
Che não podia cobrir a própria nudez; Rosabal lhe deu sua camisa e assumiu sua condição de descamisado. Um recebeu a cobertura que não possuía; o outro tomou sobre si sua carência. Uma imagem simples e poderosa da justificação pela fé: a justiça que nos cobre vem de Outro.
Um grupo de homens desembarcado do Granma havia sido dispersado pelas forças de Fulgencio Batista; alguns estavam feridos, outros famintos, quase todos exaustos, perseguidos e tentando sobreviver tempo suficiente para reencontrar Fidel Castro. Entre eles estava Ernesto Guevara. E diante de um desses homens apareceu Argelio Rosabal Fonseca, adventista do sétimo dia, dirigente de uma pequena igreja rural, diretor da Escola Sabatina e conhecido entre os próprios irmãos como El Pastor.
João Batista havia falado ao homem que possuía duas túnicas. A situação de Rosabal era mais incômoda. Diante dele estava um homem necessitado de roupa e El Pastor não possuía um guarda-roupa do qual pudesse retirar confortavelmente uma peça excedente. Segundo o relato que passou à tradição histórica adventista sobre o episódio, Che estava sem camisa, relacionada ao cuidado de seu ferimento, e Rosabal lhe deu a camisa que possuía. A simplicidade da ação quase esconde sua força. Não houve discurso. Não houve reunião de comissão. Não houve tempo para formular uma doutrina sobre assistência ao necessitado. Havia um homem descoberto e outro vestido. A camisa mudou de corpo. Che terminou vestido. Rosabal terminou descamisado.
A justificação pela fé ilustrada numa camisa
É difícil encontrar uma ilustração cotidiana mais simples da lógica da justificação pela fé. Evidentemente, receber uma camisa não justificou espiritualmente Che Guevara, e a cena não precisa ser transformada em sacramento para revelar sua extraordinária estrutura teológica. Che estava numa condição que não podia solucionar naquele instante por seus próprios recursos. Faltava-lhe cobertura. Rosabal possuía justamente aquilo que lhe faltava.
E aquilo que resolveu a situação do necessitado não foi produzido pelo necessitado, comprado pelo necessitado nem conquistado como recompensa por alguma obra do necessitado. A cobertura veio de outro. O homem que não possuía recebeu aquilo que pertencia ao homem que possuía. É precisamente essa a estrutura elementar da justificação pela fé: o pecador não fabrica a justiça que o cobre; recebe uma justiça que vem de Outro.
Mas a cena vai além porque não houve apenas transferência de uma peça de roupa. Houve uma troca visível de condição. Antes do gesto, Rosabal estava vestido e Che estava descamisado; depois dele, Che estava vestido e Rosabal estava descamisado. A cobertura de El Pastor passou para Che e a condição de Che passou para El Pastor. Um recebeu aquilo que não possuía; o outro assumiu voluntariamente aquilo que caracterizava a carência do necessitado.
Paulo levaria essa lógica às últimas consequências ao escrever sobre Cristo: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). A justiça pertence ao Justo, mas alcança o injusto; a condição daquele que precisava ser salvo é assumida por Aquele que veio salvá-lo. Na Sierra Maestra, sem quadro-negro, sem tratado teológico e sem uma única palavra sobre imputação, dois corpos e uma camisa produziram uma imagem extraordinária dessa troca.
No Éden, Deus já havia vestido o homem
A Bíblia começa a desenvolver essa linguagem praticamente no início da história humana. Depois da transgressão, Adão e Eva descobrem a própria nudez e tentam produzir uma cobertura. Costuram folhas. É a primeira tentativa humana de resolver a própria condição depois do pecado. Mas Gênesis não termina a cena com a solução confeccionada pelo pecador. Em Gênesis 3:21, Deus providencia vestimentas e os veste. O injusto é coberto.
A solução definitiva para sua nudez não é apresentada como produto de sua habilidade de costurar folhas, mas como provisão que vem de fora dele. Séculos depois, o salmista celebraria aquele cujo pecado é “coberto”; Paulo utilizaria essa linguagem em Romanos 4 ao desenvolver precisamente a justificação pela fé; Gálatas falaria daqueles que se “revestiram de Cristo”. Cobertura, imputação e revestimento pertencem à mesma poderosa família de imagens bíblicas.
É isso que torna o gesto de Rosabal tão rico. Para cobrir, descobriu-se. Para retirar do outro a condição de descamisado, aceitou ocupar seu lugar. O benefício de um produziu uma perda voluntária no outro. Paulo descreve Cristo dizendo que, sendo rico, por amor de nós se fez pobre para que pela sua pobreza enriquecêssemos; Filipenses 2 apresenta o Filho esvaziando-se e assumindo a forma de servo; na paixão, a imagem deixa de ser apenas metafórica, porque Cristo é despido e suas vestes são repartidas. Aquele que cobre aceita ser descoberto. Rosabal não era Cristo, evidentemente, mas seu gesto era cristiforme: o homem que tinha assumiu a falta do homem que não tinha para que o homem que não tinha recebesse aquilo que pertencia ao homem que tinha.
