
Para reconhecer um novo profeta, o curso adventista GSEM534 exige os testes bíblicos, critérios adicionais de Ellen White e participação da liderança da Igreja. Mas quem submeteu Ellen, no início de seu ministério, ao mesmo sistema de avaliação que seus sucessores teriam de enfrentar?
GSEM534 é um curso teológico adventista sobre Ellen G. White e o dom de profecia, ministrado na Universidade de Andrews nos Estados Unidos, dedicado aos critérios de reconhecimento, teste e avaliação de alegações proféticas dentro da Igreja Adventista.
Trata-se de um curso/aula de nível teológico voltado ao dom de profecia no adventismo, com ênfase em Ellen G. White, nos critérios bíblicos e adventistas usados para avaliar alegações proféticas, na questão de falsos profetas, nos chamados “testes” de um profeta genuíno e na possibilidade de surgimento de outro profeta depois de Ellen White. O roteiro também discute o papel da liderança da Igreja nesse processo e afirma que critérios adicionais dados por Ellen White deveriam ser considerados na avaliação de futuros pretendentes ao dom.
O curso é identificado no próprio material como GSEM534. A aula específica tem o título “Ellen G. White and the Gift of Prophecy: The Test of a Prophet”, de Denis Fortin.

Há momentos em que um documento vale mais pelo que organiza do que pelo que afirma isoladamente. O roteiro de aula Ellen G. White and the Gift of Prophecy: The Test of a Prophet, de Denis Fortin, é um desses casos. O material foi preparado para o curso GSEM534 e informa expressamente que partes da exposição foram retiradas ou adaptadas de Roger W. Coon, Modern Prophets and How to Test Them: Another Prophet for the Remnant?, de 17 de maio de 1995. Isso importa porque liga diretamente o curso acadêmico adventista à mesma tradição argumentativa que encontramos em Coon, no caso Anna Phillips e no livreto Heralds of New Light. Não estamos, portanto, diante de peças desconectadas. Estamos diante de uma verdadeira cadeia de raciocínio institucional sobre quem pode ser considerado profeta, como deve ser testado e quem participa desse processo.
O que chama atenção é que o roteiro começa em terreno aparentemente incontestável. Jesus advertiu contra falsos profetas. Paulo recomendou que as profecias não fossem desprezadas e que tudo fosse examinado. O texto lembra que os bereanos verificavam diariamente nas Escrituras se o ensino de Paulo era verdadeiro. Até aí, nenhum problema. Mas a partir desse fundamento bíblico ocorre uma mudança quase imperceptível de objeto: o curso passa de examinar mensagens para testar pretendentes ao dom profético.
Em 1 Tessalonicenses 5:19-21, por exemplo, a formulação “examinai tudo” é explicada como uma exigência de que os pretendentes ao dom profético sejam provados genuínos e verdadeiros. A questão não é meramente semântica. Uma coisa é a comunidade receber uma mensagem e julgá-la à luz da revelação anterior; outra é criar um processo em que a pessoa que alega ter sido enviada por Deus precise primeiro passar por uma espécie de banca de autenticação.
DEUS ENVIA PROFETAS OU A IGREJA APROVA CANDIDATOS?
A Bíblia certamente manda discernir. O problema é transformar discernimento em credenciamento. Paulo escreve: “Falem dois ou três profetas, e os outros julguem.” A ordem é significativa: eles falam, e aquilo que foi falado é julgado. O texto não descreve homens e mulheres aguardando reconhecimento institucional prévio para então receber autorização para entregar aquilo que creem ser uma mensagem de Deus. Jeremias não compareceu a uma comissão do templo para provar que possuía o dom antes de censurar sacerdotes e reis; Amós não submeteu sua chamada a Amazias antes de falar em Betel; Natã não apresentou suas credenciais à corte de Davi antes de dizer “Tu és o homem”. Se Deus realmente envia um profeta, a mensagem chega antes do parecer da comissão.
É aqui que o curso de Fortin começa a produzir uma estrutura que vai além da linguagem bíblica. O documento afirma expressamente que a Igreja tem obrigação de enfrentar os pretendentes ao dom de profecia e que não deve aceitar ninguém que reivindique o dom até que primeiro apresente “evidência clara” de que realmente procede de Deus. Em termos prudenciais, a cautela parece razoável. Mas a frase muda a relação de forças: já não estamos apenas perguntando se a mensagem procede de Deus; estamos perguntando se a pessoa será aceita pela instituição como alguém que pode falar em nome de Deus.
OS TESTES BÍBLICOS NÃO BASTAM?
Fortin enumera uma série de testes. O primeiro é a concordância com a revelação anterior: a mensagem do suposto profeta moderno não pode contradizer a Escritura. Depois vem o cumprimento das predições, com ressalvas sobre condicionalidade; em seguida, a atitude em relação à encarnação de Jesus; depois, os frutos; e, por fim, ainda aparecem “evidências adicionais” como oportunidade das mensagens, natureza prática, certeza absoluta, reconhecimento dos contemporâneos, relação com influências externas e fenômenos físicos das visões. Até esse ponto, o documento procura construir um conjunto de critérios cumulativos para avaliar reivindicações proféticas.
Mas o ponto decisivo aparece no final, quando o documento trata da possibilidade de outro profeta surgir na Igreja Adventista. Fortin afirma que, se isso acontecer, todos os testes deverão ser aplicados, que eles são cumulativos e que o corpo de material utilizado para testar o dom também é cumulativo. Então vem a formulação realmente explosiva: quaisquer testes dados por Ellen White, além daqueles encontrados na Escritura, necessariamente precisariam ser aplicados. Logo depois, o roteiro acrescenta que a liderança da Igreja tem um papel a desempenhar nesse processo de avaliação. É difícil exagerar a importância dessa formulação, porque o futuro profeta, segundo esse modelo, não passa apenas pela Bíblia; passa também pelos critérios adicionais formulados por Ellen White e ainda pela participação da liderança da Igreja.
Temos, portanto, uma estrutura de três níveis: Escritura, Ellen White e liderança institucional. E é exatamente aqui que surge a pergunta que o próprio manual não parece fazer: quem submeteu Ellen White, no início de sua própria trajetória, a esse mesmo sistema?
A PROFETISA QUE CHEGOU ANTES DO MANUAL
A assimetria histórica é evidente. Ellen começou a relatar visões em dezembro de 1844, e o próprio roteiro afirma que os adventistas do sétimo dia sustentam que o dom profético se manifestou em sua vida desde então até sua morte, em 1915. Mas o modelo de avaliação que o curso apresenta foi construído muito depois, com base na Bíblia, em Ellen White e em desenvolvimentos adventistas posteriores. Isso cria um problema de reciprocidade metodológica: um profeta que apareça depois de Ellen precisa passar por critérios que incluem Ellen; Ellen, evidentemente, não poderia ter passado por critérios produzidos posteriormente por ela mesma.
