A BÍBLIA OU O LIVRO DE PRAXES: Quem manda na Igreja Adventista?

Uma publicação denominacional reconhece a diluição doutrinária. A investigação precisa alcançar também as decisões da liderança — e perguntar se a Bíblia que julga Roma pode julgar a própria administração adventista.

A resposta que aprendemos a dar é simples: a Bíblia é a autoridade suprema da Igreja Adventista. Mas a pergunta ganha outra dimensão quando saímos da declaração de princípios e examinamos como o poder é exercido. Quando um membro apresenta uma objeção bíblica a uma decisão administrativa, o que encerra a discussão: a demonstração pelas Escrituras ou a informação de que o assunto já foi votado? O Livro de Praxes organiza o funcionamento da instituição; sua aprovação não transforma cada uma de suas disposições em mandamento divino. Se uma decisão só pode ser questionada até o momento em que contraria a administração, precisamos perguntar quem possui, na prática, a última palavra.

Essa questão está no centro da crise de identidade que a própria literatura denominacional reconhece. Em 2024, os organizadores de Afirmando nuestra identidad admitiram um enfraquecimento preocupante da solidez doutrinária e uma diluição da identidade adventista. Destacaram mudanças sociais e culturais, relativismo e ideologias seculares. Nós acrescentamos uma pergunta que precisa alcançar os gabinetes: que responsabilidade tiveram os dirigentes que escolheram os caminhos da representação externa, autorizaram aproximações religiosas e explicaram aos membros o significado dessas decisões? A investigação das causas fica incompleta quando examina a influência do mundo sobre a igreja, mas deixa de examinar as escolhas de quem a governa.

Nos documentos reunidos nesta série, encontramos razões concretas para fazer essa cobrança. Enquanto a imprensa católica celebrava o encontro de Bert B. Beach com Paulo VI, Kenneth H. Wood assegurava a um leigo que a visita fora inteiramente inocente e sem significado para as relações entre adventistas e católicos. Décadas depois, Clifford Goldstein forneceria, numa publicação denominacional, um critério particularmente útil: declarações de unidade devem ser examinadas para além das palavras, confrontando sua apresentação com seu conteúdo. Aplicamos esse mesmo critério à nossa própria organização. Uma autorização identifica quem assumiu a responsabilidade pelo ato; sua fidelidade à mensagem bíblica continua precisando ser demonstrada.

Portanto, à pergunta “quem manda na Igreja Adventista?”, respondemos: a Bíblia deve governar também aqueles que governam a igreja. Quando o regulamento impede esse exame, a autoridade administrativa ocupa o lugar que o discurso denominacional reserva à Palavra. E, à pergunta “quem enfraqueceu a identidade adventista?”, não aceitaremos uma resposta que cobre somente dos membros a fidelidade que também é devida pelos dirigentes. Quem decidiu, ensinou, representou e administrou precisa prestar contas. É esse confronto entre a autoridade proclamada e o poder exercido que desenvolvemos a seguir.

Em 2024, uma publicação do circuito editorial adventista reconheceu aquilo que já não pode ser tratado como invenção de críticos: o movimento experimenta um enfraquecimento de sua solidez doutrinária e uma diluição de sua identidade. A declaração aparece na introdução de Afirmando nuestra identidad: El adventismo frente a sus desafíos teológicos contemporáneos, organizado por Dan-Adrian Petre, Joel Iparraguirre e J. Vladimir Polanco, com os selos Safeliz e IADPA. Na página xi, os editores escrevem, em tradução: “Em anos recentes, porém, o movimento adventista tem experimentado um enfraquecimento gradual e até preocupante de sua solidez doutrinária. Sua identidade foi diluída pelo impacto das mudanças sociais e culturais”. A crise, portanto, entrou pela porta da frente da própria editora. Agora precisamos perguntar por que sua investigação haveria de parar na porta dos gabinetes.