Vestir a condição do outro
Há ainda outra imagem bíblica que aprofunda a cena. A Escritura conhece repetidamente o gesto de vestir-se de saco, pano grosseiro ou tecido de aflição. Patriarcas, reis, profetas e populações inteiras transformam o próprio corpo em mensagem. Vestir o saco significa assumir publicamente uma condição: luto, humilhação, sofrimento, arrependimento. O corpo passa a dizer aquilo que as palavras não conseguem expressar. Rosabal não precisava realizar uma cerimônia para produzir efeito semelhante. Quando retirou sua camisa e vestiu o homem descoberto, assumiu corporalmente a condição do outro. O descamisado deixou de ser Che e passou a ser El Pastor.
Essa linguagem do vestir continuaria atravessando a história dos sobreviventes. Eles precisavam abandonar aquilo que os denunciava como expedicionários e assumir a aparência de homens do campo. Rosabal e seus irmãos providenciaram roupas. A roupa passou a cumprir várias funções ao mesmo tempo: cobria o corpo, restaurava alguma dignidade, aquecia e protegia, mas também apagava sinais que poderiam denunciar a identidade dos fugitivos. Vestir o perseguido podia literalmente salvá-lo. A primeira camisa entregue a Che não permaneceu, portanto, um episódio sentimental isolado. Aquilo que El Pastor fizera individualmente acabaria reproduzido coletivamente por sua igreja.
Isaías 58 estava esperando por essa história
É aqui que Isaías 58 entra sem deslocar a camisa do centro; ao contrário, o capítulo bíblico parece abrir a camisa e revelar tudo aquilo que já estava contido nela. Deus confronta uma comunidade extremamente religiosa, que jejua, busca, pergunta, inclina a cabeça e pratica demonstrações exteriores de devoção. Na tradução que conserva uma imagem particularmente sugestiva, o profeta pergunta se o jejum desejado por Deus consiste em passar fome, curvar-se como um bambu, vestir pano grosseiro e deitar-se sobre cinzas. A resposta é não. O jejum que Deus deseja rompe jugos, liberta o oprimido, reparte comida com o faminto, recebe em casa quem não possui abrigo, veste aquele que está sem roupa e não abandona os seus.
É quase desconcertante colocar essa sequência ao lado de Las Puercas. Roupa. Comida. Casa. Oprimidos. Libertação. Parentes. Pano grosseiro. Bambu. E, ao final do mesmo capítulo, sábado. O primeiro desses elementos já aparecera no corpo de Che: um homem sem roupa fora vestido. Os demais começariam a aparecer quando a experiência individual de El Pastor se transformasse em decisão coletiva de sua igreja. E o detalhe cronológico é fundamental: isso aconteceu no sábado.
No sábado, El Pastor levou os perseguidos para dentro da igreja
Rosabal situa a sequência com notável clareza em sua entrevista a Tad Szulc. Depois de ter ajudado os primeiros homens, ele recorda que aquilo acontecera numa quinta ou sexta-feira. Então acrescenta: “No sábado fui para a igreja.” Explica imediatamente quem era naquele lugar: diretor da Escola Sabatina e fundador daquela igreja adventista. Quando Pedro Álvarez-Tabío tenta localizá-la em El Mamey, Rosabal o corrige: “Não, isso é na colônia Las Puercas.” A correção é decisiva para nossa geografia: Rosabal morava na região de El Mamey, mas a igreja ficava em Colonia Las Puercas. Mamey e Las Puercas não são nomes intercambiáveis, e Mamey I/Mamey II pertencem a uma nomenclatura pastoral cuja história documental posterior não deve ser projetada artificialmente sobre dezembro de 1956.
Naquele sábado, El Pastor reuniu-se com os adventistas e perguntou se tinham ouvido o bombardeio ocorrido para os lados de Niquero. Tinham. Então explicou que pessoas haviam chegado, tinham sido bombardeadas e que, segundo aquilo que lhe haviam contado, sua missão era acabar com parte da miséria e da situação em que o país vivia. Rosabal acrescenta um detalhe extraordinariamente importante: quase todos eles eram trabalhadores, trabalhavam nos campos de cana e conheciam “na própria carne” a situação que estava sendo descrita. A Revolução não lhes era apresentada apenas como teoria política. Aqueles camponeses conheciam pobreza, trabalho pesado e desigualdade por experiência própria. Foi dentro da reunião religiosa do sábado que a necessidade dos sobreviventes deixou de ser apenas problema encontrado por Rosabal e passou a ser responsabilidade da comunidade.
É nesse ponto que a frase de El Pastor adquire sua verdadeira dimensão: “Temos que salvar essa gente.” Não “vamos estudar o assunto”; não “vamos esperar para descobrir quem vencerá”; não “vamos verificar primeiro a posição denominacional”. Salvar. Naquele contexto, salvar significava impedir que fossem capturados ou mortos, localizar sobreviventes, conseguir roupas, oferecer comida, abrir casas, movimentar homens, transmitir mensagens, esconder armamento quando necessário e ajudá-los a reencontrar a estrutura revolucionária da qual haviam sido separados. A camisa individual acabava de se transformar em missão da célula.