Então a régua não é simétrica. E isso se torna ainda mais curioso quando o curso insiste que todos os testes precisam ser aplicados cumulativamente. Se são realmente necessários para autenticar um profeta moderno, por que não foram necessários para autenticar Ellen antes que ela própria se tornasse uma das fontes desses testes? A pergunta não é retórica. Ou os critérios adicionais de Ellen não são indispensáveis, porque um verdadeiro profeta pode ser reconhecido biblicamente sem eles; ou eles são indispensáveis, e então Ellen foi reconhecida sem enfrentar um conjunto de exigências que posteriormente se tornou obrigatório para os demais; ou existe uma exceção histórica para Ellen. E, se existe essa exceção, precisamos saber em que texto bíblico ela foi estabelecida.
ANNA PHILLIPS ENTROU NUM JOGO CUJAS REGRAS JÁ ESTAVAM ESCRITAS POR ELLEN
É aqui que Anna Phillips volta a ocupar o centro da discussão. O próprio roteiro recomenda, na bibliografia, materiais específicos sobre Anna, o que mostra que o caso não é periférico ao tema. Ele funciona como ilustração histórica concreta de como a instituição lidou com uma nova reivindicação profética. Mas Anna apareceu depois de Ellen, e essa diferença cronológica muda tudo. Quando Anna surge, Ellen já é a mensageira reconhecida, já existe uma tradição de autoridade profética construída em torno dela, já existem declarações suas sobre falsos profetas e já existem critérios adventistas sendo associados à sua obra.
Em outras palavras, Anna entra numa sala de exame em que uma das examinadoras já é a profetisa anterior. Isso não prova que Anna estivesse certa, nem que Ellen estivesse errada, mas prova que o sistema de avaliação já estava estruturalmente assimétrico. Anna precisava ser examinada por uma régua que incluía Ellen; Ellen nunca precisou ser examinada por uma régua que incluísse Anna. A frase é óbvia, mas suas implicações são profundas.
O CRITÉRIO MAIS INCÔMODO: ELLEN WHITE COMO FONTE DE TESTES
O problema não está apenas no fato de Ellen ter sido considerada profetisa antes de Anna. O ponto mais delicado é que o curso atribui às próprias declarações de Ellen autoridade normativa para avaliar os que viessem depois. Quando o documento afirma que quaisquer testes dados por Ellen White, além daqueles encontrados na Escritura, necessariamente precisariam ser aplicados, Ellen deixa de ser apenas alguém que passou por um teste e se torna, em parte, fonte do teste.
Essa é uma mudança importante. O profeta anterior passa a participar da definição das condições de reconhecimento do profeta posterior. Mas quem autorizou essa passagem? Se a resposta for “Deus revelou a Ellen critérios adicionais”, voltamos ao problema que já encontramos em nosso estudo sobre a pretensão de ser a boca de Deus: a afirmação de Ellen de que Deus lhe deu determinado critério também precisa ser examinada. Não pode ser aceita como divina simplesmente porque veio de Ellen. Se a resposta for “a Igreja reconheceu Ellen, portanto seus critérios são válidos”, então a instituição passa a emprestar autoridade profética aos critérios. Se a resposta for “os frutos da obra de Ellen demonstraram que ela era verdadeira”, então precisamos explicar por que os frutos bastaram para Ellen, mas não bastariam para outro pretendente. Em todas as alternativas, a questão da simetria permanece.
O CURSO CHEGA A ADMITIR QUE FALSOS PROFETAS PODEM PARECER MUITO CONVINCENTES
Há um aspecto do roteiro que torna a situação ainda mais interessante. Fortin afirma que falsos profetas podem ser sinceros, não necessariamente impostores, podem produzir manifestações sobrenaturais e até realizar previsões limitadas que se cumprem. Na conclusão, acrescenta que falsas mensagens podem conter “alguma verdade” e até “muita verdade”. Essas observações são excelentes, mas precisam ser aplicadas a todos. Sinceridade não prova Anna e também não prova Ellen; fenômenos sobrenaturais não provam Anna e também não provam Ellen; predições cumpridas isoladamente não provam Anna e também não provam Ellen; muita verdade não prova Anna e também não prova Ellen; frutos favoráveis não provam Anna de maneira automática e também não podem funcionar como salvo-conduto automático para Ellen.
O próprio manual, quando lido com coerência, destrói qualquer apologética baseada apenas em carisma, sinceridade, impacto espiritual ou utilidade prática. Se esses elementos não bastam para validar um novo profeta, tampouco podem ser convocados como prova decisiva para preservar a autoridade da profetisa já reconhecida.
E O QUE ACONTECE COM A PRÓPRIA AUTODECLARAÇÃO DE ELLEN?
O roteiro dedica uma seção à conhecida declaração de Ellen White de que não reivindicava o título de profetisa. A defesa apresentada é que ela rejeitava o título, não a função. Para provar isso, o curso reproduz uma declaração de 1906 em que Ellen afirma ter sido instruída de que era “a mensageira do Senhor”. O trecho chega ao ponto de atribuir ao próprio Salvador as palavras: “Não é você quem fala; é o Senhor quem dá as mensagens de advertência e reprovação.”
Essa citação é decisiva para nosso problema porque mostra que a autoridade reivindicada não era pequena. Ellen não estaria apenas oferecendo conselhos devocionais. Segundo esse relato, o próprio Senhor teria declarado que não era ela quem falava, mas Ele quem dava as mensagens. Então devemos perguntar, novamente, com total seriedade metodológica: como sabemos que foi realmente o Senhor quem disse a Ellen que era o Senhor quem falava por Ellen?
A resposta não pode ser simplesmente “porque Ellen contou que Ele disse”, pois isso permitiria que a reivindicação se autenticasse pela própria reivindicação. Anna Phillips poderia fazer exatamente o mesmo; Joseph Smith poderia fazer exatamente o mesmo; qualquer pessoa poderia fazer exatamente o mesmo. A frase “Deus me disse que sou Sua mensageira” não é prova de autenticidade; é o objeto da investigação.
O MANUAL RECONHECE UMA POSSIBILIDADE QUE DEPOIS RESTRINGE
Há uma tensão curiosa no próprio texto. O curso admite que outro verdadeiro profeta pode surgir antes da volta de Cristo. Reconhece que Joel 2 permite essa possibilidade e até afirma que pode haver mais de um cumprimento futuro da profecia. Isso, em princípio, abre a porta. Mas logo depois o sistema fecha parcialmente essa mesma porta com uma série de exigências acumuladas: todos os testes bíblicos, todos os critérios adicionais de Ellen White e participação da liderança.
O novo profeta é teoricamente possível, mas, na prática, chega a uma instituição que já possui uma profetisa normativa, uma tradição interpretativa consolidada e uma liderança incumbida de participar de seu reconhecimento. É difícil não perceber o paradoxo. A Igreja diz que Deus pode enviar outro profeta, mas também diz que, quando esse profeta chegar, ele terá de passar por uma estrutura de avaliação moldada pela profetisa anterior e pela liderança da própria Igreja. Então a pergunta deixa de ser apenas “Deus o enviou?” e passa a ser também “Nós reconhecemos que Deus o enviou?”. Historicamente, essas duas perguntas não são a mesma coisa.
