representantes da Associação Geral têm dado essa medalha a chefes de Estado e a outras personalidades em todo o mundo. Temos uma aqui no escritório. Custa entre 5 e 10 dólares, creio eu.”
Ou o editor é ingênuo, ou é descuidado em sua pesquisa, ou está procurando enganar os leigos. No entanto, ele diz a esse leigo:
“Quando surgirem perguntas, não dependa de fontes secundárias, como o boletim de Grotheer. Escreva diretamente a nós ou à Associação Geral, e teremos prazer em lhe fornecer os fatos.”
Deixaremos que os leitores deste “Relatório Especial” determinem onde se encontram as fontes primárias documentadas e onde recebem comunicados com informações controladas.
Admitimos francamente que, quando lemos pela primeira vez sobre a entrega da medalha de ouro ao papa, pensamos que ela havia sido cunhada para a ocasião e escrevemos fazendo perguntas com base nessa suposição. Disseram-nos que ela havia sido produzida pela Presidential Art Medals, Inc., mas não nos informaram em que lugar de Ohio poderíamos localizar essa empresa. Utilizamos os meios de pesquisa disponíveis e obtivemos as informações diretamente. Quando recebemos os folhetos da empresa, descobrimos que os preços variavam conforme a época da compra. Se a medalha entregue ao papa veio do lote inicialmente adquirido pela igreja em 1973, então seu preço teria sido de US$ 40,00; mas, se foi encomendada para a ocasião da entrega, em 1977, então teria custado cerca de US$ 95,00, conforme o valor informado a nós.
Portanto, o preço naquela ocasião era modesto, e a questão é simplesmente esta: essa medalha de ouro foi entregue por Beach ao papa como um “símbolo da Igreja Adventista do Sétimo Dia”. (Review, 11 de agosto de 1977, página 23.)
Isso significa que, por meio desse sinal, a entrega da medalha, a Igreja estava sendo entregue nas mãos do papa, o anticristo?
Fontes: Glas Koncila, ano XVI, nº 11 (356), 5 de junho de 1977, “Adventisti prvi put kod Pape”; carta de Kenneth H. Wood, de 22 de fevereiro de 1978, reproduzida no relatório especial de William H. Grotheer sobre a entrega do medalhão a Paulo VI; W. Duncan Eva, notícia sobre o livro e o medalhão oferecidos ao Papa, Adventist Review, 11 de agosto de 1977, p. 23.