O sábado de Isaías 58
Agora Isaías 58 torna-se ainda mais impressionante. O mesmo capítulo que manda vestir o nu, alimentar o faminto, acolher o desabrigado e enfrentar a opressão termina falando justamente do sábado como deleite e dia santo do Senhor. Em Las Puercas, esses elementos acabaram reunidos numa mesma experiência. Era sábado. A igreja estava reunida. Havia homens perseguidos nas montanhas. Havia famintos. Havia homens precisando de roupa. Havia gente sem abrigo seguro. E El Pastor colocou a igreja em movimento. O sábado não suspendeu a misericórdia; tornou-se o momento em que ela foi organizada.
E o bambu torna a coincidência literária ainda mais sugestiva. Isaías rejeita uma religião que sabe curvar-se “como um bambu”, mas permanece incapaz de libertar, alimentar, acolher e vestir. Aquela pequena comunidade adventista rural, ligada a uma realidade material extremamente simples, não permaneceu curvada enquanto homens morriam ao redor. Levantou-se. A igreja podia ser pobre em paredes e estrutura, mas possuía gente, casas, comida, roupas, caminhos e confiança. Antes de qualquer promessa de uma construção melhor, aquela igreja de condições humildes já fazia exatamente aquilo que Isaías utilizava para definir uma religião que ultrapassa a aparência.
A célula de El Pastor
Rosabal estimou em aproximadamente quinze ou vinte o número de adventistas mobilizados. Não estamos diante apenas de uma sucessão de favores individuais desconectados. Havia uma comunidade, uma liderança reconhecida, comunicação entre seus integrantes, divisão de responsabilidades, circulação de informação e capacidade de mobilização. Era uma célula.
O vocabulário não é estranho à própria organização religiosa: igrejas, classes de Escola Sabatina e estruturas locais funcionam como células de uma comunidade maior, reunindo pessoas que compartilham crenças, liderança, responsabilidades e objetivos. Em Las Puercas, essa célula religiosa encontrou uma situação extraordinária e passou a operar como rede de proteção.
Isso não diminui Rosabal em favor do coletivo; faz exatamente o contrário. Mostra o tamanho de sua liderança. El Pastor não era apenas o homem generoso que apareceu acidentalmente diante de Che. Era capaz de reunir irmãos, apresentar uma situação, estabelecer uma missão e colocar gente em movimento. Nomes como Rubén Verdecia, Jacinto Vázquez, Alfredito González, Ibrahim Sotomayor, Chino Rizo, Tomás García, Rubén Torres, Ofelia Arcís e familiares aparecem em diferentes pontos dessa rede e de sua documentação. El Pastor comandava servindo e servia comandando. Antes de pedir roupa aos irmãos, dera a própria. Antes de pedir que assumissem riscos, já os assumira.
Oito homens, oito mudas de roupa
Quando a célula soube de outro grupo de sobreviventes, a resposta foi de uma objetividade admirável: havia oito homens e era necessário conseguir roupas para eles. Rosabal e outros integrantes reuniram peças e avançaram durante a noite. A documentação coloca nesse conjunto nomes que posteriormente seriam conhecidos mundialmente ou ocupariam posições importantes na Revolução: Che Guevara, Juan Almeida, Camilo Cienfuegos, Ramiro Valdés, Reinaldo Benítez, Rafael Chao, Francisco “Pancho” González e Pablo Hurtado. Naquele instante, porém, não eram monumentos, ministros ou comandantes. Eram homens perseguidos que precisavam de roupa e proteção.
A cena amplia o gesto inicial. Primeiro El Pastor vestira Che; agora a célula vestia os sobreviventes. E as roupas tinham uma função adicional. Precisavam abandonar a aparência que os identificava como homens da expedição e aproximar-se visualmente dos camponeses entre os quais tentavam desaparecer. Rosabal recorda que lhes deram roupas pertencentes à família, aos pais, aos irmãos e a ele próprio; não puderam trocar os sapatos porque não possuíam outros. A pobreza aparece novamente como medida da generosidade. Não estavam distribuindo excedentes de um depósito assistencial. Davam roupas de seus próprios corpos e casas.
Primeiro eles se ajoelharam
Quando chegou o momento de dividir os homens e conduzi-los aos lugares onde poderiam ser protegidos, Rosabal propôs uma oração. Eles se ajoelharam. Essa pequena cena é uma das mais importantes de toda a história porque impede qualquer separação artificial entre religião e ação. Os adventistas não precisaram suspender a fé para entrar na clandestinidade. Ajoelharam-se dentro dela. Pediram proteção e depois começaram a organizar homens, caminhos e esconderijos. A oração não substituiu a ação; precedeu-a.
Isaías 58 reaparece quase inevitavelmente. O problema do profeta nunca fora simplesmente alguém curvar o corpo diante de Deus. O problema era curvar-se religiosamente enquanto o próximo continuava esmagado. Em Las Puercas ocorreu a sequência inversa: eles se ajoelharam e depois se levantaram. A devoção desembocou em movimento. A cabeça curvou-se; as pernas caminharam.