O PERIGO DE A INSTITUIÇÃO AVALIAR A MENSAGEM QUE A ACUSA
O problema se torna especialmente grave quando a nova mensagem é dirigida contra a própria liderança. Imagine o cenário bíblico clássico: o profeta aparece precisamente para denunciar a apostasia de sacerdotes, reis ou dirigentes. Nesse caso, segundo o modelo institucional, aqueles que podem ser alvo da mensagem participam também do processo de avaliação do mensageiro. É uma situação delicada. Se Jeremias tivesse de apresentar sua mensagem aos sacerdotes e esperar que eles aprovassem sua condição profética antes de denunciá-los, a estrutura de poder seria absurda. Se Amós precisasse da aprovação de Amazias, sua missão em Betel terminaria antes de começar. Se Natã dependesse de uma comissão do palácio, Davi talvez jamais ouvisse “Tu és o homem”.
A Bíblia não elimina o discernimento da comunidade, mas tampouco entrega ao alvo potencial da profecia um direito de veto prévio sobre o mensageiro. É exatamente por isso que o exame precisa permanecer centrado na mensagem e na Escritura, não na autorização administrativa de quem a recebe.
APLIQUEM RETROSPECTIVAMENTE A ELLEN A RÉGUA CONSTRUÍDA PARA OS OUTROS
Esse é o ponto em que nosso exercício pode ser formulado da maneira mais simples possível. Não pedimos uma régua especial contra Ellen, nem critérios mais duros, nem que o material seja lido com preconceito. Pedimos apenas uma coisa: apliquem retrospectivamente a Ellen White exatamente a régua que o adventismo construiu para quem viesse depois dela.
Se um futuro profeta precisa demonstrar concordância com a Escritura, façamos isso com Ellen; se suas previsões precisam ser verificadas, verifiquemos as de Ellen; se seus frutos precisam ser observados ao longo do tempo, façamos o mesmo com Ellen; se fenômenos sobrenaturais não bastam, não usemos fenômenos físicos das visões como prova decisiva de Ellen; se muita verdade pode existir numa falsa mensagem, não usemos a quantidade de bons conselhos nos escritos de Ellen como prova automática de inspiração; se sinceridade não basta, não usemos a sinceridade de Ellen como argumento final; e, se novas mensagens devem ser confrontadas com a Escritura, confrontemos as de Ellen.
Há, contudo, uma exigência que não pode ser aplicada retrospectivamente sem revelar a assimetria do sistema: os critérios adicionais de Ellen White. Ellen não poderia ter passado por um exame em que Ellen fosse uma das fontes normativas do exame. É exatamente por isso que esse elemento precisa ser questionado.
O PROBLEMA NÃO É A BÍBLIA; É O QUE FOI ACRESCENTADO DEPOIS
Se retirarmos do sistema aquilo que é posterior e circular, sobra algo muito mais simples e muito mais bíblico. Uma pessoa afirma ter sido enviada por Deus; a mensagem é ouvida; a Escritura é aberta; o conteúdo é examinado; as previsões são registradas e verificadas; os frutos são observados; as circunstâncias são investigadas; o tempo faz seu trabalho. Nada disso exige uma licença denominacional prévia.
O problema começa quando a autoridade de uma profetisa anterior passa a funcionar como parte da régua necessária para reconhecer a próxima. E cresce quando a liderança institucional também se torna participante formal desse reconhecimento, porque então o sistema corre o risco de deixar de perguntar apenas se a mensagem vem de Deus e começar a perguntar se ela é compatível com o patrimônio religioso já consolidado. Essas coisas podem coincidir, mas não são idênticas.
O MANUAL QUE ELLEN NÃO PRECISOU ENFRENTAR
O título deste artigo é deliberadamente provocativo, mas o problema é documental. O curso admite a possibilidade de novos profetas, estabelece um processo cumulativo de testes e acrescenta que quaisquer critérios fornecidos por Ellen White também precisam ser aplicados, com participação da liderança da Igreja.
Ellen, porém, surgiu antes desse sistema completo existir. Ela chegou antes do manual; depois, parte do manual foi construída com base nela; e então o manual passou a ser usado para avaliar quem viesse depois. Essa sequência histórica deveria, no mínimo, produzir desconforto metodológico, porque a profetisa reconhecida não apenas escapou dos critérios que seriam posteriormente exigidos dos novos pretendentes: ela própria passou a integrar o conjunto de critérios.
NO FIM, A PERGUNTA É MAIS SIMPLES DO QUE O SISTEMA
Deus não precisa da Igreja para enviar um profeta, embora a Igreja deva examinar aquilo que chega em nome de Deus. Examinar, porém, não é criar o chamado; examinar não é conceder o dom; examinar não é transformar o destinatário em dono do mensageiro; e muito menos deveria significar que o profeta posterior precisa obter aprovação de uma régua parcialmente escrita pela profetisa anterior. Talvez o problema esteja exatamente na confusão entre essas coisas.
Se Deus envia alguém, a Igreja não produz essa missão. A instituição recebe uma mensagem e precisa discerni-la. Se a mensagem é falsa, rejeite-a; se é verdadeira, obedeça a Deus. Mas, em qualquer dos casos, o centro do processo não pode ser a preservação da autoridade da estrutura já existente. O centro precisa continuar sendo a Escritura.
E aqui está a exigência final deste exercício: se o manual é bom para Anna Phillips, para Margaret Rowen, para Anna Garmire e para qualquer futuro pretendente ao dom profético, então ele precisa ser bom também para Ellen White. E onde o manual contém critérios que Ellen jamais poderia ter enfrentado porque foram formulados depois dela ou por ela mesma, esses critérios não podem ser usados como se fossem parte do teste bíblico original. Não estamos pedindo privilégio para Anna; estamos pedindo que Ellen perca o privilégio metodológico que ninguém mais recebeu. A mesma Bíblia, a mesma régua e a mesma exigência de evidência devem valer para todos.
ELLEN G. WHITE E O DOM DE PROFECIA: O TESTE DE UM PROFETA
Por Denis Fortin
NOTA EDITORIAL 1
Denis J. H. Fortin é um teólogo e historiador adventista canadense, professor de Teologia Histórica no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia da Andrews University, em Berrien Springs, Michigan. Portanto, para este material que estamos publicando, é importante deixar claro que não estamos tratando de um autor adventista periférico, mas de alguém com longa trajetória acadêmica e administrativa dentro de uma das principais instituições de formação teológica da denominação.
Fortin nasceu em Quebec, Canadá. Formou-se em ministério pastoral no Canadian Union College, atual Burman University, em 1982; concluiu o Master of Divinity no Seminário Teológico da Andrews University em 1986 e obteve o PhD em Teologia pela Université Laval, no Quebec, em 1995. Antes da carreira acadêmica, trabalhou como pastor adventista no Quebec.
Na Andrews, sua trajetória é especialmente relevante. Ingressou no corpo docente do Seminário na década de 1990 e exerceu funções como diretor do programa de Master of Divinity, decano associado, chefe do Departamento de Teologia e Filosofia Cristã e, principalmente, decano do Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia entre 2006 e 2013. Atualmente aparece na própria Andrews como professor de Teologia Histórica.
