FÉ SEM BANDEIRAS? De Che Guevara aos candidatos brasileiros: a história política que a IASD precisa explicar

Enquanto documentos denominacionais pregavam apartidarismo, discrição e distância das disputas eleitorais, a história registra adventistas auxiliando revolucionários de Fidel Castro e Che Guevara, relações de prestígio com Jânio Quadros e, décadas depois, políticos e candidatos circulando por instituições, eventos e estruturas adventistas. Se o princípio defendido por Felippe Amorim vale para os membros, chegou a hora de aplicá-lo à trajetória da própria Organização.

No artigo anterior examinamos a teoria. Mostramos que o discurso político da Revista Adventista não pode ser reduzido à fórmula “vote e permaneça em silêncio”. A própria literatura denominacional estabeleceu critérios morais para o voto, reconheceu a importância política de determinadas questões, admitiu que membros em cargos públicos poderiam favorecer interesses legítimos da Igreja e chegou a publicar a afirmação de que, quando assuntos morais constituem o divisor de águas da eleição, “devemos nos posicionar”. Também confrontamos diretamente o professor Felippe Amorim, autor de “Fé sem bandeiras”, porque sua matéria de capa propõe uma interpretação contemporânea desse legado e porque sua função acadêmica na formação de futuros pastores amplia o alcance de suas conclusões. Agora saímos do discurso normativo e entramos na prática histórica.

É aqui que o debate muda completamente de escala. Quem pensa que o problema da relação entre adventismo e política nasceu com Lula, Bolsonaro, redes sociais ou polarização precisa retroceder sete décadas. Antes de Facebook, WhatsApp, PT e PL, adventistas cubanos já estavam diante de uma decisão política dramática: ajudar ou não homens armados que combatiam a ditadura de Fulgencio Batista. Alguns decidiram ajudar. Deram alimento. Abrigo. Informação. Orientação. Socorro médico. Oração. Arriscaram-se em favor dos homens que participavam do movimento de Fidel Castro. Entre eles estava Ernesto Che Guevara.

Antes de Lula e Bolsonaro, havia Fidel e Che

A série histórica sobre o adventismo em Cuba recupera a participação de adventistas da Sierra Maestra no auxílio aos revolucionários. Um dos personagens centrais é Argelio Rosabal, adventista que se tornou conhecido entre os guerrilheiros como “El Pastor”. A pesquisa relata que Rosabal e outros adventistas participaram de uma rede que forneceu roupas, alimentos e hospedagem aos homens de Fidel Castro. Rosabal serviu como guia, transmitiu informações sobre a região e auxiliou na movimentação dos revolucionários. A história inclui ainda relatos de assistência a Che Guevara em crises severas de asma.

É impossível reduzir essa história à imagem confortável de um adventismo sempre isolado da política. Aquelas pessoas sabiam quem estavam ajudando. Sabiam que os revolucionários eram perseguidos pelo governo de Batista. Sabiam que abrigá-los poderia trazer consequências. Ajudaram mesmo assim. Não estamos falando de preferência eleitoral secreta. Estamos falando de participação concreta num contexto revolucionário.

Argelio Rosabal, “El Pastor”, e os homens de Fidel

Rosabal aparece como elo importante entre adventistas locais e os revolucionários. Segundo a documentação histórica recuperada, ele ajudou a conduzir integrantes do movimento, participou do fornecimento de abrigo e alimento e esteve ligado a acontecimentos que contribuíram para o reencontro entre Che Guevara e Fidel Castro. Isso coloca adventistas dentro de uma história política concreta, perigosa e decisiva para o futuro de Cuba.

A relevância desse episódio para nosso debate atual é evidente. O adventista de Sierra Maestra não estava diante de uma discussão abstrata sobre apartidarismo. Estava diante de um governo, uma oposição armada, perseguição, injustiça, risco de morte e escolhas morais imediatas. A fé não o colocou fora da história. Obrigou-o a decidir dentro dela.