Casas adventistas tornaram-se abrigo
A célula permitia que os homens fossem divididos em diferentes pontos, reduzindo o risco de que uma única captura destruísse todo o grupo. Rubén Torres e Ofelia Arcís aparecem ligados ao acolhimento de sobreviventes em Las Puercas; Ibrahim Sotomayor integra essa geografia de proteção; Rosabal assumiu pessoalmente parte do grupo, incluindo Che e Almeida em determinada etapa. O diário e as memórias de Guevara oferecem o olhar do beneficiário; a entrevista de Rosabal abre por dentro a organização dessa assistência. Che identifica explicitamente “um adventista chamado Argelio Rosabal” e registra que era conhecido como “El Pastor”; Rosabal, por sua vez, explica como a comunidade foi mobilizada. :chatgpt-content-reference{index=”1″}
Isaías dissera para receber em casa quem não tinha abrigo. Na Sierra Maestra, isso significava algo mais perigoso do que oferecer hospitalidade a um viajante. Abrir a casa para um sobrevivente do Granma significava permitir que o perigo daquele homem entrasse junto com ele. Se as tropas o encontrassem, a família que o protegia também estaria comprometida. A casa deixava de ser apenas residência e tornava-se esconderijo.
Ofelia, “la adventista”
Entre as personagens dessa história, Ofelia Arcís merece permanecer visível. Ela aparece dentro da rede de assistência e foi preservada na memória revolucionária pela própria identidade religiosa: “la adventista”. Não precisamos transformá-la numa personagem polida para torná-la interessante. Pelo contrário. Sua humanidade aparece justamente nos detalhes. Ofelia participava da assistência, falava de sua fé e aparece também ligada a doces e tabacos ou cigarros dentro daquela realidade rural e revolucionária. A personagem histórica não precisa ser reconstruída segundo o catálogo de comportamentos de uma congregação adventista contemporânea. Ela deve permanecer como as fontes a encontraram: Ofelia, a adventista.
E aqui vale lembrar uma das parábolas mais conhecidas de Jesus. O filho pródigo foi parar justamente entre porcos. Conviveu com o chiqueiro, com sua sujeira e chegou ao ponto de desejar a comida dos animais. A narrativa não informa que essa proximidade tenha cancelado sua condição de filho. Quando o pai o vê regressando, não inicia uma investigação alimentar para decidir seu parentesco. Diz: “este meu filho”. O filho podia carregar o cheiro do chiqueiro; continuava sendo filho. A força da parábola está justamente no fato de que a filiação antecede a faxina.
Café na Sierra Maestra
Rosabal também recorda uma cena doméstica absolutamente simples: ofereceram café. O detalhe merece permanecer justamente porque devolve humanidade a uma história que facilmente se transforma em desfile de grandes nomes. Che Guevara, Juan Almeida e seus companheiros não chegaram àquelas casas como personagens de pôster. Eram homens cansados. Uma família camponesa fez aquilo que famílias camponesas fazem diante de visitantes exaustos: ofereceu o que tinha. Café, conversa, roupa, comida, lugar para descansar. A grande História entrou pela cozinha.
Las Puercas, um porco e uma panela de comida
E então chegamos a um dos episódios mais curiosos de toda a narrativa. O próprio nome Las Puercas nos coloca dentro de uma paisagem rural em que a criação de suínos não era elemento exótico. O porco ocupou durante longo período um lugar importante na economia doméstica e na alimentação cubana, especialmente em regiões rurais onde proteína bovina não estava simplesmente disponível em abundância para qualquer família e ocasião.
O adventismo, por sua vez, atravessou historicamente um processo de desenvolvimento de sua reforma de saúde; os pioneiros não surgiram de uma vez com todos os hábitos alimentares que posteriormente seriam associados à identidade denominacional, e Ellen White insistiria em diferentes contextos contra a transformação de determinadas escolhas alimentares em medida absoluta de pertencimento.
Na história de Rosabal, porém, não precisamos especular sobre o cardápio particular de cada irmão porque existe um episódio muito melhor. Um parente providenciou um porco para alimentar soldados que estavam na região. Enquanto a comida era preparada, os homens escondidos pela rede também estavam famintos. Rosabal providenciou para que arroz e carne fossem separados e enviados a eles. O alimento foi colocado num recipiente e coberto com roupa suja para atravessar a vigilância. Uma mulher da família saiu levando-o como se estivesse simplesmente cuidando de tarefas domésticas. Um soldado, interessado em ajudá-la, chegou a oferecer-se para carregar o volume. Se aceitasse a gentileza, o esconderijo poderia ser descoberto junto com o almoço. Ela conseguiu afastá-lo e seguiu.
A comida chegou aos homens escondidos. E Rosabal preservou a ironia perfeita: eles comeram antes dos soldados. A refeição destinada ao exército que perseguia os revolucionários alimentou primeiro os perseguidos. Isaías 58 poderia novamente ser lido sem nenhuma adaptação: repartir a comida com o faminto. Só que agora o versículo passava pela cozinha de uma família cubana, por arroz, carne, um recipiente escondido sob roupa suja e uma mulher tentando atravessar soldados sem revelar que carregava a refeição de seus inimigos.