Para nossa investigação, porém, há algo ainda mais significativo: Fortin é um especialista em história e teologia adventistas e trabalhou extensamente com Ellen G. White. Ele foi coeditor de The Ellen G. White Encyclopedia, publicada pela Review and Herald, e preparou uma edição acadêmica anotada de Steps to Christ (Caminho a Cristo). Sua produção inclui diversos estudos sobre Ellen White, desenvolvimento doutrinário adventista e história denominacional.
A própria página de Fortin na Andrews identifica o curso como: GSEM534 — “The Writings of Ellen G. White” (“Os Escritos de Ellen G. White”).
Fortin disponibilizou publicamente os roteiros e apresentações do curso e informa que o material foi originalmente escrito ou pesquisado por Roger Coon, Denis Fortin e Jerry Moon. Dentro do módulo “Ellen G. White as a Prophet” aparece justamente a aula “The Test of a Prophet”, o documento que acabamos de traduzir e analisar.
Portanto, não estamos atribuindo ao adventismo, genericamente, algo encontrado num texto anônimo da internet. Estamos examinando material didático de um curso sobre Ellen White disponibilizado pelo próprio professor do Seminário Teológico da Andrews University, ex-decano desse mesmo Seminário e coeditor da enciclopédia dedicada a Ellen White.
O texto a seguir é uma tradução documental integral do roteiro de aula de Denis Fortin, Ellen G. White and the Gift of Prophecy: The Test of a Prophet. Procuramos preservar a estrutura, argumentação, referências, citações e terminologia do documento original, inclusive nos pontos em que suas conclusões serão posteriormente objeto de análise crítica. O próprio roteiro informa que partes de seu conteúdo foram retiradas ou adaptadas de Roger W. Coon, Modern Prophets and How to Test Them: Another Prophet for the Remnant?, de 17 de maio de 1995. A publicação desta tradução não implica concordância editorial com as conclusões do autor; seu propósito é tornar acessível ao leitor de língua portuguesa uma fonte documental relevante para o estudo dos critérios adventistas de reconhecimento e avaliação do dom profético.
GSEM534
Roteiro de Aula
Denis Fortin
Partes deste roteiro de aula foram retiradas ou adaptadas de Roger W. Coon, Modern Prophets and How to Test Them: Another Prophet for the Remnant?, 17 de maio de 1995. Para leitura adicional, veja também Herbert E. Douglass, Messenger of the Lord, pp. 28-36.
NOTA EDITORIAL 2
O texto a seguir é uma tradução documental integral do roteiro de aula de Denis Fortin, Ellen G. White and the Gift of Prophecy: The Test of a Prophet. Procuramos preservar sua estrutura, argumentação, subdivisões, citações, referências e terminologia, inclusive nos pontos em que suas afirmações ou conclusões poderão posteriormente ser objeto de análise crítica. O próprio documento informa que partes de seu conteúdo foram retiradas ou adaptadas de Roger W. Coon, Modern Prophets and How to Test Them: Another Prophet for the Remnant?, de 17 de maio de 1995. A publicação desta tradução não implica concordância editorial com as conclusões do autor; seu objetivo é tornar acessível ao leitor de língua portuguesa uma fonte documental relevante para o estudo dos critérios adventistas de reconhecimento e avaliação do dom profético.
INTRODUÇÃO
A. A DOUTRINA DOS DONS ESPIRITUAIS
1. Os adventistas do sétimo dia estão familiarizados com a doutrina dos dons espirituais e com seu papel na identificação do povo remanescente de Apocalipse 12.
a. “Então o dragão irou-se contra a mulher e foi fazer guerra ao restante de sua descendência — aos que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:17, NVI).
b. Duas características definem esse remanescente da mulher: são aqueles que obedecem aos mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus.
c. Os adventistas do sétimo dia e muitas outras denominações cristãs concordam que os mandamentos mencionados são os Dez Mandamentos que Deus deu ao Seu povo. Esses mandamentos, escritos pelo próprio dedo de Deus, são eternos e tão imutáveis quanto o trono de Deus.
(1) Um desses Mandamentos é o esquecido quarto mandamento: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar…”
d. Esse povo remanescente, que provoca a ira do dragão no tempo do fim, também se apega ao testemunho de Jesus. A passagem correspondente em Apocalipse 19:10 define esse testemunho de Jesus como sendo o espírito de profecia.
e. Longe de ter sido extinto com a morte do apóstolo João, a Bíblia indica que os dons do Espírito ainda existem mesmo no tempo do fim. (Joel 2:28, 29; Atos 2:16-21; Efésios 4:11-16.)
f. A Escritura, portanto, indica que no tempo do fim um dom específico, o espírito de profecia, continuaria sendo um dom relevante para o povo de Deus. Ele até definiria quem é esse remanescente. Hoje, os adventistas do sétimo dia são a única denominação que satisfaz ambos os critérios no mundo do cristianismo.
2. Os adventistas do sétimo dia sustentam que esse dom espiritual se manifestou na vida e no ministério de Ellen G. White, desde dezembro de 1844 até o momento de sua morte, em 16 de julho de 1915.
a. Entretanto, nossa afirmação de que Ellen White cumpre esse requisito bíblico levanta muitas perguntas.
B. RAZÕES PARA O CETICISMO
1. Para muitos cristãos, e até para alguns adventistas do sétimo dia, a crença de que Ellen G. White representa o cumprimento desse critério de identificação de Apocalipse 12:17 levanta muitas perguntas e muito ceticismo.
a. Esse não é um fenômeno novo, e essa reação ao dom profético de Ellen G. White nos ajuda a melhorar e esclarecer nossa apresentação dessa doutrina.
2. Ceticismo no século XIX
a. Os primeiros crentes adventistas eram céticos em relação aos profetas modernos. Desde o início do século XIX, muitas pessoas haviam reivindicado o dom de profecia.
(1) Joseph Smith afirmou ser um verdadeiro profeta e deu início ao mormonismo.
(2) Mary Baker Eddy foi a profetisa fundadora da Igreja da Cientologia.
(3) Várias comunidades foram estabelecidas com base na reivindicação de alguém de ser profeta de Deus: os Shakers, com sua profetisa Ann Lee, a comunidade de Oneida e muitas outras. (Uma dessas comunidades existiu em Berrien Springs.)
(4) O espiritismo moderno estava se expandindo. Muitas pessoas afirmavam falar com os espíritos imortais dos mortos e receber deles comunicações.
b. Em uma carta a Uriah Smith, em fevereiro de 1859, Daniel T. Bourdeau, um franco-canadense que trabalhava no norte de Vermont e no Canadá, mencionou ter participado de uma reunião em sua comunidade de origem na qual uma senhora Parker era a principal oradora. Pouco depois de entrar na sala, a senhora Parker caiu em transe. O espírito de Benjamin Franklin (1725-1802) havia tomado posse dela, e ela passou a falar sobre salvação universal enquanto exaltava os méritos de Jesus e a leitura da Bíblia.
(1) Bourdeau descreveu a cena e comparou essa senhora Parker com aquilo que conhecia da experiência de Ellen White. (Carta, D. T. Bourdeau a U. Smith, RH, 24 de fevereiro de 1859.)
c. A história adventista inicial está repleta de relatos de pessoas que eram céticas a respeito do dom moderno de profecia ou até o rejeitavam. Muitos de nossos primeiros pioneiros, como Joseph Bates, tiveram de lutar com o conceito de dons espirituais e com sua manifestação em uma jovem chamada Ellen G. White.