Quando adventistas oravam pelos revolucionários

A documentação vai além da ajuda material. Rosabal teria orado com integrantes do movimento e pedido proteção divina sobre aquilo que fariam. Esse detalhe merece ser colocado diante do discurso contemporâneo sobre silêncio e discrição. Um adventista orando com revolucionários que continuariam uma luta armada contra um governo é uma situação política de enorme intensidade. A história adventista não pode ser contada como se a comunidade sempre tivesse considerado qualquer envolvimento desse tipo incompatível com sua identidade.

Isso não significa que toda a IASD cubana tenha aderido ao marxismo, nem que todos os adventistas tenham apoiado Fidel. Significa exatamente aquilo que a história permite afirmar: existiram adventistas que simpatizaram com a luta contra Batista e auxiliaram concretamente revolucionários. O dado é suficiente para desmontar qualquer narrativa excessivamente simplificada sobre uma tradição adventista naturalmente despolitizada.

A ajuda a Che e o problema dos benefícios posteriores

Outro aspecto da história merece atenção porque se conecta diretamente à conclusão acadêmica de Kevin Furtado sobre a “instrumentalização da política para fins benéficos à Igreja”. Após a vitória revolucionária, a memória adventista registra que Che Guevara teria demonstrado consideração especial pelos adventistas em razão da ajuda recebida durante a guerrilha. Em meio ao processo de nacionalização de instituições educacionais, a relação anterior aparece como fator relevante na maneira como adventistas foram tratados em determinado momento.

A questão aqui não é julgar moralmente a ajuda prestada durante a guerrilha a partir de seus benefícios posteriores. A questão é perceber como relação política, memória de apoio e interesse institucional podem cruzar-se. É exatamente esse tipo de realidade que desaparece quando “apartidarismo” é apresentado apenas como distância absoluta do poder.

A Revista Adventista conhecia essa história

A relação de Rosabal com Che Guevara não permaneceu completamente escondida. A própria Revista Adventista publicou material sobre o assunto em 1989. Isso transforma nossa investigação também numa investigação sobre memória denominacional. O problema passa a ser não apenas o que aconteceu, mas como a história foi posteriormente narrada. Quais elementos foram enfatizados? Quais foram reduzidos? O adventista aparece como testemunha religiosa ocasional ou como integrante de uma rede concreta de auxílio? A dimensão política da relação é preservada ou espiritualizada?

Essa pergunta é fundamental porque instituições constroem memórias. Selecionam episódios, organizam narrativas, destacam personagens e estabelecem interpretações. Uma revista denominacional participa desse processo. Por isso, a mesma Revista Adventista que em 2026 ensina ao membro como se relacionar com política precisa também aceitar que sua própria memória política seja examinada.

Jânio Quadros: a relação com o poder chega ao Brasil

O caminho histórico nos leva então a Jânio Quadros. Em 1961, Jânio condecorou Che Guevara com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, gesto que provocou enorme repercussão política. Mas o arquivo adventista mostra que Jânio possuía uma relação pública de prestígio com ambientes denominacionais. Ainda como governador de São Paulo, apareceu como convidado e paraninfo em evento educacional adventista. A Revista Adventista o apresentou de forma destacada. Posteriormente, houve outras aproximações e visitas.

O ponto não é afirmar que a IASD endossava todas as decisões de Jânio. O ponto é demonstrar que a Organização se relacionava com políticos importantes. Autoridades eram recebidas, homenageadas, ouvidas e apresentadas à comunidade. Isso é política institucional em sentido amplo, mesmo quando não existe filiação partidária.

O mito do isolamento adventista começa a desmoronar

Quanto mais avançamos no arquivo, menos sustentável se torna a imagem de uma Igreja sempre distante do poder. A relação adventista com política aparece em diferentes formas: interlocução com autoridades, preocupação legislativa, participação de membros em cargos públicos, defesa de interesses confessionais, presença de governantes em instituições, parcerias sociais, eventos e homenagens. Nada disso exige que a IASD pertença formalmente a partido algum. Mas tudo isso demonstra que “apartidarismo” nunca significou isolamento.