O rifle de Che e as armas enterradas
A assistência não terminou em roupa, café, comida e casas. Os sobreviventes estavam armados e a movimentação de rifles e munições aumentava enormemente o risco de identificação. É importante não fundir episódios diferentes. Em uma etapa anterior, Che registra armamento deixado em outro esconderijo que acabou descoberto e capturado pelas forças de Batista. Mais tarde, já dentro da rede ligada a Rosabal, aparecem novamente armas e munições que precisavam ser ocultadas. A entrevista de El Pastor detalha como armamento foi escondido e enterrado para permitir que os homens continuassem seus deslocamentos. A documentação reunida sobre o depoimento descreve Rosabal enterrando rifles e munição a pedido de Che. :chatgpt-content-reference{index=”2″}
E há um detalhe ainda mais pessoal. Che mostrou seu próprio rifle a Rosabal, explicou-lhe o funcionamento e estabeleceu diante dos companheiros uma possibilidade para o futuro: se conseguissem continuar a luta, retornariam para recuperar o armamento; se ele morresse e aquilo terminasse ali, o rifle ficaria para El Pastor. Rosabal não registra uma recusa. A cena deve permanecer com a força que possui. O homem que havia entregue sua camisa a Che agora recebia de Che a possibilidade de ficar com seu rifle. Entre os dois objetos há quase uma inversão simbólica: primeiro a confiança de Rosabal veste Che; depois a confiança de Che coloca sua arma nas mãos de Rosabal.
O outro Exército
Quando a vigilância militar se fechava sobre a região, Rosabal sabia também mover-se pela linguagem religiosa. Em determinado momento, diante de soldados de Batista, surge a referência ao Exército da Salvação, o outro “exército”, religioso, capaz de oferecer uma explicação aparentemente inocente. A ironia é extraordinária porque aquele homem podia recorrer a uma identidade religiosa ligada a um “exército” enquanto ajudava a proteger integrantes de um exército revolucionário e escondia armas que as tropas de Batista procuravam.
Mas talvez o mais interessante seja perceber que a palavra exército jamais foi estranha à imaginação bíblica daqueles adventistas. O Deus do Antigo Testamento é repetidamente chamado Senhor dos Exércitos. Israel conhecia comandantes, batalhas, armas e vitórias. Davi era guerreiro. Josué, às portas de Jericó, encontra uma figura que se apresenta como Comandante do exército do Senhor; Josué se prostra, e a cena prossegue com a ordem para retirar as sandálias porque aquele lugar era santo, passagem tradicionalmente lida no cristianismo e no ambiente adventista dentro de uma moldura cristológica. A Bíblia daqueles irmãos não apresentava Deus apenas como pastor de ovelhas. Apresentava-o também como Senhor dos Exércitos.
Quando a Bíblia colocou armadura no cristão
O Novo Testamento desloca a guerra para uma dimensão espiritual, mas conserva quase todo o vocabulário militar. Paulo fala de combate, soldado, armadura, couraça, escudo, espada e inimigo. O cristão precisa revestir-se da armadura de Deus. A fé torna-se escudo; a Palavra, espada. O Apocalipse, livro decisivo para a formação da identidade adventista, apresenta guerra no céu, Miguel e seus anjos enfrentando o dragão, conflito entre poderes e finalmente Cristo como vencedor. A religião que formou El Pastor possuía um vocabulário marcial profundamente enraizado na própria Escritura.
E esse vocabulário não permaneceu apenas na exegese. Entrou nos hinários. Entrou na Escola Sabatina. Entrou na educação dos jovens. Entrou na linguagem missionária. Muito antes de Fidel Castro ou Che Guevara aparecerem diante daqueles camponeses, os adventistas em língua espanhola já cantavam sobre Capitão, General, Caudillo, armas, batalha, soldados, clarins, bandeiras e vitória.
“Ciñe tus armas”
Um exemplo extraordinário é Hijo del reino, número 166 no Himnario Adventista de 1962 e pertencente a uma tradição hinológica anterior. O hino pergunta ao filho do Reino por que continua dormindo e ordena: “Presto levántate, ciñe tus armas”; em seguida, anuncia que no conflito terá de lutar. A estrofe seguinte manda levantar-se, vestir-se porque Cristo se aproxima e sair ao encontro do Rei. Depois surgem grandes nações em luta furiosa e o ruído do carro triunfante do “divinal, vencedor Capitán”. O hino combina exatamente três elementos que atravessam nossa história: despertar, vestir-se e lutar enquanto se espera a chegada do Rei. :chatgpt-content-reference{index=”3″}
Isso merece ser saboreado. O adventista canta para não dormir porque o Rei está chegando. Precisa levantar-se. Precisa vestir-se. Precisa cingir suas armas. Precisa lutar. E ninguém lhe fornece o calendário exato da chegada. A preparação precede o conhecimento do momento. Quando aqueles camponeses de Las Puercas foram colocados diante de outra chegada — a de homens que haviam atravessado o mar para iniciar uma revolução — encontraram diante deles justamente homens que precisavam ser acordados, vestidos, alimentados, protegidos e reconduzidos à luta.