(1) Observe esta reação típica de um dos primeiros adventistas ao escrever a James White:
“Não posso endossar as visões da irmã Ellen como sendo de inspiração divina, como você e ela pensam que sejam; contudo, não suspeito da menor sombra de desonestidade em nenhum de vocês nesse assunto… Penso que aquilo que ela e você consideram visões do Senhor são apenas devaneios religiosos, nos quais sua imaginação corre sem controle sobre temas nos quais ela está profundamente interessada… De modo algum penso que suas visões sejam como algumas provenientes do diabo.” ([James White], A Word to the “Little Flock”, 1847, p. 22.)
2. Ceticismo no século XX
a. As pessoas de hoje são tão céticas em relação aos que reivindicam o dom de profecia quanto eram no passado. Vários acontecimentos trágicos tornaram as pessoas céticas. E concordamos com elas.
(1) O suicídio coletivo de Jonestown, na Guiana, em 1978.
(2) David Koresh, em Waco, Texas, em 1994.
(3) Discípulos da Ordre du Temple Solaire — Ordem do Templo Solar — tanto na Suíça quanto em Quebec, que cometeram suicídios coletivos em 1995 para partir em uma viagem a algum outro planeta de felicidade.
(4) Ataque com gás venenoso no metrô de Tóquio, em março de 1995, ordenado pelo guru da seita.
b. Muitos pretendentes modernos ao dom de profecia possuem algumas características em comum:
(1) Uso de seu carisma para escravizar pessoas, controlar suas mentes e seus bens materiais.
(2) Abuso de poder ao determinar o destino de seus discípulos, até mesmo sua morte.
(3) Morte de pessoas inocentes presas na teia e no labirinto desses cultos e seitas.
3. Podemos compreender, portanto, outros cristãos e pessoas seculares que possuem muitas razões para serem céticos em relação à afirmação adventista do sétimo dia de que temos uma profetisa moderna, Ellen G. White.
a. Tanto no século XIX quanto agora, reivindicar ser profeta provoca muito ceticismo e escrutínio.
4. Ao apresentarmos o dom bíblico de profecia no tempo do fim e a reivindicação adventista do sétimo dia de seu cumprimento na vida e no ministério de Ellen G. White, devemos adotar uma abordagem que convença e responda às perguntas, ao escrutínio e ao ceticismo dessas pessoas.
a. Na realidade, a Escritura exige que testemos os pretendentes ao dom de profecia.
C. O IMPERATIVO BÍBLICO DE TESTAR OS PRETENDENTES
1. O conselho de Jesus
a. Mateus 7:15: “Acautelai-vos dos falsos profetas.”
(1) A implicação é que existem profetas verdadeiros.
b. Mateus 24:4, 5, 11, 24: em Seu sermão sobre a destruição de Jerusalém, os sinais dos tempos e o fim do mundo, Jesus adverte sobre os perigos do engano.
(1) Haveria falsos cristos e falsos profetas.
(2) Esses falsos profetas ofereceriam provas subjetivas — “grandes sinais e maravilhas” — em vez da Palavra de Deus.
(a) Muitos surgiriam, e muitos seriam enganados por eles.
2. O conselho de Paulo
a. Em 1 Tessalonicenses 5:19-21:
(1) Não apagueis o Espírito Santo, negligenciando ou desonrando Seus dons.
(2) Não desprezeis a profecia.
(3) Examinai todas as coisas: os pretendentes ao dom profético devem ser provados como genuínos e verdadeiros.
(4) Retende aquilo que se provar genuíno e bom.
(a) Isso implica que a profecia continuaria depois da época de Paulo e necessitaria de exame contínuo.
b. Paulo não se importava em ser examinado. Pelo contrário, parece ter acolhido esse exame:
(1) Os bereanos, em Atos 17:11, foram declarados “mais nobres” do que os tessalonicenses porque tinham mente aberta — receberam a palavra — e não eram crédulos — examinavam diariamente as Escrituras para verificar se os ensinos de Paulo eram verdadeiros e fiéis.
3. O conselho de Ellen White
a. Ellen White acreditava na certeza do surgimento de falsos profetas:
(1) Eles surgiriam (2ME 392).
(2) Haveria muitos falsos profetas e muitos seriam enganados (2ME 72, 392).
(3) À medida que o fim se aproximasse, seu número aumentaria, tanto nos Estados Unidos quanto em outros países (RH, 25 de maio de 1905; 2ME 72; Ev 610).
(4) Muitos desses falsos profetas seriam genuinamente sinceros, não sendo de modo algum impostores ou fraudulentos (2ME 72).
b. Os resultados dos falsos profetas:
(1) Engano (OE 152; Ev 363, 610; 2ME 392).
(2) Confusão (2ME 72).
(3) Rebelião (4T 173; PR 442; 2ME 392-395).
(4) Heresias doutrinárias seriam introduzidas (2ME 393, 360).
(5) Descrédito do legítimo dom de profecia. Em desgosto, alguns descartariam Ellen White juntamente com as fraudes comprovadas (2ME 77-79).
(6) Manifestações sobrenaturais — falsos milagres — acompanhariam muitos desses falsos profetas (Ev 610; 2ME 48, 49).
(a) Portanto, fenômenos sobrenaturais não podem, por si mesmos, constituir teste de legitimidade ou autenticidade!
(7) Falsos profetas seriam mais perigosos para a Igreja Adventista do Sétimo Dia do que até mesmo a própria perseguição! (Ev 359, 360.)
c. Obrigação da Igreja diante de tais pretendentes ao dom de profecia:
(1) A Igreja deve enfrentá-los; não pode ignorá-los (Ev 359, 360, 610).
(2) Não aceite ninguém que reivindique o dom, a menos e até que essa pessoa primeiro lhe forneça “evidência clara” de que é genuinamente proveniente de Deus (2ME 72; Ev 610).
I. OS TESTES DE UM PROFETA GENUÍNO
A. O TESTE DA CONCORDÂNCIA COM A REVELAÇÃO ANTERIOR
Isaías 8:20: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles.”
1. O teste:
a. Os ensinos dos alegados novos profetas não devem contradizer os ensinos dos antigos profetas, validados e estabelecidos.
b. Cada declaração de um novo profeta sucessivo deve concordar com as mensagens cumulativas de todos os profetas anteriores.
c. A mensagem de um profeta moderno deve concordar com a Escritura.
2. Considerações a serem feitas:
a. Isso não exclui a possibilidade de “nova luz” (new light) proveniente de Deus — informação que vá além dos profetas anteriores.
(1) É possível informação extrabíblica adicional àquela fornecida pelos profetas anteriores.
(a) O Novo Testamento oferece “nova luz” não fornecida no Antigo Testamento.
(b) Ellen G. White oferece “nova luz” não encontrada na Bíblia.
(2) Informação antibíblica que contradiga os profetas anteriores deve ser descartada.
(a) Isaías 8:20 afirma que essa “nova luz” não é luz alguma.