Essa distinção é decisiva. A Igreja pode ser apartidária e politicamente ativa em defesa de seus interesses. Pode não possuir candidato oficial e, ainda assim, cultivar relações. Pode não financiar partido e, ainda assim, oferecer a uma autoridade acesso, prestígio e visibilidade. Portanto, o verdadeiro objeto de nossa investigação não é a existência de um documento dizendo “não apoiamos candidatos”. É o comportamento concreto das instituições.

2018: Geraldo Alckmin aparece em evento adventista em plena campanha

Avancemos para 2018. Durante a campanha presidencial, Geraldo Alckmin participou de um mutirão promovido pela ADRA nas dependências do UNASP, em São Paulo. Era presidenciável e estava em atividade eleitoral. O evento ofereceu serviços sociais, mas também produziu fotografias, presença pública e associação com instituições adventistas. Outros candidatos circularam pelo ambiente.

Agora apliquemos o princípio de “Fé sem bandeiras”. Se a exposição pública da preferência de um membro pode influenciar outros, a exposição pública de um candidato dentro de uma instituição adventista também influencia. Se a igreja deve evitar qualquer aparência de apoio eleitoral, o mesmo critério precisa alcançar eventos que oferecem a políticos visibilidade associada ao nome adventista.

ADRA, UNASP e o capital simbólico da Igreja

Uma instituição religiosa não oferece apenas espaço físico. Oferece capital simbólico. ADRA significa assistência humanitária. UNASP significa educação adventista. Desbravadores significam juventude, família e confiança. Um candidato fotografado nesses ambientes não recebe apenas uma fotografia. Recebe associação com valores sociais e religiosos construídos por décadas.

Políticos conhecem perfeitamente esse mecanismo. Por isso visitam igrejas, hospitais, universidades, projetos sociais, sindicatos, associações e comunidades. A presença produz imagem. A imagem produz significado. E o significado pode produzir voto. Portanto, quando estruturas religiosas recebem candidatos durante campanhas, não basta afirmar que ninguém pronunciou as palavras “vote nele”. Política contemporânea funciona por símbolos, enquadramentos, fotografias e associações.

Neumoel Stina, candidatos apresentados e homenagem utilizada eleitoralmente

O arquivo do Adventistas.Com registra ainda episódio envolvendo o pastor Neumoel Stina e apresentação de candidatos durante programação religiosa. Há também o caso da deputada Analice Fernandes, que utilizou politicamente registros de homenagem recebida em contexto adventista relacionado ao Dia Mundial dos Desbravadores. Esses episódios colocam diante de nós exatamente o problema que a Revista Adventista agora pretende regular: até onde uma relação institucional produz influência eleitoral?

Se a resposta for que qualquer exposição pública precisa ser examinada com cuidado, estamos de acordo. Mas então examinemos todas. Não apenas a postagem do membro comum. Examinemos o púlpito. O evento. A homenagem. A fotografia. O auditório. O dirigente. A instituição.

João Doria e a aula magna no UNASP

Em 2017, João Doria, então prefeito de São Paulo, participou de aula magna no UNASP num contexto de parceria entre a universidade adventista e o poder público. A cooperação possuía dimensão social, relacionada a atendimento de pessoas vulneráveis. Isso não elimina seu significado político. Ao contrário, mostra como instituições religiosas e governos se aproximam em projetos que produzem benefício social e capital público para ambos.

Mais uma vez, não há necessidade de transformar toda parceria em irregularidade. O que precisa ser abandonada é a ficção de que a Igreja vive fora do mundo político enquanto apenas os membros correm risco de “politizar” a fé. A instituição negocia com governos, recebe autoridades, estabelece parcerias e participa do espaço público. Portanto, deve aceitar que essa atuação seja submetida ao mesmo escrutínio moral que deseja aplicar à manifestação política de seus membros.