Cristo era General, Caudillo e Jefe
Hijo del reino não era uma exceção extravagante. ¡Oh jóvenes, venid! desenvolvia ainda mais explicitamente o imaginário militar. Cristo havia desfraldado seu pavilhão, queria receber os jovens em suas fileiras e levá-los à peleja. O coro os convocava para a luta e declarava: “en Jesús tenemos nuestro General”. A segunda estrofe chamava Cristo de “Caudillo Salvador” e convocava os jovens para a batalha; a terceira apresentava as “armas invencíveis” do “Jefe guiador”: o Evangelho e o amor. O combate era espiritual, mas a linguagem era inequivocamente militar: fileiras, peleja, general, caudilho, batalha, armas, chefe, vitória e laurel. :chatgpt-content-reference{index=”4″}
Outros cânticos completavam esse universo. Hoy nos toca trabajar dizia que havia batalhas a ganhar, chamava os jovens ao som do clarim e proclamava Cristo como Capitão. Cânticos destinados à juventude falavam dos soldados de Satanás, da armadura a vestir, do avanço e do triunfo. O hinário preserva uma pedagogia religiosa na qual o fiel aprende a imaginar sua existência como campanha: existe um comandante, existe uma bandeira, existem armas, existe inimigo, existe convocação, existe batalha e existe vitória. :chatgpt-content-reference{index=”5″}
Antes de Fidel, já havia um grande Comandante
A linguagem ultrapassava os hinos. A imprensa adventista em espanhol empregava igualmente imagens de comando, alistamento e serviço. Em material da Revista Adventista da década de 1940 encontramos o “gran comandante” utilizado dentro de uma ilustração religiosa e missionária; a publicação compara a dedicação oferecida aos reinos deste mundo à dedicação que os filhos de Deus deveriam oferecer ao Reino de Deus. O documento é especialmente significativo porque mostra que “Comandante” não chegou ao vocabulário adventista cubano através da Revolução. A metáfora já circulava no ambiente religioso hispânico antes de Fidel e Che se tornarem comandantes revolucionários. :chatgpt-content-reference{index=”6″}
Isso torna o encontro na Sierra Maestra ainda mais curioso. Homens e mulheres educados religiosamente num universo de Senhor dos Exércitos, Capitão, General, Caudillo, Jefe, soldados, armas, bandeira, clarim, batalha e vitória viram a metáfora militar colidir com a matéria. Os hinos falavam de armas espirituais; diante deles havia rifles verdadeiros. Cantavam sobre soldados; homens armados dormiam em suas casas. Falavam de perseguição e conflito; tropas vasculhavam a região. Esperavam um Rei; procuravam ajudar homens que tentavam reencontrar seu comandante. A metáfora encontrou a guerra real.
El Pastor não respondeu com metáforas
E talvez aí esteja um dos aspectos mais fortes da história. Quando a guerra real apareceu diante de Rosabal, ele não respondeu com metáforas. Respondeu com coisas. Camisa. Roupa. Café. Comida. Casa. Caminho. Mensagem. Vigilância. Pá para esconder armamento. Informação. Contatos. O cristianismo que podia cantar sobre batalha precisou decidir o que fazer diante de homens realmente perseguidos. El Pastor começou entregando aquilo que vestia.
Essa materialidade impede que transformemos a narrativa numa discussão puramente ideológica. Antes de serem revolucionários históricos, aqueles homens foram corpos com necessidades. Tinham ferimentos, fome, sede, sono, medo, armas difíceis de transportar e tropas em seu encalço. A resposta da célula também foi corporal. Vestiu, alimentou, escondeu, conduziu e vigiou.
Celia e a rede além de Las Puercas
A célula de El Pastor não podia resolver sozinha o problema maior: aqueles homens precisavam reencontrar a estrutura revolucionária. É aí que a história local começa a tocar uma rede muito mais ampla. Celia Sánchez e outros articuladores já operavam dentro de circuitos de apoio que ajudariam a reconstruir os contatos entre sobreviventes e o núcleo de Fidel. A documentação revolucionária mostra que havia infraestrutura clandestina preparada na região e contatos construídos anteriormente; isso, porém, não exige imaginar que cada integrante de cada célula possuísse previamente a informação operacional mais sensível. Redes clandestinas sobrevivem justamente porque informação é compartimentada.
Rosabal conhecia sua região, conhecia pessoas e sabia procurar contatos. A missão da célula era agir quando os homens aparecessem diante dela, não possuir antecipadamente o mapa completo da operação. E quando apareceram, apareceram da pior maneira possível: dispersos, perseguidos, feridos, famintos e separados de Fidel. A rede local tornou-se ponte para a rede maior.
Preparados sem saber o dia
Existe aqui uma correspondência particularmente sugestiva com a estrutura da esperança adventista. O adventismo nasceu e cresceu proclamando uma chegada para a qual o crente deveria estar preparado sem conhecer o momento exato. Depois da experiência de 1844, a insistência evangélica de que ninguém conhece “o dia nem a hora” tornou-se inseparável da expectativa da volta de Cristo. Preparação sem calendário operacional não era uma ideia estranha àquelas pessoas. O fiel sabe quem espera, conhece a promessa, organiza sua vida em função da chegada, vigia e permanece pronto.