(b) Isaías também indica, no verso 19, que a luz que chega à humanidade por um meio contrário às normas bíblicas, como necromancia e espiritismo, também deve ser considerada falsa e rejeitada.
B. O TESTE DO CUMPRIMENTO DA PROFECIA
Jeremias 28:9: “Quando se cumprir a palavra do profeta, será conhecido esse profeta como aquele que o Senhor verdadeiramente enviou.”
Deuteronômio 18:22: “Se aquilo que um profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa é uma mensagem que o Senhor não falou. Esse profeta falou presunçosamente. Não tenha medo dele.”
1. O teste:
a. Cumprimento das predições referentes a acontecimentos futuros.
2. Considerações a serem feitas:
a. O elemento condicional pode qualificar a aplicação deste teste:
(1) Tanto Jeremias quanto Moisés mencionam esse elemento condicional nos mesmos livros em que identificam o cumprimento como teste. (Jeremias 18:6-10; 26:2-6; Deuteronômio 4:9; 8:19; 28:1, 2, 13-15.)
(2) Outras referências ao cumprimento condicional das predições: Zacarias 6:15; 2 Crônicas 15:2. (Veja também “The Role of Israel in OT Prophecy”, 4BC 25-38.)
(3) A profecia de Jonas sobre a destruição de Nínive é um bom exemplo da aplicação da condicionalidade às profecias.
(a) O elemento condicional não estava explícito em sua mensagem oral, mas estava implícito.
b. Devemos lembrar que Satanás pode fazer predições limitadas a respeito do futuro imediato.
(1) No caso do rei Saul, quando ele visitou a feiticeira de Endor já havia apostatado tão completamente e cometido o pecado imperdoável que Satanás possuía total controle sobre o homem e podia predizer com precisão sua morte imediata (1 Samuel 28:19).
(2) Ellen G. White acrescenta que, em certas ocasiões, falsos profetas de sua época foram capazes de predizer determinadas coisas de maneira muito limitada, e essas coisas aconteceram conforme previsto (2ME 76, 77, 86).
(3) Entretanto, o cumprimento de uma predição é um teste legítimo de um profeta, mas com essas qualificações.
C. O TESTE DA ATITUDE EM RELAÇÃO À ENCARNAÇÃO DE JESUS
1 João 4:2: “Todo espírito que reconhece que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus.”
1. O teste:
a. Um verdadeiro profeta declarará, e não negará, tanto a divindade quanto a humanidade de Jesus.
(1) Nos tempos do Novo Testamento, para os gregos era possível acreditar na divindade de Jesus, mas muito difícil, quase impossível, acreditar em Sua humanidade. A encarnação de uma divindade era uma pedra de tropeço.
(2) Para os judeus, era possível acreditar na humanidade de Jesus — Ele era filho de José, o carpinteiro. Mas era quase impossível acreditar em Sua divindade. A divindade de Jesus era uma pedra de tropeço.
(3) Assim também hoje, muitos enfatizam a humanidade de Jesus e rejeitam que Ele fosse o divino Filho de Deus. Outros consideram Jesus divino e diminuem a ênfase em Sua humanidade.
(4) O profeta genuíno sustentará tanto a divindade quanto a humanidade de Jesus.
2. Contribuições de Ellen White para a teologia adventista do sétimo dia acerca da divindade de Cristo.
a. Muitos dos primeiros pioneiros adventistas eram arianos ou semiarianos em sua compreensão da natureza de Cristo.
b. Ellen White ajudou na aceitação da plena divindade de Cristo com sua declaração em O Desejado de Todas as Nações: “Em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada” (p. 530).
D. O TESTE DOS FRUTOS
Mateus 7:20: “Assim, pelos seus frutos os reconhecereis.”
1. O teste:
a. Os cristãos não devem ser “juízes” dos motivos e do caráter, mas “inspetores de frutos”.
2. Considerações a serem feitas:
a. Áreas nas quais este teste é aplicado:
(1) Frutos na própria vida do profeta.
(2) Frutos na vida daqueles que seguem o alegado profeta.
b. Os frutos levam tempo para se desenvolver até mesmo no mundo natural.
(1) Não devemos ter pressa para validar as reivindicações dos alegados profetas; conceda bastante tempo para que os frutos apareçam.
(2) Quando a emoção substitui o julgamento equilibrado, “pode haver demasiada pressa, mesmo ao viajar por uma estrada correta. Aquele que viaja depressa demais descobrirá que isso é perigoso em mais de uma maneira. Pode não demorar muito até que ele se desvie da estrada correta para um caminho errado.” (2ME 91.)
c. Ao aplicar este teste, não procure perfeição sem pecado.
(1) Todos os profetas — exceto Jesus — pecaram, inclusive Ellen G. White (Romanos 3:23).
(2) Como, então, os frutos podem ser um teste legítimo? Ellen White oferece uma pista em Caminho a Cristo, pp. 57-58, onde estabelece uma distinção entre atos individuais — sejam bons ou maus — e a tendência ou direção da vida como um todo. Ela diz:
“O caráter [que é o fruto da vida de uma pessoa] é revelado, não por boas ações ocasionais e más ações ocasionais, mas pela tendência [orientação/direção] das palavras e atos habituais.”
E. EVIDÊNCIAS ADICIONAIS DA AUTENTICIDADE DO DOM PROFÉTICO
1. A oportunidade das mensagens.
2. A natureza prática das mensagens.
3. A certeza absoluta das mensagens.
4. O reconhecimento concedido pelos contemporâneos.
5. A relação com influências externas.
6. Os fenômenos físicos que acompanhavam as visões.
Para algumas ilustrações muito úteis dessas evidências no ministério de Ellen G. White, veja D. E. Rebok, Believe His Prophets, pp. 108-159.
III. ELLEN G. WHITE FOI UMA VERDADEIRA PROFETISA DO SENHOR?
A. A SUPOSTA NEGAÇÃO
1. No sábado, 1º de outubro de 1904, enquanto pregava no Tabernáculo de Battle Creek para uma audiência estimada entre 2.500 e 3.000 pessoas, e no dia seguinte, domingo, falando a aproximadamente 2.000 pessoas, ela fez uma declaração no sentido de que nunca havia afirmado ser profetisa.
B. O RESULTADO
1. A imprensa secular rapidamente se apoderou de sua declaração, explorando-a e interpretando-a como significando que Ellen G. White estava, com isso, negando seu papel como profetisa adventista do sétimo dia.
2. “Muitos” adventistas do sétimo dia — incluindo A. T. Jones — “tropeçaram” nessa declaração. Ficaram confusos e perplexos porque muitos sustentavam uma concepção de inspiração verbal estrita e rejeitavam a necessidade de interpretar textos inspirados.
C. O ESCLARECIMENTO
1. Ela afirmou que nunca reivindicara o título de profetisa.
2. Mas, igualmente importante, nunca rejeitou a função de profetisa!
a. “Alguns tropeçaram no fato de eu ter dito que não reivindicava ser profetisa, e perguntaram: Por que isso?”