Novo Tempo: quando a voz institucional entra no debate político

A Rede Novo Tempo acrescenta outra dimensão. Comunicadores ligados à emissora possuem alcance que nenhum membro comum possui. Durante a polarização eleitoral de 2018, controvérsias envolvendo manifestações políticas e candidatos demonstraram a sensibilidade da própria instituição diante da aparência de apoio. Leandro Quadros, por exemplo, precisou esclarecer publicamente que determinada referência anterior a Jair Bolsonaro não significava apoio eleitoral seu, da Novo Tempo ou da IASD.

O episódio comprova que a própria Organização reconhece o poder político das associações públicas. Se uma menção pode exigir esclarecimento porque poderia ser interpretada como apoio, então eventos, homenagens, fotografias e orações também produzem significado. Não podemos utilizar uma teoria sofisticada de influência quando convém afastar a imagem institucional de um candidato e uma teoria ingênua quando a instituição é questionada por aproximações com outros.

2022: adventistas impõem as mãos sobre Lula e oram em contexto eleitoral

Chegamos a Manaus, em 2022. Durante a campanha presidencial, adventistas reuniram-se com Luiz Inácio Lula da Silva. A cena foi fotografada. Houve imposição de mãos e oração. A reportagem divulgada na época registrou oração pela saúde e pela vitória eleitoral do candidato. A imagem possui força política evidente: um presidenciável, em campanha, cercado por adventistas que oram por ele.

Agora comparemos essa cena com a tese de Felippe Amorim. Se a manifestação pública da preferência política de um adventista pode ameaçar a liberdade de consciência dos demais, qual é a força simbólica de uma oração pela vitória de um candidato? Se o voto deve permanecer discreto para não produzir influência, o que significa um grupo adventista cercar um presidenciável e impor-lhe as mãos durante a campanha? Se a imagem fosse idêntica, mas Bolsonaro estivesse no centro, o julgamento seria o mesmo? É exatamente essa simetria que precisamos exigir.

Bolsonaro entra pelo mesmo critério

Jair Bolsonaro não pode ficar fora da investigação, porque nosso critério não é ideológico. O arquivo adventista também registra aproximações, manifestações e episódios envolvendo Bolsonaro e adventistas. Entre eles aparecem referências de comunicadores, declarações e o caso de pastor que afirmou ter “ungido” Bolsonaro para a Presidência antes da eleição. Cada episódio deve ser examinado segundo sua documentação específica, mas nenhum lado receberá imunidade.

Esse é o ponto que torna a investigação mais forte do que propaganda partidária. Fidel entra. Che entra. Jânio entra. Alckmin entra. Doria entra. Lula entra. Bolsonaro entra. Qualquer outro político entrará se os documentos mostrarem relação relevante. O problema não é esquerda ou direita. O problema é coerência institucional.

Não estamos procurando o “partido secreto” da IASD

A história não aponta necessariamente para uma fidelidade partidária única. Pelo contrário, a diversidade de personagens indica que a IASD construiu relações com poderes diferentes em diferentes contextos. Isso é comum a instituições grandes, duradouras e interessadas em preservar espaço social, liberdade religiosa, patrimônio, escolas, hospitais, mídia e projetos humanitários.

Mas essa constatação torna a linguagem de “Fé sem bandeiras” ainda mais problemática quando utilizada para disciplinar apenas o membro. A Organização reconhece para si complexidade, pragmatismo, interlocução e relações. Ao membro oferece-se frequentemente uma ética de discrição. Esse desequilíbrio precisa ser confrontado.

Apartidarismo para quem?

A pergunta central, portanto, é simples: apartidarismo para quem? Para o membro que publica uma opinião? Para o professor? Para o pastor? Para o administrador? Para a universidade? Para a agência humanitária? Para a emissora? Para o político adventista? Para o grupo que ora pela vitória de um candidato? Se o princípio é realmente moral, deve alcançar todos. Se só alcança alguns, deixou de ser princípio e passou a funcionar como instrumento institucional.