Os editores mencionam relativismo moral, ceticismo pós-moderno, ideologias seculares e a predominância da experiência subjetiva sobre a verdade objetiva. Reconhecem também tensões internas relacionadas à interpretação das Escrituras, às profecias, ao santuário, ao juízo investigador e ao estilo de vida. Mas essa apresentação da crise não desenvolve uma questão que nossa série tornou inevitável: qual foi a participação das decisões administrativas, da diplomacia religiosa e das explicações oferecidas aos membros na transformação da identidade adventista? Se a instituição se apresenta como guardiã da identidade, seus atos precisam entrar no exame com a mesma seriedade dedicada às influências culturais que denuncia.[1]

A crise reconhecida e a responsabilidade ainda por examinar

O reconhecimento editorial tem peso porque vem de uma rede de formação e orientação teológica que inclui professores de universidades adventistas, integrantes do Instituto de Pesquisa Bíblica, profissionais da imprensa denominacional e um assistente presidencial. O expediente e a relação de colaboradores situam a obra dentro desse ambiente institucional. Não precisamos transformar a introdução numa resolução da Associação Geral para perceber sua importância: pessoas que trabalham na produção e transmissão do pensamento adventista estão dizendo aos leitores que a identidade do movimento se enfraqueceu. A pergunta sobre as causas, portanto, deixou de depender de convencer a instituição de que existe um problema.

A introdução apresenta um diagnóstico de crise e propõe uma reafirmação doutrinária. O sumário reúne temas centrais da identidade adventista: autoridade bíblica, historicismo, profecias apocalípticas, santuário, juízo investigador, segunda vinda e escritos de Ellen White. Os próprios editores estabelecem o critério para essa reafirmação: a identidade do movimento deve ser continuamente confrontada com a verdade bíblica e com o exemplo de Cristo. Esse critério alcança necessariamente quem ensina, quem administra e quem representa a denominação.

Quando se atribui a diluição da identidade ao ambiente cultural, é preciso investigar como esse ambiente foi recebido, selecionado e transmitido pelas estruturas denominacionais. Membros não assinam todos os acordos, não escolhem todos os representantes internacionais e não redigem todas as explicações institucionais. Há decisões tomadas em seu nome e apresentadas posteriormente como orientações que devem aceitar. Uma história das mudanças doutrinárias que ignore essas mediações administrativas corre o risco de cobrar da base os efeitos de escolhas feitas no topo.

Goldstein fornece um critério que também alcança sua própria igreja

O segundo documento torna essa investigação especialmente incômoda. Em El gran compromiso, publicado originalmente pela Pacific Press em 2001 e em espanhol pela ACES em 2004, Clifford Goldstein examina aproximações entre católicos e protestantes e questiona a apresentação de acordos doutrinários. Seu argumento exige que o leitor vá além da celebração pública da unidade: palavras semelhantes podem abrigar entendimentos diferentes, e uma declaração conjunta precisa ser examinada em suas premissas, em seus conceitos e naquilo que efetivamente resolve. A cordialidade da cerimônia não demonstra, sozinha, que as divergências teológicas tenham sido superadas.[2]

Nosso interesse está no método de exame que o autor oferece. Se expressões sobre graça, fé e salvação precisam ser comparadas com as doutrinas que cada parte sustenta, expressões adventistas como “consulta”, “observador”, “cooperação” e “encontro informal” também precisam ser comparadas com as atividades que descrevem. Quem participou? Com qual autorização? Em nome de quem? Durante quanto tempo? Com que agenda? Que compromissos, textos e resultados foram produzidos? O adjetivo empregado na explicação pública deve ser demonstrado pela documentação, e não funcionar como substituto dela.

Esse critério pode ser aplicado à trajetória de Bert B. Beach e ao modo como suas atividades foram explicadas aos leigos. A questão não termina quando encontramos uma autorização administrativa. A autorização esclarece a responsabilidade: identifica que determinada ação ocorreu com conhecimento, recursos ou respaldo da organização. Em seguida vem o exame de seu conteúdo. Mostrar que uma comissão aprovou um ato responde quem o autorizou; permanece necessário demonstrar sua coerência com a mensagem que a igreja ensina. Os dois exames se completam, e a descoberta de responsabilidade institucional torna o segundo ainda mais importante.

A Bíblia acima de Roma — e abaixo dos regulamentos?

No capítulo dois, “Circuitos paradoxais”, Goldstein apresenta a questão da autoridade como central para a divisão entre católicos e protestantes. Nas páginas impressas 15–19, defende que a experiência deve ser julgada por um critério superior e identifica as Escrituras como autoridade final em fé e doutrina. Seu argumento sobre sola Scriptura inclui a possibilidade de o indivíduo compreender as verdades necessárias à salvação pelo estudo da Palavra, sem depender de uma autoridade eclesiástica como condição desse conhecimento. Na crítica que dirige a Roma, a relação entre Escritura, tradição e magistério é decisiva para compreender as diferenças doutrinárias.