“Não tenho reivindicações a fazer, exceto que fui instruída de que sou a mensageira do Senhor… No início de meu trabalho perguntaram-me várias vezes: Você é profetisa? Sempre respondi: ‘Sou a mensageira do Senhor.’ Sei que muitos me chamaram de profetisa, mas não reivindiquei esse título. Meu Salvador declarou que eu era Sua mensageira. ‘Seu trabalho’, Ele me instruiu, ‘é levar Minha palavra. Coisas estranhas surgirão; e em sua juventude Eu a separei para levar a mensagem aos que erram, para apresentar a palavra diante dos incrédulos e, pela pena e pela voz, reprovar pela Palavra ações que não são corretas. Exorte pela Palavra. Eu tornarei Minha Palavra clara para você… Meu espírito e Meu poder estarão com você.
“‘Não tenha medo dos homens, pois Meu escudo a protegerá. Não é você quem fala; é o Senhor quem dá as mensagens de advertência e reprovação. Nunca se desvie da verdade sob circunstância alguma. Dê a luz que Eu lhe der. As mensagens para estes últimos dias deverão ser escritas em livros e permanecerão imortalizadas, para testemunhar contra aqueles que uma vez se alegraram na luz, mas foram levados a abandoná-la por causa das influências sedutoras do mal.’” (Ms. 63, 29 de junho de 1906, publicado na RH, 26 de julho de 1906, pp. 8, 9, e posteriormente em 1ME 31-36.)
D. O RACIOCÍNIO
Havia duas razões pelas quais Ellen White nunca reivindicou o título de profetisa, embora deva ser observado que ela nunca rejeitou a função, e essa distinção é crucial!
1. A razão semântica:
a. Ellen White fazia cuidadosa distinção entre uma definição estritamente bíblica ou de dicionário da palavra profeta — denotação — e a compreensão mais popular e coloquial do termo — conotação.
b. Ela não tinha qualquer problema com a primeira — a denotação.
c. Tinha todo tipo de problema com a segunda — a conotação — pois, aos olhos do público em geral, e também de alguns adventistas do sétimo dia, o termo profeta normalmente estava associado a alguém que fazia pelo menos uma de três coisas:
(1) Predizia o futuro, como um adivinho.
(2) Realizava milagres provenientes de Deus.
(3) Escrevia parte da Bíblia.
d. Ela não desejava que seu ministério fosse limitado pela estreita compreensão pública daquilo que o termo profeta significava.
e. No Novo Testamento:
(1) João Batista não fez predições — não há elemento preditivo em suas declarações registradas na Escritura —, não realizou milagres (João 10:41), e suas declarações não fizeram parte do cânon do Novo Testamento.
(2) Contudo, Jesus o caracterizou como o maior dos profetas e, na verdade, mais do que profeta (Mateus 11:4, 9; Lucas 7:26, 29).
f. Ela via seu próprio papel — assim como o de sua Igreja — como análogo ao de João Batista:
(1) Ele preparou o mundo para a primeira vinda de Cristo.
(2) Ela — e sua Igreja — preparava o mundo para a segunda vinda de Cristo.
g. Quando pressionada por seus companheiros de igreja a dar-lhes um “rótulo” que descrevesse e definisse seu papel e sua obra, invariavelmente utilizava a expressão: “Sou a mensageira do Senhor.”
(1) A expressão é bíblica e utilizada para descrever profetas bíblicos: Ageu (1:13) e João Batista (Malaquias 3:1; Mateus 11:10; Marcos 1:2).
2. A razão prática:
a. Historicamente, em sua época, o termo profeta estava amplamente desacreditado, sobretudo por causa do mórmon Joseph Smith, que se proclamara profeta.
(1) Smith assumiu publicamente o título, com grande alarde.
(2) Posteriormente, ensinou e praticou a poligamia na colônia mórmon de Nauvoo, Illinois — sob o eufemismo “casamento plural” ou “casamento celestial”.
(a) Isso provocou ampla repulsa entre as pessoas.
(b) Em parte como resultado disso, Smith e seu irmão Hyrum foram assassinados enquanto estavam presos em uma cadeia local, em 27 de junho de 1844.
b. Mesmo na década de 1860, o termo profeta ainda provocava certo estigma em muitos setores do público.
c. Ellen White não adotava o título para si mesma, não desejando qualquer associação com os mórmons e suas doutrinas peculiares.
(1) Mesmo assim, em Knoxville, Iowa, foi relatado que um homem afirmou conhecer pessoalmente James e Ellen White na colônia mórmon de Nauvoo, Illinois. Mas ela tinha apenas 12 anos na época mencionada e ainda não era casada! (Veja 2SG iv, prefácio.)
Para mais detalhes sobre este assunto, veja Roger W. Coon, “Ellen G. White’s Disturbing Disclaimer of 1904: Did She Really Deny Her Prophetic Gift?”, em Sourcebook, C-5.
IV. A QUESTÃO DE UM SUCESSOR PARA ELLEN G. WHITE
1. Nos poucos anos anteriores à morte de Ellen White, os principais líderes da Igreja estavam preocupados com a questão de um sucessor para o ofício profético.
a. O vice-presidente da Associação Geral, M. N. Campbell, visitou Ellen White em 1914 para perguntar se ela havia recebido alguma palavra do Senhor sobre esse assunto e também se viveria para ver Jesus retornar à Terra.
(1) Ela havia tido um sonho por volta de 1898 no qual se via saindo de um lugar muito escuro para uma luz muito brilhante.
(2) À medida que seus olhos se ajustavam, percebeu que alguém caminhava ao seu lado — seu marido, James, que havia morrido antes dela, em 1881.
(3) James olhou para ela, reconheceu-a e, espantado, disse: “O quê, você também, Ellen?” (General Conference Bulletin, 1913, p. 219.)
b. Em 1883, ela escreveu uma carta de conforto a uma amiga moribunda, a senhora Charlotte Bourdeau, na qual declarou que ela própria também ressuscitaria do túmulo no dia da ressurreição. (Carta 28, 1883.)
c. Ellen White havia sido frequentemente perguntada se haveria um sucessor, e sempre respondia com uma declaração em duas partes:
(1) Não sei se haverá ou não outro profeta, porque o Senhor não me disse.
(2) Mas Ele me disse que, seja minha vida preservada ou não, aquilo que escrevi é suficiente para conduzir a Igreja até o fim do tempo.
(a) Alguns concluíram, incorretamente, que se a Igreja não necessita de outro profeta antes do fim, isso prova que não haverá outro.
(b) Mas a própria Ellen White disse que não teríamos necessitado dela se tivéssemos estudado a Bíblia como deveríamos:
“Se vocês tivessem feito da Palavra de Deus seu estudo, com o desejo de alcançar o padrão bíblico e atingir a perfeição cristã, não teriam necessitado dos Testemunhos. Foi porque negligenciaram familiarizar-se com o Livro inspirado de Deus que Ele procurou alcançá-los por meio de testemunhos simples e diretos, chamando sua atenção para as palavras da inspiração que haviam negligenciado obedecer e instando-os a moldar sua vida de acordo com seus ensinos puros e elevados.” (2T 605; republicado em 5T 665.)
(c) E se Deus, em Sua sabedoria, amor e misericórdia, nos concedeu o dom de profecia em Ellen White, Ele poderia muito bem fazê-lo novamente no futuro!