Na Sierra Maestra, outra chegada acontecera. O Granma não trouxe seus homens numa procissão triunfal. A operação desandou, o grupo foi dispersado e sobreviventes começaram a aparecer fragmentariamente diante das redes locais. Não era necessário que cada pessoa soubesse previamente o minuto do desembarque para que estivesse preparada para cumprir sua função quando a necessidade aparecesse. A chegada veio pelo mar; a resposta estava espalhada pela terra.
O filho entre os porcos continuava sendo filho
Talvez seja justamente essa materialidade que torne tão interessante a presença de café, tabaco, cigarros, carne, porcos e outros detalhes aparentemente inconvenientes para quem prefere personagens religiosos higienizados. Jesus escolheu uma imagem muito mais incômoda. Seu filho pródigo termina num chiqueiro. Convive com os porcos, suporta sua sujeira e deseja encher o estômago com aquilo que eles comem. O Pai não espera um relatório sanitário para decidir a identidade daquele homem. Quando o vê retornando, corre para ele. E a frase permanece devastadoramente simples: “este meu filho”.
Talvez por isso seja tão importante deixar os adventistas de Las Puercas exatamente dentro do mundo em que viveram. Não precisamos retirar a xícara de café, apagar o cigarro de Ofelia, expulsar os porcos da paisagem, esconder a carne da panela, retirar o rifle das mãos de El Pastor ou substituir a igreja simples por um templo que ainda não existia. A força dessa história está precisamente em sua sujeira humana. A graça bíblica nunca precisou de cenários esterilizados. Nasceu num mundo de pele, suor, sangue, poeira, comida, roupas e gente necessitada.
A camisa se tornou célula
Voltemos, então, à camisa. Tudo o que aconteceu depois já estava de alguma maneira anunciado naquele primeiro gesto. Rosabal viu um homem sem cobertura e o cobriu. No sábado, viu homens sem proteção e pediu à igreja que os protegesse. Primeiro a camisa mudou de corpo; depois a responsabilidade mudou de escala. O gesto individual tornou-se ação comunitária. A justificação pela fé havia encontrado uma ilustração no homem que recebeu gratuitamente uma cobertura que não possuía; Isaías 58 encontrou uma ilustração coletiva quando a igreja passou a vestir, alimentar, acolher e socorrer.
Por isso a camisa não pode desaparecer no meio do artigo. Quando aparecem oito mudas de roupa, é a camisa multiplicada. Quando uma casa se abre, é a mesma lógica da cobertura ampliada do corpo para o espaço. Quando comida atravessa soldados escondida sob roupa suja, é João Batista completando a segunda metade de sua frase: quem tem comida faça o mesmo. Quando a igreja se mobiliza no sábado, é Isaías 58 chegando ao final do próprio capítulo. Quando os irmãos se ajoelham e depois se levantam para agir, é a religião recusando permanecer curvada como bambu.
Um Evangelho que Che pôde vestir
Che Guevara não precisava compreender a doutrina protestante da justificação para compreender o que acontecera com seu corpo. Estava descoberto e foi coberto. Aquilo que passou a vestir não fora produzido por ele. Pertencera a outro. E o homem que lhe entregou a cobertura assumiu a condição que antes era sua. A teologia estava sobre Che e a consequência estava visível em Rosabal.
Depois, o mesmo homem levou a necessidade dos sobreviventes para sua igreja. Era sábado. Os irmãos ouviram. Conheciam na própria carne o mundo de que Rosabal falava. E aquela pequena célula adventista rural entrou em movimento. Conseguiram roupas. Abriram casas. Prepararam comida. Ofereceram café. Oraram. Caminharam à noite. Vigiaram. Transportaram mensagens. Esconderam homens. Enterraram armas. Procuraram contatos. Um porco destinado aos soldados acabou participando de uma história em que os perseguidos comeram primeiro. O rifle de Che ficou confiado a El Pastor com a possibilidade de tornar-se seu se Che não sobrevivesse. Tudo isso aconteceu dentro de uma comunidade cuja Bíblia falava no Senhor dos Exércitos e cujo repertório religioso ensinava seus filhos a despertar, vestir-se, cingir as armas, ouvir o clarim e seguir o Capitão.
João Batista estava certo
No fim, talvez devamos voltar ao homem do deserto. João Batista não ofereceu uma definição abstrata de arrependimento. Disse que quem possuísse duas túnicas deveria repartir com quem não tivesse nenhuma e quem tivesse comida deveria fazer o mesmo. Na Sierra Maestra, El Pastor encontrou um homem que não tinha camisa. E não precisou possuir duas.
Entregou a que tinha.
Che ficou vestido. Rosabal ficou descamisado. O homem sem cobertura recebeu aquilo que pertencia a outro; aquele que o cobriu assumiu sua condição. A justificação pela fé ganhou uma ilustração que cabia numa camisa. Depois a camisa entrou na igreja, multiplicou-se em roupas, comida, casas e proteção e, justamente no sábado, tornou-se missão coletiva.
Isaías havia dito que Deus não procurava apenas gente curvada como bambu. Queria gente capaz de romper jugos, alimentar famintos, acolher desabrigados e vestir quem estivesse sem roupa. Naquele sábado, em Colonia Las Puercas, a igreja de El Pastor se levantou.