A consequência para nossa investigação é direta. Se a autoridade religiosa deve ser julgada pela Escritura, a autoridade adventista está sujeita ao mesmo exame. O nome de uma comissão, o cargo de um presidente, a chancela de uma editora e o resultado de uma votação não constituem uma exceção ao princípio. A igreja pode organizar seu trabalho, escolher representantes e estabelecer procedimentos; precisa também mostrar como suas decisões se relacionam com a autoridade que declara superior. Uma instituição que ensina seus membros a examinar as pretensões religiosas de outros dirigentes deve esperar que aprendam a fazer perguntas também aos seus.

Há um risco concreto quando a superioridade da Bíblia é proclamada no discurso, mas a administração conserva a última palavra sobre todas as aplicações permitidas dessa superioridade. Nesse arranjo, o membro pode examinar, desde que conclua como esperado; pode invocar a consciência, desde que não conteste a interpretação administrativa; pode pedir provas, desde que a insistência não seja tomada como deslealdade. É esse problema de funcionamento que precisamos investigar. A pergunta sobre a autoridade final exige olhar para o que acontece quando um texto bíblico e uma decisão institucional são colocados em confronto por alguém que não controla a decisão.

Em 2017, a pergunta voltou-se para dentro

O trabalho “The 2017 Unity Conference” y los problemas eclesiológicos adventistas, preparado em 2018 por três mestrandos da Universidade Adventista del Plata, registra uma disputa sobre autoridade, unidade e liberdade. Segundo a introdução, dez uniões organizaram em Londres, de 15 a 17 de junho de 2017, uma conferência para discutir assuntos como estrutura, regulamentos, diversidade e liberdade. O trabalho acadêmico examina criticamente as posições apresentadas e identifica a preparação de suas três seções com Marcelo Coronel, Christian Pirillo e Mariano Di Mare. Seu valor documental está em mostrar como esses autores responderam às críticas internas; o texto não é uma resolução da Associação Geral.[3]

Na seção sobre autoridade, o estudo apresenta o trabalho de George R. Knight, Catholic or Adventist? The Ongoing Struggle Over Authority + 9.5 Theses. Na página 9, reproduz sua afirmação de que apelar aos regulamentos não equivale a apelar à Bíblia, e que uma votação de um congresso da Associação Geral não equivale à evidência bíblica. Os autores respondem explicando que o Manual da Igreja orienta o tratamento de transgressões de membros e que o Working Policy orienta o tratamento de unidades administrativas, com base no entendimento denominacional dos princípios bíblicos. Essa resposta descreve a função dos instrumentos de governo, mas a distinção formulada por Knight continua exigindo resposta.

A necessidade de regulamentos não demonstra a correção de cada regulamento. A existência de uma assembleia representativa não demonstra a correção bíblica de cada deliberação. Mesmo quando a igreja pretende agir com fidelidade, o resultado precisa ser apresentado como uma interpretação sujeita a exame. É precisamente porque os regulamentos expressam um entendimento humano dos princípios bíblicos que podemos perguntar se esse entendimento foi adequado, se a aplicação respeitou sua finalidade e se há meios efetivos de corrigir erros. A organização se fortalece quando consegue responder a essas perguntas com argumentos verificáveis.

Quando a resposta passa do argumento para a lealdade

O estudo de 2018 critica severamente a metodologia, o tom e diversas conclusões dos participantes da conferência. Sua conclusão geral fala em exegeses pobres, opiniões e negatividade contra a igreja organizada. Essas avaliações fazem parte da posição dos autores e podem ser examinadas nos casos concretos que discutem. Mas o conteúdo de uma denúncia não se resolve por uma avaliação de seu tom. Se alguém afirma que houve concentração de poder, tratamento inadequado da informação ou aplicação desigual de procedimentos, precisamos investigar os fatos correspondentes. A palavra “negatividade” não substitui essa investigação.