(3) Com base em Joel 2:28-32, existe espaço para a possibilidade de mais de um profeta na Igreja remanescente de Deus no tempo do fim.
CONCLUSÃO
1. Haverá outro verdadeiro profeta na Igreja Adventista do Sétimo Dia antes que Jesus retorne?
a. Devemos admitir que Joel 2:28-32 permite essa possibilidade.
b. Pedro, em seu sermão no Pentecostes, em Atos 2, falou do Pentecostes como cumprimento de Joel 2:
(1) O Pentecostes foi apenas um cumprimento parcial de Joel 2.
(2) Os fenômenos sobrenaturais nos corpos celestes ainda constituíam um cumprimento futuro.
2. Se outro profeta surgisse em nosso próprio tempo, seu papel poderia muito bem ser bastante diferente do de Ellen G. White.
a. Nos tempos bíblicos, diferentes profetas desempenharam papéis bastante diferentes:
(1) Moisés foi principalmente administrador; a predição de acontecimentos futuros foi uma parte muito pequena de seu ministério profético.
(2) João Batista — o maior de todos os profetas segundo Jesus — teve um papel quase inexistente como preditor de acontecimentos futuros.
b. Poderia, de fato, haver mais de um futuro cumprimento de Joel 2 nos últimos dias, à medida que o povo remanescente enfrentasse dificuldades e perseguições.
3. Em qualquer caso, se outro profeta aparecesse na Igreja, ele ou ela teria de submeter-se a todos os testes bíblicos de um profeta legítimo, assim como todos os profetas depois do primeiro fizeram nos tempos bíblicos e como Ellen G. White fez em sua época:
a. Todos os testes devem ser aplicados.
b. Eles são cumulativos; e o conjunto de materiais por meio dos quais o dom é testado também é cumulativo.
c. Quaisquer testes apresentados por Ellen White, além daqueles encontrados na Escritura, necessariamente precisariam ser aplicados.
d. A liderança da Igreja possui um papel a desempenhar nesse processo de avaliação:
“Deus não passou por Seu povo e escolheu um homem isolado aqui e outro ali como os únicos dignos de receber Sua verdade. Ele não concede a um homem nova luz contrária à fé estabelecida do corpo… O erro nunca é inofensivo. Nunca santifica, mas sempre produz confusão e dissensão… A única segurança para qualquer um de nós está em não receber nenhuma nova doutrina, nenhuma nova interpretação das Escrituras, sem primeiro submetê-la a irmãos de experiência. Apresente-a diante deles com espírito humilde e disposto a aprender, com fervorosa oração, e, se eles não enxergarem luz nela, submeta-se ao julgamento deles, pois ‘na multidão de conselheiros há segurança’… Homens e mulheres surgirão professando possuir alguma nova luz ou alguma nova revelação cuja tendência será abalar a fé nos antigos marcos… Nunca poderemos ser vigilantes demais contra toda forma de erro, pois Satanás está constantemente procurando afastar os homens da verdade.” (5T 291-296.)
4. Devem-se esperar as falsificações de Satanás; não deveríamos nos surpreender quando aparecerem.
a. Elas podem muito bem ser acompanhadas de fenômenos sobrenaturais e até de cumprimento limitado de predições.
b. “Sempre haverá movimentos falsos e fanáticos… na Igreja…” (2ME 84.)
5. O fato de que “nada seja objetável” na declaração de qualquer alegado profeta não constitui, em si mesmo, evidência suficiente para satisfazer o critério de Ellen White de “evidência clara”:
a. Mensagens falsas, de fato, conterão “alguma verdade”, talvez até “muita verdade” (2ME 17).
(1) “Ela pode dizer muitas coisas boas, pode falar muita coisa que é verdade, mas o inimigo das almas também o faz. A falsificação, em muitos aspectos, se parecerá com o verdadeiro.” (2ME 74-75.)
6. Ellen White contrasta “excitação dos sentimentos” com “entusiasmo saudável”:
a. “Se trabalharmos para criar excitação dos sentimentos, teremos tudo o que desejamos, e mais do que possivelmente saberemos administrar. Calma e bravamente, ‘Pregue a Palavra’. Não devemos considerar nossa obra criar excitação. Somente o Espírito Santo de Deus pode criar entusiasmo saudável. Deixe Deus trabalhar e que o agente humano ande suavemente diante Dele, vigiando, esperando, orando, olhando para Jesus a cada momento, conduzido e controlado pelo precioso Espírito, que é luz e vida.” (2ME 16, 17.)
b. “Devemos ir ao povo com a sólida Palavra de Deus, e quando recebem essa Palavra, o Espírito Santo pode vir, mas Ele sempre vem, como declarei antes, de maneira que se recomenda ao julgamento do povo. Em nosso falar, em nosso cantar e em todos os nossos exercícios espirituais, devemos revelar aquela calma, dignidade e temor piedoso que move todo verdadeiro filho de Deus.” (2ME 43.)
c. “É por meio da Palavra — não do sentimento, não da excitação — que desejamos influenciar o povo a obedecer à verdade. Sobre a plataforma da Palavra de Deus podemos permanecer em segurança.” (3ME 375.)
7. Ellen White também especifica que discernimento especial não deve ser igualado ao dom profético (1T 708, 709).
PARA ESTUDO ADICIONAL
Baker, Glen. “Anna Phillips — A Second Prophet”, Adventist Review, 6 de fevereiro de 1986, pp. 8-10; e “Anna Phillips — Not Another Prophet”, ibid., 20 de fevereiro de 1986, pp. 8-10.
Coon, Roger W. A Gift of Light. Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1983, 63 pp.
——–. Heralds of New Light: Another Prophet to the Remnant? Boise, Idaho: Pacific Press Publishing Association, 1987, 32 pp.
——–. “The ‘Tangled Web’ of Margaret Rowen: the Bizarre Story of the Woman Who Would Be Prophet”, White Estate, 17 de outubro de 1991, 5 pp. (Em Sourcebook, C-7.)
[Frank B. Holbrook], “The Current Phenomenon of Thought Messages”, Biblical Research Institute, abril de 1986, 9 pp.
Jemison, T. Housel. A Prophet Among You. Mountain View, Califórnia: Pacific Press Publishing Association, 1955, pp. 99-116.
Rebok, Denton Edward. Believe His Prophets. Washington, D.C.: Review and Herald Publishing Association, 1956, pp. 79-159.
Spangler, J. R. “The Gift of Prophecy and ‘Thought Voices’”, Ministry, junho de 1986, pp. 4-7.
White, Arthur L. “Will There Be Another Special Messenger?”, White Estate, abril de 1949, 7 pp. (Em Notes and Papers Concerning Ellen G. White and the Spirit of Prophecy, 7ª ed., 1974, pp. 107-111.)
White, Ellen G. “Earmarks of Erroneous Teaching” [Anna Garmire], Selected Messages, livro 2, pp. 80-84.
——–. “The Visions of Anna [Rice] Phillips”, ibid., pp. 85-95.
White, W. C. “Confidence in God”, General Conference Bulletin, [30 de maio] de 1913, pp. 218-221.