É aqui que precisamos desconstruir as palavras aparentemente inocentes que organizam o discurso: unidade, discrição, apartidarismo, missão, preservação da Igreja. Nenhuma delas deve ser aceita sem perguntar quem as define, quem as aplica e quem fica protegido por elas. O poder institucional também precisa prestar contas.

Felippe Amorim, sua tese precisa sobreviver ao arquivo histórico

Retornamos então ao autor de “Fé sem bandeiras”. Felippe Amorim propõe uma ética política para o membro adventista. Muito bem. A história permite testá-la. Quando adventistas ajudaram homens de Fidel e Che, como o princípio funcionaria? Quando autoridades receberam prestígio institucional adventista, como funcionaria? Quando candidatos foram apresentados, fotografados ou homenageados, como funcionaria? Quando adventistas oraram pela vitória de um presidenciável, como funcionaria?

O professor não pode resolver esse problema apenas repetindo que a Igreja é apartidária. Isso é exatamente o que está sendo testado. O ponto da investigação é descobrir o que “apartidarismo” significou na prática ao longo das décadas.

E os alunos de Teologia deveriam acompanhar essa discussão

Esse debate pertence também à formação teológica adventista. Futuros pastores precisam aprender que instituições religiosas possuem história, interesses, relações e estruturas de poder. Precisam aprender a distinguir princípio de conveniência, unidade de uniformidade, prudência de silêncio, missão de autopreservação institucional. Precisam saber que documentos denominacionais também podem ser examinados criticamente.

Uma formação teológica madura não deve temer que alunos leiam uma crítica à matéria de seu professor. Deve esperar que comparem fontes, abram arquivos, perguntem, discordem, respondam e aprendam. Se o argumento de “Fé sem bandeiras” é sólido, sobreviverá à investigação. Se possui contradições, elas precisam aparecer.

O verdadeiro teste do apartidarismo está nas fotografias, nos arquivos e nas relações

Uma resolução administrativa pode declarar que a Igreja não apoia candidatos. Mas história institucional não se escreve apenas com resoluções. Escreve-se com agendas, visitas, fotografias, convites, homenagens, eventos, discursos, parcerias, relações e benefícios. O verdadeiro teste do apartidarismo é observar o que acontece quando o princípio encontra o poder.

É por isso que Cuba importa. É por isso que Jânio importa. É por isso que UNASP, ADRA, Novo Tempo, Lula, Bolsonaro, Alckmin, Doria e outros personagens importam. Cada caso ilumina a distância entre a linguagem normativa e a realidade concreta.

“Fé sem bandeiras” — ou memória sem fotografias?

Uma fé realmente sem bandeiras precisa aceitar uma memória com fotografias. Não podemos pedir ao membro que ignore aquilo que o arquivo preserva. Não podemos ensinar uma narrativa abstrata de afastamento político enquanto documentos mostram décadas de relações concretas com poder, autoridades e movimentos.

Se algumas aproximações foram legítimas, expliquem-se. Se houve excessos, reconheçam-se. Se práticas mudaram, documente-se quando mudaram. Se o conceito de apartidarismo sofreu transformação histórica, assumamos essa transformação. O que não podemos fazer é apresentar o princípio atual como se tivesse descido pronto do céu e tivesse sido aplicado de maneira uniforme em toda a história adventista.

Felippe Amorim escreveu sobre como o membro deve comportar-se diante da política. A Revista Adventista decidiu colocar essa tese na capa. Ao fazer isso, abriu legitimamente a porta para a pergunta correspondente: como a própria Organização se comportou diante da política?

O arquivo responde que a história é muito mais complexa do que o slogan.

Fé sem bandeiras partidárias, sim. Mas também história sem maquiagem. Apartidarismo sem seletividade. Unidade sem silenciamento. Discrição sem apagamento. Preservação da Igreja sem blindagem institucional. E o mesmo padrão moral para membro, pastor, professor, administrador e Organização.

Porque, se a regra só vale para quem está embaixo, ela não é princípio. É poder.

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