É aqui que a experiência dos leigos que questionaram a visita de Beach ganha uma dimensão maior. No material histórico examinado nesta série, Kenneth H. Wood assegurava que conhecia Beach, havia conversado com ele e considerava a visita ao papa inteiramente inocente e sem significado para as relações entre adventistas e católicos. Os autores do relatório colocaram essa explicação diante da notícia católica, dos contatos continuados e da apresentação da medalha como símbolo da igreja. O procedimento era documental: confrontar o que se dizia aos membros com os registros que descreviam o acontecimento. A posição ocupada pelo editor não dispensava esse confronto.

A continuidade que nos interessa entre os documentos é a pergunta sobre quem pode examinar os atos realizados em nome da comunidade. Ao membro é permitido receber a explicação; é igualmente permitido testá-la? A liderança se reserva o direito de julgar a interpretação de outras igrejas; aceita que seus próprios textos e atos sejam julgados pelo padrão que proclama? O direito de investigar não depende de provar previamente que todos os críticos estão certos. Ele decorre da necessidade de demonstrar a verdade das explicações e de corrigir aquelas que não resistem ao exame.

Bruinsma: interlocutor de uma disputa, não árbitro de nossa investigação

Há uma ligação bibliográfica precisa entre Goldstein e os debates posteriores. Na página impressa 13 de El gran compromiso, a nota 8 remete ao artigo de Reinder Bruinsma “Adventists and Catholics: Prophetic Preview or Prejudice?”, publicado na Spectrum no verão de 1999, páginas 45–52. A remissão acompanha a observação de Goldstein de que a interpretação histórica adventista sobre Roma também vinha sendo questionada dentro do adventismo. A referência documenta que essa disputa já fazia parte de seu horizonte de preocupação. O artigo de Bruinsma constitui uma fonte própria a examinar; a nota de Goldstein estabelece sua presença na controvérsia.

No estudo de 2018, Bruinsma reaparece na discussão sobre liberdade religiosa, consciência, codificação de crenças, regulamentos e formação teológica. Nas páginas 24–26, os autores apresentam suas perguntas sobre a exigência de concordância com as crenças fundamentais, as sanções, o peso dos regulamentos e a liberdade de professores. Em resposta, defendem a autoridade da igreja e o direito do indivíduo de aceitar suas crenças para integrar a comunidade ou rejeitá-las e viver segundo suas convicções. Essa resposta afirma a possibilidade de adesão ou afastamento, mas deixa uma questão central para nosso artigo: qual é o lugar de quem permanece e procura corrigir sua própria comunidade?

Não precisamos adotar todas as posições de Bruinsma para reconhecer a importância dessa pergunta. Tampouco precisamos escolher um dos participantes como árbitro da controvérsia inteira. Seus argumentos devem ser examinados nos pontos em que efetivamente falam de documentos, doutrinas e procedimentos. A coerência que exigimos da administração deve orientar nossa própria investigação: uma afirmação não se torna verdadeira por vir de um crítico conhecido, assim como não se torna verdadeira por vir de uma autoridade conhecida. Seu conteúdo precisa enfrentar o mesmo teste.

Uma declaração de liberdade precisa ser verificada na prática

Na página 25, o estudo de 2018 cita uma passagem do Working Policy contrária ao uso da força e da coerção, afirmando que Deus aceita adoração oferecida livremente. A partir dessa declaração, os autores sustentam que o regulamento não busca forçar crenças nem agir coercitivamente. Mas uma declaração de princípios estabelece o compromisso que permite julgar a prática. Para saber se a liberdade é respeitada, precisamos olhar para os procedimentos, para as possibilidades de recurso, para o acesso à informação e para as consequências de discordar. O regulamento deve ser confrontado com seu cumprimento.

Essa distinção também é útil para compreender a palavra “unidade”. Ela pode expressar uma comunhão fundada em convicções compartilhadas e responsabilidade mútua. Pode, em determinadas aplicações, tornar-se uma exigência de silêncio diante de decisões controversas. Precisamos examinar qual sentido está operando em cada situação. Se a unidade é apresentada como resultado da fidelidade bíblica, uma investigação fundamentada não pode ser rejeitada apenas porque perturba uma explicação conveniente. A paz obtida pela suspensão das perguntas não resolve o problema que as provocou.