Bibliografia e documentação
ROSABAL FONSECA, Argelio. Entrevista concedida a Tad Szulc, com intervenções de Pedro Álvarez-Tabío. Tad Szulc Collection, Archives & Special Collections, Otto G. Richter Library, University of Miami, Accession 88-2, Box 3, Folder 37, “Rosabal, Argelio — Interview, Sierra Maestra, no date”. Transcrição de 23 folhas. Documento central para a reconstrução de El Mamey, Colonia Las Puercas, Escola Sabatina, reunião de sábado, trabalhadores dos canaviais, roupas, café, aproximadamente quinze ou vinte adventistas, distribuição dos sobreviventes, oração, alimentação, vigilância, mensagens, deslocamentos e armamento. O inventário da coleção confirma Rosabal no Box 3, Folder 37. :chatgpt-content-reference{index=”7″}
GUEVARA, Ernesto Che. Pasajes de la guerra revolucionaria. Particularmente importante porque o próprio Guevara identifica Argelio Rosabal como adventista e registra que era conhecido como “El Pastor”, além de documentar a participação de adventistas na assistência recebida durante a guerra. :chatgpt-content-reference{index=”8″}
GUEVARA, Ernesto Che. Diario de un combatiente. México: Ocean Sur, 2011. Utilizado em conjunto com as memórias e a entrevista de Rosabal para reconstruir os deslocamentos dos sobreviventes, roupas, esconderijos, armamento e tentativa de reencontro com Fidel.
OFICINA DE ASUNTOS HISTÓRICOS. Documentação e reconstruções referentes ao retorno dos expedicionários e à reorganização dos sobreviventes do Granma. Deve ser cruzada com Che e Rosabal para distinguir os diferentes esconderijos, grupos e episódios.
ALMEIDA BOSQUE, Juan. Memórias referentes aos acontecimentos posteriores ao desembarque do Granma, particularmente relevantes para personagens da rede camponesa e adventista e para a lembrança de Ofelia.
ROSADO, Caleb. Trabalhos sobre adventismo e Revolução Cubana, incluindo “Castro and the Churches”, Spectrum, vol. 15, nº 3, 1984, e sua pesquisa doutoral posterior. Importante para a preservação e interpretação histórica da relação entre Rosabal, Che e a comunidade adventista cubana.
TAHBAZ, Joseph. Pesquisa sobre adventistas e Revolução Cubana, utilizada como fonte secundária para o cruzamento da documentação referente a Rosabal e às relações entre adventistas e a Revolução.
HIMNARIO ADVENTISTA. Edição espanhola de 1962. Hijo del reino, nº 166: particularmente relevante pelas imagens “ciñe tus armas”, conflito, chegada de Cristo e “divinal, vencedor Capitán”. O registro hinológico confirma a presença do hino na edição de 1962. :chatgpt-content-reference{index=”9″}
HIMNARIO ADVENTISTA. ¡Oh jóvenes, venid! O texto apresenta Cristo como “General”, “Caudillo Salvador” e “Jefe guiador”, além de fileiras, peleja, batalha, armas e vitória. :chatgpt-content-reference{index=”10″}
HIMNARIO ADVENTISTA. Hoy nos toca trabajar e demais cânticos juvenis preservados no repertório histórico. Relevantes para as imagens de batalhas, Capitão, clarim, soldados, armadura, avanço e vitória. :chatgpt-content-reference{index=”11″}
REVISTA ADVENTISTA. Arquivo histórico em espanhol, década de 1940. Documenta o uso adventista de linguagem de “gran comandante”, serviço, organização e mobilização missionária anterior à Revolução Cubana. :chatgpt-content-reference{index=”12″}
WHITE, Ellen G. Escritos sobre reforma de saúde e alimentação. Utilizados para contextualização histórica do desenvolvimento das práticas adventistas, em conjunto com a história do movimento pioneiro, sem substituir a documentação específica sobre Las Puercas.
BÍBLIA. Gênesis 3:21; Josué 5:13-15; Isaías 58; Lucas 3:11 e 15:11-32; Romanos 4:3-8; 2 Coríntios 5:21 e 8:9; Gálatas 3:27; Filipenses 2; Tiago 2; Efésios 6; Apocalipse 12 e 19. Base da leitura teológica desenvolvida no artigo sobre cobertura, justificação pela fé, substituição, revestimento, filho e Pai, fé e obras, misericórdia, sábado e linguagem bíblica de combate.
Na conferência final, há **uma cautela documental que mantive deliberadamente**: não transformei *Mamey I/Mamey II* em nomes de Las Puercas e não atribuí a Rosabal conhecimento antecipado da data do desembarque. A entrevista confirma justamente a correção geográfica de Rosabal — igreja em **Colonia Las Puercas**, não em El Mamey — e a documentação disponível sustenta uma rede regional maior sem exigir que cada célula conhecesse a informação operacional completa. :chatgpt-content-reference{index=”13″}
Também mantive o rifle sem acrescentar a discussão sobre recusa de armas que você mandou retirar. E não abri capítulo sobre o destino religioso deles depois de 1959.