“Guia, em vez de credo”: o compromisso declarado em 2024

A introdução de Afirmando nuestra identidad oferece mais um critério. Ao apresentar os capítulos de John C. Peckham e Clinton Wahlen, afirma a função da Escritura como padrão que avalia outras fontes de conhecimento e como autoridade superior à doutrina, à tradição e à cultura. Ao resumir o capítulo de Ekkehardt Mueller e Elias Brasil de Souza, descreve as crenças fundamentais como guia, em vez de credo. Essas formulações estão na apresentação dos editores, nas páginas xii–xiii. Podemos tomá-las como compromissos declarados e perguntar como se traduzem no tratamento de uma contestação fundamentada.

Se a Bíblia julga a tradição, julga também a tradição administrativa adventista. Se as crenças funcionam como guia, precisamos compreender como se admite o exame de uma formulação e a demonstração de um possível erro. Se a identidade deve ser reafirmada pelo retorno às Escrituras, o processo inclui a revisão das escolhas de quem administra. Seria incoerente declarar a supremacia da Palavra para corrigir o membro e suspender seus efeitos quando o objeto de exame é uma política institucional. A mesma regra precisa atravessar todos os níveis da comunidade.

A investigação da identidade precisa subir a escada inteira

A leitura conjunta desses documentos permite formular a hipótese de trabalho deste terceiro artigo: uma crise de identidade pode ser agravada quando a mensagem que forma os membros, a representação externa da igreja e a obediência exigida internamente passam a operar com critérios diferentes. A hipótese precisa ser desenvolvida por meio de decisões, textos e episódios identificáveis. O diagnóstico de 2024 fornece o reconhecimento do problema; Goldstein oferece critérios para examinar a linguagem de unidade e as pretensões de autoridade; o estudo sobre 2017 mostra uma disputa concreta sobre os limites da crítica e da consciência. A trajetória de Beach e as respostas de Wood permitem levar essas perguntas ao terreno histórico.

Nosso trabalho, portanto, é perguntar como se formou a distância entre o que a instituição continua ensinando sobre sua identidade e o que seus representantes disseram ou fizeram em situações documentadas. Precisamos acompanhar quem decidiu, quem executou, quem explicou e quem foi cobrado a aceitar a explicação. Também precisamos observar como a organização reagiu quando os leigos reuniram documentos e formularam objeções. A responsabilidade pela preservação da identidade não pode ser cobrada exclusivamente de quem recebe orientações; ela alcança quem as produz e quem exerce autoridade em nome delas.

Os editores de 2024 convidam seus leitores à vigilância teológica e ao exame da herança adventista. Levamos esse convite a sério. A identidade que precisa ser confrontada com a Bíblia inclui a identidade pública da organização, seus modos de exercer poder e sua disposição de prestar contas. Se a Escritura pode julgar Roma, pode julgar Silver Spring. Se pode examinar a tradição de outra igreja, pode examinar um regulamento adventista. E, se os leigos foram ensinados a pedir evidências, seus dirigentes precisam estar preparados para apresentá-las.

Fontes e referências

  1. PETRE, Dan-Adrian; IPARRAGUIRRE, Joel; POLANCO, J. Vladimir, orgs. Afirmando nuestra identidad: El adventismo frente a sus desafíos teológicos contemporáneos. Safeliz/IADPA, 2024. Expediente, colaboradores, sumário e introdução, especialmente p. xi–xiii. Para aprofundamento dos temas anunciados, sugerimos a leitura da versão completa do livro. Consultar o exemplar.
  2. GOLDSTEIN, Clifford. El gran compromiso. ACES, 2004. Original: The Great Compromise, Pacific Press, 2001. Trechos examinados: cap. 1, especialmente p. 8–13; cap. 2, especialmente p. 15–19. Referência a Bruinsma: p. 13, nota 8, correspondente à página 15 do PDF. Consultar o livro.
  3. CORONEL, Marcelo; PIRILLO, Christian; DI MARE, Mariano. “The 2017 Unity Conference” y los problemas eclesiológicos adventistas. Trabalho da disciplina Problemáticas Contemporáneas de la Teología Adventista, Universidade Adventista del Plata, 2018. Especialmente p. 1, 3–10 e 24–29. As posições de Knight e Bruinsma neste texto são apresentadas a partir das transcrições e da discussão desse trabalho acadêmico. Consultar o documento.
  4. Relatório sobre a audiência de Beach com Paulo VI e as respostas de Kenneth H. Wood: transcrição em inglês fornecida para esta série, com marcações das páginas 10–13, incluindo referências à Review e a cartas. As passagens históricas são retomadas desse relatório. Consultar a transcrição.

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